Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4092914 Português
Assinale a alternativa cuja palavra destacada está sendo empregada em sentido figurado.
Alternativas
Q4092912 Português
A velhinha e o celular



    Era noite e eu costumava dormir cedo naquela época. Já estava nos primeiros preparativos para isso quando escutei que batiam à porta. Eu não conhecia muita gente por ali e imaginei que só podia ser a velhinha. De vez em quando ela vinha pedir a minha ajuda em alguma coisa. Por alguma razão, ela havia simpatizado comigo. Talvez eu tenha mesmo а aparência de bom moço. Costumo ser paciente com os outros, provavelmente por saber que é assim que eu preciso que os outros sejam comigo. Só que não é sempre que estou de boa vontade. Essa velhinha já havia batido à minha porta em horas inoportunas. Nunca deixei de atender, mas foi ao custo de muito domínio próprio que escondi o meu incômodo.

    (...) Como em noites anteriores, ela me estendeu o seu celular. Um modelo antiquíssimo, desses que só servem para telefonar e mandar mensagem. Para a velhinha, eu representava a geração Z, aquela gente que já nasceu conectada e que entende tudo sobre tecnologia. Os óculos, de certo, completavam essa impressão. Mas a verdade é que eu pouco entendo desse mundo, mal consigo lidar com o meu próprio celular. Muitas vezes já aconteceu de me passarem o celular para ver se eu resolvia algum problema e eu devolver sem ter conseguido absolutamente nada. A sorte é que o problema da velhinha era mais fácil.

     Ora, ela apenas não estava conseguindo ligar o dito cujo. Não era a primeira vez que isso acontecia, ela imaginava que fosse algum problema do celular, que tivesse estragado ou algo do tipo. Mas eu peguei o celular e, como das outras vezes, segurei o botão de ligar por alguns segundos, até que ele desse algum sinal de vida. Não demorou e uma imagem apareceu na tela, comprovando o sucesso do meu método. Eu era jovem e não podia entender como é que alguém não conseguia ligar о celular. Uma vez, vá lá. Mas eu já havia explicado para a velhinha várias vezes como é que se faz para ligar um celular, e ela sempre voltava, e sempre achava que o problema era o celular.

    (...) Devolvido o celular, ela me agradeceu, com exagero, deu boa noite e voltou para casa. Talvez nós nos víssemos novamente na noite seguinte.



FENDRICH, Henrique. A velhinha e o celular. Escotilha.
Disponível em
<https://escotilha.com.br/cronicas/henriquefendrich/velhinha-e-o-celular/>.

"Essa velhinha já havia batido à minha porta em horas inoportunas."

A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:

Alternativas
Q4092748 Português
Ao longo das últimas décadas, a leitura crítica tem sido discutida por diferentes estudiosos, que têm destacado sua relevância para a formação intelectual. Muitos professores afirmam que os estudantes já tinham desenvolvido maior autonomia interpretativa quando práticas sistemáticas de leitura haviam sido incorporadas ao cotidiano escolar. Ainda assim, observa-se que tais práticas nem sempre têm sido mantidas de forma contínua.

Com base no texto-base e na norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa correta quanto ao emprego e ao valor dos tempos verbais compostos.
Alternativas
Q4092745 Português

O ato de ler e a construção crítica do sentido



     O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.


   Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.


    A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.


    Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.


    Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.


Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026

Mantém-se o sentido original do período “A leitura configura-se como prática ativa e transformadora” na seguinte reformulação:

Alternativas
Q4092744 Português

O ato de ler e a construção crítica do sentido



     O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.


   Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.


    A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.


    Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.


    Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.


Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026

No contexto do texto, a expressão “leitura aprofundada” refere-se ao(à):
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Q4092743 Português

O ato de ler e a construção crítica do sentido



     O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.


   Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.


    A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.


    Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.


    Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.


Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026

No trecho “Nessa perspectiva ampliada”, no segundo parágrafo, a expressão destacada estabelece, no texto, uma relação de:
Alternativas
Q4092742 Português

O ato de ler e a construção crítica do sentido



     O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.


   Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.


    A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.


    Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.


    Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.


Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026

A organização dos parágrafos do texto evidencia uma progressão temática que se caracteriza por:
Alternativas
Q4092741 Português

O ato de ler e a construção crítica do sentido



     O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.


   Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.


    A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.


    Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.


    Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.


Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026

Considerando o texto apresentado, identifica-se como tese central defendida pelos autores a ideia de que a leitura:
Alternativas
Q4092699 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


        O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

     Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

       Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

      Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

        Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

      Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

      Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

       Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

     Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


*Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43. 
Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém

A frase acima conservará seu sentido e sua correção caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por
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Q4092697 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


        O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

     Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

       Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

      Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

        Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

      Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

      Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

       Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

     Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


*Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43. 
No contexto do poema, ao afirmar que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder, o menino deixa claro 
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Q4092696 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


        O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

     Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

       Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

      Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

        Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

      Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

      Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

       Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

     Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


*Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43. 
Na relação que o menino mantém com um irmão e outros observadores de sua conduta,
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Q4092695 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


        O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

     Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

       Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

      Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

        Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

      Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

      Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

       Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

     Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


*Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43. 
Para o poeta, a ação de procurar
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Q4092690 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Um inseto sentimental


     A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...

      No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e zoa com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.

   Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e a três palmos ele se equilibra no ar, helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.

   Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois aninhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de umа crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, é pegara caneta e escrevera primeira frase, quase sempre a mais difícil.


(Adaptado de HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 11-12)
Entre os recursos da elaboração deste texto, pode-se afirmar que
Alternativas
Q4092689 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Um inseto sentimental


     A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...

      No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e zoa com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.

   Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e a três palmos ele se equilibra no ar, helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.

   Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois aninhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de umа crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, é pegara caneta e escrevera primeira frase, quase sempre a mais difícil.


(Adaptado de HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 11-12)
A aparição de um inseto teve como consequência, para o cronista,
Alternativas
Q4092686 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Palavras de amor


  Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

   
    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm.

  Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

   Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. Ο efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

   Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra": essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)
A expressão "procurar sarna para se coçar constitui, em linguagem figurada, um sentido equivalente ao da expressão em linguagem denotativa:
Alternativas
Q4092684 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Palavras de amor


  Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

   
    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm.

  Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

   Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. Ο efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

   Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra": essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
Alternativas
Q4092683 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Palavras de amor


  Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

   
    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm.

  Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

   Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. Ο efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

   Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra": essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)
Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações. (4° parágrafo)
Uma compreensão adequada do que afirma o período acima está na seguinte formulação:
Alternativas
Q4092681 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Palavras de amor


  Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

   
    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm.

  Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

   Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. Ο efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

   Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra": essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)
No que diz respeito à intensidade dos nossos sentimentos, ocorre uma relevância desmedida quando
Alternativas
Q4092639 Português

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CAZO. Negócios e oportunidades. Disponível em

<https://blogdoaftm.com.br/charge-negocios-eoportunidades-4/>.


O elemento "aqui", presente no enunciado "Anuncie aqui", utilizado na charge acima, estabelece referência:

Alternativas
Q4092634 Português
"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante" (Hino Nacional Brasileiro)
Sabendo-se que a ordem direta dos versos acima é "As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico", qual é a figura de linguagem que corresponde a essa inversão dos termos?
Alternativas
Respostas
1701: D
1702: A
1703: D
1704: A
1705: E
1706: D
1707: C
1708: B
1709: B
1710: D
1711: B
1712: D
1713: E
1714: A
1715: C
1716: B
1717: B
1718: C
1719: B
1720: A