Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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( ) No primeiro parágrafo, em “Nunca diga ‘violência’ quando a palavra correta for ‘crime’.”, o autor se valeu de uma ironia para transmitir sua indignação quanto ao tema.
( ) No primeiro parágrafo, o autor utiliza o termo “violência” como Eufemismo para a crítica feita.
( ) No segundo parágrafo, o termo “especialistas” foi utilizado de maneira literal a fim de inserir um Argumento de autoridade ao assunto que critica.
( ) No terceiro parágrafo, o autor não exime de responsabilidade, em meio à comparação feita com a ação policial, as decisões judiciais diante da elevada taxa de letalidade do país.
De acordo com as ideias expostas no texto, considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, tem-se respectivamente.

( ) A linguagem é usada muitas vezes para deturpar a realidade ao dissimular as ações nocivas cometidas por criminosos.
( ) É prescindível o uso das palavras para o estabelecimento do que judicial e socialmente deva ser compreendido como correto ou não quanto aos atos considerados criminosos para o autor.
( ) A subversão linguística por parte da mídia influenciou jornalistas e a audiência de forma negativa, ratificando a inversão de valores citada pelo autor.
( ) O alvo da argumentação autoral é o que se chama de “novilíngua da segurança pública”, a qual prejudica qualquer atitude lógica de enfrentamento da contravenção, já que esta se ampara na permissividade verbal presente no arcabouço jurídico.
De acordo com as ideias expostas no texto, considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, tem-se respectivamente.

Leia o texto e responda a questão.
Trecho (do início de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Capítulos I e II)
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar meu nascimento ou minha morte. Supondo que o uso vulgar me obrigasse a optar pelo nascimento, foi-me impossível resistir à tentação de começar pela morte.
Digo, pois, que morri em uma tarde de sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha sessenta e quatro anos, e desde que me conheci, sempre me inclinei a fazer tudo pela forma mais sensata; mas, dessa vez, não pude conter uma estranha vontade de experimentar o insólito.
Machado de Assis.
Leia o texto e responda a questão.
Trecho (do início de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Capítulos I e II)
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar meu nascimento ou minha morte. Supondo que o uso vulgar me obrigasse a optar pelo nascimento, foi-me impossível resistir à tentação de começar pela morte.
Digo, pois, que morri em uma tarde de sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha sessenta e quatro anos, e desde que me conheci, sempre me inclinei a fazer tudo pela forma mais sensata; mas, dessa vez, não pude conter uma estranha vontade de experimentar o insólito.
Machado de Assis.
Leia o texto e responda a questão.
Trecho (do início de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Capítulos I e II)
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar meu nascimento ou minha morte. Supondo que o uso vulgar me obrigasse a optar pelo nascimento, foi-me impossível resistir à tentação de começar pela morte.
Digo, pois, que morri em uma tarde de sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha sessenta e quatro anos, e desde que me conheci, sempre me inclinei a fazer tudo pela forma mais sensata; mas, dessa vez, não pude conter uma estranha vontade de experimentar o insólito.
Machado de Assis.
( ) Envolve um sentido mais restrito, voltado para o texto escrito, e as imagens estáticas ou em movimento têm seus usos e suas funções relacionadas com as atividades típicas do campo da arte.
( ) Tem por objetivo estimular a utilização do conjunto de regras e padrões linguísticos da norma culta e desencorajar a utilização das práticas de linguagem própria das crianças e dos jovens.
( ) Compreende as práticas de linguagem que decorrem da interação ativa do leitor/ouvinte/espectador com os textos escritos, orais e multissemióticos e de sua interpretação.
Pechada
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de “Gaúcho”. Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.
— Aí, Gaúcho!
— Fala, Gaúcho!
Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?
— Mas o Gaúcho fala “tu”! — disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.
— E fala certo — disse a professora. — Pode-se dizer “tu” e pode-se dizer “você”. Os dois estão certos. Os dois são português.
O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.
Um dia, o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.
— O pai atravessou a sinaleira e pechou.
— O quê?
— O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.
A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.
— O que foi que ele disse, tia? — quis saber o gordo Jorge.
— Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.
— E o que é isso?
— Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.
— Nós vinha...
— Nós vínhamos.
— Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto.
A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.
“Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo. “Auto” era automóvel, carro. Mas “pechar” o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que “pechar” vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido. Pechada.
— Aí, Pechada!
— Fala, Pechada!
Fonte: Revista Nova. Luis Fernando Veríssimo.
Pechada
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de “Gaúcho”. Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.
— Aí, Gaúcho!
— Fala, Gaúcho!
Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?
— Mas o Gaúcho fala “tu”! — disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.
— E fala certo — disse a professora. — Pode-se dizer “tu” e pode-se dizer “você”. Os dois estão certos. Os dois são português.
O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.
Um dia, o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.
— O pai atravessou a sinaleira e pechou.
— O quê?
— O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.
A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.
— O que foi que ele disse, tia? — quis saber o gordo Jorge.
— Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.
— E o que é isso?
— Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.
— Nós vinha...
— Nós vínhamos.
— Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto.
A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.
“Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo. “Auto” era automóvel, carro. Mas “pechar” o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que “pechar” vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido. Pechada.
— Aí, Pechada!
— Fala, Pechada!
Fonte: Revista Nova. Luis Fernando Veríssimo.
(Kleiman, 1993)
De acordo com Dolz, Noverraz e Schneuwly (em Schneuwly e Dolz, 2004), a estrutura descrita por Kleiman materializa-se nos gêneros
(Bakhtin, 1992)
Muitas propostas atuais de ensino valem-se dos conceitos de Bakhtin, que concebe a língua como