Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - verbos em português
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“Acostuma-te à lama que te espera!”
Assinale a alternativa que apresenta a classificação CORRETA do verbo sublinhado:
Leia o texto a seguir e responda à questão.
TEXTO III
Como ensinar
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.
Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
Rubem Alves, no livro “Ostra feliz não faz pérola”. Editora Planeta,
2008.
Leia o trecho:
“Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, ouviríamos juntos as melodias mais gostosas, e eu contaria sobre os instrumentos que fazem a música.”
A forma verbal destacada apresenta irregularidade na sua conjunção. Assinale a alternativa em que os verbos também são irregulares:
A Gravata Do Vovô
Muitos vovôs usam gravatas, mas elas são compridonas. Gravata é uma coisa de pano que fica em cima da camisa dos homens. Alguns, outros não.
O vovô usa uma borboleta, mas ele chama de gravata. Como ele sabe tudo muito certo, a gente também chama de gravata.
Mas não é.
É outra coisa. São muitas borboletas, de todas as cores, algumas até com muitas cores, que ele diz serem “estampadas”. Ele tem uma gaveta cheia delas.
“Estampada” eu não sei o que é. Mas ele sabe tudo de tudo, e mais ainda das palavras.
O vovô mora na casa dele, mas ele também mora um pouco em outros lugares, quando viaja.
Ele diz que tem um lugar que existe em todos os outros. É o “Mundo das Palavras”. E ele viaja pra lá sempre que quer.
Eu acho que é longe, então precisa ir voando.
E acho que quem leva o vovô lá pra esse Mundo são as borboletas dele, todas elas, de uma vez, porque elas são pequenas e ele é um adulto.
GALDINO, Elza. Disponível em: https://www.facebook.com/ share/1AppnYpHLS/. Acesso em: 08/08/2025
1.Assim, aquela substância que tinha cerca de 70% ou 80% de água vai secando e secando.
2.Há uma grande quantidade de açúcar ali, e claro que os micro-organismos adorariam se aproveitar dele. De acordo com as regras de concordância da norma culta, analise as afirmativas a seguir:
I.Em 1, a forma verbal 'vai' está no singular para concordar com água, mas pode ser flexionada no plural para concordar com a expressão de porcentagem.
II.Em 2, a substituição do verbo 'haver' por 'existir' exigirá a flexão verbal no plural 'existem'.
III.Em 2, a forma verbal 'adorariam' está flexionada no plural, pois concorda com o sujeito simples no plural.
IV.Em 2, o pronome 'dele' encontra-se no singular, pois substitui o substantivo 'açúcar', que igualmente está no singular.
É correto o que se afirma em:
Considerando as regras de concordância verbal e nominal da gramática normativa, julgue as afirmativas:
I.A forma verbal 'deixarem' está corretamente flexionada no plural para estabelecer concordância com o núcleo 'consumidores', que também está no plural.
II.A forma verbal 'disseram' está flexionada no plural corretamente, concordando com o termo preposicionado que especifica a referência numérica.
III.A forma verbal 'disseram' também pode concordar com a expressão numérica '86%', no singular em 'disse'.
IV.A forma verbal 'tenha' está concordando adequadamente com a expressão numérica '22%, o que justifica a forma singular.
V.A forma verbal 'tenha' não está com a concordância adequada, a forma correta seria 'tenham'.
É correto o que se afirma em:
Uma velhinha é uma velhinha
Não sei se os outros pensam assim, mas, quando vejo uma velhinha e procuro imaginar que ela já tenha sido jovem, e tido um namorado, e feito todas as coisas a que o amor obriga, por mais que eu queira, não acredito. Ou, se acredito, não entendo. Porque uma velhinha é uma velhinha, tal qual uma rosa, que é uma rosa. Dá-me uma ideia do ser humano eterno, que sempre houve e não deixará de haver, com sua golinha de rendas, seu chapéu com aplicação de jasmins, seu guarda-chuva, seus sapatos de fivelas. As de Paris passeiam, de manhã, em Auteuil, comprando carne para os gatos, queijos e legumes para si. Passeiam seus cães, à tardinha, no bois e, enquanto dão-lhes folga, discutem, umas com as outras, sobre a última e a próxima guerra. Queixam-se do frio, da bruma constante e, se um sinal de luz aponta para os lados de Versailles, dizem todas, ao mesmo tempo, numa felicíssima esperança: “Il va faire beau!” Adoram o sol. Que engraçado vê-las ao sol! Ficam mexeriqueiras, rigorosas e bisbilhotam a vida de todas as velhinhas ausentes. Voltam à humildade de antes, quando o sol se cobre e a praça esfria outra vez, mandando-as para casa. Passava horas vendo as velhinhas de Paris. Na Ferme d'Auteuil, entre cinco e seis da tarde, tomavam seu chá, lentamente, e era uma delícia ouvi-las conversar. Mas nunca me consenti acreditar que houvessem sido mocinhas, ou que houvessem tirado aquela espécie de farda, um dia sequer, em suas vidas.
Há pouco tempo, em um café de Friburgo, sentou-se uma velhinha para conversar. Precisava de um dinheiro, para caiar a casa e ajudar no casamento de uma neta. Aceitou uma xícara, beliscou de uns doces, e foram tantas as perguntas, que acabou contando sua vida. Tivera um namorado, andara fazendo suas facilidades com ele. Depois, casou com outro. Por fim, morreu-lhe o marido e, na campanha por um novo casamento, dera-se a duas ou três fantasias pouco recomendáveis, em senhoras viúvas. Isso representou para mim um choque muito grande. De repente, as velhinhas de Auteuil deixaram de ser os seres eternos que eu, sabiamente, imaginara. Todas se transformaram, violentamente, em gente igual a mim, que comete dos meus erros e, como eu, de felicidade em felicidade, de abraço em abraço, de ilusão em ilusão, inebriadamente, envelhece...
(MARIA, Antônio. Benditas sejam as moças: as crônicas de Antônio Maria. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.)
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
“[...] tudo gira em torno da associação, é como se fosse a prefeitura da comunidade.”
Com verbos impessoais, como o verbo 'haver', a forma verbal deve ser mantida na terceira pessoa do singular. Com base nisso, analise os enunciados a seguir e identifique aquele em que o verbo no singular está INCORRETO.
Analise a concordância dos verbos no trecho acima e marque a alternativa correta.