Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3435206 Português
Leia o texto para responder a questão.


Vacina anticâncer para cães dobra a taxa de sobrevivência dos animais


Com tratamentos convencionais como quimioterapia, cachorros com certos tipos de câncer têm 35% mais chances de sobreviver por um período extra de um ano. Com uma nova vacina anticâncer, essa probabilidade sobe para 60% – praticamente o dobro.
Os resultados foram publicados na revista Translational Oncology em 2021, mas só foram divulgados em 5 de março pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos. O tratamento é uma forma de imunoterapia e está atualmente sob revisão pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A vacina foi submetida a múltiplos ensaios clínicos ao longo dos últimos oito anos. Ela foi aplicada inclusive no golden retriever Hunter, de 11 anos, que, também passou por quimioterapia e, dois anos após seu diagnóstico inicial, não apresenta mais sinais de câncer.
O cachorro brincalhão que trabalhava antes como cão de resgate em locais de desastres agora vive com apenas três patas. Ele passou por uma amputação da pata dianteira esquerda após ser diagnosticado com osteossarcoma, forma de câncer ósseo que mata mais de 65% dos cães que aflige dentro de 12 meses.
“Cães, assim como humanos, desenvolvem câncer espontaneamente; eles crescem, metastatizam e mutam, assim como os cânceres humanos”, diz em comunicado um dos desenvolvedores da vacina, Mark Mamula, professor de reumatologia na Escola de Medicina de Yale.
O especialista conta que perdeu seu próprio cachorro para um câncer inoperável há cerca de 11 anos atrás. “Se pudermos fornecer algum benefício, algum alívio – uma vida sem dor – esse é o melhor resultado que poderíamos ter”, ele afirma.


Resultados promissores

Hunter recebeu sua primeira dose da vacina antes de sua cirurgia de amputação. A segunda dose veio antes do cachorro iniciar a quimioterapia e depois ele ainda recebeu um reforço.
Até agora, mais de 300 cães foram tratados com o imunizante durante uma série de ensaios clínicos, que ainda estão em andamento em 10 locais nos EUA e Canadá. Os resultados mostraram que a vacina cria anticorpos que encontram e se ligam a tumores, interferindo com as vias de sinalização responsáveis pelo crescimento tumoral.
Além de aumentar a taxa de sobrevivência de um ano após a vacinação, o tratamento também reduz os tumores em muitos dos cães. Por enquanto, a intervenção só se aplica a cachorros que já foram diagnosticados com câncer, mas, no futuro, os cientistas esperam descobrir se isso poderá ser aplicado para reduzir a incidência de tumores em cães saudáveis.
Mark Mamula criou uma empresa chamada TheraJan, que deve produzir eventualmente a vacina. “Recebo muitos e-mails de proprietários de cães gratos que foram informados de que seus animais de estimação teriam semanas ou meses de vida, mas que agora estão dois ou três anos além de seu diagnóstico de câncer”, ele relata.


Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em <https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2024/03/vacina-anti-cancer-para-caes-dobra-a-taxa-de-sobrevivencia-dos-animais.ghtml>

De acordo com o texto, é incorreto afirmar que: 
Alternativas
Q3435109 Português
Tratando-se de versificação, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3435106 Português
Tratando-se da significação das palavras, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.

A- Sinonímia.
B- Antonímia.
C- Homonímia.
D- Paronímia.

Coluna II.

1- São palavras que ora possuem a mesma pronúncia, (palavras homófonas), ora possuem a mesma grafia, (palavras homógrafas), entretanto, possuem significados diferentes.
2- São palavras que possuem significados semelhantes, são classificadas de acordo com a semelhança que compartilham com outro termo.
3- São palavras que possuem significados contrários.
4- São palavras que possuem significados diferentes, porém, se assemelham na pronúncia e na escrita, como em “descriminar” e “discriminar”, que têm pronúncias muito próximas, mas a primeira palavra significa “tirar a culpa”, a segunda quer dizer “diferenciar”.
Alternativas
Q3434535 Português
Sobre tipologia textual, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa devida.

( ) A narração também é um exemplo de tipologia textual.
( ) Dissertar significa falar sobre algo, explicar um assunto, discorrer sobre um fato, um tema.
( ) Uma dissertação pode ter caráter expositivo ou argumentativo.
( ) Há dissertação-expositiva, (informativa) e dissertação-argumentativa.
Alternativas
Q3434528 Português
Leia o texto para responder à questão.


Se eu morrer antes de você. (Chico Xavier).


Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:

Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus

Por Ele me haver levado.

Se não quiser chorar, não chore.

Se não conseguir chorar, não se preocupe.

Se tiver vontade de rir, ria.

Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito,

ouça e acrescente sua versão.

Se me elogiarem demais, corrija o exagero.

Se me criticarem demais, defenda-me.

Se me quiserem fazer um santo, só porque morri,

mostre que eu tinha um pouco de santo,

mas estava longe de ser o santo que me pintam.

Se me quiserem fazer um demônio, mostre

que eu talvez tivesse um pouco de demônio,

mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.

Espero estar com Ele o suficiente para continuar

sendo útil a você, lá onde estiver.

E se tiver vontade de escrever alguma coisa

sobre mim, diga apenas uma frase:

"Foi meu amigo, acreditou em mim

e me quis mais perto de Deus!"

Aí, então derrame uma lágrima.

Eu não estarei presente para enxugá-la,

mas não faz mal, outros amigos farão isso no meu lugar.

E, vendo-me bem substituído,

irei cuidar de minha nova tarefa no céu.

Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha

na direção de Deus.

Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz

vendo você olhar para Ele.

E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí,

sem nenhum véu a separar a gente,

vamos viver em Deus,

a amizade que aqui nos preparou para Ele.

Você acredita nessas coisas?

Então ore para que nós vivamos

como quem sabe que vai morrer um dia,

que morramos, como quem soube viver direito.

Amizade só faz sentido,

se traz o céu para mais perto da gente,

se inaugura aqui mesmo o seu começo.

Mas, se eu morrer antes de você,

acho que não vou estranhar o céu...

Ser seu amigo... já é um pedaço dele...
Com base na leitura do texto, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3434136 Português
Metafísica


   Contam que um admirador de Albert Einstein foi visitar o mestre em sua casa e o encontrou estirado numa poltrona, com a cabeça para trás e os olhos fechados. Não querendo perturbar o aparente repouso do professor, o visitante sentou-se num canto e ficou esperando que ele acordasse.

  Passou meia hora, o professor continuava estirado na poltrona, a cabeça para trás e os olhos fechados. Foi quando o visitante viu um ratinho aparecer debaixo da mesa e dirigir-se para os pés de Albert Einstein. O visitante ficou em pânico. O que fazer? O ratinho se aproximava dos pés do mestre com passinhos curtos mas resolutos. Devia acordar Einstein e avisar do perigo iminente? Ou esperar que o ratinho mudasse de rota? Ou, silenciosamente, sem acordar o professor, enxotar o ratinho?

   Enquanto o visitante decidia o que fazer, o ratinho chegou até o pé direito de Einstein e deu uma mordidinha no seu dedão pelo buraco do chinelo. Einstein nem abriu os olhos. Fez que sim com a cabeça. O ratinho voltou correndo para sua toca. Minutos mais tarde, Einstein abriu os olhos e deu com o visitante no canto. Este desculpou-se, disse que não pretendia acordá-lo, mas Einstein o silenciou com um gesto. Não estava dormindo. Estava pensando.

   Sempre fazia isso. Sentava naquela poltrona, atirava a cabeça para trás, fechava os olhos e deixava o cérebro funcionar. Pensava no universo, pensava no funcionamento do universo, pensava nas explicações para o funcionamento do universo... Mas precisava ter cuidado. Sua mente tinha uma tendência muito grande para a metafísica. Escapava ao controle, disparava, quando ele via ela estava perdida no infinito, em equações fantásticas...

   Felizmente, sempre que isto acontecia, ele sentia uma cosquinha no dedão. Era o sinal para voltar à física, à realidade e às coisas prováveis. Fora assim que desenvolvera a sua teoria da relatividade. Seu cérebro indo em todas as direções, mas a cosquinha no dedão indicando o caminho, alertando-o para os excessos, chamando-o de volta à realidade e à razão.

   O visitante engoliu em seco.

   — E o senhor tem... uma explicação para a cosquinha no dedão?

   Einstein não respondeu em seguida. Suspirou. Coçou a cabeça. Depois disse:

   — Aí é que está. Só pode ser explicada como um sinal divino. Mas eu preciso resistir à metafísica!

   O visitante procurou o ratinho com o olhar mas não o avistou. Além de tudo, era modesto.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
No excerto “(...) passinhos curtos mas resolutos (...)”, a palavra “resoluto” poderia ser substituída, sem modificação de significado, por: 
Alternativas
Q3434135 Português
Metafísica


   Contam que um admirador de Albert Einstein foi visitar o mestre em sua casa e o encontrou estirado numa poltrona, com a cabeça para trás e os olhos fechados. Não querendo perturbar o aparente repouso do professor, o visitante sentou-se num canto e ficou esperando que ele acordasse.

  Passou meia hora, o professor continuava estirado na poltrona, a cabeça para trás e os olhos fechados. Foi quando o visitante viu um ratinho aparecer debaixo da mesa e dirigir-se para os pés de Albert Einstein. O visitante ficou em pânico. O que fazer? O ratinho se aproximava dos pés do mestre com passinhos curtos mas resolutos. Devia acordar Einstein e avisar do perigo iminente? Ou esperar que o ratinho mudasse de rota? Ou, silenciosamente, sem acordar o professor, enxotar o ratinho?

   Enquanto o visitante decidia o que fazer, o ratinho chegou até o pé direito de Einstein e deu uma mordidinha no seu dedão pelo buraco do chinelo. Einstein nem abriu os olhos. Fez que sim com a cabeça. O ratinho voltou correndo para sua toca. Minutos mais tarde, Einstein abriu os olhos e deu com o visitante no canto. Este desculpou-se, disse que não pretendia acordá-lo, mas Einstein o silenciou com um gesto. Não estava dormindo. Estava pensando.

   Sempre fazia isso. Sentava naquela poltrona, atirava a cabeça para trás, fechava os olhos e deixava o cérebro funcionar. Pensava no universo, pensava no funcionamento do universo, pensava nas explicações para o funcionamento do universo... Mas precisava ter cuidado. Sua mente tinha uma tendência muito grande para a metafísica. Escapava ao controle, disparava, quando ele via ela estava perdida no infinito, em equações fantásticas...

   Felizmente, sempre que isto acontecia, ele sentia uma cosquinha no dedão. Era o sinal para voltar à física, à realidade e às coisas prováveis. Fora assim que desenvolvera a sua teoria da relatividade. Seu cérebro indo em todas as direções, mas a cosquinha no dedão indicando o caminho, alertando-o para os excessos, chamando-o de volta à realidade e à razão.

   O visitante engoliu em seco.

   — E o senhor tem... uma explicação para a cosquinha no dedão?

   Einstein não respondeu em seguida. Suspirou. Coçou a cabeça. Depois disse:

   — Aí é que está. Só pode ser explicada como um sinal divino. Mas eu preciso resistir à metafísica!

   O visitante procurou o ratinho com o olhar mas não o avistou. Além de tudo, era modesto.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Analise as expressões indicadas a seguir, que ocorrem no texto, e assinale a alternativa em que todas elas são empregadas para se referir a Albert Einstein. 
Alternativas
Q3434134 Português
Metafísica


   Contam que um admirador de Albert Einstein foi visitar o mestre em sua casa e o encontrou estirado numa poltrona, com a cabeça para trás e os olhos fechados. Não querendo perturbar o aparente repouso do professor, o visitante sentou-se num canto e ficou esperando que ele acordasse.

  Passou meia hora, o professor continuava estirado na poltrona, a cabeça para trás e os olhos fechados. Foi quando o visitante viu um ratinho aparecer debaixo da mesa e dirigir-se para os pés de Albert Einstein. O visitante ficou em pânico. O que fazer? O ratinho se aproximava dos pés do mestre com passinhos curtos mas resolutos. Devia acordar Einstein e avisar do perigo iminente? Ou esperar que o ratinho mudasse de rota? Ou, silenciosamente, sem acordar o professor, enxotar o ratinho?

   Enquanto o visitante decidia o que fazer, o ratinho chegou até o pé direito de Einstein e deu uma mordidinha no seu dedão pelo buraco do chinelo. Einstein nem abriu os olhos. Fez que sim com a cabeça. O ratinho voltou correndo para sua toca. Minutos mais tarde, Einstein abriu os olhos e deu com o visitante no canto. Este desculpou-se, disse que não pretendia acordá-lo, mas Einstein o silenciou com um gesto. Não estava dormindo. Estava pensando.

   Sempre fazia isso. Sentava naquela poltrona, atirava a cabeça para trás, fechava os olhos e deixava o cérebro funcionar. Pensava no universo, pensava no funcionamento do universo, pensava nas explicações para o funcionamento do universo... Mas precisava ter cuidado. Sua mente tinha uma tendência muito grande para a metafísica. Escapava ao controle, disparava, quando ele via ela estava perdida no infinito, em equações fantásticas...

   Felizmente, sempre que isto acontecia, ele sentia uma cosquinha no dedão. Era o sinal para voltar à física, à realidade e às coisas prováveis. Fora assim que desenvolvera a sua teoria da relatividade. Seu cérebro indo em todas as direções, mas a cosquinha no dedão indicando o caminho, alertando-o para os excessos, chamando-o de volta à realidade e à razão.

   O visitante engoliu em seco.

   — E o senhor tem... uma explicação para a cosquinha no dedão?

   Einstein não respondeu em seguida. Suspirou. Coçou a cabeça. Depois disse:

   — Aí é que está. Só pode ser explicada como um sinal divino. Mas eu preciso resistir à metafísica!

   O visitante procurou o ratinho com o olhar mas não o avistou. Além de tudo, era modesto.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Analise os excertos a seguir quanto à forma de linguagem apresentada. Assinale a alternativa em que se verifica o emprego de discurso indireto livre.
Alternativas
Q3434133 Português
Metafísica


   Contam que um admirador de Albert Einstein foi visitar o mestre em sua casa e o encontrou estirado numa poltrona, com a cabeça para trás e os olhos fechados. Não querendo perturbar o aparente repouso do professor, o visitante sentou-se num canto e ficou esperando que ele acordasse.

  Passou meia hora, o professor continuava estirado na poltrona, a cabeça para trás e os olhos fechados. Foi quando o visitante viu um ratinho aparecer debaixo da mesa e dirigir-se para os pés de Albert Einstein. O visitante ficou em pânico. O que fazer? O ratinho se aproximava dos pés do mestre com passinhos curtos mas resolutos. Devia acordar Einstein e avisar do perigo iminente? Ou esperar que o ratinho mudasse de rota? Ou, silenciosamente, sem acordar o professor, enxotar o ratinho?

   Enquanto o visitante decidia o que fazer, o ratinho chegou até o pé direito de Einstein e deu uma mordidinha no seu dedão pelo buraco do chinelo. Einstein nem abriu os olhos. Fez que sim com a cabeça. O ratinho voltou correndo para sua toca. Minutos mais tarde, Einstein abriu os olhos e deu com o visitante no canto. Este desculpou-se, disse que não pretendia acordá-lo, mas Einstein o silenciou com um gesto. Não estava dormindo. Estava pensando.

   Sempre fazia isso. Sentava naquela poltrona, atirava a cabeça para trás, fechava os olhos e deixava o cérebro funcionar. Pensava no universo, pensava no funcionamento do universo, pensava nas explicações para o funcionamento do universo... Mas precisava ter cuidado. Sua mente tinha uma tendência muito grande para a metafísica. Escapava ao controle, disparava, quando ele via ela estava perdida no infinito, em equações fantásticas...

   Felizmente, sempre que isto acontecia, ele sentia uma cosquinha no dedão. Era o sinal para voltar à física, à realidade e às coisas prováveis. Fora assim que desenvolvera a sua teoria da relatividade. Seu cérebro indo em todas as direções, mas a cosquinha no dedão indicando o caminho, alertando-o para os excessos, chamando-o de volta à realidade e à razão.

   O visitante engoliu em seco.

   — E o senhor tem... uma explicação para a cosquinha no dedão?

   Einstein não respondeu em seguida. Suspirou. Coçou a cabeça. Depois disse:

   — Aí é que está. Só pode ser explicada como um sinal divino. Mas eu preciso resistir à metafísica!

   O visitante procurou o ratinho com o olhar mas não o avistou. Além de tudo, era modesto.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
A leitura da narrativa permite concluir que:
Alternativas
Q3433877 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As surpreendentes vantagens de se andar com os pés descalços


Nas últimas décadas, o hábito de caminhar de pés descalços ganhou cada vez mais adeptos.


Enquanto alguns veem a moda como passageira, outros argumentam que é uma prática saudável, enraizada em nossa natureza.


Na verdade, muitos pais e mães de crianças que ainda não aprenderam a andar mostram grande preocupação com o desenvolvimento dos pés infantis, o que ajuda a explicar a ampla adoção, atualmente, do chamado calçado minimalista, aquele que proporciona uma experiência semelhante à de andar descalço, na idade pediátrica.


Andar descalço seria igualmente importante para os adultos? O pé não é simplesmente um elemento para caminhar e suportar o nosso peso. Ele é um complexo sistema biomecânico composto por vinte e oito ossos especializados em outras várias funções relacionadas à estabilidade, ao equilíbrio e à eficiência ao caminhar.


Em alguns centímetros quadrados, o pé assegura que possamos realizar uma atividade tão básica quanto nos deslocarmos de um lugar a outro. Além disso, a sola do pé tem quase tantas terminações nervosas quanto as das mãos e é uma grande reguladora da nossa postura e movimento.


Andar descalço por vontade própria não é uma invenção moderna. Algumas culturas antigas consideravam que, ao fazê-lo, era estabelecida uma conexão direta com a terra. No entanto, com a invenção do calçado, priorizou-se a proteção e o status em detrimento da naturalidade.


Nas sociedades modernas, o calçado é um elemento essencial de vestuário, tanto por razões de higiene quanto de posição social. Faz sentido, então, prescindir dele em muitos momentos?


As pesquisas científicas revelam que favoreceria a conexão com a natureza e, de um ponto de vista emocional, com nós mesmos.


No que diz respeito aos aspectos meramente físicos, há diferenças entre andar calçado ou de pés descalços, e sabe-se disso há algum tempo.


Já em 1905, o Dr. Phil Hoffman comparou os pés de pessoas que andavam descalças com os de quem usava calçados e encontrou grandes diferenças entre eles, tanto na forma quanto na função do pé. Uma revisão sistemática realizada em 2015 endossou os achados de Hoffman e detectou várias diferenças-chave.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c51nnlqq5yvo. adaptado.
Com alguns centímetros quadrados, os pés nos permitem muitas tarefas e algumas pessoas preferem caminhar ou correr sem calçado.

De acordo com o texto base, assinale a alternativa correta sobre o desenvolvimento e a função dos pés.
Alternativas
Q3433678 Português

INSTRUÇÃO: Leia o fragmento do texto a seguir para responder à questão.



Era madrugada quando a porta abriu:


– Acorda, acorda, Chiquinho... É tu que vai levar o recado pra Zé Barbatão!


O menino esfregou os olhos cheios de remela. Para satisfação da mãe, não hesitou. Pulou da cama como um soldado em miniatura. Chiquinho ouviu o cantar do galo, latidos distantes e o rádio, som baixo, ligado no quarto dos pais, “... prevista para esta manhã a extraordinária passagem do...”. Reconheceu os cheiros. Ovo mexido, café prontinho. O lampião trazido pela mãe, postado no chão, iluminava todos os pés do quarto.


Comeu apressado. A mãe tentava sorrir. Parecia alerta, com medo de alguma coisa?


– O que tem no bilhete, mainha?


– E eu vou saber, menino? É coisa de Doutor Quincas.


Então era recado do Coronel Quincas, em cuja propriedade a família de Chiquinho vivia e trabalhava. Mas quem garantia que não tinha ali também coisa dela? Afinal, o envelope soltava um perfume.



AGUIAR, Cristhiano. Anda-luz. Alfaguara, 2022. 

Considerando as características linguísticas do texto, qual das alternativas a seguir expressa corretamente uma marca de variação linguística presente na narrativa? 
Alternativas
Q3433341 Português

Texto para a questão: 


Ele foi albergado, incentivou quem mora na rua a ler e se tornou bibliotecário 




Disponível em: https://www1.folha.ual.com br.

 O segmento destacado no excerto “Todos do Chico Xavier, como ‘Nosso Lar', eram disputados, estavam sempre emprestados” expressa uma 
Alternativas
Q3433340 Português

Texto para a questão: 


Ele foi albergado, incentivou quem mora na rua a ler e se tornou bibliotecário 




Disponível em: https://www1.folha.ual.com br.

Considerando-se as informações apresentadas no texto, pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q3433131 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Células podem indicar chave para frear efeitos do envelhecimento


Elas estão espalhadas por todo o nosso corpo — do cérebro ao fígado —, e atuam liberando moléculas prejudiciais que degradam os tecidos, afetando a cognição, aumentando a fragilidade e enfraquecendo o sistema imunológico. E seu número aumenta à medida que envelhecemos.


Estamos nos referindo às células senescentes, muitas vezes, chamadas de "células zumbis".


Com a idade, elas passam por um processo de senescência, um estado em que não crescem e não se dividem, no entanto resistem em morrer e liberam uma combinação prejudicial de sinais biológicos nocivos.


Quando uma pessoa é jovem, o sistema imunológico elimina células senescentes. Mas muitas conseguem perseverar, contribuindo para problemas de saúde e doenças associadas ao avanço da idade.


Há mais de uma década, várias equipes de cientistas pesquisam formas de destruir estas células, e assim, deter os problemas do envelhecimento.


As doenças, as lesões e os outros fatores de estresse danificam as células de todo o nosso corpo.


 Idealmente, nosso sistema imunológico elimina as células danificadas por meio de um processo chamado apoptose.


Mas, à medida que envelhecemos, o nosso organismo já não é tão eficaz na eliminação de células disfuncionais, e isso contribui para o enfraquecimento do sistema imunológico e outros processos biológicos menos eficientes


Mas, à medida que envelhecemos, o nosso organismo já não é tão eficaz na eliminação de células disfuncionais, e isso contribui para o enfraquecimento do sistema imunológico e outros processos biológicos menos eficientes.


Nas dezenas de ensaios clínicos realizados em células senescentes atualmente, os pesquisadores usam desde medicamentos — novos e adaptados — até biomarcadores e ferramentas genéticas para reprogramar e matar estas células, na esperança de acabar com as doenças associadas ao avanço da idade.


"Sabemos que as pessoas envelhecem em ritmos diferentes, e que a idade cronológica de uma pessoa nem sempre coincide com a sua idade biológica", explicou Jennifer Sauver, principal autora do estudo.


 "Descobrimos que um grupo de diversas proteínas liberadas pelas células zumbis funciona como biomarcadores da senescência e prevê resultados relacionados à saúde em adultos mais velhos."


Os pesquisadores também descobriram que medir estes biomarcadores no sangue ajuda a prever a mortalidade, para além da combinação da idade cronológica, do sexo e da presença de uma doença crônica.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4nn0v2g45mo

O número de células zumbis aumenta à medida que envelhecemos, já que nosso corpo não é mais tão eficaz na eliminação de células disfuncionais.


De acordo com o texto base, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q3432368 Português

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.


TEXTO 4


De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.


Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.


E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.


Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.


CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.


TEXTO 5


– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!


A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!


BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161


TEXTO 6


Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...


ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado






Julia Lopes de Almeida, assim como outras escritoras ao longo da história da literatura brasileira, nem sempre teve seu mérito devidamente reconhecido. Contudo, em sua obra, a autora demonstra consciência da sua condição de mulher e escritora, como quando, em “A arte de envelhecer” (texto 6), opta pela
Alternativas
Q3432367 Português

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.


TEXTO 4


De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.


Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.


E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.


Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.


CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.


TEXTO 5


– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!


A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!


BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161


TEXTO 6


Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...


ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado






Lima Barreto foi um crítico da sociedade brasileira de sua época e seus posicionamentos expunham desigualdades importantes no tratamento dado à população negra no país. Nesse sentido, a violência da situação representada no texto 5 está associada à seguinte declaração de Cuti (texto 4): 
Alternativas
Q3432365 Português

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.


TEXTO 4


De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.


Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.


E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.


Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.


CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.


TEXTO 5


– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!


A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!


BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161


TEXTO 6


Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...


ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado






No fragmento do ensaio “Castro, ouves a poesia negra?” (texto 4), o escritor negro Luiz Silva, conhecido como Cuti, elege como seu interlocutor o poeta romântico Castro Alves. A proposta contemporânea de diálogo com a tradição da literatura brasileira representada pelo texto 4 visa a
Alternativas
Q3432362 Português

A questão é baseada nos textos 1, 2 e 3.


TEXTO 1


Canção do exílio


Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar –sozinho, à noite–

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;



TEXTO 2


Canto do Regresso à Pátria


Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos daqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo


ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil [1924]. 4 ed. São Paulo: Globo, 2000. p.139



TEXTO 3


Em uma noite dessas, sonha consigo mesmo cindida em duas, aquela que ora se mira, adulta, parecendo prestes a descobrir algo; e outra, muito criança, chorando sentada no chão de uma sala. No sonho, toma a si mesma nos braços, e o contato das suas duas peles faz com que acorde em uma terceira pele, a da vigília, arrepiada de frio. Pela primeira vez em muito tempo, deseja, então, regressar a Belém, rever a avó, conversar com ela sobre aquela difícil infância que vivera e saber por que o apagamento da herança indígena da família da mãe tinha sido necessário e tão eficaz. O porquê da família paterna, embora de pele branca, ter optado por renegar a própria condição de mestiça. Coisas que talvez a avó nem mesmo pudesse dar conta de responder. Reencontrar rastro e rosto era o que faria se fosse possível, mas a morte da mulher que a criara, ciosa e feroz em sua obrigação de afeto, rompera o último laço que a mantivera presa àquela cidade, àquela casa.


VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. p. 110

Em 2022 comemorou-se o centenário da Semana de Arte Moderna. Realizada em São Paulo no ano de 1922, a Semana foi convertida pela historiografia literária em marco inaugural do Modernismo brasileiro, mas a revisão crítica do movimento permite considerar ambiguidades do seu legado. No texto 2, aspectos favoráveis e desfavoráveis desse legado estão representados, respectivamente,
Alternativas
Q3432360 Português

A questão é baseada nos textos 1, 2 e 3.


TEXTO 1


Canção do exílio


Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar –sozinho, à noite–

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;



TEXTO 2


Canto do Regresso à Pátria


Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos daqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo


ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil [1924]. 4 ed. São Paulo: Globo, 2000. p.139



TEXTO 3


Em uma noite dessas, sonha consigo mesmo cindida em duas, aquela que ora se mira, adulta, parecendo prestes a descobrir algo; e outra, muito criança, chorando sentada no chão de uma sala. No sonho, toma a si mesma nos braços, e o contato das suas duas peles faz com que acorde em uma terceira pele, a da vigília, arrepiada de frio. Pela primeira vez em muito tempo, deseja, então, regressar a Belém, rever a avó, conversar com ela sobre aquela difícil infância que vivera e saber por que o apagamento da herança indígena da família da mãe tinha sido necessário e tão eficaz. O porquê da família paterna, embora de pele branca, ter optado por renegar a própria condição de mestiça. Coisas que talvez a avó nem mesmo pudesse dar conta de responder. Reencontrar rastro e rosto era o que faria se fosse possível, mas a morte da mulher que a criara, ciosa e feroz em sua obrigação de afeto, rompera o último laço que a mantivera presa àquela cidade, àquela casa.


VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. p. 110

A “Canção do exílio” (texto 1), de Gonçalves Dias, é provavelmente o poema mais conhecido do romantismo brasileiro. Em seus versos, a manifestação formal de aspectos ideológicos e temáticos românticos ocorre na associação do uso da 
Alternativas
Q3432348 Português

Texto II – O professor como instrumento de libertação (Filipe Queiroz de Campos*)


    Chovia muito. A enorme sombrinha corde-rosa da minha mãe me envergonhava diante dos meus colegas… todos muito mais altos que eu. O uniforme era grande demais. O mundo era grande demais. Eu me perguntava: por que eu tenho que ir à escola? Eu tinha 18 anos… tantas dúvidas! Uma delas se destacava: como um nerd, baixinho, de óculos, tímido e desajeitado poderia fazer qualquer diferença em um mundo tão grande e tão ameaçador?


    O medo e o desânimo tomavam conta de mim. Um senhor entrou em sala com seus óculos na ponta do nariz, barba branca, camisa antiga de botão para dentro das calças. Mal sabia eu que a aula daquele senhor despertaria em mim uma chama que nunca mais vacilaria. Aquela aula acendeu em mim uma vontade infinita de saborear o conhecimento e fazer dele uma ferramenta para a felicidade dos outros.

  

  Ele começou a aula assim: “Vocês não são dispensáveis. Cada ser humano é irrepetível. As regras do jogo lá fora vão tentar te convencer de que você é só mais um. Cada um de vocês é representante da esperança de esse mundo ser um lugar melhor. Isso não é uma mensagem geral. É um chamado no particular”. A aula de inspiração e coragem teve fim às oito horas, mas nunca terminou no meu coração. Para o resto da minha vida, a vontade de valorizar a coragem, a ousadia intelectual e a diversidade de pensamentos passaram a arder forte no meu coração. Aquele professor exerceu sua capacidade de despertar em mim um ânimo absurdo pela vida.

  

  No latim, a palavra animus está ligada ao conceito de anima, ou seja, a força vital que dá vida a todo ser. Em português, anima seria o próprio sopro de vida, aquilo que nos oferece propósito. Para mim, o professor tem uma missão transcendental: inspirar um ardente amor pela vida. O professor que se aventura a inspirar seus estudantes a serem alegres, fortes e felizes é um representante do Ruah, em hebraico, o Espírito Santo de Deus; é um instrumento do animus divino. Sendo assim, o professor faz, no mínimo, toda a diferença.

 

   Para mim, aquela aula mudou minha vida e, hoje, entendo: o professor pode ser um representante do sopro divino. O professor provoca o animus na vida de seus estudantes. Uma aula não é apenas mais um momento. Ela pode ser o grande momento de que alguém precisava. A aula pode ser um instante que, paradoxalmente, dura para sempre.


    O professor animado pelo amor à vida é condutor de uma eletricidade diferente. Ele pode conduzir o Espírito de Deus a todos que o escutam, eletrizando a alma, espantando todo desânimo e medo, por meio de um sorriso estampado no rosto, por meio de uma alegria incontida, de um desejo ardente pelo conhecimento ou de uma lição inspiradora. Cada um do seu jeito, cada professor pode interromper a inércia da desesperança ao provocar um inquieto amor pelo sentido da vida.


    Um professor desconhece o alcance das suas palavras. Elas podem ecoar para sempre no coração de alguém. Por isso, se você é professor ou conhece um professor, valorize a oportunidade que uma aula representa. Quem sabe, talvez, quem o escuta possa ser despertado para um novo mundo de coragem e ânimo? Quem sabe as palavras ditas em uma sala de aula possam ressoar na mente de um próximo professor, na de um próximo médico, na de um próximo presidente… o professor mexe com a gente. Ele tem um amor diferente.


Disponível em: https://www.colegiodosjesuitas.com.br/oprofessor-como-instrumento-de-libertacao-cronica-de-memoriase-homenagem/. Acesso em: 17 dez.2023.

No trecho “A aula pode ser um instante que, paradoxalmente, dura para sempre”, encontramos a palavra “paradoxalmente”, que deriva de “paradoxal”, que, por sua vez deriva de “paradoxo”. Por definição, paradoxo é uma
Alternativas
Respostas
21261: D
21262: D
21263: C
21264: B
21265: D
21266: C
21267: D
21268: A
21269: B
21270: D
21271: C
21272: C
21273: D
21274: B
21275: E
21276: D
21277: B
21278: A
21279: C
21280: C