Questões de Concurso Sobre gêneros textuais em português

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Q1719290 Português

Leia o Texto V para responder à questão.




Admitindo-se o texto como parte do gênero editorial, espera-se que a redação dele se faça na variante linguística de maior prestígio social. Assim, essa redação terá a forma
Alternativas
Q1719012 Português
ENTREVISTA COM ENI ORLANDI

     M. S. – Você tem apresentado uma distinção entre a formação e a capacitação no que tange à formação de professores. Nesse sentido, de que forma os pressupostos teóricos da Análise de Discurso podem contribuir para a proposição de uma política de formação para os profissionais de Letras, tanto em nível de graduação, passando pelas chamadas formações continuadas, ofertadas pelas Secretarias de Educação de estados e municípios, quanto no âmbito da pós-graduação? 

     E. O. – A distinção que faço entre formação e capacitação não significa como está significada a palavra formação em “formação continuada”. Ao contrário, é uma noção que procurei formular para abrigar a possibilidade de se pensar em uma prática pedagógica de construção real de conhecimento, e não presa ao imaginário escolar já significado antes mesmo que se estabeleçam relações concretas com os alunos. A distinção básica é a que estabeleço entre a relação do ensino com a informação – capacitação – e com o conhecimento, com o saber – formação. Na capacitação, consumo e cidadania se conjugam. 
 
     Na conjuntura histórica atual, a alfabetização e o desenvolvimento se declinam, então, em “educação e mercado”, em que o mercado exige a qualificação do trabalho, a qualificação do trabalhador: um país educado. Isto significa um país rico em que os cidadãos “educados” são capacitados para o trabalho e circulam como consumidores de um mercado de trabalho qualificado; neste caso, o da capacitação, o denominador comum é o trabalho, e não o conhecimento. Basta a informação, o treinamento. O mercado funciona como uma premissa indefinida para se falar em “sustentabilidade”

     Esta palavrinha traz em seu efeito de memória a de desenvolvimento, que é o que precisamos, segundo o discurso dominante em uma sociedade capitalista, sobretudo em países ditos pobres. A capacitação é a palavra presente constantemente na mídia, na fala de empresários, governantes e... na escola. De nosso ponto de vista, este funcionamento discursivo silencia a força da reivindicação social presente, no entanto, na palavra formação. Pensando politicamente, podemos dizer que a formação, e não a capacitação, pode produzir um aluno “não alienado”. Retomo, aqui, o conceito de K. Marx (1844), segundo o qual a alienação desenvolve-se quando o indivíduo não consegue discernir e reconhecer o conteúdo e o efeito de sua ação interventiva nas formas sociais.

     A análise de discurso pode prover elementos para que a formação, e não a capacitação, seja incentivada como forma de relação com o conhecimento. Já porque suas reflexões juntam sujeito, língua, educação e formação social. Em minhas reflexões, uno a isto uma teorização do sujeito em que se tem os seus modos de individuação, produzidos pela articulação simbólico-política do Estado, através de instituições e discursos. Aí incluo, nesta presente reflexão, a escola e os discursos do conhecimento.

     Consideramos que a educação, e, em particular, o ensino da língua, como parte do que tenho trabalhado como a individuação do sujeito, neste caso, sendo a instituição a escola, poderia, se bem praticado como processo formador do indivíduo na sua relação com o social e o trabalho, dar condições para que este sujeito “soubesse” que sabe a língua e soubesse “ler e escrever”, de forma a, em sua compreensão, ser capaz de dimensionar o efeito de sua intervenção nas formas sociais, com todas as consequências sociais e históricas que isto implica. Em uma palavra, se desalienasse. O que a capacitação não faz, pois o torna apenas um indivíduo bem treinado e, logo, mais produtivo. Isto não o qualifica em seu conhecimento, o que, com a formação, se dá e produz o efeito de tornar esse sujeito mais independente, deixando de ser só mais um instrumento na feitura de um “país rico”. Ele estaria formado para dar mais um passo na direção de não só formular como reformular e ressignificar sua relação com a língua institucionalizada, a da escola, mas também com a sociedade.

     Ao invés de ser apenas um autômato de uma empresa (com a capacitação), poderia ser um sujeito em posição de transformar seu próprio conhecimento, compreender suas condições de existência na sociedade e resistir ao que o nega enquanto sujeito social e histórico. Tudo isto, se pensamos na formação - desde a educação básica, como o ensino superior – leva-nos a dizer que há modos de formar sujeitos preparados para descobertas e para inovações. Sujeitos bem formados que podem “pensar por si mesmos”, tocando o real da língua em seu funcionamento e o da história, no confronto com o imaginário que o determina.

ORLANDI, EniPulccinelli. Entrevista com EniOrlandi. [Entrevista
concedida a Maristela Cury Sarian] Pensares em Revista, São Gonçalo
– RJ, n. 17, p. 8-17, 2020. (Fragmento).
Sobre as sequências textuais presentes no texto, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1718276 Português
    Texto

O leão e o rato

   Um leão, cansado de tanto caçar, dormia espichado à sombra de uma boa árvore. Vieram uns ratinhos passear em cima dele e ele acordou.
    Todos conseguiram fugir, menos um, que o leão prendeu embaixo da pata. Tanto o ratinho pediu e implorou que o leão desistiu de esmagá-lo e deixou que fosse embora.
   Algum tempo depois, o leão ficou preso na rede de uns caçadores. Não conseguia se soltar, e fazia a floresta inteira tremer com seus urros de raiva.
   Nisso, apareceu o ratinho. Com seus dentes afiados, roeu as cordas e soltou o leão.
   Uma boa ação gera uma boa reação.
Esopo
O texto narrativo é baseado em uma ação que envolve personagens, tempo, espaço, conflito, clímax e desfecho. Dessa forma, tendo por base o gênero fábula em análise, pode-se afirmar que
Alternativas
Q1717578 Português

Texto III para a questão.


Fonte:https://www.mbigucci.com.br/blog/campanha-de-combate-a-dengue

Considerando o gênero textual a que o texto III pertence, assinale a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q1717574 Português

Com licença poética


Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


Disponível em http://www.releituras.com/aprado_bio.asp

Analise os itens a seguir sobre o texto II.
I. É escrito em primeira pessoa, como uma espécie de autobiografia. II. O texto pertence ao gênero conversa informal. III. O texto é uma espécie de celebração ao feminino. IV. A intertextualidade é perceptível logo no início do texto.
Está(ão) CORRETO(S):
Alternativas
Q1717571 Português
O cuidado para a volta segura às aulas

Diante dos desafios provocados pela pandemia e os esforços para a retomada das atividades presenciais, uma das maiores preocupações diz respeito ao ensino. Com as escolas fechadas desde março, quando a quarentena foi decretada em boa parte do Estado, estuda-se protocolos e formas de permitir um retorno gradual, com o máximo de segurança possível. Se crianças e adolescentes, pelo que se observa até agora, apresentam resposta imunológica mais positiva ao novo coronavírus, o fato de poderem ser pacientes assintomáticos ou mesmo de carregarem consigo a Covid-19 e favorecer sua disseminação não podem ser ignorados. Mesmo porque há a perspectiva do contato com pessoas do grupo de risco e mesmo da transmissão para os demais moradores de suas casas.

A contínua evolução do aprendizado sobre o comportamento da doença, efeitos e respostas faz com que também a literatura sobre o tema seja constantemente atualizada. É possível, no entanto, até mesmo com base nas experiências de outros países, acumular informações que permitam elaborar as regras básicas para a volta à educação presencial. Muitos dos cuidados e medidas a serem seguidos, inclusive, não são mais do que aquilo que já se faz com o restante da população.

Por outro lado, não se pode desprezar o fato de que a realidade das escolas - especialmente as públicas - é amplamente heterogênea em Minas. Há as que contam com melhor estrutura e condições e, por isso, podem responder ao desafio de modo mais completo. Outras, em municípios menores, e realidades diferentes, precisam de maior suporte para seguir as determinações da forma adequada. Estamos falando de uma dimensão territorial maior que a de boa parte dos países do mundo, marcada por nítidas diferenças sócio-econômicas, climáticas e de adensamento populacional.

Torna-se imperativo buscar um planejamento completo, que não dê margem a dúvidas ou possa esconder vulnerabilidades perigosas. Assim como nos mais variados setores - boa parte dos quais já em funcionamento praticamente normal - o respeito e o cumprimento às determinações sanitárias é o principal aliado para impedir uma segunda onda de contágio, que obrigaria a um indesejável recuo. O poder público deve buscar a interlocução com os vários atores envolvidos no processo e oferecer alternativas eficazes para as diversas realidades.

Fonte: https://www.hojeemdia.com.br
Considerando o gênero a que pertence esse texto I, assinale a opção FALSA.
Alternativas
Q1717570 Português
O cuidado para a volta segura às aulas

Diante dos desafios provocados pela pandemia e os esforços para a retomada das atividades presenciais, uma das maiores preocupações diz respeito ao ensino. Com as escolas fechadas desde março, quando a quarentena foi decretada em boa parte do Estado, estuda-se protocolos e formas de permitir um retorno gradual, com o máximo de segurança possível. Se crianças e adolescentes, pelo que se observa até agora, apresentam resposta imunológica mais positiva ao novo coronavírus, o fato de poderem ser pacientes assintomáticos ou mesmo de carregarem consigo a Covid-19 e favorecer sua disseminação não podem ser ignorados. Mesmo porque há a perspectiva do contato com pessoas do grupo de risco e mesmo da transmissão para os demais moradores de suas casas.

A contínua evolução do aprendizado sobre o comportamento da doença, efeitos e respostas faz com que também a literatura sobre o tema seja constantemente atualizada. É possível, no entanto, até mesmo com base nas experiências de outros países, acumular informações que permitam elaborar as regras básicas para a volta à educação presencial. Muitos dos cuidados e medidas a serem seguidos, inclusive, não são mais do que aquilo que já se faz com o restante da população.

Por outro lado, não se pode desprezar o fato de que a realidade das escolas - especialmente as públicas - é amplamente heterogênea em Minas. Há as que contam com melhor estrutura e condições e, por isso, podem responder ao desafio de modo mais completo. Outras, em municípios menores, e realidades diferentes, precisam de maior suporte para seguir as determinações da forma adequada. Estamos falando de uma dimensão territorial maior que a de boa parte dos países do mundo, marcada por nítidas diferenças sócio-econômicas, climáticas e de adensamento populacional.

Torna-se imperativo buscar um planejamento completo, que não dê margem a dúvidas ou possa esconder vulnerabilidades perigosas. Assim como nos mais variados setores - boa parte dos quais já em funcionamento praticamente normal - o respeito e o cumprimento às determinações sanitárias é o principal aliado para impedir uma segunda onda de contágio, que obrigaria a um indesejável recuo. O poder público deve buscar a interlocução com os vários atores envolvidos no processo e oferecer alternativas eficazes para as diversas realidades.

Fonte: https://www.hojeemdia.com.br
O gênero textual a que pertence o texto I é:
Alternativas
Q1717307 Português
Texto 

Fuga da Coreia do Norte

     "Quando eu era pequena, achava que meu país era o melhor do mundo. Cresci cantando uma canção chamada "Nada a Invejar" e eu tinha muito orgulho. Na escola, passávamos muito tempo estudando a história de Kim II-Sung, mas nunca ouvíamos falar muito do mundo lá fora, exceto que os EUA, a Coréia do Sul e o Japão eram inimigos. Embora eu muitas vezes tivesse curiosidade a respeito do mundo externo, eu achava que passaria minha vida inteira na Coréia do Norte, até que tudo mudou de repente.
       Quando tinha sete anos, vi pela primeira vez uma execução pública, mas eu achava que a minha vida na Coreia do Norte era normal. Minha família não era pobre, e eu, particularmente, nunca tivera a experiência de passar fome.
       Mas um dia, em 1995, minha mãe chegou em casa com uma carta da irmã de um colega de trabalho. Dizia assim, "Quando você ler isso, todos os cinco membros da família não existirão mais neste mundo, porque nós não comemos faz duas semanas. Estamos deitados juntos no chão, e nossos corpos estão tão fracos, que estamos prontos para morrer."
       Fiquei muito chocada. Esta foi a primeira vez que fiquei sabendo que pessoas no meu país estavam sofrendo. Pouco tempo depois, quando eu passava por uma estação de trem, vi algo terrível que não consigo apagar da minha memória. Uma mulher sem vida estava deitada no chão, enquanto uma criança magra e faminta em seus braços olhava, desamparada, fixamente para o rosto da mãe. Mas ninguém os ajudava, porque todos estavam muito concentrados em cuidar de si mesmos e de suas famílias. (...)

Disponível em: http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/99197/. Acesso
em 01/05/2020, às 23:31.
Na escola, passávamos muito tempo estudando a história de Kim II-Sung, mas nunca ouvíamos falar muito do mundo lá fora, exceto que os EUA, a Coréia do Sul e o Japão eram inimigos”. No trecho em destaque, foram marcados três verbos que estão conjugados em um tempo verbal que é bem característico do gênero textual em questão. Esse tempo verbal é classificado como
Alternativas
Q1717306 Português
Texto 

Fuga da Coreia do Norte

     "Quando eu era pequena, achava que meu país era o melhor do mundo. Cresci cantando uma canção chamada "Nada a Invejar" e eu tinha muito orgulho. Na escola, passávamos muito tempo estudando a história de Kim II-Sung, mas nunca ouvíamos falar muito do mundo lá fora, exceto que os EUA, a Coréia do Sul e o Japão eram inimigos. Embora eu muitas vezes tivesse curiosidade a respeito do mundo externo, eu achava que passaria minha vida inteira na Coréia do Norte, até que tudo mudou de repente.
       Quando tinha sete anos, vi pela primeira vez uma execução pública, mas eu achava que a minha vida na Coreia do Norte era normal. Minha família não era pobre, e eu, particularmente, nunca tivera a experiência de passar fome.
       Mas um dia, em 1995, minha mãe chegou em casa com uma carta da irmã de um colega de trabalho. Dizia assim, "Quando você ler isso, todos os cinco membros da família não existirão mais neste mundo, porque nós não comemos faz duas semanas. Estamos deitados juntos no chão, e nossos corpos estão tão fracos, que estamos prontos para morrer."
       Fiquei muito chocada. Esta foi a primeira vez que fiquei sabendo que pessoas no meu país estavam sofrendo. Pouco tempo depois, quando eu passava por uma estação de trem, vi algo terrível que não consigo apagar da minha memória. Uma mulher sem vida estava deitada no chão, enquanto uma criança magra e faminta em seus braços olhava, desamparada, fixamente para o rosto da mãe. Mas ninguém os ajudava, porque todos estavam muito concentrados em cuidar de si mesmos e de suas famílias. (...)

Disponível em: http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/99197/. Acesso
em 01/05/2020, às 23:31.
Ao analisar as características linguístico-textuais do trecho acima, pode-se afirmar que ele corresponde ao gênero textual denominado
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Q1716853 Português

Twitter, a praça do ódio


A crônica é um gênero textual que imprime uma conversa com o leitor. Sob esse aspecto, o nível de linguagem comumente adotado recorre:
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Q1715481 Português
Do ponto de vista pedagógico, muitos são os gêneros textuais mobilizados pelos professores a fim de inserirem seus alunos em práticas de letramento, a exemplo de contos, bulas de remédio, receitas culinárias, manuais, listas de compras, tirinhas entre outras. Esses gêneros que circulam em variadas esferas sociais possuem igualmente distintos temas, formas composicionais e conteúdos, de modo que também colocam diferentes propósitos comunicativos:
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Q1715475 Português

TEXTO III 


Solidariedade no Frio

Costurei um agasalho, com tecido de amor,

a linha da caridade foi o fio condutor.

Agulhas de compaixão, estampas de gratidão.

Fiz um bolso aqui no peito e enchi ele de bondade,

pra vestir a humanidade que no fundo ainda tem jeito.

Tem jeito pra se ajeitar, basta ser mais solidário.

Pra fazer um mundo novo, transformando esse cenário

olhe além da sua porta, pra vê se você suporta

assistir indiferente quem dorme no meio da rua,

coberto só pela lua sem ter um teto decente.

[...]

Tem jeito pra se ajeitar, basta tu compreender

que quando se ajuda alguém, o ajudado é você,

é você quem ganha paz, é você quem ganha mais,

mais amor, mais gratidão.

Doando um cobertor, derretendo o frio da dor

E aquecendo um coração. 


(In: Poesia com Rapadura de Bráulio Bessa, 1a ed., 2017)


O cordel acima, TEXTO III, faz uso de deslocamentos semânticos bem como de licença poética, propriedades inerentes à arte literária, com o propósito, entre outros, de assegurar o ritmo, característico do gênero. Para isso, encontramos junto ao texto usos linguísticos que, em outros gêneros, de natureza mais formais, como cartas comerciais, resenhas acadêmicas, não seriam apropriados. A questão versará sobre a adequação desses usos. 

Outro uso do cotidiano está relacionado ao verbo ter com o sentido de existir. Há um exemplar dessa possibilidade nas quinta e sexta linhas respectivamente – [...] no fundo ainda tem jeito [...] e Tem jeito pra se ajeitar [...]. Ressalta que na literatura de Cordel, os usos do cotidiano fazem parte da identidade do gênero, representa a arte, sobretudo do nordeste brasileiro. O professor, portanto, deve estar atento a situações mais formais, sobretudo na escrita, em que o esperado sejam registros:
Alternativas
Q1715471 Português

TEXTO II 


Fonte: http://www.ateliedasletras.com.br/2010/11/variacao-linguistica.html



Na tirinha acima, deparamo-nos com uma variedade linguística que faz uso do fonema [R] em vez do fonema [l], o que, linguisticamente, é explicável frente à proximidade articulatória de ambas as consoantes. O fenômeno da troca em contexto pós-vocálico já é descrito desde há muito. Em 1919, no Compêndio de gramática histórica portuguesa, de Joaquim Nunes, o autor destaca isso, ao dar os seguintes exemplos, verificados na língua popular: “azur” (azul), “corchão” (colchão), “sordado” (soldado) etc. Tudo isso apoia a produtividade desse uso em algumas variedades do português brasileiro.

O desconhecimento da existência de outras variedades linguísticas igualmente aceitas no uso do cotidiano provoca, certamente, incompreensões de toda ordem, que, durante a interação, rapidamente é retomada e adequada à situação para conduzir um diálogo compreensível entre os interlocutores. Na tirinha, isso não ocorre, daí o riso, humor característico desse gênero. Esse humor é garantido, junto ao TEXTO II, em função da interpretação de que o ato de fala:
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Ano: 2020 Banca: IBADE Órgão: SEE-AC Prova: IBADE - 2020 - SEE-AC - Professor Mediador - P1 |
Q1706540 Português
Gravidez na adolescência

Em 1900, as moças menstruavam pela primeira vez ao redor dos 17 anos. Hoje, nem bem completam 11 ou 12 anos e já menstruam. Ninguém sabe ao certo a razão desse fenômeno biológico; é provável que esteja ligado à melhor nutrição das crianças atuais.
Até a geração de nossas avós, as mulheres casavam cedo, geralmente antes de entrar na fase reprodutiva. Mais tarde, menstruavam e vinham os filhos, um atrás do outro, até a menopausa. Viviam em sociedades com taxas altas de mortalidade infantil, nas quais dar à luz dez vezes era a estratégia reprodutiva mais sensata para criar cinco ou seis sobreviventes.
Nas camadas de nível educacional mais alto, as mulheres brasileiras seguem de perto a tendência internacional de completar os estudos, conseguir trabalho e independência financeira antes de pensar em filhos. Nas maternidades particulares, há muito não causam espanto as primigestas com mais de 40 anos.
Paradoxalmente, no entanto, ao lado dessa característica dos novos tempos, convivemos com o antigo problema da gravidez na adolescência, agravado agora pelo início mais precoce da fase fértil das mulheres. Enquanto as taxas gerais de fecundidade nas décadas de 1970 e 1980 caíram no país inteiro, o número de adolescentes de 15 a 19 anos grávidas aumentou 26%.
Como não poderia deixar de ser, a situação é especialmente grave nas regiões mais pobres do país: no Norte e no Nordeste, de cada três partos, uma das mães tem de 10 a 19 anos. Mas, mesmo no Sul e no Sudeste, o número de parturientes nessa faixa etária é inaceitável: cerca de 25%.
Muitos especialistas em saúde pública calculam que os índices de mortalidade infantil poderiam diminuir significativamente, se houvesse prevenção da gravidez na adolescência, no Brasil.
Grande parte das crianças assim nascidas são filhas de homens que não assumem os deveres inerentes à paternidade. Impunes à lei, simplesmente abandonam os filhos aos cuidados da mãe despreparada, com a conivência silenciosa da sociedade machista e discriminatória em relação às mulheres.
Parece que o Ministério da Saúde está decidido a dedicar mais atenção à prevenção da gravidez na adolescência.
Entre as medidas adotadas estão a preparação de profissionais para atendimento, divulgação de material educativo, acesso a métodos anticoncepcionais e aos preservativos, além do estímulo à promoção de atividades culturais e esportivas.
Embora essas intervenções sejam fundamentais, a solução do problema não é tarefa exclusiva do governo. A menina que fica grávida aos 12 anos não o faz por decisão prévia, voluntária; engravida por falta de informação, desvantagem econômica ou armadilha da natureza. Se receber orientação adequada, saberá se defender, como demonstram os estudos publicados nessa área.

(Fonte: texto adaptado de https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/gravidez-naadolescencia-artigo, acesso em fevereiro de 2020). 

Imagem associada para resolução da questão


Os textos empregados relacionam-se de forma: 

Alternativas
Ano: 2020 Banca: IBADE Órgão: SEE-AC Prova: IBADE - 2020 - SEE-AC - Professor Mediador - P1 |
Q1706538 Português

(Fonte:http://dstsaidsnaadolescencia.blogspot.com/2017/08/interpretac ao-das-charges.html, acesso em fevereiro de 2020.)

Sobre o gênero textual tirinha, é correto afirmar que:
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Q1706099 Português
A onça e a raposa

    A raposa e a onça eram inimigas antigas. Cansada de ser enganada pela raposa, sem poder apanhá-la, a onça resolveu atraí-la à sua furna, fazendo correr a notícia de que tinha morrido, e deitando-se no chão da caverna a fingir de cadáver. Todos os bichos vieram olhar a defunta, contentíssimos. A raposa também, mas prudentemente, pondo-se de longe. E, por trás dos outros animais, gritou:
       — Minha avó, quando morreu, espirrou três vezes. Espirrar é o único sinal verdadeiro da morte.
    Para mostrar que estava morta de verdade, a onça espirrou três vezes e a raposa fugiu às gargalhadas.
    A onça ficou furiosa por ter ela descoberto facilmente seu embuste e resolveu agarrá-la, quando fosse beber água. Havia seca no sertão e somente numa cacimba, ao pé duma serra, se encontrava ainda um pouco de água. Todos os bichos eram obrigados a matar a sede ali. A onça ficou à espera da adversária dia e noite, ao pé da bebida.
    Nunca a raposa curtira tanta sede em dias de sua vida. Ao fim de uns três, já não aguentava mais. Resolveu empregar astúcia para se desalterar. Procurou um cortiço de abelhas. furou-o e, com o mel que dele escorreu, untou todo o corpo. Espojou-se, depois, num monte de folhas secas, que se grudaram aos seus pelos e a cobriram toda.
    Ao cair da tarde, foi à cacimba. A onça montava guarda, olhou-a muito tempo e perguntou-lhe:
    — Que bicho és tu que não conheço e nunca vi?
    Ela respondeu, disfarçando a voz.
    — Sou o bicho Folharal.
    — Está bem. Podes beber.
    Mais que depressa, a raposa desceu a pequena rampa do bebedouro, meteu-se na água, sorvendo-a com delícia, e a onça, lá de cima, vendo aquela sofreguidão no beber de animal que trazia sede de vários dias, desconfiou e murmurou:
    — Quanto bebes, Folharal!
    Mas a água derretia o mel e as folhas iam-se despregando. Quando a raposa se fartou, caíra a última. Então, a onça a reconheceu e, com um urro de triunfo, saltou ferozmente sobre ela. A noite viera, o pulo foi mal calculado no escuro e a raposa escapou, fugindo às gargalhadas.
Sobre o gênero e tipologia textual do texto “A onça e a raposa”, analise as afirmativas a seguir.
I. O gênero textual em questão é uma fábula pertencente à tipologia narrativa.
II. A tipologia e o gênero textual se definem igualmente.
III. O gênero textual fábula em questão é pertencente à tipologia descritiva.
IV. São características que definem a fábula: os animais que falam e uma linguagem erudita.
V. Mesmo quando não há uma moral explícita, a fábula busca transmitir alguma lição moral humana.
Assinale a alternativa correta:
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Q1705823 Português
Leia o seguinte texto e responda à questão.

Agenda para a noite de núpcias

    “Senhora Presidente:
   Na qualidade de futuro Diretor-Gerente das empresas dirigidas por V. S., e também na qualidade de seu futuro genro, submeto à sua apreciação a seguinte:
   Agenda para a Noite de núpcias
  1. Os trabalhos terão início às vinte horas na suíte 1.102 do Hotel Real Navarino. Trata-se de hotel, e de aposento, habitualmente escolhido por nubentes para a noite de núpcias. O apartamento é simpático e acolhedor; há música ambiental, suave e romântica; uma reprodução de Maja Desnuda proporciona, particularmente para quem vem de um ambiente culto e refinado, como é o caso de sua filha, um sutil estímulo erótico. Providenciarei champanhe, e do melhor; entrando, proporei de imediato um brinde. Pretendo que o efeito inebriante da bebida elimine qualquer inibição ainda presente na noiva.
  2. A seguir, usarei a palavra, fazendo um breve, mas emocionado retrospecto de um namoro apaixonado, um noivado ardente; evocarei cenas pitorescas ou ternas, cômicas ou dramáticas; ao concluir, abraçarei a noite, declarando enfaticamente que a amo. 
  3. Beijar-nos-emos. O beijo será muito prolongado, da variedade conhecida como ‘de língua’ na qual, modéstia à parte, sou mestre. Com este beijo tenho despertado poderosas paixões, inclusive nas mais frígidas. Ao final desse beijo, pode V. S. crer, sua filha estará gemendo de prazer.
  4. Seguir-se-á a operação de retirada das roupas. Ajudá-la-ei, transformando este momento numa ocasião para carícias e elogios: aos belos seios, à graciosa cintura, às coxas, que de acordo com Lorca, compararei a peixes movendo-se na semi-obscuridade. Em seguida me despirei. Ela poderá constatar que seu noivo é uma bela figura de macho, alto, forte, bronzeado; e se, ao avistar o membro viril, soltar uma pequena exclamação, será, não de susto, mas sim de excitação.
 5. Folguedos amorosos. Tomarei a iniciativa, começando por pequenos e úmidos beijos no pescoço, na nuca, nas orelhinhas; e nos seios. Demorar-me-ei a explorar a ponta da língua os delicados mamilos, passando depois à sucção o que arrancará a ela, estou seguro, numerosos e repetidos gemidos de prazer. Descendo, prosseguirei, via ventre, nos pequenos lábios, que serão acariciados e sugados. Ela então se renderá completamente e a levarei nos braços até a cama. Com a experiência acumulada de muitos anos (em camas, bancos de automóveis e macegas) decidirei sobre o momento oportuno para a penetração. 
  6. Cópula. Será o momento culminante do programa. Tenho para mim que será uma cópula arrebatadora, uma torrente de paixão rompendo as comportas para, em meio a gemidos de prazer, culminar num cataclísmico orgasmo: triunfo do amor!
  Cópula realizada, direi, ainda que ofegante, breves palavras sobre os belos momentos vividos. Repetirei que a amo, que a amo. E então sono reparador.
  Para a segunda noite, a agenda será ligeiramente alterada, com introdução de novos tipos de folguedo, e assim na terceira e na quarta noites (na quinta não haverá atividades). Ao cabo de meses um padrão acabará por se estabelecer, e tudo cairá na rotina. O noivo, contudo, aguardará ansioso a oportunidade de novas experiências: outra boca a se beijar, outras coxas a acariciar. Boca e coxas que poderão ser as suas Senhora Presidente.” 

Retirado de: SCLIAR, Moacyr. Contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 
Atentando-se para o narrador e o foco narrativo do conto “Agenda para a noite de núpcias”, é correto afirmar que esse conto possui, respectivamente:
Alternativas
Q1705822 Português
Leia o seguinte texto e responda à questão.

Agenda para a noite de núpcias

    “Senhora Presidente:
   Na qualidade de futuro Diretor-Gerente das empresas dirigidas por V. S., e também na qualidade de seu futuro genro, submeto à sua apreciação a seguinte:
   Agenda para a Noite de núpcias
  1. Os trabalhos terão início às vinte horas na suíte 1.102 do Hotel Real Navarino. Trata-se de hotel, e de aposento, habitualmente escolhido por nubentes para a noite de núpcias. O apartamento é simpático e acolhedor; há música ambiental, suave e romântica; uma reprodução de Maja Desnuda proporciona, particularmente para quem vem de um ambiente culto e refinado, como é o caso de sua filha, um sutil estímulo erótico. Providenciarei champanhe, e do melhor; entrando, proporei de imediato um brinde. Pretendo que o efeito inebriante da bebida elimine qualquer inibição ainda presente na noiva.
  2. A seguir, usarei a palavra, fazendo um breve, mas emocionado retrospecto de um namoro apaixonado, um noivado ardente; evocarei cenas pitorescas ou ternas, cômicas ou dramáticas; ao concluir, abraçarei a noite, declarando enfaticamente que a amo. 
  3. Beijar-nos-emos. O beijo será muito prolongado, da variedade conhecida como ‘de língua’ na qual, modéstia à parte, sou mestre. Com este beijo tenho despertado poderosas paixões, inclusive nas mais frígidas. Ao final desse beijo, pode V. S. crer, sua filha estará gemendo de prazer.
  4. Seguir-se-á a operação de retirada das roupas. Ajudá-la-ei, transformando este momento numa ocasião para carícias e elogios: aos belos seios, à graciosa cintura, às coxas, que de acordo com Lorca, compararei a peixes movendo-se na semi-obscuridade. Em seguida me despirei. Ela poderá constatar que seu noivo é uma bela figura de macho, alto, forte, bronzeado; e se, ao avistar o membro viril, soltar uma pequena exclamação, será, não de susto, mas sim de excitação.
 5. Folguedos amorosos. Tomarei a iniciativa, começando por pequenos e úmidos beijos no pescoço, na nuca, nas orelhinhas; e nos seios. Demorar-me-ei a explorar a ponta da língua os delicados mamilos, passando depois à sucção o que arrancará a ela, estou seguro, numerosos e repetidos gemidos de prazer. Descendo, prosseguirei, via ventre, nos pequenos lábios, que serão acariciados e sugados. Ela então se renderá completamente e a levarei nos braços até a cama. Com a experiência acumulada de muitos anos (em camas, bancos de automóveis e macegas) decidirei sobre o momento oportuno para a penetração. 
  6. Cópula. Será o momento culminante do programa. Tenho para mim que será uma cópula arrebatadora, uma torrente de paixão rompendo as comportas para, em meio a gemidos de prazer, culminar num cataclísmico orgasmo: triunfo do amor!
  Cópula realizada, direi, ainda que ofegante, breves palavras sobre os belos momentos vividos. Repetirei que a amo, que a amo. E então sono reparador.
  Para a segunda noite, a agenda será ligeiramente alterada, com introdução de novos tipos de folguedo, e assim na terceira e na quarta noites (na quinta não haverá atividades). Ao cabo de meses um padrão acabará por se estabelecer, e tudo cairá na rotina. O noivo, contudo, aguardará ansioso a oportunidade de novas experiências: outra boca a se beijar, outras coxas a acariciar. Boca e coxas que poderão ser as suas Senhora Presidente.” 

Retirado de: SCLIAR, Moacyr. Contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 
O conto “Agenda para a noite de núpcias”, do escritor gaúcho Moacyr Scliar, apresenta uma característica que o alinha ao caráter plástico desse gênero literário em específico. Assinale a alternativa que identifica essa característica.
Alternativas
Q1705805 Português

Leia o texto a seguir e a partir de seus conhecimentos sobre gêneros textuais e tipologias textuais, responda à questão.

   A tipologia textual, diferentemente do que acontece com os gêneros textuais, apresenta propriedades linguísticas intrínsecas, como o vocabulário, relações lógicas, tempos verbais, construções frasais e outras características que definem os gêneros. Estes, por sua vez, surgem do dinamismo das relações sociocomunicativas e da necessidade dos falantes em um dado contexto cultural, enquanto os tipos já estão definidos, prontos para receberem os diversos gêneros em sua estrutura.

Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/redacao/tipos-textuais-estrutura-discurso.htm . Acesso em 04 fev. 2020.


1)


2) Pizza Italiana



3)


Os textos pertencem a um quadro maior de gêneros que são os textos instrucionais. Assinale a alternativa correta sobre o que se afirma a respeito deles.
Alternativas
Q1705804 Português

Leia o texto a seguir e a partir de seus conhecimentos sobre gêneros textuais e tipologias textuais, responda à questão.

   A tipologia textual, diferentemente do que acontece com os gêneros textuais, apresenta propriedades linguísticas intrínsecas, como o vocabulário, relações lógicas, tempos verbais, construções frasais e outras características que definem os gêneros. Estes, por sua vez, surgem do dinamismo das relações sociocomunicativas e da necessidade dos falantes em um dado contexto cultural, enquanto os tipos já estão definidos, prontos para receberem os diversos gêneros em sua estrutura.

Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/redacao/tipos-textuais-estrutura-discurso.htm . Acesso em 04 fev. 2020.


1)


2) Pizza Italiana



3)


Sobre a teoria dos gêneros do discurso, é correto afirmar que
Alternativas
Respostas
1481: D
1482: C
1483: C
1484: D
1485: C
1486: D
1487: B
1488: C
1489: B
1490: C
1491: C
1492: B
1493: D
1494: E
1495: B
1496: B
1497: C
1498: E
1499: C
1500: C