Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia em português
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Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas?
Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas?
Texto para responder à questão.
Taquicardia a dois
Estava minha amiga falando comigo ao telefone. Eis senão quando entra-lhe pela sala adentro um passarinho. Minha amiga reconheceu: era um sabiá. Minha amiga ficou surpresa. Era preciso que ele achasse o caminho da janela para ir embora e escapar da prisão da sala. Depois de esvoaçar muito, pousou num quadro acima da cabeça de minha amiga, que continuou o telefonema, porém mais atenta ao sabiá do que às palavras.
Foi quando ela sentiu uma coisa pelas costas nuas – era verão, o vestido não tinha costas: o sabiá tinha-se aninhado nela e parecia estar muito bem. E preciso dizer que minha amiga tem uma voz muito suave. Ela sabia que qualquer movimento súbito seu, e o sabiá se assustaria quase mortalmente. Desligou o telefone.
Também é preciso dizer que minha amiga tem mão e jeito leves, é capaz de segurar a corola de uma flor sem fazê-la murchar. Foi com seu jeito leve que pegou no sabiá, que se deixou pegar.
E lá ficou de sabiá na mão. O coraçãozinho do sabiá batia em louca taquicardia. E o pior é que minha amiga estava toda taquicárdica. Ali, pois, ficaram os dois tremendo por dentro: a amiga sentindo o próprio coração palpitar depressa e na mão sentindo o bater apressadinho e desordenado do sabiá.
Então ela se levantou devagar para não assustar o que estava vivo na sua mão. Chegou junto da janela. O sabiá compreendeu. Minha amiga espalmou a mão, onde o sabiá permaneceu por uns instantes. E de súbito deu uma voada lindíssima de tanta liberdade.
(LISPECTOR, Clarice. Portal da crônica Brasileira. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Uma velhinha é uma velhinha
Não sei se os outros pensam assim, mas, quando vejo uma velhinha e procuro imaginar que ela já tenha sido jovem, e tido um namorado, e feito todas as coisas a que o amor obriga, por mais que eu queira, não acredito. Ou, se acredito, não entendo. Porque uma velhinha é uma velhinha, tal qual uma rosa, que é uma rosa. Dá-me uma ideia do ser humano eterno, que sempre houve e não deixará de haver, com sua golinha de rendas, seu chapéu com aplicação de jasmins, seu guarda-chuva, seus sapatos de fivelas. As de Paris passeiam, de manhã, em Auteuil, comprando carne para os gatos, queijos e legumes para si. Passeiam seus cães, à tardinha, no bois e, enquanto dão-lhes folga, discutem, umas com as outras, sobre a última e a próxima guerra. Queixam-se do frio, da bruma constante e, se um sinal de luz aponta para os lados de Versailles, dizem todas, ao mesmo tempo, numa felicíssima esperança: “Il va faire beau!” Adoram o sol. Que engraçado vê-las ao sol! Ficam mexeriqueiras, rigorosas e bisbilhotam a vida de todas as velhinhas ausentes. Voltam à humildade de antes, quando o sol se cobre e a praça esfria outra vez, mandando-as para casa. Passava horas vendo as velhinhas de Paris. Na Ferme d'Auteuil, entre cinco e seis da tarde, tomavam seu chá, lentamente, e era uma delícia ouvi-las conversar. Mas nunca me consenti acreditar que houvessem sido mocinhas, ou que houvessem tirado aquela espécie de farda, um dia sequer, em suas vidas.
Há pouco tempo, em um café de Friburgo, sentou-se uma velhinha para conversar. Precisava de um dinheiro, para caiar a casa e ajudar no casamento de uma neta. Aceitou uma xícara, beliscou de uns doces, e foram tantas as perguntas, que acabou contando sua vida. Tivera um namorado, andara fazendo suas facilidades com ele. Depois, casou com outro. Por fim, morreu-lhe o marido e, na campanha por um novo casamento, dera-se a duas ou três fantasias pouco recomendáveis, em senhoras viúvas. Isso representou para mim um choque muito grande. De repente, as velhinhas de Auteuil deixaram de ser os seres eternos que eu, sabiamente, imaginara. Todas se transformaram, violentamente, em gente igual a mim, que comete dos meus erros e, como eu, de felicidade em felicidade, de abraço em abraço, de ilusão em ilusão, inebriadamente, envelhece...
(MARIA, Antônio. Benditas sejam as moças: as crônicas de Antônio Maria. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.)
Uma velhinha é uma velhinha
Não sei se os outros pensam assim, mas, quando vejo uma velhinha e procuro imaginar que ela já tenha sido jovem, e tido um namorado, e feito todas as coisas a que o amor obriga, por mais que eu queira, não acredito. Ou, se acredito, não entendo. Porque uma velhinha é uma velhinha, tal qual uma rosa, que é uma rosa. Dá-me uma ideia do ser humano eterno, que sempre houve e não deixará de haver, com sua golinha de rendas, seu chapéu com aplicação de jasmins, seu guarda-chuva, seus sapatos de fivelas. As de Paris passeiam, de manhã, em Auteuil, comprando carne para os gatos, queijos e legumes para si. Passeiam seus cães, à tardinha, no bois e, enquanto dão-lhes folga, discutem, umas com as outras, sobre a última e a próxima guerra. Queixam-se do frio, da bruma constante e, se um sinal de luz aponta para os lados de Versailles, dizem todas, ao mesmo tempo, numa felicíssima esperança: “Il va faire beau!” Adoram o sol. Que engraçado vê-las ao sol! Ficam mexeriqueiras, rigorosas e bisbilhotam a vida de todas as velhinhas ausentes. Voltam à humildade de antes, quando o sol se cobre e a praça esfria outra vez, mandando-as para casa. Passava horas vendo as velhinhas de Paris. Na Ferme d'Auteuil, entre cinco e seis da tarde, tomavam seu chá, lentamente, e era uma delícia ouvi-las conversar. Mas nunca me consenti acreditar que houvessem sido mocinhas, ou que houvessem tirado aquela espécie de farda, um dia sequer, em suas vidas.
Há pouco tempo, em um café de Friburgo, sentou-se uma velhinha para conversar. Precisava de um dinheiro, para caiar a casa e ajudar no casamento de uma neta. Aceitou uma xícara, beliscou de uns doces, e foram tantas as perguntas, que acabou contando sua vida. Tivera um namorado, andara fazendo suas facilidades com ele. Depois, casou com outro. Por fim, morreu-lhe o marido e, na campanha por um novo casamento, dera-se a duas ou três fantasias pouco recomendáveis, em senhoras viúvas. Isso representou para mim um choque muito grande. De repente, as velhinhas de Auteuil deixaram de ser os seres eternos que eu, sabiamente, imaginara. Todas se transformaram, violentamente, em gente igual a mim, que comete dos meus erros e, como eu, de felicidade em felicidade, de abraço em abraço, de ilusão em ilusão, inebriadamente, envelhece...
(MARIA, Antônio. Benditas sejam as moças: as crônicas de Antônio Maria. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.)
Com base nas regras de concordância verbal e nominal, julgue os itens a seguir, marcando (V) para verdadeiro e (F) para falso.
(__)O verbo 'mostrar' está flexionado no plural para concordar com 'Estes espíritos sobrenaturais' que representa o sujeito da oração.
(__)O verbo 'chegar' está flexionado para concordar com 'guarda-chuvas', porém, em outros contextos, o uso no plural pode ocorrer por se tratar de um sujeito indeterminado, com em ' Chegaram as chuvas de verão, nos primeiros dias do mês de dezembro'.
(__)O vocábulo 'conhecidas' está concordando adequadamente com a expressão 'figuras', assim como a expressão 'necessária' em 'É necessária muita atenção antes de dizer qualquer coisa'.
(__)O verbo 'aparecer' concorda com o núcleo do sujeito 'espíritos', assim como o verbo 'sobrar' concorda com o núcleo mais próximo em 'Sobrou carne e queijo do churrasco do domingo', estando as duas construções com a concordância adequada.
A sequência que preenche corretamente os itens indicados acima, de cima para baixo, é:
Do lixo ao luxo: catadora que brilhou na literatura chega à Sapucaí
No ano em que o Rio é a Capital Mundial do Livro, honraria que se estende até abril de 2026, a Unidos da Tijuca entra na Passarela do Samba de páginas abertas. A azul e amarela vai levar para a Sapucaí o enredo Carolina Maria de Jesus, uma homenagem à escritora negra mineira (1914-1977) que viveu boa parte da vida em São Paulo, sustentando três filhos como catadora de papel – matéria-prima da obra que a fez conhecida no mundo. Era em sujos cadernos encontrados no lixo que ela narrava o cotidiano da favela e a realidade de fome e preconceito racial que vivia.
https://vejario.abril.com.br/cidade/carolina-maria-de-jesus-catadora-homenagemunidos-da-tijuca/
