Questões de Concurso Sobre morfologia - verbos em português

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Q4427895 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os impactos do racismo na educação infantil


Assisti recentemente a "Nosso Segredo", o longa dirigido e roteirizado por Grace Passô, que estreou em setembro nos cinemas e usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo. Uma das cenas mais tocantes do filme é um diálogo de Sidney (Juan Queiroz) com Tutu (Efraim Santos), um menino de 7 anos. Na conversa, Sidney, que namora a irmã do menino, fala sobre o bullying que sofria na escola e como isso afetou sua autoestima, ao perceber que a criança poderia estar passando por uma situação semelhante. Sem didatismos desnecessários, o bate-papo entre eles expõe de forma sensível e delicada os efeitos dolorosos que o racismo pode ter na construção da identidade de crianças negras.

O longa é um dos pré-selecionados para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. Independentemente do resultado, ele acerta ao abordar na ficção um assunto que precisa ser discutido com urgência na vida real.

Segundo a pesquisa Panorama da Primeira Infância - O Impacto do Racismo, realizada pelo Datafolha e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal no final de 2025, 16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo. Os casos são mais comuns entre as de 4 a 6 anos (21%) do que entre as de 0 a 3 anos (10%), possivelmente porque as menores ainda não reconhecem ou verbalizam a discriminação. A prevalência também é maior em famílias de baixa renda. Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores.

Assim como sugere a ficção, na infância o racismo impacta a saúde física e socioemocional, a autopercepção, a socialização e o acesso a direitos e a oportunidades de aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento integral das crianças.

"Marcadores raciais, como cabelo e cor de pele, atravessam as infâncias negras", diz a pedagoga Lavínia Brasilino de Moraes, em entrevista à coluna.

Mestra em Educação, Lavínia estuda o racismo na infância e sua pesquisa foi uma das vencedoras da última edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).

A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas numa escola de Educação Infantil do Campo, no sul da Bahia, em Ilhéus, mostrou, entre outras coisas, que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar.

"As crianças acabam reproduzindo o racismo no brincar, principalmente segregando bonecas negras que estavam na sala", diz a pedagoga. "Muitas vezes, elas se recusavam até a tocar na boneca. Quando tocavam, era para arremessá-la. Ao criar personagens, a boneca negra também era sempre a má", conta.

Segundo Lavínia Moraes, o racismo interfere de formas diferentes em meninos e meninas negras. Em relação às meninas, o que aparece como mais evidente é a negação do cabelo crespo e cacheado. "As meninas ficavam com o cabelo muito preso. Uma das crianças se referia ao próprio cabelo como um cabelo duro quando solto. Isso é muito impactante porque estamos falando de crianças de 5 anos", lamenta.

Nas interações livres, havia brinquedos como prancha e secador de cabelo e as meninas acabavam reproduzindo no brincar o desejo de ter um cabelo alisado.

Em relação aos meninos, o cabelo também aparece como forte marcador racial. "Eles usavam o cabelo muito curto, quase raspado, numa tentativa de contê-lo", observa, acrescentando que eles não sabiam sequer dizer se o cabelo era crespo, cacheado ou ondulado.

Outro fator que apareceu na pesquisa é a negação em relação ao próprio tom da pele. "O racismo na infância faz com que as crianças neguem a própria tonalidade da pele", diz Lavínia. Ela observou que havia crianças negras se autodeclarando como brancas ou usando outras nomenclaturas como "marrom", "moreno claro" ou "um pouco branca".

A própria pesquisadora, que é negra, foi retratada num desenho por uma das crianças com a pele clara, pintada com lápis salmão. Ao ser questionada pelo erro, a menina retrucou: "Você vai querer mesmo que eu pinte dessa cor? Marrom? Vai ficar feio!".

"O mais gritante para mim é a forma como o racismo afeta a identidade dessas crianças em relação às suas próprias características físicas, aos seus fenótipos, como traços do nariz mais largo, da boca, do tom de pele, do cabelo", afirma a pedagoga.

Dados do Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-Estar na Primeira Infância (IELS, sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados neste ano, mostram que as desigualdades educacionais aparecem antes mesmo do ingresso no ensino fundamental e são fortemente influenciadas por cor/raça e nível socioeconômico.

Os resultados indicam que crianças brancas apresentam, em média, níveis mais elevados em aprendizagem de linguagem e matemática do que crianças pretas e pardas. As desigualdades mais pronunciadas aparecem na comparação entre crianças brancas e pretas: cerca de 17 pontos a menos em linguagem e 40 pontos a menos em matemática. O estudo foi conduzido com crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em três estados: Ceará, Pará e São Paulo.

Em relação às interações das crianças entre elas e com a equipe escolar, um ponto considerado fundamental na educação infantil, a pedagoga observa que as de pele mais escura (preta retinta) tinham comportamento de maior isolamento.

"Na hora de participar, elas eram mais tímidas e caladas, menos expressivas nas brincadeiras", diz, reforçando que isso acaba afetando o desenvolvimento das habilidades nessa etapa da educação básica.

Educar, cuidar e brincar são pilares fundamentais da educação infantil. "Interações e brincadeiras devem orientar a prática pedagógica e os professores precisam estar atentos a elas", diz Lavínia Moraes.

Também é necessário ter acervos e materiais didáticos comprometidos com a diversidade. Isso inclui, segundo a pedagoga, desde livros infantis com representações positivas de crianças negras e brinquedos que contemplem a pluralidade dos corpos, até materiais de colorir com variedade de tons de pele, bonecas e bonecos com traços diversos. "Quando há um trabalho realmente intencional para as questões étnico-raciais, as crianças se transformam", diz.

Embora a Lei n° 10.639/03 não cite explicitamente a obrigatoriedade dessa temática na educação infantil, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, que orientam as práticas para o seu cumprimento, incluem todas as etapas educacionais. Segundo a pedagoga, é urgente a adequação das políticas educacionais.

Isso implica estratégias de efetivação contínua, recursos financeiros para aquisição de materiais que tragam a diversidade para dentro da sala de aula e formação continuada dos professores.

"Existe a lei, mas é preciso que os professores recebam a formação que os qualifique para trabalhar com essa questão e que também haja uma adequação dos currículos. Não adianta ter a lei se o currículo ainda está distante do que ela preconiza", critica a pedagoga.

Em janeiro de 2027, a lei completa 24 anos. Apesar do avanço que representa, infelizmente, não há muito o que comemorar. Depois de tanto tempo, ainda falta o principal: implementá-la na sala de aula, desde a educação infantil.


Texto adaptado de: PERES, Andréia. Os impactos do racismo na educação infantil. Veja, 15 set. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/os-impactos-do-racismona-educacao-infantil/. Acesso em: 24 set. 2026.
"Assisti recentemente a 'Nosso Segredo'..."

"Isso implica estratégias de efetivação contínua, recursos financeiros para aquisição de materiais que tragam a diversidade para dentro da sala de aula e formação continuada dos professores."

Com base na regência dos verbos empregados nos trechos acima, julgue as afirmativas.

I. O verbo 'assistir' está corretamente empregado com a preposição 'a'. Em outros contextos, porém, pode apresentar transitividade direta, sem o emprego de preposição, como em 'O professor assiste o aluno em suas tarefas escolares'.

II. O verbo 'assistir' foi empregado como transitivo indireto, razão pela qual a substituição de seu complemento indireto pelo pronome oblíquo 'lhe' está de acordo com as regras da norma-padrão.
III. O verbo 'implicar' está corretamente empregado sem preposição, pois, nesse contexto, atua como verbo transitivo direto e não rege complemento preposicionado. Entretanto, a construção 'implica em estratégias' também estaria correta.
IV. O verbo 'implicar' foi empregado incorretamente como transitivo direto, pois esse verbo é transitivo indireto. Assim, de acordo com a norma-padrão, a única forma adequada seria 'implica em estratégias'.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições CORRETAS.
Alternativas
Q4427833 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os impactos do racismo na educação infantil


Assisti recentemente a "Nosso Segredo", o longa dirigido e roteirizado por Grace Passô, que estreou em setembro nos cinemas e usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo. Uma das cenas mais tocantes do filme é um diálogo de Sidney (Juan Queiroz) com Tutu (Efraim Santos), um menino de 7 anos. Na conversa, Sidney, que namora a irmã do menino, fala sobre o bullying que sofria na escola e como isso afetou sua autoestima, ao perceber que a criança poderia estar passando por uma situação semelhante. Sem didatismos desnecessários, o bate-papo entre eles expõe de forma sensível e delicada os efeitos dolorosos que o racismo pode ter na construção da identidade de crianças negras.

O longa é um dos pré-selecionados para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. Independentemente do resultado, ele acerta ao abordar na ficção um assunto que precisa ser discutido com urgência na vida real.

Segundo a pesquisa Panorama da Primeira Infância - O Impacto do Racismo, realizada pelo Datafolha e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal no final de 2025, 16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo. Os casos são mais comuns entre as de 4 a 6 anos (21%) do que entre as de 0 a 3 anos (10%), possivelmente porque as menores ainda não reconhecem ou verbalizam a discriminação. A prevalência também é maior em famílias de baixa renda. Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores.

Assim como sugere a ficção, na infância o racismo impacta a saúde física e socioemocional, a autopercepção, a socialização e o acesso a direitos e a oportunidades de aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento integral das crianças.

"Marcadores raciais, como cabelo e cor de pele, atravessam as infâncias negras", diz a pedagoga Lavínia Brasilino de Moraes, em entrevista à coluna.

Mestra em Educação, Lavínia estuda o racismo na infância e sua pesquisa foi uma das vencedoras da última edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).

A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas numa escola de Educação Infantil do Campo, no sul da Bahia, em Ilhéus, mostrou, entre outras coisas, que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar.

"As crianças acabam reproduzindo o racismo no brincar, principalmente segregando bonecas negras que estavam na sala", diz a pedagoga. "Muitas vezes, elas se recusavam até a tocar na boneca. Quando tocavam, era para arremessá-la. Ao criar personagens, a boneca negra também era sempre a má", conta.

Segundo Lavínia Moraes, o racismo interfere de formas diferentes em meninos e meninas negras. Em relação às meninas, o que aparece como mais evidente é a negação do cabelo crespo e cacheado. "As meninas ficavam com o cabelo muito preso. Uma das crianças se referia ao próprio cabelo como um cabelo duro quando solto. Isso é muito impactante porque estamos falando de crianças de 5 anos", lamenta.

Nas interações livres, havia brinquedos como prancha e secador de cabelo e as meninas acabavam reproduzindo no brincar o desejo de ter um cabelo alisado.

Em relação aos meninos, o cabelo também aparece como forte marcador racial. "Eles usavam o cabelo muito curto, quase raspado, numa tentativa de contê-lo", observa, acrescentando que eles não sabiam sequer dizer se o cabelo era crespo, cacheado ou ondulado.

Outro fator que apareceu na pesquisa é a negação em relação ao próprio tom da pele. "O racismo na infância faz com que as crianças neguem a própria tonalidade da pele", diz Lavínia. Ela observou que havia crianças negras se autodeclarando como brancas ou usando outras nomenclaturas como "marrom", "moreno claro" ou "um pouco branca".

A própria pesquisadora, que é negra, foi retratada num desenho por uma das crianças com a pele clara, pintada com lápis salmão. Ao ser questionada pelo erro, a menina retrucou: "Você vai querer mesmo que eu pinte dessa cor? Marrom? Vai ficar feio!".

"O mais gritante para mim é a forma como o racismo afeta a identidade dessas crianças em relação às suas próprias características físicas, aos seus fenótipos, como traços do nariz mais largo, da boca, do tom de pele, do cabelo", afirma a pedagoga.

Dados do Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-Estar na Primeira Infância (IELS, sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados neste ano, mostram que as desigualdades educacionais aparecem antes mesmo do ingresso no ensino fundamental e são fortemente influenciadas por cor/raça e nível socioeconômico.

Os resultados indicam que crianças brancas apresentam, em média, níveis mais elevados em aprendizagem de linguagem e matemática do que crianças pretas e pardas. As desigualdades mais pronunciadas aparecem na comparação entre crianças brancas e pretas: cerca de 17 pontos a menos em linguagem e 40 pontos a menos em matemática. O estudo foi conduzido com crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em três estados: Ceará, Pará e São Paulo.

Em relação às interações das crianças entre elas e com a equipe escolar, um ponto considerado fundamental na educação infantil, a pedagoga observa que as de pele mais escura (preta retinta) tinham comportamento de maior isolamento.

"Na hora de participar, elas eram mais tímidas e caladas, menos expressivas nas brincadeiras", diz, reforçando que isso acaba afetando o desenvolvimento das habilidades nessa etapa da educação básica.

Educar, cuidar e brincar são pilares fundamentais da educação infantil. "Interações e brincadeiras devem orientar a prática pedagógica e os professores precisam estar atentos a elas", diz Lavínia Moraes.

Também é necessário ter acervos e materiais didáticos comprometidos com a diversidade. Isso inclui, segundo a pedagoga, desde livros infantis com representações positivas de crianças negras e brinquedos que contemplem a pluralidade dos corpos, até materiais de colorir com variedade de tons de pele, bonecas e bonecos com traços diversos. "Quando há um trabalho realmente intencional para as questões étnico-raciais, as crianças se transformam", diz.

Embora a Lei n° 10.639/03 não cite explicitamente a obrigatoriedade dessa temática na educação infantil, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, que orientam as práticas para o seu cumprimento, incluem todas as etapas educacionais. Segundo a pedagoga, é urgente a adequação das políticas educacionais.

Isso implica estratégias de efetivação contínua, recursos financeiros para aquisição de materiais que tragam a diversidade para dentro da sala de aula e formação continuada dos professores.

"Existe a lei, mas é preciso que os professores recebam a formação que os qualifique para trabalhar com essa questão e que também haja uma adequação dos currículos. Não adianta ter a lei se o currículo ainda está distante do que ela preconiza", critica a pedagoga.

Em janeiro de 2027, a lei completa 24 anos. Apesar do avanço que representa, infelizmente, não há muito o que comemorar. Depois de tanto tempo, ainda falta o principal: implementá-la na sala de aula, desde a educação infantil.


Texto adaptado de: PERES, Andréia. Os impactos do racismo na educação infantil. Veja, 15 set. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/os-impactos-do-racismona-educacao-infantil/. Acesso em: 24 set. 2026.
"16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo." "Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores."

Com base nas regras de concordância verbal nos trechos acima, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.

(__) Com expressões de porcentagem, a concordância verbal pode variar de acordo com a estrutura do sujeito, sendo possível, nesse contexto, o emprego do verbo no plural, como em '16% dos cuidadores relatam', ou no singular, como em '16% dos cuidadores relata'.
(__) Caso a construção fosse 'Creches com pré-escolas são ambientes', também seria possível empregar o verbo no singular, pois, quando o sujeito é constituído por termos ligados pela preposição 'com', a concordância pode ser feita com o primeiro termo, destacando-o em relação ao elemento que o acompanha, ou no plural, quando se pretende evidenciar a participação conjunta dos dois termos.
(__) Se a construção fosse 'Fomos nós quem relatou que as crianças sofrem racismo', a forma verbal 'relatou' estaria de acordo com a norma-padrão, sendo igualmente possível o emprego de 'relatamos', em concordância com o pronome 'nós'.
(__) Se a construção fosse 'Aparece entre os ambientes mais citados a creche e a pré-escola', a concordância também estaria de acordo com a norma-padrão, pois, como o sujeito composto aparece depois do verbo, este pode permanecer no singular, concordando com o núcleo mais próximo.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo. 
Alternativas
Q4427593 Português
Os impactos do racismo na educação infantil


Assisti recentemente a "Nosso Segredo", o longa dirigido e roteirizado por Grace Passô, que estreou em setembro nos cinemas e usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo. Uma das cenas mais tocantes do filme é um diálogo de Sidney (Juan Queiroz) com Tutu (Efraim Santos), um menino de 7 anos. Na conversa, Sidney, que namora a irmã do menino, fala sobre o bullying que sofria na escola e como isso afetou sua autoestima, ao perceber que a criança poderia estar passando por uma situação semelhante. Sem didatismos desnecessários, o bate-papo entre eles expõe de forma sensível e delicada os efeitos dolorosos que o racismo pode ter na construção da identidade de crianças negras.

O longa é um dos pré-selecionados para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. Independentemente do resultado, ele acerta ao abordar na ficção um assunto que precisa ser discutido com urgência na vida real.

Segundo a pesquisa Panorama da Primeira Infância - O Impacto do Racismo, realizada pelo Datafolha e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal no final de 2025, 16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo. Os casos são mais comuns entre as de 4 a 6 anos (21%) do que entre as de 0 a 3 anos (10%), possivelmente porque as menores ainda não reconhecem ou verbalizam a discriminação. A prevalência também é maior em famílias de baixa renda. Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores.

Assim como sugere a ficção, na infância o racismo impacta a saúde física e socioemocional, a autopercepção, a socialização e o acesso a direitos e a oportunidades de aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento integral das crianças.

"Marcadores raciais, como cabelo e cor de pele, atravessam as infâncias negras", diz a pedagoga Lavínia Brasilino de Moraes, em entrevista à coluna. Mestra em Educação, Lavínia estuda o racismo na infância e sua pesquisa foi uma das vencedoras da última edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).

A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas numa escola de Educação Infantil do Campo, no sul da Bahia, em Ilhéus, mostrou, entre outras coisas, que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar.

"As crianças acabam reproduzindo o racismo no brincar, principalmente segregando bonecas negras que estavam na sala", diz a pedagoga. "Muitas vezes, elas se recusavam até a tocar na boneca. Quando tocavam, era para arremessá-la. Ao criar personagens, a boneca negra também era sempre a má", conta.

Segundo Lavínia Moraes, o racismo interfere de formas diferentes em meninos e meninas negras. Em relação às meninas, o que aparece como mais evidente é a negação do cabelo crespo e cacheado. "As meninas ficavam com o cabelo muito preso. Uma das crianças se referia ao próprio cabelo como um cabelo duro quando solto. Isso é muito impactante porque estamos falando de crianças de 5 anos", lamenta.

Nas interações livres, havia brinquedos como prancha e secador de cabelo e as meninas acabavam reproduzindo no brincar o desejo de ter um cabelo alisado.

Em relação aos meninos, o cabelo também aparece como forte marcador racial. "Eles usavam o cabelo muito curto, quase raspado, numa tentativa de contê-lo", observa, acrescentando que eles não sabiam sequer dizer se o cabelo era crespo, cacheado ou ondulado.

Outro fator que apareceu na pesquisa é a negação em relação ao próprio tom da pele. "O racismo na infância faz com que as crianças neguem a própria tonalidade da pele", diz Lavínia. Ela observou que havia crianças negras se autodeclarando como brancas ou usando outras nomenclaturas como "marrom", "moreno claro" ou "um pouco branca".

A própria pesquisadora, que é negra, foi retratada num desenho por uma das crianças com a pele clara, pintada com lápis salmão. Ao ser questionada pelo erro, a menina retrucou: "Você vai querer mesmo que eu pinte dessa cor? Marrom? Vai ficar feio!".

"O mais gritante para mim é a forma como o racismo afeta a identidade dessas crianças em relação às suas próprias características físicas, aos seus fenótipos, como traços do nariz mais largo, da boca, do tom de pele, do cabelo", afirma a pedagoga.

Dados do Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-Estar na Primeira Infância (IELS, sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados neste ano, mostram que as desigualdades educacionais aparecem antes mesmo do ingresso no ensino fundamental e são fortemente influenciadas por cor/raça e nível socioeconômico.

Os resultados indicam que crianças brancas apresentam, em média, níveis mais elevados em aprendizagem de linguagem e matemática do que crianças pretas e pardas. As desigualdades mais pronunciadas aparecem na comparação entre crianças brancas e pretas: cerca de 17 pontos a menos em linguagem e 40 pontos a menos em matemática. O estudo foi conduzido com crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em três estados: Ceará, Pará e São Paulo.

Em relação às interações das crianças entre elas e com a equipe escolar, um ponto considerado fundamental na educação infantil, a pedagoga observa que as de pele mais escura (preta retinta) tinham comportamento de maior isolamento.

"Na hora de participar, elas eram mais tímidas e caladas, menos expressivas nas brincadeiras", diz, reforçando que isso acaba afetando o desenvolvimento das habilidades nessa etapa da educação básica.

Educar, cuidar e brincar são pilares fundamentais da educação infantil. "Interações e brincadeiras devem orientar a prática pedagógica e os professores precisam estar atentos a elas", diz Lavínia Moraes.

Também é necessário ter acervos e materiais didáticos comprometidos com a diversidade. Isso inclui, segundo a pedagoga, desde livros infantis com representações positivas de crianças negras e brinquedos que contemplem a pluralidade dos corpos, até materiais de colorir com variedade de tons de pele, bonecas e bonecos com traços diversos. "Quando há um trabalho realmente intencional para as questões étnico-raciais, as crianças se transformam", diz.

Embora a Lei n° 10.639/03 não cite explicitamente a obrigatoriedade dessa temática na educação infantil, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, que orientam as práticas para o seu cumprimento, incluem todas as etapas educacionais. Segundo a pedagoga, é urgente a adequação das políticas educacionais.

Isso implica estratégias de efetivação contínua, recursos financeiros para aquisição de materiais que tragam a diversidade para dentro da sala de aula e formação continuada dos professores.

"Existe a lei, mas é preciso que os professores recebam a formação que os qualifique para trabalhar com essa questão e que também haja uma adequação dos currículos. Não adianta ter a lei se o currículo ainda está distante do que ela preconiza", critica a pedagoga.

Em janeiro de 2027, a lei completa 24 anos. Apesar do avanço que representa, infelizmente, não há muito o que comemorar. Depois de tanto tempo, ainda falta o principal: implementá-la na sala de aula, desde a educação infantil.


Texto adaptado de: PERES, Andréia. Os impactos do racismo na educação infantil. Veja, 15 set. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/os-impactos-do-racismona-educacao-infantil/. Acesso em: 24 set. 2026. 
"16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo."
"Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores."

Com base nas regras de concordância verbal nos trechos acima, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.

(__) Com expressões de porcentagem, a concordância verbal pode variar de acordo com a estrutura do sujeito, sendo possível, nesse contexto, o emprego do verbo no plural, como em '16% dos cuidadores relatam', ou no singular, como em '16% dos cuidadores relata'.
(__) Caso a construção fosse 'Creches com pré-escolas são ambientes', também seria possível empregar o verbo no singular, pois, quando o sujeito é constituído por termos ligados pela preposição 'com', a concordância pode ser feita com o primeiro termo, destacando-o em relação ao elemento que o acompanha, ou no plural, quando se pretende evidenciar a participação conjunta dos dois termos.
(__) Se a construção fosse 'Fomos nós quem relatou que as crianças sofrem racismo', a forma verbal 'relatou' estaria de acordo com a norma-padrão, sendo igualmente possível o emprego de 'relatamos', em concordância com o pronome 'nós'.
(__) Se a construção fosse 'Aparece entre os ambientes mais citados a creche e a pré-escola', a concordância também estaria de acordo com a norma-padrão, pois, como o sujeito composto aparece depois do verbo, este pode permanecer no singular, concordando com o núcleo mais próximo.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
Alternativas
Q4427386 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas


Veny Santos 


    Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso. 


    Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta. 


    Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas. 


    Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office. 


    O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber. 


    Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas. 


    A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível? 


    Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória. 


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.

No quarto parágrafo, a maioria dos verbos estão flexionados no 
Alternativas
Q4427096 Português
De acordo com as regras de concordância verbal da norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna da frase a seguir:

- Todos os dias, os funcionários da limpeza __________ os corredores antes do início do expediente.
Alternativas
Q4426577 Português
A palavra ensurdecida:
Alternativas
Q4426572 Português
Assinale a alternativa que apresenta sujeito desinencial.
Alternativas
Q4426520 Português

K ENTRE NÓS


     Gesiel, desculpe te escrever assim, uma carta aberta, no meio do jornal. Sei que talvez cause algum transtorno: comentários de vizinhos, brincadeiras de colegas, parentes ligando, atravancando sua quarta-feira, mas não se preocupe, alguém já disse que “a crônica produz a notoriedade e garante o esquecimento”: hoje, somos famosos, amanhã, estaremos Vasconcellos Prata. Não nos conhecemos. Meu nome é Antônio de Góes. O seu é Gesiel Mariano de Barros – pelo menos, é o que está escrito na correspondência bancária que recebo aqui em casa, todo mês. É estranho, pois moro em Cotia e você, segundo sugerem os envelopes, em Duque de Caxias. Mais estranho ainda é que aí em Duque de Caxias haja uma rua com o mesmo nome da minha, uma casa com o mesmo número, num bairro quase homônimo: Residencial Par, o seu, Residencial Park, o meu – mas, se o correio não repara nem que vivemos em cidades diferentes, imagina se vai notar esse minúsculo K, perdido na vastidão do Brasil?


     Pois eu reparo, todo mês. Pego a correspondência, vejo seu nome no envelope, penso “ih, carta pro Gesiel, de novo...” e digo a mim mesmo: de hoje não passa! Vou ligar pro banco, avisar do equívoco, resolver a situação – mas sou um fraco, Gesiel. Quantas vezes não digo que vou começar uma natação, um romance, abrir uma previdência privada? Pobres de minhas artérias, de minha produção, de minha velhice. Pobre de você, cujas cartas vão parar na fruteira da sala, uma fruteira que nunca viu mangas ou carambolas e vive abarrotada de folhetos de dedetizadoras, cardápios de pizzarias, clipes, tampas de Bic e dois anos de seus – suponho, pois nunca abri – extratos bancários.


     Dois anos que sofro um pouquinho, toda noite, antes de dormir, pensando em você aí, no Residencial Par, em Duque de Caxias, brigando com o banco, pelo telefone. “O mais importante e bonito do mundo”, contudo, como disse um amigo, outro dia, citando Guimarães Rosa, “é que as pessoas ainda não foram terminadas. (...) Afinam ou desafinam”. Pois, semana passada, resolvi afinarme um pouquinho. Tive um desses surtos civilizatórios: arrumei gavetas, mandei fazer barra nas calças, chamei o homem pra ver a infiltração do banheiro, peguei suas cartas na fruteira e, finalmente, liguei para o banco.


     Sabe o que me disseram? Que para regularizar a situação, só com o seu CPF. “Moça, como eu vou ter o CPF do Gesiel?! Eu não conheço o Gesiel! Vocês conhecem! Ele tem conta aí: Gesiel Mariano de Barros, é só conferir!”. Ela resmungou, disse que ia ver o que dava para fazer, mas pelo jeito, não viu: ontem chegou mais uma de suas cartas, só me restando, portanto, escrever esta crônica e torcer para que, antes de forrar obra ou cobrir defunto, ela passe por você.


     Vamos torcer. Ah, e se por acaso estiverem chegando aí cartas para um certo Antônio, favor mandar para seu mesmo endereço, só que em Cotia e colocando um K depois do Par. Sem pressa: não sei como está sua situação bancária, mas com este que vos escreve, pelo menos, você tem 24 meses de crédito. Abraço, Gesiel, e boa Páscoa.


Antônio Prata, Folha de São Paulo Online, 27/03/2013.

“Dois anos que sofro um pouquinho, toda noite, antes de dormir, pensando em você aí”.



O período antecedente pode ser reescrito, em norma-padrão da língua portuguesa, conforme a alternativa:

Alternativas
Q4425912 Português
Assinale a alternativa em que a forma verbal destacada está conjugada no pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
Alternativas
Q4425824 Português
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa em que a concordância verbal está correta: 
Alternativas
Q4423224 Português

A questão refere-se ao texto abaixo.


A nova corrida da IA é pela propriedade das ideias


    A inteligência artificial não inventou a cópia. Apenas entregou a ela velocidade, escala e um botão escrito “gerar”. Em poucos segundos, qualquer empresa consegue produzir textos, imagens, nomes, embalagens e campanhas parecidas com as dos concorrentes. Criar ficou mais fácil. Provar quem criou, quem é o dono e quem pode explorar comercialmente cada ativo ficou muito mais importante.


    É nesse cenário que a propriedade intelectual deixa de ser uma preocupação restrita ao departamento jurídico. Ela passa a ocupar o centro da estratégia das empresas. Não se trata apenas de registrar uma marca ou arquivar um contrato. Trata-se de proteger a identidade, a reputação e o valor construído ao longo dos anos.


    Durante muitos anos, as empresas enxergaram a marca como um nome acompanhado de um logotipo. Essa definição ficou pequena. Hoje, uma marca é formada por produtos, serviços, ambientes, experiências, embalagens, conteúdos, softwares e pela maneira como o consumidor reconhece uma empresa no mercado.


    Uliana Dalla Costa, especialista em propriedade intelectual e diretora jurídica da SIGN ALL Marcas, explica que as empresas começaram a organizar portfólios mais amplos de proteção. Já não basta registrar o nome principal e considerar o trabalho encerrado. É necessário mapear todo o universo criado ao redor da marca.


    Um exemplo citado por Uliana é a Ralph Lauren. Tradicionalmente associada ao vestuário, a empresa expandiu sua presença para cafeterias e grandes torneios de tênis. O Ralph’s Coffee não vende apenas café. Ele transforma o estilo da marca em ambiente, atendimento, embalagem e experiência.


    Essa expansão aumenta os pontos de contato com o consumidor, mas também abre novas frentes de risco. Cada produto, serviço ou espaço pode exigir uma proteção própria. Nomes, desenhos, fotografias, sistemas, conteúdos e contratos precisam acompanhar o crescimento do negócio.


    ... empresa que amplia seu território comercial sem organizar a propriedade intelectual pode construir valor sobre uma base frágil. Uliana compara ... situação ... construção de uma casa em um terreno cuja propriedade não está garantida. ... obra pode ser bonita e cara. Ainda assim, quem construiu corre o risco de não poder permanecer nela.


    Não são raras as empresas que passam anos investindo em publicidade, embalagens, redes sociais e relacionamento com clientes. Depois, descobrem que não podem registrar a marca, que existe um titular anterior ou que parte da identidade visual não lhes pertence. O problema costuma aparecer justamente quando o negócio começa a ganhar escala.


    O risco também está nas criações encomendadas. Muitas empresas contratam um logotipo, uma fotografia, um site ou um software e acreditam que o pagamento transfere automaticamente todos os direitos. Sem contratos claros de cessão ou licenciamento, a titularidade pode continuar com o criador.


    O comprovante de pagamento mostra que um serviço foi contratado. Não esclarece, sozinho, onde a criação pode ser utilizada, por quanto tempo, em quais canais e com quais limitações. Essa diferença parece detalhe até surgir uma venda da empresa, uma expansão comercial ou uma disputa judicial.


    A inteligência artificial acrescentou outro problema. Funcionários passaram a inserir contratos, apresentações, planilhas, estratégias, códigos e dados de clientes em ferramentas digitais. Muitas empresas ainda não sabem quais informações estão sendo compartilhadas, com quais plataformas e sob quais condições.


    Proibir a tecnologia não parece uma solução realista. A IA pode reduzir tarefas repetitivas, acelerar análises e ampliar a produtividade. Isso não significa, porém, que qualquer informação possa ser entregue a qualquer sistema. Eficiência sem controle é apenas uma maneira mais rápida de criar um problema.


    A recomendação de Uliana é estabelecer políticas claras de uso. As empresas precisam definir quais ferramentas são autorizadas, quais dados podem ser inseridos e quais documentos devem permanecer fora desses ambientes. Versões corporativas das ferramentas também oferecem mais recursos de controle e gestão.


    O mesmo cuidado vale para artistas, jornalistas, fotógrafos, designers e produtores de conteúdo. Uma das grandes discussões da era da IA envolve o treinamento de modelos com obras disponíveis na internet. Não existe uma ferramenta capaz de impedir totalmente a captura, a reprodução ou a adaptação do que foi publicado.


    A defesa possível começa pela documentação. Arquivos originais, versões preliminares, datas de publicação, contratos, briefings e metadados ajudam a demonstrar autoria e anterioridade. Registros e mecanismos de certificação também fortalecem a posição de quem precisa reagir a um uso não autorizado.


    Guardar versões e formalizar contratos pode parecer excesso de cuidado. Na prática, é uma forma de preservar valor. Quando criações humanas convivem com conteúdos produzidos por máquinas, demonstrar como, quando e por quem algo foi feito passa a integrar a própria identidade da obra.


    O trabalho dos especialistas também mudou. Já não basta verificar se existe uma marca idêntica registrada. É necessário analisar semelhanças visuais, fonéticas, conceituais e comerciais. Também é preciso acompanhar redes sociais, domínios, lojas digitais e plataformas nas quais uma identidade pode ser copiada ou adaptada.


    Os contratos passaram a discutir treinamento de modelos, uso de conteúdos por sistemas de IA, titularidade dos resultados e participação humana no processo criativo. A tecnologia não reduziu a importância dessas perguntas. Apenas aumentou o preço de ignorá-las.


    Existe uma ironia nessa transformação. Quanto mais fácil se torna produzir algo visualmente convincente, mais difícil fica construir uma identidade realmente reconhecível. Uma ferramenta pode gerar centenas de nomes ou campanhas. Poucas empresas conseguem transformar isso em reputação, confiança e memória.


    Na era da inteligência artificial, conteúdo deixou de ser escasso. Autenticidade, exclusividade e confiança, não. Empresas que ainda tratam propriedade intelectual como papelada estão olhando para o problema pelo retrovisor.


    A nova corrida da IA não será vencida apenas por quem produzir mais ou mais rápido. Será vencida por quem souber criar, documentar e proteger aquilo que torna sua marca diferente. Quem não fizer isso poderá descobrir, tarde demais, que trabalhou durante anos para aumentar o patrimônio do concorrente.


Texto adaptado.

Assinale a alternativa cujo verbo pertence à terceira conjugação.
Alternativas
Q4423223 Português

A questão refere-se ao texto abaixo.


A nova corrida da IA é pela propriedade das ideias


    A inteligência artificial não inventou a cópia. Apenas entregou a ela velocidade, escala e um botão escrito “gerar”. Em poucos segundos, qualquer empresa consegue produzir textos, imagens, nomes, embalagens e campanhas parecidas com as dos concorrentes. Criar ficou mais fácil. Provar quem criou, quem é o dono e quem pode explorar comercialmente cada ativo ficou muito mais importante.


    É nesse cenário que a propriedade intelectual deixa de ser uma preocupação restrita ao departamento jurídico. Ela passa a ocupar o centro da estratégia das empresas. Não se trata apenas de registrar uma marca ou arquivar um contrato. Trata-se de proteger a identidade, a reputação e o valor construído ao longo dos anos.


    Durante muitos anos, as empresas enxergaram a marca como um nome acompanhado de um logotipo. Essa definição ficou pequena. Hoje, uma marca é formada por produtos, serviços, ambientes, experiências, embalagens, conteúdos, softwares e pela maneira como o consumidor reconhece uma empresa no mercado.


    Uliana Dalla Costa, especialista em propriedade intelectual e diretora jurídica da SIGN ALL Marcas, explica que as empresas começaram a organizar portfólios mais amplos de proteção. Já não basta registrar o nome principal e considerar o trabalho encerrado. É necessário mapear todo o universo criado ao redor da marca.


    Um exemplo citado por Uliana é a Ralph Lauren. Tradicionalmente associada ao vestuário, a empresa expandiu sua presença para cafeterias e grandes torneios de tênis. O Ralph’s Coffee não vende apenas café. Ele transforma o estilo da marca em ambiente, atendimento, embalagem e experiência.


    Essa expansão aumenta os pontos de contato com o consumidor, mas também abre novas frentes de risco. Cada produto, serviço ou espaço pode exigir uma proteção própria. Nomes, desenhos, fotografias, sistemas, conteúdos e contratos precisam acompanhar o crescimento do negócio.


    ... empresa que amplia seu território comercial sem organizar a propriedade intelectual pode construir valor sobre uma base frágil. Uliana compara ... situação ... construção de uma casa em um terreno cuja propriedade não está garantida. ... obra pode ser bonita e cara. Ainda assim, quem construiu corre o risco de não poder permanecer nela.


    Não são raras as empresas que passam anos investindo em publicidade, embalagens, redes sociais e relacionamento com clientes. Depois, descobrem que não podem registrar a marca, que existe um titular anterior ou que parte da identidade visual não lhes pertence. O problema costuma aparecer justamente quando o negócio começa a ganhar escala.


    O risco também está nas criações encomendadas. Muitas empresas contratam um logotipo, uma fotografia, um site ou um software e acreditam que o pagamento transfere automaticamente todos os direitos. Sem contratos claros de cessão ou licenciamento, a titularidade pode continuar com o criador.


    O comprovante de pagamento mostra que um serviço foi contratado. Não esclarece, sozinho, onde a criação pode ser utilizada, por quanto tempo, em quais canais e com quais limitações. Essa diferença parece detalhe até surgir uma venda da empresa, uma expansão comercial ou uma disputa judicial.


    A inteligência artificial acrescentou outro problema. Funcionários passaram a inserir contratos, apresentações, planilhas, estratégias, códigos e dados de clientes em ferramentas digitais. Muitas empresas ainda não sabem quais informações estão sendo compartilhadas, com quais plataformas e sob quais condições.


    Proibir a tecnologia não parece uma solução realista. A IA pode reduzir tarefas repetitivas, acelerar análises e ampliar a produtividade. Isso não significa, porém, que qualquer informação possa ser entregue a qualquer sistema. Eficiência sem controle é apenas uma maneira mais rápida de criar um problema.


    A recomendação de Uliana é estabelecer políticas claras de uso. As empresas precisam definir quais ferramentas são autorizadas, quais dados podem ser inseridos e quais documentos devem permanecer fora desses ambientes. Versões corporativas das ferramentas também oferecem mais recursos de controle e gestão.


    O mesmo cuidado vale para artistas, jornalistas, fotógrafos, designers e produtores de conteúdo. Uma das grandes discussões da era da IA envolve o treinamento de modelos com obras disponíveis na internet. Não existe uma ferramenta capaz de impedir totalmente a captura, a reprodução ou a adaptação do que foi publicado.


    A defesa possível começa pela documentação. Arquivos originais, versões preliminares, datas de publicação, contratos, briefings e metadados ajudam a demonstrar autoria e anterioridade. Registros e mecanismos de certificação também fortalecem a posição de quem precisa reagir a um uso não autorizado.


    Guardar versões e formalizar contratos pode parecer excesso de cuidado. Na prática, é uma forma de preservar valor. Quando criações humanas convivem com conteúdos produzidos por máquinas, demonstrar como, quando e por quem algo foi feito passa a integrar a própria identidade da obra.


    O trabalho dos especialistas também mudou. Já não basta verificar se existe uma marca idêntica registrada. É necessário analisar semelhanças visuais, fonéticas, conceituais e comerciais. Também é preciso acompanhar redes sociais, domínios, lojas digitais e plataformas nas quais uma identidade pode ser copiada ou adaptada.


    Os contratos passaram a discutir treinamento de modelos, uso de conteúdos por sistemas de IA, titularidade dos resultados e participação humana no processo criativo. A tecnologia não reduziu a importância dessas perguntas. Apenas aumentou o preço de ignorá-las.


    Existe uma ironia nessa transformação. Quanto mais fácil se torna produzir algo visualmente convincente, mais difícil fica construir uma identidade realmente reconhecível. Uma ferramenta pode gerar centenas de nomes ou campanhas. Poucas empresas conseguem transformar isso em reputação, confiança e memória.


    Na era da inteligência artificial, conteúdo deixou de ser escasso. Autenticidade, exclusividade e confiança, não. Empresas que ainda tratam propriedade intelectual como papelada estão olhando para o problema pelo retrovisor.


    A nova corrida da IA não será vencida apenas por quem produzir mais ou mais rápido. Será vencida por quem souber criar, documentar e proteger aquilo que torna sua marca diferente. Quem não fizer isso poderá descobrir, tarde demais, que trabalhou durante anos para aumentar o patrimônio do concorrente.


Texto adaptado.

Observe o trecho extraído do texto:



“A inteligência artificial não inventou a cópia."



Agora, assinale a alternativa que apresenta a transposição correta dessa frase para a voz passiva analítica.

Alternativas
Q4422333 Português
Leia o período a seguir. Durante a reunião, os responsáveis pelo projeto apresentaram aos moradores as mudanças que seriam realizadas no bairro e informaram que ainda faltavam recursos para a conclusão de algumas obras.

Considerando a estrutura sintática do período e as relações de concordância e regência nele estabelecidas, analise as afirmativas.

I. O termo “os responsáveis pelo projeto” exerce a função de sujeito das formas verbais “apresentaram” e “informaram”.
II. Em “apresentaram aos moradores as mudanças”, o verbo apresentar relaciona-se, no contexto, com dois complementos: “aos moradores” e “as mudanças”.
III. Em “faltavam recursos”, a forma verbal está no plural porque concorda com “recursos”, termo que exerce a função de sujeito.
IV. No segmento “para a conclusão de algumas obras”, a expressão “de algumas obras” exerce a função de objeto indireto da forma verbal “faltavam”.

Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4422332 Português
Leia as frases.

I. Os técnicos consideraram clara a orientação apresentada pela equipe.
II. A clara explicação reduziu as dúvidas dos participantes.
III. A coordenadora explicou novamente o procedimento aos candidatos.
IV. A coordenadora havia explicado o procedimento antes do início da atividade.

Considerando as classes de palavras e o emprego das formas verbais destacadas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4422091 Português
Leia o texto para responder a questão a seguir.


A armadilha das cotas identitárias


   A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) acaba de criar um sistema de cotas para ingresso de pessoas que se autodeclaram trans, travestis ou não binárias em seus cursos de graduação. [...]

   Ainda segundo a Unicamp, poderão ingressar na graduação por meio dessa “política de ação afirmativa” os alunos das redes pública e privada que prestarem o Exame Nacional do Ensino Médio e apresentarem um “relato de vida”,[...]. O que isso significa e segundo quais critérios um dado “relato de vida” haverá de preponderar sobre os demais, só os doutos membros das comissões avaliadoras da Unicamp hão de saber – o que autoriza a suspeita de que a seleção não está imune, ora vejam, ao arbítrio e ao preconceito.

   Por mais problemática que seja, a vagueza de critérios ainda é o erro mais banal de um sistema de cotas que já nasce eivado de vícios. Para começar, trata-se de uma inequívoca violação do princípio republicano elementar, consagrado no caput do artigo 5.º da Constituição: a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. O respeito aos direitos e a atenção aos interesses de minorias se impõem para qualquer sociedade civilizada. Mas isso não significa, por óbvio, sacrificar a ordem constitucional vigente no altar das boas intenções.

   Ninguém sensato, minimamente cioso da realidade do país em que vive, haverá de negar que a população LGBTQIA+ tem direitos de toda ordem violados em um país tão desigual como o Brasil. As adversidades enfrentadas por pessoas trans, travestis e não binárias, em particular, têm impactos diretos em sua integridade física e emocional. Decerto também contribuem para que esses brasileiros tenham, em geral, menos acesso a empregos qualificados que lhes permitam auferir uma renda capaz de custear uma formação educacional mais sólida.

   Dito isso, se é no campo das reparações sociais que estamos transitando, por que fixar um sistema de cotas para ingresso no ensino superior para pessoas trans, travestis ou não binárias e não para mães adolescentes e solteiras, para citar apenas um exemplo de grupo vulnerável presente em todo este vastíssimo país? E daí em diante. O céu é o limite para os que se arvoram em reparadores sociais, no cenário mais benevolente, ou justiceiros morais, no pior.

   Como a própria Unicamp reconhece, no Brasil não se tem a exata dimensão da população composta por trans, travestis e não binários. Portanto, a criação de cotas para esse segmento é, ao fim e ao cabo, uma decisão arbitrária que privilegia um determinado grupo em detrimento de tantos outros.

   [..]

   Por fim, essa discussão seria absolutamente ociosa se o Brasil tratasse como prioridade inegociável o desenvolvimento da educação básica para todos. Mas, enquanto isso não passar de um desejo, o sistema de cotas seguirá necessário por tempo indeterminado e, consequentemente, dará azo a cada vez mais distorções, além de estimular discursos extremistas que interditam o debate racional e honesto sobre essa ou qualquer outra questão de interesse público.


https://www.estadao.com.br (adaptado). Acesso em 04 jan. 2026. 
Dentre os trechos a seguir, identifique aquele em que a forma verbal no futuro indica um fato hipotético.
Alternativas
Q4422083 Português
Leia o texto para responder a questão a seguir.


A armadilha das cotas identitárias


   A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) acaba de criar um sistema de cotas para ingresso de pessoas que se autodeclaram trans, travestis ou não binárias em seus cursos de graduação. [...]

   Ainda segundo a Unicamp, poderão ingressar na graduação por meio dessa “política de ação afirmativa” os alunos das redes pública e privada que prestarem o Exame Nacional do Ensino Médio e apresentarem um “relato de vida”,[...]. O que isso significa e segundo quais critérios um dado “relato de vida” haverá de preponderar sobre os demais, só os doutos membros das comissões avaliadoras da Unicamp hão de saber – o que autoriza a suspeita de que a seleção não está imune, ora vejam, ao arbítrio e ao preconceito.

   Por mais problemática que seja, a vagueza de critérios ainda é o erro mais banal de um sistema de cotas que já nasce eivado de vícios. Para começar, trata-se de uma inequívoca violação do princípio republicano elementar, consagrado no caput do artigo 5.º da Constituição: a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. O respeito aos direitos e a atenção aos interesses de minorias se impõem para qualquer sociedade civilizada. Mas isso não significa, por óbvio, sacrificar a ordem constitucional vigente no altar das boas intenções.

   Ninguém sensato, minimamente cioso da realidade do país em que vive, haverá de negar que a população LGBTQIA+ tem direitos de toda ordem violados em um país tão desigual como o Brasil. As adversidades enfrentadas por pessoas trans, travestis e não binárias, em particular, têm impactos diretos em sua integridade física e emocional. Decerto também contribuem para que esses brasileiros tenham, em geral, menos acesso a empregos qualificados que lhes permitam auferir uma renda capaz de custear uma formação educacional mais sólida.

   Dito isso, se é no campo das reparações sociais que estamos transitando, por que fixar um sistema de cotas para ingresso no ensino superior para pessoas trans, travestis ou não binárias e não para mães adolescentes e solteiras, para citar apenas um exemplo de grupo vulnerável presente em todo este vastíssimo país? E daí em diante. O céu é o limite para os que se arvoram em reparadores sociais, no cenário mais benevolente, ou justiceiros morais, no pior.

   Como a própria Unicamp reconhece, no Brasil não se tem a exata dimensão da população composta por trans, travestis e não binários. Portanto, a criação de cotas para esse segmento é, ao fim e ao cabo, uma decisão arbitrária que privilegia um determinado grupo em detrimento de tantos outros.

   [..]

   Por fim, essa discussão seria absolutamente ociosa se o Brasil tratasse como prioridade inegociável o desenvolvimento da educação básica para todos. Mas, enquanto isso não passar de um desejo, o sistema de cotas seguirá necessário por tempo indeterminado e, consequentemente, dará azo a cada vez mais distorções, além de estimular discursos extremistas que interditam o debate racional e honesto sobre essa ou qualquer outra questão de interesse público.


https://www.estadao.com.br (adaptado). Acesso em 04 jan. 2026. 
“As adversidades enfrentadas por pessoas trans, travestis e não binárias, em particular, têm impactos diretos em sua integridade física e emocional.”

Nesse período, a forma verbal está no plural, estabelecendo concordância com
Alternativas
Q4421787 Português

Leia o trecho que segue.



Ao entrar na sala, Marcelo encontrou os colegas em silêncio.


— O resultado já saiu? — perguntou.


A coordenadora respondeu:


— Ainda não. A comissão está concluindo a análise. Mais tarde, ao contar o episódio a uma colega, Marcelo disse que perguntara se o resultado já havia saído e que a coordenadora respondera que a comissão ainda estava concluindo a análise.



Considerando as transformações linguísticas envolvidas na passagem do discurso direto para o indireto, assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q4421785 Português

Leia o período a seguir.



A direção informou que ainda existem pendências relacionadas às normas a que os novos procedimentos devem obedecer e que será necessária a revisão dos documentos encaminhados pelos setores responsáveis.



Considerando as relações de concordância e regência prescritas pela norma-padrão, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q4421783 Português

Leia o período a seguir.



Embora os resultados iniciais parecessem satisfatórios, a coordenadora solicitou que a equipe mantivesse os registros disponíveis até que a análise final fosse concluída.



Considerando o emprego das formas verbais destacadas e as relações sintático-semânticas estabelecidas no período, assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q4420543 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Leitura entre adolescentes atinge pior níve! deste século

    Adolescentes mais acostumados a smartphones do que a Shakespeare estão apresentando os piores índices de leitura já registrados neste século, o que está levando a um declínio mais amplo na educação, segundo avaliação global de alunos. O teste da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizado com 760 miljovens de 15 anos em 91 países, mostrou que as notas em leitura, matemática e ciências atingiram seus níveis mais baixos desde que os dados começaram a ser coletados, em 2000.
    Em média, os alunos apresentavam um nível de leitura que, no passado, era esperado de estudantes um ano mais novos, de acordo com a última edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) da OCDE. A pontuação máxima de 501 em leitura, registrada em 2012 no índice do Pisa, caiu para 466 em 2025. O teste é considerado o principal indicador mundial de desempenho educacional, e seus resultados são analisados minuciosamente por governos e educadores. Prejudicadas pela queda nos padrões de leitura, as habilidades médias dos adolescentes em ciências e matemática também atingiram seu nível mais baixo neste século. A pontuação em ciências caiu de 506 - o pico registrado em 2009 - para 486, enquanto a de matemática caiu de 502 para 469 no mesmo período.
    O Leste Asiático foi a região com melhor desempenho. As cidades chinesas que participaram do teste, além do Japão, da Coreia, de Singapura e de Taiwan, apresentaram os melhores sistemas educacionais, sendo o Reino Unido e a Estônia os únicos países fora da região que figuraram entre os dez primeiros em leitura, matemática e ciências.
    O relatorio não chegou a endossar a proibição de smartphones nas escolas. No entanto, afirmou que a distração digital está associada a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados, e mais de um em cada quatro alunos afirmam que os dispositivos distraem os pares nas aulas de ciências. A OCDE informou que os alunos relataram passar, em média, 3,4 horas por dia útil em dispositivos digitais para lazer nos países-membros da OCDE e mais três horas por dia útil na sala de aula e em casa para fins de aprendizagem.
    O estudo também constatou que quase metade dos alunos usa chatbots de inteligência artificial regularmente para aprender, mas aqueles que os utilizam para redigir redações, resumir textos e pesquisar temas geralmente obtêm notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências, o que equivale a um ano de aprendizado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.brlinternacional/noticia/2026- 09/l eitu ra-entre-adolescentes-ati ng e-pi or- nivel -d este-secu lo (adaptado)
Em relação às regras de concordância verbal com expressões numéricas e partitivas presentes no texto, julgue as afirmativas abaixo como Verdadeiras (V) ou Falsas (F):
( ) No trecho ...mais de um em cada quatro alunos afirmam..., o verbo pode figurar no plural para concordar com o numeral quatro ou com a ideia do grupo.
( ) Em ...quase metade dos alunos usa chatbots..., a concordância no singular é obrigatoria, sendo incorreto o uso de usam.
( ) Na frase adaptada do texto, 760 mit jovens (...) realizaram o teste, a forma verbal concorda obrigatoriamente no plural com o sujeito numérico.
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima?
Alternativas
Respostas
21: C
22: B
23: C
24: A
25: D
26: E
27: A
28: A
29: E
30: E
31: E
32: B
33: C
34: B
35: D
36: D
37: B
38: B
39: B
40: A