Questões de Concurso Sobre gêneros textuais em português

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Q3824436 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


Ordem na Casa


Você é uma pessoa boa. Do tipo que se esforça para agradar todo mundo, releva deslizes alheios, se culpa quando comete os próprios deslizes, elogia, consola, dá conselhos. Tem autocontrole e engole sapos. Como boa menina, aprendeu que não é legítimo sentir raiva e, de tanto reprimi-la, vive com a barriga estufada e o intestino preso.


Você não percebe, mas quem te comanda é um gigante, um Supergigante. Um tirano que te olha de cima, aponta o dedo, não aceita notas baixas.


Ele te faz de refém, te mantém em cativeiro, e você se submete a isso.


Permite que ele dê as cartas porque tem medo. Medo de ser excluída, ser alvo de críticas e de desamor.


Mas chega uma hora em que é preciso pôr ordem na casa. Pois, por trás de toda docilidade e condescendência, também existe uma fera.


Uma fera que não quer acatar as ordens do Gigante e deseja mostrar sua autenticidade, seus gostos, seus acertos e desacertos.


Uma fera que deseja revelar que não é perfeita, que não tem que provar nada a ninguém, que quer ser amada mesmo que fuja do combinado; que é capaz de falar alto, de impor limites, de se proteger.


A fera é seu lado mais irreverente, transgressor, autêntico. E, às vezes, você precisa escutá-la. Às vezes, tem que abrir a jaula e deixá-la sair.


Porque ninguém é de ferro.


E você tem que aprender a se aceitar.


A entender que a culpa te paralisa e não permite que você seja quem é. Simplesmente quem é.


Mas quem te faz se sentir culpada? Quem aponta o dedo para você?


Seus fantasmas, seu passado, sua educação rígida?


Ou você mesma? O Super que há em você?


Coloque ordem na casa.


Não seja a primeira a se esconder por trás de um véu de justificativas quando o que você quer é assumir que não sabe cozinhar, que se apavora quando tem que dirigir, que está cansada para ir à balada, estressada com as visitas em casa, que prefere recusar um convite “irrecusável”, que não dá para quebrar um galho para o seu irmão hoje, que não pode emprestar uma grana, que não consegue gostar do perfume que ganhou do namorado, que tem medo de expor um deslize do passado.


Nem tudo são imperfeições. E, se for, faz parte também.


Você também erra, também se atrasa, também se irrita, também tem vontade de mandar tudo para aquele lugar. E nem por isso será menos digna.


Nem por isso terá menos amor.


Só por isso será mais feliz. Só por isso será mais leve. Por dentro e por fora.


(Fabiola Simões — A Soma de Todos os Afetos)

reencha os parênteses com Verdadeiro (V) ou Falso (F) e assinale a alternativa correta.
A crônica é tecida em forma de conversa, em que o emissor, de forma didática, instrui o receptor ( ), que fica na postura de ouvinte ( ), sobre como este deve se posicionar, sendo uma pessoa isenta de falhas em relação à vida ( ), colocando ordem na casa-existência ( ) e livrando-se, assim, da somatização de patologias ( ).
Alternativas
Q3815436 Português
        Os impactos mais severos da mudança do clima serão sentidos no Brasil, que tem dimensões continentais e parte considerável do território localizada em região tropical, porque as áreas continentais aquecem mais que as oceânicas. A avaliação foi feita em 2023 pelo coordenador‑geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas. “Os impactos da mudança do clima que o Brasil vai sentir serão mais severos do que a média global”, afirmou durante palestra no Museu de Astronomia, no Rio de Janeiro.

        Conforme dados de observação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) dos últimos 60 anos, algumas regiões no Brasil já apresentam temperaturas máximas até 3 ºC acima das anteriormente medidas. Uma análise publicada pela World Weather Attribution, com participação de cientistas brasileiros, apontou que a mudança do clima influenciou a onda de calor que ocorreu no Brasil no fim de agosto e início de setembro de 2023. 

        Segundo o coordenador‑geral, as mais recentes projeções técnico‑científicas na área do clima reforçam com maior grau de confiabilidade o que estava posto desde os primeiros relatórios sobre a relação entre a ação humana e o aquecimento global e as probabilidades de ocorrência de eventos extremos. A tendência é de aumento na frequência e na intensidade de ondas de calor, precipitação em curtos períodos, entre outros extremos climáticos, conforme o cenário de aquecimento global. “Eventos que ocorriam a cada década passam a ocorrer três vezes por década. Em um cenário de aquecimento global de 4 ºC, por exemplo, os extremos podem passar a ocorrer anualmente”, explicou.

        Rojas salientou que a mudança do clima é um fato presente e, do ponto de vista científico, é um fenômeno decorrente da ação humana, ou seja, um efeito antropogênico. “Há relação linear entre a concentração de dióxido de carbono e o aquecimento global”, disse ao apresentar um gráfico da trajetória de emissões e aumento de temperatura.

        Os efeitos dessa ação, contudo, não se restringem aos países mais emissores. A atmosfera é única e os resultados do aumento da concentração de dióxido de carbono são vivenciados por todos. “As consequências serão sentidas por gerações que não necessariamente tiveram responsabilidade sobre as emissões”, analisou Rojas.

Internet:<www.gov.br/mcti>  (com adaptações).

Julgue o item a seguir, a respeito dos aspectos linguísticos do texto.


O período “Conforme dados de observação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) dos últimos 60 anos, algumas regiões no Brasil já apresentam temperaturas máximas até 3 ºC acima das anteriormente medidas.” está redigido de acordo com o padrão de uma ata formal, o que se confirma pelo recuo de parágrafo e pela utilização de algarismo arábico na indicação do número de anos dos dados observados pelo INPE, sendo, portanto, adequado para compor o documento de registro de uma reunião que envolva discussão a respeito das mudanças climáticas. 

Alternativas
Q3814751 Português
No trabalho com gêneros textuais nos Anos Iniciais, considera-se que os textos circulam socialmente em diferentes contextos de uso, com finalidades e interlocutores específicos. À luz dessa concepção, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4259896 Português

Choro não é birra: como lidar com o estresse das crianças sem violência


Jéssica Andrade


Na porta da escola, Luísa, de 7 anos, chorava e se agarrava aos pais. O nascimento do irmão, Arthur, havia mexido com seu mundo interno. Ela temia perder espaço no coração da família. Ao perceber a delicadeza da situação, os educadores criaram uma estratégia lúdica. Todos os dias, uma "fada" deixava uma carta com atividades especiais para a menina. O encantamento transformou lágrimas em alegria. A resistência em entrar virou entusiasmo. O que poderia ser visto como "birra" era, na verdade, frustração diante de uma mudança emocional intensa.


Para a psicóloga Márcia Tosin, autora do best-seller Criação Neurocompatível, esse exemplo ilustra o equívoco de reduzir episódios complexos da infância à palavra birra. "Quando chamamos o comportamento de birra, escondemos toda a complexidade do que está acontecendo. Essa palavra carrega um peso cultural: sugere que a criança faz de propósito para incomodar o adulto. Mas o que chamamos de birra é, na verdade, um colapso de autorregulação, um cérebro ainda imaturo tentando dar conta de emoções intensas", explica.


Márcia defende que mudar a palavra é mudar o olhar e, consequentemente, mudar a forma de educar. "O choro não é drama, a raiva não é manha, a tristeza não é frescura. Quando o adulto deslegitima emoções, exige da criança uma maturidade que ela ainda não pode ter. Ao nomear de outra forma, como crise emocional, dificuldade de autorregulação, explosão de sentimentos, abrimos espaço para enxergar a criança como sujeito em crescimento, não como um pequeno rebelde", afirma a psicóloga. Na avaliação dela, usar o termo birra está diretamente ligado ao adultocentrismo — a visão de que o adulto é o centro e não deve ser incomodado. "Essa postura impede empatia, compreensão e respostas educativas mais saudáveis."


A neurociência explica por que as crianças apresentam esse comportamento diante das frustrações. O córtex pré-frontal, responsável por regular impulsos, ainda está em desenvolvimento. Já a amígdala cerebral, que dispara reações de luta, fuga ou congelamento, age de forma imediata. "Respeitar é reconhecer que esses colapsos não são ataques intencionais. A criança não consegue se regular sozinha justamente por essa imaturidade. Ela precisa do adulto como corregulador. Quando encontra calma no outro, vai, pouco a pouco, construindo trilhas neurais de autorregulação", detalha Márcia.


A terapeuta ocupacional Pabline Cavalcante complementa que, além de episódios como o da Luísa, a frustração pode se manifestar de formas emocionais, motoras, sociais e sensoriais. "Na prática, vemos gritos, choros, mordidas, tapas, jogar objetos ou até paralisação. O primeiro passo, em qualquer ambiente, é garantir que a criança se sinta segura." Pabline explica que a criança também pode apresentar o comportamento por causa do excesso de estímulos sensoriais como barulho, luz ou toques que ultrapassam a capacidade de processamento do cérebro. Além disso, o que parece birra pode ser ainda uma necessidade básica não atendida, como sono, fome, higiene ou contato e conexão com o adulto cuidador.


Estratégias eficazes incluem compreensão dos pais, da família, da escola e da sociedade sobre o processo de desenvolvimento humano. Pabline também destaca a importância de ambientes que permitam à criança correr, pular ou dançar para se reorganizar, além de rotinas visuais que antecipam atividades cotidianas ou mudanças.


Para os pais, lidar com frustrações exige prática, paciência e muito autocontrole. A jornalista Luciane Improta, mãe da Olívia, de 2 anos, diz que o maior desafio é se manter calma diante do choro intenso. "Para nós, adultos, parece desproporcional. Mas, para a criança, é muito importante. Nosso esforço é justamente esse: estar calmos para conseguir acalmá-la, validar o sentimento e explicar com palavras o que está acontecendo para que a criança aprenda a identificar as emoções."


A vivência em ambiente escolar também ensina a família que não se trata de violência intencional. "A escola nos orientou que nem sempre é fazer o que a criança quer, é que reforçar o limite por meio das palavras ajuda até mesmo a criança a se sentir segura. Hoje, vemos mudanças: choros mais curtos, pausas para refletir e até o uso de palavras no lugar de gestos impulsivos."


Já a família de Luísa e Arthur viu a parceria da escola transformar um momento de insegurança em encantamento. "Sentimos que não estavam acolhendo só a criança, mas toda a família. Esse olhar individualizado fez com que a Luísa se sentisse vista, amada e respeitada, mesmo em meio ao turbilhão emocional que vivia em casa", afirma a mãe, Cristiane Teixeira.



Disponível em:

<https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2025/09/7239945-choro-nao-e-birra-como-lidarcom-o-estresse-das-criancas.html>

Considerando as suas características, o texto possui elementos característicos do gênero
Alternativas
Q4256050 Português

A questão refere-se ao texto.

Trauma para a vida toda

Cida Barbosa


Neste mundo cruel com crianças e adolescentes, o advento da internet ampliou as formas de agredi-los, de oprimi-los. E as plataformas digitais, sem nenhuma regulamentação, propiciam meios de turbinar essa perversidade. O terreno é fértil, especialmente para predadores sexuais.


Os criminosos estupram crianças — inclusive bebês — e adolescentes e filmam ou fotografam a violência para abastecer o mercado da pornografia infantil. Na imensa maioria dos casos, os molestadores são do núcleo familiar das vítimas: pais, mães, irmãos, tios, avós, primos. As redes sociais também são usadas para induzir meninos e meninas, geralmente com ameaças, a produzir conteúdos sexuais.


No Paraná, duas irmãs, de 14 e 16 anos, eram obrigadas pelo pai e pela madrasta de uma delas a produzir pelo menos 10 vídeos diários de conteúdo pornográfico. Os atos sexuais tinham de ser praticados entre as adolescentes e delas com outras pessoas. A polícia investiga se o material era comercializado em redes sociais.


É inimaginável o trauma causado às duas irmãs, os danos emocionais que as afligem e que, possivelmente, marcarão suas existências para sempre. Segundo a mãe das adolescentes, responsável pela denúncia, o que os criminosos fizeram "acabou com a vida delas". Assim como esse episódio tenebroso do Paraná, ocorre rotineiramente um sem-número de outros por todo o país.


É preciso ter em mente que cada foto, cada vídeo corresponde a uma criança ou um adolescente violentado. Os que produzem, oferecem, compartilham ou armazenam pornografia infantil cometem crime. Quem tem posse ou compartilha o material, ainda que não machuque as vítimas diretamente, contribui para que essa engrenagem nefasta continue a ser movimentada pelo sofrimento delas. 


Forças de segurança pública têm combatido a pornografia infantil — vemos operações serem deflagradas pelo país. E é missão hercúlea localizar os abusadores, porque eles usam todo tipo de artimanha no subterrâneo da internet para não serem rastreados. Mas está sendo feito. Em conjunto com o trabalho da polícia, porém, urge disciplinar as redes sociais. As plataformas digitais têm, sim, de se responsabilizar pelos conteúdos postados por usuários. Regular as mídias digitais é, também, proteger, sob vários aspectos, a infância.


Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br. [Acesso em: set. de 2025]. 

Considerando as suas características, o texto possui elementos característicos do gênero
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Q4208316 Português
A Grécia é azul!

(Roma, 12/08/2007 — 19h20) Um dos momentos mais difíceis quando escrevo para o blog é a escolha do título. Procuro palavras que sintetizem as minhas emoções e percepções. O título deve ser curto e conter o nome do país (ou da cidade em algumas situações). No caso da Grécia, estava em dúvida entre explorar a riqueza arqueológica ou explicitar a liberalidade nas praias.

Uma última revisão das fotos me chamou a atenção para a predominância da cor azul. Seja no céu, no mar, na decoração das inúmeras igrejas ou nas portas e janelas contrastantes com o branco das casas, o fato é que o azul aparece com destaque em mais de 80% das minhas fotos. A própria bandeira da Grécia, com faixas azuis e brancas, ajuda a comprovar a minha tese.

Comecei a viagem por Atenas, onde reencontrei a Mônica e a Carmen. Embora a cidade tenha milhares de anos de história, ela é moderna e não tem o mesmo charme de Istambul. As principais ruínas ficam no complexo de Acrópoles, incluindo o Partenon, construção imponente que ocupa o alto de uma colina há 2.500 anos. Gostei do bairro de Plaka, cujos bares, restaurantes e lojas ficam cheios de turistas.

A melhor forma para se conhecer as praias em Mikonos é de carro. A ilha é montanhosa, e as estradas sinuosas são uma diversão à parte para quem dirige. Em alguns pontos, só um carro consegue passar. A paisagem é árida, pedregosa. Pequenas igrejas brancas estão espalhadas pela ilha e contrastam com a paisagem seca. Praticamente todas as casas têm um curioso formato cúbico. Mais uma curva e... Somos presenteados com a visão panorâmica de uma nova praia. Também fizemos um passeio de meio período pelas ruínas e vistas panorâmicas da ilha de Delos.

A última ilha a ser visitada é Santorini. Esculpida por erupções vulcânicas e terremotos, ela tem o formato de uma lua crescente. O lado de dentro da lua fica no alto da cratera, dezenas de metros acima do mar, enquanto o lado de fora tem praias cobertas por pedras pretas de variados tamanhos.

Ficamos frustrados com as praias de Santorini, que não têm a beleza das que encontramos em Mikonos. Por outro lado, caminhar pela borda da cratera permite um panorama único, maravilhoso. E é claro, tomar vinho e ver o pôr do sol bem acompanhado não tem preço...

Fonte: Edu Feijó. Adaptado. 
Os textos, utilizados para realizar atos comunicativos em situações específicas, podem ser classificados em diferentes gêneros textuais. O gênero textual é a classificação do texto definida por seu conteúdo, função social e estilo. Assim, o texto “A Grécia é azul!” é um exemplo de:
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Q4180117 Português

Imagem associada para resolução da questão

A charge intitulada “Teoria da Involução” apresenta características próprias desse gênero textual, pois: 

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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português Espanhol |
Q4146693 Português
Um professor de Português apresentou para sua turma de 9º ano do Ensino Fundamental, como início de um conjunto de atividades, o cartaz do filme Narradores de Javé e as duas sinopses provenientes de fontes distintas com o propósito de desenvolver, de modo reflexivo, habilidades de leitura e de análise linguística na perspectiva dos multiletramentos em torno do gênero textual sinopse. Assinale a proposta didática que representa uma prática de ensino com abordagem alinhada ao trabalho com gêneros textuais, conforme consta na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Geografia |
Q4146022 Português
Considerando a charge como um gênero textual crítico, ilustrativo e humorístico, articulando com as recomendações teórico-metodológicas presentes no texto, um professor planejou uma aula para tratar sobre desigualdade na distribuição de renda. Após as discussões, qual charge os estudantes indicaram como representativa do tema?
Alternativas
Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português |
Q4145180 Português
Quais os impactos do Novo Ensino Médio para
estudantes e professores da rede pública de ensino?


Olá, eu sou apresentador do Arco 43 podcast, e vim aqui responder ao X da questão de hoje.

Aprovado pela Lei n. 13.415 de 2017, o Novo Ensino Médio, né, traz uma mudança de foco. Essa parte da vida estudantil era vista como uma preparação para o Ensino Superior, mas agora ela tem como objetivo a preparação para o mercado de trabalho. Essa etapa será, inclusive, integrada a cursos técnicos que possibilitam ao estudante sair com o diploma de uma área específica e aí adentrar o universo profissional.

Dado esse importante contexto, o que iremos debater aqui é como o Novo Ensino Médio afeta, na prática, as escolas da rede pública. De acordo com a matriz curricular, né, ao menos em tese, os estudantes da rede pública poderiam optar por realizar o aprofundamento curricular em oito áreas: cidadania e relações interpessoais; empreendedorismo; expressão corporal; expressões culturais; sustentabilidade; saúde; educação financeira e tecnologia. Na prática, né, você vai ver que nas 264 escolas-piloto, em que o Novo Ensino Médio começou a ser implantado em 2020, cada instituição oferece duas opções de aprofundamento para os estudantes.

Aí, quando a reforma foi proposta, criou-se uma ideia de que o estudante poderia, de fato, escolher o que iria cursar a partir de seus interesses. Poderia, por exemplo, cursar “design de games”. Mas essa realidade está longe de se manifestar na rede pública estadual, em que a oferta de disciplinas é voltada basicamente para uma proposta de empreendedorismo.


Esse foi o X da questão! As pílulas quinzenais do Arco 43 podcast.
Disponível em: https://open.spotify.com.
Acesso em: 21 jun. 2025 (adaptado).
Com base na transcrição do podcast, pode-se afirmar que as características e o funcionamento desse gênero nas práticas sociais manifestam-se de que modo?
Alternativas
Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português |
Q4145149 Português
A tira constitui-se como um gênero textual que, em contextos diversos, circula amplamente em meios impressos e digitais. Ao considerar o funcionamento social desse gênero e as características da tira da Mafalda, compreende-se que
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português |
Q4145142 Português
Imagem associada para resolução da questão
Considerando as condições de produção, circulação e recepção desse texto, infere-se que essa postagem 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português |
Q4145140 Português
TEXTO 1


Lançamento de Liberdade de Maria Crioula, passada por sua Senhora Dona Jacinta Maria de Alvarenga


Saibaó quantos este publico instrumento de lançamento de Liberdade viren que no Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil seteCentos e noventa e Cinco, aos desaseis dias do mez de Setembro do dito anno, nesta Villa Real de Nossa Senhora da Conceiçaó do Sabara, tractey com a Crioula Maria conferir lhe Liberdade pella quantia de trezentos e vinte mil reis e Como me fez entrega della lhe dou por esta inteira Liberdade como se fosse ingenua com a Condiçaó de que ser(á) obrigada a Criar pello tempo de dous annos a filha que tem de peito sem que posa pedir pella criaçaó pagamento algum e naó sahirá desta Villa para fora durante o dito tempo e sahindo ficara de nenhun efeito a Liberdade e poderey chamala a Captiveiro, e por verdade mandey passar este en que me asigney.


IBRAM. Sabará (MG). LN(CPON) 34(81). Carta de liberdade de Maria Crioula, 1795, f. 93 (adaptado).


TEXTO 2


REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Comarca de Sabará – Estado de Minas Gerais



Cartório do 3º Ofício
Tabeliã: Joana da Silva
Escrevente: José da Silva

Livro n. 033 Folhas 209
Escritura Pública de Compra e Venda


Saibam quantos esta pública escritura virem, que no dia 16 (dezesseis) do mês de setembro: ano 1.996 (mil novecentos e noventa e seis), nesta cidade e Comarca de Sabará, Estado de Minas Gerais, neste cartório, no Fórum, perante mim Tabeliã, compareceram partes entre si justas e contratadas, a saber como OUTORGANTE VENDEDOR JOÃO DA SILVA, CPF 000.000.000- 00 e de outro lado como OUTORGADA COMPRADORA MARIA DA COSTA, CPF 111.111.111-11, SOLTEIRA, PORTADORA DA CARTEIRA DE IDENTIDADE M-0.000.000, RESIDENTE E DOMICILIADA NA RUA DO AMOR, No 240, NESTE MUNICÍPIO DE SABARÁ; que assim se identificaram do que dou fé. E pelo outorgante me foi dito que a justo título é senhor e legítimo possuidor do imóvel constituído pela casa na rua do Amor, n. 240, neste município de Sabará.


SABARÁ (MG). Cartório do 3º Ofício. Escritura de compra e venda de imóvel. Reg. set. 1996 (adaptado).
Os textos 1 e 2 são documentos que apresentam 
Alternativas
Q4135627 Português
Montanha


Rachel de Queiroz


Há homens do mar e homens do rio, homens da terra plana e homens da montanha, tão diversos uns dos outros como se fossem de raças diferentes. Nativa da praia e da catinga, confesso que, por mim, tenho medo de montanha. Tão altas, tão brutas, com suas rampas de pedra inacessíveis, e até a beleza dos vales lá embaixo é rodeada pela traição dos despenhadeiros.

Não é a cidade, nem as fábricas, nem nenhuma das formas do progresso mecânico que mais me demonstram o atrevimento do homem; é a montanha. Está um homenzinho cá embaixo, na planície, munido apenas das suas duas pernas, e lá em cima vê torrear os monstros, ásperos e verdes, vê os precipícios temerosos, vê azular de encontro às nuvens os picos altíssimos. Pois se vai ele, abandonando a sua planura e a sua segurança, abrindo trilha no flanco do gigante, e escala as serras, e escolhe local de pouso e moradia, e desvenda os mistérios de entre os montes, e aceita como destino e meio de vida o eterno sobe e desce de ladeiras, e faz dos precipícios o seu cotidiano. E vive feliz, e atrai outros atrevidos para o seu lado – e quando se vê está constituído todo um povo de montanheses – fato, afinal, tão admirável quanto se de nossa espécie se constituísse de repente um povo de anfíbios...

Vê-se, pois, que foi exagero euclidiano dizer que o sertanejo é que é antes de tudo um forte. Qual, o sertanejo é principalmente um sofredor. É o fatalista, que recebe como lhe caem por cima as pragas e as poucas bênçãos do destino; enquanto o montanhês é o agressivo, o domador da fera. O sertanejo foi se chegando aos poucos – cada dia, cada ano, caminhava mais uma légua, seguindo no rastro do boi; enquanto o candidato a montanhês teve necessariamente o seu momento de decisão, na hora em que se resolve a enfrentar o salto que o levará cá de baixo às altitudes da serra, e, através da trilha difícil que ele mesmo tem que construir, marcar o seu lugar numa riba de cordilheira, nele se empoleirar e de lá olhar o mundo como um vitorioso.

Isto não é um apólogo. Será quando muito um débil aviso de perigo. Durante anos e anos tivemos o domínio dos homens do planalto e não se deve confundir planalto com montanha; os do planalto só têm da montanha as vantagens, que é a altitude sem a aspereza de picos e morros. O planalto faz trabalhadores e aristocratas, não forja guerrilheiros. Depois subiram os do pampa, a planície por definição. Ficaram também muito tempo – tanto tempo que tem sido difícil desalojá-los, e para os contentar ainda foi preciso entregar-lhes um bom quinhão dos despojos.

(...)


Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9252/montanha. Acesso em: 28 de out. 2025.
Em relação ao seu tipo e gênero, o texto “Montanha” se enquadra como 
Alternativas
Q4113290 Português
TEXTO I


Inteligência artificial vai substituir sua mãe

Marcos Nogueira


Minha mãe tinha um caderninho de receitas, talvez mais de um.

Seu caderno de receitas, como o da maioria das mães daquele tempo, era uma mistureba de anotações e recortes de impressos que vinham de revistas e embalagens de alimentos.

Ele sumiu, foi perdido. Talvez esteja no meio das tralhas na casa da velha, talvez tenha sido emprestado e nunca devolvido.

Como a mãe está inacessível, presa em sua cabeça com Alzheimer avançado, disponho apenas de meus próprios recursos quando quero reproduzir uma receita dela.

Deixo‑me guiar pela memória sensorial e por aquilo que observei na cozinha da dona Ana Bertoni. Então preencho as lacunas com minha experiência e meus gostos.

Sou um cara das antigas. Não deve demorar muito até que a inteligência artificial substitua as receitas familiares.

Ninguém mais tem caderno de receitas, nem as mães. Aliado a isso, ninguém anota nada à mão. Quase ninguém recorre à mídia física quando quer cozinhar algo diferente. Eu tenho dezenas de livros de culinária que raramente são tocados. É muito mais prático buscar informação on‑line.

Com o inevitável avanço da IA, essas buscas serão cada vez mais direcionadas a robôs que pretensamente entregam um resultado mais personalizado.

Estive recentemente num congresso em Madri que tinha como uma das principais discussões a aplicação da inteligência artificial na gastronomia.

Numa das palestras, foi apresentado um troço (programa? aplicativo?) destinado a criar cardápios para restaurantes que trabalham com menu fixo no almoço. Você alimenta a coisa com parâmetros como estilo culinário, custo e número de serviços.

Aí a parada sugere, para a segunda‑feira, salada de batatas, frango com legumes, creme de papaia. Para a terça, salada de legumes, papaia com batatas, creme de frango. E assim por diante. A inovação dispensa a necessidade de um chef. Ela prescinde de criatividade.

Inteligência artificial não cria nada, só recicla conhecimento gerado por humanos. Por isso as mães são muito melhores.


FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cozinha

Bruta, 9 maio 2025, p. C 16 (adaptado).
Analise as afirmativas a seguir, relativas ao texto I, considerando a tipologia, o gênero textual e os aspectos linguísticos.

I. O autor usa uma lembrança pessoal para refletir, de forma crítica, sobre como a tecnologia vem tomando o lugar de experiências humanas.
II. O texto é uma reportagem informativa, com linguagem neutra, que apresenta soluções para o fim dos cadernos de receitas.
III. O texto é uma crônica, escrita em tom coloquial e opinativo, com ironia e subjetividade, discutindo os efeitos da tecnologia no dia a dia.
IV. O texto é uma narrativa de ficção, com personagens inventados, criada apenas para divertir o leitor.

Estão corretas as afirmativas 
Alternativas
Q4111932 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Entrevista de emprego


Os ponteiros marcavam três e quinze. José Neto encarava a maçaneta à sua frente. Sentado numa poltrona estofada, balançava a perna; o suor lustrava-lhe a testa. Ajeitou-se na poltrona, sentindo o couro colar-lhe à pele. A sala parecia encolher enquanto sua ansiedade crescia.

Contornou o batente de madeira com o olhar e voltou à maçaneta imóvel. Deixou a pasta ao lado: dentro dela, o currículo que poderia decidir seus próximos meses e anos. Criava, por instantes, cenários de melhora de vida, mas a maçaneta seguia imóvel.

Mudou de posição várias vezes, tenso. Ajustou a camisa, ergueu o cinto e tentou respirar alguma confiança. Encarou novamente a maçaneta, certo de que abriria logo. Suspirou.

Então, a porta abriu. Dois homens saíram sorridentes, apertando mãos com a segurança de quem sabe o que diz. Um deles consultou o relógio, virou-se para o próximo candidato e disse: "Opa, João Neto? Então, aquele homem que acabou de sair nos agradou muito. Nada contra você... Boa sorte da próxima vez." Fechou a porta.

José Neto sentou-se de volta na poltrona, buscando conforto no estofamento de couro — desta vez, sem pressa de levantar.

Texto Adaptado

GONZAGA, Túlio. Entrevista de emprego. In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 512/1378/5380 . Acesso em: 16 nov. 2025.
O conto "Entrevista de emprego", de Túlio Gonzaga, apresenta uma estrutura marcada por progressão temporal e foco psicológico. Com base na classificação dos gêneros e tipos textuais segundo a tradição linguística e normativa, assinale a alternativa correta quanto à tipologia predominante e ao gênero textual do fragmento.
Alternativas
Q4108518 Português

Texto 1


Escola de Parobé (RS) engaja comunidade na educação ambiental

 

Um corredor verde junto ao muro da escola foi a proposta eleita para representar a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Idalino Pedro da Silva, localizada em Parobé (RS), nas atividades da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA). Concebida por uma turma de estudantes da escola, a faixa de grama foi pensada para aumentar a permeabilidade do solo e a infiltração da água, diminuindo alagamentos e facilitando o acesso à instituição de ensino. A presença de árvores nativas no local também contribuiria para melhorar questões térmicas dentro das salas de aulas.

A elaboração desses problemas e de uma solução ambiental para eles foi possível devido à participação da escola na etapa Conferência na Escola, da VI CNIJMA. Até o dia 30 de junho, 61.806 escolas públicas e particulares de todo o país podem participar da etapa de conferência. A única exigência é ter ao menos uma turma dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano). No Brasil, esse universo de escolas tem potencial para mobilizar mais de 775 mil professores e nove milhões de estudantes. Em 2025, o tema da CNIJMA é “Vamos transformar o Brasil com educação e justiça climática”.

 

Adaptado de: https://www.gov.br/mec/ptbr/assuntos/noticias/2025/maio/escola-de-parobe-rs-engajacomunidade-na-educacao-ambiental. Acesso em: 10 ago. 2025.

É correto afirmar que o Texto 1 pertence ao gênero textual notícia, pois tem como principal finalidade
Alternativas
Q4104856 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão

TEXTO I
Menos é mais?

Alessandra Aragão

Essa corrida constante nos torna, de fato, mais felizes? O que realmente ganhamos ao acumular tanto?

Vivemos em um mundo de excessos. Gavetas abarrotadas, agendas lotadas, mentes sobrecarregadas de informações. A todo momento, buscamos mais: mais sucesso, mais reconhecimento, mais coisas. Mas essa corrida constante nos torna, de fato, mais felizes? O que realmente ganhamos ao acumular tanto?

O minimalismo propõe um olhar diferente: menos pode ser mais. Não se trata apenas de reduzir posses, mas de reavaliar o que realmente importa. Como disse Henry David Thoreau, “nossa vida é desperdiçada em detalhes... simplifique, simplifique”.

Pesquisas apontam que o acúmulo excessivo impacta diretamente nosso bem‑estar. Um estudo conduzido pelo Centro de Vidas Cotidianas de Famílias (CELF), da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), acompanhou famílias americanas para entender como o ambiente doméstico influencia o bem‑estar. Os resultados mostraram que casas desorganizadas estão associadas a altos níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Quanto mais acumulamos, maior tende a ser nossa ansiedade. O que sua casa diz sobre você? Seu ambiente traz paz ou sobrecarga? Mas essa sobrecarga não se limita ao material.

O neurocientista Daniel Levitin, autor de “A mente organizada”, explica que o excesso de informação drena nossa capacidade de concentração e decisão. Quando tudo exige nossa atenção, perdemos a clareza sobre o que é essencial. Como você tem usado sua atenção? O que merece prioridade em sua vida?

Talvez seja hora de uma pausa para reflexão. Você possui as coisas ou as coisas possuem você? O que há em excesso na sua vida que rouba sua paz? O essencial não se encontra no acúmulo, mas na escolha. Se você tivesse que reduzir sua vida ao que realmente importa, o que permaneceria?

Minimalismo não é escassez, mas intenção. Na prática, significa fazer escolhas mais conscientes: manter apenas o que agrega valor — sejam objetos, compromissos ou relações; priorizar experiências significativas em vez de bens materiais; criar espaços físicos e mentais mais leves, eliminando excessos que geram estresse.

Barry Schwartz, no livro “O paradoxo da escolha”, destaca que o excesso de opções pode levar à insatisfação e até à paralisia decisória. Diante de tantas possibilidades, podemos nos sentir perdidos, incapazes de valorizar plenamente o que já temos. Um exemplo disso é Steve Jobs, que adotava um guarda‑roupa simples para evitar a fadiga decisória. Ao reduzir escolhas triviais, direcionava sua energia ao que realmente importava. E você? Quanta energia está desperdiçando tentando administrar o excesso?

O designer alemão Dieter Rams sintetizou essa ideia ao afirmar: “menos, porém melhor”. Não se trata apenas de reduzir, mas de priorizar o que realmente tem valor. Esse princípio pode ser aplicado em diversas áreas da vida. No trabalho: priorizar qualidade em vez de quantidade. Nos relacionamentos: valorizar conexões verdadeiras, deixando de lado laços superficiais. No tempo livre: desfrutar o lazer, reduzir distrações digitais e redescobrir o prazer da simplicidade.

Nesse sentido, Dostoiévski nos lembra que “o segredo da existência humana não está apenas em viver, mas em saber pelo que se vive”. O minimalismo nos convida a essa reflexão, ajudando‑nos a eliminar os excessos que obscurecem o que realmente tem significado.

Ser minimalista não significa renunciar a tudo, mas viver com mais intenção. Onde você pode trazer mais simplicidade para sua rotina? Quais excessos estão pesando sobre sua vida?

No final, não somos definidos pelo que possuímos, mas pelo espaço que criamos para o que realmente importa. Talvez seja a hora de abrir mão de um hábito desgastante, um pensamento que já não te serve mais ou um compromisso sem propósito.

Que tal começar agora?


Estado de Minas, Bem Viver, 24 abr. 2025, p. 33 (adaptado).
O texto “Menos é mais?”, de Alessandra Aragão, trata do minimalismo como proposta de vida e bem‑estar.
Considerando a tipologia textual e os gêneros discursivos de circulação social, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q4098428 Português
TEXTO

CAMPEONATO DE FUTEBOL

Então era um destes dias ensolarados de domingo e meu sobrinho batia bola contra a parede, que voltava até ele conforme a velocidade dos seus pés. Lembramos da sua viagem para Bento Gonçalves quando participou de um campeonato de futebol. A Copa Inovação Gaúcha de Futebol edição 2017, 14º fase classificatória.

Seu time havia disputado uma partida antes e perdido: Esporte Clube Cruzeiro 0x1 Clube Esportivo, na cidade de Cachoeirinha RS. Nesse jogo, o campo estava com muita água, porém, não havia barro. Com as dificuldades em campo, acabaram tomando um gol no segundo tempo. A adolescência é como um campeonato de futebol. Há momentos cansativos e momentos de glória. Começamos a nos interessar pelas pessoas, umas vêm e quando outras se vão, sofremos o gol. Então, parece que tudo está acabado, mas é apenas o começo. Em seguida, bola em campo e tudo recomeça na expectativa de virar o placar.

A viagem a Bento Gonçalves tornou-se prazerosa, com a vista de muitos arvoredos no trajeto. A zoeira dos guris dentro ônibus, as risadas, músicas e batidas nos bancos. Conhecida como a capital brasileira da uva e do vinho, o que lembra o nome do estádio: Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos. Naquele estádio profissional, de grama boa, a motivação para jogar estava estampada no semblante dos jovens jogadores.

Na partida de Bento Gonçalves, apesar de ganharem: Clube Cruzeiro 3x0 Clube Esportivo, o time do meu sobrinho não levantou a taça. Mas a alegria do primeiro gol de cabeça, outro de pênalti e o último que desviou o goleiro, mostrou a eles a importância de entender a vida e quem faz o jogo. Ele é feito por nós. O medo de enfrentar algo novo é semelhante ao que acontece antes da partida. O friozinho na barriga. Alguns vão te criticar e outros te exaltar, o mesmo acontece com a torcida no estádio, que xinga e aplaude. Seus amigos são como “volantes capitães”, enfrentarão os adversários com dribles, toques e passes, correndo pelo campo e até enfrentarão o árbitro se for preciso. É correto afirmar que os verdadeiros estarão sempre ao seu lado. Existem situações em nossa vida que chegam para nos derrubar em campo com suas faltas. Precisamos driblá-las e, se não conseguirmos e tivermos que cair, nos levantaremos mais fortes e sempre com o pensamento em frente, aprendendo e progredindo enquanto pessoas.

Cristiane Luz
Disponível em:
<https://www.editorametamorfose.com.br/textos/7518/cronicacampeonato-de-futebol>. Acesso em: 15 de Setembro de 2025.
O tipo de gênero textual predominante no texto é 
Alternativas
Q4095429 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Estado de graça


    Quem já conheceu o estado de graça reconhecerá o que vou dizer. Não me refiro à inspiração, que é uma graça especial que tantas vezes acontece aos que lidam com arte.

   O estado de graça de que falo não é usado para nada. É como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existe. Neste estado, além da tranquila felicidade que se irradia de pessoas e coisas, há uma lucidez que só chamo de leve, porque na graça tudo é tão, tão leve. É uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Não perguntem o quê, porque só posso responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se.

   E há uma bem-aventurança física que a nada se compara. O corpo se transforma num dom. E se sente que é um dom, porque se está experimentando, numa fonte direta, a dádiva indubitável de existir materialmente.

   No estado de graça, vê-se às vezes a profunda beleza, antes inatingível, de outra pessoa. Tudo, aliás, ganha uma espécie de nimbo que não é imaginário: vem do esplendor da irradiação quase matemática das coisas e das pessoas. Passa-se a sentir que tudo o que existe – pessoa ou coisa – respira e exala uma espécie de finíssimo resplendor de energia. Na verdade, o mundo é impalpável.

   Não é nem de longe o que mal imagino deva ser o estado de graça dos santos. Esse estado jamais conheci e nem sequer consigo adivinhá-lo. É apenas o estado de graça de uma pessoa comum que, de súbito, se torna totalmente real, porque é comum e humana e reconhecível.

   As descobertas nesse estado são indizíveis e incomunicáveis. É por isso que, em estado de graça, mantenho-me sentada, quieta, silenciosa. É como numa anunciação. Não sendo, porém, precedida pelos anjos que, suponho, antecedem o estado de graça dos santos, é como se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo.

   Depois, lentamente, se sai. Não como se estivesse estado em transe – não há nenhum transe –, sai-se devagar, com um suspiro de quem teve o mundo como este é. Também já é um suspiro de saudade. Pois tendo experimentado ganhar um corpo e uma alma e a terra, quer-se mais e mais. Inútil querer: só vem quando quer e espontaneamente. (...)


LISPECTOR, Clarice. Estado de graça. Portal da crônica brasileira. Disponível em
<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12666/estado-de-graca-trecho>.
O texto “Estado de graça” é uma crônica que foi elaborada a partir de:
Alternativas
Respostas
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102: E
103: C
104: B
105: D
106: X
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109: D
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117: A
118: A
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