Questões de Concurso Sobre morfologia em português

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Q3374576 Português
Leia o texto e responda a questão.


Precisamos falar sobre o agro brasileiro

Em artigo exclusivo, José Pugas, da gestora JGP, discute os mitos que retardam o crescimento do agronegócio e colocam em risco o protagonismo do campo brasileiro em escala global
[José Pugas. Publicado em 10 de março de 2022 às, 12h00.]

Mitos são essenciais para a construção de nossas identidades individuais e de grupo. Joseph Campbell afirmava que os mitos tinham como função principal guiar o espírito humano e, por que não, nos conferir um propósito de existência. No entanto, mitos podem ser enganosos quando compreendidos literalmente e insensíveis às mudanças dos tempos. Mitos que se transformam em mentiras convenientes perdem suas funções de guiar o espírito humano à grandeza heroica e passam a ser evidências falsas para fantasias coletivas.
O agronegócio brasileiro tem todos os predicados míticos de uma história heroica. A partir de tecnologias disruptivas, conquistamos áreas até então impossíveis de produzir e saímos da desagradável condição de importadores de alimentos para uma potência agrícola em uma geração. Como Gilgamesh, domamos a natureza em nome da civilização.
Hoje, é impossível pensarmos qualquer outro setor brasileiro que tenha tamanho vigor e que deposite tanto a fé dos economistas e governantes como o agronegócio. De patinho feio e representante do atraso nacional, como as atividades primárias foram vistas por muitas décadas, o agro virou tech, o agro virou pop, o agro virou tudo.

[Adaptado]. PUGAS, José. Opinião: Precisamos falar sobre o agro brasileiro. Disponível em: <https://exame.com/agro/opiniao-precisamos-falar-sobre-o-agro-brasileiro/>.
Acesso em 20 nov. 2023 
Analisando os aspectos morfológicos de formação das palavras, identifique a alternativa em que o radical destacado está correto.
Alternativas
Q3374395 Português
Segundo Piacentini (2020), podemos afirmar – excluindo-se os casos excepcionais – sobre o plural dos substantivos compostos que:
Alternativas
Q3374390 Português
Conforme Celso Cunha e Lindley Cintra, analise as assertivas abaixo sobre os processos de formação de palavras no português:
I. Na derivação parassintética, há junção simultânea de prefixo e sufixo a um determinado radical.
II. A derivação regressiva é importante para a criação dos substantivos deverbais.
III. A derivação imprópria está presente na mudança de classe gramatical substantivo comum para verbo.
IV. O hibridismo consiste na formação de palavras a partir de elementos oriundos de outros idiomas.
Estão corretas: 
Alternativas
Q3374388 Português

Observe os vocábulos a seguir e relacione-os com suas respectivas nomenclaturas:



I. Mandioca, aipim e macaxeira.


II. Paquera, date, crush.


III. Carioca, gaúcho e nordestino.


IV. Peticionar, prognóstico, brifar. 



a) Regionalismos.


b) Gírias.


c) Dialetos.


d) Jargões.



A seguir, escolha a alternativa que relaciona corretamente as duas colunas:

Alternativas
Q3374171 Português




Publicado em VEJA de 2 de março de 2022, edição nº 2778. Disponível em:

<https://veja.abril.com.br/comportamento/idade-nao-e-documento-movimento-contra-etarismo-esta-em-evidencia>. Acesso

em: 18 out. 2023

Analisando a frase “1000 empresas multinacionais assinaram compromisso para ampliar a contratação de trabalhadores com mais de 50 anos.”, qual é o valor semântico estabelecido pela preposição destacada?
Alternativas
Q3374164 Português
Os idosos correspondem a quase 15% da população brasileira. Apesar das estatísticas de aumento da longevidade nos últimos tempos, eles ainda sofrem preconceito. Em meio às limitações no mercado de trabalho e estereótipos que ditam os locais, roupas e estilo de vida que devem ser adotados, essa parcela da população tem se mostrado cada vez mais ativa, revelando como a longevidade pode ser positiva. “A gente já vivenciou tanta coisa, que muitas delas se tornaram assim: o depois é agora, tem que ser agora. E para a gente decidir isso, realmente temos que ter coragem e segurança, porque os medos e as inseguranças, nós já tivemos. Agora, o nosso pensamento está mais estável e seguro”, contou a modelo Rosa Saito em entrevista à CNN. Embora seja positiva para Rosa, a velhice pode chegar junto a apontamentos que definem a forma como pessoas com mais de 60 anos devem agir. Conforme descrito no Relatório Mundial sobre Idadismo, da Organização Mundial de Saúde (OMS), o etarismo se refere a “estereótipos (como pensamos), preconceitos (como nos sentimos) e discriminação (como agimos) direcionadas às pessoas com base na idade que têm”.


[Adaptado] GARCIA, A.; AMARAL, T.; RACIUNAS, C. O que é etarismo e como a discriminação por idade impacta a vida de idosos. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/o-que-e-etarismo-e-como-a-discriminacao-por-idade-impacta-a-vida-deidosos/. Acesso em: 18 out. 2023 
Em relação à formação da palavra longevidade, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3374037 Português
Dona Valentina e sua dor


   Dona Valentina conseguiu cochilar um pouquinho. O relógio marcava quase cinco da manhã quando ela abriu os olhos. Estava ligeiramente feliz. Sonhou com as goiabeiras de sua casa na roça; ela, menina, correndo de pés no chão e brincando com os irmãos que apanhavam goiabas maduras no pé. Goiabas vermelhas, suculentas, sem bichos. O sonho foi tão real que ela acordou com gostinho de goiaba na boca.

   Fazia um pouco de frio porque chovera à noite, chuvinha fina, boba. Porém, Dona Valentina era prevenida: levara na sacola a capa e a sombrinha desmilinguida – mas que ainda serviam. A fila crescera durante a madrugada, e o falatório dos que acordaram cedo, como ela, misturava-se com o ronco de dois ou três que ainda dormiam.

   Fila de hospital até que era divertida – pensava ela. O povo conversava pra passar o tempo; cada um contava suas doenças; falavam sobre médicos e remédios; a conversa esticava, e aí vinham os assuntos de família, casos de filhos, maridos, noras e genros. Valia a distração. Mas ruim mesmo era aquela dor nos quadris. Bastou Dona Valentina virar-se na almofada que lhe servia de apoio no muro para a fincada voltar. Ui! De novo!

   Dona Valentina já estava acostumada. Afinal, ela e sua dor nas cadeiras já tinham ido e voltado e esperado e retornado e remarcado naquela fila há quase um ano. O hospital ficava longe; precisava pegar o primeiro ônibus, descer no centro; andar até o ponto do segundo ônibus; viajar mais meia hora nele; e andar mais quatro quarteirões. Por isso, no último mês passou a dormir na fila, era mais fácil e mais barato. Ela e sua dor. A almofada velha ajudava; aprendera a encaixá-la de um jeito sob a coxa e a esticar a perna. Nesta posição meio torta e esquisita, a dor também dormia, dava um alívio.

   O funcionário, sonolento, abriu a porta de vidro; deu um “bom dia” quase inaudível e pediu ordem na calçada:

   – Pessoal, respeitem quem chegou primeiro. A fila é deste lado, vamos lá.

   Não demorou muito, e a mocinha sorridente, de uniforme branco, passou distribuindo as senhas. Todos gostavam dela. Alegre, animada, até cumprimentava alguns pelo nome, de tanta convivência. Dona Valentina recebeu a ficha três; seria uma das primeiras no atendimento. Quem sabe a coisa resolveria desta vez?

   – Senha número três!

   Dona Valentina ergueu-se da cadeira com a ajuda de um rapaz e caminhou até a sala. O doutor – jovem, simpático – cumprimentou-a e pediu que ela se sentasse. Em seguida, correu os olhos pela ficha, fez algumas perguntas sobre a evolução da dor e os remédios que ela tomava. Daí, preencheu uma nova receita, carimbou e assinou:

   – Olha, Dona Valentina, vamos mudar a medicação, essa aqui é mais forte. Mas seu caso é mesmo cirúrgico. O problema é que o hospital não tem condições de fazer a cirurgia de imediato. A senhora sabe: muitos pacientes, falta verba, equipamento, dinheiro curto...

   Ela sentiu um aperto no coração. E um pouco de raiva, raivinha, coisa passageira. Mas o doutor era tão simpático, de olheiras, de uniforme amarrotado, que ela sorriu, decepcionada:

   – Posso marcar meu retorno?

   – Claro, claro, fala com a moça da portaria.

   Dona Valentina e sua dor pegaram os dois ônibus de volta. Pelo menos a chuva havia parado, um sol gostoso aquecia seus ombros através da janela. Fazer o quê? – pensava ela. Esperar mais, claro.

   De noite, Dona Valentina se acomodou no velho sofá esburacado para ver a novela – sua distração favorita que a fazia se esquecer da dor.


(Fernando Fabbrini. Em: julho de 2019. Adaptado.)
Considerando os dois termos grifados, é correto afirmar que há diferentes classes de palavras na seguinte transcrição literal:
Alternativas
Q3374035 Português
Dona Valentina e sua dor


   Dona Valentina conseguiu cochilar um pouquinho. O relógio marcava quase cinco da manhã quando ela abriu os olhos. Estava ligeiramente feliz. Sonhou com as goiabeiras de sua casa na roça; ela, menina, correndo de pés no chão e brincando com os irmãos que apanhavam goiabas maduras no pé. Goiabas vermelhas, suculentas, sem bichos. O sonho foi tão real que ela acordou com gostinho de goiaba na boca.

   Fazia um pouco de frio porque chovera à noite, chuvinha fina, boba. Porém, Dona Valentina era prevenida: levara na sacola a capa e a sombrinha desmilinguida – mas que ainda serviam. A fila crescera durante a madrugada, e o falatório dos que acordaram cedo, como ela, misturava-se com o ronco de dois ou três que ainda dormiam.

   Fila de hospital até que era divertida – pensava ela. O povo conversava pra passar o tempo; cada um contava suas doenças; falavam sobre médicos e remédios; a conversa esticava, e aí vinham os assuntos de família, casos de filhos, maridos, noras e genros. Valia a distração. Mas ruim mesmo era aquela dor nos quadris. Bastou Dona Valentina virar-se na almofada que lhe servia de apoio no muro para a fincada voltar. Ui! De novo!

   Dona Valentina já estava acostumada. Afinal, ela e sua dor nas cadeiras já tinham ido e voltado e esperado e retornado e remarcado naquela fila há quase um ano. O hospital ficava longe; precisava pegar o primeiro ônibus, descer no centro; andar até o ponto do segundo ônibus; viajar mais meia hora nele; e andar mais quatro quarteirões. Por isso, no último mês passou a dormir na fila, era mais fácil e mais barato. Ela e sua dor. A almofada velha ajudava; aprendera a encaixá-la de um jeito sob a coxa e a esticar a perna. Nesta posição meio torta e esquisita, a dor também dormia, dava um alívio.

   O funcionário, sonolento, abriu a porta de vidro; deu um “bom dia” quase inaudível e pediu ordem na calçada:

   – Pessoal, respeitem quem chegou primeiro. A fila é deste lado, vamos lá.

   Não demorou muito, e a mocinha sorridente, de uniforme branco, passou distribuindo as senhas. Todos gostavam dela. Alegre, animada, até cumprimentava alguns pelo nome, de tanta convivência. Dona Valentina recebeu a ficha três; seria uma das primeiras no atendimento. Quem sabe a coisa resolveria desta vez?

   – Senha número três!

   Dona Valentina ergueu-se da cadeira com a ajuda de um rapaz e caminhou até a sala. O doutor – jovem, simpático – cumprimentou-a e pediu que ela se sentasse. Em seguida, correu os olhos pela ficha, fez algumas perguntas sobre a evolução da dor e os remédios que ela tomava. Daí, preencheu uma nova receita, carimbou e assinou:

   – Olha, Dona Valentina, vamos mudar a medicação, essa aqui é mais forte. Mas seu caso é mesmo cirúrgico. O problema é que o hospital não tem condições de fazer a cirurgia de imediato. A senhora sabe: muitos pacientes, falta verba, equipamento, dinheiro curto...

   Ela sentiu um aperto no coração. E um pouco de raiva, raivinha, coisa passageira. Mas o doutor era tão simpático, de olheiras, de uniforme amarrotado, que ela sorriu, decepcionada:

   – Posso marcar meu retorno?

   – Claro, claro, fala com a moça da portaria.

   Dona Valentina e sua dor pegaram os dois ônibus de volta. Pelo menos a chuva havia parado, um sol gostoso aquecia seus ombros através da janela. Fazer o quê? – pensava ela. Esperar mais, claro.

   De noite, Dona Valentina se acomodou no velho sofá esburacado para ver a novela – sua distração favorita que a fazia se esquecer da dor.


(Fernando Fabbrini. Em: julho de 2019. Adaptado.)
Os termos destacados nas seguintes orações pertencem a mesma classe de palavras, EXCETO: 
Alternativas
Q3373773 Português
Pós-verdade 

Em 2016, o dicionário de Oxford elegeu a palavra "pós verdade" como o termo do ano. A palavra se refere a uma época em que os fatos objetivos têm menos influência e importam menos que os apelos às emoções e às crenças pessoais – se me parece bom ou se está de acordo com minhas crenças, então é verdadeiro. Com a internet, a criação de memes, boatos, montagens e fakes news disputam espaços de narrativas e influenciam todos os espectros do campo ideológico. Como consequência, o processo de desinformação aumenta, assim como a confusão entre fato e ficção – quando as mentiras se tornam verdades. 

Antonio Carlos Olivieri, da Página 3 Pedagogia & Comunicação. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/propostas/a-ciencia-na-era-da-pos verdade.htm. Acesso em: 6 jan. 2024. 

A respeito das classes gramaticais, pode-se afirmar que:



I. Neste trecho: “se me parece bom ou se está de acordo com minhas crenças, então é verdadeiro”, todos os verbos são de ligação.



II. Em “...influenciam todos os espectros do campo ideológico”, o termo destacado é um substantivo.



III. No trecho: “A palavra se refere a uma época em que os fatos objetivos têm menos influência e importam menos que os apelos às emoções e às crenças pessoais”, dos termos em destaque apenas o primeiro é um artigo.



IV. Em “...que os apelos às emoções e às crenças pessoais”, o vocábulo em destaque é um pronome pessoal. 

Alternativas
Q3372992 Português

LEIA O TEXTO E RESPONDA A QUESTÃO SEGUINTE.


Nem a Rosa, Nem o Cravo


    As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades? Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde?

    Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. (...) Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como u’a nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento.

    (...) Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas.

    Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espetáculo – desde o crepúsculo aos olhos da amada – sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.

    Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor.

    Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!


(AMADO, Jorge. Folha da Manhã, 22/04/1945.)

Com exceção de uma, todas as palavras destacadas nas alternativas aparecem no texto como substantivos, mas, isoladamente, podem ser verbo também. Assinale a alternativa em que se encontra a exceção. 
Alternativas
Q3372987 Português

LEIA O TEXTO E RESPONDA A QUESTÃO SEGUINTE.


Nem a Rosa, Nem o Cravo


    As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades? Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde?

    Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. (...) Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como u’a nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento.

    (...) Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas.

    Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espetáculo – desde o crepúsculo aos olhos da amada – sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.

    Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor.

    Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!


(AMADO, Jorge. Folha da Manhã, 22/04/1945.)

Sobre o trecho “Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas.”, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3372986 Português

LEIA O TEXTO E RESPONDA A QUESTÃO SEGUINTE.


Nem a Rosa, Nem o Cravo


    As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades? Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde?

    Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. (...) Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como u’a nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento.

    (...) Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas.

    Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espetáculo – desde o crepúsculo aos olhos da amada – sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.

    Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor.

    Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!


(AMADO, Jorge. Folha da Manhã, 22/04/1945.)

No trecho, “Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor.”, é possível apontar que o autor usa uma estratégia de construção textual para reforçar o senso de urgência e a dimensão do problema. Assinale a alternativa que indica corretamente esse recurso.
Alternativas
Q3372985 Português

LEIA O TEXTO E RESPONDA A QUESTÃO SEGUINTE.


Nem a Rosa, Nem o Cravo


    As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades? Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde?

    Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. (...) Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como u’a nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento.

    (...) Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas.

    Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espetáculo – desde o crepúsculo aos olhos da amada – sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.

    Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor.

    Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!


(AMADO, Jorge. Folha da Manhã, 22/04/1945.)

Assinale a alternativa em que ambas as expressões sigam a ordem “substantivo + adjetivo”. 
Alternativas
Q3372942 Português
Assinale a alternativa correta quanto aos processos de formação de palavras presentes no texto.
Alternativas
Q3372268 Português
Analise as afirmativas sobre morfologia,

I. Os artigos definem ou indeterminam um substantivo, especificando seu uso.
II. Pronomes são usados no lugar de substantivos para evitar sua repetição.
III. Adjetivos são invariáveis e não apresentam flexão de gênero e número.

Pode-se afirmar que 
Alternativas
Q3371494 Português
 Obesidade abdominal associada à fraqueza muscular eleva risco de síndrome metabólica


        Estudo conduzido por pesquisadores das universidades Federal de São Carlos (UFSCar) e College London (Reino Unido) mostrou que a combinação de acúmulo de gordura na região abdominal com fraqueza muscular (dinapenia) é a condição que mais aumenta o risco de desenvolver síndrome metabólica em pessoas com mais de 50 anos de idade.

       “Indivíduos com obesidade abdominal dinapênica tinham 234% mais risco de desenvolver síndrome metabólica em comparação com aqueles que não tinham nenhuma das duas condições. Isso é quase o dobro do que encontramos para os que tinham apenas obesidade [126%]. Dessa forma, demonstramos que ter as duas condições simultaneamente representa maiores alterações metabólicas”, explica Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e orientador do estudo apoiado pela Fapesp.

     Com base nos resultados do trabalho, divulgados no Journal of Nutrition, Health and Aging, os pesquisadores alertam para a importância da prática de exercício físico – tanto aeróbico quanto resistido – para o ganho e a manutenção da força muscular durante o envelhecimento. A prática de exercício físico é também uma maneira de prevenção da síndrome metabólica.

    Principal fator de risco para doenças cardiovasculares, a síndrome metabólica compreende cinco condições: obesidade, elevação dos níveis de triglicérides circulantes, hiperglicemia, redução do bom colesterol (HDL) e aumento da pressão arterial. O diagnóstico clínico é feito pela presença de três ou mais dessas alterações.

      De acordo com os pesquisadores, são as disfunções no metabolismo do músculo, associadas à perda de força, que explicam o grande impacto da fraqueza muscular no risco aumentado de síndrome metabólica. “Nos casos de fraqueza muscular há uma infiltração de gordura no músculo. Esse fenômeno, além de ser responsável pela perda de força, provoca uma série de alterações metabólicas no tecido que reduzem a sinalização de insulina, levando a uma maior resistência a esse hormônio, além de alterações no metabolismo da glicose e aumento da gordura no sangue [dislipidemia]”, explica Alexandre.

       Paula Camila Ramírez, primeira autora do trabalho, ressalta que não é só a fraqueza que provoca essas alterações. “A fraqueza também é produto da alteração do músculo – que perdeu massa, sofreu infiltração de gordura e, consequentemente, está inflamado. Isso significa que o músculo está tendo dificuldade de realizar o seu próprio metabolismo e, por isso, prejudica o metabolismo dos carboidratos, dos lipídios e o controle da pressão arterial, ou seja, fatores relacionados à síndrome metabólica”, diz.

       A inflamação provocada pela gordura infiltrada no músculo é só mais uma peça de todo um quebra cabeça. Faz parte do processo natural de envelhecimento o aumento do tecido adiposo, o que pode desencadear uma inflamação crônica de baixo grau. Além disso, a obesidade por si só pode causar inflamação permanente de baixo grau e alterar o metabolismo.

     Os pesquisadores ressaltam que as alterações que caracterizam a síndrome metabólica em grande parte vêm sendo atribuídas a obesidade. “No entanto, há evidências, e o nosso estudo contribui para isso, de que o problema é mais complexo. A obesidade e a fraqueza muscular contribuem para o ganho de gordura e para a infiltração de gordura no músculo. Esses dois fatores desencadeiam alterações no metabolismo do sistema musculoesquelético e podem influenciar outras alterações metabólicas”, relata Alexandre.

       Estudo anterior do mesmo grupo mostrou que a obesidade abdominal e a fraqueza muscular, quando associadas, aumentam em 85% o risco de morte por doenças cardiovasculares em pessoas com mais de 50 anos. Nesse trabalho, a fraqueza muscular em si só aumentou em 62% o risco de morte por doença cardiovascular. Curiosamente, as pessoas analisadas que tinham apenas gordura abdominal não apresentaram um aumento significativo no risco de morte cardiovascular.

    “Na ocasião identificamos o impacto da combinação de fraqueza muscular e obesidade na incidência de doenças cardiovasculares. Agora, buscamos entender o mecanismo por trás disso. E entendemos que é o metabolismo do próprio músculo que, quando alterado, pode contribuir para uma série de alterações metabólicas que culminam ____ síndrome metabólica”, completa.


Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/saude/obesidade-abdominalassociada-a-fraqueza-muscular-eleva-risco-de-sindrome-metabolica/ (com alterações). Acesso 07/08/2024.

Leia o trecho abaixo, retirado do texto.

        “A inflamação provocada pela gordura infiltrada no músculo é só mais uma peça de todo um quebra cabeça.”

No trecho acima há um ERRO de: 
Alternativas
Q3369116 Português
Assinale a alternativa cujo advérbio em destaque na sentença exprime dúvida.
Alternativas
Q3368476 Português
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, quanto ao emprego dos verbos, assinale a alternativa em que o verbo destacado indique um fato realizado em momento anterior ao do enunciado e parou de ocorrer.
Alternativas
Q3361426 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Os mapas sonoros que protegem onça-pintada

As cataratas do Iguaçu ficam na Floresta Atlântica do Alto Paraná. No lado brasileiro, fica o Parque Nacional do Iguaçu. E, no lado oposto, o Parque Nacional Iguazú, na Argentina.

A região abriga mais de duas mil espécies de plantas e uma imensa variedade de animais, incluindo a tão popular onça-pintada.

Para os mais de um milhão de turistas que visitam o local todos os anos, o cenário parece apenas uma amostra de uma área que seria imensa e repleta de biodiversidade.

Mas, para as pessoas que conhecem bem a região, como a bióloga Yara de Melo Barros, os dois parques nacionais da região das cataratas, na verdade, são apenas "uma ilha de vida em meio ao desmatamento".

Barros é coordenadora do projeto de conservação da onça-pintada chamado Onças do Iguaçu.

Atualmente, a onça-pintada enfrenta ameaça em quase todo o seu habitat, que vai do sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Um estudo da Cites − a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Selvagem − indica que essas ameaças aumentam.

À medida que se ampliam o desmatamento, as incursões das estradas e da agricultura na floresta, a quantidade de presas diminui e os caçadores ilegais ganham cada vez mais acesso às áreas mais remotas.

"A caça precisa ser controlada com urgência" afirma Barros. "Os caçadores entram para caçar outros animais e matam a onça-pintada também."

Evitar a caça ilegal de qualquer criatura não é uma tarefa fácil, especialmente quando os parques mantêm relativamente poucos funcionários, frequentemente responsáveis pelo patrulhamento de grandes áreas.

Por isso, os pesquisadores e os funcionários dos parques da região das cataratas passaram a explorar novos meios na prevenção onde agem os caçadores ilegais e buscam ajuda em novas tecnologias de mapeamento.

No início dos anos 2000, os guarda-parques ainda preenchiam relatórios de campo manualmente, segundo Cecilia Belloni. Ela trabalha há muito tempo como guarda-parque na fronteira leste do Parque Nacional Iguazú, na Argentina.

"Agora, usamos telefones via satélite na floresta, além do sistema Smart e do Sistema de Informações Geográficas Quantum para análises espaciais", explica Belloni.

Segundo ela, "os Sistemas de Informações Geográficas aumentam a eficiência das patrulhas dos guarda-parques", pois permitem que as equipes florestais registrem melhor os dados e quantifiquem qualquer informação relevante.

Esses dados incluem desde incêndios até desmatamento e mudanças do uso da terra, dentro e fora das áreas protegidas.

O aplicativo Smart nos celulares e tablets ajuda os guarda-parques a selecionar e padronizar todos os novos dados registrados. Esse software de código aberto e suas ferramentas de análise foram especialmente projetados para auxiliar os gerentes de conservação no seu trabalho de vigilância.

O aplicativo foi disponibilizado para os guarda-parques argentinos pela primeira vez em 2014, durante uma viagem de treinamento para a Tailândia, e foi testado em seguida no Parque Nacional Iguazú.

Lizarraga explica que, ao registrar fotos geolocalizadas de cada cápsula de munição encontrada, os guarda-parques definem uma trilha de caça.

"Isso permite que eles sigam a trilha e encontrem pessoas que estão além das áreas de visitação pública", afirma ele.

Os caçadores ilegais usam árvores frutíferas como isca, segundo Belloni, como o timbó, que serve de alimento para as antas.

Marcando no software a localização dessas árvores e sua estação de frutificação, os guarda-parques planejam melhor suas patrulhas.

A APN expandirá o uso do Smart para todos os parques nacionais argentinos no início deste ano, segundo o guarda-parque Federico Rodríguez Mira, encarregado de operações do Parque Nacional Iguazú.

"A APN adquirirá equipamentos eletrônicos como smartphones e tablets resistentes a condições meteorológicas extremas para aprimorar, substancialmente, a coleta de dados de campo e auxiliar na tomada de decisões", explica ele.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ cxrkzgwz5kxo.adaptado.

A 'onça-pintada' enfrenta ameaça em quase todo o seu habitat, embora seja protegida pelos 'guarda-parques'.

Os substantivos destacados na frase são formados, respectivamente, por:

Alternativas
Q3361143 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Os mapas sonoros que protegem onça-pintada

As cataratas do Iguaçu ficam na Floresta Atlântica do Alto Paraná. No lado brasileiro, fica o Parque Nacional do Iguaçu. E, no lado oposto, o Parque Nacional Iguazú, na Argentina.

A região abriga mais de duas mil espécies de plantas e uma imensa variedade de animais, incluindo a tão popular onça-pintada.

Para os mais de um milhão de turistas que visitam o local todos os anos, o cenário parece apenas uma amostra de uma área que seria imensa e repleta de biodiversidade.

Mas, para as pessoas que conhecem bem a região, como a bióloga Yara de Melo Barros, os dois parques nacionais da região das cataratas, na verdade, são apenas "uma ilha de vida em meio ao desmatamento".

Barros é coordenadora do projeto de conservação da onça-pintada chamado Onças do Iguaçu.

Atualmente, a onça-pintada enfrenta ameaça em quase todo o seu habitat, que vai do sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Um estudo da Cites − a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Selvagem − indica que essas ameaças aumentam.

À medida que se ampliam o desmatamento, as incursões das estradas e da agricultura na floresta, a quantidade de presas diminui e os caçadores ilegais ganham cada vez mais acesso às áreas mais remotas.

"A caça precisa ser controlada com urgência" afirma Barros. "Os caçadores entram para caçar outros animais e matam a onça-pintada também."

Evitar a caça ilegal de qualquer criatura não é uma tarefa fácil, especialmente quando os parques mantêm relativamente poucos funcionários, frequentemente responsáveis pelo patrulhamento de grandes áreas.

Por isso, os pesquisadores e os funcionários dos parques da região das cataratas passaram a explorar novos meios na prevenção onde agem os caçadores ilegais e buscam ajuda em novas tecnologias de mapeamento.

No início dos anos 2000, os guarda-parques ainda preenchiam relatórios de campo manualmente, segundo Cecilia Belloni. Ela trabalha há muito tempo como guarda-parque na fronteira leste do Parque Nacional Iguazú, na Argentina.

"Agora, usamos telefones via satélite na floresta, além do sistema Smart e do Sistema de Informações Geográficas Quantum para análises espaciais", explica Belloni.

Segundo ela, "os Sistemas de Informações Geográficas aumentam a eficiência das patrulhas dos guarda-parques", pois permitem que as equipes florestais registrem melhor os dados e quantifiquem qualquer informação relevante.

Esses dados incluem desde incêndios até desmatamento e mudanças do uso da terra, dentro e fora das áreas protegidas.

O aplicativo Smart nos celulares e tablets ajuda os guarda-parques a selecionar e padronizar todos os novos dados registrados. Esse software de código aberto e suas ferramentas de análise foram especialmente projetados para auxiliar os gerentes de conservação no seu trabalho de vigilância.

O aplicativo foi disponibilizado para os guarda-parques argentinos pela primeira vez em 2014, durante uma viagem de treinamento para a Tailândia, e foi testado em seguida no Parque Nacional Iguazú.

Lizarraga explica que, ao registrar fotos geolocalizadas de cada cápsula de munição encontrada, os guarda-parques definem uma trilha de caça.

"Isso permite que eles sigam a trilha e encontrem pessoas que estão além das áreas de visitação pública", afirma ele.

Os caçadores ilegais usam árvores frutíferas como isca, segundo Belloni, como o timbó, que serve de alimento para as antas.

Marcando no software a localização dessas árvores e sua estação de frutificação, os guarda-parques planejam melhor suas patrulhas.

A APN expandirá o uso do Smart para todos os parques nacionais argentinos no início deste ano, segundo o guarda-parque Federico Rodríguez Mira, encarregado de operações do Parque Nacional Iguazú.

"A APN adquirirá equipamentos eletrônicos como smartphones e tablets resistentes a condições meteorológicas extremas para aprimorar, substancialmente, a coleta de dados de campo e auxiliar na tomada de decisões", explica ele.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ cxrkzgwz5kxo.adaptado.
A 'onça-pintada' enfrenta ameaça em quase todo o seu habitat, embora seja protegida pelos 'guarda-parques'.
Os substantivos destacados na frase são formados, respectivamente, por:
Alternativas
Respostas
6841: A
6842: C
6843: C
6844: A
6845: A
6846: D
6847: A
6848: B
6849: A
6850: A
6851: C
6852: A
6853: D
6854: X
6855: A
6856: B
6857: B
6858: A
6859: X
6860: X