Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q4258720 Português
Leia o texto para responder à questão.

Técnicos e lâminas

        Os técnicos de futebol entendem os fabricantes de aparelhos de barbear. O problema deles é igual. O futebol também é, basicamente, o mesmo desde que foi inventado. Não há muito que fazer para mudá-lo, fora detalhes. O modo de jogar futebol pode ser completamente diferente hoje do que era há anos, como a aparência dos aparelhos de barbear de hoje não tem nada a ver com a da época em que o Mr. Gillette inventou sua prática lâmina, mas a ideia fundamental permanece inalterada, e inalterável. E, no entanto, todos os anos os fabricantes de aparelho de barbear precisam apresentar um produto novo. Todos os anos os departamentos de marketing pedem aos departamentos de pesquisa que reinventem o aparelho de barbear, para ter o que anunciar. Duas lâminas, três lâminas, lâminas flutuantes, lâminas convergentes, lâminas divergentes, lâminas musicais – qualquer coisa para que o aparelho do ano passado fique obsoleto e a novidade fique irresistível. Da mesma forma, todo técnico, quando assume um novo time, deve trazer a sugestão implícita de que vai reinventar o futebol.
    
        As razões dadas para trocar de técnico são muitas. O técnico que sai perdeu o ambiente, perdeu a confiança, perdeu a razão – e é sempre mais fácil trocar um técnico do que um time inteiro. Mas a razão verdadeira é o desejo secreto de que o novo técnico reúna os jogadores no meio do campo, abra sua sacola e tire de lá de dentro – tará! – um outro jogo. Um futebol inédito. Um futebol que ninguém mais tem e, portanto, invencível. O milagre ainda não aconteceu, mas todo técnico de futebol é uma promessa do futebol reinventado. Por isso eles levam vidas de homens santos, perambulando pelo país entre guaridas temporárias, sabendo que é pouco o tempo entre a adulação e o apedrejamento, a adoração e o desmascaramento. Ou ele é um salvador ou é um charlatão. Não tem recurso do meio-termo.

(Luis Fernando Verissimo. Ironias do tempo. 2018. Adaptado)
De acordo com o narrador, os técnicos de futebol entendem os fabricantes de aparelhos de barbear, porque é comum a eles a
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Q4258718 Português

Leia a tira para responder à questão.

(Mort Walker, “Recruta Zero”. https://cultura.estadao.com.br/quadrinhos, 26.04.2026. Adaptado)

Considerando-se os elementos verbais e não verbais, conclui-se, corretamente, que a fala da mulher deve ser entendida como uma
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Q4258432 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença. 

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais.

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. "Ainda assim", observa que elas lembram abordagens contemporâneas.

Sobre a relação estabelecida no termo destacado, assinale a alternativa correta.
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Q4258404 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada. Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
O texto apresenta situações em que descobertas científicas surgiram de investigações sem aplicação prática imediata, evidenciando que os resultados alcançados nem sempre correspondem aos objetivos iniciais das pesquisas.

A partir das informações do texto, infere-se que a criação do Prêmio Ganso de Ouro buscou: 
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Q4258397 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada. Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
O texto apresenta diferentes pesquisas científicas inicialmente vistas como improváveis ou pouco promissoras, mostrando que a produção do conhecimento nem sempre segue objetivos práticos imediatos e que descobertas relevantes podem surgir de investigações motivadas pela curiosidade científica.

A leitura do texto permite concluir que a utilização sucessiva de exemplos de áreas distintas da ciência tem a finalidade de:
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Q4258197 Português
O valor da cooperação na segurança pública


    A segurança pública contemporânea superou a antiga visão de que o combate à criminalidade é uma atribuição exclusiva das forças policiais atuando de forma isolada. Hoje, compreende-se que a preservação da ordem e a garantia da incolumidade das pessoas dependem de um arranjo estruturado que envolve a cooperação mútua entre o Estado e a sociedade civil. Esse modelo compartilhado de gestão exige dos órgãos públicos uma constante modernização de seus processos de comunicação e inteligência.
    Um dos principais caminhos para a consolidação dessa dinâmica é o fortalecimento de conselhos comunitários de segurança. Nesses espaços, os cidadãos apontam as demandas prioritárias de seus bairros, enquanto as corporações militares e civis apresentam dados estatísticos e alinham estratégias operacionais preventivas. Essa integração qualifica as ações governamentais e desenvolve um ambiente de mútua confiança, essencial para a redução dos índices de violência urbana.
       No entanto, o sucesso dessas iniciativas de integração institucional esbarra na necessidade de investimentos contínuos em tecnologia e na capacitação dos agentes de segurança. A troca de informações em tempo real e o mapeamento de manchas criminais exigem sistemas integrados que superem as barreiras burocráticas entre os entes federativos. Assim, a busca por eficiência operacional deve caminhar lado a lado com o respeito intransigente aos direitos fundamentais e à transparência pública.


LIMA, Renato Sérgio de. Segurança pública e governança democrática no Brasil. São Paulo: Contexto, 2021. Adaptado
Com base nas ideias expressas no texto, a eficiência das ações contemporâneas de segurança pública está diretamente vinculada à(ao):
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Q4257886 Português
Salvem os jumentos


Bruno Pavan


   Salvador foi tomada por jumentos infláveis de três metros nesta semana. Tratou-se de uma mobilização pública em defesa da preservação dos asininos e pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 2387/2022, com o fim de proibir o abate de jumentos em território nacional. A manifestação, encabeçada pela organização não governamental The Donkey Sanctuary, instalou um jumento inflável de 3 metros de altura no Pelourinho e na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). As movimentações coincidem com o lV Workshop Internacional sediado na capital baiana com foco no declínio drástico da espécie. Mas o que aconteceu com essa população de animais? Dados compilados por pesquisadores em 2025, com base em indicadores da Food and Agriculture Organization (FAO) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o Brasil perdeu 94% de sua população de jumentos entre 1996 e 2024. A retração é atribuída à demanda do mercado chinês pelo “ejiao”, substância produzida a partir do colágeno da pele do animal e utilizada em produtos de saúde sem comprovação científica. Estima-se que a demanda global alcance 6,8 milhões de peles até 2027.

  Embora uma decisão da Justiça Federal tenha suspendido o abate em 13 de abril, entidades de proteção animal, como a The Donkey Sanctuary, defendem que a segurança jurídica só virá por meio de uma legislação federal. O PL 2387/2022 permanece sem votação na Comissão de Constituição e justiça e de Cidadania (CCIC). Além da questão ambiental, cientistas alertam para o perigo biológico. O descarte inadequado de carcaças no Nordeste pode disseminar a bactéria Burkholderia mallei, causadora do mormo - uma zoonose letal para humanos.

  Adroaldo Zanella, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP critica a opacidade do setor: “O Brasil não dispõe de dados públicos básicos sobre a atividade. É inaceitável para um país com alto padrão de rastreabilidade agropecuária”. Como alternativa econômica, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) trabalham no desenvolvimento de colágeno via fermentação de precisão, utilizando microrganismos.

    O método permitiria ao Brasil exportar a matéria-prima sem a necessidade de sacrifício animal, gerando receita e preservando a biodiversidade.


PAVAN, B. Salvem os jumentos. Revista Isto É Dinheiro. 31ed. Acesso em: 8 maio 2026.
A partir da leitura do texto e da análise de seu contexto, assinale a alternativa que contém uma inferência correta sobre o significado do termo em destaque.
Alternativas
Q4257879 Português
Salvem os jumentos


Bruno Pavan


   Salvador foi tomada por jumentos infláveis de três metros nesta semana. Tratou-se de uma mobilização pública em defesa da preservação dos asininos e pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 2387/2022, com o fim de proibir o abate de jumentos em território nacional. A manifestação, encabeçada pela organização não governamental The Donkey Sanctuary, instalou um jumento inflável de 3 metros de altura no Pelourinho e na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). As movimentações coincidem com o lV Workshop Internacional sediado na capital baiana com foco no declínio drástico da espécie. Mas o que aconteceu com essa população de animais? Dados compilados por pesquisadores em 2025, com base em indicadores da Food and Agriculture Organization (FAO) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o Brasil perdeu 94% de sua população de jumentos entre 1996 e 2024. A retração é atribuída à demanda do mercado chinês pelo “ejiao”, substância produzida a partir do colágeno da pele do animal e utilizada em produtos de saúde sem comprovação científica. Estima-se que a demanda global alcance 6,8 milhões de peles até 2027.

  Embora uma decisão da Justiça Federal tenha suspendido o abate em 13 de abril, entidades de proteção animal, como a The Donkey Sanctuary, defendem que a segurança jurídica só virá por meio de uma legislação federal. O PL 2387/2022 permanece sem votação na Comissão de Constituição e justiça e de Cidadania (CCIC). Além da questão ambiental, cientistas alertam para o perigo biológico. O descarte inadequado de carcaças no Nordeste pode disseminar a bactéria Burkholderia mallei, causadora do mormo - uma zoonose letal para humanos.

  Adroaldo Zanella, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP critica a opacidade do setor: “O Brasil não dispõe de dados públicos básicos sobre a atividade. É inaceitável para um país com alto padrão de rastreabilidade agropecuária”. Como alternativa econômica, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) trabalham no desenvolvimento de colágeno via fermentação de precisão, utilizando microrganismos.

    O método permitiria ao Brasil exportar a matéria-prima sem a necessidade de sacrifício animal, gerando receita e preservando a biodiversidade.


PAVAN, B. Salvem os jumentos. Revista Isto É Dinheiro. 31ed. Acesso em: 8 maio 2026.
De acordo com o portal Brasil Escola “as funções da linguagem são objetivos comunicativos que o texto adquire a depender da intenção do falante.”, porém “um mesmo texto pode apresentar mais de uma função da linguagem, e elas podem aparecer na totalidade do texto ou apenas em fragmentos.” Sabendo disso, analise o trecho a seguir, retirado do texto, e em seguida marque a alternativa que indica a função da linguagem nele predominante.
“O PL 2387/2022 permanece sem votação na Comissão de Constituição e justiça e de Cidadania (CCIC).Além da questão ambiental, cientistas alertam para o perigo biológico. O descarte inadequado de carcaças no Nordeste pode disseminar a bactéria Burkholderia mallei, causadora do mormo - uma zoonose letal para humanos.”
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Q4257878 Português
Salvem os jumentos


Bruno Pavan


   Salvador foi tomada por jumentos infláveis de três metros nesta semana. Tratou-se de uma mobilização pública em defesa da preservação dos asininos e pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 2387/2022, com o fim de proibir o abate de jumentos em território nacional. A manifestação, encabeçada pela organização não governamental The Donkey Sanctuary, instalou um jumento inflável de 3 metros de altura no Pelourinho e na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). As movimentações coincidem com o lV Workshop Internacional sediado na capital baiana com foco no declínio drástico da espécie. Mas o que aconteceu com essa população de animais? Dados compilados por pesquisadores em 2025, com base em indicadores da Food and Agriculture Organization (FAO) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o Brasil perdeu 94% de sua população de jumentos entre 1996 e 2024. A retração é atribuída à demanda do mercado chinês pelo “ejiao”, substância produzida a partir do colágeno da pele do animal e utilizada em produtos de saúde sem comprovação científica. Estima-se que a demanda global alcance 6,8 milhões de peles até 2027.

  Embora uma decisão da Justiça Federal tenha suspendido o abate em 13 de abril, entidades de proteção animal, como a The Donkey Sanctuary, defendem que a segurança jurídica só virá por meio de uma legislação federal. O PL 2387/2022 permanece sem votação na Comissão de Constituição e justiça e de Cidadania (CCIC). Além da questão ambiental, cientistas alertam para o perigo biológico. O descarte inadequado de carcaças no Nordeste pode disseminar a bactéria Burkholderia mallei, causadora do mormo - uma zoonose letal para humanos.

  Adroaldo Zanella, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP critica a opacidade do setor: “O Brasil não dispõe de dados públicos básicos sobre a atividade. É inaceitável para um país com alto padrão de rastreabilidade agropecuária”. Como alternativa econômica, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) trabalham no desenvolvimento de colágeno via fermentação de precisão, utilizando microrganismos.

    O método permitiria ao Brasil exportar a matéria-prima sem a necessidade de sacrifício animal, gerando receita e preservando a biodiversidade.


PAVAN, B. Salvem os jumentos. Revista Isto É Dinheiro. 31ed. Acesso em: 8 maio 2026.
A partir da análise da sua estrutura composicional, podemos afirmar corretamente que o texto é:
Alternativas
Q4257877 Português
Salvem os jumentos


Bruno Pavan


   Salvador foi tomada por jumentos infláveis de três metros nesta semana. Tratou-se de uma mobilização pública em defesa da preservação dos asininos e pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 2387/2022, com o fim de proibir o abate de jumentos em território nacional. A manifestação, encabeçada pela organização não governamental The Donkey Sanctuary, instalou um jumento inflável de 3 metros de altura no Pelourinho e na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). As movimentações coincidem com o lV Workshop Internacional sediado na capital baiana com foco no declínio drástico da espécie. Mas o que aconteceu com essa população de animais? Dados compilados por pesquisadores em 2025, com base em indicadores da Food and Agriculture Organization (FAO) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o Brasil perdeu 94% de sua população de jumentos entre 1996 e 2024. A retração é atribuída à demanda do mercado chinês pelo “ejiao”, substância produzida a partir do colágeno da pele do animal e utilizada em produtos de saúde sem comprovação científica. Estima-se que a demanda global alcance 6,8 milhões de peles até 2027.

  Embora uma decisão da Justiça Federal tenha suspendido o abate em 13 de abril, entidades de proteção animal, como a The Donkey Sanctuary, defendem que a segurança jurídica só virá por meio de uma legislação federal. O PL 2387/2022 permanece sem votação na Comissão de Constituição e justiça e de Cidadania (CCIC). Além da questão ambiental, cientistas alertam para o perigo biológico. O descarte inadequado de carcaças no Nordeste pode disseminar a bactéria Burkholderia mallei, causadora do mormo - uma zoonose letal para humanos.

  Adroaldo Zanella, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP critica a opacidade do setor: “O Brasil não dispõe de dados públicos básicos sobre a atividade. É inaceitável para um país com alto padrão de rastreabilidade agropecuária”. Como alternativa econômica, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) trabalham no desenvolvimento de colágeno via fermentação de precisão, utilizando microrganismos.

    O método permitiria ao Brasil exportar a matéria-prima sem a necessidade de sacrifício animal, gerando receita e preservando a biodiversidade.


PAVAN, B. Salvem os jumentos. Revista Isto É Dinheiro. 31ed. Acesso em: 8 maio 2026.
Assinale a alternativa que faz uma afirmação que pode ser comprovada a partir da leitura do texto.
Alternativas
Q4257742 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Impactos da infodemia sobre a COVID-19 para profissionais de saúde no Brasil


    Designa-se infodemia a superabundância de informações – acuradas ou não – que, em contextos de emergência sanitária, dificulta o acesso da população a fontes fidedignas e compromete a tomada de decisão em saúde. Pesquisa de abrangência nacional, vinculada ao estudo “Condições de Trabalho dos Profissionais da Saúde no Contexto da COVID-19 no Brasil”, ouviu 15.132 trabalhadores que atuaram na linha de frente em 2.200 municípios, e seus achados são eloquentes: ainda que 91% dos entrevistados reconheçam nas notícias falsas um obstáculo ao enfrentamento do Sars-CoV-2, foi sobre o cotidiano assistencial que tais boatos incidiram com mais força, porquanto 76,1% relataram ter atendido pacientes que, persuadidos por conteúdos comprovadamente falsos, resistiam às orientações técnicas.

    Não se trata de fenômeno trivial. À medida que jargões científicos são incorporados à arquitetura retórica do boato, confere-se-lhe verniz de legitimidade, de sorte que a falsidade se difunde tanto mais quanto mais se reveste das insígnias da ciência. A esse mecanismo soma-se a apropriação indevida do nome de instituições de renome, estratégia que, longe de ser ingênua, visa a usurpar a autoridade epistêmica que tais instituições representam.

     Nesse cenário, as hesitações e as contradições no discurso das autoridades sanitárias — em vez de dissipar a névoa informacional — agravaram-na. Consolidou-se o que os pesquisadores nomeiam era da pós-verdade: regime discursivo no qual a adesão emocional a uma narrativa se sobrepõe à verificação dos fatos, com repercussões diretas sobre a saúde coletiva e sobre o vínculo de confiança que sustenta a relação entre profissional e paciente.


Adaptado de FREIRE, N. P. et al. Impactos da infodemia sobre a COVID-19 para profissionais de saúde no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 28, n. 10, p. 3045-3056, out. 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/Yc3tZVBddPswyW9J9qpKMQn/?lang=pt. Acesso em: 11 jun. 2026.
No período “Nesse cenário, as hesitações e as contradições no discurso das autoridades sanitárias — em vez de dissipar a névoa informacional — agravaram-na”, os travessões isolam:  
Alternativas
Q4257738 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Impactos da infodemia sobre a COVID-19 para profissionais de saúde no Brasil


    Designa-se infodemia a superabundância de informações – acuradas ou não – que, em contextos de emergência sanitária, dificulta o acesso da população a fontes fidedignas e compromete a tomada de decisão em saúde. Pesquisa de abrangência nacional, vinculada ao estudo “Condições de Trabalho dos Profissionais da Saúde no Contexto da COVID-19 no Brasil”, ouviu 15.132 trabalhadores que atuaram na linha de frente em 2.200 municípios, e seus achados são eloquentes: ainda que 91% dos entrevistados reconheçam nas notícias falsas um obstáculo ao enfrentamento do Sars-CoV-2, foi sobre o cotidiano assistencial que tais boatos incidiram com mais força, porquanto 76,1% relataram ter atendido pacientes que, persuadidos por conteúdos comprovadamente falsos, resistiam às orientações técnicas.

    Não se trata de fenômeno trivial. À medida que jargões científicos são incorporados à arquitetura retórica do boato, confere-se-lhe verniz de legitimidade, de sorte que a falsidade se difunde tanto mais quanto mais se reveste das insígnias da ciência. A esse mecanismo soma-se a apropriação indevida do nome de instituições de renome, estratégia que, longe de ser ingênua, visa a usurpar a autoridade epistêmica que tais instituições representam.

     Nesse cenário, as hesitações e as contradições no discurso das autoridades sanitárias — em vez de dissipar a névoa informacional — agravaram-na. Consolidou-se o que os pesquisadores nomeiam era da pós-verdade: regime discursivo no qual a adesão emocional a uma narrativa se sobrepõe à verificação dos fatos, com repercussões diretas sobre a saúde coletiva e sobre o vínculo de confiança que sustenta a relação entre profissional e paciente.


Adaptado de FREIRE, N. P. et al. Impactos da infodemia sobre a COVID-19 para profissionais de saúde no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 28, n. 10, p. 3045-3056, out. 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/Yc3tZVBddPswyW9J9qpKMQn/?lang=pt. Acesso em: 11 jun. 2026.
Considerando a heterogeneidade tipológica do texto, assinale a alternativa que descreve corretamente a relação entre a sequência dominante (tipologia) e a sequência encaixada no segmento inicial “Designa-se infodemia a superabundância de informações…”.
Alternativas
Q4257737 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Impactos da infodemia sobre a COVID-19 para profissionais de saúde no Brasil


    Designa-se infodemia a superabundância de informações – acuradas ou não – que, em contextos de emergência sanitária, dificulta o acesso da população a fontes fidedignas e compromete a tomada de decisão em saúde. Pesquisa de abrangência nacional, vinculada ao estudo “Condições de Trabalho dos Profissionais da Saúde no Contexto da COVID-19 no Brasil”, ouviu 15.132 trabalhadores que atuaram na linha de frente em 2.200 municípios, e seus achados são eloquentes: ainda que 91% dos entrevistados reconheçam nas notícias falsas um obstáculo ao enfrentamento do Sars-CoV-2, foi sobre o cotidiano assistencial que tais boatos incidiram com mais força, porquanto 76,1% relataram ter atendido pacientes que, persuadidos por conteúdos comprovadamente falsos, resistiam às orientações técnicas.

    Não se trata de fenômeno trivial. À medida que jargões científicos são incorporados à arquitetura retórica do boato, confere-se-lhe verniz de legitimidade, de sorte que a falsidade se difunde tanto mais quanto mais se reveste das insígnias da ciência. A esse mecanismo soma-se a apropriação indevida do nome de instituições de renome, estratégia que, longe de ser ingênua, visa a usurpar a autoridade epistêmica que tais instituições representam.

     Nesse cenário, as hesitações e as contradições no discurso das autoridades sanitárias — em vez de dissipar a névoa informacional — agravaram-na. Consolidou-se o que os pesquisadores nomeiam era da pós-verdade: regime discursivo no qual a adesão emocional a uma narrativa se sobrepõe à verificação dos fatos, com repercussões diretas sobre a saúde coletiva e sobre o vínculo de confiança que sustenta a relação entre profissional e paciente.


Adaptado de FREIRE, N. P. et al. Impactos da infodemia sobre a COVID-19 para profissionais de saúde no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 28, n. 10, p. 3045-3056, out. 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/Yc3tZVBddPswyW9J9qpKMQn/?lang=pt. Acesso em: 11 jun. 2026.
A articulação entre a concessão introduzida por “ainda que” e a focalização operada pela estrutura clivada “foi sobre o cotidiano assistencial que tais boatos incidiram com mais força” revela que o enunciador, no primeiro parágrafo, hierarquiza os efeitos da infodemia de modo a:
Alternativas
Q4257450 Português

“A praça do bairro deve ser preservada, pois muitas famílias utilizam esse espaço para lazer, prática de atividades físicas e convivência comunitária." Nesse trecho, o autor apresenta uma opinião e uma justificativa para defendê-la.


Dessa forma, assinale a alternativa que apresenta a justificativa utilizada pelo autor:

Alternativas
Q4257030 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência

de HPV entre jovens



    A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase à metade no Brasil após a vacinação, aponta o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. Dados coletados em 2016 e 2017 mostram que 14,98% dos participantes já tinham sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos cobertos pela vacina. Já nas amostras coletadas entre 2020 e 2023, essa proporção ficou em 7,95%.


    A pesquisa Pop-Brasil foi realizada pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira fase, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados de ambos os sexos. Já na segunda fase, foram mais de 10 mil participantes, vacinados e não vacinados. As amostras foram coletadas em unidades de saúde. Nos dois períodos, o foco eram os jovens de 16 a 25 anos, como explica a médica epidemiologista e líder da pesquisa Eliana Wendland:


    “Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado”


    Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Entre as meninas e mulheres da pesquisa, apenas 61,8% estavam vacinadas, e a proporção foi ainda menor entre os participantes do sexo masculino: 31,1%. A taxa de cobertura ideal é de 90%. Ainda assim, a vacina comprovou o seu potencial. Entre as meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante foi de 15,6% na primeira fase, quando apenas 2,4% delas participaram da pesquisa. Já na segunda fase, a detecção do vírus entre as participantes vacinadas caiu para 3,1%. De acordo com Eliana, a pesquisa verificou ainda que o imunizante já foi capaz de produzir um certo “efeito rebanho”.


    “Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV.”


    Isso acontece porque a vacinação em altas coberturas diminui a circulação dos agentes causadores de doença, protegendo indiretamente toda a população. Na parcela de meninas e mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV combatidos pela vacina foi de 10,5% na segunda fase da pesquisa.


    Já entre os homens, a prevalência desses subtipos do vírus caiu de 13,8% para 4,6% entre os vacinados, mas não houve mudança estatisticamente significativa entre os participantes não vacinados da segunda fase. De acordo com Eliana, a explicação é a baixa cobertura vacinal desse público.


    “Esse achado não é inesperado, uma vez que os meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que as meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero”, destaca a prévia do artigo que será publicado na revista npj Vaccines com os resultados da pesquisa.


    Outro dado reforça o poder e a importância da vacina é que, entre as duas fases da pesquisa, a prevalência geral de HPV na população, considerando todos os subtipos existentes, subiu de 46,7% para 56,6%, ao contrário do que aconteceu com os quatro subtipos combatidos pelo imunizante. A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de apenas uma dose, é eficaz, porque não encontrou diferença na prevalência do vírus comparando pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses.


    A vacinação contra o HPV pelo Sistema Único de Saúde começou em 2014, apenas com meninas, mas passou a englobar também os meninos a partir de 2017, com algumas mudanças na faixa etária ao longo dos anos. Em 2024, o esquema básico mudou de duas doses para uma. Hoje, o público-alvo são todas as crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de alguns públicos adultos vulneráveis, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição para prevenção do HPV e pessoas que já tiveram lesões precursoras no colo do útero.


    O HPV, sigla para papilomavírus humano, é o principal causador do câncer do colo do útero, mas também pode provocar a doença em outros órgãos como pênis, ânus e garganta. Nem todo subtipo do vírus tem potencial cancerígeno, mas a vacina disponível no sistema público protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-

07/pesquisa-mostra-que-vacinacao-diminuiu-prevalencia-de-hpv-

entre-jovens (adaptado).

Ao relatar que o HPV ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero, associando essa crença à baixíssima adesão dos meninos (31,1%), o texto traz a seguinte informação subentendida:
Alternativas
Q4257029 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência

de HPV entre jovens



    A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase à metade no Brasil após a vacinação, aponta o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. Dados coletados em 2016 e 2017 mostram que 14,98% dos participantes já tinham sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos cobertos pela vacina. Já nas amostras coletadas entre 2020 e 2023, essa proporção ficou em 7,95%.


    A pesquisa Pop-Brasil foi realizada pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira fase, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados de ambos os sexos. Já na segunda fase, foram mais de 10 mil participantes, vacinados e não vacinados. As amostras foram coletadas em unidades de saúde. Nos dois períodos, o foco eram os jovens de 16 a 25 anos, como explica a médica epidemiologista e líder da pesquisa Eliana Wendland:


    “Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado”


    Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Entre as meninas e mulheres da pesquisa, apenas 61,8% estavam vacinadas, e a proporção foi ainda menor entre os participantes do sexo masculino: 31,1%. A taxa de cobertura ideal é de 90%. Ainda assim, a vacina comprovou o seu potencial. Entre as meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante foi de 15,6% na primeira fase, quando apenas 2,4% delas participaram da pesquisa. Já na segunda fase, a detecção do vírus entre as participantes vacinadas caiu para 3,1%. De acordo com Eliana, a pesquisa verificou ainda que o imunizante já foi capaz de produzir um certo “efeito rebanho”.


    “Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV.”


    Isso acontece porque a vacinação em altas coberturas diminui a circulação dos agentes causadores de doença, protegendo indiretamente toda a população. Na parcela de meninas e mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV combatidos pela vacina foi de 10,5% na segunda fase da pesquisa.


    Já entre os homens, a prevalência desses subtipos do vírus caiu de 13,8% para 4,6% entre os vacinados, mas não houve mudança estatisticamente significativa entre os participantes não vacinados da segunda fase. De acordo com Eliana, a explicação é a baixa cobertura vacinal desse público.


    “Esse achado não é inesperado, uma vez que os meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que as meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero”, destaca a prévia do artigo que será publicado na revista npj Vaccines com os resultados da pesquisa.


    Outro dado reforça o poder e a importância da vacina é que, entre as duas fases da pesquisa, a prevalência geral de HPV na população, considerando todos os subtipos existentes, subiu de 46,7% para 56,6%, ao contrário do que aconteceu com os quatro subtipos combatidos pelo imunizante. A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de apenas uma dose, é eficaz, porque não encontrou diferença na prevalência do vírus comparando pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses.


    A vacinação contra o HPV pelo Sistema Único de Saúde começou em 2014, apenas com meninas, mas passou a englobar também os meninos a partir de 2017, com algumas mudanças na faixa etária ao longo dos anos. Em 2024, o esquema básico mudou de duas doses para uma. Hoje, o público-alvo são todas as crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de alguns públicos adultos vulneráveis, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição para prevenção do HPV e pessoas que já tiveram lesões precursoras no colo do útero.


    O HPV, sigla para papilomavírus humano, é o principal causador do câncer do colo do útero, mas também pode provocar a doença em outros órgãos como pênis, ânus e garganta. Nem todo subtipo do vírus tem potencial cancerígeno, mas a vacina disponível no sistema público protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-

07/pesquisa-mostra-que-vacinacao-diminuiu-prevalencia-de-hpv-

entre-jovens (adaptado).

Avalie o seguinte trecho do texto: Em 2024, o esquema básico mudou de duas doses para uma, pois a pesquisa comprovou não haver diferença significativa na prevalência ao comparar uma, duas ou três doses. A partir dessa alteração do protocolo de imunização pelo SUS, depreende-se o seguinte pressuposto:
Alternativas
Q4257028 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência

de HPV entre jovens



    A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase à metade no Brasil após a vacinação, aponta o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. Dados coletados em 2016 e 2017 mostram que 14,98% dos participantes já tinham sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos cobertos pela vacina. Já nas amostras coletadas entre 2020 e 2023, essa proporção ficou em 7,95%.


    A pesquisa Pop-Brasil foi realizada pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira fase, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados de ambos os sexos. Já na segunda fase, foram mais de 10 mil participantes, vacinados e não vacinados. As amostras foram coletadas em unidades de saúde. Nos dois períodos, o foco eram os jovens de 16 a 25 anos, como explica a médica epidemiologista e líder da pesquisa Eliana Wendland:


    “Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado”


    Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Entre as meninas e mulheres da pesquisa, apenas 61,8% estavam vacinadas, e a proporção foi ainda menor entre os participantes do sexo masculino: 31,1%. A taxa de cobertura ideal é de 90%. Ainda assim, a vacina comprovou o seu potencial. Entre as meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante foi de 15,6% na primeira fase, quando apenas 2,4% delas participaram da pesquisa. Já na segunda fase, a detecção do vírus entre as participantes vacinadas caiu para 3,1%. De acordo com Eliana, a pesquisa verificou ainda que o imunizante já foi capaz de produzir um certo “efeito rebanho”.


    “Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV.”


    Isso acontece porque a vacinação em altas coberturas diminui a circulação dos agentes causadores de doença, protegendo indiretamente toda a população. Na parcela de meninas e mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV combatidos pela vacina foi de 10,5% na segunda fase da pesquisa.


    Já entre os homens, a prevalência desses subtipos do vírus caiu de 13,8% para 4,6% entre os vacinados, mas não houve mudança estatisticamente significativa entre os participantes não vacinados da segunda fase. De acordo com Eliana, a explicação é a baixa cobertura vacinal desse público.


    “Esse achado não é inesperado, uma vez que os meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que as meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero”, destaca a prévia do artigo que será publicado na revista npj Vaccines com os resultados da pesquisa.


    Outro dado reforça o poder e a importância da vacina é que, entre as duas fases da pesquisa, a prevalência geral de HPV na população, considerando todos os subtipos existentes, subiu de 46,7% para 56,6%, ao contrário do que aconteceu com os quatro subtipos combatidos pelo imunizante. A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de apenas uma dose, é eficaz, porque não encontrou diferença na prevalência do vírus comparando pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses.


    A vacinação contra o HPV pelo Sistema Único de Saúde começou em 2014, apenas com meninas, mas passou a englobar também os meninos a partir de 2017, com algumas mudanças na faixa etária ao longo dos anos. Em 2024, o esquema básico mudou de duas doses para uma. Hoje, o público-alvo são todas as crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de alguns públicos adultos vulneráveis, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição para prevenção do HPV e pessoas que já tiveram lesões precursoras no colo do útero.


    O HPV, sigla para papilomavírus humano, é o principal causador do câncer do colo do útero, mas também pode provocar a doença em outros órgãos como pênis, ânus e garganta. Nem todo subtipo do vírus tem potencial cancerígeno, mas a vacina disponível no sistema público protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-

07/pesquisa-mostra-que-vacinacao-diminuiu-prevalencia-de-hpv-

entre-jovens (adaptado).

Considerando as relações hierárquicas de organização das ideias no texto, assinale a alternativa que apresenta, de forma CORRETA, uma ideia secundária que atua como suporte explicativo para a discussão principal.
Alternativas
Q4257025 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência

de HPV entre jovens



    A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase à metade no Brasil após a vacinação, aponta o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. Dados coletados em 2016 e 2017 mostram que 14,98% dos participantes já tinham sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos cobertos pela vacina. Já nas amostras coletadas entre 2020 e 2023, essa proporção ficou em 7,95%.


    A pesquisa Pop-Brasil foi realizada pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira fase, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados de ambos os sexos. Já na segunda fase, foram mais de 10 mil participantes, vacinados e não vacinados. As amostras foram coletadas em unidades de saúde. Nos dois períodos, o foco eram os jovens de 16 a 25 anos, como explica a médica epidemiologista e líder da pesquisa Eliana Wendland:


    “Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado”


    Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Entre as meninas e mulheres da pesquisa, apenas 61,8% estavam vacinadas, e a proporção foi ainda menor entre os participantes do sexo masculino: 31,1%. A taxa de cobertura ideal é de 90%. Ainda assim, a vacina comprovou o seu potencial. Entre as meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante foi de 15,6% na primeira fase, quando apenas 2,4% delas participaram da pesquisa. Já na segunda fase, a detecção do vírus entre as participantes vacinadas caiu para 3,1%. De acordo com Eliana, a pesquisa verificou ainda que o imunizante já foi capaz de produzir um certo “efeito rebanho”.


    “Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV.”


    Isso acontece porque a vacinação em altas coberturas diminui a circulação dos agentes causadores de doença, protegendo indiretamente toda a população. Na parcela de meninas e mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV combatidos pela vacina foi de 10,5% na segunda fase da pesquisa.


    Já entre os homens, a prevalência desses subtipos do vírus caiu de 13,8% para 4,6% entre os vacinados, mas não houve mudança estatisticamente significativa entre os participantes não vacinados da segunda fase. De acordo com Eliana, a explicação é a baixa cobertura vacinal desse público.


    “Esse achado não é inesperado, uma vez que os meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que as meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero”, destaca a prévia do artigo que será publicado na revista npj Vaccines com os resultados da pesquisa.


    Outro dado reforça o poder e a importância da vacina é que, entre as duas fases da pesquisa, a prevalência geral de HPV na população, considerando todos os subtipos existentes, subiu de 46,7% para 56,6%, ao contrário do que aconteceu com os quatro subtipos combatidos pelo imunizante. A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de apenas uma dose, é eficaz, porque não encontrou diferença na prevalência do vírus comparando pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses.


    A vacinação contra o HPV pelo Sistema Único de Saúde começou em 2014, apenas com meninas, mas passou a englobar também os meninos a partir de 2017, com algumas mudanças na faixa etária ao longo dos anos. Em 2024, o esquema básico mudou de duas doses para uma. Hoje, o público-alvo são todas as crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de alguns públicos adultos vulneráveis, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição para prevenção do HPV e pessoas que já tiveram lesões precursoras no colo do útero.


    O HPV, sigla para papilomavírus humano, é o principal causador do câncer do colo do útero, mas também pode provocar a doença em outros órgãos como pênis, ânus e garganta. Nem todo subtipo do vírus tem potencial cancerígeno, mas a vacina disponível no sistema público protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-

07/pesquisa-mostra-que-vacinacao-diminuiu-prevalencia-de-hpv-

entre-jovens (adaptado).

No título do texto, Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência de HPV entre jovens, o termo sublinhado assume o sentido contextual de:
Alternativas
Q4257024 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência

de HPV entre jovens



    A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase à metade no Brasil após a vacinação, aponta o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. Dados coletados em 2016 e 2017 mostram que 14,98% dos participantes já tinham sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos cobertos pela vacina. Já nas amostras coletadas entre 2020 e 2023, essa proporção ficou em 7,95%.


    A pesquisa Pop-Brasil foi realizada pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira fase, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados de ambos os sexos. Já na segunda fase, foram mais de 10 mil participantes, vacinados e não vacinados. As amostras foram coletadas em unidades de saúde. Nos dois períodos, o foco eram os jovens de 16 a 25 anos, como explica a médica epidemiologista e líder da pesquisa Eliana Wendland:


    “Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado”


    Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Entre as meninas e mulheres da pesquisa, apenas 61,8% estavam vacinadas, e a proporção foi ainda menor entre os participantes do sexo masculino: 31,1%. A taxa de cobertura ideal é de 90%. Ainda assim, a vacina comprovou o seu potencial. Entre as meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante foi de 15,6% na primeira fase, quando apenas 2,4% delas participaram da pesquisa. Já na segunda fase, a detecção do vírus entre as participantes vacinadas caiu para 3,1%. De acordo com Eliana, a pesquisa verificou ainda que o imunizante já foi capaz de produzir um certo “efeito rebanho”.


    “Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV.”


    Isso acontece porque a vacinação em altas coberturas diminui a circulação dos agentes causadores de doença, protegendo indiretamente toda a população. Na parcela de meninas e mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV combatidos pela vacina foi de 10,5% na segunda fase da pesquisa.


    Já entre os homens, a prevalência desses subtipos do vírus caiu de 13,8% para 4,6% entre os vacinados, mas não houve mudança estatisticamente significativa entre os participantes não vacinados da segunda fase. De acordo com Eliana, a explicação é a baixa cobertura vacinal desse público.


    “Esse achado não é inesperado, uma vez que os meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que as meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero”, destaca a prévia do artigo que será publicado na revista npj Vaccines com os resultados da pesquisa.


    Outro dado reforça o poder e a importância da vacina é que, entre as duas fases da pesquisa, a prevalência geral de HPV na população, considerando todos os subtipos existentes, subiu de 46,7% para 56,6%, ao contrário do que aconteceu com os quatro subtipos combatidos pelo imunizante. A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de apenas uma dose, é eficaz, porque não encontrou diferença na prevalência do vírus comparando pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses.


    A vacinação contra o HPV pelo Sistema Único de Saúde começou em 2014, apenas com meninas, mas passou a englobar também os meninos a partir de 2017, com algumas mudanças na faixa etária ao longo dos anos. Em 2024, o esquema básico mudou de duas doses para uma. Hoje, o público-alvo são todas as crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de alguns públicos adultos vulneráveis, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição para prevenção do HPV e pessoas que já tiveram lesões precursoras no colo do útero.


    O HPV, sigla para papilomavírus humano, é o principal causador do câncer do colo do útero, mas também pode provocar a doença em outros órgãos como pênis, ânus e garganta. Nem todo subtipo do vírus tem potencial cancerígeno, mas a vacina disponível no sistema público protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-

07/pesquisa-mostra-que-vacinacao-diminuiu-prevalencia-de-hpv-

entre-jovens (adaptado).

O fenômeno do efeito rebanho (proteção indireta) observado nas meninas e mulheres jovens não vacinadas produz, como efeito de sentido argumentativo, a ideia de que:
Alternativas
Q4256828 Português
Texto para a questão:


Inteligência Artificial na Educação


A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma realidade distante ou restrita à ficção científica e está cada vez mais presente em nossas vidas – inclusive na educação. A temática não é nova, já nos anos 1930 o pai da computação e matemático Alan Turing formalizava o termo algoritmo em artigo sobre a máquina de Turing. O algoritmo é o ingrediente fundamental para a Inteligência Artificial, termo cunhado pelos pesquisadores John McCarthy, Marvin Minsky e Claude Shannon em uma conferência em 1956.

Em uma nova pesquisa guiada pela empresa de consultoria McKinsey, com 2000 professores dos Estados Unidos, Canadá, Cingapura e Reino Unido sugere que 20 a 40% das horas atuais dos professores – o equivalente a 13 horas por semana – são gastas em atividades que poderiam ser automatizadas usando tecnologia já existente. Ainda de acordo com a pesquisa da McKinsey, a área com maior potencial de automação é a preparação das aulas. Os professores entrevistados revelaram gastar em média 11 horas por semana em atividades de preparação. Estima-se que o uso eficaz da tecnologia poderia reduzir esse tempo para apenas seis horas. Mesmo que os professores passem o mesmo tempo se preparando, a tecnologia poderia tornar esse tempo mais eficaz, ajudando-os a criar planos de aula e abordagens ainda melhores. A automação poderia reduzir também o tempo que os professores gastam com atividades administrativas - de cinco para apenas três horas por semana.


https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/em-debate/inteligencia-artificial-na-educacao
Leia o trecho do texto:

“A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma realidade distante ou restrita à ficção científica e está cada vez mais presente em nossas vidas – inclusive na educação.”

Com base no contexto, a expressão “deixou de ser uma realidade distante” indica que a Inteligência Artificial
Alternativas
Respostas
1121: C
1122: E
1123: D
1124: C
1125: B
1126: D
1127: C
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1139: D
1140: C