Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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Grupos misóginos têm códigos comuns para se comunicar e difundir ideias. Usam, como estratégia de falsa equivalência, o termo “misandria”, ao definir um suposto movimento de ódio e preconceito contra homens. Alegam, por exemplo, que o feminismo e leis de proteção à mulher são formas institucionalizadas de destruição da masculinidade. [...]
Termos e gírias comuns
Depósito: gíria ofensiva usada em fóruns e redes sociais para se referir às mulheres como um todo, tratando-as meramente como recipientes para o prazer sexual masculino.
80/20: teoria pseudocientífica que afirma que 80% das mulheres competem por apenas 20% dos homens (os mais atraentes ou ricos), deixando o restante dos homens sem opções.
Hypergamy (Hipergamia): crença de que as mulheres buscam apenas parceiros de status social ou financeiro superior ao delas para tirar vantagem.
AWALT (All women are like that): sigla, em inglês, para “todas as mulheres são assim”, usada para estereotipar comportamentos femininos.
Femoids ou FHOs: significa “organismo humanoide feminino”, um termo ofensivo que sugere que mulheres são inferiores aos homens, e até mesmo subumanas.
Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitoshumanos/noticia/2026-03/entenda-o-que-sao-redpill-e-outros-termos-deodio-contra-mulheres. Acesso em: 25 jun. 2026.
O texto traz fragmentos adaptados da reportagem Entenda o que são 'redpill' e outros termos de ódio contra mulheres: grupos estimulam violência e defendem hierarquia de gênero na internet, de Rafael Cardoso, publicada na Agência Brasil em 12 de março de 2026. A estratégia empregada pelo autor para construir os sentidos do texto consiste em
Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
ASSIS, Machado de. A cartomante. In: ASSIS, Machado de. Várias histórias. Rio de Janeiro: Laemmert, 1896. Disponível em: dominiopublico.mec.gov.br. Acesso em: 26 jun. 2026.
O texto é um fragmento retirado de A Cartomante, de Machado de Assis. Na perspectiva da Linguística Textual, a coerência resulta da interação entre os elementos linguísticos do texto e os conhecimentos mobilizados pelo leitor. Por essa perspectiva, observa-se que a
I- A temática do poema expõe a insensibilidade humana diante da pobreza;
II- O poeta, na estrofe 5, também se sente incomodado com a fome inconveniente dos pequenos pedintes;
III- "porque o remédio falhou" mostra que os meninos não foram planejados.
IV- "diga que o que sobrou é pros cachorros" é um exemplo de norma padrão da Língua Portuguesa.
Leia a charge a seguir.

Disponível em: https://conteudo.explicae.com.br/duvida/15906. Acesso em:
03 jul. 2026.
A charge articula elementos verbais (o título e a fala do menino) e o elemento não verbal (o passarinho apontado pelo garoto) para produzir um efeito de sentido específico. Considerando essa articulação, a intenção do texto é
Leia a tirinha a seguir.

No texto, a articulação entre a linguagem verbal e a composição visual produz um efeito de sentido que se constrói progressivamente. Essa progressão discursiva evidencia que o texto
( ) A maioria dos casos de demência no mundo são provenientes de Alzheimer.
( ) A interação entre determinadas células pode influenciar o desenvolvimento de Alzheimer.
( ) A inflamação neural não influencia o desenvolvimento de Alzheimer.
( ) A demência pode resultar na morte cerebral de um indivíduo.
Leia o fragmento a seguir.
Ao final do expediente, o prédio parecia enfim adormecer. As portas já não interrompiam o silêncio, os corredores haviam perdido a pressa e, sobre as mesas vazias, permaneciam documentos que aguardariam pacientemente a manhã seguinte. Lá fora, porém, a cidade continuava acesa, indiferente ao cansaço de quem acabara de deixá-la.
Considerando os recursos expressivos empregados no fragmento e os efeitos de sentido produzidos por eles, assinale a alternativa correta.
O texto a seguir refere-se à questão.
Costuma-se atribuir à clareza de um texto uma espécie de transparência: quanto mais claro ele parece, menor teria sido o esforço necessário para produzi-lo. A impressão é enganosa. Em muitos casos, a simplicidade percebida pelo leitor resulta justamente de um trabalho complexo de seleção, organização e reescrita. Quem escreve precisa decidir não apenas o que dizer, mas também o que excluir, em que ordem apresentar as informações e quais relações deixar explícitas para que o leitor possa reconstruir o percurso proposto.
Isso não significa que todo texto deva antecipar cada dúvida possível. Se assim fosse, a tentativa de eliminar qualquer margem de interpretação produziria textos intermináveis e, paradoxalmente, menos eficientes. Há informações que podem permanecer implícitas porque o contexto permite recuperá-las; outras, porém, precisam ser formuladas de modo mais explícito, sobretudo quando sua omissão compromete a continuidade do sentido. Escrever com clareza, portanto, não consiste em dizer tudo, mas em avaliar o que o leitor necessita para estabelecer relações entre as partes do texto.
Essa avaliação revela uma característica frequentemente esquecida da escrita: embora o autor produza o texto em determinado momento, ele precisa imaginar um interlocutor que ainda não está diante dele para pedir esclarecimentos. Na conversa cotidiana, uma expressão ambígua pode ser reformulada imediatamente, um gesto pode complementar uma frase e uma pergunta pode revelar que determinada informação não foi compreendida. Na escrita, parte desses recursos desaparece ou se transforma. Por isso, cabe ao autor construir linguisticamente algumas das condições que, na interação face a face, poderiam ser negociadas durante o próprio diálogo.
Revisar um texto, nessa perspectiva, é mais do que corrigir desvios gramaticais. É retornar ao que foi escrito procurando lê-lo também a partir de uma posição diferente daquela de quem o produziu. Nem sempre se consegue fazê-lo plenamente, pois o autor conhece relações que talvez não tenham sido suficientemente marcadas no texto. Ainda assim, é esse deslocamento que permite perceber lacunas, ambiguidades e conexões que pareciam evidentes durante a escrita, mas que podem não sê-lo para quem lê.
No trecho “Nem sempre se consegue fazê-lo plenamente, pois o autor conhece relações que talvez não tenham sido suficientemente marcadas no texto. Ainda assim, é esse deslocamento que permite perceber lacunas...”, analise as afirmativas a seguir.
I - Em “fazê-lo”, o pronome átono retoma a ideia anteriormente expressa de ler o próprio texto também a partir de uma posição diferente daquela de quem o produziu.
II - Na formação de “fazê-lo”, a ligação do pronome -lo ao infinitivo fazer provoca a supressão do -r final e a correspondente adequação gráfica da forma verbal.
III - A expressão “Ainda assim” introduz uma relação conclusiva, indicando que a percepção de lacunas constitui consequência necessária da impossibilidade de o autor assumir plenamente a perspectiva do leitor.
IV - Em “que talvez não tenham sido suficientemente marcadas”, o advérbio “talvez” contribui para a construção de um sentido de possibilidade, evitando que a ausência de marcação das relações seja apresentada como fato categórico.
Está correto o que se afirma em:
O texto a seguir refere-se à questão.
Costuma-se atribuir à clareza de um texto uma espécie de transparência: quanto mais claro ele parece, menor teria sido o esforço necessário para produzi-lo. A impressão é enganosa. Em muitos casos, a simplicidade percebida pelo leitor resulta justamente de um trabalho complexo de seleção, organização e reescrita. Quem escreve precisa decidir não apenas o que dizer, mas também o que excluir, em que ordem apresentar as informações e quais relações deixar explícitas para que o leitor possa reconstruir o percurso proposto.
Isso não significa que todo texto deva antecipar cada dúvida possível. Se assim fosse, a tentativa de eliminar qualquer margem de interpretação produziria textos intermináveis e, paradoxalmente, menos eficientes. Há informações que podem permanecer implícitas porque o contexto permite recuperá-las; outras, porém, precisam ser formuladas de modo mais explícito, sobretudo quando sua omissão compromete a continuidade do sentido. Escrever com clareza, portanto, não consiste em dizer tudo, mas em avaliar o que o leitor necessita para estabelecer relações entre as partes do texto.
Essa avaliação revela uma característica frequentemente esquecida da escrita: embora o autor produza o texto em determinado momento, ele precisa imaginar um interlocutor que ainda não está diante dele para pedir esclarecimentos. Na conversa cotidiana, uma expressão ambígua pode ser reformulada imediatamente, um gesto pode complementar uma frase e uma pergunta pode revelar que determinada informação não foi compreendida. Na escrita, parte desses recursos desaparece ou se transforma. Por isso, cabe ao autor construir linguisticamente algumas das condições que, na interação face a face, poderiam ser negociadas durante o próprio diálogo.
Revisar um texto, nessa perspectiva, é mais do que corrigir desvios gramaticais. É retornar ao que foi escrito procurando lê-lo também a partir de uma posição diferente daquela de quem o produziu. Nem sempre se consegue fazê-lo plenamente, pois o autor conhece relações que talvez não tenham sido suficientemente marcadas no texto. Ainda assim, é esse deslocamento que permite perceber lacunas, ambiguidades e conexões que pareciam evidentes durante a escrita, mas que podem não sê-lo para quem lê.
O texto a seguir refere-se à questão.
Nunca foi tão simples encontrar uma informação. Em poucos segundos, uma dúvida pode conduzir a dezenas de páginas, vídeos, comentários e explicações. Essa facilidade costuma ser associada à ideia de que vivemos em uma sociedade mais bem informada. A associação parece lógica: se a informação está disponível em quantidade inédita, seria razoável imaginar que também compreendemos melhor o mundo. No entanto, disponibilidade de informação e construção de conhecimento não são processos equivalentes.
A informação pode ser recebida rapidamente; compreendê-la exige operações mais demoradas. É preciso selecionar o que é relevante, estabelecer relações entre ideias, confrontar fontes, reconhecer contradições e integrar o conteúdo novo àquilo que já se sabe. Quando essas etapas são substituídas pelo contato sucessivo com fragmentos de informação, pode surgir uma impressão de domínio que não corresponde necessariamente a uma compreensão efetiva. Reconhecer um assunto, afinal, não significa ser capaz de explicá-lo, analisá-lo ou utilizá-lo em uma situação diferente daquela em que foi apresentado.
Isso não significa que a abundância de informações seja, por si mesma, um problema. Ao contrário, a ampliação do acesso criou possibilidades de aprendizagem antes restritas a determinados espaços e grupos. O desafio está na maneira como lidamos com esse acesso. Se a quantidade disponível estimula apenas o consumo acelerado de novos conteúdos, a facilidade de encontrar respostas pode reduzir justamente o tempo dedicado à formulação de perguntas, à comparação de perspectivas e à elaboração das próprias conclusões.
Nesse sentido, talvez uma das competências mais importantes para o leitor contemporâneo seja saber interromper o fluxo. Diante de uma oferta praticamente inesgotável de conteúdos, selecionar também significa renunciar: deixar algumas informações de lado para examinar outras com maior profundidade. Tal escolha pode parecer contraditória em uma época que valoriza a atualização constante, mas é justamente ela que permite transformar o acesso à informação em uma experiência efetiva de aprendizagem.
O texto a seguir refere-se à questão.
Nunca foi tão simples encontrar uma informação. Em poucos segundos, uma dúvida pode conduzir a dezenas de páginas, vídeos, comentários e explicações. Essa facilidade costuma ser associada à ideia de que vivemos em uma sociedade mais bem informada. A associação parece lógica: se a informação está disponível em quantidade inédita, seria razoável imaginar que também compreendemos melhor o mundo. No entanto, disponibilidade de informação e construção de conhecimento não são processos equivalentes.
A informação pode ser recebida rapidamente; compreendê-la exige operações mais demoradas. É preciso selecionar o que é relevante, estabelecer relações entre ideias, confrontar fontes, reconhecer contradições e integrar o conteúdo novo àquilo que já se sabe. Quando essas etapas são substituídas pelo contato sucessivo com fragmentos de informação, pode surgir uma impressão de domínio que não corresponde necessariamente a uma compreensão efetiva. Reconhecer um assunto, afinal, não significa ser capaz de explicá-lo, analisá-lo ou utilizá-lo em uma situação diferente daquela em que foi apresentado.
Isso não significa que a abundância de informações seja, por si mesma, um problema. Ao contrário, a ampliação do acesso criou possibilidades de aprendizagem antes restritas a determinados espaços e grupos. O desafio está na maneira como lidamos com esse acesso. Se a quantidade disponível estimula apenas o consumo acelerado de novos conteúdos, a facilidade de encontrar respostas pode reduzir justamente o tempo dedicado à formulação de perguntas, à comparação de perspectivas e à elaboração das próprias conclusões.
Nesse sentido, talvez uma das competências mais importantes para o leitor contemporâneo seja saber interromper o fluxo. Diante de uma oferta praticamente inesgotável de conteúdos, selecionar também significa renunciar: deixar algumas informações de lado para examinar outras com maior profundidade. Tal escolha pode parecer contraditória em uma época que valoriza a atualização constante, mas é justamente ela que permite transformar o acesso à informação em uma experiência efetiva de aprendizagem.

I. Já nos primeiros assentamentos permanentes surgiram os primeiros sistemas de escrita estruturados.
II. É possível inferir que existe uma relação entre o nível de organização e complexidade da língua e o nível de organização e complexidade da comunidade em que ela é utilizada.
III. As sociedades com e sem escrita não são diferenciadas por sua capacidade intelectual, mas pelas estratégias necessárias, em muitos casos, para garantir a sobrevivência.
Quais estão corretas?