Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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TEXTO PARA A QUESTÃO
O tempo de cada um
Minha amiga dos tempos de escola ficou grávida. Ela não foi a primeira, teve outra que já está indo para o terceiro filho. Mas confesso que desta vez foi mais impactante, já que éramos bem mais próximos. Eu sei que pode parecer papo de gente de trinta e poucos, mas quis deixar registrada aqui não só a minha falta de preparo para esse piscar de olhos que separou nossas aventuras e besteiras juvenis de uma gravidez, como também o fato de que estamos todos em tempos diferentes — e, em paralelo, todos estamos no mesmo tempo.
Explico: no nosso trio apocalíptico que viveu uma adolescência dentro de casa, amparados pelos novos amigos feitos na internet mesmo, cada um tem o seu tempo. Enquanto a Daiane deu luz à Bia, a Claudia completa quase 7 anos de namoro e eu aqui acabo de desencalhar. Ao mesmo tempo, a cada nova reunião consigo sentir que, tal qual Elis cantava, “ainda somos os mesmos”: rimos das mesmas bobagens, procuramos nas redes por colegas de escola para ver como estão hoje em dia, e continuamos passando algumas vergonhas porque isso aprendemos lá atrás e ninguém tira da gente.
Essa nossa realidade só me traz de volta o pensamento do milho de pipoca. Em uma panela aquecida uniformemente, todos estamos ali como grãos prestes a estourar. E mesmo que estejamos compartilhando a mesma temperatura e quaisquer outras condições, acaba sendo natural: cada um estoura em um tempo diferente. Há quem logo vire pipoca, assim como há aqueles que resistam tanto que quase queimam, mas acabam por estourar no fim. E esse talvez seja o maior exemplo do que é viver, dividir o mesmo mundo e desenhar nossas histórias — cada um com seu roteiro, seja ele mais acelerado ou mais demorado.
Não posso deixar de citar as amigas que conheci quando tinha dois anos de idade. Uma casou dias atrás e a outra abriu neste ano a 3.492ª empresa. E por mais assustador que seja perceber a vida caminhando tão depressa (ou melhor, correndo), ver a minha amiga com um barrigão me trouxe a felicidade e a gratidão de poder estar avançando ciclos que, até “ontem”, eram papo chato de gente velha. “Chá de fraldas? Que breguice!”, dizia eu até estar participando de um.
Não sei ao certo para onde os nossos colegas do tempo de escola foram. Se têm filhos ou mudaram os planos, se são os mesmos ou se eu nem os reconheceria... Não importa. Talvez alguns ainda estejam dentro da panela esperando pelo momento exato de explodir e pipocar uma vida idealizada lá atrás. Ou, quem sabe, não ter estourado ainda seja o reflexo de uma reflexão constante: quando eu deixar de ser só mais um grão, quem é que eu vou (e quero) ser?
Autor: Pedro Guerra - GZH (adaptado).
TEXTO PARA A QUESTÃO
O tempo de cada um
Minha amiga dos tempos de escola ficou grávida. Ela não foi a primeira, teve outra que já está indo para o terceiro filho. Mas confesso que desta vez foi mais impactante, já que éramos bem mais próximos. Eu sei que pode parecer papo de gente de trinta e poucos, mas quis deixar registrada aqui não só a minha falta de preparo para esse piscar de olhos que separou nossas aventuras e besteiras juvenis de uma gravidez, como também o fato de que estamos todos em tempos diferentes — e, em paralelo, todos estamos no mesmo tempo.
Explico: no nosso trio apocalíptico que viveu uma adolescência dentro de casa, amparados pelos novos amigos feitos na internet mesmo, cada um tem o seu tempo. Enquanto a Daiane deu luz à Bia, a Claudia completa quase 7 anos de namoro e eu aqui acabo de desencalhar. Ao mesmo tempo, a cada nova reunião consigo sentir que, tal qual Elis cantava, “ainda somos os mesmos”: rimos das mesmas bobagens, procuramos nas redes por colegas de escola para ver como estão hoje em dia, e continuamos passando algumas vergonhas porque isso aprendemos lá atrás e ninguém tira da gente.
Essa nossa realidade só me traz de volta o pensamento do milho de pipoca. Em uma panela aquecida uniformemente, todos estamos ali como grãos prestes a estourar. E mesmo que estejamos compartilhando a mesma temperatura e quaisquer outras condições, acaba sendo natural: cada um estoura em um tempo diferente. Há quem logo vire pipoca, assim como há aqueles que resistam tanto que quase queimam, mas acabam por estourar no fim. E esse talvez seja o maior exemplo do que é viver, dividir o mesmo mundo e desenhar nossas histórias — cada um com seu roteiro, seja ele mais acelerado ou mais demorado.
Não posso deixar de citar as amigas que conheci quando tinha dois anos de idade. Uma casou dias atrás e a outra abriu neste ano a 3.492ª empresa. E por mais assustador que seja perceber a vida caminhando tão depressa (ou melhor, correndo), ver a minha amiga com um barrigão me trouxe a felicidade e a gratidão de poder estar avançando ciclos que, até “ontem”, eram papo chato de gente velha. “Chá de fraldas? Que breguice!”, dizia eu até estar participando de um.
Não sei ao certo para onde os nossos colegas do tempo de escola foram. Se têm filhos ou mudaram os planos, se são os mesmos ou se eu nem os reconheceria... Não importa. Talvez alguns ainda estejam dentro da panela esperando pelo momento exato de explodir e pipocar uma vida idealizada lá atrás. Ou, quem sabe, não ter estourado ainda seja o reflexo de uma reflexão constante: quando eu deixar de ser só mais um grão, quem é que eu vou (e quero) ser?
Autor: Pedro Guerra - GZH (adaptado).
TEXTO PARA A QUESTÃO
O tempo de cada um
Minha amiga dos tempos de escola ficou grávida. Ela não foi a primeira, teve outra que já está indo para o terceiro filho. Mas confesso que desta vez foi mais impactante, já que éramos bem mais próximos. Eu sei que pode parecer papo de gente de trinta e poucos, mas quis deixar registrada aqui não só a minha falta de preparo para esse piscar de olhos que separou nossas aventuras e besteiras juvenis de uma gravidez, como também o fato de que estamos todos em tempos diferentes — e, em paralelo, todos estamos no mesmo tempo.
Explico: no nosso trio apocalíptico que viveu uma adolescência dentro de casa, amparados pelos novos amigos feitos na internet mesmo, cada um tem o seu tempo. Enquanto a Daiane deu luz à Bia, a Claudia completa quase 7 anos de namoro e eu aqui acabo de desencalhar. Ao mesmo tempo, a cada nova reunião consigo sentir que, tal qual Elis cantava, “ainda somos os mesmos”: rimos das mesmas bobagens, procuramos nas redes por colegas de escola para ver como estão hoje em dia, e continuamos passando algumas vergonhas porque isso aprendemos lá atrás e ninguém tira da gente.
Essa nossa realidade só me traz de volta o pensamento do milho de pipoca. Em uma panela aquecida uniformemente, todos estamos ali como grãos prestes a estourar. E mesmo que estejamos compartilhando a mesma temperatura e quaisquer outras condições, acaba sendo natural: cada um estoura em um tempo diferente. Há quem logo vire pipoca, assim como há aqueles que resistam tanto que quase queimam, mas acabam por estourar no fim. E esse talvez seja o maior exemplo do que é viver, dividir o mesmo mundo e desenhar nossas histórias — cada um com seu roteiro, seja ele mais acelerado ou mais demorado.
Não posso deixar de citar as amigas que conheci quando tinha dois anos de idade. Uma casou dias atrás e a outra abriu neste ano a 3.492ª empresa. E por mais assustador que seja perceber a vida caminhando tão depressa (ou melhor, correndo), ver a minha amiga com um barrigão me trouxe a felicidade e a gratidão de poder estar avançando ciclos que, até “ontem”, eram papo chato de gente velha. “Chá de fraldas? Que breguice!”, dizia eu até estar participando de um.
Não sei ao certo para onde os nossos colegas do tempo de escola foram. Se têm filhos ou mudaram os planos, se são os mesmos ou se eu nem os reconheceria... Não importa. Talvez alguns ainda estejam dentro da panela esperando pelo momento exato de explodir e pipocar uma vida idealizada lá atrás. Ou, quem sabe, não ter estourado ainda seja o reflexo de uma reflexão constante: quando eu deixar de ser só mais um grão, quem é que eu vou (e quero) ser?
Autor: Pedro Guerra - GZH (adaptado).
Escolas do futuro são escolas 'low tech’
Materiais físicos impulsionam habilidades motoras, criatividade e imaginação
2. mai, 2024 | José Ruy Lozano
Chamou a atenção da imprensa, no ano passado, o fato de que o sistema público1 de educação da Suécia decidiu voltar a usar livros e cadernos físicos2, como material didático obrigatório, no lugar de tablets e laptops. As razões apresentadas pelos suecos3 são várias, mas passam pela aprendizagem da leitura e pela manutenção da capacidade de concentração dos estudantes4. Em ambos os casos, os materiais físicos apresentam resultados muito melhores.
Os escandinavos não estão sozinhos. Já forma uma longa fileira a lista de países desenvolvidos que _______ [vem/vêm] progressivamente abandonando equipamentos digitais e retornando ao papel e à caneta. As autoridades educacionais desses países baseiam-se em pesquisas científicas recorrentes, que apontam não só a melhoria do rendimento acadêmico como também o desenvolvimento mais adequado de habilidades motoras e o impulso à criatividade e à imaginação, sempre mais bem estimuladas pelo uso de materiais físicos nas escolas.
Não há que se imaginar a escola contemporânea totalmente desconectada do mundo digital. Evidentemente, salas de aula com computador e conexão à internet, que permitam a exibição de materiais visuais diversos, além de espaços com equipamentos digitais para pesquisa online, mostram-se indispensáveis no mundo de hoje. A tecnologia digital, no entanto, não é fetiche ou panaceia. Ela não só não é capaz de solucionar problemas, como, por vezes, termina por ampliá-los.
Jonathan Haidt, professor da Universidade de Nova York, publicou dados alarmantes em seu novo livro, "The Anxious Generation" ("A Geração Ansiosa"), que aborda a deterioração da saúde mental de crianças e adolescentes a partir de 2010. Quadros de depressão, ansiedade, automutilação e suicídio ______ [tem/têm] aumentado dramaticamente desde então. Não à toa, é justamente a partir de 2010 que se dá a generalização do uso das redes sociais, notadamente o Instagram, difundindo-se entre os mais jovens.
Ao largo das pressões negativas do mundo virtual, que captura a atenção dos mais jovens, corrói sua capacidade de concentração e os transforma em objetos manipulados por algoritmos, educadores _____ [tem/têm] reiterado a necessidade da redescoberta das relações de proximidade e do mundo físico. Nas mais renomadas escolas do Vale do Silício, na Califórnia, onde estudam os filhos dos executivos das grandes corporações mundiais de tecnologia, há poucas telas de LED e muitas ferramentas. No lugar do computador, lápis e caneta, mas também martelo, chave de fenda, pincel. A educação "mão na massa", com objetos e materiais físicos, predomina em relação a dispositivos eletrônicos.
Diante da revolução representada pelo Big Data e pelas inteligências artificiais, devemos nos manter firmes como educadores que visam produzir conhecimento, não apenas reproduzir o que está armazenado nas bases de dados de governos e de empresas. Afinal, a educação não é apenas dar acesso a informações, mas principalmente fazer refletir e questionar a partir das informações que acessamos.
José Ruy Lozano - Sociólogo e educador, é autor de livros didáticos e membro da Comunidade Reinventando a Educação (Core).
LOZANO, José Ruy. Escolas do futuro são escolas 'low tech'. Folha de São Paulo, 02 de maio de 2024. Disponivel em https://www1 folha.uol.com.br/opiniac/2024/05/escolas- do-futuro-sao-escolas-low-tech.shtml. Acesso em: 05 mai 2024. Adaptado.
“E depois diminui para 40% para os mercados emergentes [...]” 3º §
É sinônimo da palavra destacada:
BERTAZZI, Galvão. *Vida Besta.* Folha de São Paulo, 09 de maio de 2024. Disponível em: https://cartum.folha.uol.com.br/quadrinhos/2024/05/09/vida-besta-galvao-bertazzi.shtml. Acesso em: 09 mai. 2024.
“A primeira cobaia da Neuralink, a startup de implante de chip cerebral de Elon Musk, desenvolveu um problema poucas semanas depois de ter sido inserida. Em uma postagem no blog, a empresa revelou que vários fios conectivos do chip se retraíram do cérebro de Noland Arbaugh, o que prejudicou a velocidade e a eficácia dos dados do implante. A empresa ofereceu poucos detalhes sobre o incidente, mas disse que conseguiu tornar o implante mais sensível para aumentar ainda mais seu desempenho.”
VALINSKY, Jordan. *Primeiro implante cerebral em humano da Neuralink apresenta problema. CNN Brasil, 09 de maio de 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/primeiro-implante-cerebral-em-humano-da-neuralink-apresenta-problema/ (https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/primeiro-implante-cerebral-em-humano-da-neuralink-apresenta-problema/). Acesso em: 09 mai. 2024.
Para que se mantenha o sentido básico do enunciado, a expressão sublinhada NÃO pode ser substituída por:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
COMIDAS DO FIM DO MUNDO
Os kits de alimentos para bunkers apresentados pela indústria como soluções para o caos se baseiam no medo, mas em um suposto planeta pós-apocalíptico as saídas não seriam pelo individualismo, e sim pelo compartilhamento e cooperação. Denise Mirás
Para um planeta retratado em filmes e discursos fanáticos como à beira do caos, destruído por extremos climáticos, pandemias e guerras, os kits de comidas para o pós-apocalipse andam florescendo entre consumidores, principalmente dos EUA. Não apenas alimentos muitas vezes ultraprocessados — o oposto dos frescos e saudáveis — mas também latas e vidros para conservas e até construção de bunkers em casas fazem parte dos negócios. Ofertas desses kits para o fim do mundo se espalham em sites, muitos deles ligados a extremistas, com cardápios e preços variados, por ordem de validade para armazenamento, e que vão de manteiga de amendoim a atum enlatado, de feijões a leite em pó. A Technavio, agência de análise de mercados, prevê aumento de US$ 3,20 bilhões nesse setor até 2028, com potencial de retorno calculado em 7,35%. A questão é: além dos investidores que apostam no medo do caos, os consumidores desses kits têm algum ganho no mundo real?
A resposta é negativa para a nutricionista Karine Durães, especialista em comportamento alimentar, e para o psiquiatra Filipe Doutel. As saídas para um suposto planeta pós-apocalíptico não estariam no individualismo, e sim no compartilhamento. Ninguém, ou nenhuma família, sobreviveria apenas com a própria comida em meio a cidades em ruínas se não houvesse um trabalho de reconstrução com a cooperação de todos.
"Na verdade, já estamos destruindo o planeta, por escolhas do dia a dia. Não acredito em estocar alimentos e se manter distante da realidade da fome: quem não come nem hoje, não tem tempo de guardar comida", diz Karine, lembrando que "esperar o pior tira a pessoa do presente; ela se prepara para o abstrato, deixando de lado o agora". Essas neuroses inclusive induzem à ansiedade e à compulsão por comer, como explica a nutricionista. Para ela, ao contrário do individualismo, alimentação tem a ver com troca, inclusive no preparo. "E ninguém sobrevive só de comida em um bunker. Precisa de gente ao redor."
Filipe observa que já vivemos em condições ambientais mais extremadas e pandemias mais frequentes. "Não é ficção científica, é realidade. E se fechar, estocando comida em um bunker, não serve de nada", afirma. Essa sensação de Apocalipse, segundo o psiquiatra, é alimentada pelo medo e pelo ódio, sentimentos primitivos, instintivos, ao contrário de amor e tristeza, que são mais elaborados. "É preciso sair dessas estruturas toscas, preto ou branco, comprando armas ou 'se armando' de comida", assinala. "Para dificuldades coletivas, as soluções têm de ser coletivas."
(ISTOÉ,abril2024)
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
COMIDAS DO FIM DO MUNDO
Os kits de alimentos para bunkers apresentados pela indústria como soluções para o caos se baseiam no medo, mas em um suposto planeta pós-apocalíptico as saídas não seriam pelo individualismo, e sim pelo compartilhamento e cooperação. Denise Mirás
Para um planeta retratado em filmes e discursos fanáticos como à beira do caos, destruído por extremos climáticos, pandemias e guerras, os kits de comidas para o pós-apocalipse andam florescendo entre consumidores, principalmente dos EUA. Não apenas alimentos muitas vezes ultraprocessados — o oposto dos frescos e saudáveis — mas também latas e vidros para conservas e até construção de bunkers em casas fazem parte dos negócios. Ofertas desses kits para o fim do mundo se espalham em sites, muitos deles ligados a extremistas, com cardápios e preços variados, por ordem de validade para armazenamento, e que vão de manteiga de amendoim a atum enlatado, de feijões a leite em pó. A Technavio, agência de análise de mercados, prevê aumento de US$ 3,20 bilhões nesse setor até 2028, com potencial de retorno calculado em 7,35%. A questão é: além dos investidores que apostam no medo do caos, os consumidores desses kits têm algum ganho no mundo real?
A resposta é negativa para a nutricionista Karine Durães, especialista em comportamento alimentar, e para o psiquiatra Filipe Doutel. As saídas para um suposto planeta pós-apocalíptico não estariam no individualismo, e sim no compartilhamento. Ninguém, ou nenhuma família, sobreviveria apenas com a própria comida em meio a cidades em ruínas se não houvesse um trabalho de reconstrução com a cooperação de todos.
"Na verdade, já estamos destruindo o planeta, por escolhas do dia a dia. Não acredito em estocar alimentos e se manter distante da realidade da fome: quem não come nem hoje, não tem tempo de guardar comida", diz Karine, lembrando que "esperar o pior tira a pessoa do presente; ela se prepara para o abstrato, deixando de lado o agora". Essas neuroses inclusive induzem à ansiedade e à compulsão por comer, como explica a nutricionista. Para ela, ao contrário do individualismo, alimentação tem a ver com troca, inclusive no preparo. "E ninguém sobrevive só de comida em um bunker. Precisa de gente ao redor."
Filipe observa que já vivemos em condições ambientais mais extremadas e pandemias mais frequentes. "Não é ficção científica, é realidade. E se fechar, estocando comida em um bunker, não serve de nada", afirma. Essa sensação de Apocalipse, segundo o psiquiatra, é alimentada pelo medo e pelo ódio, sentimentos primitivos, instintivos, ao contrário de amor e tristeza, que são mais elaborados. "É preciso sair dessas estruturas toscas, preto ou branco, comprando armas ou 'se armando' de comida", assinala. "Para dificuldades coletivas, as soluções têm de ser coletivas."
(ISTOÉ,abril2024)
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
COMIDAS DO FIM DO MUNDO
Os kits de alimentos para bunkers apresentados pela indústria como soluções para o caos se baseiam no medo, mas em um suposto planeta pós-apocalíptico as saídas não seriam pelo individualismo, e sim pelo compartilhamento e cooperação. Denise Mirás
Para um planeta retratado em filmes e discursos fanáticos como à beira do caos, destruído por extremos climáticos, pandemias e guerras, os kits de comidas para o pós-apocalipse andam florescendo entre consumidores, principalmente dos EUA. Não apenas alimentos muitas vezes ultraprocessados — o oposto dos frescos e saudáveis — mas também latas e vidros para conservas e até construção de bunkers em casas fazem parte dos negócios. Ofertas desses kits para o fim do mundo se espalham em sites, muitos deles ligados a extremistas, com cardápios e preços variados, por ordem de validade para armazenamento, e que vão de manteiga de amendoim a atum enlatado, de feijões a leite em pó. A Technavio, agência de análise de mercados, prevê aumento de US$ 3,20 bilhões nesse setor até 2028, com potencial de retorno calculado em 7,35%. A questão é: além dos investidores que apostam no medo do caos, os consumidores desses kits têm algum ganho no mundo real?
A resposta é negativa para a nutricionista Karine Durães, especialista em comportamento alimentar, e para o psiquiatra Filipe Doutel. As saídas para um suposto planeta pós-apocalíptico não estariam no individualismo, e sim no compartilhamento. Ninguém, ou nenhuma família, sobreviveria apenas com a própria comida em meio a cidades em ruínas se não houvesse um trabalho de reconstrução com a cooperação de todos.
"Na verdade, já estamos destruindo o planeta, por escolhas do dia a dia. Não acredito em estocar alimentos e se manter distante da realidade da fome: quem não come nem hoje, não tem tempo de guardar comida", diz Karine, lembrando que "esperar o pior tira a pessoa do presente; ela se prepara para o abstrato, deixando de lado o agora". Essas neuroses inclusive induzem à ansiedade e à compulsão por comer, como explica a nutricionista. Para ela, ao contrário do individualismo, alimentação tem a ver com troca, inclusive no preparo. "E ninguém sobrevive só de comida em um bunker. Precisa de gente ao redor."
Filipe observa que já vivemos em condições ambientais mais extremadas e pandemias mais frequentes. "Não é ficção científica, é realidade. E se fechar, estocando comida em um bunker, não serve de nada", afirma. Essa sensação de Apocalipse, segundo o psiquiatra, é alimentada pelo medo e pelo ódio, sentimentos primitivos, instintivos, ao contrário de amor e tristeza, que são mais elaborados. "É preciso sair dessas estruturas toscas, preto ou branco, comprando armas ou 'se armando' de comida", assinala. "Para dificuldades coletivas, as soluções têm de ser coletivas."
(ISTOÉ,abril2024)
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
COMIDAS DO FIM DO MUNDO
Os kits de alimentos para bunkers apresentados pela indústria como soluções para o caos se baseiam no medo, mas em um suposto planeta pós-apocalíptico as saídas não seriam pelo individualismo, e sim pelo compartilhamento e cooperação. Denise Mirás
Para um planeta retratado em filmes e discursos fanáticos como à beira do caos, destruído por extremos climáticos, pandemias e guerras, os kits de comidas para o pós-apocalipse andam florescendo entre consumidores, principalmente dos EUA. Não apenas alimentos muitas vezes ultraprocessados — o oposto dos frescos e saudáveis — mas também latas e vidros para conservas e até construção de bunkers em casas fazem parte dos negócios. Ofertas desses kits para o fim do mundo se espalham em sites, muitos deles ligados a extremistas, com cardápios e preços variados, por ordem de validade para armazenamento, e que vão de manteiga de amendoim a atum enlatado, de feijões a leite em pó. A Technavio, agência de análise de mercados, prevê aumento de US$ 3,20 bilhões nesse setor até 2028, com potencial de retorno calculado em 7,35%. A questão é: além dos investidores que apostam no medo do caos, os consumidores desses kits têm algum ganho no mundo real?
A resposta é negativa para a nutricionista Karine Durães, especialista em comportamento alimentar, e para o psiquiatra Filipe Doutel. As saídas para um suposto planeta pós-apocalíptico não estariam no individualismo, e sim no compartilhamento. Ninguém, ou nenhuma família, sobreviveria apenas com a própria comida em meio a cidades em ruínas se não houvesse um trabalho de reconstrução com a cooperação de todos.
"Na verdade, já estamos destruindo o planeta, por escolhas do dia a dia. Não acredito em estocar alimentos e se manter distante da realidade da fome: quem não come nem hoje, não tem tempo de guardar comida", diz Karine, lembrando que "esperar o pior tira a pessoa do presente; ela se prepara para o abstrato, deixando de lado o agora". Essas neuroses inclusive induzem à ansiedade e à compulsão por comer, como explica a nutricionista. Para ela, ao contrário do individualismo, alimentação tem a ver com troca, inclusive no preparo. "E ninguém sobrevive só de comida em um bunker. Precisa de gente ao redor."
Filipe observa que já vivemos em condições ambientais mais extremadas e pandemias mais frequentes. "Não é ficção científica, é realidade. E se fechar, estocando comida em um bunker, não serve de nada", afirma. Essa sensação de Apocalipse, segundo o psiquiatra, é alimentada pelo medo e pelo ódio, sentimentos primitivos, instintivos, ao contrário de amor e tristeza, que são mais elaborados. "É preciso sair dessas estruturas toscas, preto ou branco, comprando armas ou 'se armando' de comida", assinala. "Para dificuldades coletivas, as soluções têm de ser coletivas."
(ISTOÉ,abril2024)
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
COMIDAS DO FIM DO MUNDO
Os kits de alimentos para bunkers apresentados pela indústria como soluções para o caos se baseiam no medo, mas em um suposto planeta pós-apocalíptico as saídas não seriam pelo individualismo, e sim pelo compartilhamento e cooperação. Denise Mirás
Para um planeta retratado em filmes e discursos fanáticos como à beira do caos, destruído por extremos climáticos, pandemias e guerras, os kits de comidas para o pós-apocalipse andam florescendo entre consumidores, principalmente dos EUA. Não apenas alimentos muitas vezes ultraprocessados — o oposto dos frescos e saudáveis — mas também latas e vidros para conservas e até construção de bunkers em casas fazem parte dos negócios. Ofertas desses kits para o fim do mundo se espalham em sites, muitos deles ligados a extremistas, com cardápios e preços variados, por ordem de validade para armazenamento, e que vão de manteiga de amendoim a atum enlatado, de feijões a leite em pó. A Technavio, agência de análise de mercados, prevê aumento de US$ 3,20 bilhões nesse setor até 2028, com potencial de retorno calculado em 7,35%. A questão é: além dos investidores que apostam no medo do caos, os consumidores desses kits têm algum ganho no mundo real?
A resposta é negativa para a nutricionista Karine Durães, especialista em comportamento alimentar, e para o psiquiatra Filipe Doutel. As saídas para um suposto planeta pós-apocalíptico não estariam no individualismo, e sim no compartilhamento. Ninguém, ou nenhuma família, sobreviveria apenas com a própria comida em meio a cidades em ruínas se não houvesse um trabalho de reconstrução com a cooperação de todos.
"Na verdade, já estamos destruindo o planeta, por escolhas do dia a dia. Não acredito em estocar alimentos e se manter distante da realidade da fome: quem não come nem hoje, não tem tempo de guardar comida", diz Karine, lembrando que "esperar o pior tira a pessoa do presente; ela se prepara para o abstrato, deixando de lado o agora". Essas neuroses inclusive induzem à ansiedade e à compulsão por comer, como explica a nutricionista. Para ela, ao contrário do individualismo, alimentação tem a ver com troca, inclusive no preparo. "E ninguém sobrevive só de comida em um bunker. Precisa de gente ao redor."
Filipe observa que já vivemos em condições ambientais mais extremadas e pandemias mais frequentes. "Não é ficção científica, é realidade. E se fechar, estocando comida em um bunker, não serve de nada", afirma. Essa sensação de Apocalipse, segundo o psiquiatra, é alimentada pelo medo e pelo ódio, sentimentos primitivos, instintivos, ao contrário de amor e tristeza, que são mais elaborados. "É preciso sair dessas estruturas toscas, preto ou branco, comprando armas ou 'se armando' de comida", assinala. "Para dificuldades coletivas, as soluções têm de ser coletivas."
(ISTOÉ,abril2024)
O texto seguinte servirá de base para responder à questãao.
COMIDAS DO FIM DO MUNDO
Os kits de alimentos para bunkers apresentados pela indústria como soluções para o caos se baseiam no medo, mas em um suposto planeta pós-apocalíptico as saídas não seriam pelo individualismo, e sim pelo compartilhamento e cooperação. Denise Mirás
Para um planeta retratado em filmes e discursos fanáticos como à beira do caos, destruído por extremos climáticos, pandemias e guerras, os kits de comidas para o pós-apocalipse andam florescendo entre consumidores, principalmente dos EUA. Não apenas alimentos muitas vezes ultraprocessados — o oposto dos frescos e saudáveis — mas também latas e vidros para conservas e até construção de bunkers em casas fazem parte dos negócios. Ofertas desses kits para o fim do mundo se espalham em sites, muitos deles ligados a extremistas, com cardápios e preços variados, por ordem de validade para armazenamento, e que vão de manteiga de amendoim a atum enlatado, de feijões a leite em pó. A Technavio, agência de análise de mercados, prevê aumento de US$ 3,20 bilhões nesse setor até 2028, com potencial de retorno calculado em 7,35%. A questão é: além dos investidores que apostam no medo do caos, os consumidores desses kits têm algum ganho no mundo real?
A resposta é negativa para a nutricionista Karine Durães, especialista em comportamento alimentar, e para o psiquiatra Filipe Doutel. As saídas para um suposto planeta pós-apocalíptico não estariam no individualismo, e sim no compartilhamento. Ninguém, ou nenhuma família, sobreviveria apenas com a própria comida em meio a cidades em ruínas se não houvesse um trabalho de reconstrução com a cooperação de todos.
"Na verdade, já estamos destruindo o planeta, por escolhas do dia a dia. Não acredito em estocar alimentos e se manter distante da realidade da fome: quem não come nem hoje, não tem tempo de guardar comida", diz Karine, lembrando que "esperar o pior tira a pessoa do presente; ela se prepara para o abstrato, deixando de lado o agora". Essas neuroses inclusive induzem à ansiedade e à compulsão por comer, como explica a nutricionista. Para ela, ao contrário do individualismo, alimentação tem a ver com troca, inclusive no preparo. "E ninguém sobrevive só de comida em um bunker. Precisa de gente ao redor."
Filipe observa que já vivemos em condições ambientais mais extremadas e pandemias mais frequentes. "Não é ficção científica, é realidade. E se fechar, estocando comida em um bunker, não serve de nada", afirma. Essa sensação de Apocalipse, segundo o psiquiatra, é alimentada pelo medo e pelo ódio, sentimentos primitivos, instintivos, ao contrário de amor e tristeza, que são mais elaborados. "É preciso sair dessas estruturas toscas, preto ou branco, comprando armas ou 'se armando' de comida", assinala. "Para dificuldades coletivas, as soluções têm de ser coletivas."
(ISTOÉ,abril2024)

