Questões de Concurso
Sobre morfologia em português
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A vida invisível de Eurídice Gusmão

BATALHA, Marta. A vida invisível de Eurídice Gusmão. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. p.46-47. Fragmento.
I D. Maricotinha usava óculos de gatinho e cabelo pega-rapaz. (Linha 6)
II Começava a maior parte das frases com um “mas”... (Linha 8)
Os vocábulos sublinhados nos enunciados I (“pega-rapaz”) e II (“mas”) acima são formados, respectivamente, pelos seguintes processos de formação de palavras:
Está CORRETO, em relação ao texto, apenas o que se pode afirmar na alternativa:
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
“Muito além da chuva”: educação é chave para prevenção de desastres socioambientais
De acordo com a Organização Mundial Meteorológica (OMM), há grandes chances de um dos próximos cinco anos ser o mais quente da história desde que começaram as medições de temperatura. Com o aquecimento global, desastres socioambientais também vêm se tornando cada vez mais frequentes. No Brasil, os impactos dos temporais em São Sebastião, em janeiro deste ano, e em Petrópolis, no início de 2022, reforçam a necessidade de políticas de mitigação.
ALMEIDA, Camilla. “Muito além da chuva”: educação é chave para prevenção de desastres socioambientais. Jornal da USP, 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/muito-alem-da-chuvaeducacao-e-chave-para-prevencao-de-desastres-socioambientais/. Acesso em: 28 set. 2023. [Fragmento]
Releia este trecho:
“Com o aquecimento global, desastres socioambientais também vêm se tornando cada vez mais frequentes.”
Assinale a alternativa em que a palavra destacada pertence à mesma classe morfológica daquela em destaque no trecho apresentado.
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Felicidade clandestina
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
[...]
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/felicidade-clandestina-conto-declarice-lispector/. Acesso em: 25 set. 2023. [Fragmento]
Releia este trecho:
“Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como ‘data natalícia’ e ‘saudade’.”
Considerando a classificação morfológica do termo em destaque, é correto afirmar que ele foi flexionado
INSTRUÇÃO: Analise a tirinha a seguir para responder à questão.

BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com. Acesso em: 25 set. 2023.
INSTRUÇÃO: Leia o artigo a seguir para responder à questão.
A arte (e o negócio) de produzir sínteses
Em pouco mais de um século, a expectativa de vida no Brasil passa de 34 para 77 anos. Em face desse salto formidável, como explicar que, quanto mais tem aumentado o nosso tempo de vida, menos tempo temos para as coisas da vida? Estamos sempre “correndo contra o tempo”!
O notável polímata Herbert Simon aponta como causa subjacente desse paradoxo o confronto entre o crescimento exponencial da informação disponível e a limitação da capacidade de concentração total ou parcial da mente em algo. Em síntese: “riqueza de informação cria pobreza de atenção”. Respostas contemporâneas massivas a esse fenômeno, apontado por Simon há mais de meio século, são os vídeos de 60 segundos no Tik Tok e o limite de 280 caracteres nas mensagens veiculadas na plataforma X (o limite era de 140 no começo do então Twitter).
No regime da “economia da atenção”, produzir sínteses se torna uma arte e um negócio.
PLONSKI, Guilherme Ary. A arte (e o negócio) de produzir sínteses. Jornal da USP, 2023. Disponível em: https://jornal. usp.br/articulistas/guilherme-ary-plonski/a-arte-e-o-negocio-deproduzir-sinteses/. Acesso em: 29 set. 2023. [Fragmento]
Releia este trecho:
“Respostas contemporâneas massivas a esse fenômeno, apontado por Simon há mais de meio século, são os vídeos de 60 segundos no Tik Tok [...].”
Assinale a alternativa em que a palavra destacada apresenta a mesma classificação morfológica do termo em destaque no trecho apresentado.
“Meninas e meninos são os menos responsáveis pelas mudanças climáticas, mas suportarão o maior fardo de seu impacto.”
https://www.unicef.org
Os trechos, acima, foram extraídos do texto “Meio ambiente e mudanças climáticas” publicados pela UNICEF. Com base nesses trechos, as palavras sublinhadas foram empregadas, respectivamente, como:
https://amppe.com.br
O emprego da preposição “CONTRA”, no contexto da campanha acima, significa:
https://www.divulgapetrolina.com
A classe gramatical da palavra “diferença”, na campanha acima, é:
https://oeco.org.br
O trecho, acima, foi extraído do texto “O que é um Ecossistema e um Bioma” publicado em “O Eco” Com base nesse trecho, as palavras sublinhadas foram empregadas, respectivamente, como:
https://www.sescpr.com.br
O emprego do advérbio “AQUI”, na campanha acima, expressa:
A palavra “em” pertence ao grupo:
https://www.hemope.pe.gov.br
A palavra “SANGUE”, na campanha acima, pertence a classe gramatical:
Não aconselho envelhecer
Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos. Verdade que as opções são poucas – ou morrer, ou lutar contra a velhice. E morrer não seria opção, mas entrega; e a luta? Bem, a luta resulta sempre numa batalha perdida e inglória.
Entre os processos cruéis da natureza, é a velhice o mais cruel. Implacável, insidiosa, ataca por todos os lados, abre a porta a todas as moléstias mortais. Pensando bem, é uma espécie de HIV a longo prazo. Te ataca o coração, o pulmão, todas as demais vísceras – a tripa, o fígado, o que nos abatedouros se chama o arrasto. E mais a fiação arterial e venosa, e a coluna! E não falei na atividade cerebral. E também esqueci os ossos, a infame osteoporose, que te rói os ossos pelo tutano, deixando-os como frágeis cascas de ovos. E então basta um pequeno escorregão na banheira para deixar um fêmur fraturado.
Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos, apelando para tudo, inventaram ultimamente essas bobagens de “terceira idade”, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e as tristezas da velhice. Mas não se iluda, velho, meu amigo e colega. Ninguém está acreditando naquilo. Você já viu na TV um quadro de propaganda dessa falsa recuperação de terceira idade? Um velho e uma velha, vestidos à moda dos anos trinta, tentando dançar um tango argentino? É patético, embora a maioria dos moços apenas o considere docemente ridículo.
Diz-se que já se consegue muito na luta contra a velhice. Ginástica, dieta, malhação, corrida etc. Cirurgia plástica. Ah, já pensaram no tormento de uma bela mulher, atriz, dama do soçaite, cortesã, que viva da e para a sua beleza, ao descobrir as primeiras rugas, a flacidez do mento, daquela sutil rede de outras pequenas rugas que rodeiam os lábios? O Dr. Pitanguy opera e os seus colegas de mérito variável também operam. Mas, por mais famosos, competentes e mágicos que sejam os cirurgiões plásticos, só fazem mágicas, não fazem milagres. Esticam a pele sobre os músculos flácidos, fazem um peeling, que é uma espécie de raladura na cútis, fica lindo a princípio, mas, como toda mágica, não dura muito. E aí têm que começar tudo outra vez, as cicatrizes já não se escondem tão bem atrás das orelhas ou no couro cabeludo que, aparado, vai encurtando, deixando as pacientes com testas enormes, quase uma calvície. E nem falei em calvície que, mercê de Deus, ataca mais os homens que as mulheres!
Você contempla no espelho, vê as rugas do seu rosto, do seu pescoço, como se olhasse uma máscara que se desfaz. Vê bem, sabe como está velho, embora não sinta que está velho. Sua alma, seus sentimentos, sua cabeça, nada disso confirma a palavra ou a imagem do espelho. Mas os outros só veem de você o que o espelho vê.
E ao par disso as cãs, quer dizer, os cabelos brancos? Bem, os cabelos, pintam-se. Mas vocês já descobriram que, por mais excelentes sejam o cabeleireiro e as tinturas, o cabelo pintado fica sempre gritantemente diverso do natural? Pensei sobre isso e acabei descobrindo: o cabelo nosso, a natureza lhe dá cor de fio em fio, cada fio na sua tonalidade, uns mais claros, outros mais escuros: o conjunto toma esse colorido inimitável, que profissional nenhum pode obter, já que lhe é impossível tingir fio por fio. E, daí, essas senhoras de comas tão louras, tão ruivas, tão castanhas e negras, não iludirem nunca, darem mesmo a impressão de que usam perucas.
E, no final de tudo, vem o envelhecimento da cabeça, da inteligência, das ideias, da alma – da chamada psiquê. O velho tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las – mas a si próprio não se convence. Sabe que as suas ideias são as do seu tempo, fruto do que leu, viu e acumulou; e isso pode ser camuflado, mas não pode ser modificado. Dizem que as células cerebrais não se renovam, como as demais células do corpo – será verdade? Até mesmo as ideias dos gênios mortos envelhecem; e diante das ideias de um Nietzsche, de um Freud, tem que se dar o desconto do tempo e das mudanças. Contudo, o pior mesmo é quando você, com honesta sinceridade, lamenta diante de alguém os estragos que lhe traz a velhice, e isso alguém protesta com veemência: “Eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa sua lucidez!”
Lucidez? O que é que eu esperava? Que você já estivesse caduco?
(QUEIROZ, Raquel (1995) Não aconselho envelhecer. In Falso mar, falso mundo. São Paulo: Arx, 2002.)