O tempo verbal predominante na crônica de Fernando Sabino é ...
Gabarito comentado
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Tema central da questão: Interpretação de texto com foco no efeito do tempo verbal (presente do indicativo) em narrativas.
Justificativa da alternativa correta (B):
A alternativa B está correta porque destaca o envolvimento e a proximidade do leitor com a narrativa e com os pensamentos do autor. Na crônica, Fernando Sabino usa quase sempre o presente do indicativo para descrever fatos que já ocorreram, mas como se estivessem acontecendo agora. Esse uso é chamado de presente histórico, conferindo imediatismo e vivacidade à ação. O leitor sente que está acompanhando tudo “ao vivo”, compartilhando as incertezas, reflexões e observações do cronista.
Segundo Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Celso Cunha & Lindley Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”), esse uso do tempo presente “faz com que fatos passados pareçam estar ocorrendo no momento da fala”, permitindo ao leitor partilhar da experiência descrita.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta, pois supõe momento decorrido e finalizado, o que seria característico do pretérito perfeito. O presente histórico não carrega essa ideia de conclusão.
C) Também está errada: embora o presente do indicativo possa indicar ações habituais, no texto ele descreve acontecimentos pontuais e únicos, vividos pelo narrador naquele momento, e não hábitos, rotinas ou repetições.
D) Falsa porque trata do modo subjuntivo, usado para hipóteses e incertezas (ex: "se eu viesse"), o que não ocorre nesta crônica.
Estratégia para questões semelhantes:
Ao analisar questões sobre tempos verbais em narrativas, observe as palavras-chave que indicam quando o fato ocorre, e pense qual efeito o autor deseja causar: distanciamento (passado), habitualidade (presente genérico), ou vivacidade/imersão (presente histórico).
Resumo da regra: O presente histórico aproxima o leitor da cena narrada, estimulando o envolvimento.
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O uso predominante do presente do indicativo em uma crônica, como as de Fernando Sabino, atribui ao texto a característica descrita na opção B.
B) O leitor é guiado pelo autor; envolve-se com os pensamentos e dificuldades dele e, ainda, participa da cena descrita por ele.
Por que a opção B está correta:
- Imersão e proximidade: O presente do indicativo cria uma sensação de proximidade e urgência, como se a cena estivesse acontecendo no momento em que o leitor a lê. Isso faz com que o leitor se sinta parte da cena, compartilhando as emoções e reflexões do cronista.
- Intimidade com o narrador: O leitor é conduzido através dos pensamentos e divagações do narrador, acompanhando o fluxo de consciência em tempo real, o que estabelece uma relação mais íntima e envolvente.
- Presente histórico: Embora a crônica possa relatar fatos que já aconteceram (o chamado "presente histórico"), a escolha do presente do indicativo tem o efeito de reviver esses acontecimentos, como se estivessem ocorrendo diante dos olhos do leitor.
Por que as outras opções estão incorretas:
- A) A crônica, mais próxima de textos literários, ocorreu em um momento decorrido, com um ponto final estabelecido. O uso do presente do indicativo justamente tira essa sensação de "momento decorrido". O presente faz com que o passado seja revivido, trazendo a ação para o agora.
- C) A narrativa descreve ações habituais, contínuas, repetidas e longínquas; são situações que estavam ocorrendo quando algo aconteceu. O presente do indicativo pode expressar ações habituais, mas o efeito predominante em uma crônica literária não é descrever algo longínquo. Pelo contrário, a intenção é criar uma proximidade com o leitor. Além disso, a crônica de Sabino em questão ("A Última Crônica") foca em um momento específico, e não em uma ação repetida.
- D) O leitor compreende que a narrativa revela uma história hipotética, outrora condicionada; pode expressar também uma vultosa incerteza. Esta opção descreve o efeito do futuro do pretérito ou do modo subjuntivo, que expressam incerteza e ações condicionadas, e não o presente do indicativo, que transmite certeza e realidade.
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