Questões de Concurso
Sobre gêneros textuais em português
Foram encontradas 2.642 questões
Texto CB1A1-I
Durante um seminário sobre a antropologia do dinheiro ministrado na Escola de Economia e Ciência Política de Londres, Jock Stirratt descreveu em um gráfico os usos a que alguns pescadores do Sri Lanka que prosperaram nos últimos anos submetiam sua riqueza recém-adquirida. A renda desses pescadores, antes muito baixa, deu um grande salto desde que o gelo se tornou disponível, o que possibilitou que seus peixes alcançassem, em boas condições, os mercados distantes da costa, onde atingiram preços altos. No entanto, as aldeias de pescadores ainda permanecem isoladas e, à época do estudo, não tinham eletricidade, estradas nem água encanada. Apesar desses desincentivos aparentes, os pescadores mais ricos gastavam os excedentes de seus lucros na compra de aparelhos de televisão inutilizáveis, na construção de garagens em casas a que automóveis sequer tinham acesso e na instalação de caixas-d’água jamais abastecidas. De acordo com Stirratt, isso tudo ocorre por uma imitação entusiasmada da alta classe média das zonas urbanas do Sri Lanka.
É fácil rir de despesas tão grosseiramente excêntricas, cuja aparente falta de propósito utilitário dá a impressão de que, por comparação, pelo menos parte de nosso próprio consumo tem um caráter racional. Como os objetos adquiridos por esses pescadores parecem não ter função em seu meio, não conseguimos entender por que eles deveriam desejá-los. Por outro lado, se eles colecionassem peças antigas de porcelana chinesa e as enterrassem, como fazem os Ibans, seriam considerados sensatos, senão encantados, tal como os temas antropológicos normais. Não pretendo negar as explicações óbvias para esse tipo de comportamento ― ou seja, busca de status, competição entre vizinhos, e assim por diante. Mas penso que também dever-se-ia reconhecer a presença de uma certa vitalidade cultural nessas atrevidas incursões a campos ainda não inexplorados do consumo: a habilidade de transcender o aspecto meramente utilitário dos bens de consumo, de modo que se tornem mais parecidos com obras de arte, carregados de expressão pessoal.
Alfred Gell. Recém-chegados ao mundo dos bens: o consumo entre os Gonde Muria. In: Arjun Appadurai (org). A vida social das coisas: mercadorias sob uma perspectiva cultural. Niterói: Eduff, 2008, p. 147-48 (com adaptações).
TEXTO 01
O texto abaixo servirá de base para responder a questão abaixo:
Caminhamos para novos anos loucos de hedonismo pós-covid-19?
Especialistas apontam que viveremos uma explosão na ciência, arquitetura, consumo, hedonismo. E alertam para o perigo de maiores desigualdades econômicas, sanitárias e digitais.
BERNA GONZÁLEZ HARBOUR
27 ABR 2021 - 20:29 BRT
Ampliemos o foco. Hoje nos espantamos com as interrupções de vacinas que acreditávamos infalíveis, com os procedimentos para demissões e alterações nos contratos de trabalho, as máscaras, as distâncias, o cansaço e mil outras coisas que poderíamos pôr nesta lista. Que estamos cheios de colocar nessa lista. Mas vamos nos afastar alguns anos do momento atual e tentar nos situar em 2030, por exemplo, para olhar para trás, para a década que mal está começando. É um exercício. E talvez nem tudo seja tão voraz quanto pensamos.
Os paralelismos com a década equivalente do século XX tornaram irresistível a proclamação de uma espécie de repetição do fenômeno dos loucos anos 20, imortalizados em O Grande Gatsby, romance de Scott Fitzgerald que não teve muita sorte no filme estrelado por Leonardo DiCaprio em 2013. Não importa. Serve para que compreendamos um ícone daqueles anos em que, após a Primeira Guerra Mundial e uma pandemia de gripe que custou milhões de vidas, o Ocidente mergulhou num mundo vibrante de oportunidades, de crescimento espetacular na bolsa de valores, de consumo, de hedonismo, excessos, esperança e vitalidade, embora tenha acabado como acabou. Hoje, graças à ciência e às vacinas, também esperamos sair de uma pandemia que parou o relógio da economia e de nossas vidas. As projeções econômicas já indicam boas perspectivas de crescimento: 6% em 2021 e 4,4% em 2022 em âmbito global, segundo os prognósticos do FMI.
O dinheiro guardado pelas famílias em forma de poupança -108,8 bilhões de euros (717 bilhões de reais) só na Espanha, segundo o INE- começará a fluir assim que for possível novamente nos socializarmos. Espera-se que um aumento nos gastos e no consumo venha acompanhado de um novo estado de espírito mais ansioso, no qual os relacionamentos, o lazer compartilhado, as viagens, a moda e o prazer voltem a tomar ímpeto. A indústria está pronta, segundo especialistas, para um salto tecnológico que, além do mais, vai trazer mudanças surpreendentes nesta década. Também para um cuidado com o meio ambiente que passa por outra forma de comer, voar, nos aquecermos ou escolher um veículo. Anos loucos estão chegando em termos de mudanças, sim, mas também um sério perigo de dualidade, pois as brechas que já são profundas estão se alargando e enviam enormes sinais de alerta sobre o capitalismo como o conhecemos.
Poderíamos abordar este assunto com o otimismo de cientistas, especialistas em tecnologia e peritos que celebram as oportunidades que estão prestes a surgir e que a pandemia acelerou; ou com o pessimismo ou realismo dos filósofos, analistas sociais, com os dados que nos lembram a nossa habitual incapacidade de calcular limites. Provavelmente tudo é verdade, como foram louquíssimos os anos vinte do XX em avanços muito positivos, e nem por isso se evitou o crash de 1929.
https://brasil.elpais.com/cultura/2021-04-27/caminhamos-pros-novos-anos-loucos- de-hedonismo-pos-covid.html
A partir da leitura e interpretação do texto acima, assinale a alternativa CORRETA:
TEXTO III
Adoção no Brasil: a busca por crianças que não existem
Os pretendentes à adoção no Brasil buscam crianças brancas, de até um ano, sem histórico de doença ou irmãos
Por Mariana Lima
De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem, aproximadamente, 47 mil crianças e adolescentes em situação de acolhimento no Brasil. Deste total, 9,5 mil estão no Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e apenas 5 mil estão, efetivamente, disponíveis para adoção.
A criança passa a constar na lista de adoção após as tentativas de reinserção na família de origem falharem, e se não houver formas de a criança ficar com a família extensa (tios e avós, por exemplo).
“Adoção é sempre a última possibilidade. Fazemos de tudo para que aquela criança possa voltar a sua família de origem. Se o processo de reestruturação familiar falha, buscamos outras soluções”, conta o juiz titular da Vara da Infância e Juventude de Guarulhos (SP) e assessor da Corregedoria Geral da Justiça de São Paulo, Iberê de Castro.
Atualmente, a fila para quem aguarda uma criança no Brasil é composta por 46,2 mil pretendentes. Como o número de pretendentes é muito maior do que o de crianças disponíveis para adoção, seria de se esperar que todas essas crianças encontrassem um lar. Mas a realidade é outra.
Existe um perfil que é buscado pelos pretendentes na hora de adotar: 14,55% só adotam crianças brancas; 58% aceitam apenas crianças até 4 anos de idade; 61,92% não aceitam adotar irmãos; e 61% só aceitam crianças sem nenhuma doença. (...)
TEXTO 01
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

O texto abaixo servirá de base para responder a questão.
"Indústria precisa descobrir o full commerce"
Terceirização total do e-commerce permite que grandes marcas tenham agilidade para criar plataformas parrudas de venda direta ao consumidor.
Em 2020, o comércio eletrônico cresceu o que, em situação normal, levaria de três a cinco anos para acontecer. É essa a conclusão de Eduardo Fregonesi, CEO e cofundador da Synapcom, empresa que fornece solução completa de e-commerce para indústrias e grandes varejistas.
Sua afirmação é confirmada por dados. De acordo com o relatório elaborado pela Ebit|Nielsen, o e-commerce brasileiro cresceu 47% apenas no primeiro semestre do ano passado. As vendas saltaram de R$ 26,4 bilhões, no primeiro semestre de 2019, para R$ 38,8 bilhões no mesmo período de 2020. Nos anos anteriores, o crescimento anual não passava de 12%. E a tendência de crescimento não para por aí. A consultoria prevê que as vendas online devam aumentar mais 26% em 2021, atingindo faturamento de nada menos do que R$ 110 bilhões no ano.
"Com a pandemia e o fechamento das lojas, muitas empresas tiveram de dar mais atenção ao comércio eletrônico, que se tornou estratégico", diz Fregonesi. "Outras, que ainda não estavam no online, precisaram criar presença com urgência", afirma. Entre essas empresas, estão muitas indústrias que perceberam a necessidade - e a oportunidade - de vender diretamente para seus consumidores, o chamado D2C (do inglês direct to consumer).
O grande desafio com que essas indústrias se depararam, no entanto, foi a complexidade de viabilizar rapidamente um comércio eletrônico parrudo, capaz de gerar boas experiências para seus clientes. "Vender online para o consumidor final definitivamente não é o 'core' da indústria", afirma o especialista.
Para resolver a questão, o setor tinha basicamente três opções. Desenvolver tudo internamente (e arcar com os custos de toda uma infraestrutura dedicada), terceirizar partes da operação (e se desdobrar para gerenciar todos os contratos e etapas com diferentes fornecedores) ou fazer a terceirização total da operação.
É nessa terceira alternativa que entra o serviço prestado pela Synapcom. "A indústria precisa descobrir o full commerce", afirma Fregonesi. Full commerce é o serviço fornecido por um único parceiro que disponibiliza toda a estrutura de um comércio eletrônico para a marca criar seu e-commerce com características próprias e entregar a melhor experiência para seu consumidor. "Nós criamos projetos customizados de ponta a ponta e fazemos todo o gerenciamento do e-commerce da marca, que nos remunera de acordo com as vendas", explica.
https://estudio.folha.uol.com.br/synapcom/2021/03/industria-precisa-descobrir-o-ful
l-commerce.shtml Acessado em 30/03/2021
TEXTO 01
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

https://jessicallisekellen.files.wordpress.com/2014/07/sw6.jpg
TEXTO 01
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

https://jessicaellisekellen.files.wordpress.com/2014/07/sw6.jpg
Texto para as questão.
MS determina novas restrições para frear o avanço da covid-19

Internet: <g1.globo.com>.
Leia o texto a seguir, para responder à questão.
No fundo, todos estamos nos transformando um
pouco em gatos
“Você acredita que os patos sabem que é Natal?” Essa
foi a pergunta que meu amigo Miguel me fez em uma
véspera de Ano Novo, enquanto atravessávamos o
Campo de São Francisco, em Oviedo. Nem as horas nem
o frio convidavam a ficar lá filosofando sobre o assunto,
mas o debate continuou ao longo do caminho. Demos
como certo que os peixes nos tanques certamente não;
os patos e perus, talvez um pouco (tampouco muito);
mas os que certamente estavam a par eram os cães e os
gatos (não entramos na fauna selvagem, já que o trajeto
era curto. Era Oviedo, não Nova York).
Anos depois, nós dois adotamos uma gata. Na quarta-feira de manhã eu lhe mandei uma mensagem perguntando se Lola, a dele, sabia que algo estava acontecendo (obviamente, falando da crise do coronavírus). “Sim, sim, sim, mais carinhosa que nunca, se for possível. Alucinada porque estamos o dia todo em casa”, foi sua resposta.
Mía e Atún — meus gatos — também estão surpresos. Na verdade, fui pegar as roupas da máquina de lavar e, quando saí, encontrei os dois me esperando no corredor, sentados juntos, olhando para mim com cara de “ei, por que você está passando o dia inteiro em casa? Tem algo a nos contar?” Normalmente, quando chego em casa, os dois vêm me encontrar e me fazem um pouco de festa (se deitam de barriga, se esfregam em mim). Estes dias se dedicam a me seguir pelo apartamento, como se suspeitassem de meus atos. E me fazem festa quando saio de casa para levar o lixo ou ir às compras, é claro. Percebo uma certa cara de insatisfação quando veem que volto em cinco minutos.
Há quem diga que quem, como eu, convive com animais e esteja um pouco fraco da cabeça lhes atribui capacidades humanas que eles não têm. Pode ser. Mas o fato é que percebem alguma coisa. Vamos ver, você não precisa ser um gênio para se dar conta de que seu dono está há trocentos dias sem sair de casa, de que na rua só se vê gente com cachorros (falaremos sobre isso mais tarde) ou que se pode ouvir perfeitamente os pássaros ou os sinos das igrejas. Não sei como é com vocês, mas, comigo, quando choro, Mía se aproxima e coloca sua cara contra a minha. Não sei se percebe ou o quê, mas as mudanças de humor chamam sua atenção.
Esses dias também estão servindo para conhecer melhor nossos animais de estimação. Os donos de gatos muitas vezes se perguntam o que eles fazem quando não estamos em casa. Eu já te digo: dormem, basicamente. Dormem de 12 a 16 horas por dia. Ou seja, são seres quase perfeitos para o isolamento. O que não sei é se, quando estou em casa, param de fazer as coisas que normalmente fazem. Nos últimos dias não os vi arranhar o sofá em nenhum momento. Talvez não queiram nos deixar rastros.
Eles também estão se dando melhor. Mía tem quatro anos e Atún, dez meses. Passam o dia às turras. Quando não é um, é o outro. Atún tem a energia da infância e Mía é diligentemente sinuosa para criar problemas: sempre faz Atún parecer culpado. Ultimamente as brigas são mais esporádicas. Até dormem juntos e limpam um ao outro.
Mas, cuidado, isso não quer dizer que vão se adaptar às novas circunstâncias. Atún me acorda todos os dias às 7h25, ou seja, cinco minutos antes do que o despertador normalmente faz. Dizia Jim Davis: “Os gatos sabem instintivamente a hora exata em que seus donos vão acordar, e eles os acordam dez minutos antes”. Atún me deixa esses cinco minutos de cortesia, mas, mesmo em confinamento, ainda continua sendo escrotamente gato.
Porque não deixam de ser gatos, é claro. Nos últimos dias comecei um jogo de xadrez virtual, mas real, com meu amigo Jaime. Isto é: o tabuleiro é físico, e enviamos fotos um ao outro com os movimentos de ambos, de tal forma que é necessário mover as brancas e as pretas (já deixo claro). Bem, agora minha casa é um xadrez. Uma torre no quarto, um peão no banheiro, o rei forçosamente sob cobertura atrás de uma planta e Mía, é claro, sentada no centro do tabuleiro, entre as pretas e as brancas. Xeque-Mate.
Também há dias para aprofundar o debate sobre se é melhor ter como mascote um cão ou um gato. Não vamos nos deixar levar pela euforia do momento. Hoje, os cães são um bem valioso, porque te permitem sair a caminhar. Uma espécie de salvo-conduto. Tenho amigos que saem com ele cinco vezes por dia. Mas não são tempos de confronto, e sim para estar unidos. Os cães, pelo que me dizem, também surtam com o que está acontecendo. Eles só veem cães na rua e os parques estão fechados. Também não é preciso ser um lince (felino) para perceber que está acontecendo alguma coisa. Da altivez que provém da convivência com um gato, nós, que compartilhamos a vida com um, cumprimentamos os donos de cães e nos congratulamos que os ajudem nessa situação que, mesmo que seja pequena, compensa de alguma forma por todo esse cair da cama e essas noites de chuva em que também é preciso sair à rua.
São dias estranhos. De 24 horas em casa. Dos gatos aparecendo nas reuniões de teletrabalho (e arrancando um sorriso dos participantes), e já se sabe que não há nada que deva ser interposto entre a atenção de um e o felino. No fundo, todos estamos nos transformando um pouco em gatos. Agora sabemos como é difícil racionar as visitas à geladeira-comedor se você fica o dia inteiro em casa. E como é fácil cair no sono no sofá assim que o dia de trabalho termina. Mas são dias precisamente para isso: para ser gatos. Não é uma estratégia tão ruim: é o único animal que conseguiu dominar a internet sem precisar manejar a tecnologia. Por alguma razão estará dando tão certo para eles.
Disponível em: <https://bit.ly/2xwO2YZ>.
Acesso em: 27 mar. 2020 (Adaptado).
I. A tese que a autora defende pode ser identificada na primeira frase do texto. II. Não há, no texto, nenhum argumento convincente que reforce a tese defendida pela autora. III. Na última frase do texto, a autora utiliza um tom de diálogo com o seu interlocutor.
Pode-se afirmar que:
Gostei da reportagem sobre adoção. As informações sobre como funciona o processo de adoção no Brasil são realmente muito importantes. Pois muitas pessoas deixam de adotar uma criança por não saber como funciona e o que é preciso para tal gesto. Que essa matéria sirva de exemplo para que muitas pessoas possam dar um novo lar a uma criança. (Carta dos leitores. Antonio Luciano Vieira, Diadema, SP. Revista Época. Nº 327/2004).
I. A carta do leitor é um gênero textual veiculado pelos meios de comunicação, principalmente jornais e revistas, e pauta-se pela exposição crítica do leitor sobre determinados assuntos. II. De tipologia narrativa, a carta do leitor, geralmente, é narrada em 1ª pessoa e apresenta registro formal de escrita. III. Um dos elementos mais característicos da carta do leitor é a assinatura do emissor.
Pode-se afirmar que:
I."Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, / Da vossa piedade me despido, / Porque quanto mais tenho delinquido, / Vós tenho a perdoar mais empenhado". (Poesia Lírico-religiosa - autoria de Tomás Antônio Gonzaga). II."Triste Bahia! ó quão dessemelhante / Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado, / Rica te vi eu já, tu a mim abundante". (Poesia Satírica - autoria de Gregório de Matos). III."Convulso, o vento entoava um pseudo salmo. / Contrastando, entretanto, com o ar convulso /A noite funcionava como um pulso / Fisiologicamente muito calmo". (Estes versos são da autoria de Augusto dos Anjos; estão construídos com onomatopeia, anáfora e comparação). IV."O coração da infância - eu lhe dizia, / É manso. E ele me disse: Essas estradas, /Quando, novo Eliseu, as percorria, / As crianças lançavam-me pedradas..." / Falei-lhe então na glória e na alegria; / E ele-alvas barbas longas derramadas / No burel negro-o olhar somente erguia / Às cérulas regiões ilimitadas..." (Estes versos são da autoria de Raimundo Correia, poeta parnasiano; há verso escrito com pronome em posição de ênclise e versos com exemplos de próclise).
Após análise, marque a alternativa CORRETA.
TEXTO
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.
Uma década em guerra
Urge que potências redobrem pressão para sustar tragédia humanitária na Síria
O que a Folha pensa - 17 mar. 2021
Ao longo de dez anos, o conflito na Síria produziu uma das maiores catástrofes humanitárias já vistas desde a Segunda Guerra Mundial.
Conforme estimativas conservadoras, os combates deixaram quase 400 mil mortos, embora outras fontes apontem até 600 mil. Para além dos óbitos, cerca de 2 milhões de civis sofreram ferimentos graves ou deficiências permanentes.
O uso maciço de armas explosivas e os bombardeios em áreas urbanas reduziram algumas das principais cidades do país a pouco mais que escombros, além de destruir boa parte da infraestrutura nacional. Mais da metade dos 22 milhões que viviam na Síria antes da guerra tiveram de deixar suas casas, gerando um dos maiores êxodos populacionais da história recente.
Hoje, 6,6 milhões de refugiados sírios estão espalhados por 130 países, segundo a ONU, embora cerca de 90% deles tenham se estabelecido em condições precárias em nações vizinhas -Líbano, Jordânia e Turquia. Existem, ademais, 6,7 milhões de deslocados internos, a maioria em campos improvisados.
O que começou em 2011 como uma revolta popular contra o governo tirânico de Bashar al-Assad, surgida no contexto da Primavera Árabe, aos poucos degringolou para uma guerra ainda em curso envolvendo potências regionais e globais, uma facção terrorista e o uso de armas químicas contra civis.
Desafiando as previsões de que não resistiria por muito tempo, Assad logrou manter-se no poder e, escudado por Rússia e Irã, vem-se impondo militarmente. Sua sobrevivência, contudo, esconde o fracasso representado pela perda de mais de um terço do território e a ruína econômica. Estima-se que nada menos que 90% da população viva abaixo da linha da pobreza.
Não obstante o estado terminal em que se encontra o país, o regime sírio se recusa a aceitar a solução política oferecida pela ONU, que prevê a redação de uma nova Constituição por um comitê formado por membros do governo, da oposição e da sociedade civil, seguida de eleições livres e limpas.
Urge, portanto, que as potências mundiais se engajem no processo de paz e intensifiquem a pressão sobre Assad -só assim será possível cessar a carnificina e dar início à hercúlea tarefa de reconstrução.
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2021/03/uma-decada-em-guerra.shtml Acessado em 30/03/2021