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Q3615983 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Somos feitos dessa escrita imperfeita que se renova a cada dia

        Entre um pensamento e outro, os sentimentos se movimentam serenamente... O que sentimos nos preenche, ao ponto de termos que ser seletivos... Viver é ser capaz de não perder de vista o ideal... Traçamos metas e formulamos objetivos: nossos sonhos querem alcançar a realidade... Feliz dia!

        A vida merece ser escrita. Viver é construir uma história de vida. Os registros são muitos e diversificados. Entre altos e baixos, vamos tecendo a nossa teia existencial. É claro que algumas rasuras vão aparecer. O importante é encontrar-se com a superação. Olha só: um caderno cheio de páginas em branco jamais terá o mesmo valor que aquele que já carrega marcas, borrões e correções. Somos feitos dessa escrita imperfeita que se renova a cada dia.
    
        Há momentos em que nos enganamos na escolha das palavras, em que os caminhos se mostram precipitados e em que o arrependimento deixa suas marcas como riscos em uma folha. Mas até mesmo esses sinais de falha são preciosos, porque revelam nossa coragem de tentar. Viver é lidar com o que não deu certo sem deixar que isso roube nossa capacidade de continuar escrevendo.
 
        Entre rasuras e recomeços, vamos descobrindo que não precisamos apagar tudo para começar de novo; basta escolher sublinhar o que ainda é belo, o que ainda nos dá força. O encanto não surge de uma narrativa perfeita, mas da decisão de enxergar beleza mesmo quando a linha não ficou reta, mesmo quando a frase não saiu como planejado. Encantar-se, nesse sentido, é mais do que um estado de espírito: é um exercício de fé.
   
        É a confiança de que, mesmo em meio a páginas manchadas, ainda há espaço para frases luminosas. O lamento pode até fazer parte do texto, mas não deve ocupar o título da história. É preciso coragem para riscar o que não serve mais, desprender-se da dor que insiste em ocupar espaço e dar protagonismo ao que nos faz acreditar de novo. O encanto é essa força discreta que sustenta, que dá cor às páginas e que nos devolve a certeza de que vale a pena continuar.
    
        Se cada dia é uma nova oportunidade de reescrever, também é um convite para amadurecer, para aceitar que a perfeição não existe e que a beleza mora justamente na imperfeição. No fim, não será a quantidade de lamentos que contará, mas os encantos que escolhemos sublinhar ao longo do caminho.

Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado). 
No trecho “um caderno cheio de páginas em branco jamais terá o mesmo valor que aquele que já carrega marcas”, a palavra jamais classifica-se, gramaticalmente, como: 
Alternativas

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Comentário da Questão – Morfologia (Classe Gramatical):

A questão aborda o reconhecimento da classe gramatical da palavra “jamais” no trecho: “um caderno cheio de páginas em branco jamais terá o mesmo valor que aquele que já carrega marcas”.

Tema central: Morfologia – mais especificamente, a classificação das palavras quanto à sua classe gramatical. Em concursos, identificar advérbios, conjunções, pronomes e preposições é uma exigência constante, pois cada classe tem papel específico na construção do sentido do texto.

Justificativa da alternativa correta:

A palavra “jamais” é um advérbio. Segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), advérbios “modificam o sentido dos verbos, adjetivos ou outros advérbios, exprimindo circunstâncias como tempo, negação, lugar, intensidade, modo etc.”. No trecho citado, “jamais” modifica o verbo “terá”, ao indicar que em nenhuma ocasião no futuro o caderno em branco terá o mesmo valor, ou seja, expressa negação temporal absoluta: “nunca terá”.

Análise das alternativas incorretas:

A) Conjunção: Conjunção liga orações/palavras, como “e”, “mas”, “porque”. “Jamais” não une termos, e sim modifica o verbo.
B) Pronome: Pronome substitui ou acompanha substantivo, definindo ou qualificando; “jamais” não possui essa função.
C) Preposição: Preposição liga palavras para atribuir sentido de tempo, lugar, modo etc. (exemplos: “em”, “com”, “para”); “jamais” não estabelece ligação, apenas modifica o sentido verbal.

Estratégia para questões semelhantes:

Ao identificar a classe gramatical, observe o papel da palavra na frase: se modifica verbo, adjetivo ou advérbio — provavelmente é advérbio. Nunca confunda advérbio com conjunção, que é conectiva! Pegadinhas muito comuns tentam iludir com palavras como “também”, “sempre”, “ainda”, que também são advérbios.

Resumo teórico:
Advérbios de negação: “não”, “nunca”, ‘jamais’, “nem”.
Cunha & Cintra confirmam esta classificação (Nova Gramática do Português Contemporâneo).

Gabarito: D) Advérbio.

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Comentários

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D. advérbio

A palavra "jamais" classifica-se, gramaticalmente, como um advérbio de negação.

Ela tem a função de negar ou reforçar a negação da ação verbal, indicando a ideia de "nunca" ou "em tempo algum".

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