Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado.
No segundo período, o emprego dos elementos coesivos “E assim”, “isto é”, “de tal modo que” forma uma sequência textual que se conclui com a noção de que, para o soberano, todos são iguais no conjunto da nação.
Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado.
O primeiro período do texto expressa a ideia de que, independentemente do caminho seguido desde o princípio, a conclusão será sempre a mesma sobre a igualdade estabelecida pelo pacto social.
No segundo parágrafo, a expressão “este óbvio” (segundo período) refere-se a “quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico” (primeiro período).
Ao declarar “Não ria” (segundo período do primeiro parágrafo), o autor direciona-se ao público leitor do texto, partindo do pressuposto de que seria risível a ideia de que pensar dói.
No último parágrafo do texto, o autor culpa os holandeses de terem criado e, depois, destruído a fita cassete, o CD e o DVD.
No último período do terceiro parágrafo, o termo “os filósofos” refere-se à classe de filósofos em geral.
Entende-se do texto que seu autor considera limitados os resultados do estudo mencionado por este descartar uma importante variável relacionada ao “esforço mental”.
Entende-se do texto que, de acordo com o estudo da Universidade de Raboud, o esforço dedicado a uma tarefa cognitiva é inversamente proporcional à sensação de desconforto físico.
No primeiro parágrafo, o emprego do vocábulo “sempre” confere um tom categórico ao terceiro período.
Há no texto trechos argumentativos, como se observa, por exemplo, no terceiro parágrafo, em que o autor defende a posição de que a filosofia é capaz de apresentar problemas genuínos.
O texto concentra-se na ideia de que a pesquisa científica é mais democrática que o trabalho filosófico, uma vez que o cientista pode delegar a outras pessoas a tarefa de adequar sua contribuição ao quadro geral do conhecimento científico.
No segundo parágrafo, o segmento “Suas atividades” (quarto período) faz referência às tarefas desempenhadas pela IA.
Depreende-se do texto que, para evitarem o crescimento da desigualdade social, as economias de mercado devem buscar meios de adaptação às novas tecnologias de IA.
O texto é predominantemente injuntivo, o que se evidencia pelo fato de estar centrado na defesa de uma ideia.
Leia o texto a seguir para responder a questão.
Você é um número
Se você não tomar cuidado vira número até para si mesmo. Porque a partir do instante em que você nasce classificam-no com um número. Sua identidade no Félix Pacheco é um número. O registro civil é um número. Seu título de eleitor é um número. Profissionalmente falando você também é. Para ser motorista, tem carteira com número e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte é identificado com um número. Seu prédio, seu telefone, seu número de apartamento – tudo é número.
Se é dos que abrem crediário, para eles você é um número. Se tem propriedade, também. Se é sócio de um clube, tem um número. Se é imortal da Academia Brasileira de Letras, tem o número da cadeira.
É por isso que vou tomar aulas particulares de matemática. Preciso saber das coisas. Ou aulas de física. Não estou brincando: vou mesmo tomar aulas de matemática, preciso saber alguma coisa sobre cálculo integral.
Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.
Se é contribuinte de qualquer obra de beneficência, também é solicitado por um número. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de negócio, recebe um número. Para tomar um avião, dão-lhe um número. Se possui ações, também recebe um, como acionista de uma companhia. É claro que você é um número no recenseamento. Se é católico, recebe número de batismo. No registro civil ou religioso você é numerado. Se possui personalidade jurídica, tem. E quando a gente morre, no jazigo, tem um número. E a certidão de óbito também.
Nós não somos ninguém? Protesto. Aliás é inútil o protesto. E vai ver meu protesto também é número. Uma amiga minha contou que no Alto Sertão de Pernambuco uma mulher estava com o filho doente, desidratado, foi ao posto de saúde. E recebeu a ficha de número dez. Mas dentro do horário previsto pelo médico a criança não pôde ser atendida porque só atenderam até o número nove. A criança morreu por causa de um número. Nós somos culpados.
Se há uma guerra, nós somos classificados por um número. Numa pulseira com placa metálica, se não me engano. Ou numa corrente de pescoço, metálica.
Nós vamos lutar contra isso. Cada um é um, sem número. O si-mesmo é apenas o si-mesmo.
E Deus não é número.
Vamos ser gente, por favor. Nossa sociedade está nos deixando secos como um número seco, como um osso branco seco posto ao sol. Meu número íntimo é nove. Só. Oito. Só. Sete. Só. Sem somá-los nem transformá-los em 987. Estou me classificando com um número? Não, a intimidade não deixa. Vejam, tentei várias vezes na vida não ter número e não escapei. O que faz com que precisemos de muito carinho, de nome próprio, de genuinidade. Vamos amar que amor não tem número. Ou tem?
LISPECTOR, C. Você é um número. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, 1984, p. 572-573. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12336/vocee-um-numero>.
Charlatões
Um amigo meu diz que em todos nós existe o charlatão. Concordei. Sinto em mim a charlatã me espreitando. Só não vence, primeiro porque não é realmente verdade, segundo porque minha honestidade básica até me enjoa. Há outra coisa que me espreita e que me faz sorrir: o mau gosto. Ah, a vontade que tenho de ceder ao mau gosto. Em quê? Ora, o campo é ilimitado, simplesmente ilimitado. Vai desde o instante em que se pode dizer a palavra errada exatamente quando ela cairia pior – até o instante em que se diriam palavras de grande beleza e verdade quando o interlocutor está desprevenido e levaria um susto de constrangimento, e haveria o silêncio depois. Em que mais? Em se vestir, por exemplo. Não necessariamente o óbvio do equivalente a plumas. Não sei descrever, mas saberia usar um mau gosto perfeito. E em escrever? A tentação é grande, pois a linha divisória é quase invisível entre o mau gosto e a verdade. E mesmo porque, pior que o mau gosto em matéria de escrever, é um certo tipo horrível de bom gosto. Às vezes, de puro prazer, de pura pesquisa simples, ando sobre linha bamba.
Como é que eu seria charlatã? Eu fui, e com toda a sinceridade, pensando que acertava. Sou, por exemplo, formada em direito, e com isso enganei a mim e aos outros. Não, mais a mim que a todos. No entanto, como eu era sincera: fui estudar direito porque desejava reformar as penitenciárias no Brasil.
O charlatão é um contrabandista de si mesmo. Que é mesmo o que estou dizendo? Era uma coisa, mas já me escapou. O charlatão se prejudica? Não sei, mas sei que às vezes a charlatanice dói e muito. Imiscui-se nos momentos mais graves. Dá uma vontade de não ser, exatamente quando se é com toda a força. Não posso infelizmente me alongar mais nesse assunto.
LISPECTOR, C. Charlatões. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 1973. Disponível em
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
De que são feitos os dias?
De que são feitos os dias?
− De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.
Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inactuais esperanças.
De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
− do medo que encadeia
todas essas mudanças.
Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças...
Cecilia Meireles, Canções
https://www.tudoepoema.com.br/cecilia-meireles-de-que-sao-feitos-osdias/#google_vignette
Com base no texto, analise as afirmativas abaixo e escolha a alternativa que interpreta corretamente o conteúdo do poema.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Não espalha
Prendemo-nos ao "eu te amo" como se fosse uma convenção inadiável, uma etiqueta implacável. Seu pronunciamento é uma sentença obrigatória, uma sondagem diária da fidelidade.
Há aqueles que não saem de casa se o cônjuge não retribui as palavrinhas mágicas.
Não sou adepto dessa birra e chantagem com Beatriz. Que ela simplesmente me ame, sem depender de provas, sem se ver ameaçada por testes quantitativos.
Circula uma tirania de que precisamos falar sempre, para que a companhia não tenha dúvidas daquilo que sentimos.
Mas a jura não é tão importante quanto demonstrar amor. E você pode expressar o carinho silenciosamente, a lealdade secretamente.
Ou seja, é preferível proteger, confiar e selar a empatia em atos de confluência a gritar votos aos quatro ventos.
O que vale é agir amorosamente, é se preocupar amorosamente, é se interessar pelo outro, é suprir o seu par com atenção, é trocar a saudade pela gentileza.
E, de repente, quem ama muito nem diz "eu te amo", economiza no "eu te amo", porém é abundante na prática da reciprocidade. É alguém que não se nega a estar perto, acessível, consciente de sua influência.
Temos que observar mais o exemplo do que as declarações: se a pessoa admira você, se a pessoa incentiva você, se a pessoa elogia você, se a pessoa ampara você, se a pessoa escuta você.
Esse arcabouço de comportamentos deve prevalecer no romance. Não queira que o seu parceiro diga a todo momento o que ele mesmo já realiza naturalmente. É redundância.
Recordo um diálogo que vivi com a minha filha, quando ela tinha 11 anos.
Na hora de dar boa-noite, reparei que ela estava encabulada e arredia comigo. Tentei me aproximar.
− O que houve?
− Eu não sei se te amo. Não sei o que é amor − ela me disse.
Não me senti mal. Não me senti desvalorizado. Quem nunca se perguntou isso?
Há dias em que parece que você ama mais. Há dias em que parece que você ama menos. Há dias em que você se esquece de amar. Há dias em que você ama em dobro.
Lembro que fiz carinho na sua cabeça, cantei "O Leãozinho", de Caetano, e permaneci ao seu lado até que adormecesse.
Quando jurei que ela já tinha apagado e não estava mais me ouvindo, confidenciei:
− Amar é só gostar de ficar junto, filha.
Ela, inesperadamente, respondeu:
− Então, eu te amo, pai, mas não espalha.
Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado
https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/11/29/naoespalha
I. Embora ainda esteja em processo de adaptação técnica e mercadológica, a rosa-do-deserto é bastante apreciada por paisagistas.
II. Para se obter a versão miniatura da rosa-do-deserto, o bonsai, são necessárias apenas as podas de raízes e brotações.
III. Mesmo que se ofereça renda aos produtores, a rosa-do-deserto tem restrições, especialmente, em se tratando de saúde humana.
Está CORRETO o que se afirma: