Questões de Concurso
Sobre morfologia - pronomes em português
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I- Concordância com pronome relativo que: O verbo estabelece concordância com o antecedente do pronome: sou eu que quero, somos nós que queremos, são eles que querem.
II- Concordância com pronome relativo quem: O verbo estabelece concordância com o antecedente do pronome ou fica na 3.ª pessoa do singular: sou eu quem quero, sou eu quem quer.
III- Concordância com: a maioria, a maior parte, a metade: Preferencialmente, o verbo estabelece concordância com a 3.ª pessoa do singular. Contudo, o uso da 3.ª pessoa do plural é igualmente aceitável: a maioria das pessoas quer, a maioria das pessoas querem.
Está correto o que se afirma em:
I- os artigos definidos (o, a, os, as) e os indefinidos (um, uns);
II- pronomes pessoais oblíquos e suas combinações (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes, mo, to, lho, etc.);
III- o pronome relativo que.
Está correto o que se afirma em:
I. “A ideia dele é resultado da sua volta à pratica de caminhar pela cidade.”
II. “percebi que aquela cidade que havia deixado na minha adolescência...”
III. “Também constatei a situação das calcadas que não oferecem condições...”
IV. “Quando voltei a andar a pé...”
V. “ele começou a levantar uma discussão sobre a situação...”
Sobre eles, assinale a alternativa que apresenta uma afirmação CORRETA.

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
O médico cantor que toca músicas escolhidas pelos pacientes em UTI de hospital de Porto Alegre

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/10/ – Texto adaptado especialmente para esta prova).
Leia o texto para responder à questão.
Proibido não ser perfeito
Em um belo artigo, o Estadão1 anunciou “A morte da voz humana”. Nenhum exagero no título. O Auto-Tune – o software que “corrige” a afinação dos cantores – está criando padrões de perfeição inatingíveis para humanos, oferecendo a recompensa sem esforço e tornando prescindíveis a vocação, o talento e o mérito na música popular.
O artigo foi escrito por quem tem toda autoridade para dizê-lo: João Marcello Bôscoli, músico, produtor e diretor de gravadora. Como se não bastasse, filho de Elis Regina e do compositor Ronaldo Bôscoli. Nunca houve gente mais exigente em música.
Para João Marcello, pior até do que dar afinação a quem não tem, o Auto-Tune está fazendo com a voz o que o Photoshop2 fez com a pele humana. Assim como o Photoshop “gerou um padrão estético em que poros, rugas de expressão, pelos e outras características se tornaram defeitos”, o Auto-Tune passa o rodo e “corrige” tudo o que considera imperfeito no cantor: afinação, respiração, pausas, volume, alcance – sem se importar se pertencem à sua expressão e emoção.
Ele vai mais longe: “Atualmente tomamos remédio quando sentimos tristeza, comemos lixo pré-mastigado quando temos fome, dopamos as crianças quando estão agitadas, passamos horas no computador quando nossa vida parece desinteressante” etc. – e “usamos softwares de afinação quando temos um cantor desafinado”.
O filho da cantora mais afinada do Brasil defende os desafinados no que eles têm de mais precioso: sua falível condição humana, essencial à obra de arte.
(Ruy Castro. A arte de querer bem. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2018. Adaptado)
1 Estadão: conhecido jornal brasileiro publicado na cidade de São Paulo.
2 Photoshop: software usado para editar imagens.


Texto para responder a questão.
Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta tenha atingido a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da linguagem numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass- -media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo linguístico.
Gostaria de acrescentar não ser apenas a linguagem que me parece atingida por essa pestilência. As imagens, por exemplo, também o foram. Vivemos sob uma chuva ininterrupta de imagens; os media todo-poderosos não fazem outra coisa senão transformar o mundo em imagens, multiplicando-o numa fantasmagoria de jogos de espelhos – imagens que em grande parte são destituídas da necessidade interna que deveria caracterizar toda imagem, como forma e como significado, como força de impor-se à atenção, como riqueza de significados possíveis. Grande parte dessa nuvem de imagens se dissolve imediatamente como os sonhos que não deixam traços na memória; o que não se dissolve é uma sensação de estranheza e mal-estar.
Mas talvez a inconsistência não esteja somente na linguagem e nas imagens: está no próprio mundo. O vírus ataca a vida das pessoas e a história das nações torna todas as histórias informes, fortuitas, confusas, sem princípio nem fim. Meu mal-estar advém da perda de forma que constato na vida, à qual procuro opor a única defesa que consigo imaginar: uma ideia da literatura.
(CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.)
Observe o poema “Pronominais” de Oswald de Andrade:
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
No poema, há uma reflexão quanto ao emprego do pronome em situações linguísticas distintas. Considerando tal emprego, no trecho “Às vezes me parece [...]” (1º§), do texto inicial, é possível observar:
“[...] um martelo batendo num ferro em algum dos barracões da Liga das Escolas de Samba de São Paulo
[...]”
Considere as afirmativas a seguir.
I. “Num” é palavra formada pela contração da preposição “em” com o artigo indefinido “um”.
II. “Algum” é pronome indefinido que admite variação de gênero e número.
III. “Liga das Escolas de Samba de São Paulo” é substantivo próprio.
Estão corretas as afirmativas
Roda Viva
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu.
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá.
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir.
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá.
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou.
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá.
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou.
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração.
Chico Buarque.
Com base no texto e em seus conhecimentos adquiridos responda às questões.
A locução “A gente” que aparece na 1ª. estrofe, morfologicamente, é
Assinale a alternativa que corresponde, RESPECTIVAMENTE, às classes das palavras em destaque no excerto a seguir:
“Provavelmente, você já foi astronauta, herói, dentista, fez comidinhas maravilhosas, viajou o mundo, enfrentou perigos e deu muita, mas muita risada! Hoje, essas brincadeiras são incríveis memórias carregadas de lembranças da sua família, dos amigos, dos locais onde brincava, e despertam sentimentos maravilhosos.”
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
A força da liderança feminina no mercado de tecnologia
Por Sandya Coelho
- Quando iniciei minha carreira no segmento de tecnologia e internet, lá em 2010, ainda
- via poucas mulheres ____ frente de áreas estratégicas das grandes empresas com as quais
- trabalhei. Onze anos depois, vemos um incentivo forte para que mais mulheres tenham
- oportunidades em posições de liderança, e esse movimento vem sendo puxado justamente pelas
- empresas do setor de tecnologia e servido de modelo para os demais setores. E esse movimento
- pró-liderança feminina não fica restrito apenas aos cargos diretivos.
- Historicamente, muitas mulheres foram brilhantes ao conquistarem, com muita luta, seus
- espaços na sociedade, e são importantes inspirações para as atuais gerações, ainda mais para
- quem busca oportunidades em posições de liderança. Mas, ainda hoje, ser mulher num cargo de
- liderança não é tarefa fácil, sobretudo no mercado mais tradicional, é muito desafiador ser
- mulher no comando das negociações. Em minhas experiências profissionais, já precisei
- demonstrar firmeza para fazer outra pessoa entender que não era necessário buscar um homem
- posicionado hierarquicamente acima de mim, que era possível falar diretamente comigo. Por
- outro lado, também tive a oportunidade de descobrir no mundo da tecnologia, onde passei a
- atuar nos últimos 11 anos, um ambiente menos desigual.
- Atualmente, faço parte de uma empresa que acaba de estrear no Novo Mercado da B3,
- em um momento crucial para as empresas de tecnologia. Como mulher na liderança, tenho a
- oportunidade de inspirar outras mulheres a buscarem e alcançarem esses lugares que sempre
- foram ocupados majoritariamente por homens, além de abrir caminho para que ações efetivas
- sejam realizadas e tornem o mercado cada vez mais inclusivo.
- Apesar de ter uma percepção sobre a evidente evolução da presença feminina no mercado
- de tecnologia, em especial em cargos de liderança, ainda há um longo caminho a ser percorrido
- em relação ____ representatividade das mulheres em cargos mais estratégicos. Os desafios
- ainda são muitos e complexos, com raízes históricas que permeiam ___ sociedade, mas ao olhar
- para o futuro e, graças ao crescimento gradual da força feminina, não só no mercado tech, mas
- nos mais diversos segmentos, tenho a convicção de que juntas podemos propiciar um cenário
- cada vez mais igualitário.
(Disponível em: https://exame.com/blog/sandya-coelho – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que indica palavra formada pelo mesmo processo de “desigual” (l. 15).
A intensa busca da perfeição
Nos enganaram. É isso mesmo. Nem tudo termina em beijo. Quase nada, na verdade. E por que que insistimos que sim? Talvez eu não devesse atribuir a dúvida a todos nós. Só a mim mesma já está de bom tamanho.
Faço parte da massa de pessoas viciadas em comédias românticas do tipo água-com-açúcar. Sabe que aqueles filmes podem fazer um mal e tanto? Tudo é sempre tão perfeito, tão maravilhoso! E, claro, no meio do filme há sempre uma crise entre o casal e, no último quarto, no final, tudo começa a se ajeitar. Tudo caminhando para o grande final. O beijo! A câmera fecha no casal se beijando na chuva ou na praia, ou entre as flores. Ou ainda todas as anteriores ao mesmo tempo.
O cara é sempre bonito, gostoso, simpático, sorridente, carinhoso, cheiroso, bom cozinheiro, bemvestido, inteligente - todas as variáveis existentes. A moça é sempre maravilhosa, determinada, inteligente, bem-humorada, bem-vestida, delicada, meiga, romântica - e todas as outras variáveis existentes. Então, só o que posso concluir é que, afinal, nos enganaram.
Nem todas somos maravilhosas, meigas, determinadas e tudo o mais ao mesmo tempo. E, acreditem, nem todos eles são lindos, gostosos e - ao mesmo tempo - inteligentes, simpáticos e tudo o mais... E aí, como é que fica a vida real? Como é que nos mostram tudo isso e, depois - como se fosse um belo prêmio de consolação - nos dão isso. Acho que acabo de descobrir por que os filmes românticos terminam quando o casal dá o beijo definitivo. É porque, a partir daí, começa a realidade. E eles não vão querer nos mostrar a realidade. Não vende.
Daí, por que esses filmes podem fazer um mal e tanto. Ficamos esperando a perfeição. E ela deve ser realmente como nos filmes. Não aceitamos qualquer amostra barata. E então, um tem mau hálito, outro uma barriguinha, outro usa meia de ursinho, outro é um pouco lerdo, outro usa aparelho, outro gosta do É o Tchan! E, se por acaso vocês saem – se é que se chega a tal ponto - nada de passeios ao luar, velas, beijos debaixo da chuva. No dia seguinte, nada de telefonemas, mensagens ou e-mails apaixonados, nem mesmo - muito menos - flores.
Então, quando parei para pensar nisso, depois de uma maratona de três desses retratos da perfeição, achei que talvez devêssemos nunca mais assistir a eles. Greve às comédias românticas! Mas, no fim, acho que isso não resolveria. Devemos, isso sim, deixar de ser tão covardes. Levantar do sofá, desligar a TV e dar a cara a tapa. É tão cômodo sentar e dizer "nada é bom o bastante para mim" e não correr o risco de se machucar. Nada mais perfeito do que um amor de verdade, com todas as suas falhas e imperfeições. Com todas as brigas, encontros e desencontros, mau hálito e meias de ursinho. Sabe por quê? Porque, no fim, descobrimos que somos perfeitos pelo simples fato de não o sermos.
Annita Veslasque. Publicado no jornal Estado de Minas 29.03.2005
O vocábulo em destaque em “Então, só o que posso concluir é que, afinal, nos enganaram.” (3º parágrafo) tem sua correta classificação apresentada na opção:
