Questões de Concurso Sobre gêneros textuais em português

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Q4390578 Português
TEXTO I

Confiança do consumidor cai e ameaça empregos

Pessimismo das famílias pode reduzir consumo e pressionar empresas neste segundo semestre


    A confiança dos consumidores brasileiros caiu pelo quarto mês consecutivo em agosto. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), recuou 3,6 pontos, para 84,7 pontos, o menor nível desde novembro de 2022. O resultado mostra que as famílias estão mais pessimistas tanto sobre o momento atual quanto sobre os próximos meses.

    O principal problema está nas expectativas. O indicador, que mede a percepção dos consumidores sobre o futuro, caiu 5,4 pontos, para 86,1 pontos. A disposição para comprar bens duráveis, como móveis, eletrodomésticos e outros produtos de maior valor, despencou 10 pontos, para 74,7 pontos, o menor nível desde julho de 2022.

    Confiança: menos consumo; mais pressão e riscos

    O cenário preocupa, porque o consumidor menos confiante tende a adiar compras e controlar mais os gastos. Segundo a FGV, o movimento reflete as dificuldades financeiras das famílias, marcadas por endividamento e inadimplência elevados em um ambiente de juros altos.

     Essa retração pode atingir diretamente o comércio e a indústria. Se as empresas vendem menos, começam a reduzir estoques, investimentos e, em alguns casos, custos com pessoal.

    Risco para os empregos

    O dado ganha ainda maior importância porque o mercado de trabalho brasileiro continua forte. A própria FGV ressalta, porém, que a sequência de quedas na confiança pode sinalizar uma desaceleração do consumo das famílias no segundo semestre.

     Na prática, existe o risco de uma reação em cadeia: consumidores mais cautelosos compram menos, empresas faturam menos, e negócios pressionados podem reduzir contratações ou até cortar postos de trabalho.

    O indicador, portanto, não significa que haverá uma onda imediata de demissões. Mas funciona como um sinal de alerta para a economia. Se o pessimismo persistir e o consumo perder força, a manutenção do emprego pode se tornar mais difícil nos próximos meses.


Fonte: BOUÉRI, Fábio. Confiança do consumidor cai e ameaça empregos. https://revistaoeste.com/economia/confianca-doconsumidor-cai-e-ameaca-empregos/ (adaptado).  
Analise as afirmações abaixo sobre a natureza e a estrutura de criação do texto I antes de julgar o que se pede.

I. Nota-se a presença do uso de uma linguagem formal e objetiva sobre a temática abordada, além da prevalência do discurso direto nos períodos.
II. Para embasar a linha de raciocínio sobre a temática abordada, o autor do texto I prescindiu de dados empíricos a respeito do cenário econômico brasileiro.
III. Observa-se que, juntamente à tipologia expositiva, o autor do texto se valeu, em alguns momentos, de uma linha descritiva, a fim de caracterizar a ideia de pessimismo sobre expectativas dos consumidores brasileiros.
IV. Essencialmente, o texto em destaque possui estrutura de elaboração impessoal e objetiva quanto ao assunto abordado, o que faz com que se caracterize, enquanto gênero, como Notícia.

Pode-se afirmar que se encontra correto o que foi dito acima somente em
Alternativas
Q4384405 Português

Leia o texto I a seguir para responder à questão:


IA e as tendências do futuro


O uso da inteligência artificial (IA) já é uma realidade em todo o mundo, provocando mudanças profundas em todos os ramos da atividade humana, incluindo os negócios. Além disso, trata-se de uma ferramenta à disposição de qualquer pessoa que possua um smartphone ou notebook.


Constatar essa realidade implica também reconhecer que nenhum exercício de futurologia conseguirá prever todas as consequências dessas mudanças. Porém, essas possibilidades têm de ser estudadas de modo a identificar tendências e preparar governos e empresas para conviver com a revolução tecnológica.


Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de maio de 2025, anota o seguinte: “A obtenção de taxas mais elevadas de adoção de IA pode aumentar a produtividade do trabalho e gerar outros resultados desejáveis, como menores taxas de defeitos na produção, reduzindo a necessidade de insumos materiais. As informações para políticas públicas provenientes deste e de outros estudos comparáveis provavelmente se tornarão mais importantes à medida que mais empresas buscarem se tornar usuárias ativas de IA”.


Esses temas serão debatidos no Futura Trend, evento que terá em pauta o processo acelerado de transformação digital e os impactos da inteligência artificial generativa na reconfiguração da sociedade, na educação e na economia. Será debatida, também e de forma aprofundada, a questão do letramento digital e da educação, a partir da primeira infância, para o acesso à tecnologia, o que evitará mais uma geração de excluídos da era digital, como aconteceu nos anos 1990 e início do ano 2000.


O seminário, portanto, está inserido no grande debate que hoje mobiliza países de todo o mundo para estudar as tendências que regularão a sociedade permeada pela inteligência artificial.


(Editorial, 06.08.2026. Disponível em: www.opovo.com.br. Adaptado)

Ao analisar a inteligência artificial no cotidiano da sociedade contemporânea, o editorial deixa claro que
Alternativas
Q4383000 Português
ATENÇÃO: O texto a seguir refere-se à próxima questão.


Um Analista de Negócios de TI desempenha um papel crucial em unir a tecnologia e os objetivos empresariais. Este profissional é responsável por garantir que as soluções de TI estejam alinhadas com as necessidades e objetivos empresariais, promovendo assim eficiência e inovação. Dentro da categoria de alinhamento entre TI e negócios, o Analista de Negócios de TI (IT BA) identifica áreas de melhoria, documenta requisitos e garante que as soluções tecnológicas sejam implementadas de forma eficaz para aprimorar os processos estruturais das empresas modernas.  
Pela sua estrutura, esse pequeno texto deve ser classificado, quanto ao seu tipo, como 
Alternativas
Q4382690 Português
TEXTO I

Os piores entre nós

Instituições não existem. Só existem pessoas

    Instituições são ficções. Em Sapiens, Yuval Harari chama a Peugeot, a montadora francesa de automóveis, de uma ficção jurídica: os carros, as fábricas e os funcionários existem fisicamente, mas a empresa é uma entidade imaginária cuja existência depende de leis e do que ele chama de uma “história compartilhada” na qual combinaram de acreditar. Mas ninguém jamais tocou na Peugeot ou jantou com ela – a Peugeot não é um organismo vivo ou um objeto físico. A mesma coisa pode ser dita de um governo, de um Congresso ou de um Tribunal. Essas instituições são ficções, representadas essencialmente pelas pessoas que as compõem.
    Instituições não existem. Só existem pessoas – e elas podem ser competentes ou incapazes, virtuosas ou maléficas, generosas ou psicopatas.
    O economista Douglas North, no seu livro Instituições, Mudança Institucional e Desempenho Econômico, diz que instituições são as regras do jogo em uma sociedade. Instituições são a Constituição, as leis, os regulamentos, as tradições e as regras não escritas de convívio social. Segundo North, as instituições de um país determinam seu desenvolvimento. Mas regras, em si, não são suficientes. É preciso que as pessoas decidam respeitá-las.
    Em 2011, ao falar no Senado dos EUA, Antonin Scalia, juiz da Suprema Corte americana, lembrou que a antiga União Soviética – que ele, ecoando Ronald Regan, chamou de império do mal – tinha uma Constituição que garantia direitos muito mais amplos do que os previstos na Constituição americana. Mas eram direitos de papel, que nada valiam diante do Estado soviético. Scalia disse que a liberdade americana não é garantida por palavras, mas por uma estrutura de governo que, dividindo o Estado em vários poderes que competem entre si, impede a hegemonia de qualquer um deles. O confronto entre os poderes não é um problema – essa foi a mensagem de Scalia. A disputa entre poderes é a garantia de nossa liberdade.
    Daron Acemoglu e James Robinson, autores de Por Que as Nações Fracassam, dividem as instituições em dois grupos: extrativas – quando extraem riqueza da sociedade para concentrá-la nas mãos de poucos – e inclusivas – quando permitem que a maior parte da sociedade se beneficie da riqueza. Nossas instituições são, evidentemente, extrativas. Mesmo as mais inclusivas são conduzidas por pessoas, e a condução refletirá a concepção que essas pessoas têm do Estado. Para algumas delas, a função do Estado é enriquecêlas.
    No prefácio de sua excepcional tradução de A República de Platão, Allan Bloom comenta a preocupação de Sócrates com a educação dos governantes: “Os regimes dependem das virtudes dos homens e não das instituições; se as virtudes mais altas não estiverem presentes nos governantes, um regime inferior será instituído. Não há guardiões acima dos guardiões [...]”.
    Alguém precisa dizer isso aos brasileiros que, repetidamente, caem na armadilha ideológica e emocional de atribuir abstrações políticas (“democracia”, “Estado Democrático de Direito”, “Constituição”, “tribunal” ou “conselho”) o mágico poder de consertar as imoralidades e punir os crimes, apenas para ver essas abstrações sendo usadas como justificativa para mais imoralidades e mais crimes. As instituições às quais confiamos nossos direitos se revelaram quadrilhas organizadas para nos expropriar.
    Instituições não existem. Só existem pessoas. E um indivíduo ou um grupo, investido de grande poder, só será contido por outros indivíduos, ou grupos com poder semelhantes, que recusem submissão. Mas, em nosso país, a submissão parece estar sempre ao alcance de um uísque puro malte, um contrato de “assessoria” e uma promessa de manter em segredo mensagens, fotos e vídeos comprometedores.
    Os incentivos da política são perversos em todos os lugares, como já explicou Niall Ferguson em A Grande Degeneração. Políticos são estimulados a mentir, fraudar e roubar porque a recompensa é enorme, e o custo – a possibilidade de punição – é baixo. Mas, quando essas práticas contaminam até as áreas do Estado responsáveis pela aplicação da lei, a pergunta que o cidadão se faz é: como é possível que tenhamos selecionado, para nos governar, os piores entre nós?

Fonte: MOTTA, Roberto. Revista Oeste, ed.342. Os piores entre nós. https://revistaoeste.com/revista/edicao-342/os-piores-entre-nos-2/ (adaptado). 
Analise a seguir as observações sobre o texto I antes de julgar o que se pede.

I. O autor faz uso do argumento de autoridade por meio do discurso direto remissivo a diferentes autores, os quais ajudam a corroborar sua ideia.
II. O texto é essencialmente de natureza descritivo-analítica e relega o caráter subjetivo de sua composição.
III. Observa-se que a linguagem utilizada no texto prima pelo caráter formal, denotativo e objetivo a fim de expor essencialmente sua mensagem para o interlocutor.
IV. O texto possui tipologia dissertativa, apresentando-se como Artigo de opinião enquanto gênero.

Pode-se dizer que se encontra correto o que foi afirmado acima apenas em:
Alternativas
Q4379768 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

' El Niño de proporções gigantescas': o alerta da ONU para fenômeno que põe planeta em 'águas desconhecidas'.

O mundo entrou em uma "zona de perigo de eventos climáticos extremos" à medida que os efeitos do El Niño começam a ser sentidos globalmente, alertou António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU, divulgou os dados mais recentes sobre o fenômeno natural indicando que este El Niño pode ser o mais forte em mais de 70 anos e durar pelo menos até fevereiro de 2027.
O El Niño altera os padrões climáticos em diferentes partes do mundo, provocando secas em algumas regiões e tufões mais intensos e enchentes em outras. São esperadas, por exemplo, chuvas acima da média em partes do leste da África, do sul do Brasil e do sul dos Estados Unidos, aumentando o risco de enchentes.
Meteorologistas também afirmam que o El Niño elevará as temperaturas em alguns lugares, somando-se ao aumento da temperatura global provocado pelas mudanças climáticas causadas pela atividade humana.
"O El Niño está ganhando proporções gigantescas diante dos nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está entrando em águas desconhecidas, e essas águas estão ficando mais quentes", disse Guterres, da ONU.
A BBC conversou com governos e cientistas sobre as medidas adotadas em diferentes partes do mundo para reduzir o risco de mortes, deslocamentos de populações e danos ambientais. Sistemas de alerta precoce foram reforçados, assim como o envio preventivo de assistência médica, mas a intensidade deste episódio preocupa especialmente devido aos riscos para grupos mais vulneráveis.
A OMM, agência da ONU, afirmou ter realizado uma "grande mobilização" para fazer com que suas previsões sobre possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño cheguem ao maior número possível de comunidades.
"O El Niño tem potencial para causar um enorme impacto em comunidades e economias de todo o mundo", alertou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
O El Niño é um fenômeno natural que se desenvolve no oceano Pacífico e está associado a uma mudança nos padrões dos ventos. Essa alteração permite que águas quentes avancem para leste e liberem calor na atmosfera.
A temperatura do mar nas regiões central e leste do Pacífico tropical subiu acentuadamente nos últimos meses — um sinal claro de que o El Niño está se intensificando.
Na principal região do Pacífico usada para acompanhar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar ficou mais de 2°C acima da média nas últimas semanas, nível que já colocaria este episódio na categoria de "muito forte".
E a expectativa é que ultrapasse até mesmo esse patamar. As previsões indicam que, na média mensal, a temperatura da superfície do mar pode chegar perto de 4°C acima da média.
Isso faria deste o El Niño mais forte desde pelo menos 1950 — e possivelmente com grande folga em relação aos anteriores.
Abaixo da superfície do Pacífico, as temperaturas são ainda mais excepcionais: em alguns locais, estão mais de 8°C acima da média.
Temperaturas do mar acima do normal também são esperadas em outras partes do mundo, entre elas o oceano Índico, o Atlântico tropical e regiões próximas à costa da Austrália.
Por causa da rica vida marinha da Austrália, as alterações na temperatura dos oceanos são motivo de especial preocupação no país.
Nos últimos anos, a Austrália tem sido atingida por ondas de calor marinhas, impulsionadas pelas mudanças climáticas.
O El Niño é um fenômeno natural, mas tende a provocar o tipo de calor extremo que também contribui para esses desastres, disse à BBC Alistair Hobday, pesquisador-chefe da agência científica da Austrália.
Neste ano, as previsões de ondas de calor marinhas indicam que a Grande Barreira de Corais será poupada das condições mais severas, dando aos corais mais tempo para se recuperar.
"[Mas] o sul da Austrália vem sofrendo impactos severos", disse Hobday.
Na última vez em que uma onda de calor marinha atingiu o sul da Austrália e a Tasmânia, pinguins ficaram sem alimento, houve mortandade de peixes, proliferação de algas que reduziu os níveis de oxigênio na água e aumento na presença de águas-vivas.
A Austrália adotou recentemente sistemas de alerta antecipado para eventos extremos no mar. Com isso, é possível, por exemplo, organizar apoio financeiro ao setor pesqueiro, transferir espécies essenciais para áreas mais seguras e reforçar o monitoramento dos corais.
Mas este episódio caminha para ser sem precedentes — e Hobday admite estar bastante preocupado.
STALLARD, Esme; POYNTING, Mark; DALE, Becky. 'El Niño de proporções gigantescas': o alerta da ONU para o fenômeno que põe planeta em 'águas desconhecidas'. BBC News Brasil, 3 set. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm2q5nl0pg3o. Acesso em:17 set. 2026.
Considerando as características composicionais do texto que trata do alerta da ONU sobre o fenômeno El Niño de 2023-2024, classificado como possivelmente o mais forte em mais de 70 anos, assinale a alternativa CORRETA. 
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Q4379655 Português

Leia o trecho da crônica “Minhas fila” a seguir para responder à questão.

A fila é um sofrimento. É mesmo? Depende de como você encara uma fila. Em primeiro lugar, você não pode levar a fila a sério. Existem filas e filas. Uma fila de banco, por exemplo, é completamente diferente de uma fila de padaria.

A pior fila, por consenso, é a fila do banco. Sim, você começa a sofrer com ela no dia anterior. Amanhã vou ter de ir ao banco. E você já dorme com aquela fila na cabeça. Sonha com ela. Ela vai até à rua. Ninguém está feliz na fila do banco, já notou? O sujeito que está ali está sofrendo. Já chega sofrendo. Ele sabe que vai sair dali um pouco mais pobre, no mínimo.

Mas o pior na fila do banco é que a gente, que está mais atrás, olha a quantidade de papelzinho que o da frente tem na mão e logo pensa: isso vai longe. E quando a menina do caixa pede licença e sai para obter uma orientação do gerente lá na outra sala? Todo mundo olha o relógio. E a inveja que a gente fica do segundo da fila? Dá vontade de matar o sujeito. E aquele que disfarça? Está só com um papelzinho na mão. Mas quando chega na vez dele, abre uma pasta. Uma pasta!

Mas toda fila tem seus encantos (basta saber curtir). Menos a fila da fome, esperando comida. Não dá para olhar para a foto (na primeira página dos jornais) daqueles brasileiros e fazer brincadeira. Aquela fila é uma coisa muito séria, gente.

(Mário Prata, Minhas tudo. Adaptado)

A leitura do relato acerca da fila de banco leva a reconhecer que o narrador
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Q4379648 Português

Leia o texto I a seguir para responder à questão.

IA e as tendências do futuro

O uso da inteligência artificial (IA) já é uma realidade em todo o mundo, provocando mudanças profundas em todos os ramos da atividade humana, incluindo os negócios. Além disso, trata-se de uma ferramenta à disposição de qualquer pessoa que possua um smartphone ou notebook.

Constatar essa realidade implica também reconhecer que nenhum exercício de futurologia conseguirá prever todas as consequências dessas mudanças. Porém, essas possibilidades têm de ser estudadas de modo a identificar tendências e preparar governos e empresas para conviver com a revolução tecnológica.

Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de maio de 2025, anota o seguinte: “A obtenção de taxas mais elevadas de adoção de IA pode aumentar a produtividade do trabalho e gerar outros resultados desejáveis, como menores taxas de defeitos na produção, reduzindo a necessidade de insumos materiais. As informações para políticas públicas provenientes deste e de outros estudos comparáveis provavelmente se tornarão mais importantes à medida que mais empresas buscarem se tornar usuárias ativas de IA”.

Esses temas serão debatidos no Futura Trend, evento que terá em pauta o processo acelerado de transformação digital e os impactos da inteligência artificial generativa na reconfiguração da sociedade, na educação e na economia. Será debatida, também e de forma aprofundada, a questão do letramento digital e da educação, a partir da primeira infância, para o acesso à tecnologia, o que evitará mais uma geração de excluídos da era digital, como aconteceu nos anos 1990 e início do ano 2000.

O seminário, portanto, está inserido no grande debate que hoje mobiliza países de todo o mundo para estudar as tendências que regularão a sociedade permeada pela inteligência artificial. 

(Editorial, 06.08.2026. Disponível em: www.opovo.com.br. Adaptado)

Ao analisar a inteligência artificial no cotidiano da sociedade contemporânea, o editorial deixa claro que
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Q4379425 Português

Texto para a questão.


Dê uma chance ao ser humano


        A vizinha tocou a campainha e, quando abri a porta, surpreso com a visita inesperada, ela entrou, me abraçou forte e falou devagar, olhando fundo nos meus olhos: "Você tem sido um vizinho muito compreensivo e eu ando muito relapsa na criação dos meus cachorros. Isso vai mudar!" Desde então, uma série de procedimentos na casa em frente à minha acabou com um pesadelo que me atormentou por mais de um ano. Sei que todo mundo tem um caso com o cachorro do vizinho para contar, mas, com final feliz assim, francamente, duvido. A história que agora passo a narrar do início explica em grande parte por que ainda acredito no ser humano – ô, raça!


        Meus vizinhos, pelo menos assim os vejo da janela lá do cafofo, não são pessoas comuns. Falo de gente especial, um casal de artistas, ele músico, ela bailarina, dupla de movimentos suaves e silenciosos, olhar maduro, fuso horário próprio e descompromisso amplo, geral e irrestrito com a pressa na execução das tarefas domésticas que assumem sem a ajuda de ninguém. A família como se imaginava nos anos 60. Um cuida do jardim, faz compras de bicicleta, bate o tapete na sacada do 2º andar. Outro lava a calçada, cozinha (sempre os imaginei vegetarianos), apara a hera na fachada de pedra... A paz mora do outro lado da rua e, confesso, morro de inveja quando me mato de trabalhar noite adentro ali adiante. Queria ser como eles.


        Quando o primeiro pastor-alemão chegou ainda moleque para morar com meus adoráveis vizinhos, a casa de pedra viveu dias de alegria contagiante. O bicho era uma gracinha, foi crescendo, começou a latir, mas nada que quebrasse a harmonia do lugar. (Eu moro, esqueci de dizer, no paraíso.) Quando, logo depois do primeiro acasalamento, o segundo pastor alemão fez crescer a família, cada paralelepípedo da minha rua pressentiu o que estava para acontecer. Ou não! De qualquer forma, eu achava que, se porventura aquilo virasse o inferno que se anunciava, outro vizinho decerto perderia a paciência antes de mim, que, afinal, virei tiete do jeito de viver que espiava pela janela do escritório de casa. Eu ir lá reclamar, nunca!


        Não sei se os outros vizinhos decidiram em assembleia que esperariam a todo custo por uma reação minha, mas, para encurtar a história, o fato é que, um ano e tanto depois da chegada do primeiro pastor alemão àquela casa, eu tive um ataque, enlouqueci, surtei. Imagine o mico: vinha chegando da rua com meus filhos – gêmeos de 10 anos –, chovia baldes, eu não conseguia achar as chaves e os bichos gritavam como se fôssemos assaltantes de banco. Segura o guarda-chuva! Cadê as chaves? Será que não podiam ao menos parar de latir um pouco, caramba?


        – Cala a boooooocaaaa! – gritei para ser ouvido em todo o bairro. Os cachorros emudeceram por dez segundos. Fez-se um silêncio profundo na Gávea. Os garotos me olhavam como se estivessem vendo alguém assim, inteiramente fora de si, pela primeira vez na vida. Eu mesmo não me reconhecia, mas, à primeira rosnada que se seguiu, resolvi ir em frente, impossível recuar: "Cala a booooocaaaa! Cala a boooocaaaaa!" Silêncio total. Os meninos estavam agora admirados: acho que jamais tinham visto aqueles bichos de boca fechada.


        Ninguém apareceu na janela, havia luz acesa em muitas casas e eu ali, encharcado, decidi falar para ser ouvido até no Leblon. "Não é possível que ninguém se incomode com esses cachorros! Estão todos surdos?" Acho que, intimidada, a chuva parou. A cena era patética. Fui salvo pelas malditas chaves, que, enfim, apareceram no fundo da mochila. Entrei rápido com as crianças, entre arrasado e aliviado. Achei na hora que devia conversar com meus filhos, que melhor ainda seria escrever com eles uma carta educada e sincera explicando a situação aos nossos vizinhos preferidos.


        Comecei pedindo desculpa pela explosão daquela noite, mas pedia licença para contar o drama que se vivia do lado de cá da rua. Havia muito tempo não entrava nem saía de casa sem que os cães dessem alarme de minha presença na rua. Tinha vivido uma época de separações, morte de gente muito querida, além de momentos de intensa felicidade, sempre com aqueles bichos latindo sem parar. De manhã, de tarde, de noite, de madrugada, manja pesadelo? "Seus cachorros são insuportáveis e, se vocês nada fizerem a respeito – estamos no Brasil, tudo é possível –, eu vou me embora, me mudo, sumo daqui..." – escrevi algo assim, mais resignado que irritado, o arquivo original sumiu do computador.


        Mas chegou aonde devia ou a vizinha não teria me dado aquele abraço comovido na noite em que abri a porta, surpreso com ela se anunciando no interfone, depois de meu chilique diante de casa. No dia seguinte chegou carta do marido dela: "Seu incômodo é o nosso, agravado pelo fato de sermos responsáveis por essas criaturas que adotamos não para funções policiais, mas por amor mesmo. Try a little bit harder, diz a canção, e é o que será feito. Desculpe os aborrecimentos. Agradeço sua paciência e educação".


        Desde então – há coisa de um mês, portanto –, meus vizinhos têm feito o possível para controlar o ímpeto de seus bichos, que já não me vigiam dia e noite, arrumaram para eles coisa decerto mais interessante a fazer no quintal. Quando o DNA de Rin-tintin ameaça se manifestar, são chamados à atenção e se calam. Às vezes não acredito que isso esteja realmente acontecendo neste mundo cão em que vivemos. Se não estou vendo coisas – o que também ocorre com certa frequência –, o ser humano talvez ainda tenha alguma chance de dar certo. Pense nisso!


VASQUES, Tutty. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 311-313.

No trecho:


"Try a little bit harder, diz a canção, e é o que será feito. Desculpe os aborrecimentos. Agradeço sua paciência e educação"


Observa-se a transposição de um gênero textual para dentro da crônica. Qual é esse gênero e qual sequência tipológica o define nesse fragmento específico?

Alternativas
Q4379424 Português

Texto para a questão.


Dê uma chance ao ser humano


        A vizinha tocou a campainha e, quando abri a porta, surpreso com a visita inesperada, ela entrou, me abraçou forte e falou devagar, olhando fundo nos meus olhos: "Você tem sido um vizinho muito compreensivo e eu ando muito relapsa na criação dos meus cachorros. Isso vai mudar!" Desde então, uma série de procedimentos na casa em frente à minha acabou com um pesadelo que me atormentou por mais de um ano. Sei que todo mundo tem um caso com o cachorro do vizinho para contar, mas, com final feliz assim, francamente, duvido. A história que agora passo a narrar do início explica em grande parte por que ainda acredito no ser humano – ô, raça!


        Meus vizinhos, pelo menos assim os vejo da janela lá do cafofo, não são pessoas comuns. Falo de gente especial, um casal de artistas, ele músico, ela bailarina, dupla de movimentos suaves e silenciosos, olhar maduro, fuso horário próprio e descompromisso amplo, geral e irrestrito com a pressa na execução das tarefas domésticas que assumem sem a ajuda de ninguém. A família como se imaginava nos anos 60. Um cuida do jardim, faz compras de bicicleta, bate o tapete na sacada do 2º andar. Outro lava a calçada, cozinha (sempre os imaginei vegetarianos), apara a hera na fachada de pedra... A paz mora do outro lado da rua e, confesso, morro de inveja quando me mato de trabalhar noite adentro ali adiante. Queria ser como eles.


        Quando o primeiro pastor-alemão chegou ainda moleque para morar com meus adoráveis vizinhos, a casa de pedra viveu dias de alegria contagiante. O bicho era uma gracinha, foi crescendo, começou a latir, mas nada que quebrasse a harmonia do lugar. (Eu moro, esqueci de dizer, no paraíso.) Quando, logo depois do primeiro acasalamento, o segundo pastor alemão fez crescer a família, cada paralelepípedo da minha rua pressentiu o que estava para acontecer. Ou não! De qualquer forma, eu achava que, se porventura aquilo virasse o inferno que se anunciava, outro vizinho decerto perderia a paciência antes de mim, que, afinal, virei tiete do jeito de viver que espiava pela janela do escritório de casa. Eu ir lá reclamar, nunca!


        Não sei se os outros vizinhos decidiram em assembleia que esperariam a todo custo por uma reação minha, mas, para encurtar a história, o fato é que, um ano e tanto depois da chegada do primeiro pastor alemão àquela casa, eu tive um ataque, enlouqueci, surtei. Imagine o mico: vinha chegando da rua com meus filhos – gêmeos de 10 anos –, chovia baldes, eu não conseguia achar as chaves e os bichos gritavam como se fôssemos assaltantes de banco. Segura o guarda-chuva! Cadê as chaves? Será que não podiam ao menos parar de latir um pouco, caramba?


        – Cala a boooooocaaaa! – gritei para ser ouvido em todo o bairro. Os cachorros emudeceram por dez segundos. Fez-se um silêncio profundo na Gávea. Os garotos me olhavam como se estivessem vendo alguém assim, inteiramente fora de si, pela primeira vez na vida. Eu mesmo não me reconhecia, mas, à primeira rosnada que se seguiu, resolvi ir em frente, impossível recuar: "Cala a booooocaaaa! Cala a boooocaaaaa!" Silêncio total. Os meninos estavam agora admirados: acho que jamais tinham visto aqueles bichos de boca fechada.


        Ninguém apareceu na janela, havia luz acesa em muitas casas e eu ali, encharcado, decidi falar para ser ouvido até no Leblon. "Não é possível que ninguém se incomode com esses cachorros! Estão todos surdos?" Acho que, intimidada, a chuva parou. A cena era patética. Fui salvo pelas malditas chaves, que, enfim, apareceram no fundo da mochila. Entrei rápido com as crianças, entre arrasado e aliviado. Achei na hora que devia conversar com meus filhos, que melhor ainda seria escrever com eles uma carta educada e sincera explicando a situação aos nossos vizinhos preferidos.


        Comecei pedindo desculpa pela explosão daquela noite, mas pedia licença para contar o drama que se vivia do lado de cá da rua. Havia muito tempo não entrava nem saía de casa sem que os cães dessem alarme de minha presença na rua. Tinha vivido uma época de separações, morte de gente muito querida, além de momentos de intensa felicidade, sempre com aqueles bichos latindo sem parar. De manhã, de tarde, de noite, de madrugada, manja pesadelo? "Seus cachorros são insuportáveis e, se vocês nada fizerem a respeito – estamos no Brasil, tudo é possível –, eu vou me embora, me mudo, sumo daqui..." – escrevi algo assim, mais resignado que irritado, o arquivo original sumiu do computador.


        Mas chegou aonde devia ou a vizinha não teria me dado aquele abraço comovido na noite em que abri a porta, surpreso com ela se anunciando no interfone, depois de meu chilique diante de casa. No dia seguinte chegou carta do marido dela: "Seu incômodo é o nosso, agravado pelo fato de sermos responsáveis por essas criaturas que adotamos não para funções policiais, mas por amor mesmo. Try a little bit harder, diz a canção, e é o que será feito. Desculpe os aborrecimentos. Agradeço sua paciência e educação".


        Desde então – há coisa de um mês, portanto –, meus vizinhos têm feito o possível para controlar o ímpeto de seus bichos, que já não me vigiam dia e noite, arrumaram para eles coisa decerto mais interessante a fazer no quintal. Quando o DNA de Rin-tintin ameaça se manifestar, são chamados à atenção e se calam. Às vezes não acredito que isso esteja realmente acontecendo neste mundo cão em que vivemos. Se não estou vendo coisas – o que também ocorre com certa frequência –, o ser humano talvez ainda tenha alguma chance de dar certo. Pense nisso!


VASQUES, Tutty. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 311-313.

O texto "Dê uma chance ao ser humano" é classificado como uma crônica (gênero textual). No entanto, em sua macroestrutura, predomina uma sequência tipológica específica. Identifique essa tipologia predominante e aponte o elemento linguístico que a sustenta.
Alternativas
Q4378153 Português

TEXTO I


Robô humanoide do Exército custa R$ 194 mil

Modelo usado pelo Instituto Militar de Engenharia foi colocado em uma viatura e realizou saudação durante o desfile em Brasília


    Um robô humanoide fardado do Exército Brasileiro chamou atenção durante o desfile cívico-militar do 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. As plataformas de marketplace vendem o equipamento, que a chinesa Unitre Robotics fabrica, por cerca de R$ 194 mil.


    O Exército confirmou que o modelo usado na cerimônia é o Unitree G1, na versão EDU. O Instituto Militar de Engenharia (IME) adquiriu o equipamento com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.


    Durante o desfile, o robô permaneceu sobre uma viatura Marruá e realizou movimentos de saudação protocolar diante da tribuna principal. O equipamento acenou para o público e bateu continência aos chefes dos Três Poderes presentes no palanque.


    Entre as autoridades estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, sorriu, aplaudiu e retribuiu a saudação feita pelo robô.


    Equipamento é usado em pesquisas do Exército


    No IME, o robô integra atividades de ensino, pesquisa e extensão. Segundo o Exército, os dados coletados pelos sensores e a capacidade de processamento do equipamento servem ao desenvolvimento de algoritmos de controle e atuadores.


    As pesquisas abrangem áreas como robótica, inteligência artificial, percepção ambiental, navegação e autonomia de sistemas. A chinesa Unitree Robotics projetou o equipamento também para operações em ambientes de risco. Entre suas funções estão a inspeção, identificação, manipulação e neutralização de artefatos explosivos a distância.


    O Centro de Comunicação Social do Exército informou que não existe previsão de emprego operacional direto do robô humanoide pela força. Os algoritmos desenvolvidos na plataforma, contudo, podem ter aplicação em tecnologias militares utilizadas em conflitos modernos. Entre os possíveis usos citados pelo Exército estão sistemas embarcados em drones, armamentos remotos, veículos autônomos e robôs destinados à detecção e à desativação de bombas.


Fonte: BATALHA, Victória. Revista Oeste, Tecnologia. Robô humanoide do Exército custa R$ 194 mil. https://revistaoeste.com/tecnologia/robo-humanoide-do-exercito-custa-r-194-mil/ (adaptado).

Sobre a estrutura de criação do texto I em destaque, avalie cada afirmação a seguir antes de analisar o que se pede.



I. O texto possui fundamentalmente natureza tipológica descritiva com o intuito informativo para o público-leitor.


II. O texto em destaque prescinde de informações objetivas e de linguagem formal para a transmissão do seu conteúdo.


III. Enquanto gênero textual, a matéria jornalística cumpre o papel de informar o público-leitor a respeito de uma pauta de importância social.


IV. O texto é de caráter expositivo-informativo e se vale do uso formal do idioma, apresentando postura objetiva e imparcial sobre os fatos.



Pode-se dizer que se encontra correto o que foi dito apenas em: 

Alternativas
Q4377289 Português
A demência é o pior desafio do envelhecimento


    No Brasil, a faixa etária que mais cresce é a dos que estão acima dos 65 anos. Em números arredondados: em 2010 eram 20 milhões, contingente que aumentou para 22 milhões no Censo de 2022.
    Os demógrafos definem o índice de envelhecimento dividindo o número de habitantes com mais de 65 anos pelo de crianças entre zero e 14 anos. Em 2010, o índice era de 30%, ou seja, 30 pessoas com mais de 65 anos para cada 100 crianças. Em 2022, esse índice subiu para 55%.
   Graças à redução da fecundidade e dos nascimentos, a pirâmide etária no Brasil começou a mudar de formato a partir dos anos 1990. A base foi se alargando com o passar dos anos, como aconteceu nos países mais ricos. A diferença é que neles as mudanças ocorreram em mais de 60 anos; aqui, em metade desse tempo.
    O envelhecimento dos brasileiros é visível nas ruas e no ambiente familiar. Em meados do século 19, Machado de Assis descreveu "um velho gaiteiro de cinquenta anos" num de seus contos. Hoje, quando perdemos um parente de 70 anos, dizemos que morreu moço. O envelhecimento interfere na organização da sociedade. A Previdência Social terá condições de pagar aposentadorias mensais até os 90 anos, enquanto o número dos que chegam ao mercado de trabalho não para de diminuir? As empresas continuarão a considerar velhos e demitir funcionários de 50 ou 60 anos?
    Na área da saúde, as consequências poderão ser trágicas. Os brasileiros envelhecem mal: quando chegam aos 60 anos, mais da metade sofre de hipertensão arterial; o número de pessoas com diabetes deve andar perto dos 20 milhões; os índices de obesidade com seu cortejo de complicações aumentam a cada pesquisa do Vigitel.
    Nessa faixa etária, é cobrada a conta do fumo, do abuso de álcool e de drogas ilícitas, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados. Hoje, cerca de 80% dos atendimentos no SUS são de problemas crônicos que requerem controle pelo resto da vida. Doenças cardiovasculares e câncer são as principais causas de óbito. Criado no fim dos anos 1980, o sistema único não foi pensado para lidar com essa realidade.
      Estamos preparados para enfrentar problemas dessa magnitude? Claro que não. Se o Japão, a Suécia e a Finlândia não estão, nós, neste país continental com tantas diferenças regionais, baixo nível educacional e distribuição de renda imoral, é que estaríamos?
     De todos os desafios do envelhecimento, nenhum se compara ao das demências, tragédia que cai nos ombros dos familiares sem que o SUS esteja preparado para ajudá-los. Uma pessoa incapaz de se vestir, tomar banho, comer sozinha ou entender o que se passa ao redor exige cuidados dia e noite, geralmente a cargo de uma mulher da família, obrigada a **interromper a carreira e a vida pessoal **por anos consecutivos.


Autor: Drauzio Varella - GZH (adaptado)
Pela forma como articula dados estatísticos, referências históricas, questionamentos retóricos e avaliação explícita do autor, o texto aproxima-se predominantemente do gênero:
Alternativas
Q4376620 Português

TEXTO I


Inadimplência das famílias chega a recorde de 8%


Crédito em atraso há mais de 90 dias atingiu o maior patamar

da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011  


    A inadimplência das famílias no crédito livre chegou a 8% em agosto, maior nível da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em março de 2011. O indicador considera operações com pagamentos atrasados há mais de 90 dias. Em relação a julho, houve alta de 0,2 ponto porcentual. Na comparação com agosto do ano passado, o avanço foi de 1 ponto porcentual. Os dados foram divulgados durante esta terça-feira, 29.


    O crédito livre reúne operações com condições negociadas entre bancos e clientes, como empréstimos pessoais e cartão de crédito. Nesse segmento, a taxa média de juros cobrada das famílias subiu. O índice passou de 60,3% ao ano em julho para 61,7% em agosto.  


    Os atrasos também aumentaram quando o levantamento considerou todas as modalidades de crédito do sistema financeiro.


    Inadimplência cresce no sistema financeiro


    Entre as pessoas físicas, o índice chegou a 6% em agosto, alta de 0,2% ponto porcentual no mês. Entre as empresas, a taxa permaneceu em 3,3%. Considerando o conjunto das operações de crédito, a inadimplência passou de 4,9% em julho para 5% em agosto.   


    O saldo dos empréstimos destinados às famílias também aumentou. O volume chegou a R$ 4,7 trilhões em agosto, crescimento de 0,8% no mês e de 10,5% em 12 meses. 


    Segundo o Banco Central, os financiamentos de veículos, o cartão de crédito rotativo e os empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado puxaram o avanço no crédito livre. 


    Os dados mais recentes sobre o peso das dívidas no orçamento das famílias são de julho. Naquele mês, o endividamento alcançou 49,9% da renda disponível acumulada em 12 meses, alta de 0,2 ponto porcentual em relação a junho. A parcela da renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas permaneceu em 28,7%.


    Na sexta-feira 25, o governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil para renegociar dívidas antigas. O anúncio ocorreu depois do período considerado pelos dados de agosto do Banco Central. Por isso, os números divulgados nesta terça - feira ainda não mostram possíveis efeitos da medida.  


Fonte: BATALHA, Victória. Inadimplência das famílias chega a recorde de 8%

(https://revistaoeste.com/economia/inadimplencia-das-familias-chega-a-recorde-de-8/)

(Adaptado). 

Analise as afirmações abaixo sobre a tipologia e o gênero do texto I antes de julgar o que se pede.
I. O texto pertence ao gênero jornalístico Notícia e expõe uma pauta de relevância para o corpo coletivo, cumprindo, assim, sua função social.
II. O texto pertence à tipologia expositiva e faz uso de linguagem objetiva, impessoal e compatível com a sintaxe da norma-culta a fim de transmitir a mensagem com clareza.
III. A produção textual possui natureza essencialmente narrativo-descritiva, ao relatar acontecimentos remissivos a uma condição social das famílias brasileiras.
IV. O texto possui caráter injuntivo, na medida em que avalia uma condição econômica desfavorável das famílias brasileiras, o que provocou reação do setor governamental.
Pode-se afirmar que se encontra correto o que foi dito acima somente em:
Alternativas
Q4376201 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

Os anticorpos que atravessam a placenta: como vacina da mãe protege o bebê antes mesmo do parto.

Quando uma vida humana começa, ela depende inteiramente do corpo que a abriga.

Dali vêm oxigênio, alimento, a temperatura estável que a protege do mundo lá fora e os hormônios que regulam seu próprio ritmo de crescimento.

O corpo da mãe também filtra e descarta os resíduos que essa vida em formação ainda não sabe processar sozinha.

E chega também um outro tipo de proteção: um repertório de defesas que vai acompanhar esse bebê nos primeiros meses depois de nascer.

Todo bebê vem ao mundo carregando uma herança da história imunológica da própria mãe — os anticorpos que o corpo dela acumulou ao longo da vida, de infecções que teve, de vacinas que já tomou, atravessam a placenta e chegam a ele ainda dentro do útero.

É um processo que revela uma espécie de sabedoria do corpo ao se antecipar a riscos que ainda nem se apresentam diretamente.

Mas esse mecanismo também pode, e deve, ser direcionado: quando a mãe é vacinada durante a gestação, ela protege a si mesma e fabrica, sob encomenda, uma defesa específica contra ameaças que o bebê pode encontrar assim que nascer.

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos programas de imunização mais bem-sucedidos do mundo — bom o bastante para que gerações inteiras não soubessem mais o que é ver uma criança morrer de coqueluche.

Em 2024, o país foi lembrado do que acontece quando essa proteção falha: o coeficiente de incidência da doença saltou para o maior patamar da série histórica desde 1990, depois de anos em que a taxa havia despencado para praticamente zero.

Naquele ano, 29 bebês com menos de 1 ano morreram de coqueluche no Brasil — 24 deles eram filhos de mães que não haviam sido vacinadas, segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em entrevista à BBC News Brasil.

A explicação não tem um único culpado. A coqueluche é cíclica por natureza, e o último grande pico brasileiro, antes de 2024, foi em 2014.

A pandemia parece ter represado esse ciclo por um tempo, deixando uma população mais suscetível pela queda na cobertura vacinal desses anos. Parte do salto também reflete a ampliação de testes de PCR no país, que passou a detectar casos que antes passavam despercebidos.

A vacina mais recente do calendário das gestantes também tem potencial para evitar mortes. A bronquiolite grave, causada majoritariamente pelo vírus sincicial respiratório (VSR), matou 537 crianças com menos de 1 ano no Brasil em 2024 — um patamar que se manteve elevado mesmo depois do pico histórico registrado em 2023.

O SUS incorporou o imunizante contra o VSR em dezembro de 2025, antes disponível apenas na rede privada e chegando a custar até R$ 1.760.

A vacina passou a ser oferecida à gestante a partir da 28ª semana, buscando repetir contra a bronquiolite o mesmo mecanismo de proteção que já existe contra a coqueluche.

A adesão surpreendeu: segundo Kfouri, a cobertura já se aproxima de 85%, patamar que, segundo ele, tem inclusive ajudado a puxar para cima a cobertura de gripe e de coqueluche.

Durante a gestação, o corpo da mãe continua produzindo os mesmos tipos de anticorpo que sempre fabricou ao longo da vida — só que agora, parte deles vai diretamente para o feto.

Cada tipo tem uma função diferente. A imunoglobulina-M (IgM) é a resposta mais rápida: aparece assim que uma ameaça nova surge, mas é grande demais para passar pela placenta, então o bebê acaba não a recebendo.

A imunoglobulina-G (IgG) é mais experiente — menor e mais precisa, é o anticorpo que o corpo continua fabricando depois de já ter aprendido a reconhecer um inimigo específico, seja de uma infecção antiga, seja de uma vacina. Por ser pequena o bastante, é a única capaz de atravessar a placenta e chegar ao bebê.

"A placenta é como se fosse um filtro, com um microfuro em que as partículas menores têm mais facilidade de passar do que as maiores", explica a ginecologista e obstetra Karina Belickas, do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Esse filtro, porém, não deixa passar por acaso: ele reconhece especificamente a IgG e a carrega de propósito para o lado do bebê.

Quem faz esse trabalho é um receptor chamado FcRn — uma espécie de porteiro molecular — instalado numa camada finíssima de células que reveste a placenta por dentro, funcionando como uma fronteira ativa entre o sangue da mãe e o sangue fetal.

Esse mecanismo, explica Maria Carolina Pessoa Valença Rygaard, ginecologista e obstetra e membro da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo, é ativo e seletivo: o receptor reconhece uma parte específica do anticorpo e libera a passagem até a circulação do bebê.

Há ainda uma última proteção: a IgA, que age como um guarda posicionado nas portas de entrada do corpo — boca, intestino, vias respiratórias. Ela também não passa pela placenta, mas chega ao bebê só depois do parto, pelo leite materno, protegendo essas mesmas entradas diretamente.

COMO vacina da mãe protege o bebê antes mesmo do parto. BBC News Brasil, 14 set. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpq05983yv5o. Acesso em: 17 set. 2026. (Adaptado)

O texto apresenta informações sobre a transferência de anticorpos maternos para o feto, explica diferenças entre as imunoglobulinas e emprega comparações para tornar conceitos científicos mais compreensíveis ao leitor. Considerando sua organização e sua finalidade comunicativa, analise as proposições a seguir.
I. Quanto à tipologia textual, predomina a sequência expositiva, uma vez que o texto apresenta e explica informações relacionadas à imunidade materna e à transferência de anticorpos, embora também recorra a outras formas de organização discursiva.
II. O caráter predominantemente expositivo do texto impede a presença de sequências descritivas, uma vez que a descrição é incompatível com textos destinados à divulgação de informações científicas.
III. Quanto ao gênero textual, o texto se aproxima da divulgação científica, pois apresenta conhecimentos científicos a um público não necessariamente especializado, recorrendo a explicações e analogias para facilitar a compreensão do conteúdo.
IV. A predominância da exposição não impede que o texto apresente recursos próprios de outros tipos textuais, como a descrição, especialmente quando caracteriza o funcionamento ou as propriedades dos elementos envolvidos.
Assinale a alternativa que apresenta as proposições CORRETAS.
Alternativas
Q4376102 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder à questão relacionada a ele.



Por que pode ser tão difícil escolher a profissão?


Rodrigo Tavares Mendonça


    O jovem que está saindo do ensino médio pode ser pressionado a fazer uma escolha difícil: “Qual profissão eu quero para mim?”. Eu falo “pode” porque infelizmente essa não é a realidade de todos os jovens, especialmente os brasileiros. Nas classes mais baixas, a escolha profissional pode ser feita mais pelas poucas oportunidades que aparecem do que por uma escolha pensada. Contudo, felizmente a possibilidade de uma escolha pensada é uma realidade para muitos jovens. E, para escolher, é preciso ter liberdade, e a liberdade acompanhada de incerteza pode causar muita angústia.  


    Escolher uma profissão pode significar escolher o que fazer como atividade laboral pelo resto da vida, e existe uma pressão social para que essa escolha aconteça na adolescência. Não parece uma exigência excessiva para pessoas ainda imaturas? Minha resposta é simples: não. Espera-se que adolescentes saudáveis tenham maturidade suficiente para escolher uma profissão. Entretanto, pensamentos inadequados podem dificultar essa escolha. 


    Eu trabalho com orientação profissional e recebo na clínica jovens angustiados por não conseguirem tomar uma decisão. Neste artigo, quero explicar como um pensamento inadequado em específico pode dificultar a escolha, especialmente quando a ansiedade aparece. Na clínica, uma vez recebi um jovem buscando encontrar a profissão perfeita para o seu perfil psicológico, a sua personalidade. Ele buscava uma profissão que se encaixasse perfeitamente nos seus interesses, habilidades e valores. Em outras palavras, ele queria encontrar a sua vocação. 


    No início do seu desenvolvimento, a orientação profissional era denominada orientação vocacional. Os psicólogos buscavam o mesmo que o meu orientando: a profissão perfeita para a personalidade da pessoa. Apesar de a antiga nomenclatura ainda existir, a mudança aconteceu porque entendemos atualmente que não existe uma vocação. Vocação significa chamado, seja divino, seja da própria natureza da pessoa. Acreditava-se que existia um chamado para uma profissão específica. Assim, a orientação vocacional buscava descobrir esse chamado. Os profissionais que ainda utilizam a antiga nomenclatura oferecem um novo significado para ela, mais pragmático: um conjunto de interesses e habilidades que podem ser adequados para o exercício de uma profissão. 


    Profissões nascem e morrem, elas existem para cumprir uma exigência da sociedade em um contexto histórico. Esse é um dos motivos pelo qual não existe uma vocação. O que existe são profissões que podem estar mais ou menos adequadas aos interesses, habilidades e valores de uma pessoa. Além desse novo entendimento, faz-se necessário compreender a busca por uma vocação. Para pessoas ansiosas, por exemplo, buscar a vocação pode ser uma forma de evitar a realidade (e a ansiedade), pois a descoberta de um chamado elimina a necessidade de escolher, como se a escolha já tivesse sido feita. Pessoas ansiosas sofrem por precisar escolher, duvidam de si mesmas constantemente. Assim, encontrar uma vocação seria uma solução perfeita. Todavia, uma solução impossível.


    A busca por encontrar a profissão perfeita ou a vocação, contudo, existe não apenas por causa da ansiedade e do medo de escolher, a crença na existência da perfeição, em um nível abstrato, pode impulsionar essa busca. O desejo obsessivo pela perfeição pode levar a pessoa a querer um amigo perfeito, uma esposa perfeita, uma profissão perfeita. A pessoa pode acreditar que existe uma profissão perfeita para ela, que ela precisa apenas encontrá-la. Esse era o caso do orientando citado acima. 


    A consequência negativa dessa crença para a escolha profissional acontecia porque esse encaixe perfeito entre ele e a profissão simplesmente não é possível. Ele acreditava que se realmente amasse a profissão ele trabalharia sempre com prazer e seria suficientemente habilidoso. Acontece que mesmo amando uma profissão você pode não gostar de uns aspectos dela, da obrigação de exercê-la todos os dias ou não ser bom em todas as suas áreas. Existem aspectos negativos e positivos em quase tudo o que fazemos. Por isso precisamos escolher com base tanto no coração quanto na razão, buscando fazer o que gostamos, porém observando os seus custos e benefícios. 


    Entender que o encaixe perfeito entre uma profissão e uma personalidade não existe é um passo importante para fazer a escolha com menos medo de errar. Como explicado anteriormente, o que existe são profissões mais ou menos adequadas aos nossos interesses, habilidades e valores. Sendo assim, muitas profissões podem se mostrar adequadas ao nosso perfil psicológico. Não existe a possibilidade de eliminarmos a necessidade de escolher. E escolher significa sermos responsáveis pela escolha que fazemos e, também, pelo que deixamos para trás.


(Disponível em: https://nace.com.br/por-que-pode-ser-tao-dificil-escolher-a-profissao-02-2022/Acesso em: 08 set. 2026) 

O artigo de opinião “Por que pode ser tão difícil escolher a profissão?” é também classificado como um texto argumentativo. Textos argumentativos são: 
Alternativas
Q4375068 Português

Leia o texto a seguir:


Golpe do Falso Advogado:

Como se proteger e o que fazer se for vítima



O golpe do falso advogado tem se tornado cada vez mais comum no Brasil, prejudicando tanto clientes quanto profissionais da advocacia. Os criminosos se passam por advogados ou funcionários de escritórios para solicitar pagamentos indevidos, muitas vezes utilizando dados reais das vítimas e técnicas de persuasão sofisticadas. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) alerta para os principais sinais desse golpe e orienta sobre como se proteger.


Dicas para clientes: como evitar cair no golpe



• Desconfie de contatos pedindo dinheiro.


• Verifique a identidade do advogado.


• Não forneça dados bancários ou senhas.


• Cuidado com mensagens urgentes.


• Denuncie e bloqueie o contato.



https://www.policiacivil.pr.gov.br/Pagina/Golpe-falso-advogado. Acesso em 15.8.26. (Adaptado).



Os modos de organização discursiva correspondem às diferentes formas de estruturar um texto de acordo com sua finalidade comunicativa, podendo coexistir em uma mesma produção.


A organização do texto combina diferentes modos discursivos porque 

Alternativas
Q4374358 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

'El Niño de proporções gigantescas': o alerta da ONU para fenômeno que põe planeta em 'águas desconhecidas'.

O mundo entrou em uma “zona de perigo de eventos climáticos extremos” à medida que os efeitos do El Niño começam a ser sentidos globalmente, alertou António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU, divulgou os dados mais recentes sobre o fenômeno natural indicando que este El Niño pode ser o mais forte em mais de 70 anos e durar pelo menos até fevereiro de 2027.

O El Niño altera os padrões climáticos em diferentes partes do mundo, provocando secas em algumas regiões e tufões mais intensos e enchentes em outras. São esperadas, por exemplo, chuvas acima da média em partes do leste da África, do sul do Brasil e do sul dos Estados Unidos, aumentando o risco de enchentes.

Meteorologistas também afirmam que o El Niño elevará as temperaturas em alguns lugares, somando-se ao aumento da temperatura global provocado pelas mudanças climáticas causadas pela atividade humana.

“O El Niño está ganhando proporções gigantescas diante dos nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está entrando em águas desconhecidas, e essas águas estão ficando mais quentes”, disse Guterres, da ONU.

A BBC conversou com governos e cientistas sobre as medidas adotadas em diferentes partes do mundo para reduzir o risco de mortes, deslocamentos de populações e danos ambientais. Sistemas de alerta precoce foram reforçados, assim como o envio preventivo de assistência médica, mas a intensidade deste episódio preocupa especialmente devido aos riscos para grupos mais vulneráveis.

A OMM, agência da ONU, afirmou ter realizado uma “grande mobilização” para fazer com que suas previsões sobre possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño cheguem ao maior número possível de comunidades.

“O El Niño tem potencial para causar um enorme impacto em comunidades e economias de todo o mundo”, alertou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM. O El Niño é um fenômeno natural que se desenvolve no oceano Pacífico e está associado a uma mudança nos padrões dos ventos. Essa alteração permite que águas quentes avancem para leste e liberem calor na atmosfera.

A temperatura do mar nas regiões central e leste do Pacífico tropical subiu acentuadamente nos últimos meses — um sinal claro de que o El Niño está se intensificando.

Na principal região do Pacífico usada para acompanhar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar ficou mais de 2°C acima da média nas últimas semanas, nível que já colocaria este episódio na categoria de “muito forte”.

E a expectativa é que ultrapasse até mesmo esse patamar. As previsões indicam que, na média mensal, a temperatura da superfície do mar pode chegar perto de 4°C acima da média.

Isso faria deste o El Niño mais forte desde pelo menos 1950 — e possivelmente com grande folga em relação aos anteriores.

Abaixo da superfície do Pacífico, as temperaturas são ainda mais excepcionais: em alguns locais, estão mais de 8°C acima da média.

Temperaturas do mar acima do normal também são esperadas em outras partes do mundo, entre elas o oceano Índico, o Atlântico tropical e regiões próximas à costa da Austrália.

Por causa da rica vida marinha da Austrália, as alterações na temperatura dos oceanos são motivo de especial preocupação no país.

Nos últimos anos, a Austrália tem sido atingida por ondas de calor marinhas, impulsionadas pelas mudanças climáticas.

O El Niño é um fenômeno natural, mas tende a provocar o tipo de calor extremo que também contribui para esses desastres, disse à BBC Alistair Hobday, pesquisador-chefe da agência científica da Austrália.

Neste ano, as previsões de ondas de calor marinhas indicam que a Grande Barreira de Corais será poupada das condições mais severas, dando aos corais mais tempo para se recuperar.

"[Mas] o sul da Austrália vem sofrendo impactos severos”, disse Hobday.

Na última vez em que uma onda de calor marinha atingiu o sul da Austrália e a Tasmânia, pinguins ficaram sem alimento, houve mortandade de peixes, proliferação de algas que reduziu os níveis de oxigênio na água e aumento na presença de águas-vivas.

A Austrália adotou recentemente sistemas de alerta antecipado para eventos extremos no mar. Com isso, é possível, por exemplo, organizar apoio financeiro ao setor pesqueiro, transferir espécies essenciais para áreas mais seguras e reforçar o monitoramento dos corais.

Mas este episódio caminha para ser sem precedentes — e Hobday admite estar bastante preocupado.

STALLARD, Esme; POYNTING, Mark; DALE, Becky. 'El Niño de proporções gigantescas': o alerta da ONU para o fenômeno que põe planeta em 'águas desconhecidas'. BBC News Brasil, 3 set. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm2q5nl0pg3o. Acesso em: 17 set. 2026.

Considerando as características composicionais do texto que trata do alerta da ONU sobre o fenômeno El Niño de 2023-2024, classificado como possivelmente o mais forte em mais de 70 anos, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4371764 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão



Ética e inclusão: Atender com respeito às singularidades



Respeitar singularidades não é um favor; é um dever ético. A escuta com atenção, o olhar cuidadoso ao outro e a recusa a qualquer forma de discriminação são a base de um serviço público verdadeiramente ético e inclusivo.



Você já parou para pensar no que significa, de fato, atender o outro com respeito? Não se trata apenas de um bom dia educado ou de seguir um roteiro. Trata-se de enxergar a pessoa à nossa frente, seja ela um cidadão que busca um serviço, um colega de trabalho ou uma pessoa que trabalha conosco, em sua totalidade, com suas vivências, limitações e qualidades.



A ética pública nos convida a ir além da impessoalidade correta. Ela nos chama à escuta com atenção: aquela que não interrompe, não julga antes da hora e não impõe soluções padronizadas. O trabalho com pessoas, praticado todos os dias por todo servidor público, exige respeito à individualidade, ao ritmo, ao jeito de cada um, exige ajustes às necessidades e limitações.



Quantas vezes, no atendimento ao público, chamamos uma demanda de "difícil" apenas porque fugia do roteiro? Quantas vezes, na relação entre servidores, colocamos a hierarquia acima do respeito, a ponto de silenciar o outro? E nas Comissões de Ética, quantas diferenças podem passar despercebidas se não houver um olhar atento e sensível às diferentes realidades, de gênero, raça, deficiência, neurodiversidade, crença ou situação familiar? A honestidade, a cortesia, a boa-fé e a eficiência só se realizam plenamente quando somamos a inclusão como valor presente em tudo. Isso significa adaptar a linguagem, oferecer tempo e espaço para que o outro se expresse, e evitar atitudes de superioridade ou discriminatórias — ainda que sem querer.



Para as Comissões de Ética, esse cuidado é ainda mais importante. Suas funções exigem uma postura respeitosa e justa, mas também sensibilidade para compreender o contexto de quem fala. Um servidor com deficiência auditiva pode não responder a um comando falado de imediato; uma pessoa em situação de rua pode ter dificuldade de se expressar de forma mais formal; um colega autista pode entender instruções de forma literal. Acolher essas diferenças não é "dar tratamento privilegiado", é garantir a igualdade de tratamento naquilo que é essencial, respeitando o que é particular de cada um.



Para as autoridades mais altas, o chamado é ainda mais forte, é obrigatório: a hierarquia não dispensa o respeito. Pelo contrário, exige ainda mais responsabilidade na forma de cobrar resultados, de ouvir opiniões contrárias e de reconhecer os próprios erros de julgamento. Um gestor que não respeita as diferenças de sua equipe gera medo, adoecimento e prejudica não só o ambiente de trabalho, mas a confiança na instituição.



Neste mês, fazemos um convite à reflexão.



Minhas atitudes, palavras e decisões demonstram escuta ativa e respeito às diferenças?



Estou atento(a) a situações em que, mesmo sem intenção, padronizo expectativas e desconsidero as diferenças das pessoas?



Como posso contribuir para que o ambiente de trabalho e o atendimento ao público sejam espaços de acolhimento e igualdade? 



A ética pública não se resume ao cumprimento de leis e regras. Ela se vive na relação concreta com o outro, em como pedimos desculpas por um erro e como aprendemos com quem é diferente de nós. E a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender suas motivações, limitações e emoções, é ferramenta essencial para uma conduta verdadeiramente íntegra, ética e inclusiva. Sem empatia, o trato neutro vira frieza; a hierarquia, autoritarismo; a regra, obstáculo.



Cabe a nós reafirmar nosso compromisso permanente com a ética, a integridade e o respeito nas relações institucionais, reconhecendo que empatia não é fraqueza e inclusão não é excesso de tolerância, mas o reconhecimento "do outro" como parte legítima da relação. Que a escuta com atenção e o respeito às diferenças sejam nossa referência. Assim, o serviço público se fortalece, e o Brasil avança com ética para todos.

Com base nas características do gênero textual, na finalidade comunicativa e na linguagem utilizada no texto, assinale com (V) as afirmativas verdadeiras ou com (F) as falsas.

(__) O texto caracteriza-se como um artigo de caráter reflexivo, pois apresenta um tema de interesse público, desenvolve argumentos, dialoga com o leitor por meio de questionamentos e busca promover reflexão e mudança de atitude.
(__) Predomina no texto a tipologia narrativa, uma vez que os exemplos apresentados organizam-se em torno de uma sequência de acontecimentos vividos por personagens específicos.
(__) A presença de perguntas dirigidas ao leitor, associada ao emprego de verbos no imperativo e de expressões como 'fazemos um convite à reflexão', evidencia a intenção de envolver o interlocutor e estimular a autorreflexão.
(__) O texto pode ser classificado como uma norma administrativa, pois estabelece regras obrigatórias e sanções aplicáveis aos servidores públicos em caso de descumprimento.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência que preenche corretamente os itens acima.
Alternativas
Q4361995 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.


Texto 01


    Minha mãe recebeu flores todo dia 12 durante vinte e sete anos. Nunca soubemos quem mandava. As flores sempre chegavam pela manhã. Sempre eram girassóis. Sempre acompanhadas do mesmo cartão: “Espero que você esteja feliz.” Nada mais. Sem nome. Sem assinatura. Meu pai nunca pareceu se incomodar. Pelo contrário. Era ele quem colocava as flores no vaso da sala. Quando eu perguntava quem enviava, ele apenas sorria. – Algumas perguntas não precisam de resposta.

    Achei estranho a vida inteira. Principalmente porque o dia 12 não era aniversário dela. Nem data de casamento. Nem Dia das Mães. Não era nada que fizesse sentido. Então meu pai morreu. E, pela primeira vez em vinte e sete anos, o dia 12 chegou sem flores. Minha mãe passou o dia inteiro em silêncio. Naquela noite, encontrei-a sentada na varanda, segurando uma fotografia antiga. Ela chorava. Perguntei quem era o homem na foto. Ela demorou para responder. Depois disse: – Foi o meu primeiro amor.

    Descobri, naquela noite, uma história que ela nunca havia contado. Quando tinha dezoito anos, minha mãe namorava um rapaz chamado Miguel. Os dois planejavam se casar. Mas ele sofreu um acidente e morreu poucos meses antes do casamento. O dia 12 era a data em que eles deveriam ter subido ao altar. Fiquei em choque. Então fiz a pergunta óbvia: – Era ele quem mandava as flores? Minha mãe me olhou e chorou ainda mais. Depois balançou a cabeça. – Não. Era seu pai.

    Demorei alguns segundos para entender. Ela continuou: – Quando nos casamos, contei a ele sobre o Miguel. Contei também que o dia 12 era o único dia do ano em que eu sentia saudade de uma vida que nunca aconteceu.

    Meu pai não disse nada. No mês seguinte, apareceram os primeiros girassóis. Durante vinte e sete anos. Sem falhar uma única vez. Olhei novamente para a fotografia. Meu pai passou quase três décadas enviando flores à esposa em nome de outro homem.

    Não porque tivesse perdido uma disputa. Não porque quisesse ser comparado. Mas porque amava minha mãe o suficiente para respeitar até as saudades que ela trazia dentro dela. Hoje, quando alguém me pergunta o que é amor, eu nunca sei responder direito. Só lembro de um homem que, durante vinte e sete anos, escolheu não ter ciúmes de um fantasma. E de uma mulher que, todos os dias 12, recebia flores de dois amores ao mesmo tempo.


Disponível em: https://www.threads.com/@sophie_v.marrie/post/DacMrfFrFJ?xmt=AQG0EiTpNW3Ub2P88vAstJYVyTUMHElI8PDzMS5e6SIIEM_yUnJb9Npeh9M6MXXMpL7eGR4N&slof=1). Acesso em: 15 jul. 2026.

Assinale a alternativa que apresenta a tipologia textual predominante no texto.
Alternativas
Q4359881 Português

        O Brasil foi escolhido como ponto de partida na América Latina para o lançamento da campanha global #FaçaUmaEscolhaSegura, promovida pela ONU. Conforme o órgão, o objetivo é chamar atenção para a crise da violência no trânsito. A ação, liderada por Jean Todt, enviado especial do secretário-geral da ONU para a segurança viária, busca mobilizar governos, sociedade civil e setor privado em torno da meta de reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030.

        Com uma taxa de mortalidade de 15,7 por 100 mil habitantes, o Brasil está entre os países com piores índices nas Américas. Pedestres, ciclistas e motociclistas respondem por cerca de 60% das vítimas fatais. Portanto, a nova campanha chega em um momento de alerta. E ela se inaugura logo após a ONU renovar sua resolução sobre segurança viária durante conferência realizada entre os dias 18 e 20 de fevereiro de 2025, em Marrakech, no Marrocos. O lançamento da campanha no Brasil ocorreu em 27 de junho de 2025, em São Paulo.

        Segundo Todt, os acidentes de trânsito continuam sendo a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos de idade no mundo, e, conforme a Organização Pan-Americana de Saúde, apenas em 2021, mais de 145 mil pessoas morreram nas estradas das Américas, o que representa 12% do total global.

        Além disso, o custo social e econômico desses acidentes também é alto. De acordo com o Banco Mundial, eles representam até 6% do PIB em alguns países das Américas. A América Latina, uma das regiões mais urbanizadas do planeta, enfrenta desafios significativos em mobilidade urbana. Ainda que tenha havido uma queda de 9,37% nas mortes no trânsito na última década, esse ritmo não é suficiente para atingir as metas da ONU.

        Segundo os organizadores da campanha, as soluções para o problema já são conhecidas, como fiscalização mais rigorosa, investimento em educação, infraestrutura segura, transporte público de qualidade, ciclovias, passagens para pedestres e ações pós-acidente. Um relatório da Bloomberg Philanthropies estima que 25 mil vidas podem ser salvas até 2030 com a adoção de normas mínimas de segurança viária no Brasil, na Argentina, no México e no Chile.


Internet: <mobilidade.estadao.com.br> (com adaptações). 

Julgue o item que se segue, a respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente.


A progressão textual evidencia a finalidade informativa do texto, que se insere no gênero notícia; e a tipologia expositiva, predominante no texto, manifesta-se na apresentação de fatos, dados e possíveis soluções para o problema abordado.

Alternativas
Q4357903 Português
CONFIRA PÚBLICO E RENDA DE VITÓRIA X PALMEIRAS PELA 21ª RODADA DA SÉRIE A Nesta quarta-feira (29), o Vitória perdeu para o Palmeiras por 4 a 0, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A. Ao todo, 14.818 torcedores estiveram presentes no Barradão, proporcionando uma renda de R$ 416.546,00. O público rubro-negro foi formado por 12.538 associados do Sou Mais Vitória, 710 ingressos corporativos e 1.412 pagantes na bilheteria, totalizando 14.660 torcedores pagantes. Além disso, 158 crianças (não pagantes) acompanharam a partida, elevando o público presente para 14.818 pessoas.
https://www.bahianoticias.com.br/esportes/vitoria/31334-confira-publico-e-rendade-vitoria-x-palmeiras-pela-21a-rodada-da-serie-a
Ao analisar esse texto em uma turma dos Anos Finais do Ensino Fundamental, uma atividade adequada à compreensão do funcionamento do gênero notícia consistiria em orientar os estudantes a
Alternativas
Respostas
1: B
2: E
3: B
4: D
5: D
6: D
7: E
8: A
9: B
10: B
11: B
12: A
13: B
14: C
15: D
16: C
17: C
18: E
19: C
20: A