Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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Segundo os modos de organização discursiva, o trecho é classificado como
A respeito desse segmento, é correto afirmar que
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
Sua inserção no mundo acontece pela observação cotidiana das atividades dos adultos, uma observação e participação heterodoxa que possibilitam que elas
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Meus pais sempre me pareceram, aos olhos da criança que fui, perfeitos. Eu agradecia a Deus por ter nascido em um lar tão abençoado, onde tudo funcionava, e ai de quem duvidasse. Até que cresci e passei eu mesma a duvidar: ora, quem é perfeito? Eu me furtaria a vergonha de passar o resto da vida inebriada pela própria ilusão. Passei a glorificar o imperfeito e segui amando todos eles, já que ninguém é perfeito.
Estou longe de desprezar genialidades, como uma foto de Sebastião Salgado, uma página de Guimarães Rosa, o canto de Caetano Veloso. Aproximam-se do sagrado. Mas quando desço desse altar e caio no mundano, é pela imperfeição que me enamoro.
Faço todo esse preâmbulo para que eu possa exaltar o que está fora de foco. O abandono da excelência a favor da essência. Andamos obcecados por qualidade técnica, filtros que eliminam defeitos, nenhum ruído escapando, nenhum fio solto, a artificialidade substituindo o que é verdadeiro. A essência, ao contrário, é inexata, transcende, se move, esparrama. A essência não se falsifica, transforma a própria falha em gozo. Sabe que o excelente, ou é um gênio, ou um impostor.
Adoro, especialmente, fotos desfocadas, com sua imperfeição poética, humana. São retratos em movimento: da gente dançando, correndo, gesticulando. Somos borrões capturados por olhares objetivos, mas está para nascer quem nos possa reduzir a uma única dimensão. Temos várias versões sobrepostas, somos reais assim como somos fictícios, seres indeterminados fazendo o possível para se enquadrar, só que um pedaço de nós sempre invade o contorno limitador e escorre para fora. Queremos ser vistos com nitidez, eu sei, mas também somos aquele ser indefinido por trás do espelho embaçado no banheiro.
(Martha Medeiros. “A arte de falhar: um elogio ao que está fora de foco”,
27.07.2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Meus pais sempre me pareceram, aos olhos da criança que fui, perfeitos. Eu agradecia a Deus por ter nascido em um lar tão abençoado, onde tudo funcionava, e ai de quem duvidasse. Até que cresci e passei eu mesma a duvidar: ora, quem é perfeito? Eu me furtaria a vergonha de passar o resto da vida inebriada pela própria ilusão. Passei a glorificar o imperfeito e segui amando todos eles, já que ninguém é perfeito.
Estou longe de desprezar genialidades, como uma foto de Sebastião Salgado, uma página de Guimarães Rosa, o canto de Caetano Veloso. Aproximam-se do sagrado. Mas quando desço desse altar e caio no mundano, é pela imperfeição que me enamoro.
Faço todo esse preâmbulo para que eu possa exaltar o que está fora de foco. O abandono da excelência a favor da essência. Andamos obcecados por qualidade técnica, filtros que eliminam defeitos, nenhum ruído escapando, nenhum fio solto, a artificialidade substituindo o que é verdadeiro. A essência, ao contrário, é inexata, transcende, se move, esparrama. A essência não se falsifica, transforma a própria falha em gozo. Sabe que o excelente, ou é um gênio, ou um impostor.
Adoro, especialmente, fotos desfocadas, com sua imperfeição poética, humana. São retratos em movimento: da gente dançando, correndo, gesticulando. Somos borrões capturados por olhares objetivos, mas está para nascer quem nos possa reduzir a uma única dimensão. Temos várias versões sobrepostas, somos reais assim como somos fictícios, seres indeterminados fazendo o possível para se enquadrar, só que um pedaço de nós sempre invade o contorno limitador e escorre para fora. Queremos ser vistos com nitidez, eu sei, mas também somos aquele ser indefinido por trás do espelho embaçado no banheiro.
(Martha Medeiros. “A arte de falhar: um elogio ao que está fora de foco”,
27.07.2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Meus pais sempre me pareceram, aos olhos da criança que fui, perfeitos. Eu agradecia a Deus por ter nascido em um lar tão abençoado, onde tudo funcionava, e ai de quem duvidasse. Até que cresci e passei eu mesma a duvidar: ora, quem é perfeito? Eu me furtaria a vergonha de passar o resto da vida inebriada pela própria ilusão. Passei a glorificar o imperfeito e segui amando todos eles, já que ninguém é perfeito.
Estou longe de desprezar genialidades, como uma foto de Sebastião Salgado, uma página de Guimarães Rosa, o canto de Caetano Veloso. Aproximam-se do sagrado. Mas quando desço desse altar e caio no mundano, é pela imperfeição que me enamoro.
Faço todo esse preâmbulo para que eu possa exaltar o que está fora de foco. O abandono da excelência a favor da essência. Andamos obcecados por qualidade técnica, filtros que eliminam defeitos, nenhum ruído escapando, nenhum fio solto, a artificialidade substituindo o que é verdadeiro. A essência, ao contrário, é inexata, transcende, se move, esparrama. A essência não se falsifica, transforma a própria falha em gozo. Sabe que o excelente, ou é um gênio, ou um impostor.
Adoro, especialmente, fotos desfocadas, com sua imperfeição poética, humana. São retratos em movimento: da gente dançando, correndo, gesticulando. Somos borrões capturados por olhares objetivos, mas está para nascer quem nos possa reduzir a uma única dimensão. Temos várias versões sobrepostas, somos reais assim como somos fictícios, seres indeterminados fazendo o possível para se enquadrar, só que um pedaço de nós sempre invade o contorno limitador e escorre para fora. Queremos ser vistos com nitidez, eu sei, mas também somos aquele ser indefinido por trás do espelho embaçado no banheiro.
(Martha Medeiros. “A arte de falhar: um elogio ao que está fora de foco”,
27.07.2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Meus pais sempre me pareceram, aos olhos da criança que fui, perfeitos. Eu agradecia a Deus por ter nascido em um lar tão abençoado, onde tudo funcionava, e ai de quem duvidasse. Até que cresci e passei eu mesma a duvidar: ora, quem é perfeito? Eu me furtaria a vergonha de passar o resto da vida inebriada pela própria ilusão. Passei a glorificar o imperfeito e segui amando todos eles, já que ninguém é perfeito.
Estou longe de desprezar genialidades, como uma foto de Sebastião Salgado, uma página de Guimarães Rosa, o canto de Caetano Veloso. Aproximam-se do sagrado. Mas quando desço desse altar e caio no mundano, é pela imperfeição que me enamoro.
Faço todo esse preâmbulo para que eu possa exaltar o que está fora de foco. O abandono da excelência a favor da essência. Andamos obcecados por qualidade técnica, filtros que eliminam defeitos, nenhum ruído escapando, nenhum fio solto, a artificialidade substituindo o que é verdadeiro. A essência, ao contrário, é inexata, transcende, se move, esparrama. A essência não se falsifica, transforma a própria falha em gozo. Sabe que o excelente, ou é um gênio, ou um impostor.
Adoro, especialmente, fotos desfocadas, com sua imperfeição poética, humana. São retratos em movimento: da gente dançando, correndo, gesticulando. Somos borrões capturados por olhares objetivos, mas está para nascer quem nos possa reduzir a uma única dimensão. Temos várias versões sobrepostas, somos reais assim como somos fictícios, seres indeterminados fazendo o possível para se enquadrar, só que um pedaço de nós sempre invade o contorno limitador e escorre para fora. Queremos ser vistos com nitidez, eu sei, mas também somos aquele ser indefinido por trás do espelho embaçado no banheiro.
(Martha Medeiros. “A arte de falhar: um elogio ao que está fora de foco”,
27.07.2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Adaptado)
Leia a tira a seguir para responder à questão:

Leia o texto a seguir para responder à questão:
Em 1835, havia 65 mil pessoas morando em Salvador, antiga capital do Brasil Colônia que ainda gozava de prestígio econômico naqueles primeiros anos de país independente. Deste total, 40% eram escravizados. Dos escravizados, 63% eram nascidos em solo africano. Estes dados, trazidos pelo historiador João José Reis em seu livro Rebelião Escrava no Brasil – A História do Levante dos Malês, dão a dimensão do que representava o regime escravocrata para a sociedade brasileira, e ajudam a compreender o cenário que propiciou a ocorrência, na capital baiana, do maior levante de escravizados da história do Brasil: a Revolta dos Malês, episódio histórico que ocorreu na noite do dia 24 de janeiro de 1835.
Um aspecto interessante do levante malês é o fato de ele ter, em essência, uma base religiosa islâmica. “Não há sombra de dúvida sobre o papel central desempenhado pelos muçulmanos na rebelião de 1835”, escreve Reis. “Os rebeldes foram para as ruas com roupas só usadas na Bahia pelos adeptos do islã. No corpo dos que morreram, a polícia encontrou amuletos muçulmanos e papéis com rezas e passagens do Alcorão.”
A palavra “malê” deriva do idioma iorubá e significa justamente “muçulmano”. O jornalista e pesquisador Guilherme Soares Dias, fundador do Guia Negro, lembra que esses africanos muçulmanos que foram trazidos para Salvador tinham em comum o fato de que em geral “eram pessoas que sabiam ler e escrever” e acumulavam “um passado de luta”. Ele frisa ainda que muitos eram de posições importantes na África, o que os deixava em situação ainda mais vergonhosa sob o jugo da escravidão.
O gatilho foi a prisão de um líder religioso islâmico: Pacífico Licutan (?–1835), conhecido como Bilal – em alusão ao profeta muçulmano Bilal Ibne Rabá (581–642) – era um enrolador de tabaco escravizado, cujo proprietário era um médico, que vivia em Salvador. Acredita-se que o grupo pretendia, depois de revoltas generalizadas, conseguir não só libertar o líder religioso muçulmano como também derrubar o governo de Salvador e instituir ali uma administração malê. “A causa principal foi a opressão do sistema escravista e toda a desumanidade que o sistema escravista impunha. Em menor escala, outro fator foi o da intolerância religiosa”, comenta o historiador Petrônio Domingues, professor na Universidade Federal de Sergipe (UFS).
(Edison Veiga. O que foi a Revolta dos Malês, a maior rebelião de escravizados do Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/clylp4x10jpo, 08.10.2025. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Em 1835, havia 65 mil pessoas morando em Salvador, antiga capital do Brasil Colônia que ainda gozava de prestígio econômico naqueles primeiros anos de país independente. Deste total, 40% eram escravizados. Dos escravizados, 63% eram nascidos em solo africano. Estes dados, trazidos pelo historiador João José Reis em seu livro Rebelião Escrava no Brasil – A História do Levante dos Malês, dão a dimensão do que representava o regime escravocrata para a sociedade brasileira, e ajudam a compreender o cenário que propiciou a ocorrência, na capital baiana, do maior levante de escravizados da história do Brasil: a Revolta dos Malês, episódio histórico que ocorreu na noite do dia 24 de janeiro de 1835.
Um aspecto interessante do levante malês é o fato de ele ter, em essência, uma base religiosa islâmica. “Não há sombra de dúvida sobre o papel central desempenhado pelos muçulmanos na rebelião de 1835”, escreve Reis. “Os rebeldes foram para as ruas com roupas só usadas na Bahia pelos adeptos do islã. No corpo dos que morreram, a polícia encontrou amuletos muçulmanos e papéis com rezas e passagens do Alcorão.”
A palavra “malê” deriva do idioma iorubá e significa justamente “muçulmano”. O jornalista e pesquisador Guilherme Soares Dias, fundador do Guia Negro, lembra que esses africanos muçulmanos que foram trazidos para Salvador tinham em comum o fato de que em geral “eram pessoas que sabiam ler e escrever” e acumulavam “um passado de luta”. Ele frisa ainda que muitos eram de posições importantes na África, o que os deixava em situação ainda mais vergonhosa sob o jugo da escravidão.
O gatilho foi a prisão de um líder religioso islâmico: Pacífico Licutan (?–1835), conhecido como Bilal – em alusão ao profeta muçulmano Bilal Ibne Rabá (581–642) – era um enrolador de tabaco escravizado, cujo proprietário era um médico, que vivia em Salvador. Acredita-se que o grupo pretendia, depois de revoltas generalizadas, conseguir não só libertar o líder religioso muçulmano como também derrubar o governo de Salvador e instituir ali uma administração malê. “A causa principal foi a opressão do sistema escravista e toda a desumanidade que o sistema escravista impunha. Em menor escala, outro fator foi o da intolerância religiosa”, comenta o historiador Petrônio Domingues, professor na Universidade Federal de Sergipe (UFS).
(Edison Veiga. O que foi a Revolta dos Malês, a maior rebelião de escravizados do Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/clylp4x10jpo, 08.10.2025. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Em 1835, havia 65 mil pessoas morando em Salvador, antiga capital do Brasil Colônia que ainda gozava de prestígio econômico naqueles primeiros anos de país independente. Deste total, 40% eram escravizados. Dos escravizados, 63% eram nascidos em solo africano. Estes dados, trazidos pelo historiador João José Reis em seu livro Rebelião Escrava no Brasil – A História do Levante dos Malês, dão a dimensão do que representava o regime escravocrata para a sociedade brasileira, e ajudam a compreender o cenário que propiciou a ocorrência, na capital baiana, do maior levante de escravizados da história do Brasil: a Revolta dos Malês, episódio histórico que ocorreu na noite do dia 24 de janeiro de 1835.
Um aspecto interessante do levante malês é o fato de ele ter, em essência, uma base religiosa islâmica. “Não há sombra de dúvida sobre o papel central desempenhado pelos muçulmanos na rebelião de 1835”, escreve Reis. “Os rebeldes foram para as ruas com roupas só usadas na Bahia pelos adeptos do islã. No corpo dos que morreram, a polícia encontrou amuletos muçulmanos e papéis com rezas e passagens do Alcorão.”
A palavra “malê” deriva do idioma iorubá e significa justamente “muçulmano”. O jornalista e pesquisador Guilherme Soares Dias, fundador do Guia Negro, lembra que esses africanos muçulmanos que foram trazidos para Salvador tinham em comum o fato de que em geral “eram pessoas que sabiam ler e escrever” e acumulavam “um passado de luta”. Ele frisa ainda que muitos eram de posições importantes na África, o que os deixava em situação ainda mais vergonhosa sob o jugo da escravidão.
O gatilho foi a prisão de um líder religioso islâmico: Pacífico Licutan (?–1835), conhecido como Bilal – em alusão ao profeta muçulmano Bilal Ibne Rabá (581–642) – era um enrolador de tabaco escravizado, cujo proprietário era um médico, que vivia em Salvador. Acredita-se que o grupo pretendia, depois de revoltas generalizadas, conseguir não só libertar o líder religioso muçulmano como também derrubar o governo de Salvador e instituir ali uma administração malê. “A causa principal foi a opressão do sistema escravista e toda a desumanidade que o sistema escravista impunha. Em menor escala, outro fator foi o da intolerância religiosa”, comenta o historiador Petrônio Domingues, professor na Universidade Federal de Sergipe (UFS).
(Edison Veiga. O que foi a Revolta dos Malês, a maior rebelião de escravizados do Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/clylp4x10jpo, 08.10.2025. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Em 1835, havia 65 mil pessoas morando em Salvador, antiga capital do Brasil Colônia que ainda gozava de prestígio econômico naqueles primeiros anos de país independente. Deste total, 40% eram escravizados. Dos escravizados, 63% eram nascidos em solo africano. Estes dados, trazidos pelo historiador João José Reis em seu livro Rebelião Escrava no Brasil – A História do Levante dos Malês, dão a dimensão do que representava o regime escravocrata para a sociedade brasileira, e ajudam a compreender o cenário que propiciou a ocorrência, na capital baiana, do maior levante de escravizados da história do Brasil: a Revolta dos Malês, episódio histórico que ocorreu na noite do dia 24 de janeiro de 1835.
Um aspecto interessante do levante malês é o fato de ele ter, em essência, uma base religiosa islâmica. “Não há sombra de dúvida sobre o papel central desempenhado pelos muçulmanos na rebelião de 1835”, escreve Reis. “Os rebeldes foram para as ruas com roupas só usadas na Bahia pelos adeptos do islã. No corpo dos que morreram, a polícia encontrou amuletos muçulmanos e papéis com rezas e passagens do Alcorão.”
A palavra “malê” deriva do idioma iorubá e significa justamente “muçulmano”. O jornalista e pesquisador Guilherme Soares Dias, fundador do Guia Negro, lembra que esses africanos muçulmanos que foram trazidos para Salvador tinham em comum o fato de que em geral “eram pessoas que sabiam ler e escrever” e acumulavam “um passado de luta”. Ele frisa ainda que muitos eram de posições importantes na África, o que os deixava em situação ainda mais vergonhosa sob o jugo da escravidão.
O gatilho foi a prisão de um líder religioso islâmico: Pacífico Licutan (?–1835), conhecido como Bilal – em alusão ao profeta muçulmano Bilal Ibne Rabá (581–642) – era um enrolador de tabaco escravizado, cujo proprietário era um médico, que vivia em Salvador. Acredita-se que o grupo pretendia, depois de revoltas generalizadas, conseguir não só libertar o líder religioso muçulmano como também derrubar o governo de Salvador e instituir ali uma administração malê. “A causa principal foi a opressão do sistema escravista e toda a desumanidade que o sistema escravista impunha. Em menor escala, outro fator foi o da intolerância religiosa”, comenta o historiador Petrônio Domingues, professor na Universidade Federal de Sergipe (UFS).
(Edison Veiga. O que foi a Revolta dos Malês, a maior rebelião de escravizados do Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/clylp4x10jpo, 08.10.2025. Adaptado)
Leia a tira a seguir para responder à questão:

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Como Peru transformou um dos desertos mais áridos do mundo em um centro de produção de alimentos?
As vastas planícies desérticas da região de Ica, no Peru, deram lugar, nas últimas décadas, a extensas plantações de mirtilos e outras frutas.
Até a década de 1990, era difícil imaginar que essa área do deserto costeiro peruano, onde à primeira vista se vê pouco mais do que poeira e mar, pudesse se transformar em um grande centro de produção agrícola.
Mas foi exatamente isso que aconteceu não só ali, mas na maior parte do litoral desértico peruano, onde cresceram grandes plantações de frutas não tradicionais da região, como manga, mirtilos e abacates.
A enorme faixa que atravessa o país paralela às ondas do Pacífico e às elevações andinas converteu-se em um imenso pomar e no epicentro de uma pujante indústria agroexportadora.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação do Peru, as exportações agrícolas peruanas cresceram, entre 2010 e 2024, a uma média anual de 11%, alcançando em 2024 o recorde de US$ 9,185 milhões.
O Peru se transformou, nesses anos, no maior exportador mundial de uvas e de mirtilos — uma fruta que quase não era produzida no país antes de 2008.
E sua capacidade para produzir em grande escala durante as estações em que isso é mais difícil no hemisfério norte, fez com que o país se consolidasse como uma das grandes potências agroexportadoras, e um dos principais fornecedores dos Estados Unidos, Europa, China e outros mercados.
Mas quais são as consequências disso? Quem se beneficia? E esse boom de exportação agrícola peruano é sustentável?
O processo que levaria ao desenvolvimento da indústria agroexportadora peruana começou na década de 1990, quando o governo do então presidente Alberto Fujimori promoveu profundas reformas para reanimar um país — atingido por anos de crise econômica e hiperinflação.
"O trabalho de base foi realizado para reduzir as barreiras tarifárias, promover o investimento estrangeiro no Peru e reduzir os custos administrativos para as empresas. Buscava-se impulsionar os setores que tivessem potencial exportador", disse à BBC Mundo — serviço em espanhol da BBC — César Huaroto, economista da Universidade Peruana de Ciências Aplicadas.
"No início, o foco era o setor de mineração, mas, no fim do século já surge uma elite empresarial que vê o potencial do setor de exportação agrícola."
Mas não bastavam apenas leis mais favoráveis e nem boas intenções.
A agricultura em grande escala no Peru enfrentava tradicionalmente obstáculos como a baixa fertilidade dos solos da selva amazônica e a acidentada geografia da serra andina.
Ana Sabogal, especialista em ecologia vegetal e em mudanças antrópicas nos ecossistemas da Pontífica Universidade Católica do Peru, explicou que "o investimento privado de grandes agricultores, que são menos avessos ao risco do que os pequenos, facilitou inovações técnicas como a irrigação por gotejamento e o desenvolvimento de projetos de irrigação".
A solução para o problema da escassez de água no deserto permitiu que se começasse a cultivar em uma área onde tradicionalmente não se achava possível fazer agricultura, e a explorar suas condições climáticas únicas, que especialistas descrevem como uma "estufa natural".
"A região não tinha água, mas com água tornou-se uma terra muito fértil", afirma Huaroto.
Tudo isso, somado a inovações genéticas, como a que permitiu o cultivo local do mirtilo, possibilitou que o Peru incorporasse grandes extensões de seu deserto costeiro à superfície cultivável, que se expandiram em cerca de 30%, segundo estima Sabogal.
"Foi um aumento surpreendente e enorme da agroindústria", diz a especialista.
Hoje, regiões como Ica e Piura, no norte do país, tornaram-se importantes centros de produção agrícola, e a agroexportação é um dos motores da economia peruana.
O uso da expressão "estufa natural" permite inferir que:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Como Peru transformou um dos desertos mais áridos do mundo em um centro de produção de alimentos?
As vastas planícies desérticas da região de Ica, no Peru, deram lugar, nas últimas décadas, a extensas plantações de mirtilos e outras frutas.
Até a década de 1990, era difícil imaginar que essa área do deserto costeiro peruano, onde à primeira vista se vê pouco mais do que poeira e mar, pudesse se transformar em um grande centro de produção agrícola.
Mas foi exatamente isso que aconteceu não só ali, mas na maior parte do litoral desértico peruano, onde cresceram grandes plantações de frutas não tradicionais da região, como manga, mirtilos e abacates.
A enorme faixa que atravessa o país paralela às ondas do Pacífico e às elevações andinas converteu-se em um imenso pomar e no epicentro de uma pujante indústria agroexportadora.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação do Peru, as exportações agrícolas peruanas cresceram, entre 2010 e 2024, a uma média anual de 11%, alcançando em 2024 o recorde de US$ 9,185 milhões.
O Peru se transformou, nesses anos, no maior exportador mundial de uvas e de mirtilos — uma fruta que quase não era produzida no país antes de 2008.
E sua capacidade para produzir em grande escala durante as estações em que isso é mais difícil no hemisfério norte, fez com que o país se consolidasse como uma das grandes potências agroexportadoras, e um dos principais fornecedores dos Estados Unidos, Europa, China e outros mercados.
Mas quais são as consequências disso? Quem se beneficia? E esse boom de exportação agrícola peruano é sustentável?
O processo que levaria ao desenvolvimento da indústria agroexportadora peruana começou na década de 1990, quando o governo do então presidente Alberto Fujimori promoveu profundas reformas para reanimar um país — atingido por anos de crise econômica e hiperinflação.
"O trabalho de base foi realizado para reduzir as barreiras tarifárias, promover o investimento estrangeiro no Peru e reduzir os custos administrativos para as empresas. Buscava-se impulsionar os setores que tivessem potencial exportador", disse à BBC Mundo — serviço em espanhol da BBC — César Huaroto, economista da Universidade Peruana de Ciências Aplicadas.
"No início, o foco era o setor de mineração, mas, no fim do século já surge uma elite empresarial que vê o potencial do setor de exportação agrícola."
Mas não bastavam apenas leis mais favoráveis e nem boas intenções.
A agricultura em grande escala no Peru enfrentava tradicionalmente obstáculos como a baixa fertilidade dos solos da selva amazônica e a acidentada geografia da serra andina.
Ana Sabogal, especialista em ecologia vegetal e em mudanças antrópicas nos ecossistemas da Pontífica Universidade Católica do Peru, explicou que "o investimento privado de grandes agricultores, que são menos avessos ao risco do que os pequenos, facilitou inovações técnicas como a irrigação por gotejamento e o desenvolvimento de projetos de irrigação".
A solução para o problema da escassez de água no deserto permitiu que se começasse a cultivar em uma área onde tradicionalmente não se achava possível fazer agricultura, e a explorar suas condições climáticas únicas, que especialistas descrevem como uma "estufa natural".
"A região não tinha água, mas com água tornou-se uma terra muito fértil", afirma Huaroto.
Tudo isso, somado a inovações genéticas, como a que permitiu o cultivo local do mirtilo, possibilitou que o Peru incorporasse grandes extensões de seu deserto costeiro à superfície cultivável, que se expandiram em cerca de 30%, segundo estima Sabogal.
"Foi um aumento surpreendente e enorme da agroindústria", diz a especialista.
Hoje, regiões como Ica e Piura, no norte do país, tornaram-se importantes centros de produção agrícola, e a agroexportação é um dos motores da economia peruana.
No trecho, a expressão "pujante indústria agroexportadora" indica que:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Como Peru transformou um dos desertos mais áridos do mundo em um centro de produção de alimentos?
As vastas planícies desérticas da região de Ica, no Peru, deram lugar, nas últimas décadas, a extensas plantações de mirtilos e outras frutas.
Até a década de 1990, era difícil imaginar que essa área do deserto costeiro peruano, onde à primeira vista se vê pouco mais do que poeira e mar, pudesse se transformar em um grande centro de produção agrícola.
Mas foi exatamente isso que aconteceu não só ali, mas na maior parte do litoral desértico peruano, onde cresceram grandes plantações de frutas não tradicionais da região, como manga, mirtilos e abacates.
A enorme faixa que atravessa o país paralela às ondas do Pacífico e às elevações andinas converteu-se em um imenso pomar e no epicentro de uma pujante indústria agroexportadora.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação do Peru, as exportações agrícolas peruanas cresceram, entre 2010 e 2024, a uma média anual de 11%, alcançando em 2024 o recorde de US$ 9,185 milhões.
O Peru se transformou, nesses anos, no maior exportador mundial de uvas e de mirtilos — uma fruta que quase não era produzida no país antes de 2008.
E sua capacidade para produzir em grande escala durante as estações em que isso é mais difícil no hemisfério norte, fez com que o país se consolidasse como uma das grandes potências agroexportadoras, e um dos principais fornecedores dos Estados Unidos, Europa, China e outros mercados.
Mas quais são as consequências disso? Quem se beneficia? E esse boom de exportação agrícola peruano é sustentável?
O processo que levaria ao desenvolvimento da indústria agroexportadora peruana começou na década de 1990, quando o governo do então presidente Alberto Fujimori promoveu profundas reformas para reanimar um país — atingido por anos de crise econômica e hiperinflação.
"O trabalho de base foi realizado para reduzir as barreiras tarifárias, promover o investimento estrangeiro no Peru e reduzir os custos administrativos para as empresas. Buscava-se impulsionar os setores que tivessem potencial exportador", disse à BBC Mundo — serviço em espanhol da BBC — César Huaroto, economista da Universidade Peruana de Ciências Aplicadas.
"No início, o foco era o setor de mineração, mas, no fim do século já surge uma elite empresarial que vê o potencial do setor de exportação agrícola."
Mas não bastavam apenas leis mais favoráveis e nem boas intenções.
A agricultura em grande escala no Peru enfrentava tradicionalmente obstáculos como a baixa fertilidade dos solos da selva amazônica e a acidentada geografia da serra andina.
Ana Sabogal, especialista em ecologia vegetal e em mudanças antrópicas nos ecossistemas da Pontífica Universidade Católica do Peru, explicou que "o investimento privado de grandes agricultores, que são menos avessos ao risco do que os pequenos, facilitou inovações técnicas como a irrigação por gotejamento e o desenvolvimento de projetos de irrigação".
A solução para o problema da escassez de água no deserto permitiu que se começasse a cultivar em uma área onde tradicionalmente não se achava possível fazer agricultura, e a explorar suas condições climáticas únicas, que especialistas descrevem como uma "estufa natural".
"A região não tinha água, mas com água tornou-se uma terra muito fértil", afirma Huaroto.
Tudo isso, somado a inovações genéticas, como a que permitiu o cultivo local do mirtilo, possibilitou que o Peru incorporasse grandes extensões de seu deserto costeiro à superfície cultivável, que se expandiram em cerca de 30%, segundo estima Sabogal.
"Foi um aumento surpreendente e enorme da agroindústria", diz a especialista.
Hoje, regiões como Ica e Piura, no norte do país, tornaram-se importantes centros de produção agrícola, e a agroexportação é um dos motores da economia peruana.
Com base no texto "Como Peru transformou um dos desertos mais áridos do mundo em um centro de produção de alimentos?", analise as afirmativas a seguir.
I.O crescimento da agroexportação indica que o Peru soube explorar vantagens climáticas específicas, como a possibilidade de produzir fora das safras do hemisfério norte.
II.A irrigação e as inovações genéticas foram determinantes para superar limitações naturais, como a escassez de água e a baixa fertilidade dos solos.
III.Todos os grupos sociais no Peru se beneficiam igualmente do crescimento agroexportador.
IV.As reformas e políticas de incentivo econômico no Peru sempre se voltaram à agricultura e à agroexportação, por reconhecerem o potencial do setor de exportação agrícola.
É correto o que se afirma em: