Questões de Concurso
Sobre gêneros textuais em português
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Pai não entende nada
A filha de 14 anos chega para o pai e diz:
- Pai, preciso comprar um biquíni novo.
- Mas filha, você comprou um biquíni no ano passado.
- Ah pai, quero um biquíni novo.
- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.
- Mas eu quero, pai.
- Tá bom, filha. Pegue esse dinheiro e compre um biquíni maior.
- Maior não, pai. Menor.
Pai não entende nada mesmo!
COLUNA A
I. Carta. II. Conto. III. Crônica. IV. Entrevista. V. Notícia. VI. Poesia.
COLUNA B
( ) Tem como principal característica transmitir a opinião de pessoas de destaque sobre algum assunto de interesse. É um gênero marcado pela oralidade e possui importante papel ao difundir conhecimento e formar opinião sobre uma temática. ( ) Caracteriza-se por apresentar um trabalho voltado para o estudo da linguagem, fazendo-o de maneira particular, refletindo o momento, a vida dos homens através de figuras que possibilitam a criação de imagens. ( ) Esse gênero textual está entre os mais utilizados pela sociedade, estando presente nas diversas práticas sociais, pessoais ou comerciais. Sua característica principal é a existência de emissor e destinatário. ( ) Gênero que apresenta uma narrativa informal ligada à vida cotidiana. Apresenta certa dose de lirismo e sua principal característica é a brevidade. ( ) Apresenta linguagem linear e curta, que envolve poucas personagens movimentando-se em torno de uma única ação, dada em um só espaço, eixo temático e conflito. Suas ações encaminham-se diretamente para um desfecho. ( ) Aborda um tema atual ou algum acontecimento real. Possui teor informativo e pode se apresentar em textos descritivos e narrativos ao mesmo tempo, estruturando, portanto, tempo, espaço e as personagens envolvidas.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
Leia o texto a seguir para responder a questão .
A marca no flanco
Lya Luft
O mundo não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui forma, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
É uma ideia assustadora: vivemos segundo o nosso ponto de vista, com ele sobrevivemos ou naufragamos. Explodimos ou congelamos conforme nossa abertura ou exclusão em relação ao mundo.
E o que configura essa perspectiva nossa?
Ela se inaugura na infância, com suas carências nem sempre explicáveis. Mesmo se fomos amados, sofremos de uma insegurança elementar. Ainda que protegidos, seremos expostos a fatalidades e imprevistos contra os quais nada nos defende. Temos de criar barreiras e ao mesmo tempo lançar pontes com o que nos rodeia e o que ainda nos espera. Toda essa trama de encontro e separação, terror e êxtase encadeados, matéria da nossa existência, começa antes de nascermos.
Mas não somos apenas levados à revelia numa torrente. Somos participantes.
Nisso reside nossa possível tragédia: o desperdício de uma vida com seus talentos truncados se não conseguirmos ver ou não tivermos audácia para mudar para melhor – em qualquer momento, e em qualquer idade.
A elaboração desse “nós” iniciado na infância ergue as paredes da maturidade e culmina no telhado da velhice, que é coroamento embora em geral seja visto como deterioração.
Nesse trabalho nossa mão se junta às dos muitos que nos formam. Libertando-nos deles com o amadurecimento, vamos montando uma figura: quem queremos ser, quem pensamos que devemos ser – quem achamos que merecemos ser.
Nessa casa, a casa da alma e a casa do corpo, não seremos apenas fantoches que vagam, mas guerreiros que pensam e decidem.
Constituir um ser humano, um nós, é trabalho que não dá férias nem concede descanso: haverá paredes frágeis, cálculos malfeitos, rachaduras. Quem sabe um pedaço que vai desabar. Mas se abrirão também janelas para a paisagem e varandas para o sol.
O que se produzir – casa habitável ou ruína estéril – será a soma do que pensaram e pensamos de nós, do quanto nos amaram e nos amamos, do que nos fizeram pensar que valemos e do que fizemos para confirmar ou mudar isso, esse selo, sinete, essa marca.
Porém isso ainda seria simples demais: nessa argamassa misturam-se boa-vontade e equívocos, sedução e celebração, palavras amorosas e convites recusados. Participamos de uma singular dança de máscaras sobrepostas, atrás das quais somos o objeto de nossa própria inquietação. Nem inteiramente vítimas nem totalmente senhores, cada momento de cada dia um desafio.
Essa ambiguidade nos dilacera e nos alimenta. Nos faz humanos.
No prazo de minha existência completarei o projeto que me foi proposto, aos poucos tomando conta dessa tela e do pincel.
Nos primeiros anos quase tudo foi obra do ambiente em que nasci: família, escola, janelas pelas quais me ensinaram a olhar, abrigo ou prisão, expectativa ou condenação.
Logo não terei mais a desculpa dos outros: pai e mãe amorosos ou hostis, bondosos ou indiferentes, sofrendo de todas as naturais fraquezas da condição humana que só quando adultos reconhecemos. Por fim havemos de constatar: meu pai, minha mãe, eram apenas gente como eu. Fizeram o que sabiam, o que podiam fazer.
E eu… e eu?
Marcados pelo que nos transmitem os outros, seremos malabaristas em nosso próprio picadeiro. A rede estendida por baixo é tecida de dois fios enlaçados: um nasce dos que nos geraram e criaram; o outro vem de nós, da nossa crença ou nossa esperança.
LUFT, Lya. Perdas & Ganhos. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 21-23 [Adaptado]

É possível a vida dos gêneros como uma tessitura de redes discursivas, provenientes dos mais diferentes focos da cultura oral e escrita. Nessas esferas de realidade, o gênero piada constitui-se como um discurso que faz parte do universo da sala de aula.
Leia a piada a seguir e, em seguida, responda o que se pede.
Assim que Joãozinho chegou em casa, sua mãe perguntou:
- Oi, meu filho, como foi a aula hoje?
E o menino respondeu sem muito entusiasmo:
- Foi bem!
-Que bom! Tem certeza de que aprendeu tudo?
- Acho que não, Mãe! Amanhã vou ter que ir de novo.
(Fonte: CEREJA, William e COCHAR, Thereza. Português/Linguagens. São Paulo: Saraiva. 2015, p. 160).
I- A ideia central da piada retrata a mesmice da sala de aula, evidenciando, sob a forma de humor, a ineficiência do processo de ensino e aprendizagem. II- O gênero lúdico incentiva o riso em sala de aula, cria um ambiente propício ao ensino e à aprendizagem, ajudando o professor a conquistar a atenção do aluno e a reter o conhecimento. III- A transposição do gênero piada ao discurso didático se configura e reflete as múltiplas possibilidades de uso da linguagem, provocando o riso, que nega o discurso autoritário.
É CORRETO o que se afirma em:
I- O texto é uma produção cultural fundada na linguagem e se realiza no cruzamento de sujeitos discursivos, porque mobiliza sentidos gerados no evento comunicativo. II- A dimensão dos usos de gêneros textuais passa a ser elos de uma cadeia que dinamiza as relações entre os sujeitos discursivos ou sistemas de linguagem. III- Os gêneros textuais não podem hibridizar-se, cruzar-se, fazendo o texto ganhar novas significações.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Com base no texto 4, responda à questão.
Texto 4:
Copa do Mundo no Brasil: um espaço para a criação de neologismos
Benilde Socreppa Schultz
Márcia Sipavicius Seide
RESUMO: O léxico de uma língua pode ser considerado como o retrato de uma sociedade em seus diversos níveis de manifestação, pois é através das unidades lexicais que são representadas as mais variadas situações sociais e culturais. A realização de um evento nas proporções da Copa do Mundo no Brasil é um espaço que se configura ideal para a criação de itens lexicais novos e lúdicos. Para Alves (2014), o aspecto lúdico na criação de neologismos está presente em todos os gêneros discursivos, como o humorístico, o literário, o publicitário e o jornalístico. Para este artigo, coletamos, durante o mês da realização da Copa do Mundo de 2014, os neologismos presentes em três revistas e jornais on-line: Globo Esporte, Revista Veja e Gazeta do Povo. A análise dos dados mostrou que esse grande evento deu vazão a uma explosão de novas palavras e novas significações para cuja identificação a utilização de informação lexicográfica como critério não foi suficiente, sendo recomendada a adoção de critérios adicionais para tornar a análise mais precisa.
PALAVRAS-CHAVE: Neologismos. Aspectos lúdicos. Copa do Mundo.
Fonte: Revista GTLex | Uberlândia | v.2 n.1 | jul./dez. 2016
Os três pássaros do rei Herodes (lenda)
Pela triste estrada de Belém, a Virgem Maria, tendo o Menino Jesus ao colo, fugia do rei Herodes.
Aflita e triste ia em meio do caminho quando encontrou um pombo, que lhe perguntou: – Para onde vais, Maria? – Fugimos da maldade do rei Herodes, – respondeu
Mas como naquele momento se ouvisse o tropel dos soldados que a perseguiam, o pombo voou assustado.
Continuou Maria a desassossegada viagem e, pouco adiante, encontrou uma codorniz que lhe fez a mesma pergunta que o pombo e, tal qual este, inteirada do perigo, tratou de fugir. Finalmente, encontrou-se com uma cotovia, que, assim que soube do perigo que assustava a Virgem, escondeu-a e ao menino, atrás de cerrado grupo de árvores que ali existia.
Os soldados de Herodes encontraram o pombo e dele souberam o caminho seguido pelos fugitivos.
Mais para a frente a codorniz não hesitou em seguir o exemplo do pombo.
Ao fim de algum tempo de marcha, surgiram à frente da cotovia.
– Viste passar por aqui uma moça com uma criança no regaço?
– Vi, sim – respondeu o pequenino pássaro – Foram por ali.
E indicou aos soldados um caminho que se via ao longe. E assim afastou da Virgem e de Jesus os seus malvados perseguidores.
Deus castigou o pombo e a codorniz.
O primeiro, que tinha uma linda voz, passou a emitir, desde então, um eterno queixume.
A segunda passou a voar tão baixo, tão baixo, que se tornou presa fácil de qualquer caçador inexperiente.
E a cotovia recebeu o prêmio de ser a esplêndida anunciadora do sol a cada dia que desponta.
Fonte (adaptada):
https://armazemdetexto.blogspot.com/2017/11/lenda-os-tres-passaros-do-rei-herodes.html.
TEXTO

“Se toque. Acura do câncer pode estar em suas mãos”. (In: ANTUNES, Irandé. Aula de Português: Encontro e Interação. São Paulo: Parábola, 2003, p. 132).
( ) A construção linguística do enunciado apresenta um desvio da norma culta da língua, sendo incompatível com o gênero “anúncio publicitário”. ( ) O objetivo do gênero textual é atingir o maior número de pessoas por força da persuasão, por isso o emprego de um registro mais próximo do informal. ( ) A elaboração do anúncio enseja uma análise discursiva sobre a duplicidade de sentido do enunciado.
A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é:
Leia a letra de música a seguir para responder à próxima questão:
A carta
Escrevo-te
Estas mal traçadas linhas,
Meu amor,
Porque veio a saudade
Visitar meu coração.
Espero que desculpes
Os meus erros, por favor,
Nas frases desta carta
Que é uma prova de afeição.
Talvez tu não a leias,
Mas quem sabe até darás
Resposta imediata
Me chamando de "Meu Bem".
Porém, o que me importa
É confessar-te uma vez mais:
Não sei amar na vida
Mais ninguém.
[...]
Ao me apaixonar,
Por ti não reparei
Que tu tivestes
Só entusiasmo
E para terminar
Amor assinarei
"Do sempre, sempre teu..."
SAMPAIO, Raul: SANTOS. Benil. A Carta. Disponível em: https://www.letras.mus.br/erasmo-carlos/45771/Acesso em: 07103/2020. (Adaptado.)
A partir da leitura do texto abaixo, responda à questão.
Crianças que veem comidas saud6vels na TV tendem a se alimentar melhor
Até nas flores se vê O destino e a sorte Umas enfeitam a vida Outras enfeitam a morte.
( ) Há neste gênero o emprego de recursos sonoros, métrica e ritmo que enriquecem a coerência temática do texto. ( ) Os mecanismos utilizados na formatação do gênero ampliam o significado das palavras, o que confere sentido ao texto. ( ) Os dois últimos versos apresentam a figura de linguagem paradoxo.
A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é:
Leia atentamente o texto abaixo, extraído do jornal O TEMPO - 16/02/20, de modo a responder à questão:
O PESO DO MOSQUITO (LAURA MEDIOLE)
"Convidei meu vizinho para fazer um mutirão da limpeza em seu quintal, e ele só me enrola. Já denunciei, e nada. Ele só aparece a cada 15 dias. Mato e entulho tomaram conta de tudo.”
“Por que o jornal não vem filmar o criadouro dos mosquitos aqui, no vizinho? As calhas da sua casa estão todas entupidas, e a água da chuva desce em cima do muro, que vai cair a qualquer momento. Já denunciei aí no jornal a proliferação do mosquito da dengue, e ninguém faz nada...”
Pois é; as internautas têm razão, é o fim da picada!!! Ou melhor, o início, quando os vizinhos ignoram um dos maiores problemas enfrentados pela população nos últimos anos. Impressionante a falta de consciência (ou de vergonha na cara mesmo) dessas pessoas (felizmente, uma minoria), que põem em risco a saúde e até a vida dos moradores.
Custa dar uma olhada nos seus quintais? Não entendem que uma simples tampinha de Coca-Cola com água pode vir a ser um criadouro de larvas do Aedes aegypti? Que, ao crescerem, viram mosquitos capazes de causar danos enormes às pessoas? Quem já teve dengue sabe disso. [...] Como se não bastasse a incapacidade de reação, correm o risco de sofrer a dengue hemorrágica, que pode ser fatal.
Explico isso em pormenores acreditando que algum leitor menos esclarecido, que ainda não se deu conta da situação, se atente ao problema. E, antes de fazer pouco-caso das campanhas, mutirões ou pedidos dos vizinhos, pense nisso, pense num filho seu acometido pela doença. Se para um adulto já é pesado, imagina para uma criança?
Pesquisas confirmam que 80% dos focos são residenciais. Ou seja, estão no lixo acumulado nos quintais, na latinha com água de chuva, na calha entupida, e por aí vai. Como exemplo da irresponsabilidade, cito as caixas-d’água. O fiscal chega na casa, vasculha o terreno minuciosamente, explica os riscos, deixa um panfleto sobre o tema, notifica quando necessário e, para finalizar, pergunta sobre a caixa-d’água. O morador, já sem muita paciência com aquela “invasão domiciliar”, diz que a caixa está ok, que se encontra fechada. O fiscal sai, e entra o drone, que, do alto, mostra que aquela caixa-d’água, além de não ter tampa, é um criadouro de mosquitos.
Há vários meses a Prefeitura de Betim (cito ela porque é a que estou mais próxima) vem fazendo campanhas e mutirões de casa em casa, envolvendo escolas, pais de alunos, moradores de modo geral, além de um trabalho intensivo de capina e retirada de lixo e entulhos, espalhados pela população. [...]
Vejo que, além do lixo, temos aí um problema educacional. Talvez o país ainda demore décadas para que a população se conscientize disso. [...] Em cada regional há um local destinado aos entulhos, o que muitos caminhões clandestinos, vindos até de cidades vizinhas, ignoram. Mesmo com o risco de serem multados, na calada da noite, continuam descarregando materiais nas calçadas ou em locais indevidos, apesar de a prefeitura disponibilizar caçambas próprias para isso, distribuídas em pontos estratégicos da cidade. Nas escolas, as crianças desde cedo são conscientizadas sobre a importância da reciclagem. E, numa espécie de gincana ecológica, envolvendo também os pais, elas cumprem o que lhes é ensinado.
Um trabalho de formiguinha, até chegar o dia em que não serão mais necessários fiscais e tantos outros
custos para o município, que poderiam ser evitados. Até chegar o dia em que não morrerão mais pessoas
de dengue.
( ) A menção aos depoimentos no início do texto, culminando na pergunta destinada ao leitor, constitui a chamada introdução para chamar a atenção, recurso que reforça o apelo da autora para a necessidade de evitar o lixo, que contribui para a proliferação do mosquito da dengue. ( ) O gênero a que pertence o texto é a notícia, o que se comprova pelos depoimentos citados e pelas pesquisas, relativos a uma cidade específica (Betim), que denunciam a dificuldade para controlar os focos do mosquito da dengue. ( ) O gênero a que pertence o texto é o artigo de opinião, e do ponto de vista tipológico, classifica-se como dissertativo-argumentativo, apresentando sequências linguísticas expositivas, opinativas e conversacionais. ( ) A estratégia usada pela autora, de inserir depoimentos bem como comentários avaliativos entre parênteses, tem o propósito de sensibilizar diretamente os gestores (prefeitos, em especial) para o problema de saúde pública que afeta as cidades brasileiras.
A sequência que responde CORRETAMENTE é:
