Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q4092742 Português

O ato de ler e a construção crítica do sentido



     O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.


   Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.


    A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.


    Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.


    Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.


Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026

A organização dos parágrafos do texto evidencia uma progressão temática que se caracteriza por:
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Q4092741 Português

O ato de ler e a construção crítica do sentido



     O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.


   Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.


    A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.


    Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.


    Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.


Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026

Considerando o texto apresentado, identifica-se como tese central defendida pelos autores a ideia de que a leitura:
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Q4092697 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


        O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

     Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

       Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

      Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

        Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

      Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

      Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

       Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

     Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


*Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43. 
No contexto do poema, ao afirmar que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder, o menino deixa claro 
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Q4092696 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


        O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

     Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

       Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

      Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

        Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

      Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

      Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

       Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

     Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


*Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43. 
Na relação que o menino mantém com um irmão e outros observadores de sua conduta,
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Q4092695 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


        O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

     Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

       Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

      Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

        Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

      Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

      Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

       Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

     Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


*Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43. 
Para o poeta, a ação de procurar
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Q4092690 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Um inseto sentimental


     A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...

      No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e zoa com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.

   Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e a três palmos ele se equilibra no ar, helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.

   Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois aninhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de umа crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, é pegara caneta e escrevera primeira frase, quase sempre a mais difícil.


(Adaptado de HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 11-12)
Entre os recursos da elaboração deste texto, pode-se afirmar que
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Q4092689 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Um inseto sentimental


     A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...

      No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e zoa com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.

   Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e a três palmos ele se equilibra no ar, helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.

   Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois aninhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de umа crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, é pegara caneta e escrevera primeira frase, quase sempre a mais difícil.


(Adaptado de HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 11-12)
A aparição de um inseto teve como consequência, para o cronista,
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Q4092683 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Palavras de amor


  Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

   
    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm.

  Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

   Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. Ο efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

   Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra": essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)
Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações. (4° parágrafo)
Uma compreensão adequada do que afirma o período acima está na seguinte formulação:
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Q4092681 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Palavras de amor


  Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

   
    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm.

  Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

   Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. Ο efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

   Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra": essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)
No que diz respeito à intensidade dos nossos sentimentos, ocorre uma relevância desmedida quando
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Q4092631 Português
Não tenho medo de avião


     Acho avião uma criatura muito simpática - me parece um golfinho metálico, de óculos escuros, com enormes nadadeiras e uma barbatana retardatária, lá na cauda.

    Tampouco tenho medo de voar.

    Meu medo é justamente que, em algum momento entre a decolagem e o pouso, ele não voe.

     Toda véspera de voo, vem esse sobressalto: e se...

    Sim, já trabalhei isso na análise. Era culpa. A queda seria a punição por eu estar me divertindo (mesmo que a viagem seja a trabalho), gastando dinheiro à toa (mesmo que a passagem seja paga pelo patrão, pelo cliente ou cortesia da companhia aérea).

    Meu id e meu ego entenderam perfeitamente e se puseram de acordo. О problema sempre foi o superego, que invariavelmente pedia para ir ao banheiro quando esse assunto vinha à tona - e se escafedia no meio da sessão.

     Tirando uma vez, num voo da Pluna para Madri, em que meu assento não existia (e uma comissária teve que ir em pé para que eu pudesse me sentar) e um aguaceiro (certamente condensação de ar condicionado) desabou sobre minha cabeça, e me fez cruzar o Atlântico mais encharcado do que se tivesse ido a nado. (...)

     Tirando isso -e alguns outros perrengues de menor porte - nunca tive motivos para ter medo de fazer check-in, afivelar os cintos, etc. Mas não deixo de ter vontade de fazer algum comentário que, caso ocorra o pior, possa ser interpretado como "Nossa, era um pressentimento!". (...)

     Se na hora em que você estiver lendo este texto (...) eu já tiver desembarcado em Congonhas, são e salvo, terá sido um texto como qualquer outro. Caso contrário, não faltará quem diga "Gente, parece que ele sabia!".

    Não, não sabia. A gente quase que nada sabe - mas desconfia de muita coisa, como escreveu Guimarães Rosa.



AFFONSO, Eduardo. Não tenho medo de avião. Veja
Rio. Disponível em
<https://vejario.abril.com.br/coluna/lu-lacerda/cronicapor-eduardo-affonso-nao-tenho-medo-de-aviao/>.
O narrador do texto “Não tenho medo de avião" se caracteriza por fazer a narração em:
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Q4092473 Português
Texto para a questão.

METROFOR TERÁ ESPAÇO PARA “DESABAFO” DE PASSAGEIROS

    Passageiros do Metrofor que passarem pela estação José de Alencar, nesta quinta-feira (24/3), a partir das 15h, encontrarão estrutura de atendimento para pessoas com algum sofrimento emocional. O Cantinho do Desabafo vai permitir que qualquer pessoa se sinta à vontade para se sentar e conversar com um dos voluntários, sobre alguma situação difícil que esteja enfrentando. Todos que acham que precisam são convidados e todo tema é aceito.

    A ação é resultado de parceria do Metrofor com o Projeto Help, visando alertar sobre questões emocionais e prevenir o adoecimento mental. Voluntários também farão abordagem de passageiros nas plataformas, convidando-os para conversar, oferecendo abraço e entregando cartas com palavras de confiança.

    A primeira edição do Cantinho do Desabafo no Metrofor ocorreu no dia 28 de janeiro. Tudo foi pensado para a campanha do Janeiro Branco, campanha de conscientização, iniciada em 2014, que visa alertar a população sobre a importância da saúde mental e emocional, incentivando a prevenção de doenças decorrentes do estresse, da ansiedade e da depressão.

Disponível em: https://www.blogdobernardes.com.br/2022/03/saude-mental-metrofor-tera-espaco-para.html. Acesso em: 15 fev.2026. Adaptado.
Tendo por base o modo de organização do texto, é possível constatar que:
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Q4092368 Português

Calma, gente


    Alguma coisa não vai bem entre mim e o tempo. Não o tempo de que tratam os filósofos, mas esse tempinho nosso de todo dia, medido em correrias, impaciências, tique-taques, calendários, reencontros (“Há quanto tempo!”), semáforos, luas cheias, aniversários, Natais e – ai – rugas. O tempo sobre o qual se conversa e no qual transitamos, transitórios.


     Acontece que as pessoas têm pressa, e a pressa delas interfere no ritmo de outras. Na maioria das vezes, é uma agitação inútil e inexplicável. Tem gente que se assusta quando alguém propõe irem caminhando até um determinado lugar, perto: “A pé?!”. Não é pelo esforço, pois até atletas de academia reagem com espanto. Essas pessoas não suportam é “perder” tempo percorrendo uma distância que, de carro, levaria quatro minutos.


    Em parte, foi essa pretensão de poder comprimir o tempo que derrotou o cavalo como transporte urbano, depois o bonde, o ônibus e promoveu o automóvel, maravilha que transformamos em problema. Ao volante, o raciocínio é: eu tenho o comando, eu decido a velocidade, eu me torno senhor do tempo no espaço.


     Ilusão.


    Quem pôde teve a mesma ideia e engarrafou as cidades.


    O tempo já foi elástico, esticava-se segundo a vontade de quem dispunha dele. Dê tempo ao tempo, diziam umas pessoas para as outras, ralentando-se. Calma, que o Brasil ainda é nosso! – bradava-se, como quem diz: enquanto o país for nosso, vamos devagar. Fazíamos do tempo coisa nossa, como o samba, o futebol e outras bossas.


     Leiam os romances antigos. Nenhum personagem diz para o outro: “Você tem um minuto?”. Havia muito mais do que um minuto para uma conversa. Vejam um filme clássico. Com que paciência era construída uma situação que iria depois desaguar em outra. John Ford, por exemplo, tinha tempo para contar uma boa história e sabia que também o tínhamos para apreciá-la. Hoje, no cinema pós-Spielberg, muitas vezes nem percebemos o que aconteceu, tal a rapidez da montagem.


    A vida on-line traz, em segundos, o mundo. As imagens de um bombardeio da grande potência contra o Iraque depau perado chegaram à casa das pessoas no momento em que estava acontecendo. Chamam a isso “tempo real”. Como se fosse irreal o tempo dos cinejornais da II Guerra Mundial, que mostravam com meses de atraso centenas de milhares de soldados mortos. O tempo real trouxe também a globalização dos dinheiros aventureiros, que em segundos dão a volta ao mundo rapando economias, confrontando desiguais, espalhando o desemprego. 


    O que se faz com o tempo ganho com a pressa? Lembra-me o poeminha do pernambucano Ascenso Ferreira ironizando o gaúcho, que, diz ele, “riscando os cavalos” e tinindo as esporas sai de seus pagos em louca arrancada: “– Para quê? – Para nada”. Talvez para nada os apressados buzinam no trânsito, costuram, furam sinais; a pé, atropelam passantes nas ruas, em purram pessoas nas plataformas do metrô, impacientam-se com idosos, agridem garçons, trombam carrinhos de compras nos supermercados, reclamam do ritmo alheio. Entre a pressa e a falta de educação, a distância é curta.


    É sábio um ditado russo que li citado pelo escritor Saul Bellow: “Quando estiver com pressa, vá devagar”. Mais ou menos é o que o historiador romano Suetônio, biógrafo dos césares, aconselhou ao imperador Adriano, 1.900 anos atrás: “Apressa-te devagar”. Sem nunca ter lido Suetônio, era quase o que minha mãe dizia quando eu moleque disparava pelas ruas do bairro: “Corre devagar, menino!”.


    Suspeito que vem daí o meu descompasso com os apressados. 


(ÂNGELO, Ivan. Revista Veja São Paulo. São Paulo: Editora Abril. Em: 10/09/2003.)

De acordo com o texto, em relação ao tempo, é INCORRETO afirmar que:
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Q4092366 Português

Calma, gente


    Alguma coisa não vai bem entre mim e o tempo. Não o tempo de que tratam os filósofos, mas esse tempinho nosso de todo dia, medido em correrias, impaciências, tique-taques, calendários, reencontros (“Há quanto tempo!”), semáforos, luas cheias, aniversários, Natais e – ai – rugas. O tempo sobre o qual se conversa e no qual transitamos, transitórios.


     Acontece que as pessoas têm pressa, e a pressa delas interfere no ritmo de outras. Na maioria das vezes, é uma agitação inútil e inexplicável. Tem gente que se assusta quando alguém propõe irem caminhando até um determinado lugar, perto: “A pé?!”. Não é pelo esforço, pois até atletas de academia reagem com espanto. Essas pessoas não suportam é “perder” tempo percorrendo uma distância que, de carro, levaria quatro minutos.


    Em parte, foi essa pretensão de poder comprimir o tempo que derrotou o cavalo como transporte urbano, depois o bonde, o ônibus e promoveu o automóvel, maravilha que transformamos em problema. Ao volante, o raciocínio é: eu tenho o comando, eu decido a velocidade, eu me torno senhor do tempo no espaço.


     Ilusão.


    Quem pôde teve a mesma ideia e engarrafou as cidades.


    O tempo já foi elástico, esticava-se segundo a vontade de quem dispunha dele. Dê tempo ao tempo, diziam umas pessoas para as outras, ralentando-se. Calma, que o Brasil ainda é nosso! – bradava-se, como quem diz: enquanto o país for nosso, vamos devagar. Fazíamos do tempo coisa nossa, como o samba, o futebol e outras bossas.


     Leiam os romances antigos. Nenhum personagem diz para o outro: “Você tem um minuto?”. Havia muito mais do que um minuto para uma conversa. Vejam um filme clássico. Com que paciência era construída uma situação que iria depois desaguar em outra. John Ford, por exemplo, tinha tempo para contar uma boa história e sabia que também o tínhamos para apreciá-la. Hoje, no cinema pós-Spielberg, muitas vezes nem percebemos o que aconteceu, tal a rapidez da montagem.


    A vida on-line traz, em segundos, o mundo. As imagens de um bombardeio da grande potência contra o Iraque depau perado chegaram à casa das pessoas no momento em que estava acontecendo. Chamam a isso “tempo real”. Como se fosse irreal o tempo dos cinejornais da II Guerra Mundial, que mostravam com meses de atraso centenas de milhares de soldados mortos. O tempo real trouxe também a globalização dos dinheiros aventureiros, que em segundos dão a volta ao mundo rapando economias, confrontando desiguais, espalhando o desemprego. 


    O que se faz com o tempo ganho com a pressa? Lembra-me o poeminha do pernambucano Ascenso Ferreira ironizando o gaúcho, que, diz ele, “riscando os cavalos” e tinindo as esporas sai de seus pagos em louca arrancada: “– Para quê? – Para nada”. Talvez para nada os apressados buzinam no trânsito, costuram, furam sinais; a pé, atropelam passantes nas ruas, em purram pessoas nas plataformas do metrô, impacientam-se com idosos, agridem garçons, trombam carrinhos de compras nos supermercados, reclamam do ritmo alheio. Entre a pressa e a falta de educação, a distância é curta.


    É sábio um ditado russo que li citado pelo escritor Saul Bellow: “Quando estiver com pressa, vá devagar”. Mais ou menos é o que o historiador romano Suetônio, biógrafo dos césares, aconselhou ao imperador Adriano, 1.900 anos atrás: “Apressa-te devagar”. Sem nunca ter lido Suetônio, era quase o que minha mãe dizia quando eu moleque disparava pelas ruas do bairro: “Corre devagar, menino!”.


    Suspeito que vem daí o meu descompasso com os apressados. 


(ÂNGELO, Ivan. Revista Veja São Paulo. São Paulo: Editora Abril. Em: 10/09/2003.)

Em relação ao título atribuído ao texto, pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q4092362 Português

Calma, gente


    Alguma coisa não vai bem entre mim e o tempo. Não o tempo de que tratam os filósofos, mas esse tempinho nosso de todo dia, medido em correrias, impaciências, tique-taques, calendários, reencontros (“Há quanto tempo!”), semáforos, luas cheias, aniversários, Natais e – ai – rugas. O tempo sobre o qual se conversa e no qual transitamos, transitórios.


     Acontece que as pessoas têm pressa, e a pressa delas interfere no ritmo de outras. Na maioria das vezes, é uma agitação inútil e inexplicável. Tem gente que se assusta quando alguém propõe irem caminhando até um determinado lugar, perto: “A pé?!”. Não é pelo esforço, pois até atletas de academia reagem com espanto. Essas pessoas não suportam é “perder” tempo percorrendo uma distância que, de carro, levaria quatro minutos.


    Em parte, foi essa pretensão de poder comprimir o tempo que derrotou o cavalo como transporte urbano, depois o bonde, o ônibus e promoveu o automóvel, maravilha que transformamos em problema. Ao volante, o raciocínio é: eu tenho o comando, eu decido a velocidade, eu me torno senhor do tempo no espaço.


     Ilusão.


    Quem pôde teve a mesma ideia e engarrafou as cidades.


    O tempo já foi elástico, esticava-se segundo a vontade de quem dispunha dele. Dê tempo ao tempo, diziam umas pessoas para as outras, ralentando-se. Calma, que o Brasil ainda é nosso! – bradava-se, como quem diz: enquanto o país for nosso, vamos devagar. Fazíamos do tempo coisa nossa, como o samba, o futebol e outras bossas.


     Leiam os romances antigos. Nenhum personagem diz para o outro: “Você tem um minuto?”. Havia muito mais do que um minuto para uma conversa. Vejam um filme clássico. Com que paciência era construída uma situação que iria depois desaguar em outra. John Ford, por exemplo, tinha tempo para contar uma boa história e sabia que também o tínhamos para apreciá-la. Hoje, no cinema pós-Spielberg, muitas vezes nem percebemos o que aconteceu, tal a rapidez da montagem.


    A vida on-line traz, em segundos, o mundo. As imagens de um bombardeio da grande potência contra o Iraque depau perado chegaram à casa das pessoas no momento em que estava acontecendo. Chamam a isso “tempo real”. Como se fosse irreal o tempo dos cinejornais da II Guerra Mundial, que mostravam com meses de atraso centenas de milhares de soldados mortos. O tempo real trouxe também a globalização dos dinheiros aventureiros, que em segundos dão a volta ao mundo rapando economias, confrontando desiguais, espalhando o desemprego. 


    O que se faz com o tempo ganho com a pressa? Lembra-me o poeminha do pernambucano Ascenso Ferreira ironizando o gaúcho, que, diz ele, “riscando os cavalos” e tinindo as esporas sai de seus pagos em louca arrancada: “– Para quê? – Para nada”. Talvez para nada os apressados buzinam no trânsito, costuram, furam sinais; a pé, atropelam passantes nas ruas, em purram pessoas nas plataformas do metrô, impacientam-se com idosos, agridem garçons, trombam carrinhos de compras nos supermercados, reclamam do ritmo alheio. Entre a pressa e a falta de educação, a distância é curta.


    É sábio um ditado russo que li citado pelo escritor Saul Bellow: “Quando estiver com pressa, vá devagar”. Mais ou menos é o que o historiador romano Suetônio, biógrafo dos césares, aconselhou ao imperador Adriano, 1.900 anos atrás: “Apressa-te devagar”. Sem nunca ter lido Suetônio, era quase o que minha mãe dizia quando eu moleque disparava pelas ruas do bairro: “Corre devagar, menino!”.


    Suspeito que vem daí o meu descompasso com os apressados. 


(ÂNGELO, Ivan. Revista Veja São Paulo. São Paulo: Editora Abril. Em: 10/09/2003.)

É possível observar que, em relação à referência ao conceito de tempo indicado no texto:
Alternativas
Q4092290 Português
A imagem a seguir se refere à apresentação das vantagens e das desvantagens elencadas no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) para a implantação da Estação de Transbordo de Cargas – ETC Cargill.
Imagem associada para resolução da questão
Diante o exposto, é correto afirmar que essas informações 
Alternativas
Q4092107 Português
O GT Etnocenologia da ABRACE (Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Artes Cênicas) existe desde 2007 e investiga o fenômeno espetacular. É um dos grupos com maior volume de publicações nos anais dessa associação e contribui com reflexões pós-críticas do GT Pedagogias do Teatro, à medida que tensiona o status quo. Acerca dessas contribuições para a docência no Instituto Federal, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4091939 Português
SC trata apenas 33,9% do esgoto e, neste
ritmo, só atingirá metas de saneamento em 2055

Sem lei estadual de regionalização, Estado coleta pouco
mais de um terço do esgoto e segue distante da meta de
universalização prevista no novo marco legal


Santa Catarina, Estado reconhecido pelos bons indicadores de qualidade de vida, está muito atrás da média nacional quando o assunto é coleta e tratamento de esgoto. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SNIS), apenas 33,9% da população catarinense é atendida por redes coletoras ligadas a estações de tratamento, enquanto a média nacional chega a 59,7%.


O Instituto Trata Brasil calcula que, no ritmo atual, o Estado só atingirá as metas do novo marco legal do saneamento em 2055 — ou seja, 30 anos após o prazo estabelecido pela lei, que prevê 99% da população com acesso à água potável e 90% com tratamento de esgoto até 2033.


A falta de tratamento adequado resulta em um despejo diário de 775 milhões de litros de esgoto bruto na natureza, o equivalente a 310 piscinas olímpicas cheias de água suja. Para o professor de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rodrigo Mohedano, os prejuízos vão muito além do meio ambiente: "A gente acaba com todos os sistemas ecossistêmicos que a natureza gera para nós. O prejuízo não é só ambiental, mas também na saúde pública, na economia, no turismo e na qualidade de vida".

De acordo com a presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, os investimentos no setor estão muito abaixo do necessário.

[...] 


(Disponível em:
https://www.nsctotal.com.br/noticias/sc-trata-apenas-339-do-esgoto-e-n
este-ritmo-so-atingira-metas-de-saneamento-em-2055. Acesso em: 06
mai. 2026. Adaptado.)


Analise as sentenças e registre, V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)No título, o pronome demonstrativo "este" não apresenta referente explícito. Porém, pelo contexto do próprio título, é possível compreender que ele se refere à relação entre o quanto de esgoto é tratado na atualidade e as metas de saneamento. Ou seja, cabe ao(à) leitor(a) ler, interpretar e estabelecer relações para compreender que há uma lentidão no que se refere a viabilizar o tratamento de esgoto em Santa Catarina.
(__)No título e no subtítulo, palavras e expressões, como: apenas, só, pouco mais de, distante , têm apenas a função de qualificar outras palavras, sem efeito no sentido que se pretende construir. Os dados estatísticos e informacionais são suficientes para compreender a distância que existe entre o quanto se trata de esgoto e a meta de universalização.
(__)Entre o título, o subtítulo e o primeiro parágrafo, observa-se uma gradação de informações, ou seja, elas vão sendo acrescentadas, ampliadas. Para evitar repetições desnecessárias, observa-se que, enquanto no título há "33,9%", no subtítulo há "pouco mais de um terço". São expressões sinônimas e cabe a quem lê mobilizar seus conhecimentos para interpretá-las e compreender que se referem ao mesmo dado.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q4091937 Português
SC trata apenas 33,9% do esgoto e, neste
ritmo, só atingirá metas de saneamento em 2055

Sem lei estadual de regionalização, Estado coleta pouco
mais de um terço do esgoto e segue distante da meta de
universalização prevista no novo marco legal


Santa Catarina, Estado reconhecido pelos bons indicadores de qualidade de vida, está muito atrás da média nacional quando o assunto é coleta e tratamento de esgoto. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SNIS), apenas 33,9% da população catarinense é atendida por redes coletoras ligadas a estações de tratamento, enquanto a média nacional chega a 59,7%.


O Instituto Trata Brasil calcula que, no ritmo atual, o Estado só atingirá as metas do novo marco legal do saneamento em 2055 — ou seja, 30 anos após o prazo estabelecido pela lei, que prevê 99% da população com acesso à água potável e 90% com tratamento de esgoto até 2033.


A falta de tratamento adequado resulta em um despejo diário de 775 milhões de litros de esgoto bruto na natureza, o equivalente a 310 piscinas olímpicas cheias de água suja. Para o professor de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rodrigo Mohedano, os prejuízos vão muito além do meio ambiente: "A gente acaba com todos os sistemas ecossistêmicos que a natureza gera para nós. O prejuízo não é só ambiental, mas também na saúde pública, na economia, no turismo e na qualidade de vida".

De acordo com a presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, os investimentos no setor estão muito abaixo do necessário.

[...] 


(Disponível em:
https://www.nsctotal.com.br/noticias/sc-trata-apenas-339-do-esgoto-e-n
este-ritmo-so-atingira-metas-de-saneamento-em-2055. Acesso em: 06
mai. 2026. Adaptado.)


De acordo com o texto, entende-se por "universalização" do acesso à água potável e ao tratamento de esgoto que: 
Alternativas
Q4091936 Português
[...] Aproximadamente 147,5 milhões de brasileiros vivem em municípios onde o processo de implementação da Tarifa Social de Água e Esgoto já foi iniciado, o que corresponde a cerca de 69% da população do País. Desse total, 94,6 milhões de pessoas (44% dos brasileiros) residem em municípios atendidos por prestadores que já concluíram o processo de implementação, conforme os critérios estabelecidos na legislação federal.

A implementação da Tarifa Social também dialoga com o contexto de acesso aos serviços de saneamento básico no País. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que a ausência de acesso aos serviços de água e esgoto está fortemente associada à renda, com maior incidência entre as famílias de menor rendimento.

Entre as pessoas sem acesso à rede de abastecimento de água, cerca de 44% possuem renda domiciliar per capita inferior a meio salário-mínimo. Além disso, cerca de 38% da população não conectada à rede de esgoto está nessa mesma faixa de renda, reforçando a importância de políticas públicas voltadas à inclusão social e à ampliação do acesso a esses serviços essenciais.

[...]
A partir da leitura do texto, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)A maioria da população brasileira (69%) é beneficiária da Tarifa de Água e Esgoto.
(__)Dados estatísticos confirmam que o acesso aos serviços de água e esgoto está atrelado à classe social brasileira, isto é, as pessoas pertencentes a classes sociais mais empobrecidas estão mais suscetíveis a não ter acesso aos serviços.
(__)Hoje, 38% da população brasileira não tem acesso à rede de esgoto, reforçando a necessidade de políticas públicas como a Tarifa Social.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Q4091772 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Mundo preto e branco



    Era um mundo preto e branco. Todo o planeta consistia apenas em branco, preto, cinza e suas respectivas tonalidades.


    As pessoas caminhavam sob um céu cinza durante o dia e sob um manto carvão à noite. A humanidade consistia de 5 raças: branco, preto, cinza, granizo e chumbo.


    Mas, em uma estranha manhã, o céu amanheceu azul. As flores carvão tornaram-se vermelhas, amarelas, verdes cintilantes. Em todo o planeta, mares cinzas ganharam tonalidades de verde e azul. E as planícies desbotadas revelavam cores múltiplas.


    Naquele dia, as pessoas entraram em pânico. Anunciaram o fim do mundo. Gritaram, fizeram cortes em si mesmas, imploraram misericórdia.


    No entanto, sem qualquer explicação, o fenômeno durou apenas um dia. Na manhã seguinte, quando o céu voltou a ser cinza, as pessoas agradeceram por terem sobrevivido àquele dia de apocalipse.


MARTINZ, Juliano. Mundo preto e branco. Corrosiva. (Adaptado) Disponível .  <https://corrosiva.com.br/cronicas/mundo-preto-ebranco/>.

"Na manhã seguinte, quando o céu voltou a ser cinza, as pessoas agradeceram"



A forma verbal destacada no trecho acima indica:

Alternativas
Respostas
1121: C
1122: B
1123: D
1124: B
1125: D
1126: E
1127: A
1128: B
1129: C
1130: A
1131: C
1132: D
1133: B
1134: B
1135: E
1136: C
1137: D
1138: D
1139: B
1140: E