Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2337230 Português

Observe a placa a seguir: 


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Disponível em: <http://www.instagram.com/>. Acesso em: 20 nov. 2023.


Assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas
Q2337229 Português
TEXTO 1

Descaso da T4F e de Taylor Swift com a família de Ana Benevides é chocante, e ruim para a imagem de ambos

Produtora e cantora não fornecem ajuda financeira aos parentes da fã morta

Tony Goes

20 nov. 2023, às 12:00

    "É com pesar que informamos que a família de Ana teve que recorrer a um empréstimo para possibilitar seu retorno para casa. Infelizmente, a T4F segue decepcionando e não ofereceu suporte nesta questão".
      Assim começa uma postagem publicada à 1h27 desta segunda (20) no X (antigo Twitter) pelo site Update Swift Brasil, que reúne fãs da cantora Taylor Swift. O texto prossegue informando que está rolando, uma vaquinha para ajudar a família de Ana Benevides, e fornece a chave Pix para que sejam feitas doações.
     Um parente dos Benevides desmentiu à Folha que a família tenha pedido um empréstimo. Mas é verdade que a T4F, contratante e produtora dos shows de Taylor Swift no Brasil, ofereceu apenas "apoio psicológico" aos pais da fã sul-mato-grossense que passou mal logo no começo do show de sexta-feira (17) no Rio de Janeiro e morreu de parada cardiorrespiratória no hospital Salgado Filho pouco depois.
       A Time For Fun, mais conhecida pela sigla T4F, está longe de ser uma empresa querida pelo público. Atuante no mercado de espetáculos desde 1998, ela vem acumulando reclamações há mais de uma década, que vão da dificuldade em comprar ingressos pela internet à desorganização e falta de estrutura em vários shows. No site Reclame Aqui, que agrega queixas contra diversas empresas, a T4F recebe atualmente a nota 6,0, considerada ruim, com base apenas nas reclamações recebidas nos últimos 12 meses.
          Esta nota deve despencar nos próximos dias. É inacreditável que a direção da T4F ainda não tenha percebido a gravidade do ocorrido. Mesmo que Ana Benevides tenha morrido de causas alheias à responsabilidade da companhia, o prestamento de apoio financeiro e logístico à família custaria muito mais barato que o desgaste de imagem que a T4F vem sofrendo agora.
      Os problemas não se resumem à morte da jovem. Outros fãs reclamaram de queimaduras de 2º grau provocadas por placas de metal colocadas no chão do estádio Engenhão, no Rio. A empresa respondeu apenas que estava tudo dentro dos conformes. Novamente, não se deu conta do tamanho da encrenca.
           Outra que parece não estar em sintonia com o público é a própria Taylor Swift. Na madrugada de sexta (17) para sábado (18), a cantora postou nas redes sociais uma carta manuscrita onde se dizia "arrasada" pela morte de Ana Benevides, mas que não mencionaria o caso em suas próximas apresentações.
        Talvez seja uma questão cultural, mas os brasileiros adorariam que Ana fosse homenageada durante o show, talvez até com fotos projetadas no telão. O tributo poderia se estender a Gabriel Mongenot, o fã assassinado na praia de Copacabana. O crime, obviamente, não foi culpa da cantora nem da produtora, mas o rapaz veio de longe para assistir ao show. Alguém da produção poderia ter avisado Taylor que somos um povo emotivo, e que pegaria bem para ela lembrar no palco de seus dois admiradores mortos.
           Mas o que ela fez até agora? Incluiu a canção "Bigger Than the Whole Sky", do album "Midnights" (2022) no setlist do show de domingo (19). A letra fala de luto e perda, mas Taylor Swift não foi além disso. Tampouco enfiou a mão em seus profundíssimos bolsos para ajudar a família de Ana Benevides.
            Na noite desta segunda (20), Taylor fará seu terceiro e último show no Rio. No fim de semana que vem estará em São Paulo, para mais três shows. Isto quer dizer, entre outras coisas, que o descaso tanto dela quanto da T4F continuará na mídia. Torçamos para que a organização esteja menos caótica e que o público não sofra tanto.
           Tampouco é preciso ser um gênio de marketing para perceber que demonstrar um mínimo de compaixão e fornecer alguma ajuda financeira à família Benevides faria maravilhas para as imagens de ambos.


Disponível em: <https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/tonygoes/2023/11/descaso-da-t4f-e-de-taylor-swift-com-a-familia-de-ana-benevides-e-chocante-e-ruimpara-a-imagem-de
ambos.shtm>. Acesso em: 20 nov. 2023. 
Leia o seguinte trecho:
   Na noite desta segunda (20), Taylor fará seu terceiro e último show no Rio. No fim de semana que vem Ø estará em São Paulo, para mais três shows. Isto quer dizer, entre outras coisas, que o descaso tanto dela quanto da T4F continuará na mídia. Torçamos para que a organização esteja menos caótica e que o público não sofra tanto.    Tampouco é preciso ser um gênio de marketing para perceber que demonstrar um mínimo de compaixão e fornecer alguma ajuda financeira à família Benevides faria maravilhas para as imagens de ambos. 

A partir deste contexto é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q2337227 Português
TEXTO 1

Descaso da T4F e de Taylor Swift com a família de Ana Benevides é chocante, e ruim para a imagem de ambos

Produtora e cantora não fornecem ajuda financeira aos parentes da fã morta

Tony Goes

20 nov. 2023, às 12:00

    "É com pesar que informamos que a família de Ana teve que recorrer a um empréstimo para possibilitar seu retorno para casa. Infelizmente, a T4F segue decepcionando e não ofereceu suporte nesta questão".
      Assim começa uma postagem publicada à 1h27 desta segunda (20) no X (antigo Twitter) pelo site Update Swift Brasil, que reúne fãs da cantora Taylor Swift. O texto prossegue informando que está rolando, uma vaquinha para ajudar a família de Ana Benevides, e fornece a chave Pix para que sejam feitas doações.
     Um parente dos Benevides desmentiu à Folha que a família tenha pedido um empréstimo. Mas é verdade que a T4F, contratante e produtora dos shows de Taylor Swift no Brasil, ofereceu apenas "apoio psicológico" aos pais da fã sul-mato-grossense que passou mal logo no começo do show de sexta-feira (17) no Rio de Janeiro e morreu de parada cardiorrespiratória no hospital Salgado Filho pouco depois.
       A Time For Fun, mais conhecida pela sigla T4F, está longe de ser uma empresa querida pelo público. Atuante no mercado de espetáculos desde 1998, ela vem acumulando reclamações há mais de uma década, que vão da dificuldade em comprar ingressos pela internet à desorganização e falta de estrutura em vários shows. No site Reclame Aqui, que agrega queixas contra diversas empresas, a T4F recebe atualmente a nota 6,0, considerada ruim, com base apenas nas reclamações recebidas nos últimos 12 meses.
          Esta nota deve despencar nos próximos dias. É inacreditável que a direção da T4F ainda não tenha percebido a gravidade do ocorrido. Mesmo que Ana Benevides tenha morrido de causas alheias à responsabilidade da companhia, o prestamento de apoio financeiro e logístico à família custaria muito mais barato que o desgaste de imagem que a T4F vem sofrendo agora.
      Os problemas não se resumem à morte da jovem. Outros fãs reclamaram de queimaduras de 2º grau provocadas por placas de metal colocadas no chão do estádio Engenhão, no Rio. A empresa respondeu apenas que estava tudo dentro dos conformes. Novamente, não se deu conta do tamanho da encrenca.
           Outra que parece não estar em sintonia com o público é a própria Taylor Swift. Na madrugada de sexta (17) para sábado (18), a cantora postou nas redes sociais uma carta manuscrita onde se dizia "arrasada" pela morte de Ana Benevides, mas que não mencionaria o caso em suas próximas apresentações.
        Talvez seja uma questão cultural, mas os brasileiros adorariam que Ana fosse homenageada durante o show, talvez até com fotos projetadas no telão. O tributo poderia se estender a Gabriel Mongenot, o fã assassinado na praia de Copacabana. O crime, obviamente, não foi culpa da cantora nem da produtora, mas o rapaz veio de longe para assistir ao show. Alguém da produção poderia ter avisado Taylor que somos um povo emotivo, e que pegaria bem para ela lembrar no palco de seus dois admiradores mortos.
           Mas o que ela fez até agora? Incluiu a canção "Bigger Than the Whole Sky", do album "Midnights" (2022) no setlist do show de domingo (19). A letra fala de luto e perda, mas Taylor Swift não foi além disso. Tampouco enfiou a mão em seus profundíssimos bolsos para ajudar a família de Ana Benevides.
            Na noite desta segunda (20), Taylor fará seu terceiro e último show no Rio. No fim de semana que vem estará em São Paulo, para mais três shows. Isto quer dizer, entre outras coisas, que o descaso tanto dela quanto da T4F continuará na mídia. Torçamos para que a organização esteja menos caótica e que o público não sofra tanto.
           Tampouco é preciso ser um gênio de marketing para perceber que demonstrar um mínimo de compaixão e fornecer alguma ajuda financeira à família Benevides faria maravilhas para as imagens de ambos.


Disponível em: <https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/tonygoes/2023/11/descaso-da-t4f-e-de-taylor-swift-com-a-familia-de-ana-benevides-e-chocante-e-ruimpara-a-imagem-de
ambos.shtm>. Acesso em: 20 nov. 2023. 
Com relação à ideia central do Texto 1, assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q2337138 Português
Tá legal.
Eu aceito o argumento,
mas não me altere o samba tanto assim.
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
de um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim.

Paulinho da Viola. Argumento. 1975.

Sobre os componentes e a estruturação desse segmento textual, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q2337107 Português
Leia o texto a seguir:


E tinha a cabeça cheia deles - Marina Colasanti


Todos os dias, ao primeiro sol da manhã, mãe e filha sentavam-se na soleira da porta. E deitada a cabeça da filha no colo da mãe, começava esta a catar-lhe piolhos.

Os dedos ágeis conheciam sua tarefa. Como se vissem, patrulhavam a cabeleira separando mechas, esquadrinhando entre os fios, expondo o claro azulado do couro. E na alternância ritmada de suas pontas macias, procuravam os minúsculos inimigos, levemente arranhando com as unhas, em carícia de cafuné.

Com o rosto metido no escuro pano da saia da mãe, vertidos os cabelos sobre a testa, a filha deixava-se ficar enlanguescida, enquanto a massagem tamborilada daqueles dedos parecia penetrar-lhe a cabeça, e o calor crescente da manhã lhe entrefechava os olhos.

Foi talvez devido à modorra que a invadia, entrega prazerosa de quem se submete a outros dedos, que nada percebeu naquela manhã – a não ser, talvez, uma leve pontada – quando a mãe, devassando gulosa o secreto reduto da nuca, segurou seu achado entre polegar e indicador e, puxando-o ao longo do fio negro e lustroso em gesto de vitória, extraiu-lhe o primeiro pensamento.


Fonte: https://contobrasileiro.com.br/e-tinha-a-cabeca-cheia-deles-marinacolassanti/. Acesso em 21/09/2023
A leitura do conto permite a depreensão de um contraste, que se estabelece entre:
Alternativas
Q2337016 Português

Enquanto a interpretação de texto procura decodificar seus significados, a compreensão de texto procura mostrar como os significados são construídos.


Tendo por base a frase 


Para manter a forma, sigo uma dica da minha avó: tomo café da manhã como rainha, almoço como princesa e janto como mendigo,  assinale a questão que está no terreno da compreensão e não no da interpretação. 

Alternativas
Q2337014 Português
Assinale a frase que mostra um traço de oralidade. 
Alternativas
Q2337013 Português

A língua humana é cabal para dizer o que se passa no espírito, mas é incapaz de dizer o que vem do coração. Machado de Assis. 


Assinale a opção em que o mesmo pensamento aparece. 

Alternativas
Q2336989 Português

Leia o trecho a seguir. 


Quem organiza uma antologia escreve sempre um prefácio em que declara o critério adotado. Agora sei que os prefácios são inúteis, e entre apanhar e apanhar, antes apanhar sem prefácio.


(Manuel Bandeira) 



Sobre o conteúdo e a estruturação desse pequeno texto, assinale a afirmativa correta. 

Alternativas
Q2336988 Português

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.


ASSIS, Machado de. Memórias Póstuma de Brás Cubas. Nova Aguilar, Rio de Janeiro: 1994.



Sobre a estrutura e os componentes desse fragmento, assinale a afirmativa adequada. 

Alternativas
Q2336985 Português

Leia a frase a seguir que apresenta um conselho para a produção de frases eficientes: 



“Coloque as inserções na posição mais adequada, de forma que não separem as palavras que estão sintática e obrigatoriamente relacionadas”.



Assinale a opção em que essa recomendação foi obedecida. 

Alternativas
Q2336984 Português

“Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação espacial.”


CONY, Carlos Heitor. Estojo escolar.



Sobre a estruturação e os componentes linguísticos desse pequeno texto, assinale a afirmativa correta. 

Alternativas
Q2336941 Português

Leia o fragmento a seguir.


Fundada em 07/04/1908 pelo catarinense Gustavo Lacerda, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), órgão que congrega os jornalistas brasileiros, teve Herbert Moses como seu presidente durante 50 anos. É a maior expressão do jornalismo brasileiro, constituindo assim, um fato raro de ser igualado no mundo.


Esse fragmento – retirado de um dicionário de curiosidades sobre o Rio de Janeiro, publicado em 1965 - mostra inúmeros problemas em sua construção. 



Assinale a opção em que a indicação do problema está inadequada. 

Alternativas
Q2336898 Português
Assinale a opção que apresenta a frase em que a tese exposta é acompanhada de argumentos que a defendem. 
Alternativas
Q2336892 Português

Um dos principais estudos dos jovens deveria ser aprender a suportar a solidão, pois ela é a fonte da felicidade e da serenidade. (Schopenhauer)


Sobre essa frase, assinale a afirmativa correta. 

Alternativas
Q2336587 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda a questão, que a ele se refere.

Texto 01 





Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12665/das-vantagens-de-ser-bobo.
Acesso em: 9 out. 2023.


Tendo em vista as ideias do texto, infere-se que:
Alternativas
Q2336461 Português
A arte de envelhecer


     Achei que estava bem na foto. Magro, olhar vivo, rindo com os amigos na praia. Quase não havia cabelos brancos entre os poucos que sobreviviam. Comparada ao homem de hoje, era a fotografia de um jovem.

     Tinha 50 anos naquela época, entretanto, idade em que me considerava bem distante da juventude. Se me for dado o privilégio de chegar aos 90 em pleno domínio da razão, é possível que uma imagem de agora me cause impressão semelhante.

     O envelhecimento é sombra que nos acompanha desde a concepção: o feto de seis meses é muito mais velho do que o embrião de cinco dias.

     Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual somos inigualáveis: a adaptação. Não há animal capaz de criar soluções diante da adversidade como nós, de sobreviver em nichos ecológicos que vão do calor tropical às geleiras do Ártico.

     Da mesma forma que ensaiamos os primeiros passos por imitação, temos que aprender a ser adolescentes, adultos e a ficar cada vez mais velhos.

     A adolescência é um fenômeno moderno. Nossos ancestrais passavam da infância à vida adulta sem estágios intermediários. Nas comunidades agrárias, o menino de sete anos trabalhava na roça e as meninas cuidavam dos afazeres domésticos antes de chegar a essa idade.

     A figura do adolescente que mora com os pais até os 30 anos, sem abrir mão do direito de reclamar da comida à mesa e da camisa mal passada, surgiu nas sociedades industrializadas depois da Segunda Guerra Mundial. Bem mais cedo, nossos avós tinham filhos para criar.

     Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem “cabeça de jovem”. É considerá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de 10.

     A exaltação da juventude como o período áureo da existência humana é um mito das sociedades ocidentais. Confinar aos jovens a publicidade dos bens de consumo, exaltar a estética, os costumes e os padrões de comportamento característicos dessa faixa etária, tem o efeito perverso de insinuar que o declínio começa assim que essa fase se aproxima do fim.

     A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados. Sócrates tomou cicuta aos 70 anos, Cícero foi assassinado aos 63, Matusalém, sabe-se lá quantos anos teve, mas seus contemporâneos gregos, romanos ou judeus viviam em média 30 anos. No início do século 20, a expectativa de vida ao nascer, nos países da Europa mais desenvolvida, não passava dos 40 anos.

     A mortalidade infantil era altíssima, epidemias de peste negra, varíola, malária, febre amarela, gripe e tuberculose dizimavam populações inteiras. Nossos ancestrais viveram num mundo devastado por guerras, enfermidades infecciosas, escravidão, dores sem analgesia e a onipresença da mais temível das criaturas. Que sentido haveria em pensar na velhice, quando a probabilidade de morrer jovem era tão alta? Seria como hoje preocupar-nos com a vida aos cem anos de idade, que pouquíssimos conhecerão.

     Os que estão vivos agora têm boa chance de passar dos 80. Se assim for, é preciso sabedoria para aceitar que nossos atributos se modificam com o passar dos anos. Que nenhuma cirurgia devolverá, aos 60, o rosto que tínhamos aos 18, mas que envelhecer não é sinônimo de decadência física para aqueles que se movimentam, não fumam, comem com parcimônia, exercitam a cognição e continuam atentos às transformações do mundo.

     Considerar a vida um vale de lágrimas no qual submergimos de corpo e alma ao deixar a juventude, é torná-la experiência medíocre. Julgar aos 80 anos, que os melhores foram aqueles dos 15 aos 25 é não levar em conta que a memória é editora autoritária, capaz de suprimir por conta própria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento as inseguranças, medos, desilusões afetivas, riscos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época.

     Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente.


(Dráuzio Varella. Acesso em: 01/10/2023.)

O texto apresenta como título “A arte de envelhecer”. Assinale a afirmativa que explica o título adequadamente.
Alternativas
Q2336460 Português
A arte de envelhecer


     Achei que estava bem na foto. Magro, olhar vivo, rindo com os amigos na praia. Quase não havia cabelos brancos entre os poucos que sobreviviam. Comparada ao homem de hoje, era a fotografia de um jovem.

     Tinha 50 anos naquela época, entretanto, idade em que me considerava bem distante da juventude. Se me for dado o privilégio de chegar aos 90 em pleno domínio da razão, é possível que uma imagem de agora me cause impressão semelhante.

     O envelhecimento é sombra que nos acompanha desde a concepção: o feto de seis meses é muito mais velho do que o embrião de cinco dias.

     Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual somos inigualáveis: a adaptação. Não há animal capaz de criar soluções diante da adversidade como nós, de sobreviver em nichos ecológicos que vão do calor tropical às geleiras do Ártico.

     Da mesma forma que ensaiamos os primeiros passos por imitação, temos que aprender a ser adolescentes, adultos e a ficar cada vez mais velhos.

     A adolescência é um fenômeno moderno. Nossos ancestrais passavam da infância à vida adulta sem estágios intermediários. Nas comunidades agrárias, o menino de sete anos trabalhava na roça e as meninas cuidavam dos afazeres domésticos antes de chegar a essa idade.

     A figura do adolescente que mora com os pais até os 30 anos, sem abrir mão do direito de reclamar da comida à mesa e da camisa mal passada, surgiu nas sociedades industrializadas depois da Segunda Guerra Mundial. Bem mais cedo, nossos avós tinham filhos para criar.

     Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem “cabeça de jovem”. É considerá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de 10.

     A exaltação da juventude como o período áureo da existência humana é um mito das sociedades ocidentais. Confinar aos jovens a publicidade dos bens de consumo, exaltar a estética, os costumes e os padrões de comportamento característicos dessa faixa etária, tem o efeito perverso de insinuar que o declínio começa assim que essa fase se aproxima do fim.

     A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados. Sócrates tomou cicuta aos 70 anos, Cícero foi assassinado aos 63, Matusalém, sabe-se lá quantos anos teve, mas seus contemporâneos gregos, romanos ou judeus viviam em média 30 anos. No início do século 20, a expectativa de vida ao nascer, nos países da Europa mais desenvolvida, não passava dos 40 anos.

     A mortalidade infantil era altíssima, epidemias de peste negra, varíola, malária, febre amarela, gripe e tuberculose dizimavam populações inteiras. Nossos ancestrais viveram num mundo devastado por guerras, enfermidades infecciosas, escravidão, dores sem analgesia e a onipresença da mais temível das criaturas. Que sentido haveria em pensar na velhice, quando a probabilidade de morrer jovem era tão alta? Seria como hoje preocupar-nos com a vida aos cem anos de idade, que pouquíssimos conhecerão.

     Os que estão vivos agora têm boa chance de passar dos 80. Se assim for, é preciso sabedoria para aceitar que nossos atributos se modificam com o passar dos anos. Que nenhuma cirurgia devolverá, aos 60, o rosto que tínhamos aos 18, mas que envelhecer não é sinônimo de decadência física para aqueles que se movimentam, não fumam, comem com parcimônia, exercitam a cognição e continuam atentos às transformações do mundo.

     Considerar a vida um vale de lágrimas no qual submergimos de corpo e alma ao deixar a juventude, é torná-la experiência medíocre. Julgar aos 80 anos, que os melhores foram aqueles dos 15 aos 25 é não levar em conta que a memória é editora autoritária, capaz de suprimir por conta própria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento as inseguranças, medos, desilusões afetivas, riscos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época.

     Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente.


(Dráuzio Varella. Acesso em: 01/10/2023.)

O objetivo principal do texto é: 
Alternativas
Q2336459 Português
A arte de envelhecer


     Achei que estava bem na foto. Magro, olhar vivo, rindo com os amigos na praia. Quase não havia cabelos brancos entre os poucos que sobreviviam. Comparada ao homem de hoje, era a fotografia de um jovem.

     Tinha 50 anos naquela época, entretanto, idade em que me considerava bem distante da juventude. Se me for dado o privilégio de chegar aos 90 em pleno domínio da razão, é possível que uma imagem de agora me cause impressão semelhante.

     O envelhecimento é sombra que nos acompanha desde a concepção: o feto de seis meses é muito mais velho do que o embrião de cinco dias.

     Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual somos inigualáveis: a adaptação. Não há animal capaz de criar soluções diante da adversidade como nós, de sobreviver em nichos ecológicos que vão do calor tropical às geleiras do Ártico.

     Da mesma forma que ensaiamos os primeiros passos por imitação, temos que aprender a ser adolescentes, adultos e a ficar cada vez mais velhos.

     A adolescência é um fenômeno moderno. Nossos ancestrais passavam da infância à vida adulta sem estágios intermediários. Nas comunidades agrárias, o menino de sete anos trabalhava na roça e as meninas cuidavam dos afazeres domésticos antes de chegar a essa idade.

     A figura do adolescente que mora com os pais até os 30 anos, sem abrir mão do direito de reclamar da comida à mesa e da camisa mal passada, surgiu nas sociedades industrializadas depois da Segunda Guerra Mundial. Bem mais cedo, nossos avós tinham filhos para criar.

     Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem “cabeça de jovem”. É considerá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de 10.

     A exaltação da juventude como o período áureo da existência humana é um mito das sociedades ocidentais. Confinar aos jovens a publicidade dos bens de consumo, exaltar a estética, os costumes e os padrões de comportamento característicos dessa faixa etária, tem o efeito perverso de insinuar que o declínio começa assim que essa fase se aproxima do fim.

     A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados. Sócrates tomou cicuta aos 70 anos, Cícero foi assassinado aos 63, Matusalém, sabe-se lá quantos anos teve, mas seus contemporâneos gregos, romanos ou judeus viviam em média 30 anos. No início do século 20, a expectativa de vida ao nascer, nos países da Europa mais desenvolvida, não passava dos 40 anos.

     A mortalidade infantil era altíssima, epidemias de peste negra, varíola, malária, febre amarela, gripe e tuberculose dizimavam populações inteiras. Nossos ancestrais viveram num mundo devastado por guerras, enfermidades infecciosas, escravidão, dores sem analgesia e a onipresença da mais temível das criaturas. Que sentido haveria em pensar na velhice, quando a probabilidade de morrer jovem era tão alta? Seria como hoje preocupar-nos com a vida aos cem anos de idade, que pouquíssimos conhecerão.

     Os que estão vivos agora têm boa chance de passar dos 80. Se assim for, é preciso sabedoria para aceitar que nossos atributos se modificam com o passar dos anos. Que nenhuma cirurgia devolverá, aos 60, o rosto que tínhamos aos 18, mas que envelhecer não é sinônimo de decadência física para aqueles que se movimentam, não fumam, comem com parcimônia, exercitam a cognição e continuam atentos às transformações do mundo.

     Considerar a vida um vale de lágrimas no qual submergimos de corpo e alma ao deixar a juventude, é torná-la experiência medíocre. Julgar aos 80 anos, que os melhores foram aqueles dos 15 aos 25 é não levar em conta que a memória é editora autoritária, capaz de suprimir por conta própria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento as inseguranças, medos, desilusões afetivas, riscos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época.

     Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente.


(Dráuzio Varella. Acesso em: 01/10/2023.)

No trecho “Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual somos inigualáveis: a adaptação.” (4º§), a palavra adaptação, quanto ao termo que se refere, tem a seguinte função:
Alternativas
Q2336458 Português
A arte de envelhecer


     Achei que estava bem na foto. Magro, olhar vivo, rindo com os amigos na praia. Quase não havia cabelos brancos entre os poucos que sobreviviam. Comparada ao homem de hoje, era a fotografia de um jovem.

     Tinha 50 anos naquela época, entretanto, idade em que me considerava bem distante da juventude. Se me for dado o privilégio de chegar aos 90 em pleno domínio da razão, é possível que uma imagem de agora me cause impressão semelhante.

     O envelhecimento é sombra que nos acompanha desde a concepção: o feto de seis meses é muito mais velho do que o embrião de cinco dias.

     Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual somos inigualáveis: a adaptação. Não há animal capaz de criar soluções diante da adversidade como nós, de sobreviver em nichos ecológicos que vão do calor tropical às geleiras do Ártico.

     Da mesma forma que ensaiamos os primeiros passos por imitação, temos que aprender a ser adolescentes, adultos e a ficar cada vez mais velhos.

     A adolescência é um fenômeno moderno. Nossos ancestrais passavam da infância à vida adulta sem estágios intermediários. Nas comunidades agrárias, o menino de sete anos trabalhava na roça e as meninas cuidavam dos afazeres domésticos antes de chegar a essa idade.

     A figura do adolescente que mora com os pais até os 30 anos, sem abrir mão do direito de reclamar da comida à mesa e da camisa mal passada, surgiu nas sociedades industrializadas depois da Segunda Guerra Mundial. Bem mais cedo, nossos avós tinham filhos para criar.

     Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem “cabeça de jovem”. É considerá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de 10.

     A exaltação da juventude como o período áureo da existência humana é um mito das sociedades ocidentais. Confinar aos jovens a publicidade dos bens de consumo, exaltar a estética, os costumes e os padrões de comportamento característicos dessa faixa etária, tem o efeito perverso de insinuar que o declínio começa assim que essa fase se aproxima do fim.

     A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados. Sócrates tomou cicuta aos 70 anos, Cícero foi assassinado aos 63, Matusalém, sabe-se lá quantos anos teve, mas seus contemporâneos gregos, romanos ou judeus viviam em média 30 anos. No início do século 20, a expectativa de vida ao nascer, nos países da Europa mais desenvolvida, não passava dos 40 anos.

     A mortalidade infantil era altíssima, epidemias de peste negra, varíola, malária, febre amarela, gripe e tuberculose dizimavam populações inteiras. Nossos ancestrais viveram num mundo devastado por guerras, enfermidades infecciosas, escravidão, dores sem analgesia e a onipresença da mais temível das criaturas. Que sentido haveria em pensar na velhice, quando a probabilidade de morrer jovem era tão alta? Seria como hoje preocupar-nos com a vida aos cem anos de idade, que pouquíssimos conhecerão.

     Os que estão vivos agora têm boa chance de passar dos 80. Se assim for, é preciso sabedoria para aceitar que nossos atributos se modificam com o passar dos anos. Que nenhuma cirurgia devolverá, aos 60, o rosto que tínhamos aos 18, mas que envelhecer não é sinônimo de decadência física para aqueles que se movimentam, não fumam, comem com parcimônia, exercitam a cognição e continuam atentos às transformações do mundo.

     Considerar a vida um vale de lágrimas no qual submergimos de corpo e alma ao deixar a juventude, é torná-la experiência medíocre. Julgar aos 80 anos, que os melhores foram aqueles dos 15 aos 25 é não levar em conta que a memória é editora autoritária, capaz de suprimir por conta própria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento as inseguranças, medos, desilusões afetivas, riscos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época.

     Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente.


(Dráuzio Varella. Acesso em: 01/10/2023.)

Para o autor, “A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados” (10º§). Assinale a afirmativa que justifica esse ponto de vista.
Alternativas
Respostas
14641: D
14642: C
14643: B
14644: A
14645: B
14646: B
14647: D
14648: A
14649: A
14650: C
14651: C
14652: C
14653: C
14654: D
14655: C
14656: D
14657: C
14658: D
14659: C
14660: B