Em: “… antiga capital do Brasil Colônia que ainda gozava de...

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Q3884544 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

Em 1835, havia 65 mil pessoas morando em Salvador, antiga capital do Brasil Colônia que ainda gozava de prestígio econômico naqueles primeiros anos de país independente. Deste total, 40% eram escravizados. Dos escravizados, 63% eram nascidos em solo africano. Estes dados, trazidos pelo historiador João José Reis em seu livro Rebelião Escrava no Brasil – A História do Levante dos Malês, dão a dimensão do que representava o regime escravocrata para a sociedade brasileira, e ajudam a compreender o cenário que propiciou a ocorrência, na capital baiana, do maior levante de escravizados da história do Brasil: a Revolta dos Malês, episódio histórico que ocorreu na noite do dia 24 de janeiro de 1835.

Um aspecto interessante do levante malês é o fato de ele ter, em essência, uma base religiosa islâmica. “Não há sombra de dúvida sobre o papel central desempenhado pelos muçulmanos na rebelião de 1835”, escreve Reis. “Os rebeldes foram para as ruas com roupas só usadas na Bahia pelos adeptos do islã. No corpo dos que morreram, a polícia encontrou amuletos muçulmanos e papéis com rezas e passagens do Alcorão.”

A palavra “malê” deriva do idioma iorubá e significa justamente “muçulmano”. O jornalista e pesquisador Guilherme Soares Dias, fundador do Guia Negro, lembra que esses africanos muçulmanos que foram trazidos para Salvador tinham em comum o fato de que em geral “eram pessoas que sabiam ler e escrever” e acumulavam “um passado de luta”. Ele frisa ainda que muitos eram de posições importantes na África, o que os deixava em situação ainda mais vergonhosa sob o jugo da escravidão.

O gatilho foi a prisão de um líder religioso islâmico: Pacífico Licutan (?–1835), conhecido como Bilal – em alusão ao profeta muçulmano Bilal Ibne Rabá (581–642) – era um enrolador de tabaco escravizado, cujo proprietário era um médico, que vivia em Salvador. Acredita-se que o grupo pretendia, depois de revoltas generalizadas, conseguir não só libertar o líder religioso muçulmano como também derrubar o governo de Salvador e instituir ali uma administração malê. “A causa principal foi a opressão do sistema escravista e toda a desumanidade que o sistema escravista impunha. Em menor escala, outro fator foi o da intolerância religiosa”, comenta o historiador Petrônio Domingues, professor na Universidade Federal de Sergipe (UFS).

 

(Edison Veiga. O que foi a Revolta dos Malês, a maior rebelião de escravizados do Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/clylp4x10jpo, 08.10.2025. Adaptado)

Em: “… antiga capital do Brasil Colônia que ainda gozava de prestígio econômico…” (1⁠º parágrafo), a palavra destacada é sinônimo de
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho “... antiga capital do Brasil Colônia que ainda gozava de prestígio econômico...”, a construção “gozar de + substantivo abstrato” tem valor de desfrutar ou usufruir de condição favorável. Como o comando pede sinônimo contextual, o termo destacado corresponde a “usufruía”.

Tema central: sentido contextual lexical
Análise das alternativas
A
Errada
“Necessitava” indica carência ou falta. No trecho, o sentido é o de ainda dispor de prestígio econômico, não o de precisar dele.
B
Certa
A alternativa B preserva o sentido de “gozava de prestígio econômico”. Nesse contexto, “gozar de” não tem valor coloquial, mas indica que Salvador ainda desfrutava ou usufruía desse prestígio econômico.
C
Errada
“Gostava” expressa agrado ou preferência subjetiva. Aqui, a expressão indica condição objetiva favorável de que a cidade dispunha.
D
Errada
“Sofria” introduz ideia de padecimento, oposta ao valor positivo de “prestígio econômico” no trecho.
E
Errada
“Demandava” significa exigir, requerer ou necessitar. Isso não preserva o sentido de possuir ou desfrutar de prestígio econômico.
Pegadinha da questão
A questão explora a confusão entre o sentido contextual de “gozar de” e sentidos isolados ou coloquiais de “gozar”, além da escolha mecânica de verbos que também regem a preposição “de”, mas não mantêm o mesmo valor semântico.
Dica para questões semelhantes
  • Leia o verbo junto com o complemento: em “gozar de prestígio”, o sentido está na expressão completa.
  • Se o comando pede sinônimo contextual, descarte opções que mudem a ideia para necessidade, preferência ou padecimento.
  • Não escolha o substituto apenas pela regência; verifique se o sentido do trecho permanece.

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