Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

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Q2697032 Português

Leia o texto para responder às questões de números 01 a 09.


O combate ao Aedes sob a ótica dos determinantes sociais da saúde


Mobilizar a população para combater os focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti é fundamental para evitar possíveis epidemias de dengue, zika e chikungunya. Essa ação, no entanto, pode ser potencializada se estiver integrada a outras políticas, isto é, integrada às condições sociais em que as pessoas vivem e trabalham, aí incluídos fatores econômicos, ambientais e culturais, entre outros.

Pesa muito a questão do planejamento urbano. Uma cidade que evolui de forma planejada é capaz de oferecer serviços e garantir direitos a sua população com mais facilidade e qualidade, não apenas na saúde, mas também em outras áreas.

Além disso, o desequilíbrio ambiental e as consequentes mudanças climáticas são outros macrofatores relacionados a possíveis epidemias de dengue. O aumento de temperatura e a maior ocorrência de fenômenos climáticos, como chuvas fortes, formam um cenário ideal para a proliferação do mosquito. Por isso, a educação ambiental, assim como a educação, em sentido amplo, geram estratégias para a realização de ações intersetoriais. Importante frisar também que a mobilização da população e o incentivo a mudanças de comportamento representam oportunidades para trabalhar valores de solidariedade e fortalecer os laços comunitários.

(www.multirio.rio.rj.gov.br, acessado em 06.09.2019. Adaptado)

A alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas da frase, quanto ao emprego do pronome e da conjunção - Centros urbanos ___________ o planejamento é precário estão sujeitos à proliferação de epidemias, ___________ o poder público for negligente.– é:

Alternativas
Q2697030 Português

Leia o texto para responder às questões de números 01 a 09.


O combate ao Aedes sob a ótica dos determinantes sociais da saúde


Mobilizar a população para combater os focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti é fundamental para evitar possíveis epidemias de dengue, zika e chikungunya. Essa ação, no entanto, pode ser potencializada se estiver integrada a outras políticas, isto é, integrada às condições sociais em que as pessoas vivem e trabalham, aí incluídos fatores econômicos, ambientais e culturais, entre outros.

Pesa muito a questão do planejamento urbano. Uma cidade que evolui de forma planejada é capaz de oferecer serviços e garantir direitos a sua população com mais facilidade e qualidade, não apenas na saúde, mas também em outras áreas.

Além disso, o desequilíbrio ambiental e as consequentes mudanças climáticas são outros macrofatores relacionados a possíveis epidemias de dengue. O aumento de temperatura e a maior ocorrência de fenômenos climáticos, como chuvas fortes, formam um cenário ideal para a proliferação do mosquito. Por isso, a educação ambiental, assim como a educação, em sentido amplo, geram estratégias para a realização de ações intersetoriais. Importante frisar também que a mobilização da população e o incentivo a mudanças de comportamento representam oportunidades para trabalhar valores de solidariedade e fortalecer os laços comunitários.

(www.multirio.rio.rj.gov.br, acessado em 06.09.2019. Adaptado)

Substituindo-se as expressões em destaque na frase – Mobilizar a população para combater os focos de reprodução do Aedes é o que cabe ao poder público. – por um pronome pessoal, de acordo com a norma-padrão, obtém-se versão correta em:

Alternativas
Q2696991 Português

TEXTO

As línguas vivas foram influenciadas pela

migração do campo para a cidade. Idiomas

falados em determinadas regiões rurais e por

apenas alguns milhares de pessoas, corriam

perigo quando estas se mudavam para zonas

urbanas. Tais línguas regionais também sofriam

quando a cultura citadina, através dos novos

meios de comunicação, chegava ao campo. Da

mesma forma, estavam em risco se a invasão de

algum idioma mais popular – o inglês ou o russo,

por exemplo – oferecesse mais esperança de

emprego, melhor educação ou acesso a

entretenimento. Fora da Europa, centenas de

línguas nativas vivas e vigorosas em 1900

passaram a ser faladas por apenas alguns

milhares de pessoas. Quando um idioma sofria

tal decadência, a maioria dos falantes o usava

somente em parte de seu cotidiano, muitas vezes

sem explorar todos os seus recursos e suas

complexidades, pois os ouvintes de tal língua,

especialmente os jovens, não a conheciam por

completo. Das mais de 6 mil línguas do mundo,

a maioria tinha, relativamente, poucos falantes

no final do século. Elas estavam sob ameaça,

uma vez que o rádio, a televisão, os jornais e os

livros davam preferência àquelas faladas pela

maioria. O iídiche possui hoje cerca de um terço

dos falantes que tinha em 1900, quando era

usado nas regiões centrais e leste da Europa. O

íngrio e outros dois idiomas falados nas

proximidades do Mar Báltico reuniam, em 1970,

somente algumas poucas centenas de falantes

cada um. A língua dálmata, usada no litoral leste

do Mar Adriático, sumiu em 1898. O manx, que

se falava na Ilha de Man, no Mar da Irlanda, foi

extinto em 1974. Na Austrália, vários idiomas se

perderam. Um erudito estudou cinco línguas

vivas de aborígenes, da região tropical de

Queensland, e revelou com tristeza, em 1992,

que três estavam extintas, uma tinha apenas dez

falantes e a última continuava viva apenas na

mente de um falante solitário. Não eram línguas

simples, que morreram por falta de flexibilidade

e vocabulário. A maioria possuía uma gramática

complexa e um impressionante léxico de cerca

de 10 mil palavras. Entre as numerosas línguas

em risco pelo mundo, a maioria não sobreviveu.


(BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do

Século XX. 2 ed. São Paulo: Fundamento, p. 287).

Como se sabe, a palavra “tais” pode apresentar diferentes classes gramaticais. Assinale a alternativa que apresenta a classe gramatical utilizada pelo autor na linha 5 do texto:

Alternativas
Q2696775 Português

Lembra-te, meu amor, do objeto que encontramos

Numa bela manhã radiante:

Na curva de um atalho, entre calhaus e ramos,

Uma carniça repugnante.

Ardia o sol naquela pútrida torpeza,

Como a cozê-la em rubra pira

E para o cêntuplo volver à Natureza

Tudo o que ali ela reunira.

– Pois há de ser como essa coisa apodrecida,

Essa medonha corrupção,

Estrela de meus olhos, sol da minha vida,

Tu, meu anjo e minha paixão!

Sim! Tal serás um dia, ó deusa da beleza,

Após a bênção derradeira,

Quando, sob a erva e as florações da natureza,

Tornares afinal à poeira.

Então, querida, dize à carne que se arruína,

Ao verme que te beija o rosto,

Que eu preservarei a forma e a substância divina

De meu amor já decomposto!

(Charles Baudelaire. As flores do mal. Trad.: Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015)

Assinale a alternativa que contém a definição correta do processo de formação da palavra retirada do texto:

Alternativas
Q2696731 Português

TEXTO


A Inglaterra era o berço da maioria dos

esportes de destaque mundial e os primeiros

amadores ingleses apregoavam o culto à

justiça. A disputa tinha de ser mais importante

do que a vitória, por isso o espírito de

competição sobrepunha-se ao placar final.

Alguns dos mais conhecidos clubes ingleses de

futebol da atualidade têm sua origem nas

equipes das escolas dominicais, tendo sido

formados de acordo com a ideologia do

“cristianismo muscular”. Esporte e jogo limpo

eram quase sinônimos. Se os campeões de

1900 tivessem a chance de testemunhar

grandes disputas esportivas um século mais

tarde, ficariam um tanto desapontados pela

enorme ênfase dada à vitória. No início do

século, eram poucos os jogos que reuniam

multidões. Esportes populares, como corrida

de cavalos, críquete, beisebol, futebol e boxe,

dificilmente atraiam competidores e

espectadores estrangeiros. Mesmo os torneios

de tênis que aconteciam a cada verão em

Wimbledon contavam quase exclusivamente

com jogadores britânicos. Houve agitação

quando May Sutton, uma norte-americana,

apareceu: ela jogava com os antebraços

desnudos, o que foi considerado indelicado e

lhe rendeu o apelido de lavadeira. Eventos

esportivos internacionais tornaram-se mais

frequentes nas duas décadas anteriores à

Primeira Guerra Mundial. Os Jogos Olímpicos

de Paris, em 1900, e de St. Louis, em 1904,

careceram de excelência, uma vez que os

melhores atletas do mundo não dispunham de

condições financeiras para ir até os locais dos

jogos ou, por serem profissionais, não tinham

permissão de participar (as competições,

renascidas em Atenas em 1896, eram apenas

para amadores). O futebol, inventado na Grã-

-Bretanha e hoje em dia o esporte mais popular

do mundo, tinha pouca pretensão de ter fama

internacional. No críquete, os únicos times que

competiam regularmente eram os da Austrália

e os da Inglaterra. Poucos arriscariam dizer que

os esportes se tornariam uma parte tão importante

da indústria do entretenimento.


(BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século

XX. 2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 291).

No que se refere à colocação pronominal, analise os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta.

I – Se encantou com a música nova.

II – Eu machuquei-me no jogo.

III – Diga-me seu nome.

Alternativas
Q2696568 Português

(https://www.google.com/search?q=tirinhas&safe=active&sour ce=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjmmbre9o)

No segundo quadrinho, diante de cada verbo, qual pronome poderia ter sido usado corretamente:

Alternativas
Q2696410 Português

A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados. Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

(COUTO, Mia. Moçambique-Jornal "Savana", 13 de Dezembro de 2003)

Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.” O período destacado introduz no texto uma relação de:

Alternativas
Q2696342 Português

Em 1903 – ano do primeiro voo de avião –, um professor russo chamado Konstantin Tsiolkovsky terminou de escrever um livro bastante perspicaz, cujo título era “A Exploração do Espaço Cósmico. De acordo com seus cálculos, um foguete que usasse combustível líquido poderia subir alto o bastante para entrar em órbita ao redor da Terra. Durante os vinte anos que separaram as duas guerras mundiais, cientistas amadores e profissionais de vários países lançaram foguetes, muitos dos quais podiam ser facilmente carregados até os locais de lançamento. Alguns explodiram antes de decolar, outros não conseguiram subir, mas houve os que atingiram alturas consideráveis. Hitler incentivava esse tipo de teste, sob o comando de Walter R. Dornberger, em Peenemünde, uma aldeia costeira alemã no litoral do Báltico. Lá, foguetes cada vez maiores eram construídos no final da década de 1930. Em alguns testes, um míssil balístico de longo alcance era lançado de uma estrutura alta, parecida com os trampolins de piscina daquela época. Por volta de 1942, os veículos espaciais mais avançados viajavam a mais de 5 mil quilômetros por hora, uma velocidade supersônica que fazia o mais rápido dos aviões parecer uma tartaruga. Tratava-se de uma arma nova, capaz talvez de assegurar a vitória a Hitler, enquanto o exército alemão continuava a avançar em território russo e os japoneses estendiam seu império militar quase até a costa australiana. (BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século XX. 2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 202).

A palavra “alguns”, utilizada pelo autor do texto na linha 14, possui a seguinte classe gramatical:

Alternativas
Q2696339 Português

Em 1903 – ano do primeiro voo de avião –, um professor russo chamado Konstantin Tsiolkovsky terminou de escrever um livro bastante perspicaz, cujo título era “A Exploração do Espaço Cósmico. De acordo com seus cálculos, um foguete que usasse combustível líquido poderia subir alto o bastante para entrar em órbita ao redor da Terra. Durante os vinte anos que separaram as duas guerras mundiais, cientistas amadores e profissionais de vários países lançaram foguetes, muitos dos quais podiam ser facilmente carregados até os locais de lançamento. Alguns explodiram antes de decolar, outros não conseguiram subir, mas houve os que atingiram alturas consideráveis. Hitler incentivava esse tipo de teste, sob o comando de Walter R. Dornberger, em Peenemünde, uma aldeia costeira alemã no litoral do Báltico. Lá, foguetes cada vez maiores eram construídos no final da década de 1930. Em alguns testes, um míssil balístico de longo alcance era lançado de uma estrutura alta, parecida com os trampolins de piscina daquela época. Por volta de 1942, os veículos espaciais mais avançados viajavam a mais de 5 mil quilômetros por hora, uma velocidade supersônica que fazia o mais rápido dos aviões parecer uma tartaruga. Tratava-se de uma arma nova, capaz talvez de assegurar a vitória a Hitler, enquanto o exército alemão continuava a avançar em território russo e os japoneses estendiam seu império militar quase até a costa australiana. (BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século XX. 2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 202).

A palavra “daquela”, utilizada pelo autor na linha 25, possui a seguinte classe gramatical:

Alternativas
Q2695740 Português

Leia com atenção o texto e responda o que se pede no comando das questões.

O ninho não mais vazio

Há dias, escrevi sobre uma amiga cujos filhos tinham acabado de sair de casa e que estava experimentando o que os psicólogos chamam de “síndrome do ninho vazio”. Aproveitei para contar que eu próprio entre o Natal e o Réveillon, vivera algo parecido, só que ao pé da letra. Uma rolinha — Lola, a rola — fizeram seu ninho no meu terraço e passara uma semana sentada sobre um ovo, do qual saiu Lolita, a Rolita. E, antes que eu tivesse o prazer de ver mãe e filha em ação, voando para lá e para cá, foram embora sem se despedir. Ali entendi a síndrome do ninho vazio.

Outro amigo, cujo conhecimento sobre os pássaros aprendi a admirar, me garantiu que Lola, a Rola não podia estar muito longe. "Ela gostou daqui”, ele disse. "Vai voltar para fazer outro ninho”. E, para que eu não me jactasse de minhas virtudes como anfitrião, explicou-me que isso é instintivo nos pássaros. Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar. Com isso, retomei meu posto de observação — e não é que meu amigo tinha razão?

Lola, a Rola reapareceu e logo começou os trabalhos. Reconheci-a pelo estilo de gravetos que recolhe — secos, fininhos e compridos. Em poucos dias o novo ninho ficou pronto, não muito distante do ninho original, este já em escombros. Só que, agora, com uma importante colaboração: a de seu marido Rollo, o Rola, talvez como mestre de obras. O fato é que, ao contrário da primeira vez, tive várias oportunidades de ver o casal empenhado na construção.

E assim, com duas semanas de intervalo, eis-me avô de mais um ovo. Que, pela lei das probabilidades, deverá produzir um macho. E, sendo filho de Lola, a Rola e Rollo, o Rola, só poderá se chamar — claro — Rolezinho.

Não vou dizer o nome de meu amigo amador de ornitologia. Só as iniciais: Janio de Freitas.

(CASTRO, Ruy. A arte de querer bem. 1, ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. p. 21/ 22)

Utilize o excerto a seguir para responder as questões de 5 a 8: "Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar".

A colocação do pronome em próclise, na primeira oração, deve-se:

Alternativas
Q2695174 Português

“Uma revista publicou o escândalo.”


Na frase acima exerce a função de artigo a palavra:

Alternativas
Q2695167 Português

O adjetivo, ao caracterizar o substantivo, pode indicar, exceto:

Alternativas
Q2695045 Português

O jabuti


O funileiro desce a rua; não vai malsatisfeito porque sempre faz algum dinheiro em nossa esquina. Não se queixa da profissão, mas diz que é dura. Há os dias de chuva, por exemplo. Sim, existe um sindicato, mas ele não acredita que valha de nada. Enfim... Depois de arrumar suas ferramentas e suas folhas de zinco e alumínio ele se despediu com indiferença.

Em seu lugar, como em um ballet, aparecem três moças de short. Uma delas traz uma bola branca e as três ficam a jogá-la com as mãos, na esquina. Uma tem o corpo mais bem traçado que as outras; é mais linda quando ergue os braços para deter a bola, com um gesto ao mesmo tempo ágil e indolente. Depois elas somem, caminho da praia, e aparecem dois velhos, de guitarra e bandolim. O cego da guitarra já o conheço; não aparecia há algum tempo, e costumava passar acompanhado de uma velha. Ele tocava e os dois cantavam, com vozes finas, horríveis e tristes, os últimos sambas; a mulher vendia o jornal de modinhas e recolhia as moedas jogadas do alto dos apartamentos. Na voz daquele casal triste todos os sambas pareciam iguais, e nenhum parecia samba. Eram mais pungentes e ridículos quando tentavam cantar marchinhas alegres de carnaval. Terá morrido a velha portuguesa?

Os dois atravessam a rua vazia com um ar tão hesitante como se ambos fossem cegos. Param já longe de minha janela, e daqui ouço a mistura confusa e triste de suas vozes e instrumentos.

Um menino vem avisar que o nosso jabuti está fugindo: apanhou-o já na calçada, virado para cima; certamente perdeu o equilíbrio ao passar da soleira do portão para a calçada.

Esse filhote de jabuti tem um quintal para seu domínio, e uma casa inteira onde pode passear. Mas segue o exemplo de um outro jabuti que um vizinho deixou aqui nos meses do verão. Vem exatamente no mesmo rumo, atravessando a cozinha, a sala de jantar e o escritório até a varanda. Quando encontra uma porta fechada fica esperando. Desce penosamente os degraus, avança colado ao muro. Às vezes cai no caminho e fica de patas para cima, impotente: às vezes chega até a rua. Sempre que tem de se lançar de um degrau a outro se detém um pouco; mas sempre arrisca.

Aonde levará essa trilha secreta dos jabutis, essa linha misteriosa do destino que eles parecem obrigados a seguir com obstinação e sacrifício? Se eu os deixasse seguir, seriam levados para alguma outra casa, esmagados por algum carro ou comidos por algum bicho quando caíssem de barriga para o ar. Neste mundo de cimento e asfalto não há maiores esperanças para eles. Entretanto, o pequeno jabuti insiste sempre em sua aventura, com o passo penoso e lerdo. Há alguma fonte secreta, algum reino fabuloso, alguma coisa que o chama de longe; e lá vai ele carregando seu casco humilde, lentamente, para atender a esse apelo secreto...


(BRAGA, Rubem. 200 Crônicas Escolhidas. Círculo do Livro S.A.)

Em “Desce penosamente os degraus, avança colado ao muro. ” (5º§), o termo destacado exprime circunstância de:

Alternativas
Q2695022 Português

Por um pé de feijão


Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (a nossa terra, feinha, cheia de altos e baixos, esconsos, areia, pedregulho e massapê) estava explodindo em beleza. E nós todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos o dia trabalhando e cantando e logo depois do pôr do sol desmaiávamos em qualquer canto e adormecíamos, contentes da vida.

Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava. Todos se esqueceram de tudo. Agora dava gosto trabalhar.

Os pés de milho cresciam desembestados, lançavam pendões e espigas imensas. Os pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar?

E assim foi até a hora de arrancar o feijão e empilhá-lo numa seva tão grande que nós, os meninos, pensávamos que ia tocar nas nuvens. Nossos braços seriam bastantes para bater todo aquele feijão? Papai disse que só íamos ter trabalho daí a uma semana e aí é que ia ser o grande pagode. Era quando a gente ia bater o feijão e iria medi-lo, para saber o resultado exato de toda aquela bonança. Não faltou quem fizesse suas apostas: uns diziam que ia dar trinta sacos, outros achavam que era cinquenta, outros falavam em oitenta.

No dia seguinte voltei para a escola. Pelo caminho também fazia os meus cálculos. Para mim, todos estavam enganados. Ia ser cem sacos. Daí para mais. Era só o que eu pensava, enquanto explicava à professora por que havia faltado tanto tempo. Ela disse que assim eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano. E quando deu meio dia e a professora disse que podíamos ir, saí correndo. Corri até ficar com as tripas saindo pela boca, a língua parecendo que ia se arrastar pelo chão. Para quem vem da rua, há uma ladeira muito comprida e só no fim começa a cerca que separa o nosso pasto da estrada. E foi logo ali, bem no comecinho da cerca, que eu vi a maior desgraça do mundo: o feijão havia desaparecido. Em seu lugar, o que havia era uma nuvem negra, subindo do chão para o céu... Dentro da fumaça, uma língua de fogo devorava todo o nosso feijão.

Durante uma eternidade, só se falou nisso: que Deus põe e o diabo dispõe.

Fui o primeiro a ter coragem de ir até lá. Como a gente podia ver lá de cima, da porta da casa, não havia sobrado nada. Um vento leve soprava as cinzas e era tudo. Quando voltei, papai estava falando.

– Ainda temos um feijãozinho-de-corda no quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o milho para quebrar,

despalhar, bater e encher o paiol, não temos? Como se diz, Deus tira os anéis, mas deixa os dedos.

E disse mais:

– Agora não se pensa mais nisso, não se fala mais nisso. Acabou. Então eu pensei: o velho está certo.

Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de feijão.


(Antônio Torres. Os cem melhores contos brasileiros do século. Adaptado.)

Considerando a classificação gramatical, assinale a associação INCORRETA.

Alternativas
Q2694718 Português


Leia os enunciados a seguir.


I. Ontem, assisti a um filme que muito me encantou.

II. Sou quem sou hoje graças aos meus familiares.

III. Ainda procuro o livro que o professor recomendou.

IV. A garota a quem me referi durante a palestra chegou.

V. Não comente o assunto sobre o qual você tem dúvida.

VI. Comprei o livro cuja autora recebeu o Nobel de Literatura.


É correto afirmar que o pronome relativo destacado em


Alternativas
Q2694717 Português

Em todas as afirmativas apresentadas a seguir, o termo destacado funciona como adjunto adnominal.


Assinale a alternativa em que, nos parênteses, está incorretamente identificada a classe gramatical desse termo em destaque.


Alternativas
Q2694714 Português

Leia esta frase de Mário Quintana.


“Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho.”


Nas alternativas a seguir, estão outras frases desse autor. Assinale a alternativa em que a palavra destacada não exerce a mesma função morfológica que “bem”.


Alternativas
Q2694703 Português

Do ponto de vista da norma-padrão da língua portuguesa, no primeiro parágrafo do texto, há erro no(a)

Alternativas
Q2694673 Português

AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO


TEXTO


1 Não existe um único espaço por excelência para a política educacional. Ela se processa onde há pessoas imbuídas

2 da intenção de aos poucos conduzir a criança a ser o modelo social de adolescente e, posteriormente, de jovem e adulto

3 idealizado pelo grupo social em que está situado.

4 A intenção de uma política educacional pode ser clara e visível, ou então obscura e camuflada. Conhecendo a

5 intenção de uma política educacional, poderá ser compreendido outro aspecto que a envolve – o poder. Esse aspecto da

6 elaboração da política educacional permite associá-la, para uma melhor interpretação, a duas antiquíssimas e também muito

7 atuais vertentes da práxis política.

8 Pelo fato de a política educacional ser estabelecida por meio do poder de definição do processo pedagógico, em

9 função de um grupo, de uma comunidade ou de setores dessa comunidade, ela tanto pode ser resultado de um amplo

10 processo participativo, em que todos os membros envolvidos com a tarefa pedagógica (professores (as), alunos (as) e seus

11 pais) debatem e opinem sobre como ela é, como deverá ser e a que fim deverá atender, como também pode ser imposição

12 de um pequeno grupo que exerce o poder sobre a grande maioria coletiva.

13 Atualmente, existem duas versões de política educacional correspondentes às práxis políticas aristotélicas e

14 platônicas. Na linha platônica, há a política educacional tecnocrática, e, na vertente aristotélica, há a política educacional

15 municipalizante.

16 Na vertente platônica, aqueles que elaboram a política educacionalsão representantes do Estado – um pequeno grupo

17 de pessoas que também desenvolve a atividade normativa sobre o sistema de ensino público, sem, contudo, ser responsável

18 pelo fornecimento do ensino.

19 Essa elite é conhecida como representante da tecnocracia. Na esfera educacional, a tecnocracia tem um perfil

20 antidemocrático, já que continuamente reserva para si o monopólio das virtudes necessárias para a direção da educação.

21 O planejamento, um instrumento para a concretização da política educacional, quando é tecnocrático, obedece a

22 uma orientação platônica, ou seja, não é flexível e não sofre mudanças de acordo com a dinâmica da realidade.

23 A legislação educacional é outro instrumento técnico da política educacional, que garante a homogeneização

24 ideológica na educação e a centralização administrativa.

25 Uma alternativa à política educacional tecnocrática de inspiração platônica é a política municipalizante. Ela implica

26 um poder maior em favor doslocais onde se estabelece a autonomia do complexo escolar, o que comumente é compreendido

27 como municipalização do ensino.

28 A política educacional municipalizante assegura recursos públicos desvinculados de posições político-partidárias e

29 pressupõe participação, controle e comprometimento por parte da comunidade com o motivo educacional.

30 Essa descentralização não requer a existência da dispendiosa burocracia. Há bastante flexibilidade nos currículos

31 escolares, permitindo que ocorram mudanças quando e onde elas se fizerem necessárias. A gestão de cada unidade escolar

32 é bastante democrática, pois os (as) diretores (as) de cada escola pertencem à comunidade em que ela está localizada, o que

33 faz da figura do administrador escolar uma espécie de ponte entre a instituição e o contexto em que ela está inserida.

34 Assim, a política educacional tem muito a ver com o contexto e a organização política de cada sociedade, e o seu

35 perfil depende em grande parte desse aspecto da sociedade em que ela existe.

36 Se a cultura de um povo é democrática e ele atua nas decisões políticas, é provável que sua política educacional

37 acate as sugestões e os anseios da população, mas em contextos autoritários, nos quais o povo é subjugado por uma cultura

38 extremamente dominadora, é comum predominar uma política educacional de cunho platônico.



Por Eliane da Costa Bruini - Colaboradora Brasil Escola Graduada em Pedagogia

Pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo – UNISAL

FONTE: https://educador.brasilescola.uol.com.br/politica-educacional/o-que-politica-educacional.htm


A base primitiva da qual procedem as palavras “idealizado” (L.3) “ e “descentralização” (L.30) é

Alternativas
Q2694579 Português

Leia o texto a seguir para responder as questões de 01 a 08.


Por que Tarsila do Amaral inspira?

Nascida no final do século XIX, foi criada para ser esposa e mãe. Ousou fazer diferente. Ousou escolher o lugar que queria ocupar no mundo, agiu para isso.


O MASP inaugurou em abril deste ano a mais ampla exposição de Tarsila do Amaral já realizada na história. A mais numerosa foi a da Pinacoteca de São Paulo, em 2008. Depois outras duas exposições potentes, realizadas pelo Art Institute of Chicago e pelo MoMA de Nova York, têm colocado a obra da artista brasileira em um novo patamar de reconhecimento global.

Como sua sobrinha-neta homônima, conheço e contemplo a obra de Tarsila desde muito pequena. Ao entrar na exposição montada com maestria pelo MASP, lembro-me da casa dela e das paredes das casas de meus familiares, que já foram decoradas com as peças, hoje valorizadas internacionalmente. Tarsila adorava presentear os parentes com seus trabalhos.

Mas muito além de rever estas cores e formas tão peculiares, além de rememorar tantas histórias íntimas envolvendo minha tia-avó, essas grandes exposições (e os olhares que tais mostras suscitam em torno da obra) me fazem rever a dimensão desta mulher no mundo.

É uma obviedade dizer que dos anos 20 para cá muita coisa mudou. Olhar a criação de qualquer artista sob as perspectivas de comportamento atualizadas para 2019 poderia revelar uma obra datada.

Tenho feito isso com Tarsila. E ao rever sua obra, entendo cada vez mais seu vanguardismo feito em voz baixa. Digo isso porque Tarsila era discreta. A partir da mais icônica de suas obras, Abaporu, Tarsila inspirou o manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. Não o escreveu, nem o leu em voz alta no Theatro Municipal de São Paulo. Inspirou-o.

Em uma tela em branco, Tarsila escolheu pintar com cores que seus professores diziam “feias”, de mau gosto. Cores fortes, cheias de luz, do jeito que ela enxergava nas paisagens do interior do Brasil, seu habitat natural, as cores caipiras.

Em uma época na qual a pintura retratava majoritariamente personagens brancos, Tarsila criou “A Negra”, exposta no MoMA e agora no MASP com a devida importância afetiva que a personagem ali representada tinha para a artista.

Ao longo da exposição no MoMA, conversei com diversos frequentadores da mostra e não posso esquecer um funcionário do museu, senhor negro americano, que sorriu ao dizer que a obra que ele mais tinha gostado era “A Negra”, porque se sentiu representado nela. Quantos personagens negros já ocuparam as paredes do MoMA?

Tarsila era filha de aristocratas. Nascida no final do século XIX, foi criada para ser esposa e mãe. Ousou fazer diferente. Ousou escolher o lugar que queria ocupar no mundo, agiu para isso. Ousou escolher as cores caipiras, a despeito dos grandes mestres com quem estudou.

Tarsila ousou dizer publicamente que queria ser a pintora do Brasil. Não teve medo de dizer isso em Paris, a cidade onde passou grande parte dos anos 20, que era a capital do mundo artístico na época.

A despeito de todos os papéis pensados para uma mulher filha de fazendeiros nascida em 1886 na cidade de Capivari, interior de São Paulo, a exposição “Tarsila Popular” em cartaz no MASP mostra que ela conquistou o lugar que desejou para sua existência. Por tudo isso, Tarsila inspira.


(Tarsilinha do Amaral é advogada, sobrinhaneta da artista e representante do espólio de Tarsila do Amaral. Texto adaptado. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/16/ opinion/1555368121_160698.html)

“Não o escreveu, nem o leu em voz alta no Theatro Municipal de São Paulo. Inspirou-o.”


Releia o 5º parágrafo do texto para identificar o termo ao qual os pronomes oblíquos do trecho acima se referem e assinale a alternativa correta.

Alternativas
Respostas
7221: B
7222: E
7223: B
7224: D
7225: E
7226: A
7227: C
7228: B
7229: A
7230: D
7231: A
7232: B
7233: A
7234: A
7235: B
7236: C
7237: C
7238: C
7239: A
7240: D