Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4428539 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



Sir Galahad, IA e a educação


Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio


    Há uma cena hilária e muito conhecida no filme Em Busca do Cálice Sagrado, do grupo Monty Python, em que dois guardas de um castelo veem Sir Galahad se aproximar à distância. Porém, toda vez que olham para o cavaleiro avançando, ele parece estar no mesmo lugar. Até que, de repente, ele atinge um dos guardas com sua espada e invade o castelo, como se tivesse aparecido do nada.   


    É assim que percebo a atitude de muitos professores em relação ao advento, para o grande público, dos chats de inteligência artificial, os modelos de linguagem de grande escala (large language model ou LLM), das quais ouvimos falar por todo lado. Importante dizer que me coloco aqui sob uma perspectiva específica: a de professor de filosofia em uma faculdade de educação (no caso, a FE-USP), que lida com ingressantes no curso de pedagogia e alunos de outras unidades que cursam licenciatura conosco. Em suma, estudantes interessados na profissão docente, e que são apresentados à literatura filosófica, parte da tradição teórica dos estudos em educação. Trabalhamos, portanto, com textos, e produzimos textos a partir deles.


    Em outras áreas, especialmente nas ciências exatas ou aplicadas, talvez a situação seja diferente, e a chegada de Galahad esteja sendo percebida razoavelmente bem, de forma a não pegar ninguém de surpresa. No âmbito das humanidades, porém, e em especial na área de educação, isso parece não ser verdade. Muitas vezes, quando ocorre uma discussão sobre o tema, ela é marcada por trivialidades, moralismo e indignação. Afinal, como é possível que uma máquina, ou um programa, substitua o pensamento, esse atributo até então irredutivelmente humano? Como redes neuronais frias ousam ocupar o espaço da inefável capacidade criativa das pessoas? São críticas recorrentes, que não impediram, no passado, a disseminação das calculadoras, dos computadores pessoais e das redes (anti)sociais, por mais que possamos, em muitos aspectos, lamentar o mundo que criaram.


    Raramente aprofundamos nossas discussões sobre os impactos da abertura do uso desses chatbots na forma como nossos alunos produzem seus textos, um fantasma que agora lança dúvidas sobre a “autenticidade” do material que lemos e corrigimos. As considerações, quando existem, quase sempre se dirigem à condenação de seu uso, e à invenção de meios de identificar quando ele ocorre (curiosamente, usando outras ferramentas de inteligência artificial). Afinal, um trabalho feito com auxílio de IA flertaria perigosamente com a malandragem, enganando o professor no justo instante em que se depara com o texto exemplar, cumpridor de todas as exigências de rigor e correção de linguagem. Um evidente crime de lesa-magistério. O texto áspero e com ruído passa a ser, então, a garantia precária de sua provável “humanidade”.  


    Esse é um problema, de fato. No entanto, não é o problema de fundo. Porque ainda estamos falando de meios: o aluno produz um texto usando IA para responder a uma demanda nossa. No limite, é certo, o trabalho apresentado pode ter sido feito sem qualquer reflexão pessoal ou empenho, sem realmente ser “dele”. Porém, o problema de fundo é outro: o uso generalizado das IAs, em suas diversas formas, e sua crescente ubiquidade deveriam nos fazer pensar, nós, professores (especialmente os de humanidades, que lidam com cânones e tradições literárias), no significado daquilo que pedimos aos nossos alunos, a partir do momento em que tal pedido pode ser realizado (e de forma bem melhor, se soubermos usar corretamente os prompts) por uma máquina. Como ficam o paper, o ensaio, o livro ou o capítulo “na era de sua reprodutibilidade técnica”? (Walter Benjamin tratou da reprodução da obra de arte e do simulacro; hoje, lidamos com a criação artificial de originais dotados até mesmo de aura.) 


    Por fim, ainda que nenhum aluno utilize tais recursos, e todos os trabalhos que pedimos sejam realizados a partir de livros e artigos – IA free – a questão permanece: se uma máquina pode fazer melhor, com mais rigor e correção, aquilo que pedimos ao aluno, não estaríamos equivocados em pedir o que pedimos? Se um programa é capaz de extrair insights, correlações e respostas de textos de forma mais eficaz do que um humano, qual o sentido (e não digo que ele não exista: precisa então ser esclarecido) de pedir ao aluno que o faça? (Veja-se, por exemplo, o recém-lançado Google NotebookLM, que gera tais resultados a partir do conteúdo fornecido pelo usuário e é capaz de criar um podcast extremamente realista a partir desse material.) Será que temos aqui algo semelhante à exigência de não usarmos calculadoras, para preservar nossa capacidade de fazer contas de cabeça? Ou, então, à proibição do uso de celulares em sala de aula, válida nas séries iniciais, mas desde sempre superada no ensino superior? (Pois muitos alunos leem no celular os textos – digitalizados – que indicamos.)  


    O uso massivo das IAs desafia a maneira como entendemos a produção e avaliação do conhecimento.

Responder a tais desafios de maneira reativa e moralista implica ver a banda passar. Só haverá algum espaço para nossas concepções românticas de produção intelectual – que incidem diretamente em nosso modo de avaliá-la – com seus insights únicos e originais, se aprendermos a buscar essa originalidade no uso de tais ferramentas. Sua rejeição bem-intencionada, mas inócua, ou a aceitação irrefletida, mas inepta, não são opções válidas para nós, professores.


    Porque, afinal, Sir Galahad vem chegando. 


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 25 out. 2024. 

Caracteriza a sequência dominante do texto: 
Alternativas
Q4428538 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



Sir Galahad, IA e a educação


Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio


    Há uma cena hilária e muito conhecida no filme Em Busca do Cálice Sagrado, do grupo Monty Python, em que dois guardas de um castelo veem Sir Galahad se aproximar à distância. Porém, toda vez que olham para o cavaleiro avançando, ele parece estar no mesmo lugar. Até que, de repente, ele atinge um dos guardas com sua espada e invade o castelo, como se tivesse aparecido do nada.   


    É assim que percebo a atitude de muitos professores em relação ao advento, para o grande público, dos chats de inteligência artificial, os modelos de linguagem de grande escala (large language model ou LLM), das quais ouvimos falar por todo lado. Importante dizer que me coloco aqui sob uma perspectiva específica: a de professor de filosofia em uma faculdade de educação (no caso, a FE-USP), que lida com ingressantes no curso de pedagogia e alunos de outras unidades que cursam licenciatura conosco. Em suma, estudantes interessados na profissão docente, e que são apresentados à literatura filosófica, parte da tradição teórica dos estudos em educação. Trabalhamos, portanto, com textos, e produzimos textos a partir deles.


    Em outras áreas, especialmente nas ciências exatas ou aplicadas, talvez a situação seja diferente, e a chegada de Galahad esteja sendo percebida razoavelmente bem, de forma a não pegar ninguém de surpresa. No âmbito das humanidades, porém, e em especial na área de educação, isso parece não ser verdade. Muitas vezes, quando ocorre uma discussão sobre o tema, ela é marcada por trivialidades, moralismo e indignação. Afinal, como é possível que uma máquina, ou um programa, substitua o pensamento, esse atributo até então irredutivelmente humano? Como redes neuronais frias ousam ocupar o espaço da inefável capacidade criativa das pessoas? São críticas recorrentes, que não impediram, no passado, a disseminação das calculadoras, dos computadores pessoais e das redes (anti)sociais, por mais que possamos, em muitos aspectos, lamentar o mundo que criaram.


    Raramente aprofundamos nossas discussões sobre os impactos da abertura do uso desses chatbots na forma como nossos alunos produzem seus textos, um fantasma que agora lança dúvidas sobre a “autenticidade” do material que lemos e corrigimos. As considerações, quando existem, quase sempre se dirigem à condenação de seu uso, e à invenção de meios de identificar quando ele ocorre (curiosamente, usando outras ferramentas de inteligência artificial). Afinal, um trabalho feito com auxílio de IA flertaria perigosamente com a malandragem, enganando o professor no justo instante em que se depara com o texto exemplar, cumpridor de todas as exigências de rigor e correção de linguagem. Um evidente crime de lesa-magistério. O texto áspero e com ruído passa a ser, então, a garantia precária de sua provável “humanidade”.  


    Esse é um problema, de fato. No entanto, não é o problema de fundo. Porque ainda estamos falando de meios: o aluno produz um texto usando IA para responder a uma demanda nossa. No limite, é certo, o trabalho apresentado pode ter sido feito sem qualquer reflexão pessoal ou empenho, sem realmente ser “dele”. Porém, o problema de fundo é outro: o uso generalizado das IAs, em suas diversas formas, e sua crescente ubiquidade deveriam nos fazer pensar, nós, professores (especialmente os de humanidades, que lidam com cânones e tradições literárias), no significado daquilo que pedimos aos nossos alunos, a partir do momento em que tal pedido pode ser realizado (e de forma bem melhor, se soubermos usar corretamente os prompts) por uma máquina. Como ficam o paper, o ensaio, o livro ou o capítulo “na era de sua reprodutibilidade técnica”? (Walter Benjamin tratou da reprodução da obra de arte e do simulacro; hoje, lidamos com a criação artificial de originais dotados até mesmo de aura.) 


    Por fim, ainda que nenhum aluno utilize tais recursos, e todos os trabalhos que pedimos sejam realizados a partir de livros e artigos – IA free – a questão permanece: se uma máquina pode fazer melhor, com mais rigor e correção, aquilo que pedimos ao aluno, não estaríamos equivocados em pedir o que pedimos? Se um programa é capaz de extrair insights, correlações e respostas de textos de forma mais eficaz do que um humano, qual o sentido (e não digo que ele não exista: precisa então ser esclarecido) de pedir ao aluno que o faça? (Veja-se, por exemplo, o recém-lançado Google NotebookLM, que gera tais resultados a partir do conteúdo fornecido pelo usuário e é capaz de criar um podcast extremamente realista a partir desse material.) Será que temos aqui algo semelhante à exigência de não usarmos calculadoras, para preservar nossa capacidade de fazer contas de cabeça? Ou, então, à proibição do uso de celulares em sala de aula, válida nas séries iniciais, mas desde sempre superada no ensino superior? (Pois muitos alunos leem no celular os textos – digitalizados – que indicamos.)  


    O uso massivo das IAs desafia a maneira como entendemos a produção e avaliação do conhecimento.

Responder a tais desafios de maneira reativa e moralista implica ver a banda passar. Só haverá algum espaço para nossas concepções românticas de produção intelectual – que incidem diretamente em nosso modo de avaliá-la – com seus insights únicos e originais, se aprendermos a buscar essa originalidade no uso de tais ferramentas. Sua rejeição bem-intencionada, mas inócua, ou a aceitação irrefletida, mas inepta, não são opções válidas para nós, professores.


    Porque, afinal, Sir Galahad vem chegando. 


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 25 out. 2024. 

De acordo com o texto, a questão principal a ser observada diante do cenário de onipresença da IA, na educação, é  
Alternativas
Q4428537 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



Sir Galahad, IA e a educação


Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio


    Há uma cena hilária e muito conhecida no filme Em Busca do Cálice Sagrado, do grupo Monty Python, em que dois guardas de um castelo veem Sir Galahad se aproximar à distância. Porém, toda vez que olham para o cavaleiro avançando, ele parece estar no mesmo lugar. Até que, de repente, ele atinge um dos guardas com sua espada e invade o castelo, como se tivesse aparecido do nada.   


    É assim que percebo a atitude de muitos professores em relação ao advento, para o grande público, dos chats de inteligência artificial, os modelos de linguagem de grande escala (large language model ou LLM), das quais ouvimos falar por todo lado. Importante dizer que me coloco aqui sob uma perspectiva específica: a de professor de filosofia em uma faculdade de educação (no caso, a FE-USP), que lida com ingressantes no curso de pedagogia e alunos de outras unidades que cursam licenciatura conosco. Em suma, estudantes interessados na profissão docente, e que são apresentados à literatura filosófica, parte da tradição teórica dos estudos em educação. Trabalhamos, portanto, com textos, e produzimos textos a partir deles.


    Em outras áreas, especialmente nas ciências exatas ou aplicadas, talvez a situação seja diferente, e a chegada de Galahad esteja sendo percebida razoavelmente bem, de forma a não pegar ninguém de surpresa. No âmbito das humanidades, porém, e em especial na área de educação, isso parece não ser verdade. Muitas vezes, quando ocorre uma discussão sobre o tema, ela é marcada por trivialidades, moralismo e indignação. Afinal, como é possível que uma máquina, ou um programa, substitua o pensamento, esse atributo até então irredutivelmente humano? Como redes neuronais frias ousam ocupar o espaço da inefável capacidade criativa das pessoas? São críticas recorrentes, que não impediram, no passado, a disseminação das calculadoras, dos computadores pessoais e das redes (anti)sociais, por mais que possamos, em muitos aspectos, lamentar o mundo que criaram.


    Raramente aprofundamos nossas discussões sobre os impactos da abertura do uso desses chatbots na forma como nossos alunos produzem seus textos, um fantasma que agora lança dúvidas sobre a “autenticidade” do material que lemos e corrigimos. As considerações, quando existem, quase sempre se dirigem à condenação de seu uso, e à invenção de meios de identificar quando ele ocorre (curiosamente, usando outras ferramentas de inteligência artificial). Afinal, um trabalho feito com auxílio de IA flertaria perigosamente com a malandragem, enganando o professor no justo instante em que se depara com o texto exemplar, cumpridor de todas as exigências de rigor e correção de linguagem. Um evidente crime de lesa-magistério. O texto áspero e com ruído passa a ser, então, a garantia precária de sua provável “humanidade”.  


    Esse é um problema, de fato. No entanto, não é o problema de fundo. Porque ainda estamos falando de meios: o aluno produz um texto usando IA para responder a uma demanda nossa. No limite, é certo, o trabalho apresentado pode ter sido feito sem qualquer reflexão pessoal ou empenho, sem realmente ser “dele”. Porém, o problema de fundo é outro: o uso generalizado das IAs, em suas diversas formas, e sua crescente ubiquidade deveriam nos fazer pensar, nós, professores (especialmente os de humanidades, que lidam com cânones e tradições literárias), no significado daquilo que pedimos aos nossos alunos, a partir do momento em que tal pedido pode ser realizado (e de forma bem melhor, se soubermos usar corretamente os prompts) por uma máquina. Como ficam o paper, o ensaio, o livro ou o capítulo “na era de sua reprodutibilidade técnica”? (Walter Benjamin tratou da reprodução da obra de arte e do simulacro; hoje, lidamos com a criação artificial de originais dotados até mesmo de aura.) 


    Por fim, ainda que nenhum aluno utilize tais recursos, e todos os trabalhos que pedimos sejam realizados a partir de livros e artigos – IA free – a questão permanece: se uma máquina pode fazer melhor, com mais rigor e correção, aquilo que pedimos ao aluno, não estaríamos equivocados em pedir o que pedimos? Se um programa é capaz de extrair insights, correlações e respostas de textos de forma mais eficaz do que um humano, qual o sentido (e não digo que ele não exista: precisa então ser esclarecido) de pedir ao aluno que o faça? (Veja-se, por exemplo, o recém-lançado Google NotebookLM, que gera tais resultados a partir do conteúdo fornecido pelo usuário e é capaz de criar um podcast extremamente realista a partir desse material.) Será que temos aqui algo semelhante à exigência de não usarmos calculadoras, para preservar nossa capacidade de fazer contas de cabeça? Ou, então, à proibição do uso de celulares em sala de aula, válida nas séries iniciais, mas desde sempre superada no ensino superior? (Pois muitos alunos leem no celular os textos – digitalizados – que indicamos.)  


    O uso massivo das IAs desafia a maneira como entendemos a produção e avaliação do conhecimento.

Responder a tais desafios de maneira reativa e moralista implica ver a banda passar. Só haverá algum espaço para nossas concepções românticas de produção intelectual – que incidem diretamente em nosso modo de avaliá-la – com seus insights únicos e originais, se aprendermos a buscar essa originalidade no uso de tais ferramentas. Sua rejeição bem-intencionada, mas inócua, ou a aceitação irrefletida, mas inepta, não são opções válidas para nós, professores.


    Porque, afinal, Sir Galahad vem chegando. 


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 25 out. 2024. 

O texto, de forma predominante,  
Alternativas
Q4428450 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



A paralisação das pesquisas com inteligência artificial


Diogo Cortiz 


    Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.  


    Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.


    No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.  


    A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder. 


    A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento. 


    O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los. 


    Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes. 


    Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas. 


    O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas. 


Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)

O texto refere-se, algumas vezes, ao gênero “carta”. Sobre esse gênero, é correto afirmar:
Alternativas
Q4428447 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



A paralisação das pesquisas com inteligência artificial


Diogo Cortiz 


    Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.  


    Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.


    No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.  


    A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder. 


    A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento. 


    O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los. 


    Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes. 


    Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas. 


    O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas. 


Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)

No quarto parágrafo, 
Alternativas
Q4428443 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



A paralisação das pesquisas com inteligência artificial


Diogo Cortiz 


    Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.  


    Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.


    No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.  


    A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder. 


    A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento. 


    O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los. 


    Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes. 


    Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas. 


    O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas. 


Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)

A mudança no direcionamento do raciocínio desenvolvido pelo autor do texto é constatada no
Alternativas
Q4428442 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



A paralisação das pesquisas com inteligência artificial


Diogo Cortiz 


    Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.  


    Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.


    No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.  


    A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder. 


    A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento. 


    O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los. 


    Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes. 


    Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas. 


    O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas. 


Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)

O título do texto é uma frase 
Alternativas
Q4428441 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



A paralisação das pesquisas com inteligência artificial


Diogo Cortiz 


    Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.  


    Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.


    No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.  


    A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder. 


    A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento. 


    O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los. 


    Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes. 


    Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas. 


    O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas. 


Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)

O texto é dominantemente
Alternativas
Q4427939 Português
"[...] o falar em geral do plano universal da linguagem implica falar segundo as regras elementares do pensar em conformidade com o conhecimento geral que o homem tem do mundo e das coisas nele existentes. Enfim, as pessoas têm de ser congruentes no falar e no entender os outros. Bom exercício desta atividade é a interpretação e a compreensão de textos escritos."
(BECHARA, 2020, p. 764)

Considerando o trecho apresentado e os princípios relacionados à interpretação e à compreensão de textos, analise as asserções a seguir.

I. A distinção entre o erro de extrapolação e a interpretação legítima de um texto não reside no fato de o leitor ir além do que está explicitamente escrito, mas no amparo textual da conclusão.

PORQUE

II. Enquanto a interpretação consiste em inferir aquilo que pode ser inferido das informações e das relações estabelecidas pelo próprio texto, a extrapolação consiste em trazer para a análise elementos externos a ele, os quais, mesmo verdadeiros no plano da realidade, não encontram sustentação nas relações internas do texto analisado.

A respeito das asserções, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q4427929 Português
Nos estudos linguísticos, costuma-se distinguir tipo textual de gênero textual: o primeiro remete a modos de organização definidos por traços linguísticos predominantes; o segundo, aos textos que circulam socialmente, com funções comunicativas reconhecíveis.

Considerando essa distinção, analise as afirmativas a seguir.

I. Os tipos textuais abrangem um número reduzido de categorias, como narração, descrição e argumentação, ao passo que os gêneros textuais são potencialmente ilimitados e historicamente variáveis, surgindo e desaparecendo conforme as práticas sociais.
II. Um mesmo gênero textual pode apresentar, em sua composição interna, diferentes sequências tipológicas, como narrativas, descritivas e argumentativas, fenômeno denominado heterogeneidade tipológica. Uma carta, por exemplo, pode conter uma sequência narrativa, trechos descritivos e segmentos argumentativos. 
III. Quando um gênero assume a forma de outro para cumprir sua função, como um artigo de opinião redigido em forma de poema, ocorre o fenômeno da heterogeneidade tipológica.
IV. O suporte, isto é, o meio físico ou virtual em que o texto se fixa e circula, é neutro em relação ao gênero, de modo que a mudança de suporte não interfere na configuração nem na identificação do gênero textual.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições CORRETAS.
Alternativas
Q4427925 Português
A língua portuguesa apresenta diferentes fenômenos semânticos que estabelecem relações específicas entre palavras, como homonímia, sinonímia e antonímia. Considerando as frases a seguir, elaboradas para ilustrar cada um desses fenômenos, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.

(__) Em 'A escola montou um novo cenário pedagógico para o próximo semestre', observa-se o emprego de uma palavra homônima, cuja substituição da primeira consoante resulta em outra palavra, de sentido distinto, embora ambas apresentem a mesma pronúncia.
(__) Em 'A direção questionou a confiabilidade dos dados apresentados na avaliação institucional', o vocábulo 'fiabilidade' pode substituir 'confiabilidade' sem alteração significativa de sentido, uma vez que ambos designam a qualidade daquilo que é digno de confiança.
(__) Em 'Aquele professor era onipresente nas atividades extracurriculares da escola' e 'seu colega, ao contrário, estava sempre ausente das reuniões pedagógicas', os vocábulos 'onipresente' e 'ausente' ocupam posições opostas em uma mesma escala semântica.
(__) Em 'Aparentemente, o novo método de ensino traria bons resultados', o vocábulo 'aparentemente' pode ser substituído por 'presumivelmente' sem alteração essencial do sentido, uma vez que sinônimos podem, em determinados contextos, ser empregados um em lugar do outro, apesar de apresentarem diferentes matizes de sentido ou de carga estilística.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
Alternativas
Q4427920 Português
Na perspectiva da Linguística Textual que concebe o texto como evento comunicativo e a coerência como construção resultante da interação entre texto, produtor e interlocutor, coesão e coerência são conceitos distintos, embora relacionados.

Considerando essa perspectiva, analise as afirmativas a seguir.

I. A presença de mecanismos coesivos contribui para a organização das relações entre os elementos do texto e constitui requisito indispensável para a construção da coerência, uma vez que, sem elos coesivos explícitos, o interlocutor fica impossibilitado de recuperar as relações de sentido pretendidas pelo produtor do texto.
II. Embora a coerência seja construída a partir do texto em determinada situação comunicativa, sua efetivação depende das operações interpretativas realizadas pelo interlocutor, as quais ocorrem de forma independente das escolhas linguísticas feitas pelo produtor do texto.
III. A coesão manifesta-se na superfície textual, por meio de mecanismos linguísticos (como conectivos, pronomes, substituições lexicais e elipses), ao passo que a coerência resulta de um processo interpretativo que extrapola os limites do material linguístico presente no texto.
IV. Por depender também de fatores cognitivos, pragmáticos e interacionais, e não apenas linguísticos, a coerência pode ser estabelecida pelo leitor mesmo diante de textos que não apresentem elos de coesão explicitamente marcados.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições CORRETAS.
Alternativas
Q4427591 Português
Os impactos do racismo na educação infantil


Assisti recentemente a "Nosso Segredo", o longa dirigido e roteirizado por Grace Passô, que estreou em setembro nos cinemas e usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo. Uma das cenas mais tocantes do filme é um diálogo de Sidney (Juan Queiroz) com Tutu (Efraim Santos), um menino de 7 anos. Na conversa, Sidney, que namora a irmã do menino, fala sobre o bullying que sofria na escola e como isso afetou sua autoestima, ao perceber que a criança poderia estar passando por uma situação semelhante. Sem didatismos desnecessários, o bate-papo entre eles expõe de forma sensível e delicada os efeitos dolorosos que o racismo pode ter na construção da identidade de crianças negras.

O longa é um dos pré-selecionados para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. Independentemente do resultado, ele acerta ao abordar na ficção um assunto que precisa ser discutido com urgência na vida real.

Segundo a pesquisa Panorama da Primeira Infância - O Impacto do Racismo, realizada pelo Datafolha e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal no final de 2025, 16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo. Os casos são mais comuns entre as de 4 a 6 anos (21%) do que entre as de 0 a 3 anos (10%), possivelmente porque as menores ainda não reconhecem ou verbalizam a discriminação. A prevalência também é maior em famílias de baixa renda. Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores.

Assim como sugere a ficção, na infância o racismo impacta a saúde física e socioemocional, a autopercepção, a socialização e o acesso a direitos e a oportunidades de aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento integral das crianças.

"Marcadores raciais, como cabelo e cor de pele, atravessam as infâncias negras", diz a pedagoga Lavínia Brasilino de Moraes, em entrevista à coluna. Mestra em Educação, Lavínia estuda o racismo na infância e sua pesquisa foi uma das vencedoras da última edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).

A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas numa escola de Educação Infantil do Campo, no sul da Bahia, em Ilhéus, mostrou, entre outras coisas, que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar.

"As crianças acabam reproduzindo o racismo no brincar, principalmente segregando bonecas negras que estavam na sala", diz a pedagoga. "Muitas vezes, elas se recusavam até a tocar na boneca. Quando tocavam, era para arremessá-la. Ao criar personagens, a boneca negra também era sempre a má", conta.

Segundo Lavínia Moraes, o racismo interfere de formas diferentes em meninos e meninas negras. Em relação às meninas, o que aparece como mais evidente é a negação do cabelo crespo e cacheado. "As meninas ficavam com o cabelo muito preso. Uma das crianças se referia ao próprio cabelo como um cabelo duro quando solto. Isso é muito impactante porque estamos falando de crianças de 5 anos", lamenta.

Nas interações livres, havia brinquedos como prancha e secador de cabelo e as meninas acabavam reproduzindo no brincar o desejo de ter um cabelo alisado.

Em relação aos meninos, o cabelo também aparece como forte marcador racial. "Eles usavam o cabelo muito curto, quase raspado, numa tentativa de contê-lo", observa, acrescentando que eles não sabiam sequer dizer se o cabelo era crespo, cacheado ou ondulado.

Outro fator que apareceu na pesquisa é a negação em relação ao próprio tom da pele. "O racismo na infância faz com que as crianças neguem a própria tonalidade da pele", diz Lavínia. Ela observou que havia crianças negras se autodeclarando como brancas ou usando outras nomenclaturas como "marrom", "moreno claro" ou "um pouco branca".

A própria pesquisadora, que é negra, foi retratada num desenho por uma das crianças com a pele clara, pintada com lápis salmão. Ao ser questionada pelo erro, a menina retrucou: "Você vai querer mesmo que eu pinte dessa cor? Marrom? Vai ficar feio!".

"O mais gritante para mim é a forma como o racismo afeta a identidade dessas crianças em relação às suas próprias características físicas, aos seus fenótipos, como traços do nariz mais largo, da boca, do tom de pele, do cabelo", afirma a pedagoga.

Dados do Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-Estar na Primeira Infância (IELS, sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados neste ano, mostram que as desigualdades educacionais aparecem antes mesmo do ingresso no ensino fundamental e são fortemente influenciadas por cor/raça e nível socioeconômico.

Os resultados indicam que crianças brancas apresentam, em média, níveis mais elevados em aprendizagem de linguagem e matemática do que crianças pretas e pardas. As desigualdades mais pronunciadas aparecem na comparação entre crianças brancas e pretas: cerca de 17 pontos a menos em linguagem e 40 pontos a menos em matemática. O estudo foi conduzido com crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em três estados: Ceará, Pará e São Paulo.

Em relação às interações das crianças entre elas e com a equipe escolar, um ponto considerado fundamental na educação infantil, a pedagoga observa que as de pele mais escura (preta retinta) tinham comportamento de maior isolamento.

"Na hora de participar, elas eram mais tímidas e caladas, menos expressivas nas brincadeiras", diz, reforçando que isso acaba afetando o desenvolvimento das habilidades nessa etapa da educação básica.

Educar, cuidar e brincar são pilares fundamentais da educação infantil. "Interações e brincadeiras devem orientar a prática pedagógica e os professores precisam estar atentos a elas", diz Lavínia Moraes.

Também é necessário ter acervos e materiais didáticos comprometidos com a diversidade. Isso inclui, segundo a pedagoga, desde livros infantis com representações positivas de crianças negras e brinquedos que contemplem a pluralidade dos corpos, até materiais de colorir com variedade de tons de pele, bonecas e bonecos com traços diversos. "Quando há um trabalho realmente intencional para as questões étnico-raciais, as crianças se transformam", diz.

Embora a Lei n° 10.639/03 não cite explicitamente a obrigatoriedade dessa temática na educação infantil, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, que orientam as práticas para o seu cumprimento, incluem todas as etapas educacionais. Segundo a pedagoga, é urgente a adequação das políticas educacionais.

Isso implica estratégias de efetivação contínua, recursos financeiros para aquisição de materiais que tragam a diversidade para dentro da sala de aula e formação continuada dos professores.

"Existe a lei, mas é preciso que os professores recebam a formação que os qualifique para trabalhar com essa questão e que também haja uma adequação dos currículos. Não adianta ter a lei se o currículo ainda está distante do que ela preconiza", critica a pedagoga.

Em janeiro de 2027, a lei completa 24 anos. Apesar do avanço que representa, infelizmente, não há muito o que comemorar. Depois de tanto tempo, ainda falta o principal: implementá-la na sala de aula, desde a educação infantil.


Texto adaptado de: PERES, Andréia. Os impactos do racismo na educação infantil. Veja, 15 set. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/os-impactos-do-racismona-educacao-infantil/. Acesso em: 24 set. 2026. 
Com base no texto sobre os impactos do racismo na educação infantil, julgue as proposições a seguir.

I. A diferença entre os percentuais de cuidadores que relatam casos de racismo envolvendo crianças de 4 a 6 anos e de 0 a 3 anos é associada, no texto, ao fato de as crianças menores frequentarem menos creches e pré-escolas, ambientes mais citados pelos cuidadores como locais de ocorrência de racismo.
II. Uma vez que o estudo do IELS/OCDE foi conduzido especificamente em três estados (Ceará, Pará e São Paulo), as desigualdades de aprendizagem associadas à cor/raça ali constatadas permitem descrever um padrão observado nesse recorte da pesquisa, sem que os dados, tal como apresentados, abranjam o conjunto das crianças da educação infantil de todo o país.
III. A manifestação sutil e cotidiana do racismo no ambiente escolar, mencionada como um dos achados da análise de campo conduzida por Lavínia Moraes, é apresentada de modo a sugerir que outros resultados também foram identificados, ainda que não estejam detalhados naquele ponto específico do relato.
IV. O comportamento de maior isolamento das crianças de pele mais escura é apresentado pela pedagoga como consequência direta da segregação das bonecas negras nas brincadeiras, fator que, segundo ela, acaba afetando o desenvolvimento das habilidades nessa etapa escolar.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições CORRETAS.
Alternativas
Q4427590 Português
Os impactos do racismo na educação infantil


Assisti recentemente a "Nosso Segredo", o longa dirigido e roteirizado por Grace Passô, que estreou em setembro nos cinemas e usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo. Uma das cenas mais tocantes do filme é um diálogo de Sidney (Juan Queiroz) com Tutu (Efraim Santos), um menino de 7 anos. Na conversa, Sidney, que namora a irmã do menino, fala sobre o bullying que sofria na escola e como isso afetou sua autoestima, ao perceber que a criança poderia estar passando por uma situação semelhante. Sem didatismos desnecessários, o bate-papo entre eles expõe de forma sensível e delicada os efeitos dolorosos que o racismo pode ter na construção da identidade de crianças negras.

O longa é um dos pré-selecionados para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. Independentemente do resultado, ele acerta ao abordar na ficção um assunto que precisa ser discutido com urgência na vida real.

Segundo a pesquisa Panorama da Primeira Infância - O Impacto do Racismo, realizada pelo Datafolha e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal no final de 2025, 16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo. Os casos são mais comuns entre as de 4 a 6 anos (21%) do que entre as de 0 a 3 anos (10%), possivelmente porque as menores ainda não reconhecem ou verbalizam a discriminação. A prevalência também é maior em famílias de baixa renda. Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores.

Assim como sugere a ficção, na infância o racismo impacta a saúde física e socioemocional, a autopercepção, a socialização e o acesso a direitos e a oportunidades de aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento integral das crianças.

"Marcadores raciais, como cabelo e cor de pele, atravessam as infâncias negras", diz a pedagoga Lavínia Brasilino de Moraes, em entrevista à coluna. Mestra em Educação, Lavínia estuda o racismo na infância e sua pesquisa foi uma das vencedoras da última edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).

A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas numa escola de Educação Infantil do Campo, no sul da Bahia, em Ilhéus, mostrou, entre outras coisas, que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar.

"As crianças acabam reproduzindo o racismo no brincar, principalmente segregando bonecas negras que estavam na sala", diz a pedagoga. "Muitas vezes, elas se recusavam até a tocar na boneca. Quando tocavam, era para arremessá-la. Ao criar personagens, a boneca negra também era sempre a má", conta.

Segundo Lavínia Moraes, o racismo interfere de formas diferentes em meninos e meninas negras. Em relação às meninas, o que aparece como mais evidente é a negação do cabelo crespo e cacheado. "As meninas ficavam com o cabelo muito preso. Uma das crianças se referia ao próprio cabelo como um cabelo duro quando solto. Isso é muito impactante porque estamos falando de crianças de 5 anos", lamenta.

Nas interações livres, havia brinquedos como prancha e secador de cabelo e as meninas acabavam reproduzindo no brincar o desejo de ter um cabelo alisado.

Em relação aos meninos, o cabelo também aparece como forte marcador racial. "Eles usavam o cabelo muito curto, quase raspado, numa tentativa de contê-lo", observa, acrescentando que eles não sabiam sequer dizer se o cabelo era crespo, cacheado ou ondulado.

Outro fator que apareceu na pesquisa é a negação em relação ao próprio tom da pele. "O racismo na infância faz com que as crianças neguem a própria tonalidade da pele", diz Lavínia. Ela observou que havia crianças negras se autodeclarando como brancas ou usando outras nomenclaturas como "marrom", "moreno claro" ou "um pouco branca".

A própria pesquisadora, que é negra, foi retratada num desenho por uma das crianças com a pele clara, pintada com lápis salmão. Ao ser questionada pelo erro, a menina retrucou: "Você vai querer mesmo que eu pinte dessa cor? Marrom? Vai ficar feio!".

"O mais gritante para mim é a forma como o racismo afeta a identidade dessas crianças em relação às suas próprias características físicas, aos seus fenótipos, como traços do nariz mais largo, da boca, do tom de pele, do cabelo", afirma a pedagoga.

Dados do Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-Estar na Primeira Infância (IELS, sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados neste ano, mostram que as desigualdades educacionais aparecem antes mesmo do ingresso no ensino fundamental e são fortemente influenciadas por cor/raça e nível socioeconômico.

Os resultados indicam que crianças brancas apresentam, em média, níveis mais elevados em aprendizagem de linguagem e matemática do que crianças pretas e pardas. As desigualdades mais pronunciadas aparecem na comparação entre crianças brancas e pretas: cerca de 17 pontos a menos em linguagem e 40 pontos a menos em matemática. O estudo foi conduzido com crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em três estados: Ceará, Pará e São Paulo.

Em relação às interações das crianças entre elas e com a equipe escolar, um ponto considerado fundamental na educação infantil, a pedagoga observa que as de pele mais escura (preta retinta) tinham comportamento de maior isolamento.

"Na hora de participar, elas eram mais tímidas e caladas, menos expressivas nas brincadeiras", diz, reforçando que isso acaba afetando o desenvolvimento das habilidades nessa etapa da educação básica.

Educar, cuidar e brincar são pilares fundamentais da educação infantil. "Interações e brincadeiras devem orientar a prática pedagógica e os professores precisam estar atentos a elas", diz Lavínia Moraes.

Também é necessário ter acervos e materiais didáticos comprometidos com a diversidade. Isso inclui, segundo a pedagoga, desde livros infantis com representações positivas de crianças negras e brinquedos que contemplem a pluralidade dos corpos, até materiais de colorir com variedade de tons de pele, bonecas e bonecos com traços diversos. "Quando há um trabalho realmente intencional para as questões étnico-raciais, as crianças se transformam", diz.

Embora a Lei n° 10.639/03 não cite explicitamente a obrigatoriedade dessa temática na educação infantil, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, que orientam as práticas para o seu cumprimento, incluem todas as etapas educacionais. Segundo a pedagoga, é urgente a adequação das políticas educacionais.

Isso implica estratégias de efetivação contínua, recursos financeiros para aquisição de materiais que tragam a diversidade para dentro da sala de aula e formação continuada dos professores.

"Existe a lei, mas é preciso que os professores recebam a formação que os qualifique para trabalhar com essa questão e que também haja uma adequação dos currículos. Não adianta ter a lei se o currículo ainda está distante do que ela preconiza", critica a pedagoga.

Em janeiro de 2027, a lei completa 24 anos. Apesar do avanço que representa, infelizmente, não há muito o que comemorar. Depois de tanto tempo, ainda falta o principal: implementá-la na sala de aula, desde a educação infantil.


Texto adaptado de: PERES, Andréia. Os impactos do racismo na educação infantil. Veja, 15 set. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/os-impactos-do-racismona-educacao-infantil/. Acesso em: 24 set. 2026. 
"Assisti recentemente a "Nosso Segredo", o longa dirigido e roteirizado por Grace Passô, que estreou em setembro nos cinemas e usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo."

Considerando a possibilidade de substituição do adjetivo 'espinhosos' nesse trecho, analise as asserções a seguir.

I. A substituição de 'espinhosos' por 'delicados' preserva o sentido geral da frase, mas não constitui sinonímia perfeita, uma vez que 'espinhoso' sugere, por metáfora, dificuldade e desconforto no trato do tema, ao passo que 'delicado' enfatiza a necessidade de cuidado e sensibilidade ao abordá-lo.

PORQUE

II. Sinônimos, ainda quando intercambiáveis em um contexto específico, raramente mantêm equivalência total de sentido em todos os usos possíveis da língua, o que caracteriza a sinonímia como relação de proximidade semântica, e não de identidade absoluta entre os vocábulos.

A respeito das asserções, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4427588 Português
Os impactos do racismo na educação infantil


Assisti recentemente a "Nosso Segredo", o longa dirigido e roteirizado por Grace Passô, que estreou em setembro nos cinemas e usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo. Uma das cenas mais tocantes do filme é um diálogo de Sidney (Juan Queiroz) com Tutu (Efraim Santos), um menino de 7 anos. Na conversa, Sidney, que namora a irmã do menino, fala sobre o bullying que sofria na escola e como isso afetou sua autoestima, ao perceber que a criança poderia estar passando por uma situação semelhante. Sem didatismos desnecessários, o bate-papo entre eles expõe de forma sensível e delicada os efeitos dolorosos que o racismo pode ter na construção da identidade de crianças negras.

O longa é um dos pré-selecionados para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. Independentemente do resultado, ele acerta ao abordar na ficção um assunto que precisa ser discutido com urgência na vida real.

Segundo a pesquisa Panorama da Primeira Infância - O Impacto do Racismo, realizada pelo Datafolha e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal no final de 2025, 16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo. Os casos são mais comuns entre as de 4 a 6 anos (21%) do que entre as de 0 a 3 anos (10%), possivelmente porque as menores ainda não reconhecem ou verbalizam a discriminação. A prevalência também é maior em famílias de baixa renda. Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores.

Assim como sugere a ficção, na infância o racismo impacta a saúde física e socioemocional, a autopercepção, a socialização e o acesso a direitos e a oportunidades de aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento integral das crianças.

"Marcadores raciais, como cabelo e cor de pele, atravessam as infâncias negras", diz a pedagoga Lavínia Brasilino de Moraes, em entrevista à coluna. Mestra em Educação, Lavínia estuda o racismo na infância e sua pesquisa foi uma das vencedoras da última edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).

A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas numa escola de Educação Infantil do Campo, no sul da Bahia, em Ilhéus, mostrou, entre outras coisas, que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar.

"As crianças acabam reproduzindo o racismo no brincar, principalmente segregando bonecas negras que estavam na sala", diz a pedagoga. "Muitas vezes, elas se recusavam até a tocar na boneca. Quando tocavam, era para arremessá-la. Ao criar personagens, a boneca negra também era sempre a má", conta.

Segundo Lavínia Moraes, o racismo interfere de formas diferentes em meninos e meninas negras. Em relação às meninas, o que aparece como mais evidente é a negação do cabelo crespo e cacheado. "As meninas ficavam com o cabelo muito preso. Uma das crianças se referia ao próprio cabelo como um cabelo duro quando solto. Isso é muito impactante porque estamos falando de crianças de 5 anos", lamenta.

Nas interações livres, havia brinquedos como prancha e secador de cabelo e as meninas acabavam reproduzindo no brincar o desejo de ter um cabelo alisado.

Em relação aos meninos, o cabelo também aparece como forte marcador racial. "Eles usavam o cabelo muito curto, quase raspado, numa tentativa de contê-lo", observa, acrescentando que eles não sabiam sequer dizer se o cabelo era crespo, cacheado ou ondulado.

Outro fator que apareceu na pesquisa é a negação em relação ao próprio tom da pele. "O racismo na infância faz com que as crianças neguem a própria tonalidade da pele", diz Lavínia. Ela observou que havia crianças negras se autodeclarando como brancas ou usando outras nomenclaturas como "marrom", "moreno claro" ou "um pouco branca".

A própria pesquisadora, que é negra, foi retratada num desenho por uma das crianças com a pele clara, pintada com lápis salmão. Ao ser questionada pelo erro, a menina retrucou: "Você vai querer mesmo que eu pinte dessa cor? Marrom? Vai ficar feio!".

"O mais gritante para mim é a forma como o racismo afeta a identidade dessas crianças em relação às suas próprias características físicas, aos seus fenótipos, como traços do nariz mais largo, da boca, do tom de pele, do cabelo", afirma a pedagoga.

Dados do Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-Estar na Primeira Infância (IELS, sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados neste ano, mostram que as desigualdades educacionais aparecem antes mesmo do ingresso no ensino fundamental e são fortemente influenciadas por cor/raça e nível socioeconômico.

Os resultados indicam que crianças brancas apresentam, em média, níveis mais elevados em aprendizagem de linguagem e matemática do que crianças pretas e pardas. As desigualdades mais pronunciadas aparecem na comparação entre crianças brancas e pretas: cerca de 17 pontos a menos em linguagem e 40 pontos a menos em matemática. O estudo foi conduzido com crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em três estados: Ceará, Pará e São Paulo.

Em relação às interações das crianças entre elas e com a equipe escolar, um ponto considerado fundamental na educação infantil, a pedagoga observa que as de pele mais escura (preta retinta) tinham comportamento de maior isolamento.

"Na hora de participar, elas eram mais tímidas e caladas, menos expressivas nas brincadeiras", diz, reforçando que isso acaba afetando o desenvolvimento das habilidades nessa etapa da educação básica.

Educar, cuidar e brincar são pilares fundamentais da educação infantil. "Interações e brincadeiras devem orientar a prática pedagógica e os professores precisam estar atentos a elas", diz Lavínia Moraes.

Também é necessário ter acervos e materiais didáticos comprometidos com a diversidade. Isso inclui, segundo a pedagoga, desde livros infantis com representações positivas de crianças negras e brinquedos que contemplem a pluralidade dos corpos, até materiais de colorir com variedade de tons de pele, bonecas e bonecos com traços diversos. "Quando há um trabalho realmente intencional para as questões étnico-raciais, as crianças se transformam", diz.

Embora a Lei n° 10.639/03 não cite explicitamente a obrigatoriedade dessa temática na educação infantil, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, que orientam as práticas para o seu cumprimento, incluem todas as etapas educacionais. Segundo a pedagoga, é urgente a adequação das políticas educacionais.

Isso implica estratégias de efetivação contínua, recursos financeiros para aquisição de materiais que tragam a diversidade para dentro da sala de aula e formação continuada dos professores.

"Existe a lei, mas é preciso que os professores recebam a formação que os qualifique para trabalhar com essa questão e que também haja uma adequação dos currículos. Não adianta ter a lei se o currículo ainda está distante do que ela preconiza", critica a pedagoga.

Em janeiro de 2027, a lei completa 24 anos. Apesar do avanço que representa, infelizmente, não há muito o que comemorar. Depois de tanto tempo, ainda falta o principal: implementá-la na sala de aula, desde a educação infantil.


Texto adaptado de: PERES, Andréia. Os impactos do racismo na educação infantil. Veja, 15 set. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/os-impactos-do-racismona-educacao-infantil/. Acesso em: 24 set. 2026. 
1."'Marcadores raciais, como cabelo e cor de pele, atravessam as infâncias negras', diz a pedagoga Lavínia Brasilino de Moraes [...]"
2."[...] usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo."
3."Independentemente do resultado, ele acerta ao abordar na ficção um assunto que precisa ser discutido com urgência na vida real."
4."Uma das cenas mais tocantes do filme é um diálogo de Sidney (Juan Queiroz) com Tutu (Efraim Santos) [...]"

Com base nos trechos acima, analise as afirmativas sobre o emprego de figuras de linguagem.

I. No trecho 1, a forma verbal 'atravessam' é empregada em sentido metafórico: um verbo que, em sentido próprio, indica deslocamento físico de um lado a outro de um espaço passa a indicar que os marcadores raciais perpassam e influenciam as vivências das infâncias negras, estabelecendo-se uma relação de semelhança entre os dois domínios.
II. No trecho 2, o adjetivo 'espinhosos' constitui uma catacrese, pois a língua não dispõe de termo próprio para qualificar temas de abordagem difícil e potencialmente conflituosa, sendo necessário recorrer a um vocábulo originalmente relacionado ao domínio concreto.
III. No trecho 3, a aproximação entre 'na ficção' e 'na vida real' constitui uma antítese, pois os termos empregados representam realidades conceitualmente opostas, reforçando a ideia de que uma obra ficcional pode contribuir para o debate de uma questão concreta.
IV. No trecho 4, o adjetivo 'tocantes' configura uma sinestesia, pois transfere para o plano emocional uma propriedade originalmente associada à percepção tátil, caracterizando a cena por meio da associação entre diferentes campos sensoriais.

Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas CORRETAS.
Alternativas
Q4427585 Português
Os impactos do racismo na educação infantil


Assisti recentemente a "Nosso Segredo", o longa dirigido e roteirizado por Grace Passô, que estreou em setembro nos cinemas e usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo. Uma das cenas mais tocantes do filme é um diálogo de Sidney (Juan Queiroz) com Tutu (Efraim Santos), um menino de 7 anos. Na conversa, Sidney, que namora a irmã do menino, fala sobre o bullying que sofria na escola e como isso afetou sua autoestima, ao perceber que a criança poderia estar passando por uma situação semelhante. Sem didatismos desnecessários, o bate-papo entre eles expõe de forma sensível e delicada os efeitos dolorosos que o racismo pode ter na construção da identidade de crianças negras.

O longa é um dos pré-selecionados para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. Independentemente do resultado, ele acerta ao abordar na ficção um assunto que precisa ser discutido com urgência na vida real.

Segundo a pesquisa Panorama da Primeira Infância - O Impacto do Racismo, realizada pelo Datafolha e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal no final de 2025, 16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo. Os casos são mais comuns entre as de 4 a 6 anos (21%) do que entre as de 0 a 3 anos (10%), possivelmente porque as menores ainda não reconhecem ou verbalizam a discriminação. A prevalência também é maior em famílias de baixa renda. Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores.

Assim como sugere a ficção, na infância o racismo impacta a saúde física e socioemocional, a autopercepção, a socialização e o acesso a direitos e a oportunidades de aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento integral das crianças.

"Marcadores raciais, como cabelo e cor de pele, atravessam as infâncias negras", diz a pedagoga Lavínia Brasilino de Moraes, em entrevista à coluna. Mestra em Educação, Lavínia estuda o racismo na infância e sua pesquisa foi uma das vencedoras da última edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).

A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas numa escola de Educação Infantil do Campo, no sul da Bahia, em Ilhéus, mostrou, entre outras coisas, que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar.

"As crianças acabam reproduzindo o racismo no brincar, principalmente segregando bonecas negras que estavam na sala", diz a pedagoga. "Muitas vezes, elas se recusavam até a tocar na boneca. Quando tocavam, era para arremessá-la. Ao criar personagens, a boneca negra também era sempre a má", conta.

Segundo Lavínia Moraes, o racismo interfere de formas diferentes em meninos e meninas negras. Em relação às meninas, o que aparece como mais evidente é a negação do cabelo crespo e cacheado. "As meninas ficavam com o cabelo muito preso. Uma das crianças se referia ao próprio cabelo como um cabelo duro quando solto. Isso é muito impactante porque estamos falando de crianças de 5 anos", lamenta.

Nas interações livres, havia brinquedos como prancha e secador de cabelo e as meninas acabavam reproduzindo no brincar o desejo de ter um cabelo alisado.

Em relação aos meninos, o cabelo também aparece como forte marcador racial. "Eles usavam o cabelo muito curto, quase raspado, numa tentativa de contê-lo", observa, acrescentando que eles não sabiam sequer dizer se o cabelo era crespo, cacheado ou ondulado.

Outro fator que apareceu na pesquisa é a negação em relação ao próprio tom da pele. "O racismo na infância faz com que as crianças neguem a própria tonalidade da pele", diz Lavínia. Ela observou que havia crianças negras se autodeclarando como brancas ou usando outras nomenclaturas como "marrom", "moreno claro" ou "um pouco branca".

A própria pesquisadora, que é negra, foi retratada num desenho por uma das crianças com a pele clara, pintada com lápis salmão. Ao ser questionada pelo erro, a menina retrucou: "Você vai querer mesmo que eu pinte dessa cor? Marrom? Vai ficar feio!".

"O mais gritante para mim é a forma como o racismo afeta a identidade dessas crianças em relação às suas próprias características físicas, aos seus fenótipos, como traços do nariz mais largo, da boca, do tom de pele, do cabelo", afirma a pedagoga.

Dados do Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-Estar na Primeira Infância (IELS, sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados neste ano, mostram que as desigualdades educacionais aparecem antes mesmo do ingresso no ensino fundamental e são fortemente influenciadas por cor/raça e nível socioeconômico.

Os resultados indicam que crianças brancas apresentam, em média, níveis mais elevados em aprendizagem de linguagem e matemática do que crianças pretas e pardas. As desigualdades mais pronunciadas aparecem na comparação entre crianças brancas e pretas: cerca de 17 pontos a menos em linguagem e 40 pontos a menos em matemática. O estudo foi conduzido com crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em três estados: Ceará, Pará e São Paulo.

Em relação às interações das crianças entre elas e com a equipe escolar, um ponto considerado fundamental na educação infantil, a pedagoga observa que as de pele mais escura (preta retinta) tinham comportamento de maior isolamento.

"Na hora de participar, elas eram mais tímidas e caladas, menos expressivas nas brincadeiras", diz, reforçando que isso acaba afetando o desenvolvimento das habilidades nessa etapa da educação básica.

Educar, cuidar e brincar são pilares fundamentais da educação infantil. "Interações e brincadeiras devem orientar a prática pedagógica e os professores precisam estar atentos a elas", diz Lavínia Moraes.

Também é necessário ter acervos e materiais didáticos comprometidos com a diversidade. Isso inclui, segundo a pedagoga, desde livros infantis com representações positivas de crianças negras e brinquedos que contemplem a pluralidade dos corpos, até materiais de colorir com variedade de tons de pele, bonecas e bonecos com traços diversos. "Quando há um trabalho realmente intencional para as questões étnico-raciais, as crianças se transformam", diz.

Embora a Lei n° 10.639/03 não cite explicitamente a obrigatoriedade dessa temática na educação infantil, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, que orientam as práticas para o seu cumprimento, incluem todas as etapas educacionais. Segundo a pedagoga, é urgente a adequação das políticas educacionais.

Isso implica estratégias de efetivação contínua, recursos financeiros para aquisição de materiais que tragam a diversidade para dentro da sala de aula e formação continuada dos professores.

"Existe a lei, mas é preciso que os professores recebam a formação que os qualifique para trabalhar com essa questão e que também haja uma adequação dos currículos. Não adianta ter a lei se o currículo ainda está distante do que ela preconiza", critica a pedagoga.

Em janeiro de 2027, a lei completa 24 anos. Apesar do avanço que representa, infelizmente, não há muito o que comemorar. Depois de tanto tempo, ainda falta o principal: implementá-la na sala de aula, desde a educação infantil.


Texto adaptado de: PERES, Andréia. Os impactos do racismo na educação infantil. Veja, 15 set. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/os-impactos-do-racismona-educacao-infantil/. Acesso em: 24 set. 2026. 
O texto sobre os impactos do racismo na educação infantil articula a menção a uma obra cinematográfica, dados de pesquisas estatísticas e depoimentos de uma especialista entrevistada. Considerando a organização e a finalidade desse texto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4427391 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas


Veny Santos 


    Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso. 


    Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta. 


    Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas. 


    Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office. 


    O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber. 


    Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas. 


    A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível? 


    Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória. 


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.

Um gênero que apresenta, como predominante, o mesmo tipo textual do texto desta prova é
Alternativas
Q4427386 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas


Veny Santos 


    Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso. 


    Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta. 


    Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas. 


    Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office. 


    O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber. 


    Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas. 


    A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível? 


    Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória. 


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.

No quarto parágrafo, a maioria dos verbos estão flexionados no 
Alternativas
Q4427385 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas


Veny Santos 


    Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso. 


    Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta. 


    Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas. 


    Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office. 


    O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber. 


    Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas. 


    A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível? 


    Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória. 


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.

De acordo com o texto, o cuidado com a relação subjetiva entre as pessoas e a inteligência artificial remete ao impacto causado por essa ferramenta na esfera 
Alternativas
Q4427384 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas


Veny Santos 


    Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso. 


    Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta. 


    Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas. 


    Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office. 


    O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber. 


    Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas. 


    A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível? 


    Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória. 


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.

O texto tematiza, principalmente, 
Alternativas
Respostas
281: A
282: B
283: A
284: D
285: C
286: D
287: A
288: B
289: C
290: A
291: D
292: D
293: D
294: C
295: E
296: E
297: B
298: A
299: D
300: D