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Q3839568 Português
Direito à educação: o que significa, na prática, garantir vaga para todos?


      Quando se fala em direito à educação, é comum imaginar uma sala de aula com carteiras alinhadas, um quadro na frente e um professor disposto a ensinar. Em muitos discursos oficiais, “garantir o direito” aparece resumido a uma frase: “há vaga para todas as crianças em idade escolar”. Mas basta olhar com um pouco mais de cuidado para perceber que, entre ter vaga na escola e, de fato, aprender, existe um longo caminho.

        Garantir vaga é o ponto de partida, não a linha de chegada. No papel, o município pode afirmar que todas as crianças estão matriculadas. Na prática, porém, é preciso perguntar: todas conseguem chegar à escola todos os dias? Em áreas rurais, o transporte escolar pode significar caminhões adaptados, estradas de terra e trajetos longos. Nas periferias urbanas, o problema pode ser a distância a pé, a insegurança no caminho, o custo do ônibus. A vaga existe, mas o acesso até ela nem sempre é simples.

        Outra dimensão é a permanência. Uma criança que chega à escola, mas sente fome, pode até ocupar uma carteira, mas dificilmente conseguirá se concentrar. A merenda escolar, muitas vezes vista apenas como um detalhe administrativo, é, na vida real, o que mantém alguns estudantes de pé. Há também quem precise trabalhar para ajudar em casa; nesse caso, conciliar estudos e jornada de trabalho transforma o direito à educação em um malabarismo diário.

      Quando se fala em “vaga para todos”, é preciso incluir aqueles que historicamente foram deixados de fora: estudantes com deficiência, pessoas que moram em áreas de difícil acesso, jovens e adultos que não concluíram o ensino básico na idade “esperada”. Não basta abrir uma sala e colocar todos juntos. É necessário pensar em acessibilidade, adaptações curriculares, materiais diferenciados, profissionais de apoio, horários flexíveis. A igualdade de direito não significa tratar todos da mesma forma, e sim garantir que cada um tenha condições reais de aprender.

       A qualidade do ensino é outra peça indispensável. Um prédio com infiltrações, banheiros quebrados, biblioteca trancada e aulas constantemente interrompidas não cumpre o que o direito à educação promete. Professores sem formação adequada, turmas superlotadas e falta de materiais didáticos também transformam a vaga em uma promessa pela metade. A presença física na escola é importante, mas não adianta sentar-se na carteira e sair de lá sem compreender o que foi ensinado.

         Por fim, garantir vaga significa ouvir quem ocupa essas vagas. Estudantes que não se sentem respeitados, que sofrem preconceito, que não se reconhecem nos conteúdos trabalhados podem até estar oficialmente “dentro” da escola, mas, subjetivamente, continuam do lado de fora. Uma escola que não escuta suas vozes corre o risco de ser apenas um prédio com gente dentro, e não um espaço de formação.

       Direito à educação, portanto, não se esgota na matrícula ou na lista de chamada preenchida. Significa assegurar acesso, permanência e aprendizagem em condições dignas, para pessoas diferentes, em realidades variadas. Entre o discurso bonito dos documentos e o cotidiano nem sempre bonito das salas de aula, há um trabalho silencioso e contínuo que define se a vaga é um número em uma planilha ou uma oportunidade real de transformar vidas.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
A palavra “insegurança”, que aparece associada às periferias urbanas, é formada a partir de
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trecho "Nas periferias urbanas, o problema pode ser a distância a pé, a insegurança no caminho, o custo do ônibus.", a palavra analisada é “insegurança”. Pela base de decisão, a forma resulta de derivação prefixal: acrescenta-se o prefixo “in-” ao substantivo “segurança”, sem que haja composição, regressão ou sigla.

Tema central: processo de formação da palavra
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não há composição por justaposição. Em “insegurança”, “in-” não é advérbio autônomo unido a “segurança”; é prefixo preso à base. O critério decisivo é distinguir composição de derivação prefixal.
B
Errada
Está errada porque a questão pede o processo de formação de “insegurança”, não a formação anterior de “segurança”. Ainda que “segurança” tenha relação com “segurar”, a palavra pedida no enunciado se forma imediatamente por acréscimo de “in-” a “segurança”, e não por derivação sufixal sobre a forma verbal “segurar”.
C
Certa
A alternativa C descreve o processo morfológico de “insegurança” como derivação prefixal, com acréscimo de “in-” ao substantivo “segurança”. Assim, mantém-se a mesma base lexical e forma-se um novo substantivo por prefixação sobre palavra já existente.
D
Errada
Está errada porque não há derivação regressiva. Esse processo envolve redução de uma forma original, o que não ocorre aqui. Além disso, “insegurar” não é a forma original pertinente para explicar “insegurança” na análise pedida.
E
Errada
Está errada porque “insegurança” não é formada por letras iniciais de palavras. Sigla resulta de iniciais de um conjunto vocabular, e isso não acontece nessa palavra, que é formada por prefixação sobre a base “segurança”.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões reais: tomar “in-” como se fosse palavra autônoma e recuar indevidamente para a formação anterior de “segurança”, quando o que se pede é o processo imediatamente responsável por “insegurança”.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro a base imediata da palavra apresentada no texto; aqui, a base é “segurança”, não “segurar”.
  • Se o elemento inicial não funciona como palavra autônoma e apenas se acrescenta à base, o caminho é verificar prefixação, não composição.
  • Não troque o processo de formação da palavra pedida pela etimologia ou por uma etapa anterior da família lexical.

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Derivação sufixal

Também chamada de derivação por sufixação, é aquela em que se forma uma palavra ao acrescentar um sufixo ao radical de uma primitiva.

 terra → terraço.

 Pedra → pedraria.

 Feliz → felizmente.

Derivação prefixal

Também chamada de derivação por prefixação é aquela em que se forma uma palavra ao acrescentar um prefixo ao radical de uma primitiva. O resultado é a mudança de sentido.

Exemplos:

montar → desmontar.

discreto → indiscreto.

fazer → refazer.

GABARITO; C

Resumo de formação de palavras:

Composição:

  •  Palavras formadas pela junção de radicais.
  •  Ex.: guarda-sol.

  • Composição por justaposição: 

→ união de 2 radicais sem alterá-los.

→ Ex.: guarda-chuva.

  • Composição por aglutinação: 

→ união de 2 radicais, ocorrendo alteração de um deles.

→ Ex.: planalto = plano + alto.

Derivação: 

→ Palavras formadas pelo acréscimo de prefixos e sufixos.

  • Derivação prefixal:

→ acréscimo de um prefixo.

→ Ex: recomeçar.

  • Derivação sufixal: 

→ acréscimo de um sufixo

→ Ex: amoroso.

  • Derivação prefixal e sufixal:

→ acréscimo de um prefixo e um sufixo. Ex.: reaproveitamento.

  • Derivação parassintética: 

é igual a prefixal e sufixal. 

Mas, caso um dos afixos seja retirado, o radical e afixo restantes não formam uma palavra.

 Ex.: empobrecimento. 

Não existe empobre, nem pobrecimento.

Derivação regressiva:

→ a palavra é reduzida

Ex.: Debate: Substantivo abstrato formado do verbo debater.

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