Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
Foram encontradas 127.524 questões
PEQUENAS E GRANDES ESPERANÇAS
Pensando (ou lembrando) bem, não foram tão verdes assim. A memória tem sempre essa tendência otimista de filtrar as lembranças más para deixar só o verde, o vivo. Antigamente, sempre era melhor, ainda que não fosse. Talvez porque já esteja, lá, tudo solucionado e a gente possa se ver, no tempo, como quem vê uma personagem num livro ou filme: aconteça o que acontecer, há um fim definido, predeterminado. Essa espécie de improvisação do agora, do que está sendo moldado, causa muito mais angústia. Não temos, como no samba, a menor ideia de como será o amanhã. Encontrar um único adjetivo para os anos 70 não é tão fácil assim. Facílima é a expressão “anos 70”, como se pudéssemos espremer aqueles dez anos em um único significado, ignorando as nuances todas. Os dias em que nada parecia acontecer e não estávamos dentro dos tais anos 70: por trás de circunstâncias históricas, nomes e datas, estávamos dentro de um tempo que ainda não ganhara uma forma exata. Se foram duros? Foram, foram duros. Mas foram também cheios de sonhos e encontros e pequenas e grandes esperanças. Foram anos em que não se podia viver muito para fora: a repressão política nos empurrava para dentro. Nesse movimento, havia duas opções principais e radicais: ou você caía de cabeça nas drogas ou mergulhava na clandestinidade política. O que ligava os dois comportamentos era uma vontade poderosa de mudar o país e o planeta, fosse através do ácido lisérgico nas caixas-d’água das cidades, fosse pela revolução do proletariado. Verde mesmo, verde clarinho, desse quase água, era ter perto de vinte anos e não saber que se sabia muito pouco das ditas coisas da vida. Justamente por isso, enfrentar de peito aberto todos os riscos de dentro ou de fora da própria cabeça, esgueirando-se entre paranoias quase sempre reais. Não tínhamos ainda essas marcas deixadas pelos que desistiram, se mataram, foram presos, torturados, assassinados, enlouqueceram — enquanto dentro de nós pequenas partes iam também desistindo, se matando, sendo presas, torturadas, assassinadas, enlouquecendo. Não ter essas marcas era verde. Verde era ainda estar inteiro e pronto para a luta, embora não parecesse. É por isso que, quando a barra pesa, gosto de pensar que dentro do agora talvez exista também um verde qualquer, que não estamos vendo. Só veremos quem sabe quando pudermos aprisionar estes anos num pacotinho, carimbá-lo e colocar na prateleira da História com o título de “anos 80”. Ficarão mais leves, assim batizados?
ABREU, Caio Fernando. O melhor de Caio Fernando Abreu. 1. ed. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
PEQUENAS E GRANDES ESPERANÇAS
Pensando (ou lembrando) bem, não foram tão verdes assim. A memória tem sempre essa tendência otimista de filtrar as lembranças más para deixar só o verde, o vivo. Antigamente, sempre era melhor, ainda que não fosse. Talvez porque já esteja, lá, tudo solucionado e a gente possa se ver, no tempo, como quem vê uma personagem num livro ou filme: aconteça o que acontecer, há um fim definido, predeterminado. Essa espécie de improvisação do agora, do que está sendo moldado, causa muito mais angústia. Não temos, como no samba, a menor ideia de como será o amanhã. Encontrar um único adjetivo para os anos 70 não é tão fácil assim. Facílima é a expressão “anos 70”, como se pudéssemos espremer aqueles dez anos em um único significado, ignorando as nuances todas. Os dias em que nada parecia acontecer e não estávamos dentro dos tais anos 70: por trás de circunstâncias históricas, nomes e datas, estávamos dentro de um tempo que ainda não ganhara uma forma exata. Se foram duros? Foram, foram duros. Mas foram também cheios de sonhos e encontros e pequenas e grandes esperanças. Foram anos em que não se podia viver muito para fora: a repressão política nos empurrava para dentro. Nesse movimento, havia duas opções principais e radicais: ou você caía de cabeça nas drogas ou mergulhava na clandestinidade política. O que ligava os dois comportamentos era uma vontade poderosa de mudar o país e o planeta, fosse através do ácido lisérgico nas caixas-d’água das cidades, fosse pela revolução do proletariado. Verde mesmo, verde clarinho, desse quase água, era ter perto de vinte anos e não saber que se sabia muito pouco das ditas coisas da vida. Justamente por isso, enfrentar de peito aberto todos os riscos de dentro ou de fora da própria cabeça, esgueirando-se entre paranoias quase sempre reais. Não tínhamos ainda essas marcas deixadas pelos que desistiram, se mataram, foram presos, torturados, assassinados, enlouqueceram — enquanto dentro de nós pequenas partes iam também desistindo, se matando, sendo presas, torturadas, assassinadas, enlouquecendo. Não ter essas marcas era verde. Verde era ainda estar inteiro e pronto para a luta, embora não parecesse. É por isso que, quando a barra pesa, gosto de pensar que dentro do agora talvez exista também um verde qualquer, que não estamos vendo. Só veremos quem sabe quando pudermos aprisionar estes anos num pacotinho, carimbá-lo e colocar na prateleira da História com o título de “anos 80”. Ficarão mais leves, assim batizados?
ABREU, Caio Fernando. O melhor de Caio Fernando Abreu. 1. ed. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
PEQUENAS E GRANDES ESPERANÇAS
Pensando (ou lembrando) bem, não foram tão verdes assim. A memória tem sempre essa tendência otimista de filtrar as lembranças más para deixar só o verde, o vivo. Antigamente, sempre era melhor, ainda que não fosse. Talvez porque já esteja, lá, tudo solucionado e a gente possa se ver, no tempo, como quem vê uma personagem num livro ou filme: aconteça o que acontecer, há um fim definido, predeterminado. Essa espécie de improvisação do agora, do que está sendo moldado, causa muito mais angústia. Não temos, como no samba, a menor ideia de como será o amanhã. Encontrar um único adjetivo para os anos 70 não é tão fácil assim. Facílima é a expressão “anos 70”, como se pudéssemos espremer aqueles dez anos em um único significado, ignorando as nuances todas. Os dias em que nada parecia acontecer e não estávamos dentro dos tais anos 70: por trás de circunstâncias históricas, nomes e datas, estávamos dentro de um tempo que ainda não ganhara uma forma exata. Se foram duros? Foram, foram duros. Mas foram também cheios de sonhos e encontros e pequenas e grandes esperanças. Foram anos em que não se podia viver muito para fora: a repressão política nos empurrava para dentro. Nesse movimento, havia duas opções principais e radicais: ou você caía de cabeça nas drogas ou mergulhava na clandestinidade política. O que ligava os dois comportamentos era uma vontade poderosa de mudar o país e o planeta, fosse através do ácido lisérgico nas caixas-d’água das cidades, fosse pela revolução do proletariado. Verde mesmo, verde clarinho, desse quase água, era ter perto de vinte anos e não saber que se sabia muito pouco das ditas coisas da vida. Justamente por isso, enfrentar de peito aberto todos os riscos de dentro ou de fora da própria cabeça, esgueirando-se entre paranoias quase sempre reais. Não tínhamos ainda essas marcas deixadas pelos que desistiram, se mataram, foram presos, torturados, assassinados, enlouqueceram — enquanto dentro de nós pequenas partes iam também desistindo, se matando, sendo presas, torturadas, assassinadas, enlouquecendo. Não ter essas marcas era verde. Verde era ainda estar inteiro e pronto para a luta, embora não parecesse. É por isso que, quando a barra pesa, gosto de pensar que dentro do agora talvez exista também um verde qualquer, que não estamos vendo. Só veremos quem sabe quando pudermos aprisionar estes anos num pacotinho, carimbá-lo e colocar na prateleira da História com o título de “anos 80”. Ficarão mais leves, assim batizados?
ABREU, Caio Fernando. O melhor de Caio Fernando Abreu. 1. ed. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
Leia o poema a seguir e responda à questão.

Leia o poema a seguir para a questão
Catar feijão
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
Ora, nesse catar feijão, entra um risco:
o de entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quanto ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com o risco.
(MELO NETO. J. C. de. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/52773/catar-feijao.)
Nos trechos em destaque, o poeta utilizou-se de um recurso linguístico denominado:
Leia o poema a seguir para a questão
Catar feijão
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
Ora, nesse catar feijão, entra um risco:
o de entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quanto ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com o risco.
(MELO NETO. J. C. de. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/52773/catar-feijao.)
I. O eu-lírico apresenta analogias entre escrever e catar feijão.
II. O eu-lírico caracteriza-se como um criador literário que não consegue terminar sua obra.
III. A criação literária é vista pelo eu-lírico com alguns obstáculos, porém solucionados.
Estão corretas apenas as afirmativas:
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Disponível em: http://bichinhosdejardim.com/
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Os graduados em redes sociais!
Roberto Issamu Yosida
Em tempos de conectividade total, vivenciamos um mundo de graduados em redes baseados em informações e imagens.
Todos têm informações, muitas sem nenhuma veracidade, variadas e aparentemente de fácil entendimento através de animações, gráficos, representações e falas de oradores talentosos e convincentes. Tudo muito visual e aparentemente verdadeiro. Cheio de informações céleres.
Tem-se a sensação do aprendizado fácil e rápido, seletivo de acordo com o desejo de enxergar sob ótica própria, sem argumentações, pensamento crítico e o contraditório do tema. Em geral, não há meio termo, mas polarização rasa e binária. O aprendizado necessita reflexão, tolerância e experiência de outros. Foi e será assim. Os autodidatas natos são espécie raríssima.
Na pandemia, a todo momento vemos manifestações de quem é ousado e arrisca se proclamar expert no que fala. Todos formam uma opinião baseada em sentimentos e, muitas vezes, em desespero ou até esperança.
O cérebro humano é deveras complexo e interessante. Pensemos no efeito Dunning-Kruger. Explico: nosso cérebro superestima nossas capacidades, de maneira que quanto menos sabemos sobre algo, mais cremos saber. Os que têm capacidade moderada são os que têm consciência de sua limitação e pouca habilidade. Os muito bons no assunto são os que subestimam suas capacidades porque têm facilidade em executar aquela tarefa. Essa deve ser a motivação para o aprendizado contínuo e a consciência de que “só sei que nada sei” e que preciso melhorar.
Temos dificuldades para entender o crescimento exponencial; parece lógico, mas não é. A sensação é de que o crescimento é lento e temos dificuldade em enxergar a rapidez.
Repentinamente, temos uma série de especialistas em pandemia. Não ouso opinar depois de muitos anos de Medicina. Deixo para os afeitos ao tema, seguramente acertarão mais do que eu. Seria mero exercício de “achismo”.
Muitas profissões precisam do amadurecimento e da passagem do ensinamento dos mestres. Do caráter, do comportamento, da ética. Não somente do conhecimento técnico. Esse pode ser adquirido nos livros e agora nos meios eletrônicos. Medicina é uma delas. Sem médicos e sem pacientes, não há Medicina. Pode haver diagnósticos e tratamentos robotizados, que não servirão ao ser humano. Porque esse necessita da proximidade, que tanto nos falta nesse momento de isolamento social. Talvez seja um dos legados desse tempo que vivemos.
*Roberto Issamu Yosida é presidente do CRM-PR.
**Artigo publicado no Portal Bem Paraná de 08/05/2020.
***As opiniões emitidas nos artigos desta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do CRM-PR
Disponível em https://www.crmpr.org.br/Os-graduados-emredes-sociais-13-54031.shtml 01)
I. Todos estão conjugados em tempos do modo indicativo.
II. Todos exprimem certeza do falante em relação ao que é comunicado.
III. “Necessita” exprime uma ideia de atemporalidade, apesar de estar flexionado no presente.
É correto o que se afirma em
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Os graduados em redes sociais!
Roberto Issamu Yosida
Em tempos de conectividade total, vivenciamos um mundo de graduados em redes baseados em informações e imagens.
Todos têm informações, muitas sem nenhuma veracidade, variadas e aparentemente de fácil entendimento através de animações, gráficos, representações e falas de oradores talentosos e convincentes. Tudo muito visual e aparentemente verdadeiro. Cheio de informações céleres.
Tem-se a sensação do aprendizado fácil e rápido, seletivo de acordo com o desejo de enxergar sob ótica própria, sem argumentações, pensamento crítico e o contraditório do tema. Em geral, não há meio termo, mas polarização rasa e binária. O aprendizado necessita reflexão, tolerância e experiência de outros. Foi e será assim. Os autodidatas natos são espécie raríssima.
Na pandemia, a todo momento vemos manifestações de quem é ousado e arrisca se proclamar expert no que fala. Todos formam uma opinião baseada em sentimentos e, muitas vezes, em desespero ou até esperança.
O cérebro humano é deveras complexo e interessante. Pensemos no efeito Dunning-Kruger. Explico: nosso cérebro superestima nossas capacidades, de maneira que quanto menos sabemos sobre algo, mais cremos saber. Os que têm capacidade moderada são os que têm consciência de sua limitação e pouca habilidade. Os muito bons no assunto são os que subestimam suas capacidades porque têm facilidade em executar aquela tarefa. Essa deve ser a motivação para o aprendizado contínuo e a consciência de que “só sei que nada sei” e que preciso melhorar.
Temos dificuldades para entender o crescimento exponencial; parece lógico, mas não é. A sensação é de que o crescimento é lento e temos dificuldade em enxergar a rapidez.
Repentinamente, temos uma série de especialistas em pandemia. Não ouso opinar depois de muitos anos de Medicina. Deixo para os afeitos ao tema, seguramente acertarão mais do que eu. Seria mero exercício de “achismo”.
Muitas profissões precisam do amadurecimento e da passagem do ensinamento dos mestres. Do caráter, do comportamento, da ética. Não somente do conhecimento técnico. Esse pode ser adquirido nos livros e agora nos meios eletrônicos. Medicina é uma delas. Sem médicos e sem pacientes, não há Medicina. Pode haver diagnósticos e tratamentos robotizados, que não servirão ao ser humano. Porque esse necessita da proximidade, que tanto nos falta nesse momento de isolamento social. Talvez seja um dos legados desse tempo que vivemos.
*Roberto Issamu Yosida é presidente do CRM-PR.
**Artigo publicado no Portal Bem Paraná de 08/05/2020.
***As opiniões emitidas nos artigos desta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do CRM-PR
Disponível em https://www.crmpr.org.br/Os-graduados-emredes-sociais-13-54031.shtml 01)
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Os graduados em redes sociais!
Roberto Issamu Yosida
Em tempos de conectividade total, vivenciamos um mundo de graduados em redes baseados em informações e imagens.
Todos têm informações, muitas sem nenhuma veracidade, variadas e aparentemente de fácil entendimento através de animações, gráficos, representações e falas de oradores talentosos e convincentes. Tudo muito visual e aparentemente verdadeiro. Cheio de informações céleres.
Tem-se a sensação do aprendizado fácil e rápido, seletivo de acordo com o desejo de enxergar sob ótica própria, sem argumentações, pensamento crítico e o contraditório do tema. Em geral, não há meio termo, mas polarização rasa e binária. O aprendizado necessita reflexão, tolerância e experiência de outros. Foi e será assim. Os autodidatas natos são espécie raríssima.
Na pandemia, a todo momento vemos manifestações de quem é ousado e arrisca se proclamar expert no que fala. Todos formam uma opinião baseada em sentimentos e, muitas vezes, em desespero ou até esperança.
O cérebro humano é deveras complexo e interessante. Pensemos no efeito Dunning-Kruger. Explico: nosso cérebro superestima nossas capacidades, de maneira que quanto menos sabemos sobre algo, mais cremos saber. Os que têm capacidade moderada são os que têm consciência de sua limitação e pouca habilidade. Os muito bons no assunto são os que subestimam suas capacidades porque têm facilidade em executar aquela tarefa. Essa deve ser a motivação para o aprendizado contínuo e a consciência de que “só sei que nada sei” e que preciso melhorar.
Temos dificuldades para entender o crescimento exponencial; parece lógico, mas não é. A sensação é de que o crescimento é lento e temos dificuldade em enxergar a rapidez.
Repentinamente, temos uma série de especialistas em pandemia. Não ouso opinar depois de muitos anos de Medicina. Deixo para os afeitos ao tema, seguramente acertarão mais do que eu. Seria mero exercício de “achismo”.
Muitas profissões precisam do amadurecimento e da passagem do ensinamento dos mestres. Do caráter, do comportamento, da ética. Não somente do conhecimento técnico. Esse pode ser adquirido nos livros e agora nos meios eletrônicos. Medicina é uma delas. Sem médicos e sem pacientes, não há Medicina. Pode haver diagnósticos e tratamentos robotizados, que não servirão ao ser humano. Porque esse necessita da proximidade, que tanto nos falta nesse momento de isolamento social. Talvez seja um dos legados desse tempo que vivemos.
*Roberto Issamu Yosida é presidente do CRM-PR.
**Artigo publicado no Portal Bem Paraná de 08/05/2020.
***As opiniões emitidas nos artigos desta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do CRM-PR
Disponível em https://www.crmpr.org.br/Os-graduados-emredes-sociais-13-54031.shtml 01)
I. Os termos destacados são classificados como advérbios de acordo com a gramática normativa.
II. Os termos destacados são classificados como adjetivos de acordo com a gramática normativa.
III. Os termos destacados indicam a opinião do autor em relação ao assunto discutido no texto.
IV. Os termos destacados estabelecem o pressuposto de que informações confiáveis não são adquiridas de forma simplista.
É correto o que se afirma em
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Os graduados em redes sociais!
Roberto Issamu Yosida
Em tempos de conectividade total, vivenciamos um mundo de graduados em redes baseados em informações e imagens.
Todos têm informações, muitas sem nenhuma veracidade, variadas e aparentemente de fácil entendimento através de animações, gráficos, representações e falas de oradores talentosos e convincentes. Tudo muito visual e aparentemente verdadeiro. Cheio de informações céleres.
Tem-se a sensação do aprendizado fácil e rápido, seletivo de acordo com o desejo de enxergar sob ótica própria, sem argumentações, pensamento crítico e o contraditório do tema. Em geral, não há meio termo, mas polarização rasa e binária. O aprendizado necessita reflexão, tolerância e experiência de outros. Foi e será assim. Os autodidatas natos são espécie raríssima.
Na pandemia, a todo momento vemos manifestações de quem é ousado e arrisca se proclamar expert no que fala. Todos formam uma opinião baseada em sentimentos e, muitas vezes, em desespero ou até esperança.
O cérebro humano é deveras complexo e interessante. Pensemos no efeito Dunning-Kruger. Explico: nosso cérebro superestima nossas capacidades, de maneira que quanto menos sabemos sobre algo, mais cremos saber. Os que têm capacidade moderada são os que têm consciência de sua limitação e pouca habilidade. Os muito bons no assunto são os que subestimam suas capacidades porque têm facilidade em executar aquela tarefa. Essa deve ser a motivação para o aprendizado contínuo e a consciência de que “só sei que nada sei” e que preciso melhorar.
Temos dificuldades para entender o crescimento exponencial; parece lógico, mas não é. A sensação é de que o crescimento é lento e temos dificuldade em enxergar a rapidez.
Repentinamente, temos uma série de especialistas em pandemia. Não ouso opinar depois de muitos anos de Medicina. Deixo para os afeitos ao tema, seguramente acertarão mais do que eu. Seria mero exercício de “achismo”.
Muitas profissões precisam do amadurecimento e da passagem do ensinamento dos mestres. Do caráter, do comportamento, da ética. Não somente do conhecimento técnico. Esse pode ser adquirido nos livros e agora nos meios eletrônicos. Medicina é uma delas. Sem médicos e sem pacientes, não há Medicina. Pode haver diagnósticos e tratamentos robotizados, que não servirão ao ser humano. Porque esse necessita da proximidade, que tanto nos falta nesse momento de isolamento social. Talvez seja um dos legados desse tempo que vivemos.
*Roberto Issamu Yosida é presidente do CRM-PR.
**Artigo publicado no Portal Bem Paraná de 08/05/2020.
***As opiniões emitidas nos artigos desta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do CRM-PR
Disponível em https://www.crmpr.org.br/Os-graduados-emredes-sociais-13-54031.shtml 01)