Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3483003 Português

Ainda Bem. (Arnaldo Antunes / Marisa Monte)



Ainda bem

Que agora encontrei você,

Eu realmente não sei

O que eu fiz pra merecer

Você.

Porque ninguém

Dava nada por mim,

Quem dava, eu não tava a fim,

Até desacreditei de mim.

O meu coração

Já estava acostumado

Com a solidão,

Quem diria que a meu lado

Você iria ficar.

Você veio pra ficar,

Você que me faz feliz,

Você que me faz cantar

Assim.

O meu coração

Já estava aposentado,

Sem nenhuma ilusão,

Tinha sido maltratado,

Tudo se transformou.

Agora você chegou,

Você que me faz feliz,

Você que me faz cantar

Assim,

Na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na, na,

Na, é,

Na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na, na.

Na, é.

O meu coração,

Já estava acostumado

Com a solidão,


Quem diria que a meu lado,

Você iria ficar.

Você veio pra ficar,

Você que me faz feliz,

Você que me faz cantar

Assim.

O meu coração

Já estava aposentado,

Sem nenhuma ilusão,

Tinha sido maltratado,

Tudo se transformou.

Agora você chegou,

Você que me faz feliz,

Você que me faz cantar

Assim,

Na, na, na, na

Na, na, na, na, na, na

Na, na, na, na, na, na, na

Na, na, na, na, na, na, na

Na, é

Ainda bem. 

Com base na leitura do texto, marque a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q3482958 Português

Leia o texto para responder às próximas três questões.

Carinhoso. (João de Barro / Pixinguinha). 


Captura_de tela 2025-07-11 211227.png (366×95)


Meu coração,

Não sei por quê,

Bate feliz

Quando te vê.

E os meus olhos

Ficam sorrindo

E pelas ruas

Vão te seguindo,

Mas mesmo assim,

Foges de mim.

Ah, se tu soubesses

Como sou tão carinhoso

E o muito, muito,

Que te quero

E como é sincero

O meu amor,

Eu sei que tu

Não fugirias mais de mim,

Vem, vem, vem, vem,

Vem sentir o calor

Dos lábios meus

À procura dos teus,

Vem matar esta paixão

Que me devora o coração

E só assim, então,

Serei feliz, bem feliz. 


Com base na leitura do texto, marque a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q3482331 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Princípios da Análise de Discurso Crítica 


Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social. A transdisciplinaridade explica-se pelo fato de esta análise não somente aplicar outras teorias, mas também romper fronteiras epistemológicas, operacionalizando e transformando teorias para os propósitos da abordagem crítica no ensino de língua materna (FAIRCLOUGH, 2003). Assim, a Análise de Discurso Crítica constitui-se pela operacionalização de diversas disciplinas e estudos, dentre os quais destacamos aqui, com base em Fairclough (2001), os estudos fundadores de Bakhtin (1997) e Foucault (1977, 2003).


Tomando o cuidado de não reduzir um pensador como Bakhtin a um punhado de conceitos desligados do contexto histórico e político em que foram produzidos, é possível reconhecer em Bakhtin o pensador proponente da teoria de ideologia; da noção de dialogismo na linguagem.


Nos ensaios filosóficos sobre a linguagem, Bakhtin (2002, p.123) aponta a "verdadeira substância da língua" no processo social da interação verbal. Seguindo preceitos do Materialismo Histórico, indica a enunciação como a realidade da linguagem e como estrutura socioideológica, de modo a priorizar não só a atividade da linguagem, mas também sua relação indissolúvel com seus usuários. 


Bakhtin (1997, p.290) apresenta uma visão dialógica e polifônica da linguagem, segundo a qual mesmo os discursos aparentemente não dialógicos, como textos escritos, são sempre parte de uma cadeia dialógica, na qual respondem a discursos anteriores e antecipam discursos posteriores de variadas formas. A interação é entendida como operação polifônica, que retoma vozes anteriores e posteriores da cadeia de interações verbais, e não só uma operação entre as vozes do locutor e do ouvinte: "cedo ou tarde, o que foi ouvido e compreendido de modo ativo encontrará um eco no discurso ou no comportamento subsequente do ouvinte" (p.291).


Mais uma fonte fundadora da compreensão da linguagem como espaço de luta de poder são os trabalhos de Foucault. Dentre outras noções, são relevantes para a Análise de Discurso Crítica as noções foucaultianas do aspecto constitutivo do discurso; da interdependência das práticas discursivas; da natureza discursiva do poder; da natureza política do discurso e da natureza discursiva da mudança social (FAIRCLOUGH, 2001). 


Foucault (2003, p.10) problematiza a função constitutiva do discurso, concebendo a linguagem como uma prática que constitui o social, os objetos e os sujeitos sociais. Analisar discursos, nessa perspectiva, é especificar formações discursivas interdependentes, bem como sistemas de regras que possibilitam a ocorrência de certos enunciados em determinados tempos, lugares e instituições. Conforme Foucault (2003, p.66), "toda tarefa crítica, pondo em questão as instâncias de controle, deve analisar ao mesmo tempo as regularidades discursivas através das quais elas se formam; e toda descrição genealógica deve levar em conta os limites que interferem nas formações reais". Da ideia de regulação social 'do que pode ou não ser dito' em práticas situadas - o que traz à tona tanto relações interdiscursivas quanto relações entre o discursivo e o não essencialmente discursivo - origina-se o conceito fundamental para a Análise de Discurso Crítica de ordem de discurso: a totalidade de práticas discursivas dentro de uma instituição ou sociedade e o relacionamento entre elas (FAIRCLOUGH, 1989).


Como alerta Brait (2008, p.9-10), "ninguém, em sã consciência, poderia dizer que Bakhtin tenha proposto formalmente uma teoria ou análise do discurso", entretanto, "também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem (...)", tendo motivado "o nascimento de uma análise dialógica do discurso".


https://www.scielo.br/j/bak/a/Vzfxj5xTVBsLvpZkk4K9 GBz/. Adaptado.
Ninguém poderia dizer que Bakhtin tenha proposto formalmente uma teoria ou análise do discurso", entretanto, "também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem.

Qual é a perspectiva de Bakhtin sobre a natureza da linguagem, conforme apresentado no texto?
Alternativas
Q3482326 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Princípios da Análise de Discurso Crítica 


Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social. A transdisciplinaridade explica-se pelo fato de esta análise não somente aplicar outras teorias, mas também romper fronteiras epistemológicas, operacionalizando e transformando teorias para os propósitos da abordagem crítica no ensino de língua materna (FAIRCLOUGH, 2003). Assim, a Análise de Discurso Crítica constitui-se pela operacionalização de diversas disciplinas e estudos, dentre os quais destacamos aqui, com base em Fairclough (2001), os estudos fundadores de Bakhtin (1997) e Foucault (1977, 2003).


Tomando o cuidado de não reduzir um pensador como Bakhtin a um punhado de conceitos desligados do contexto histórico e político em que foram produzidos, é possível reconhecer em Bakhtin o pensador proponente da teoria de ideologia; da noção de dialogismo na linguagem.


Nos ensaios filosóficos sobre a linguagem, Bakhtin (2002, p.123) aponta a "verdadeira substância da língua" no processo social da interação verbal. Seguindo preceitos do Materialismo Histórico, indica a enunciação como a realidade da linguagem e como estrutura socioideológica, de modo a priorizar não só a atividade da linguagem, mas também sua relação indissolúvel com seus usuários. 


Bakhtin (1997, p.290) apresenta uma visão dialógica e polifônica da linguagem, segundo a qual mesmo os discursos aparentemente não dialógicos, como textos escritos, são sempre parte de uma cadeia dialógica, na qual respondem a discursos anteriores e antecipam discursos posteriores de variadas formas. A interação é entendida como operação polifônica, que retoma vozes anteriores e posteriores da cadeia de interações verbais, e não só uma operação entre as vozes do locutor e do ouvinte: "cedo ou tarde, o que foi ouvido e compreendido de modo ativo encontrará um eco no discurso ou no comportamento subsequente do ouvinte" (p.291).


Mais uma fonte fundadora da compreensão da linguagem como espaço de luta de poder são os trabalhos de Foucault. Dentre outras noções, são relevantes para a Análise de Discurso Crítica as noções foucaultianas do aspecto constitutivo do discurso; da interdependência das práticas discursivas; da natureza discursiva do poder; da natureza política do discurso e da natureza discursiva da mudança social (FAIRCLOUGH, 2001). 


Foucault (2003, p.10) problematiza a função constitutiva do discurso, concebendo a linguagem como uma prática que constitui o social, os objetos e os sujeitos sociais. Analisar discursos, nessa perspectiva, é especificar formações discursivas interdependentes, bem como sistemas de regras que possibilitam a ocorrência de certos enunciados em determinados tempos, lugares e instituições. Conforme Foucault (2003, p.66), "toda tarefa crítica, pondo em questão as instâncias de controle, deve analisar ao mesmo tempo as regularidades discursivas através das quais elas se formam; e toda descrição genealógica deve levar em conta os limites que interferem nas formações reais". Da ideia de regulação social 'do que pode ou não ser dito' em práticas situadas - o que traz à tona tanto relações interdiscursivas quanto relações entre o discursivo e o não essencialmente discursivo - origina-se o conceito fundamental para a Análise de Discurso Crítica de ordem de discurso: a totalidade de práticas discursivas dentro de uma instituição ou sociedade e o relacionamento entre elas (FAIRCLOUGH, 1989).


Como alerta Brait (2008, p.9-10), "ninguém, em sã consciência, poderia dizer que Bakhtin tenha proposto formalmente uma teoria ou análise do discurso", entretanto, "também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem (...)", tendo motivado "o nascimento de uma análise dialógica do discurso".


https://www.scielo.br/j/bak/a/Vzfxj5xTVBsLvpZkk4K9 GBz/. Adaptado.
Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social.

Qual é um dos aspectos destacados sobre a Análise de Discurso Crítica, de acordo com as ideias expressas no texto? 
Alternativas
Q3481951 Português
A saga de uma década para traduzir o 'intraduzível' 'Grande Sertão: Veredas'

(Camilla Veras Mota)


Grande Sertão: Veredas é o Monte Everest do mundo da tradução. Como verter para outro idioma um romance experimental de 600 páginas sem divisão por capítulos, narrado por um jagunço que conta uma epopeia no sertão de Minas Gerais com neologismos, onomatopeias, paranomásias, aliterações e assonâncias?

Foi essa a pergunta que a australiana Alison Entrekin se fez em 2014, quando aceitou tocar um projeto para traduzir o clássico de Guimarães Rosa para o inglês. Ela sabia que o trabalho seria hercúleo, mas não imaginou que duraria uma década.

No fim de 2023, entregou uma primeira versão a seu agente literário, encarregado de apresentála ao mercado editorial. O livro foi arrematado em um leilão pela editora americana Simon & Schuster em meados de 2024 e tem publicação prevista para 2026.

Promete ser um acontecimento: a outra única edição em inglês de Grande Sertão, lançada em 1963, não passou da primeira tiragem e ficou conhecida como uma versão desidratada que não está à altura do original. O próprio Guimarães Rosa chegou a se queixar, em trocas de cartas com seu tradutor para o alemão, de que o texto não capturava a singularidade de sua obra.

Se um dos problemas apontados para o fracasso daquela época foi o conhecimento limitado do português da tradutora americana Harriet de Onís, que acabou largando o trabalho no meio do caminho, desta vez a situação não podia ser mais distinta. Entrekin vive no Brasil desde 1996, quando, vindo de Perth, na costa australiana, desembarcou em Santos (SP), a cidade natal do marido.

Por dez anos, de segunda a sexta, a australiana acordou cedo, levou a filha para a escola, voltou para casa e sentou na frente do computador para reconstruir em inglês o sertão de Minas Gerais.

(https://www.bbc.com/, com adaptações)
O texto permite inferir que, diante da longa distância de 60 anos, a segunda tradução obteve sucesso devido à diferença de recursos à disposição da tradutora, já que informações oriundas da internet e da produção acadêmica, por exemplo, puderam influir no resultado da tradução mais recente. 
Alternativas
Q3481519 Português
Atenção: Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.


[Lagos de sangue na literatura] 


    Lagos de sangue não garantem parentesco espiritual, é sabido; irmãos podem ser e frequentemente são tão diferentes entre si quanto são de completos estranhos, ainda que a ascendência comum e a convivência na infância e juventude determinem relações de grande afeto. 


    Por outro lado, é fascinante que se possa conhecer na literatura criaturas tão parecidas com a gente mesma. Minha primeira experiência desse tipo deu-se quando conheci Paulo Honório, o coronel assassino, protagonista e narrador do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos. Identifiquei-me de pronto com essa criatura e desenvolvi por ela o que por mim mesma era uma mistura de repulsa e forte autocomiseração. Mais tarde, quando li Infância e Memórias do Cárcere, textos autobiográficos do mesmo autor, conclui que eu e Paulo Honório tínhamos um terceiro irmão bastante afinado: o criador mesmo, Graciliano. 


    Mas das minhas experiências de conhecer irmãos pela literatura, nada se comparou até agora à que tive quando li, muito recentemente, As pequenas virtudes da escritora italiana Natália Ginzburg (1916-1991). Deu-me vontade de sair mostrando às pessoas na rua: ‘olha só, podia ser minha avó, viveu e morreu do outro lado do mundo, mas é minha irmã, verdadeiramente minha irmã, e de algum ponto do universo segue falando comigo”.


(Adaptado de: LOPES, Ayde Veiga. Disponível em: https://ninhodealveloas.blogspot.com/search/label/cidadela
Ao se referir a Paulo Honório, no 2º paragrafo, a autora afirma que mantém com esse protagonista e narrador de São Bernardo uma relação de 
Alternativas
Q3481518 Português
Atenção: Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.


[Lagos de sangue na literatura] 


    Lagos de sangue não garantem parentesco espiritual, é sabido; irmãos podem ser e frequentemente são tão diferentes entre si quanto são de completos estranhos, ainda que a ascendência comum e a convivência na infância e juventude determinem relações de grande afeto. 


    Por outro lado, é fascinante que se possa conhecer na literatura criaturas tão parecidas com a gente mesma. Minha primeira experiência desse tipo deu-se quando conheci Paulo Honório, o coronel assassino, protagonista e narrador do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos. Identifiquei-me de pronto com essa criatura e desenvolvi por ela o que por mim mesma era uma mistura de repulsa e forte autocomiseração. Mais tarde, quando li Infância e Memórias do Cárcere, textos autobiográficos do mesmo autor, conclui que eu e Paulo Honório tínhamos um terceiro irmão bastante afinado: o criador mesmo, Graciliano. 


    Mas das minhas experiências de conhecer irmãos pela literatura, nada se comparou até agora à que tive quando li, muito recentemente, As pequenas virtudes da escritora italiana Natália Ginzburg (1916-1991). Deu-me vontade de sair mostrando às pessoas na rua: ‘olha só, podia ser minha avó, viveu e morreu do outro lado do mundo, mas é minha irmã, verdadeiramente minha irmã, e de algum ponto do universo segue falando comigo”.


(Adaptado de: LOPES, Ayde Veiga. Disponível em: https://ninhodealveloas.blogspot.com/search/label/cidadela
Considerando as relações familiares, também conhecidas como laços de sangue, a autora do texto julga-as  
Alternativas
Q3481515 Português
Atenção: Para responder as questão, baseie-se no texto abaixo.


Iracema e a praia 


    Movido por um dos ideais do Romantismo — a expressão de culturas nativas, supostamente movidas pelo espirito da Natureza — o escritor cearense José de Alencar dedicou-se a romances de fundamentação “indianista”, nos quais se enaltecia a figura heroicizada de personagens indígenas. Entre esses romances, Iracema é certamente o mais poético: nele, Alencar se valeu de imagens e ritmos que costumam caracterizar os poemas. Dedicado ao estudo do tupi, o autor buscou também motivar-se pelo encantamento das sonoridades da fala dos nativos. 


    Iracema tornou-se uma celebridade no quadro da literatura brasileira e acabou dando nome a uma praia e a um bairro de Fortaleza, onde ha ruas chamadas Tabajaras, Cariris e Potiguaras, transplantando para a geografia urbana os povos indígenas que participam das ações do romance de Alencar. Por vezes, a literatura sai do papel e da imaginação criativa para pousar nas cidades e na cartografia sentimental de seus habitantes.  


    O visitante de Fortaleza, andando pela praia de Iracema, não suspeitara que muito antes das casas de veraneio o lugar era conhecido como Praia do Peixe, vindo a ganhar o nome atual apenas em 1930. Mas que importam as datas administrativas diante da poesia e dos mitos? O doce nome de Iracema — “a virgem dos lábios de mel” — diz sobretudo da saga mitológica, assentada em elementos históricos, a que Alencar deu vida não apenas para cantar sua heroína romanesca, mas para adotar o poder da ficção como base de uma epopeia sensível, a sua “lenda do Ceara” — designação que ele especificou no pórtico do romance para deixar claro seu intento de escavar as raízes da formação de um povo.


(Bento Cipião das Neves, a editar) 
Um forte trago romântico do escritor José de Alencar verifica-se quando ele se propõe a 
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Q3481514 Português
Atenção: Para responder as questão, baseie-se no texto abaixo.


Iracema e a praia 


    Movido por um dos ideais do Romantismo — a expressão de culturas nativas, supostamente movidas pelo espirito da Natureza — o escritor cearense José de Alencar dedicou-se a romances de fundamentação “indianista”, nos quais se enaltecia a figura heroicizada de personagens indígenas. Entre esses romances, Iracema é certamente o mais poético: nele, Alencar se valeu de imagens e ritmos que costumam caracterizar os poemas. Dedicado ao estudo do tupi, o autor buscou também motivar-se pelo encantamento das sonoridades da fala dos nativos. 


    Iracema tornou-se uma celebridade no quadro da literatura brasileira e acabou dando nome a uma praia e a um bairro de Fortaleza, onde ha ruas chamadas Tabajaras, Cariris e Potiguaras, transplantando para a geografia urbana os povos indígenas que participam das ações do romance de Alencar. Por vezes, a literatura sai do papel e da imaginação criativa para pousar nas cidades e na cartografia sentimental de seus habitantes.  


    O visitante de Fortaleza, andando pela praia de Iracema, não suspeitara que muito antes das casas de veraneio o lugar era conhecido como Praia do Peixe, vindo a ganhar o nome atual apenas em 1930. Mas que importam as datas administrativas diante da poesia e dos mitos? O doce nome de Iracema — “a virgem dos lábios de mel” — diz sobretudo da saga mitológica, assentada em elementos históricos, a que Alencar deu vida não apenas para cantar sua heroína romanesca, mas para adotar o poder da ficção como base de uma epopeia sensível, a sua “lenda do Ceara” — designação que ele especificou no pórtico do romance para deixar claro seu intento de escavar as raízes da formação de um povo.


(Bento Cipião das Neves, a editar) 
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em: 
Alternativas
Q3481513 Português
Atenção: Para responder as questão, baseie-se no texto abaixo.


Iracema e a praia 


    Movido por um dos ideais do Romantismo — a expressão de culturas nativas, supostamente movidas pelo espirito da Natureza — o escritor cearense José de Alencar dedicou-se a romances de fundamentação “indianista”, nos quais se enaltecia a figura heroicizada de personagens indígenas. Entre esses romances, Iracema é certamente o mais poético: nele, Alencar se valeu de imagens e ritmos que costumam caracterizar os poemas. Dedicado ao estudo do tupi, o autor buscou também motivar-se pelo encantamento das sonoridades da fala dos nativos. 


    Iracema tornou-se uma celebridade no quadro da literatura brasileira e acabou dando nome a uma praia e a um bairro de Fortaleza, onde ha ruas chamadas Tabajaras, Cariris e Potiguaras, transplantando para a geografia urbana os povos indígenas que participam das ações do romance de Alencar. Por vezes, a literatura sai do papel e da imaginação criativa para pousar nas cidades e na cartografia sentimental de seus habitantes.  


    O visitante de Fortaleza, andando pela praia de Iracema, não suspeitara que muito antes das casas de veraneio o lugar era conhecido como Praia do Peixe, vindo a ganhar o nome atual apenas em 1930. Mas que importam as datas administrativas diante da poesia e dos mitos? O doce nome de Iracema — “a virgem dos lábios de mel” — diz sobretudo da saga mitológica, assentada em elementos históricos, a que Alencar deu vida não apenas para cantar sua heroína romanesca, mas para adotar o poder da ficção como base de uma epopeia sensível, a sua “lenda do Ceara” — designação que ele especificou no pórtico do romance para deixar claro seu intento de escavar as raízes da formação de um povo.


(Bento Cipião das Neves, a editar) 
A força que há na cartografia sentimental de uma cidade, como ocorre com Fortaleza, justifica-se pelo fato de que 
Alternativas
Q3479961 Português
Leia o texto para responder a questão.

        A Revolução Industrial propiciou à humanidade a realização de feitos notáveis: do aumento geral da oferta de bens até a ida à Lua. Esse mesmo desenvolvimento é responsável pelo desequilíbrio do ecossistema da Terra.

        Durante bilhões de anos, o planeta passou por diversas transformações radicais, algumas levando a extinções em massa. A diferença é que, agora, são ações humanas que vêm afetando o meio ambiente em grande velocidade, e a mudança climática é o sintoma mais contundente desse processo.

        O observatório Copernicus, da Agência Espacial Europeia, confirmou o que a população mundial sentiu na pele: 2023 foi o ano mais quente desde o início da série histórica de medições, em 1850. A média global foi de 14,98 ºC, o que representa 0,17 ºC a mais do que o recorde anterior, de 2016.

        No Brasil, 2023 foi o ano mais quente desde 1961, início da série histórica do Instituto Nacional de Meteorologia. A temperatura média foi de 24,92 ºC, superando a média histórica em 0,69 ºC. O país viveu eventos climáticos extremos, como seca inédita na Amazônia, tempestades e enchentes no sul, e seguidas ondas de calor.

        O El Niño, que aquece as águas dos oceanos, contribui para a alta mundial dos termômetros, mas as temperaturas dos oceanos já haviam atingido recordes em abril, e o fenômeno teve início em julho.

        A responsável pelas anomalias de temperatura é a emissão de gases que provocam o efeito estufa, notadamente aqueles oriundos da queima de combustíveis fósseis, responsáveis por 75% das emissões. O mecanismo é velho conhecido, mas até agora pouco foi feito para acabar com a dependência de petróleo, carvão e gás natural.

(https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/01/o-ano-mais-quente.shtml. 09.01.2024. Adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q3479923 Português
Leia o texto para responder a questão.

Histórias de médico em formação

        Os plantonistas conhecem esta situação. No meio da noite, alguém bate insistentemente à porta: depressa, doutor, é um caso urgente. E aí é preciso saltar da cama e vestir-se precipitadamente e lavar o rosto com a esperança de que a água fria restaure a capacidade de raciocínio embotada pelo sono, e então sair e encontrar na maca um baleado, um esfaqueado, uma mulher que se retorce em dores, uma criança que mal respira. A urgência é mais que uma forma de atendimento, é um modo de viver estressante, frenético, onde a rotina mencionada nos livros jamais existe.

        É raro o médico que não tenha passado por um serviço de urgência. Quando eu era estudante de medicina, fazia-se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos. Fui designado para um posto na Grande Porto Alegre. Antes mesmo de entrar na escala de plantões, resolvi ir até lá para conhecer o lugar. Era uma casinha velha e acanhada, cheia de gente, que estava esperando desde a madrugada. Procurei o médico-chefe e perguntei quem estava de plantão. Tu, foi a pronta resposta, e este foi o meu batismo de fogo no serviço de urgência.

         Além dos pacientes que vinham ao local, era preciso responder a dezenas de chamados em domicílio. A ambulância era velha e quebrada, de modo que estávamos sempre atrasados, para grande angústia e irritação das pessoas que chamavam. Uma tarde, depois de atender a numerosos desses chamados, regressei ao posto, exausto. O funcionário me esperava na porta, alarmado: alguém tinha se afogado no rio, deveríamos ir lá imediatamente. Voltei para a ambulância e nos dirigimos para o local.

        Uma multidão se concentrava ali, em torno a um corpo na margem. Bastou-me um olhar para verificar que o homem estava morto há horas, quem sabe há dias. A ressuscitação ali era apenas pró-forma, mas eu procederia como tinham me ensinado: massagem cardíaca e respiração boca a boca. Junto ao grupo estava um cabo, acompanhado de um soldado. Eu disse ao militar que faria a massagem e pedi o seu auxílio para a respiração boca a boca. O homem olhou-me, horrorizado, mas teve presença de espírito: mandou o soldado fazer o que eu havia lhe pedido. O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer. Perguntou somente se podia usar o lenço para evitar um contato direto. Eu disse que sim. Quem se oporia, além do morto?

        Fizemos a rápida encenação, depois partimos.

(Moacyr Scliar. Território da emoção. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)
Quanto às considerações do autor sobre a formação e a rotina do médico, é correto afirmar que
Alternativas
Q3479921 Português

(Willian Leite. Anésia # 551. www.willtirando.com.br. 26.03.2021)

É correto afirmar que o efeito de humor da tira decorre
Alternativas
Q3471539 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Esquecer é uma função normal da memória



Esquecer-se de coisas no dia a dia pode ser um pouco irritante ou, à medida que envelhecemos, um pouco assustador. Mas é parte da função normal da memória, permitindo-nos seguir em frente ou abrir espaço para novas informações.

As nossas memórias não são, na verdade, tão confiáveis quanto pensamos. Mas que nível de esquecimento é normal? Analisemos as evidências.

Quando nos lembramos de algo, nossos cérebros precisam aprender a memória, mantê-la segura e recuperá-la quando necessário. E o esquecimento ocorre em qualquer parte desse processo.

Ao receber informação sensorial pela primeira vez, o cérebro não processa tudo. Assim, usamos nossa atenção para filtrar as informações importantes.

Isso significa que, quando codificamos nossas experiências, codificamos principalmente aquilo em que prestamos atenção.

Quando alguém se apresenta em um jantar enquanto prestamos atenção em outra coisa, não codificamos o nome. É uma falha de memória, mas é totalmente normal e bastante comum.

Hábitos e estrutura, como sempre colocar as chaves no mesmo lugar para que não tenhamos que codificar sua localização, ajudam-nos a contornar o problema.

Ensaiar também é importante para a memória. As memórias que mais duram são aquelas que ensaiamos e recontamos, embora, muitas vezes, adaptamo-las a cada releitura e, provavelmente, nos lembremos do último ensaio em vez do evento real em si.

Na década de 1880, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus ensinou a um grupo de pessoas sílabas sem sentido, que elas nunca tinham ouvido antes, e analisou o quanto lembraram delas ao longo do tempo. Ele mostrou que, sem ensaio, a maior parte da nossa memória desaparece dentro de um ou dois dias.

No entanto, as pessoas que ensaiaram as sílabas, repetindo-as em intervalos regulares, puderam lembrar por mais de um dia o número de sílabas.

Mas essa necessidade de ensaio pode ser outra causa do esquecimento diário. Quando vamos ao supermercado, codificamos onde estacionamos o carro, mas quando entramos na loja, ocupamo-nos de outras coisas que precisamos lembrar, como nossa lista de compras. Como resultado, esquecemos a localização do carro.

Outra coisa que nos revela característica do esquecimento: podemos esquecer informações específicas, mas lembrar da essência. Quando saímos da loja e percebemos que não lembramos onde estacionamos o carro, provavelmente lembramos se era à esquerda ou à direita da porta da loja, no limite do estacionamento ou mais para o centro.

E, assim, em vez de ter que percorrer todo o estacionamento até encontrá-lo, fazemos a busca em uma área relativamente definida.

À medida que as pessoas envelhecem, elas se preocupam mais com a memória. É verdade que nosso esquecimento se torna mais pronunciado.

Quanto mais tempo vivemos, temos mais experiências e lembranças. Mas as experiências têm muito em comum, o que significa que pode se tornar complicado separar esses eventos em nossa memória.

Se você só passou férias na praia na Espanha uma vez, você se lembrará com grande clareza. Agora, se você já foi de férias para a Espanha muitas vezes, visitou diversas cidades em momentos diferentes, lembrar se algo aconteceu na primeira vez em Barcelona ou na segunda, ou se seu irmão estava nas férias em Maiorca ou Ibiza, torna-se mais desafiador.

A sobreposição de memórias, ou interferência, atrapalha a recuperação de informação. Imagine arquivar documentos no seu computador. Ao iniciar o processo, você tem um sistema claro, em que saberá onde encontrar cada documento que guardar.

Mas à medida que mais e mais documentos entram, fica difícil decidir a qual das pastas ele pertence. Você também começa a colocar muitos documentos em uma pasta porque todos eles estão relacionados a um mesmo item.

Isso significa que, com o tempo, torna-se difícil recuperar o documento certo quando precisar dele, seja porque você não consegue saber onde o colocou, ou porque sabe onde ele deve estar, mas há muitas outras coisas para pesquisar.

Mas não esquecer também pode ser perturbador. O transtorno de estresse pós-traumático é um exemplo de uma situação em que as pessoas não conseguem esquecer. A memória é persistente, não desaparece e, muitas vezes, interrompe a vida diária.

Há experiências semelhantes com memórias persistentes no luto ou em casos de depressão, condições que dificultam o esquecimento de informações negativas, quando esquecer seria extremamente útil.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/c72gx0x7zl1o.adaptado.
Na década de 1880, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus ensinou a um grupo de pessoas sílabas sem sentido, que elas nunca tinham ouvido antes, e analisou o quanto lembraram delas ao longo do tempo.
Segundo o texto base, qual é uma estratégia eficaz para contornar o problema do esquecimento diário? 
Alternativas
Q3471536 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Esquecer é uma função normal da memória



Esquecer-se de coisas no dia a dia pode ser um pouco irritante ou, à medida que envelhecemos, um pouco assustador. Mas é parte da função normal da memória, permitindo-nos seguir em frente ou abrir espaço para novas informações.

As nossas memórias não são, na verdade, tão confiáveis quanto pensamos. Mas que nível de esquecimento é normal? Analisemos as evidências.

Quando nos lembramos de algo, nossos cérebros precisam aprender a memória, mantê-la segura e recuperá-la quando necessário. E o esquecimento ocorre em qualquer parte desse processo.

Ao receber informação sensorial pela primeira vez, o cérebro não processa tudo. Assim, usamos nossa atenção para filtrar as informações importantes.

Isso significa que, quando codificamos nossas experiências, codificamos principalmente aquilo em que prestamos atenção.

Quando alguém se apresenta em um jantar enquanto prestamos atenção em outra coisa, não codificamos o nome. É uma falha de memória, mas é totalmente normal e bastante comum.

Hábitos e estrutura, como sempre colocar as chaves no mesmo lugar para que não tenhamos que codificar sua localização, ajudam-nos a contornar o problema.

Ensaiar também é importante para a memória. As memórias que mais duram são aquelas que ensaiamos e recontamos, embora, muitas vezes, adaptamo-las a cada releitura e, provavelmente, nos lembremos do último ensaio em vez do evento real em si.

Na década de 1880, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus ensinou a um grupo de pessoas sílabas sem sentido, que elas nunca tinham ouvido antes, e analisou o quanto lembraram delas ao longo do tempo. Ele mostrou que, sem ensaio, a maior parte da nossa memória desaparece dentro de um ou dois dias.

No entanto, as pessoas que ensaiaram as sílabas, repetindo-as em intervalos regulares, puderam lembrar por mais de um dia o número de sílabas.

Mas essa necessidade de ensaio pode ser outra causa do esquecimento diário. Quando vamos ao supermercado, codificamos onde estacionamos o carro, mas quando entramos na loja, ocupamo-nos de outras coisas que precisamos lembrar, como nossa lista de compras. Como resultado, esquecemos a localização do carro.

Outra coisa que nos revela característica do esquecimento: podemos esquecer informações específicas, mas lembrar da essência. Quando saímos da loja e percebemos que não lembramos onde estacionamos o carro, provavelmente lembramos se era à esquerda ou à direita da porta da loja, no limite do estacionamento ou mais para o centro.

E, assim, em vez de ter que percorrer todo o estacionamento até encontrá-lo, fazemos a busca em uma área relativamente definida.

À medida que as pessoas envelhecem, elas se preocupam mais com a memória. É verdade que nosso esquecimento se torna mais pronunciado.

Quanto mais tempo vivemos, temos mais experiências e lembranças. Mas as experiências têm muito em comum, o que significa que pode se tornar complicado separar esses eventos em nossa memória.

Se você só passou férias na praia na Espanha uma vez, você se lembrará com grande clareza. Agora, se você já foi de férias para a Espanha muitas vezes, visitou diversas cidades em momentos diferentes, lembrar se algo aconteceu na primeira vez em Barcelona ou na segunda, ou se seu irmão estava nas férias em Maiorca ou Ibiza, torna-se mais desafiador.

A sobreposição de memórias, ou interferência, atrapalha a recuperação de informação. Imagine arquivar documentos no seu computador. Ao iniciar o processo, você tem um sistema claro, em que saberá onde encontrar cada documento que guardar.

Mas à medida que mais e mais documentos entram, fica difícil decidir a qual das pastas ele pertence. Você também começa a colocar muitos documentos em uma pasta porque todos eles estão relacionados a um mesmo item.

Isso significa que, com o tempo, torna-se difícil recuperar o documento certo quando precisar dele, seja porque você não consegue saber onde o colocou, ou porque sabe onde ele deve estar, mas há muitas outras coisas para pesquisar.

Mas não esquecer também pode ser perturbador. O transtorno de estresse pós-traumático é um exemplo de uma situação em que as pessoas não conseguem esquecer. A memória é persistente, não desaparece e, muitas vezes, interrompe a vida diária.

Há experiências semelhantes com memórias persistentes no luto ou em casos de depressão, condições que dificultam o esquecimento de informações negativas, quando esquecer seria extremamente útil.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/c72gx0x7zl1o.adaptado.
Outra coisa que nos revela característica do esquecimento: podemos esquecer informações específicas, mas lembrar da essência.
De acordo com o texto base, a sobreposição de memórias:
Alternativas
Q3471530 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Esquecer é uma função normal da memória



Esquecer-se de coisas no dia a dia pode ser um pouco irritante ou, à medida que envelhecemos, um pouco assustador. Mas é parte da função normal da memória, permitindo-nos seguir em frente ou abrir espaço para novas informações.

As nossas memórias não são, na verdade, tão confiáveis quanto pensamos. Mas que nível de esquecimento é normal? Analisemos as evidências.

Quando nos lembramos de algo, nossos cérebros precisam aprender a memória, mantê-la segura e recuperá-la quando necessário. E o esquecimento ocorre em qualquer parte desse processo.

Ao receber informação sensorial pela primeira vez, o cérebro não processa tudo. Assim, usamos nossa atenção para filtrar as informações importantes.

Isso significa que, quando codificamos nossas experiências, codificamos principalmente aquilo em que prestamos atenção.

Quando alguém se apresenta em um jantar enquanto prestamos atenção em outra coisa, não codificamos o nome. É uma falha de memória, mas é totalmente normal e bastante comum.

Hábitos e estrutura, como sempre colocar as chaves no mesmo lugar para que não tenhamos que codificar sua localização, ajudam-nos a contornar o problema.

Ensaiar também é importante para a memória. As memórias que mais duram são aquelas que ensaiamos e recontamos, embora, muitas vezes, adaptamo-las a cada releitura e, provavelmente, nos lembremos do último ensaio em vez do evento real em si.

Na década de 1880, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus ensinou a um grupo de pessoas sílabas sem sentido, que elas nunca tinham ouvido antes, e analisou o quanto lembraram delas ao longo do tempo. Ele mostrou que, sem ensaio, a maior parte da nossa memória desaparece dentro de um ou dois dias.

No entanto, as pessoas que ensaiaram as sílabas, repetindo-as em intervalos regulares, puderam lembrar por mais de um dia o número de sílabas.

Mas essa necessidade de ensaio pode ser outra causa do esquecimento diário. Quando vamos ao supermercado, codificamos onde estacionamos o carro, mas quando entramos na loja, ocupamo-nos de outras coisas que precisamos lembrar, como nossa lista de compras. Como resultado, esquecemos a localização do carro.

Outra coisa que nos revela característica do esquecimento: podemos esquecer informações específicas, mas lembrar da essência. Quando saímos da loja e percebemos que não lembramos onde estacionamos o carro, provavelmente lembramos se era à esquerda ou à direita da porta da loja, no limite do estacionamento ou mais para o centro.

E, assim, em vez de ter que percorrer todo o estacionamento até encontrá-lo, fazemos a busca em uma área relativamente definida.

À medida que as pessoas envelhecem, elas se preocupam mais com a memória. É verdade que nosso esquecimento se torna mais pronunciado.

Quanto mais tempo vivemos, temos mais experiências e lembranças. Mas as experiências têm muito em comum, o que significa que pode se tornar complicado separar esses eventos em nossa memória.

Se você só passou férias na praia na Espanha uma vez, você se lembrará com grande clareza. Agora, se você já foi de férias para a Espanha muitas vezes, visitou diversas cidades em momentos diferentes, lembrar se algo aconteceu na primeira vez em Barcelona ou na segunda, ou se seu irmão estava nas férias em Maiorca ou Ibiza, torna-se mais desafiador.

A sobreposição de memórias, ou interferência, atrapalha a recuperação de informação. Imagine arquivar documentos no seu computador. Ao iniciar o processo, você tem um sistema claro, em que saberá onde encontrar cada documento que guardar.

Mas à medida que mais e mais documentos entram, fica difícil decidir a qual das pastas ele pertence. Você também começa a colocar muitos documentos em uma pasta porque todos eles estão relacionados a um mesmo item.

Isso significa que, com o tempo, torna-se difícil recuperar o documento certo quando precisar dele, seja porque você não consegue saber onde o colocou, ou porque sabe onde ele deve estar, mas há muitas outras coisas para pesquisar.

Mas não esquecer também pode ser perturbador. O transtorno de estresse pós-traumático é um exemplo de uma situação em que as pessoas não conseguem esquecer. A memória é persistente, não desaparece e, muitas vezes, interrompe a vida diária.

Há experiências semelhantes com memórias persistentes no luto ou em casos de depressão, condições que dificultam o esquecimento de informações negativas, quando esquecer seria extremamente útil.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/c72gx0x7zl1o.adaptado.
Quanto mais tempo vivemos, mais experiências temos e mais informações temos para lembrar.
De acordo com o texto base, o esquecimento:
Alternativas
Q3471503 Português
Analise o poema abaixo:

DA FELICIDADE

Quantas vezes a gente, em busca da ventura, Procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte, os óculos procura Tendo-os na ponta do nariz!

QUINTANA, Mario. Da felicidade. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/NDE1/. Acesso em: 29 de mai. de 2024.

Assinale a alternativa que melhor expressa a opinião do autor sobre a busca pela felicidade:
Alternativas
Q3471443 Português
Analise o poema abaixo:


Somos donos dos nossos atos mas não donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos mas não pelo que sentimos. Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos. Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em voo.

ALVES, Rubem. Amor - Mosaico de Pensamentos. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/Mjg3Mzg/. Acesso em: 29 de mai. de 2024.

Assinale a alternativa que melhor expõe a ideia transmitida pelo autor.
Alternativas
Q3470939 Português

O texto seguinte servirá de base para responder a questão.



Os desafios de lidar com o envelhecimento dos pais



Uma dura fase marcada por conflitos e dificuldades. É assim que especialistas resumem a forma como o envelhecimento dos pais é encarado diversas vezes, porque muitos filhos não estão preparados para lidar com as exigências desse período.



À medida que a idade avança, uma pessoa precisa de cada vez mais apoio, seja em atividades simples do dia a dia ou mesmo uma ajuda financeira, e isso cobra um preço de quem fica responsável por esses cuidados, como apontam especialistas.



"Em alguns casos, esses filhos experimentam níveis significativos de estresse e sobrecarga ao lidar com as demandas do envelhecimento dos pais, especialmente quando há questões de saúde ou limitações funcionais", diz a psicóloga Deusivania Falcão, professora de Psicogerontologia, área da psicologia que estuda o envelhecimento, da Universidade de São Paulo (USP).



Há, inclusive, um nome para definir esse senso de obrigação dos filhos em apoiar pais mais velhos: responsabilidade filial.



"É uma obrigação baseada em um padrão cultural, relacionado à percepção de que esse é um comportamento socialmente responsável em resposta ao envelhecimento e à dependência dos pais", explica Falcão. "Ou seja, de que é dever do filho adulto ajudar ou ser responsável pelos pais idosos."



O número de pessoas com mais de sessenta anos passou de 20,5 milhões no Censo de 2010 para 32,1 milhões no mesmo levantamento em 2022 − um crescimento de 56% em pouco mais de uma década.



As estimativas apontam que a população de idosos se tornará ainda maior ao longo das próximas décadas.



Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o brasileiro viverá cada vez mais: a expectativa de vida, que era de 69,8 anos no início dos anos 2000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje é de 75,5 anos. 



Isso não só aumenta o período em que uma pessoa precisa de auxílio, mas também torna mais comum que os filhos acompanhem diferentes fases do envelhecimento dos pais.



Um ponto importante nesse período é a forma como filhos encaram o envelhecimento dos pais e, como em tantas outras fases da vida, não há uma cartilha universal a seguir.



Essa experiência, dizem especialistas, costuma ser influenciada por padrões familiares do passado e pela forma como uma pessoa foi criada, além de aspectos culturais, históricos, sociais e religiosos de uma família.



"Há vários modelos de envelhecimento e de velhice. Cada indivíduo envelhece de maneira diferenciada, na singularidade de suas condições genéticas, ambientais, familiares, sociais, educacionais, econômicas, históricas e culturais", diz Falcão.



"Isso tudo depende do tipo de sistema desenvolvido pela família ao longo dos anos."



Um dos principais desafios e motivos de atrito está nos papéis que pais e filhos assumem nessa fase da vida, apontam especialistas.



De um lado, os filhos enxergam uma pessoa fragilizada, adoecida e que precisa de cuidados e limitações e protegem seus pais, fazendo com que não se exponham a riscos.



Do outro, há uma pessoa que não quer perder sua autonomia e que até percebe que precisa de cuidados, mas tem dificuldade de aceitar isso, afirma a geriatra Fernanda Andrade.



"Na imensa maioria das vezes, há uma grande diferença entre a visão dos filhos e a dos pais. Os filhos não costumam lidar bem com as escolhas dos pais nesse período", afirma Andrade.



Um dos comentários mais recorrentes que a médica ouve dos filhos é que seus pais são "teimosos" por não seguirem à risca o que os filhos acreditam que eles devem agir.



"É angustiante assistir ao envelhecimento − e, muitas vezes, ao adoecimento − de uma pessoa que se ama e não controlar tudo isso."



Mas, por trás dessa "teimosia", apontam especialistas, estão características atribuídas à idade avançada.



Entre elas, estão o sentimento de solidão, a perda de sentido da vida, a saudade de amigos ou parentes que já faleceram e o medo da morte.



Além disso, o temor de depender dos outros, ainda que sejam os próprios filhos, causa preocupação em muitos idosos e faz com que sejam resistentes a cuidados. 



"Imagina passar 50 anos da sua vida totalmente independente e começar a precisar de alguém para ir ao mercado para você, te ajudar a vestir uma roupa ou realizar sua higiene íntima?", diz Andrade.



Para não perder a autonomia, diz Fernanda, muitos idosos não querem parar de dirigir, não aceitam ir ao médico ou não querem abandonar outras atividades que costumavam fazer sozinhos.



Nesse momento, surgem conflitos na relação com os filhos, caso não haja uma comunicação aberta na família sobre as expectativas, desejos e necessidades dos dois lados, pontuam os especialistas.



Muitas vezes, é preciso entender que se trata de uma fase de constante adaptação às demandas que surgem com o passar dos anos.



Por isso, é fundamental perceber que as necessidades dos pais mudam ao longo do tempo.



"O ideal é que os pais conversem muito com os filhos e mostrem as diferenças geracionais", afirma o médico.



"Esse diálogo é importante, mas é difícil, porque muitos pais não conseguem essa conversa e muitos filhos se consideram senhores da verdade, o que dificulta muito essa situação."



Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/c842z9en455o.adaptado.


Muitos idosos continuam fazendo atividades que lhe dão satisfação.

De acordo com o texto base, qual é uma das características atribuídas à idade avançada que contribui para a resistência dos idosos em aceitar cuidados e apoio?
Alternativas
Q3470935 Português

O texto seguinte servirá de base para responder a questão.



Os desafios de lidar com o envelhecimento dos pais



Uma dura fase marcada por conflitos e dificuldades. É assim que especialistas resumem a forma como o envelhecimento dos pais é encarado diversas vezes, porque muitos filhos não estão preparados para lidar com as exigências desse período.



À medida que a idade avança, uma pessoa precisa de cada vez mais apoio, seja em atividades simples do dia a dia ou mesmo uma ajuda financeira, e isso cobra um preço de quem fica responsável por esses cuidados, como apontam especialistas.



"Em alguns casos, esses filhos experimentam níveis significativos de estresse e sobrecarga ao lidar com as demandas do envelhecimento dos pais, especialmente quando há questões de saúde ou limitações funcionais", diz a psicóloga Deusivania Falcão, professora de Psicogerontologia, área da psicologia que estuda o envelhecimento, da Universidade de São Paulo (USP).



Há, inclusive, um nome para definir esse senso de obrigação dos filhos em apoiar pais mais velhos: responsabilidade filial.



"É uma obrigação baseada em um padrão cultural, relacionado à percepção de que esse é um comportamento socialmente responsável em resposta ao envelhecimento e à dependência dos pais", explica Falcão. "Ou seja, de que é dever do filho adulto ajudar ou ser responsável pelos pais idosos."



O número de pessoas com mais de sessenta anos passou de 20,5 milhões no Censo de 2010 para 32,1 milhões no mesmo levantamento em 2022 − um crescimento de 56% em pouco mais de uma década.



As estimativas apontam que a população de idosos se tornará ainda maior ao longo das próximas décadas.



Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o brasileiro viverá cada vez mais: a expectativa de vida, que era de 69,8 anos no início dos anos 2000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje é de 75,5 anos. 



Isso não só aumenta o período em que uma pessoa precisa de auxílio, mas também torna mais comum que os filhos acompanhem diferentes fases do envelhecimento dos pais.



Um ponto importante nesse período é a forma como filhos encaram o envelhecimento dos pais e, como em tantas outras fases da vida, não há uma cartilha universal a seguir.



Essa experiência, dizem especialistas, costuma ser influenciada por padrões familiares do passado e pela forma como uma pessoa foi criada, além de aspectos culturais, históricos, sociais e religiosos de uma família.



"Há vários modelos de envelhecimento e de velhice. Cada indivíduo envelhece de maneira diferenciada, na singularidade de suas condições genéticas, ambientais, familiares, sociais, educacionais, econômicas, históricas e culturais", diz Falcão.



"Isso tudo depende do tipo de sistema desenvolvido pela família ao longo dos anos."



Um dos principais desafios e motivos de atrito está nos papéis que pais e filhos assumem nessa fase da vida, apontam especialistas.



De um lado, os filhos enxergam uma pessoa fragilizada, adoecida e que precisa de cuidados e limitações e protegem seus pais, fazendo com que não se exponham a riscos.



Do outro, há uma pessoa que não quer perder sua autonomia e que até percebe que precisa de cuidados, mas tem dificuldade de aceitar isso, afirma a geriatra Fernanda Andrade.



"Na imensa maioria das vezes, há uma grande diferença entre a visão dos filhos e a dos pais. Os filhos não costumam lidar bem com as escolhas dos pais nesse período", afirma Andrade.



Um dos comentários mais recorrentes que a médica ouve dos filhos é que seus pais são "teimosos" por não seguirem à risca o que os filhos acreditam que eles devem agir.



"É angustiante assistir ao envelhecimento − e, muitas vezes, ao adoecimento − de uma pessoa que se ama e não controlar tudo isso."



Mas, por trás dessa "teimosia", apontam especialistas, estão características atribuídas à idade avançada.



Entre elas, estão o sentimento de solidão, a perda de sentido da vida, a saudade de amigos ou parentes que já faleceram e o medo da morte.



Além disso, o temor de depender dos outros, ainda que sejam os próprios filhos, causa preocupação em muitos idosos e faz com que sejam resistentes a cuidados. 



"Imagina passar 50 anos da sua vida totalmente independente e começar a precisar de alguém para ir ao mercado para você, te ajudar a vestir uma roupa ou realizar sua higiene íntima?", diz Andrade.



Para não perder a autonomia, diz Fernanda, muitos idosos não querem parar de dirigir, não aceitam ir ao médico ou não querem abandonar outras atividades que costumavam fazer sozinhos.



Nesse momento, surgem conflitos na relação com os filhos, caso não haja uma comunicação aberta na família sobre as expectativas, desejos e necessidades dos dois lados, pontuam os especialistas.



Muitas vezes, é preciso entender que se trata de uma fase de constante adaptação às demandas que surgem com o passar dos anos.



Por isso, é fundamental perceber que as necessidades dos pais mudam ao longo do tempo.



"O ideal é que os pais conversem muito com os filhos e mostrem as diferenças geracionais", afirma o médico.



"Esse diálogo é importante, mas é difícil, porque muitos pais não conseguem essa conversa e muitos filhos se consideram senhores da verdade, o que dificulta muito essa situação."



Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/c842z9en455o.adaptado.


A expectativa de vida dos brasileiros também sofre modificação.

De acordo com o texto base, qual é a tendência demográfica destacada em relação à população idosa no Brasil?
Alternativas
Respostas
5461: D
5462: D
5463: D
5464: C
5465: E
5466: D
5467: A
5468: D
5469: B
5470: C
5471: A
5472: D
5473: C
5474: E
5475: C
5476: D
5477: E
5478: D
5479: B
5480: C