Questões de Concurso
Sobre morfologia em português
Foram encontradas 27.740 questões
Texto II
Tratamento de Esgoto
O esgoto também passa por um processo de tratamento em 3 etapas. O tratamento primário tem como objetivo retirar a matéria orgânica que não se dissolveu e que se encontra acumulada no fundo do tanque, formando o lodo.
Já o tratamento secundário requer um biodigestor, onde a matéria orgânica dissolvida na água recebe a adição de microrganismos anaeróbios. Por fim, ocorre a adição de cloro para eliminar os microrganismos que ainda estão presentes no esgoto.
(IDEM, IBIDEM.)
Texto I para a questão.
A ÁGUA
A água é indispensável a toda e qualquer forma de vida. É considerada potável toda a água disponível na natureza que pode ser destinada ao consumo dos seres vivos, sem riscos de adquirirem doenças por contaminação.
Por ser essencial à vida, essa água deve estar disponível para a população rural e urbana, em todo o mundo. Geralmente na região rural não há o tratamento antecipado desse recurso; no entanto, nos centros urbanos quase sempre se faz necessário realizar uma verificação da qualidade e o grau de contaminação, uma vez que nas proximidades das cidades é comum os córregos e rios estarem poluídos.
Na realidade, a água potável, ou mesmo a água doce disponível na natureza, é bastante restrita. Cerca de 97,61% da água total do planeta é proveniente das águas dos oceanos; calotas polares e geleiras representam 2,08%; água subterrânea 0,29%; água doce de lagos 0,009%; água salgada de lagos 0,008%; água misturada no solo 0,005%; rios 0,00009% e vapor d’água na atmosfera 0,0009%. Diante desses percentuais pode-se presumir que apenas 2,4% da água do planeta corresponde à água doce, porém, somente 0,02% está disponível em lagos e rios que abastecem as cidades e pode ser consumida. Desse restrito percentual, uma grande parcela se encontra poluída, diminuindo ainda mais as reservas disponíveis.
Nessa perspectiva, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou uma nota com uma previsão de que até 2050, aproximadamente 45% da população não terá a quantidade mínima de água necessária à sua sobrevivência. No mundo subdesenvolvido, cerca de 50% da população consome água poluída; em todo planeta pelo menos 2,2 milhões de pessoas morrem em decorrência do uso de água contaminada e sem tratamento. Segundo estimativas, existem atualmente cerca de 1,1 bilhão de pessoas que praticamente não têm acesso à água potável, bem comum a todo ser humano.
A poluição é um dos maiores problemas relativos à água doce planetária uma vez que, diariamente, os mananciais de todo o mundo recebem dois milhões de toneladas de diversos tipos de resíduos. Quem sofre de maneira mais contundente os reflexos dessa realidade são as pessoas pertencentes às camadas populacionais mais excluídas que vivem em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.
A água potável pode ser oriunda de uma fonte natural, desde que não haja nenhum tipo de contaminação em sua nascente ou percurso. Pode ser também obtida através de um processo de tratamento físico e/ou químico. O tratamento de água visa reduzir a concentração de poluentes até o ponto em que não representem riscos para a saúde pública. Nas cidades, este processo é realizado nas ETAs (Estações de Tratamento de Água), onde a água passa por várias etapas, iniciando com a decantação, seguida da filtração, da fluoretação, da desinfecção e da floculação.
(Fontes do texto sugerido: Água potável. Disponível em: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/agua_potavel.htm.)
Observe o contexto da charge a seguir e responda, posteriormente, a questão.

Fonte: Portal Microsoft Bing. Disponível em:
<https://www.bing.com/images/search?>


Leia o texto a seguir para responder àquestão.
A palavra “lavanderia” tem algo a ver com a flor de lavanda? Na verdade, é o contrário: a flor é que tem a ver com a lavanderia.
A raiz leue- já se referia ao ato de tirar sujeira das coisas na Europa pré-histórica de 4 mil anos atrás, e deu origem à raiz lav- em latim, que então desembocou em “lavar”, “lavanderia”, “lavabo” e afins em português. Quando os romanos começaram a usar óleo de lavanda para perfumar roupas lavadas, a flor ganhou o nome. Outras palavras que vêm da raiz leue- são “dilúvio” e “diluir”, que ganham o di(s)- antes. Essa partícula remete à noção de distância (algo que fica óbvio na própria palavra “distância”) e, junto de leue-, significa usar água para levar algo para longe. Por fim, existe a palavra “aluvião”, nome que se dá à terra, argila e cascalho carregados pela água corrente de um rio, que vão se acumulando. A partícula a- antes do lu- significa “para”, “com a finalidade de”. Ou seja, aquela sujeira seria algo “para lavar”.
Fonte: blog Origem da Palavra, Online Etymology Dictionary.
Oráculo. Revista Superinteressante. Disponível em
https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/a-palavra-lavanderia-tem-algo-a-ver-com-a-flor-de-lavanda/
Leia a tirinha a seguir para responder a questão.

Considere o excerto a seguir para responder à questão:
“O que antes se acreditava serem depósitos arqueológicos puros, prontos para investigação, estão, na realidade, contaminados por plástico”, afirma em comunicado o arqueólogo John Schofield, da Universidade de York, no Reino Unido.
Considere o excerto a seguir para responder à questão:
“O que antes se acreditava serem depósitos arqueológicos puros, prontos para investigação, estão, na realidade, contaminados por plástico”, afirma em comunicado o arqueólogo John Schofield, da Universidade de York, no Reino Unido.
Leia o texto para responder à questão.
Timidez
Sou um tímido veterano e posso dar conselhos aos que estão recém descobrindo o martírio de enfrentar esse terror, os outros, e a obrigação de se fazer ouvir, ter amigos, namorar, procriar e, enfim, viver, quando preferia ficar quieto em casa. Ou, de preferência, no útero.
Algumas coisas não funcionam. Já tentei várias maneiras de conviver com minha timidez e nenhuma deu certo. Decorar frases, por exemplo. Já fui com uma frase pronta para impressionar a menina e na hora saiu “Teus verdes são como dois olhos, lagoa”. Também resista à tentação de assumir um ar superior e dar a impressão de que você não é tímido, é misterioso.
Eu sou do tempo em que se usava chaveiro com correntinha (além de tope e topete, tope de gravata enorme e topete duro de Gumex) e ficava girando a correntinha no dedo, enquanto examinava as garotas na saída das matinês (eu sou do tempo das saídas de matinês). Um dia uma garota veio falar comigo, ou ver de perto o que mantinha meu topete em pé, foi atingida pela hélice da correntinha e saiu furiosa. Melhor, porque eu não tinha nenhuma fala pronta, o que dirá misteriosa, que correspondesse à pose.
Evite manobras calhordas, como identificar alguém tão tímido quanto você no grupo e quando, por sacanagem, lhe passarem a palavra, passar a palavra imediatamente para ele. O mínimo que um tímido espera de outro é solidariedade. E não há momento mais temido na vida de um tímido do que quando lhe passam a palavra.
Tente se convencer de que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. Porque, no fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que errará a cadeira e sentará no chão, ou no colo da anfitriã.
Convença-se, o mundo não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, casei, procriei, fiz amigos, vivi e hoje até faço palestras, ou coisas parecidas. Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de não estar ali, mas quieto em casa.
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Medo da eternidade
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
– Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
– Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.
– Não acaba nunca, e pronto.
Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
– E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.
– Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
– Acabou-se o docinho.E agora?
– Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
– Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. – Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
– Já lhe disse – repetiu minha irmã – que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
(LISPECTOR, Clarice – In: SANTOS, J. F. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
