Atenção: Para responder as questão, baseie-se no texto abaixo.
Iracema e a praia
Movido por um dos ideais do Romantismo — a expressão de culturas nativas, supostamente movidas pelo espirito da
Natureza — o escritor cearense José de Alencar dedicou-se a romances de fundamentação “indianista”, nos quais se enaltecia a figura
heroicizada de personagens indígenas. Entre esses romances, Iracema é certamente o mais poético: nele, Alencar se valeu de
imagens e ritmos que costumam caracterizar os poemas. Dedicado ao estudo do tupi, o autor buscou também motivar-se pelo
encantamento das sonoridades da fala dos nativos.
Iracema tornou-se uma celebridade no quadro da literatura brasileira e acabou dando nome a uma praia e a um bairro de
Fortaleza, onde ha ruas chamadas Tabajaras, Cariris e Potiguaras, transplantando para a geografia urbana os povos indígenas que
participam das ações do romance de Alencar. Por vezes, a literatura sai do papel e da imaginação criativa para pousar nas cidades e
na cartografia sentimental de seus habitantes.
O visitante de Fortaleza, andando pela praia de Iracema, não suspeitara que muito antes das casas de veraneio o lugar era
conhecido como Praia do Peixe, vindo a ganhar o nome atual apenas em 1930. Mas que importam as datas administrativas diante da
poesia e dos mitos? O doce nome de Iracema — “a virgem dos lábios de mel” — diz sobretudo da saga mitológica, assentada em
elementos históricos, a que Alencar deu vida não apenas para cantar sua heroína romanesca, mas para adotar o poder da ficção
como base de uma epopeia sensível, a sua “lenda do Ceara” — designação que ele especificou no pórtico do romance para deixar
claro seu intento de escavar as raízes da formação de um povo.
(Bento Cipião das Neves, a editar)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
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