Questões de Concurso Sobre morfologia - verbos em português

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Q3588837 Português
Caso de canário

        Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:

        – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.

        – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?

        – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.

        O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:

        – Vai, meu bem.

        Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.

        – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.

        Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.

        E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.

        Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.

        – Ui!

        Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?

        – Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.

(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Elenco de cronistas modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)
As seguintes frases transcritas do texto apresentam o mesmo tempo verbal, EXCETO: 
Alternativas
Q3586960 Português
Banhos de mar


   Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda.

   Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes do sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente inaudito em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda, ainda na escuridão?

   De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum.

   Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito feliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.

   O mar de Olinda era muito perigoso. Davam-se alguns passos em um fundo raso e de repente caía-se num fundo de dois metros, calculo.

   Outras pessoas também acreditavam em tomar banho de mar quando o sol nascia. Havia um salva-vidas que, por uma ninharia de dinheiro, levava as senhoras para o banho: abria os dois braços, e as senhoras agarravam-se a eles para lutar contra as ondas fortíssimas do mar.

   O cheiro do mar me invadia e me embriagava. As algas boiavam. Oh, bem sei que não estou transmitindo o que significavam como vida pura esses banhos em jejum, com o sol se levantando pálido ainda no horizonte. Bem sei que estou tão emocionada que não consigo escrever. O mar de Olinda era muito iodado e salgado. E eu fazia o que no futuro sempre iria fazer: com as mãos em concha, eu as mergulhava nas águas e trazia um pouco de mar até minha boca: eu bebia diariamente o mar, de tal modo queria me unir a ele.

   Não demorávamos muito. O sol já se levantara todo, e meu pai tinha que trabalhar cedo. Mudávamos de roupa nas cabinas, e a roupa ficava impregnada de sal. Meus cabelos salgados me colavam na cabeça.

   Então esperávamos, ao vento, a vinda do bonde para Recife. No bonde a brisa ia secando meus cabelos duros de sal.

   A quem devo pedir que na minha vida se repita a felicidade? Como sentir com a frescura da inocência o sol vermelho se levantar? Nunca mais?

   Nunca mais. Nunca.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Editora Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1984.)
Considerando que os verbos destacados nas transcrições textuais se encontram no modo indicativo, assinale a associação INCORRETA.
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Q3585866 Português

Analise os verbos destacados quanto à concordância verbal:


I.Eu sou a pessoa que escreve as legendas.

II.Eu sou a pessoa que escrevo as legendas.

III.Nossos filhos são iguais a nós, que não gostam de filmes violentos.

IV.Nossos filhos são iguais a nós, que não gostamos de filmes violentos.


É correta a concordância verbal em:

Alternativas
Q3584841 Português
Texto CG1A1

No momento em que realizamos uma leitura, ativamos circuitos cerebrais que nós, seres humanos, levamos milhares de anos para desenvolver: os da leitura. Decodificar letras, símbolos e significados transformou o nosso cérebro e nossa sociedade, e criou algo que não existia quando a nossa espécie surgiu.

De acordo com Maryanne Wolf, cientista cognitiva, professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, “Nós pensamos na linguagem como algo natural, e deduzimos que o domínio da língua escrita é algo natural também. Mas não é, nem um pouco.” Ela completa: “E, quanto mais você lê, mais esse sistema molda o cérebro, de modo cumulativo. Dá a ele todo um conhecimento, toda uma construção de processos que eu chamo de habilidade de leitura profunda.”

Wolf, no entanto, adverte que a habilidade de leitura profunda está sob risco, por causa dos hábitos digitais modernos, como o de apenas “passar os olhos” em textos online. A pesquisadora explica que um cérebro neurotípico já nasce com os circuitos que permitem que nossos olhos enxerguem e que as nossas cordas vocais produzam os sons da fala. Mas ele não nasce com um circuito projetado para a leitura.

O processo provavelmente começou por volta do ano 3300 a.C., com o povo sumério, na Mesopotâmia, onde hoje fica o Iraque. Os sumérios criaram o sistema cuneiforme, de cunhar símbolos em argila — embora existam debates entre alguns cientistas de que os precursores da escrita possam ter sido os egípcios, com seus hieróglifos.

De qualquer modo, decifrar símbolos passou a exigir mais do cérebro do que apenas enxergar. Era preciso associar aquele símbolo a algum objeto, conceito ou emoção, e também a algum som. Wolf explica: “Os símbolos de escrita começaram a surgir mais ou menos 6 mil anos atrás. E exigiram uma mudança no cérebro, em que um símbolo visual passou a representar um conceito e ser expressado por linguagem.” Ela acrescenta, ainda, que os cientistas acreditam que os nossos ancestrais “reciclaram” para a leitura circuitos antes usados para o reconhecimento de objetos.

Em 1989, um grupo de pesquisadores acompanhou a atividade cerebral de pessoas enquanto elas olhavam uma série de caracteres — alguns deles com significado e outros aleatórios, que não significavam nada em particular. E, quando as pessoas olhavam para os caracteres que tinham significado real — ou seja, eram uma palavra de um idioma —, ativavam-se áreas muito mais amplas da visão e também células específicas que a nossa espécie desenvolveu para processar o sentido de letras, palavras e sons. Uma única palavra é capaz de despertar no cérebro todo um acervo de conceitos relacionados. Como exemplo, Wolf cita um experimento feito anos atrás pelo cientista cognitivo David Swinney. Os participantes do estudo, quando liam a palavra inglesa bug, pensavam não só no significado básico do termo — inseto —, como também em “bugs de informática” e até mesmo no carro Fusca (que em inglês se chama beetle, nome de um inseto).

Internet:<www.bbc.com>  (com adaptações).  

Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CG1A1 e ao vocabulário nele empregado.  


Estaria mantida a coerência das ideias do texto caso a forma verbal ‘reciclaram’ (último período do quinto parágrafo) fosse substituída pela locução tenham reciclado

Alternativas
Q3583928 Português

Analise os verbos destacados quanto à concordância verbal: 


I.Eu sou a pessoa que escreve as legendas.


II.Eu sou a pessoa que escrevo as legendas.


III.Nossos filhos são iguais a nós, que não gostam de filmes violentos.


IV.Nossos filhos são iguais a nós, que não gostamos de filmes violentos.



É correta a concordância verbal em:

Alternativas
Q3580921 Português
Uma espécie vulnerável e costeira

Além do número ainda reduzido, a baleia-franca é uma espécie costeira. Durante o período reprodutivo, permanece muito próxima do litoral, o que a torna especialmente vulnerável às atividades humanas, como construções costeiras, tráfego de embarcações e poluição. Isso significa que qualquer impacto ambiental negativo na faixa costeira pode comprometer diretamente a recuperação da espécie.

Em razão dessa fragilidade, a baleia-franca está classificada como "Em Perigo (EN)" na Lista Vermelha da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicada pelo ICMBio e pelo MMA. No cenário global, é considerada "em recuperação" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). No Brasil, é a única espécie de baleia que se reproduz em nossa costa e que ainda se mantém em categoria oficial de ameaça.

Dentro dos limites da APA existem ambientes sensíveis que influenciam diretamente o mar aonde as baleias vivem. A manutenção da APA é, portanto, fundamental para preservar a integridade desse ecossistema e garantir que a recuperação populacional da baleia-franca continue.


(Disponível em: https://baleiafranca.org.br/importancia-apa-baleia-franca/. Acesso em 21 jul. 2025. Adaptado.)
Analise as assertivas que seguem:

I.Em "que ainda se mantém em categoria oficial de ameaça", o verbo manter-se foi corretamente conjugado, uma vez que se refere à "única espécie de baleia" e deve estar no singular.
II.Em "Dentro dos limites da APA existem ", o verbo existir pode ser substituído por "haver", mantendo o sentido. Nesse caso, a construção adequada é: Dentro dos limites da APA há".
III.Em "aonde as baleias vivem", o uso de "aonde" está incorreto, uma vez que o pronome se refere a mar e não a um verbo de movimento. O adequado seria "onde as baleias vivem".

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3580524 Português
Leia o texto que segue e complete as lacunas observando a concordância verbal:
"'Para baixo, todo santo ___________', diz a expressão conhecida. Mas, na hora do sufoco, só alguns santos __________ salvar quem está desesperado, como _________ a crendice popular".
(Disponível em: https://www.uol.com.br/universa/horoscopo/noticias/redacao/2025/07/1 4/sao-longuinho-santa-clara-e-mais-quais-os-santos-convocados-nas-u rgencias.htm. Acesso em 17 jul. 2025. Adaptado.)

Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente as lacunas do texto:
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Q3578910 Português
E esse milhinho assado? Tem sem ser transgênico?


Entre riscos à saúde e à biodiversidade, pequenos agricultores resistem ao domínio do milho modificado com o cultivo de sementes crioulas e práticas agroecológicas.

Dente de Burro, Sabugo Fino, Sol da Manhã, Batité, Landrês, Cateto, Cateto Kiriri, Eldorado, Branco de Angola, Catingueiro, Branco do Egito, Pontinha, Jaboatão e Roxo Peruano. Você já ouviu esses nomes antes? São alguns nomes de milhos orgânicos, de diferentes cores, preservados e produzidos por organizações brasileiras hoje.

Cada um deles é fruto de um processo que envolve agroecologia, mudança de manejo, agricultura familiar e resistência produtiva. Uma pesquisa identificou, aliás, 29 tipos diferentes de milho cultivados no Brasil e no Uruguai, todos cultivados justamente por pequenos agricultores.

A pergunta que fica é: porque estamos comendo apenas milho amarelo e transgênico ao invés de diversos outros tipos de milhos — roxo, vermelho, branco, preto, azul e rajado —, e agroecológicos ? Antes de mais nada é importante entender como e porque o milho amarelo se tornou o queridinho. As justificativas são muitas: é cultivado em abundância desde o período da escravatura nos Estados Unidos, tem alto teor de amido, serve também como alimento para animais, fabricação de xarope, combustível, óleo etc. É ainda fácil de manipular geneticamente, o que muitos adjetivam como melhorias: essas são algumas das justificativas encontradas neste artigo da Embrapa, para o sucesso do milho amarelo. Mas a maior delas é a produtividade. É pela produtividade que deixamos para trás milénios de evolução, sabores diferentes, distintas regiões de plantio e épocas do ano para colheita.

A boa notícia é: tem gente fazendo diferente.

Do outro lado dessa moeda estão , por exemplo, as sementes agroecológicas produzidas pelo Movimento Camponês Popular (MCP) no Brasil, em especial em Pernambuco e Sergipe e da CoopBorborema, na Paraíba. As duas organizações têm como foco espalhar as sementes e o manejo agroecológico para pequenos produtores dos estados. "Que os camponeses tenham capacidade para produzir alimento para alimentar a nação", diz Sandreildo Santos, dirigente do MCP Pernambuco.


(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/06/e-esse-milhinho-assado-tem-sem-s er-transgenico/. Acesso em 22 jul. 2025. Adaptado.)
No excerto que segue, analise o tempo e o modo do verbo destacado:
"Que os camponeses tenham capacidade para produzir alimento para alimentar a nação".
Assinale a alternativa em que o tempo e o modo verbais são o mesmo do verbo em destaque no excerto:
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Q3578655 Português
Alguns verbos são usados de forma ampla, em lugar de outros verbos, de sentido mais específico.

Assinale a frase abaixo em que o verbo TER foi corretamente substituído por outro de sentido mais preciso.
Alternativas
Q3577764 Português

Analise os verbos destacados quanto à concordância verbal:


I.Eu sou a pessoa que escreve as legendas.

II.Eu sou a pessoa que escrevo as legendas.

III.Nossos filhos são iguais a nós, que não gostam de filmes violentos.

IV.Nossos filhos são iguais a nós, que não gostamos de filmes violentos.


É correta a concordância verbal em:

Alternativas
Q3577276 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


A voz sem microfone


    Semana passada, animais de toda sorte, desde o cavalo à tartaruga, passando pelo esquilo, foram abençoados por um frade, em praça pública de Ipanema. Não sei o que eles acharam da benção. O ponto de vista dos animais não é necessariamente o nosso, por muito que eles façam para entender-nos. Mas a benção foi dada com a melhor das intenções, e a tartaruga não terá motivo para reclamar contra essa efusão espiritual sobre sua carapaça.

    O que não quer dizer que os bichos não tenham opinião. Tanto a têm que editam um jornalzinho, ou encarregam gente de editá-lo por eles. Chama-se precisamente A Voz dos Animais e já vai pelo sexto número. Em cinco anos, saiu à rua seis vezes. Não se pode dizer que os animais abusem do direito de manifestar-se.

    Tenho à mão o número 6 e parece-me ouvir, de fato, a voz do animal através da modesta textura do papel de mimeógrafo. Porque o jornal é mimeografado. As finanças da organização não dão para mais. De qualquer modo, a voz, as vozes múltiplas e não raro pungentes dos chamados bichos, os signos linguísticos específicos de várias espécies irrompem do jornalzinho pobre e vêm cutucar-nos o ouvido pouco afeito a linguagens não dicionarizadas.

    Precisamos falar, precisamos ser escutados – diz o vozeio humilde, e aqui é um gato a protestar contra a estúpida corrida de gatos, ali é o cavalo pingando sangue depois do rodeio em que o obrigam a derrubar o cavaleiro, esporeando-o nas partes mais sensíveis. 

    O animal como ator compulsório de um espetáculo de sadismo com fins comerciais – eis uma das misérias da sociedade de entretenimento ou de consumo de crueldade. Ainda nos comprazemos em fazer sofrer, e tiramos disso um lucro em moeda corrente, que mais uma vez a pequenina, débil e mimeografada voz dos animais denuncia nos limites do melhor dos nossos órgãos de imprensa.


(Carlos Drummond de Andrade. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/18017/a-voz-sem-microfone)
Em “Não se pode dizer que os animais abusem do direito de manifestar-se” (2° parágrafo), o verbo destacado está conjugado no mesmo tempo e modo que aquele destacado em:
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Q3577121 Português
Assinale a frase que mostra a forma de gerúndio corretamente empregada.
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Q3576254 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


O céu pode esperar


    Certa manhã acordei com uma rádio de Belo Horizonte noticiando que Humberto Werneck havia morrido. Para quem, como eu, chama-se Humberto Werneck, não há pior maneira de começar o dia. 

    Nem um minuto se passou e em nossa casa começaram a desabar dezenas de telefonemas, de amigos e parentes consternados com o meu falecimento. Não me ocorreu saborear aquelas manifestações póstumas de estima e consideração. Estava ressabiadíssimo.

    Pelo meio-dia, já mais à vontade, veio-me a ideia macabra de comparecer a meu próprio velório. Só não fui porque minha mãe me alertou para as imprevisíveis consequências de encontrar, à beira do caixão, alguém que ali chegasse para me velar.

    Durante anos, de fato, volta e meia topei com pessoas que me julgavam morto − um conhecido deixou cair uma garrafa de cerveja ao me ver entrar, vivinho, na Lanchonete Nacional. Mas não foi desse susto, felizmente, que meu amigo veio a morrer, pouco tempo mais tarde.

    Quanto a mim, acabei tropeçando um dia com o que poderia ser o meu túmulo, enquanto procurava o de meus avós no cemitério Bonfim. Não há como descrever a sensação de ler, numa lápide negra, o nosso nome e as datas de nascimento e morte.

    Fui à Administração e exumei a ficha: o inquilino da sepultura era um segundo-sargento da Polícia Militar mineira.

    Fosse apenas o sargento − mas não: tempos depois, me morre outro Humberto Werneck, no Rio de Janeiro. Nunca mais me livrei da impressão de que, já tendo morrido dois, a bola da vez, agora, sou eu.


(Humberto Werneck, “O céu pode esperar”, O espalhador de passarinhos, 2010. Adaptado)
No trecho “... Humberto Werneck havia morrido.” (1° parágrafo), a expressão destacada pode ser substituída, sem prejuízo do sentido original, por:
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Q3574401 Português
Texto I:


Girl Power: estudantes do campus Ribeirão das Neves criam app para segurança de mulheres e vencem etapa regional de desafio global. 


      Aplicativo "Caminho Seguro" é voltado para segurança de mulheres e garante destaque na etapa regional do Technovation Girls 2025.


    Quatro estudantes do Campus Ribeirão das Neves conquistaram o primeiro lugar na etapa regional do Technovation Girls 2025, uma das maiores competições mundiais de tecnologia e empreendedorismo voltada para meninas. Com o projeto do aplicativo "Caminho Seguro", a equipe batizada de Golden Girls garantiu a classificação para a semifinal internacional do desafio.


As estudantes Carla Jhenifer Morais Vieira, Ellen Rodrigues da Silva, Emily Vitória Melo Batista de Castro e Laís Cristina da Silva, todas do segundo ano do curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio, desenvolveram uma solução tecnológica voltada à segurança de mulheres em seus deslocamentos diários. 


O aplicativo mapeia rotas seguras com base em dados oficiais de órgãos de segurança pública e informações colaborativas fornecidas pelas próprias usuárias. Por meio da plataforma, é possível registrar alertas e compartilhar percepções sobre os trajetos. 


“A partir de uma necessidade real de segurança, criamos o Caminho Seguro para ajudar as usuárias a escolherem rotas mais protegidas”, explica Ellen Rodrigues. A estudante destaca que o projeto foi aprimorado com base na experiência da equipe na edição anterior da competição, em 2024.


Moradora de Ribeirão das Neves, Carla Jhenifer reforça a importância social da iniciativa. “A ideia veio de coisas que a gente vê e ouve o tempo todo: relatos de medo e casos trágicos. O aplicativo nasceu da vontade de transformar essa realidade e usar a tecnologia para ajudar de verdade”, afirma. 


A etapa de pitch regional da competição foi realizada no campus Florestal da Universidade Federal de Viçosa, em parceria com o projeto MinasCoders.


Além das medalhas e premiações, a equipe Golden Girls garantiu mentorias com especialistas em inovação e empreendedorismo, incluindo um encontro com representantes da GoldStreet Venture Capital, uma aceleradora de negócios.


Disponível em: https://www.ifmg.edu.br/portal/noticias/giro_campi/girlpower-estudantes-do-campus-ribeirao-das-neves-vencemetapa-regional-de-desafio-global-de-tecnologia. Acesso em 11 jul. 2025. 



Texto II:

Q2_6.png (326×257)


Disponível em: https://blogdoaftm.com.br/chargeviolencia-contra-a-mulher-2/. Acesso em 11 jul. 2025.
Quanto ao texto II, está correta a seguinte afirmação: 
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Q3574357 Português
Considere a seguinte frase: Os estudiosos de literatura portuguesa _____________ os poemas de Fernando Pessoa com atenção detalhada. Considerando os aspectos relacionados à flexão verbal, assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna com o verbo analisar no pretérito perfeito do indicativo. 
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Q3573012 Português

Texto 3


VEJA O MANUAL PRÁTICO DE VIRAR 'MÃE DA SUA MÃE'


Martha Medeiros





Disponível em https://oglobo.globo.com/ela/marthamedeiros/coluna/2025/04/veja-o-manual-pratico-de-virar-mae-dasua-mae.ghtml.Acesso em: 07 maio 2025. Fragmento adaptado.

No enunciado “Vamos rindo enquanto dá para rir,...” (linhas 37-38), a locução verbal “vamos rindo” indica ação
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Q3567581 Português

Observe a seguinte frase: “No princípio, os homens creram nos postulados religiosos e teológicos.”.


Se reescrevermos esse período passando a forma verbal para o futuro do pretérito, obteremos a sentença: 

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Q3566930 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.



Texto 1



Um conhecido navio escravagista, o norte-americano Camargo, foi um dos últimos a trazer ilegalmente africanos escravizados para o Brasil. Após 170 anos de seu naufrágio, o Camargo está sendo buscado a partir de um projeto de pesquisa que envolve arqueólogos, historiadores e quilombolas.

Em dezembro de 1852, a correspondência do ministro dos Negócios da Justiça do então Império do Brasil revelava que o brigue Camargo havia afundado em Angra dos Reis (RJ). Desde 1850, o tráfico havia sido, mais uma vez, proibido no Brasil, mas, no litoral sul fluminense, os senhores do negócio e de escravizados continuaram tentando burlar a lei.

Segundo autoridades do governo imperial, Camargo era comandado pelo norte-americano Nathaniel Gordon e conseguiu trazer aproximadamente 500 africanos escravizados vindos de Quelimane e Moçambique. Os africanos escravizados teriam desembarcado próximo à foz do rio Bracuí, na fazenda Santa Rita, em frente às águas de Angra dos Reis, suficientemente distantes do Rio de Janeiro para as atividades ilegais e estrategicamente próximas das plantações de café do vale do Paraíba paulista e fluminense.

Para fugir das autoridades brasileiras, Gordon teria incendiado o navio escravagista e a tripulação, quase totalmente estrangeira (dois norte-americanos, um espanhol e outro inglês), teria procurado fugir, chegando ao porto de Santos ou de Paranaguá.




Disponível em: <https://cienciahoje.org.br/artigo/um-navio-escravagista-emangra-dos-reis/>. Acesso em: 6 jun. 2025. [Adaptado].

A indicação do tempo futuro do pretérito composto do modo indicativo, nas formas verbais “teria incendiado” e “teria procurado” (último parágrafo), revela que, para o enunciador, existe
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Q3565585 Português

Leia Texto 2 para responder à questão.



Texto 2


    A ausência de saneamento básico no Brasil, para quase metade da população, é uma vergonha. Estamos em 2025 e piores que muitas nações no início do século 20. Isso não é uma questão partidária, é questão de Estado. 

    João Aris Kouyoumdjian, São José do Rio Preto (SP).



Comentário de um leitor à notícia “Obras de coleta de esgoto da COP30 alcançam apenas 3% da população de Belém”. Comentário de um leitor à notícia “Obras de coleta de esgoto da COP30 alcançam apenas 3% da população de Belém”. Disponível em:<https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/obras-de-coleta-de-esgotoda-cop30-alcancam-apenas-3-da-populacao-de-belem.shtml>. Acesso em: 14 jun. 2025.

Descreve-se o item verbal “é” – quanto à forma no infinitivo, à pessoa, ao tempo e ao modo – da seguinte maneira:
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Q3565166 Português

Descobertas em uma flanada pela maior festa literária do Brasil


Por Gilberto Porcidonio







(Disponível em: www.piaui.folha.uol.com.br/valter-hugo-mae-inventou-o-paratynder/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Sobre o trecho “decidi que serei todos os artistas negros que acharem que eu sou” (l. 16-17) e considerando o uso verbal no restante do texto, analise as assertivas abaixo:

I. O verbo “decidi” encontra-se no pretérito imperfeito do indicativo, exprimindo ação concluída no momento da enunciação.

II. O verbo “serei” está no futuro do presente do indicativo e expressa uma projeção de ação futura em relação ao momento de fala.

III. O verbo “acharem” está no futuro do subjuntivo, indicando ação hipotética ou condicionada a outro evento.


Quais estão corretas? 
Alternativas
Respostas
2181: A
2182: C
2183: B
2184: C
2185: A
2186: D
2187: D
2188: D
2189: D
2190: C
2191: A
2192: C
2193: A
2194: D
2195: D
2196: E
2197: C
2198: C
2199: D
2200: D