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Questões de Concurso Sobre morfologia em português

Foram encontradas 27.125 questões

Q3847148 Português
O estado do Piauí apresentou avanços expressivos no combate à criminalidade em 2024, de acordo com o Mapa da Segurança Pública, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). O levantamento, que reúne dados das Unidades da Federação sobre criminalidade e atuação das forças de segurança, mostra que o estado superou diversas médias nacionais em indicadoreschave.

Entre os destaques está a redução de 10,02% nos homicídios dolosos, índice superior à média nacional, que ficou em 6,33%. Houve também queda de 23,08% nos casos de lesão corporal seguida de morte, enquanto o país registrou um aumento de 22,93% nesse tipo de crime.

Nos casos de latrocínio — roubo seguido de morte —, o estado registrou uma redução de 9,52%, desempenho mais expressivo do que o observado no restante do país, onde a queda foi de apenas 1,65%. Também foram registrados avanços em crimes contra o patrimônio. Os roubos de veículos caíram 21,76%, e os furtos de veículos recuaram 11,01%. Considerando a geografia desse tipo de crime em âmbito nacional, as quedas foram de 6,10% e 2,64%, respectivamente.

O Piauí também obteve destaque no enfrentamento a práticas criminosas do crime organizado. As apreensões de maconha cresceram 561,34% — o maior aumento do Nordeste — e os casos de investigação de tráfico de drogas subiram 10,20%. Outro dado relevante aponta que o estado está entre os que apresentam as menores taxas de desaparecimento do Brasil, com um crescimento de 25,71% no número de pessoas localizadas.

Na área da justiça criminal, o número de prisões por mandado judicial aumentou 19,04%. Já as mortes a esclarecer sem indícios de crime tiveram uma queda expressiva de 75%, em contraste com o aumento de 10,46% registrado no cenário nacional.


https://pensarpiaui.com/noticias/piaui-lidera-avancos-em-seguranca-publica-esupera-a-media-nacional/44485 - adaptado.
As palavras a seguir são formadas a partir de termos latinos, exceto:
Alternativas
Q3846460 Português
A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao texto a seguir:


Insônia infeliz e feliz (Clarice Lispector)


Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite, pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.

Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente despertar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.


LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Os verbos no texto encontram-se majoritariamente no presente do indicativo, apontando para ações descritas com certo grau de verdade e concretude.

No entanto, há usos que indicam outros sentidos, como
Alternativas
Q3846429 Português
As 10 cidades mais quentes do Brasil em meio à onda de calor com alerta de 'grande perigo'


Segue válido até as 18h desta terça-feira (30/12) um alerta de "grande perigo" do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para a onda de calor que tem atingido especialmente o centro-sul do Brasil.

O alerta - em vigor para áreas de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo - significa que os termômetros podem marcar 5ºC acima da média para dezembro durante cinco dias ou mais nessas regiões.

A onda de calor começou no dia 22 de dezembro diante da combinação de fatores atmosféricos típicos do verão, mas intensificada neste fim de mês.

O fenômeno é classificado assim pelos meteorologistas quando as temperaturas ficam significativamente acima da média por vários dias consecutivos.

O que chama atenção neste episódio não é apenas o calor pontual de uma tarde específica, mas a sua continuidade.

Diferentemente de picos isolados, comuns no verão, a atual configuração atmosférica favorece dias sucessivos de temperaturas altas, inclusive durante a noite e a madrugada, o que dificulta a recuperação do corpo humano e aumenta o desconforto térmico.

Segundo os dados consolidados do Inmet no domingo (28/12), das 10 cidades mais quentes do Brasil, quatro estão na faixa do alerta de "grande perigo" no Sudeste do Brasil. As outras seis são cidades do sertão do Nordeste, região tradicionalmente quente nessa época do ano.

A 125 km do Rio de Janeiro, Três Rios tem cerca de 80 mil habitantes. A cidade fica numa área de vale, o que dificulta a circulação de ventos e faz o ar quente "ficar preso". Já Caicó está no coração do semiárido potiguar, longe do mar, com muito sol e pouca chuva.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c14v4r3gn1po
"Segue válido até as 18h desta terça-feira (30/12) um alerta de 'grande perigo' do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para a onda de calor que tem atingido especialmente o centro-sul do Brasil."
O vocábulo 'centro-sul' está grafado corretamente. Identifique a alternativa que apresenta um vocábulo composto escrito de forma INCORRETA.
Alternativas
Q3846102 Português
Por que zebras, pandas e outros animais são pretos e brancos?


Araras-vermelhas, pavões, sapos-dardo e peixes-arco-íris — o reino animal está repleto de cores vibrantes.

Mas alguns animais se destacam por um motivo diferente: a completa ausência de cor em sua pelagem.

Animais pretos e brancos são encontrados em todas as partes do mundo, das florestas da China às savanas da África.

Mas, embora a coloração seja semelhante, existem muitas razões possíveis para que isso aconteça.

Embora a coloração preta e branca não seja considerada útil para camuflar zebras, ela pode ajudar outros animais — como os pandas, cujos pelos podem auxiliá-los a se esconder de predadores como tigres, leopardos e dholes.

"Nas florestas do oeste da China, em determinadas épocas do ano, há manchas pretas e brancas de neve, rochas e troncos de árvores", afirmou o professor Tim Caro, especialista em coloração animal, também da Universidade de Bristol.

"E, se um animal de movimentos lentos, como o panda-gigante, é visto a 50 ou 100 metros de distância, é muito difícil distingui-lo como um animal em meio ao fundo nevado e rochoso em que ele aparece

Especialistas afirmam que a camuflagem também pode ser responsável pela coloração dos pinguins-gentoo, uma espécie que tem costas e asas pretas, mas a barriga branca.

"Quando os animais são vistos de baixo, suas barrigas claras se misturam com o céu luminoso", disse Hannah Rowland, professora sênior do Departamento de Evolução, Ecologia e Comportamento da Universidade de Liverpool, no norte da Inglaterra.

"Quando são vistos de cima, contra um fundo escuro, especialmente na água, eles se misturam com esse fundo escuro."


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly3xdxgx2ko 
Analise os vocábulos destacados nas alternativas a seguir e identifique aquela em que todos os termos são CORRETAMENTE classificados como substantivos. 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: AMAZUL Provas: FGV - 2026 - AMAZUL - Advogado | FGV - 2026 - AMAZUL - Contador | FGV - 2026 - AMAZUL - Designer Gráfico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Administração | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecatrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Desenvolvimento de Sistemas | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Naval | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Computação | FGV - 2026 - AMAZUL - Médico do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Psicólogo | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Infraestrutura de Tecnologia da Informação | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Controle da Qualidade | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Negócios | FGV - 2026 - AMAZUL - Arquiteto | FGV - 2026 - AMAZUL - Auditor | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Recursos Humanos | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Ambiental | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Materiais | FGV - 2026 - AMAZUL - Especialista de Radioproteção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Nuclear | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Produção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Civil | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Controle e Automação | FGV - 2026 - AMAZUL - Físico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Telecomunicações | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Segurança do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletricista | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Meteorologista | FGV - 2026 - AMAZUL - Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Tecnólogo em Fabricação Mecânica | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Energia | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecânico |
Q3846016 Português
Por não estarem distraídos

(Clarice Lispector)


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Na frase “Até que tudo se transformou em não”, assinale a alternativa incorreta sobre o elemento em destaque.
Alternativas
Q3845901 Português
O julgamento da ovelha


Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso.

— Para que furtaria eu esse osso — alegou ela — se sou herbívora e um osso para mim vale tanto quanto um pedaço de pau?

Não quero saber de nada. Você furtou o osso e vou já levá-la aos tribunais.

E assim fez.

Queixou-se ao gavião penacho e pediu-lhe justiça. O gavião reuniu o tribunal para julgar a causa, sorteando para isso doze urubus de papo vazio.

Comparece a ovelha. Fala. Defende-se de forma cabal, com razões muito irmãs das do cordeirinho que o lobo em tempos comeu.

Mas o júri, composto de carnívoros gulosos, não quis saber de nada e deu a sentença:

— Ou entrega o osso já e já, ou condenamos você à morte!

A ré tremeu: não havia escapatória!... Osso não tinha e não podia, portanto, restituir; mas tinha a vida e ia entregá-la em pagamento do que não furtara.

Assim aconteceu. O cachorro sangrou-a, espostejou-a, reservou para si um quarto e dividiu o restante com os juízes famintos, a titulo de custas... 



https://contobrasileiro.com.br/o-julgamento-da-ovelha-fabula-de-monteir o-lobato/

"Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso."

Identifique a alternativa que apresenta a reescrita no plural de forma CORRETA.

Alternativas
Q3845900 Português
O julgamento da ovelha


Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso.

— Para que furtaria eu esse osso — alegou ela — se sou herbívora e um osso para mim vale tanto quanto um pedaço de pau?

Não quero saber de nada. Você furtou o osso e vou já levá-la aos tribunais.

E assim fez.

Queixou-se ao gavião penacho e pediu-lhe justiça. O gavião reuniu o tribunal para julgar a causa, sorteando para isso doze urubus de papo vazio.

Comparece a ovelha. Fala. Defende-se de forma cabal, com razões muito irmãs das do cordeirinho que o lobo em tempos comeu.

Mas o júri, composto de carnívoros gulosos, não quis saber de nada e deu a sentença:

— Ou entrega o osso já e já, ou condenamos você à morte!

A ré tremeu: não havia escapatória!... Osso não tinha e não podia, portanto, restituir; mas tinha a vida e ia entregá-la em pagamento do que não furtara.

Assim aconteceu. O cachorro sangrou-a, espostejou-a, reservou para si um quarto e dividiu o restante com os juízes famintos, a titulo de custas... 



https://contobrasileiro.com.br/o-julgamento-da-ovelha-fabula-de-monteir o-lobato/
"Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso."
Analise as afirmativas sobre a classificação das palavras no trecho e identifique a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3845896 Português
A coruja e a águia


Coruja e águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.

- Basta de guerra - disse a coruja. - O mundo é grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.

- Perfeitamente - respondeu a águia. - Também eu não quero outra coisa.

- Nesse caso combinemos isto: de agora em diante não comerás nunca os meus filhotes.

- Muito bem. Mas como posso distinguir os teus filhotes?

- Coisa fácil. Sempre que encontrarem uns borrachos lindos, bem-feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial que não existe em filhotes de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.

- Está feito! - concluiu a águia.

Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três mostrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.

- Horríveis bichos! - disse ela. - Vê-se logo que não são os filhos da coruja.

E comeu-os.

Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca, a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi ajustar contas com a rainha das aves.

- Quê? - disse esta, admirada. - eram teus aqueles mostrenguinhos? Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste...


https://www.culturagenial.com/fabulas-monteiro-lobato/#goog_rewarded
Identifique a alternativa que apresenta CORRETAMENTE os vocábulos destacados nos enunciados como substantivos.
Alternativas
Q3845872 Português
Coisas que você deve evitar para não brigar com a sua família no Natal.


O Natal é considerado a época mais maravilhosa do ano, mas o próprio dia pode ter todos os ingredientes necessários para uma briga familiar.

Talvez haja um motivo para você não ter visto algumas dessas pessoas o ano todo: você sabe que alguém pode criticar sua comida, pode haver um debate acalorado sobre o jantar e até uma disputa pelo controle remoto da TV.

Conversamos com psicólogos e especialistas em educação parental para obter suas principais dicas sobre como manter o espírito natalino e evitar desentendimentos familiares.

Dinâmicas familiares complicadas não desaparecem só porque é Natal e músicas natalinas clássicas estão tocando.

Num minuto você está alegremente bebendo vinho, no minuto seguinte é questionado sobre por que não é feliz no casamento ou se pretende ter filhos.

Quaisquer ressentimentos, tensões e diferenças de valores permanecerão, com a pressão adicional de corresponder a uma imagem idealizada de famílias felizes.

Comentários passivo-agressivos geralmente vêm do estresse e da insegurança de outra pessoa, diz a psicoterapeuta Sarah Turner. Isso não justifica o comportamento, mas pode torná-lo menos pessoal.

Quando nos sentimos feridos, nosso instinto é nos defender ou nos retrair, mas Turner aconselha a fazer uma pausa primeiro. "Você tem o poder de escolher como responder."

Outra dica é pedir esclarecimentos. Muitas vezes, os entes queridos reformulam o que disseram em vez de repetir, pois provavelmente sabem que é um comentário carregado de significado.

Se houver um "fundo de verdade" no que eles dizem, reconhecer isso pode ajudar a "acalmar as emoções porque eles se sentem ouvidos", acrescenta Turner. Isso não significa concordar ou ceder — significa simplesmente demonstrar à pessoa que você entende o ponto de vista dela. No calor das dinâmicas familiares, isso pode fazer toda a diferença.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g465kpyd7o
"Comentários passivo-agressivos geralmente vêm do estresse e da insegurança de outra pessoa, diz a psicoterapeuta Sarah Turner."
O vocábulo "passivo-agressivo" está grafado corretamente com hífen. Agora, analise o emprego de palavras compostas nos enunciados a seguir e identifique aquele que apresenta alguma grafada de forma INCORRETA. 
Alternativas
Q3845785 Português

O texto seguinte servira de base para responder à questão.



Ordem na Casa


Você é uma pessoa boa. Do tipo que se esforça para agradar todo mundo, releva deslizes alheios, se culpa quando comete os próprios deslizes, elogia, consola, da conselhos. Tem autocontrole e engole sapos. Como boa menina, aprendeu que não é legitimo sentir raiva e, de tanto reprimi-la, vive com a barriga estufada e o intestino preso. 


Você não percebe, mas quem te comanda é um gigante, um Super Gigante. Um tirano que te olha de cima, aponta o dedo, não aceita notas baixas. 


Ele te faz de refém, te mantém em cativeiro, e você se submete a isso. 


Permite que ele dê as cartas porque tem medo. Medo de ser excluída, ser alvo de críticas e desamor. 


Mas chega uma hora em que tem que pôr ordem na casa. Pois, por trás de toda docilidade e condescendência, também existe uma fera. 


Uma fera que não quer acatar as ordens do Gigante e deseja mostrar sua autenticidade, seus gostos, seus acertos e desacertos.


Uma fera que deseja revelar que não é perfeita, que não tem que provar nada a ninguém, que quer ser amada mesmo que fuja do combinado; que é capaz de falar alto, de impor limites, de se proteger.  


A fera é seu lado mais irreverente, transgressor, autêntico. E as vezes você precisa escutá-la. Às vezes tem que abrir a jaula e deixá-la sair. 


Porque ninguém é de ferro.


E você tem que aprender a se aceitar.


A entender que a culpa te paralisa e não permite que você seja quem é. Simplesmente quem é...  


Mas quem te faz se sentir culpada? Quem aponta o dedo para você?


Seus fantasmas, seu passado, sua educação rígida?


Ou você mesma? O Super que há em você? 


Coloque ordem na casa.


Não seja a primeira a se esconder por trás de um véu de justificativas quando o que você quer é assumir que não sabe cozinhar, que se apavora quando tem que dirigir, que esta cansada para ir à balada, estressada com as visitas em casa, que prefere recusar um convite “irrecusável”, que não da pra quebrar um galho pro seu irmão hoje, que não pode emprestar uma grana, que não consegue gostar do perfume que ganhou do namorado, que tem medo de expor um deslize do passado.  


Nem tudo são imperfeições. E se for, faz parte também. 


Você também erra, também se atrasa, também se irrita, também tem vontade de mandar tudo praquele lugar. E nem por isso será menos digna.


Nem por isso terá menos amor.


Só por isso será mais feliz. Só por isso será mais leve. Por dentro e por fora.  


(Fabiola Simões. A Soma de todos os afetos.) 

"Você também erra, também se atrasa, (...) também tem vontade de mandar tudo praquele lugar.". Falhou a análise do excerto em: 
Alternativas
Q3845784 Português

O texto seguinte servira de base para responder à questão.



Ordem na Casa


Você é uma pessoa boa. Do tipo que se esforça para agradar todo mundo, releva deslizes alheios, se culpa quando comete os próprios deslizes, elogia, consola, da conselhos. Tem autocontrole e engole sapos. Como boa menina, aprendeu que não é legitimo sentir raiva e, de tanto reprimi-la, vive com a barriga estufada e o intestino preso. 


Você não percebe, mas quem te comanda é um gigante, um Super Gigante. Um tirano que te olha de cima, aponta o dedo, não aceita notas baixas. 


Ele te faz de refém, te mantém em cativeiro, e você se submete a isso. 


Permite que ele dê as cartas porque tem medo. Medo de ser excluída, ser alvo de críticas e desamor. 


Mas chega uma hora em que tem que pôr ordem na casa. Pois, por trás de toda docilidade e condescendência, também existe uma fera. 


Uma fera que não quer acatar as ordens do Gigante e deseja mostrar sua autenticidade, seus gostos, seus acertos e desacertos.


Uma fera que deseja revelar que não é perfeita, que não tem que provar nada a ninguém, que quer ser amada mesmo que fuja do combinado; que é capaz de falar alto, de impor limites, de se proteger.  


A fera é seu lado mais irreverente, transgressor, autêntico. E as vezes você precisa escutá-la. Às vezes tem que abrir a jaula e deixá-la sair. 


Porque ninguém é de ferro.


E você tem que aprender a se aceitar.


A entender que a culpa te paralisa e não permite que você seja quem é. Simplesmente quem é...  


Mas quem te faz se sentir culpada? Quem aponta o dedo para você?


Seus fantasmas, seu passado, sua educação rígida?


Ou você mesma? O Super que há em você? 


Coloque ordem na casa.


Não seja a primeira a se esconder por trás de um véu de justificativas quando o que você quer é assumir que não sabe cozinhar, que se apavora quando tem que dirigir, que esta cansada para ir à balada, estressada com as visitas em casa, que prefere recusar um convite “irrecusável”, que não da pra quebrar um galho pro seu irmão hoje, que não pode emprestar uma grana, que não consegue gostar do perfume que ganhou do namorado, que tem medo de expor um deslize do passado.  


Nem tudo são imperfeições. E se for, faz parte também. 


Você também erra, também se atrasa, também se irrita, também tem vontade de mandar tudo praquele lugar. E nem por isso será menos digna.


Nem por isso terá menos amor.


Só por isso será mais feliz. Só por isso será mais leve. Por dentro e por fora.  


(Fabiola Simões. A Soma de todos os afetos.) 

Há presença de locução prepositiva na estrutura em: 
Alternativas
Q3845690 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    Acreditou-se por muito tempo que, deixando-se de lado a Revolução Industrial, a produção de bens de consumo nunca aumentou de forma tão rápida e robusta quanto por obra da invenção da agricultura. Graças à agricultura, pensava-se, os grupos humanos puderam tornar-se sedentários e assegurar uma provisão regular, conservando os grãos. Como dispunham de excedentes, as sociedades puderam dar-se ao luxo de manter indivíduos ou classes ‒ chefes, nobres, sacerdotes, artesãos ‒ que não participavam da produção de alimentos. No espaço de quatro ou cinco milênios, a impulsão dada pela agricultura e mantida por ela teria levado os homens de um modo de vida precário, ameaçado pela fome, a uma existência estável, primeiro em aldeias e finalmente em impérios.
    Essas eram as visões que prevaleciam até recentemente. Hoje, essa reconstrução simples e grandiosa da história humana jaz em ruínas. Pesquisas entre os povos sem agricultura, voltadas para questões como tempo de trabalho, produtividade e valor nutricional dos alimentos, demonstram que a maior parte deles leva uma vida confortável. Meios geográficos que, por ignorância de seus recursos naturais, julgávamos miseráveis reservam para aqueles que ali vivem grande quantidade de espécies vegetais muito apropriadas para a alimentação. Descobriu-se, por exemplo, que os indígenas das regiões desérticas da Califórnia, onde hoje uma pequena população branca subsiste com dificuldade, consumiam uma grande variedade de plantas selvagens de alto valor nutritivo.
    Calculou-se que, entre os povos que viviam da caça e da coleta de produtos selvagens, um homem supria as necessidades de quatro ou cinco pessoas, ou seja, tinha uma produtividade superior à de muitos camponeses europeus. Além disso, o tempo gasto com a procura de alimentos não excedia a média de três horas diárias, para uma produção alimentar bastante equilibrada e que ultrapassava 2 mil calorias por pessoa (média que inclui crianças e idosos).


(Claude Lévi-Strauss. Somos todos canibais, 2022. Adaptado)
O sentido indicado entre colchetes associa-se corretamente à expressão destacada em: 
Alternativas
Q3845394 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Meu dia em cadeiras


Como em todos os meus dias úteis, o despertador tocou às cinco e quarenta da manhã. Dei uma enrolada na cama, rolei a tela do celular, até que, às seis horas, me levantei. Fui para a cozinha preparar meu café da manhã, que possui quase sempre a mesma composição: uma fatia de pão integral, com dois ovos, uma clara, e meio mamão papaia com leite em pó. Levo o meu pratinho para a sala de estar e me sento na cadeira da mesa central. Cadeira branca, de madeira, que fica de frente para a janela. É o lugar em que posso contemplar a simplicidade desse horário das seis da manhã. Tomar meu café, ver o Sol ainda tímido, o rosto sonolento das pessoas, os funcionários das padarias e restaurantes abrindo seus estabelecimentos, e o baixo movimento da avenida, que cresce aos poucos.

Em um piscar de olhos, percebo que estou atrasada, como sempre. E vou correndo pegar o ônibus 715M sentido Largo da Pólvora, que está sempre lotado, nunca tem uma mísera cadeira livre para sentar-se. E olha que eu pego no começo da linha. Naquele dia, por algum milagre, eu consegui uma cadeira para mim. Com vista para janela, ainda! Geralmente, os quarenta minutos que fico naquele ônibus, às vezes chegam a cinquenta minutos, dependendo do trânsito, eu passo estressada, doida para chegar no serviço logo, com a cabeça falando "não aguento mais!" a toda hora. Naquele dia, eu percebi que meu mau humor, em grande parte, estava relacionado com a falta de uma cadeira para se sentar no ônibus. Tudo bem que ela não é das mais confortáveis, mas sentada naquela cadeira, com vista para a janela, o tempo passou voando. Minha mente se fixou em todos os acontecimentos da cidade. Quando fui ver, eu tinha chegado.

No trabalho, a primeira coisa que eu faço é ir para minha mesa no escritório. Deixo minhas coisas em cima, mas por incrível que pareça, a minha cadeira nunca está na minha mesa. As pessoas que chegam antes de mim sempre pegam minha cadeira, oferecem para alguém que está visitando o escritório ou usam para colocar alguma tralha em cima, bolsa, marmita, aparelhos de câmera, ou simplesmente para apoiar o pé. É muita folga, né? Eu sempre tenho que ir lá, pegar outra cadeira, me acostumar com o novo acolchoado e com a ergonomia que é diferente. Que raiva!

E foi assim, refletindo sobre a disputa de cadeiras no meu trabalho, que me veio um pensamento meio doido: o nosso dia é, em boa parte, feito de cadeiras. Quando a gente está cansado, a falta dela nos estressa e traz até dor física. No ônibus lotado, pode reparar, está todo mundo em busca de uma cadeira para sentar-se. Ao mesmo tempo, ficar nela por muito tempo também pode causar uma baita de um desconforto. Passar horas no trabalho, sentada toda torta na cadeira, somado ao estresse do cotidiano, resulta em uma tensão dos músculos extremamente desagradável. E você, como seria se você contasse como foi o seu dia a partir de uma cadeira?

Texto Adaptado

BARROS, Maria Fernanda. Meu dia em cadeiras. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 5. São Paulo: ECA-USP, 2025. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 512/1378/5380 . Acesso em: 31 dez. 2025.
No trecho "Naquele dia, eu percebi que meu mau humor, em grande parte, estava relacionado com a falta de uma cadeira para se sentar no ônibus. Tudo bem que ela não é das mais confortáveis, mas sentada naquela cadeira, com vista para a janela, o tempo passou voando", observa-se o emprego de palavras ("mau", "mas", "mais") com sentidos distintos. Com base nas regras da norma-padrão e nos contextos de uso dessas formas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IESES Órgão: SCGás Prova: IESES - 2026 - SCGás - Contador |
Q3844647 Português
A concordância nominal ocorre quando artigos, numerais, pronomes e adjetivos se ajustam em gênero e número ao substantivo a que se referem. A norma-padrão exige atenção especial a palavras de uso frequente, como bastante, meio, incluso, anexo, que ora funcionam como adjetivos (variáveis), ora como advérbios (invariáveis). Sabendo disso, assinale a alternativa em que a concordância nominal está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. 
Alternativas
Q3844269 Português
Queimadas


   As queimadas no Brasil têm-se tornado um problema cada vez mais sério, especialmente em áreas como a Amazônia e o Pantanal. Quando florestas pegam fogo, muitas árvores e plantas são destruídas, e os animais perdem suas casas. Além disso, a fumaça das queimadas pode fazer mal para a nossa saúde e para o meio ambiente.

   Esses incêndios podem acontecer por diferentes razões. Algumas vezes, as pessoas colocam fogo nas florestas para abrir espaço a plantações ou criação de gado. Outras vezes, as queimadas ocorrem por acidentes, como quando alguém joga uma bituca de cigarro acesa no chão. O clima seco e a falta de chuva também podem facilitar a propagação das chamas.

   Mas o que podemos fazer para ajudar a proteger nosso meio ambiente? Primeiro, é importante aprender sobre a natureza e entender por que as florestas são tão importantes. As árvores produzem oxigênio, que é o ar que respiramos, e também ajudam a manter a temperatura da Terra equilibrada. Além disso, muitas espécies de animais e plantas só existem nas florestas.

   Por fim, pequenas ações podem fazer uma grande diferença. Não jogar lixo nas ruas, participar de campanhas de plantio de árvores, e, se possível, denunciar práticas ilegais que prejudicam a natureza. Com a ajuda de todos, podemos proteger o meio ambiente para as futuras gerações.


(https://br.pinterest.com/pin/1266706141441469/. Acessado em 22 de outubro de 2025)
A frase do início do texto – As queimadas no Brasil têm-se tornado um problema cada vez mais sério... – está escrita no singular, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, na alternativa:
Alternativas
Q3840598 Português

Utilize o texto abaixo para responder a questão. 


“Na manhã ensolarada, caminhei à beira-mar, observando as ondas que batiam na areia. Parecia um quadro vivo, tão bonito que só podia ser comparado a uma pintura impressionista. Sentei-me na areia e vi que os barcos se moviam calmamente, e nuvens se espalhavam pelo céu, formando desenhos que mudavam a cada instante. Enquanto isso, havia muitas gaivotas sobrevoando a costa, e algumas mergulhavam em busca de peixes.”

O processo de formação do termo “beira-mar” está descrito, de forma CORRETA, em qual alternativa abaixo? 
Alternativas
Q3839974 Português
O que acontece com os seus dados quando você clica em “aceito”?



     A cena é conhecida: você instala um aplicativo novo ou entra em um site pela primeira vez e uma janela aparece ocupando quase toda a tela. Um texto enorme, letras miúdas, rolagem infinita. Lá embaixo, dois botões: “Li e concordo” e “Cancelar”. Você olha o relógio, pensa na pressa e, sem ler nada, clica em “aceito”. A janela some, a navegação continua e parece que nada mudou. Mas é justamente ali que muita coisa começa.

       Ao clicar em “aceito”, você autoriza o aplicativo ou o site a coletar informações sobre o que faz ali. Horários de acesso, páginas visitadas, produtos pesquisados, vídeos assistidos, tempo em cada tela. Se for um app de mobilidade, registra de onde você saiu e para onde foi. Se for um mensageiro, guarda dados sobre com quem você conversa, com que frequência, em quais horários. Muitas vezes, também são coletados dados do aparelho: modelo do celular, sistema operacional, idioma, localização aproximada.

      Enquanto você usa o serviço, esses dados são reunidos em pequenos pacotes invisíveis e enviados para servidores, muitas vezes em outros países. Ali são armazenados, organizados e cruzados. Um conjunto de buscas, somado ao lugar em que você está, pode indicar que pensa em viajar. Curtidas, comentários e páginas seguidas ajudam a desenhar seu perfil de interesses, opiniões e hábitos de consumo.

      Parte disso é usada para facilitar sua vida: lembrar você de uma compra não finalizada, sugerir uma música parecida com a que ouviu, mostrar notícias de temas que costuma ler. Há um lado prático nisso. Mas o mesmo conjunto de informações pode servir a finalidades que você desconhece: venda de perfis para empresas de publicidade, campanhas políticas segmentadas, ofertas construídas para explorar medos e inseguranças.

      Quando você vê um anúncio que parece “adivinhar” algo que pensou, o que foi lido não foram seus pensamentos, mas o rastro digital que deixou. Cookies, histórico de navegação, tempo parado em cada publicação, tudo isso ajuda a montar um retrato de quem você é como usuário. Não interessa tanto o seu nome, e sim o seu comportamento: quanto compra, quanto compartilha, o que tende a rejeitar, o que tende a repetir.

    O problema fica ainda mais visível quando há vazamentos de dados. Aquele cadastro esquecido em uma loja virtual, aquela senha repetida em vários serviços, aquele e-mail antigo, podem parar em listas que circulam entre golpistas. Às vezes, o impacto é direto, com tentativas de acesso a contas bancárias. Em outros casos, é silencioso: alguém abre contas em seu nome, assina serviços, testa combinações de senha até encontrar uma que funcione.

       O clique em “aceito” não é, por si só, um erro. O desequilíbrio está na relação de forças. De um lado, um usuário cansado, quase sempre sem tempo e sem formação jurídica; do outro, empresas com equipes especializadas em transformar cada dado em oportunidade de negócio. Enquanto os termos continuarem longos, técnicos e difíceis, a maioria seguirá clicando sem ler.

     A grande questão talvez não seja convencer todos a ler cada contrato, mas construir um ambiente digital em que os acordos sejam compreensíveis e verdadeiramente negociáveis. Até lá, cada “aceito” continua sendo um voto de confiança silencioso em sistemas que você raramente enxerga e que, na maioria das vezes, sabem muito mais sobre você do que você imagina.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
No trecho “o mesmo conjunto de informações pode servir a finalidades que você desconhece”, o verbo “desconhecer” é resultado de qual processo de formação de palavras?
Alternativas
Q3839630 Português
Assinale a alternativa em que o termo destacado possui função adjetiva, qualificando um ser mencionado no período. 
Alternativas
Q3839568 Português
Direito à educação: o que significa, na prática, garantir vaga para todos?


      Quando se fala em direito à educação, é comum imaginar uma sala de aula com carteiras alinhadas, um quadro na frente e um professor disposto a ensinar. Em muitos discursos oficiais, “garantir o direito” aparece resumido a uma frase: “há vaga para todas as crianças em idade escolar”. Mas basta olhar com um pouco mais de cuidado para perceber que, entre ter vaga na escola e, de fato, aprender, existe um longo caminho.

        Garantir vaga é o ponto de partida, não a linha de chegada. No papel, o município pode afirmar que todas as crianças estão matriculadas. Na prática, porém, é preciso perguntar: todas conseguem chegar à escola todos os dias? Em áreas rurais, o transporte escolar pode significar caminhões adaptados, estradas de terra e trajetos longos. Nas periferias urbanas, o problema pode ser a distância a pé, a insegurança no caminho, o custo do ônibus. A vaga existe, mas o acesso até ela nem sempre é simples.

        Outra dimensão é a permanência. Uma criança que chega à escola, mas sente fome, pode até ocupar uma carteira, mas dificilmente conseguirá se concentrar. A merenda escolar, muitas vezes vista apenas como um detalhe administrativo, é, na vida real, o que mantém alguns estudantes de pé. Há também quem precise trabalhar para ajudar em casa; nesse caso, conciliar estudos e jornada de trabalho transforma o direito à educação em um malabarismo diário.

      Quando se fala em “vaga para todos”, é preciso incluir aqueles que historicamente foram deixados de fora: estudantes com deficiência, pessoas que moram em áreas de difícil acesso, jovens e adultos que não concluíram o ensino básico na idade “esperada”. Não basta abrir uma sala e colocar todos juntos. É necessário pensar em acessibilidade, adaptações curriculares, materiais diferenciados, profissionais de apoio, horários flexíveis. A igualdade de direito não significa tratar todos da mesma forma, e sim garantir que cada um tenha condições reais de aprender.

       A qualidade do ensino é outra peça indispensável. Um prédio com infiltrações, banheiros quebrados, biblioteca trancada e aulas constantemente interrompidas não cumpre o que o direito à educação promete. Professores sem formação adequada, turmas superlotadas e falta de materiais didáticos também transformam a vaga em uma promessa pela metade. A presença física na escola é importante, mas não adianta sentar-se na carteira e sair de lá sem compreender o que foi ensinado.

         Por fim, garantir vaga significa ouvir quem ocupa essas vagas. Estudantes que não se sentem respeitados, que sofrem preconceito, que não se reconhecem nos conteúdos trabalhados podem até estar oficialmente “dentro” da escola, mas, subjetivamente, continuam do lado de fora. Uma escola que não escuta suas vozes corre o risco de ser apenas um prédio com gente dentro, e não um espaço de formação.

       Direito à educação, portanto, não se esgota na matrícula ou na lista de chamada preenchida. Significa assegurar acesso, permanência e aprendizagem em condições dignas, para pessoas diferentes, em realidades variadas. Entre o discurso bonito dos documentos e o cotidiano nem sempre bonito das salas de aula, há um trabalho silencioso e contínuo que define se a vaga é um número em uma planilha ou uma oportunidade real de transformar vidas.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
A palavra “insegurança”, que aparece associada às periferias urbanas, é formada a partir de
Alternativas
Q3839495 Português
Reunião de pais às sete da noite


   A convocação veio no bilhete dobrado, amassado no fundo da mochila, encontrado pela mãe às dez da noite, junto com um pacote de biscoito aberto e um casaco esquecido desde o inverno passado. “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante.” Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar.

   Naquele dia, o pai saiu mais cedo do trabalho, o que significou sair correndo, olhando o relógio a cada três minutos e fingindo que o trânsito não existia. A mãe, que trabalhava perto, decidiu ir direto, sem passar em casa. O filho, por sua vez, avisou com a naturalidade de quem comunica a previsão do tempo: “Hoje tem reunião. A professora falou que é bom vocês irem.” Como se “bom” e “possível” fossem sempre sinônimos.

   Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo. Carros disputavam vaga na rua estreita, pais se equilibravam entre o salto e o chão esburacado, mães chegavam de uniforme de trabalho, alguns com crachá ainda pendurado no pescoço. Havia quem viesse de moto, de bicicleta, de ônibus lotado. E havia, claro, aqueles que não vieram, apesar dos lembretes, bilhetes e mensagens no grupo do WhatsApp da turma.

   Na sala de aula, as carteiras estavam dispostas de um jeito estranho para os adultos: pequenas demais, perto demais, coloridas demais. Algumas mães escolheram, sem perceber, a carteira onde os filhos costumam sentar. Outras preferiram o fundo, como se a velha timidez de aluno tivesse voltado, disfarçada de cansaço. O pai que conseguiu chegar, atrasado em dez minutos, entrou pedindo desculpas com o olhar. A professora respondeu com um sorriso compreensivo, típico de quem já viu essa cena muitas vezes.

   Ela começou falando das rotinas: tarefas, leitura, combinados de sala. Falou também de coisas menos visíveis, como a dificuldade de alguns alunos em se concentrar, o tanto que a turma conversa, a disputa silenciosa por atenção. Lembrou que o caderno não é apenas um objeto perdido na mochila, mas um jeito de acompanhar o que acontece ali. Enquanto explicava, olhava para aqueles adultos cansados e pensava que, de certa forma, estava dando uma aula também para eles.

   Os pais fizeram perguntas práticas: horário da prova, data do passeio, se o uniforme novo é obrigatório, se pode mandar lanche diferente. Entre uma dúvida e outra, surgiram confissões: “Ele anda muito ansioso”, “Ela diz que não consegue aprender matemática”, “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”. De repente, a reunião não era só sobre boletins, mas sobre vidas apertadas em agendas cheias.

   Quando a reunião terminou, pouco depois das oito, cada um saiu com uma mistura de alívio e preocupação. A professora, com pilhas de cadernos para corrigir. Os pais, com a sensação de que precisariam de mais tempo, mais paciência, mais presença. A escola fechou o portão, mas a reunião continuou na cabeça de muita gente.

   Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa. Um intervalo em que escola e família se lembram, por alguns minutos, de que educar uma criança não é tarefa de um lado só, nem de um horário só.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
A palavra “comparecimento”, presente no bilhete “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante”, é formada por
Alternativas
Respostas
1941: B
1942: A
1943: B
1944: A
1945: D
1946: B
1947: B
1948: B
1949: C
1950: C
1951: A
1952: C
1953: A
1954: D
1955: C
1956: C
1957: E
1958: A
1959: C
1960: C