Questões de Concurso
Sobre gêneros textuais em português
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A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago. Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: já não basta as amarguras da vida? [...]. Pensei em guardar para comprar feijão. Mas vi que não podia porque o meu estômago reclamava e torturava-me. Resolvi tomar uma média e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos. A comida no estômago é como combustível nas máquinas. Passei a trabalhar mais depressa.
Meu corpo deixou de pesar. [...] Eu tinha a impressão que eu deslizava no espaço. Comecei a sorrir como se eu estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida.
JESUS, Carolina Maria de (2007). Quarto de despejo: diário de uma favelada. 9. ed. São Paulo: Ática, p. 45-46.
O trecho apresentado faz referência `a obra "Quarto de despejo: diário de uma favelada”, um livro da autora mineira Carolina Maria de Jesus. Nesse diário, uma mulher negra, pobre, com dois anos de estudo formal, relata fatos ocorridos na favela do Canindé, em São Paulo, entre os anos de 1955 e 1959. A escritora faz reflexões sobre os acontecimentos e mostra a realidade social do Brasil de meados do século XX." Tendo em vista a obra e o contexto em que ela é apresentada, analise as proposições:
I. O gênero textual utilizado para a escrita da autora é um gênero que consiste no registro frequente de relatos íntimos de uma pessoa sobre as suas impressões e vivências cotidianas. II. O nome “Quarto de despejo” é uma metáfora criada pela autora ao longo de seus escritos no livro em que despejo é o local onde lixos são jogados. No caso da favela, o lixo se refere às pessoas, aos pobres, que não cabem na cidade e são depositados na favela, como lixos. III. No trecho referido, é possível inferir que a narradora-personagem passou fome, cujo significado é de um Brasil, construído em meio às desigualdades e isso é, nitidamente, notado ao observarmos como se dá a má distribuição de recursos e as possibilidades de acesso à alimentação e o direito à vida em geral.
Em relação aos itens apresentados, é CORRETO o que se afirma em
https://blogdoaftm.com.br/charge-guerra-na-ucrania/
Considerando-se a finalidade comunicativa comum do gênero apresentado e o contexto específico que ele representa, é CORRETO afirmar que
TEXTO 01
Leia o texto a seguir:
Fadiga, depressão, irritabilidade, os dissabores da síndrome pré-menstrual
TEXTO 02
Para que ninguém a quisesse
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda.
À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
(COLASANTI, M. Um espinho de marfim. Porto Alegre: L&PM, 1999. p. 88-89)

Asas de borboleta inspiram músculos artificiais e produzem eletricidade
A quitina é um polímero orgânico que é o principal componente das carapaças dos artrópodes, como crustáceos, alguns insetos e até das asas das borboletas. E o caso das borboletas é interessante como fonte de inspiração porque elas apresentam mudanças estruturais que podem ser copiadas para aplicações práticas. O professor Fernandez descobriu, também, que podem ser usadas para produzir eletricidade.
Assim que uma borboleta emerge do seu casulo, no estágio final da metamorfose, ela abre lentamente as asas, para que elas possam secar. O material quitinoso fica desidratado, enquanto o sangue bombeado pelas veias do inseto produz forças que reorganizam as moléculas da quitina, para que ela adquira a resistência e a rigidez únicas necessárias para o voo. E foi essa combinação natural de forças, movimento da água e organização molecular que mostrou agora a possibilidade de criação de atuadores mecânicos e para gerar energia.
"Nós demonstramos que, mesmo após serem extraídos de fontes naturais, os polímeros quitinosos mantêm sua capacidade natural de vincular diferentes forças, organização molecular e conteúdo de água para gerar movimento mecânico e produzir eletricidade, sem a necessidade de uma fonte de energia externa ou sistema de controle," disse Fernandez.
Músculos artificiais de quitina
A demonstração foi feita a partir de quitina extraída de cascas de camarão descartadas, que foi transformada em filmes com cerca de 130 micrômetros de espessura.
Ao estudar os efeitos de forças externas nesses filmes quitinosos, com foco nas mudanças na organização molecular, teor de água e propriedades mecânicas, os pesquisadores observaram que, semelhante ao desdobramento das asas das borboletas, esticar os filmes força uma reorganização em sua estrutura cristalina - as moléculas ficaram mais compactadas e o teor de água diminuiu.
Para demonstrar a aplicabilidade dos filmes, a equipe usou-os para criar músculos artificiais, que foram então montados em uma mão robótica. Controlando a concentração de água intermolecular dos filmes, por meio de mudanças ambientais e processos bioquímicos, o material gerou força suficiente para que a mão apresentasse um movimento de preensão impressionante, com uma força equivalente a 18 quilogramas - mais da metade da força de preensão média de um adulto.
Diferente da natureza inerte dos polímeros sintéticos, os filmes de quitina reorganizados podem se distender e contrair autonomamente em resposta a mudanças de umidade no ambiente, imitando a forma como alguns insetos adaptam sua casca a diferentes situações. Essa capacidade nativa permitiu que os filmes quitinosos levantassem verticalmente objetos pesando mais de 4,5 quilos.
A capacidade de produzir essa força por meios bioquímicos indica o potencial de uso dos filmes quitinosos para integração em sistemas biológicos, com aplicações biomédicas, como próteses e implantes médicos.
Filmes de quitina produzem eletricidade
Em outra demonstração, a equipe mostrou que a resposta do material às mudanças de umidade pode ser usada para extrair energia das oscilações ambientais e convertê-la em eletricidade, criando mais uma opção para a colheita de energia, um conceito para alimentação de pequenos aparelhos e sensores que hoje vem sendo dominado pelos nanogeradores triboelétricos.
Ao anexar os filmes a um material piezoelétrico, o movimento mecânico dos filmes em resposta às mudanças de umidade no ambiente foi convertido em correntes elétricas suficientes para alimentar pequenos eletrônicos, como os usados na internet das coisas.
A quitina é o segundo polímero orgânico mais abundante na natureza - depois da celulose - e faz parte de todos os ecossistemas, podendo ser obtido de forma rápida e sustentável de vários organismos ou mesmo de resíduos urbanos.
"A quitina é usada para muitas funções complexas na natureza, desde a composição das asas dos insetos até a formação das conchas protetoras duras dos moluscos, e tem aplicação direta na engenharia. Nossa capacidade de entender e usar a quitina em sua forma nativa é fundamental para permitir novas aplicações de engenharia e desenvolvê-las dentro de um paradigma de integração ecológica e baixo consumo de energia," concluiu Fernandez.
Retirado e adaptado de: INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Asas de borboleta inspiram músculos artificiais e produzem eletricidade. Inovação tecnológica. Disponível em: inaaviraamusscuooariicaa-produz -eeerciddadee&&d==0100116023080444 o=quitina-vira-musculo-artificial-produz-eletricidade&id=010160230804 Acesso em: 08 ago., 2023.
I.O texto pertence ao gênero ___________, que é um conteúdo jornalístico, escrito ou falado, baseado no testemunho direto dos fatos e situações explicadas em palavras.
II.Já no que diz respeito ao tipo textual, predomina o ____________, que é aquele que se propõe a abordar acontecimentos e situações, verídicos ou fictícios.
III.No texto, a função da linguagem que predomina é a ___________, tem como objetivo principal informar, referenciar algo.
Assinale a alternativa que, correta e respectivamente, preenche as lacunas dos excertos:
Leia o Texto 1 para responder à questão.
Texto 1

Gêneros textuais são classificações usadas para determinar os textos de acordo com suas características em relação a um contexto. Eles apresentam uma função social, uma intenção comunicativa e uma estrutura específica. Os gêneros textuais são reconhecidos pelo uso que se faz deles em diversas situações comunicativas. Alguns exemplos de gêneros textuais são: poesia, carta, notícia, crônica, ensaio, entre outros.
https://www.bing.com/search?pglt=43&q=Que+s %C3%A3o+g%C3%AAneros+textuais%)
Com base no enunciado, analise o texto seguinte:
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. (...) − (Clarice Lispector)
Marque a alternativa com o nome do gênero identificado pelos elementos que compõem o texto.
Sobre as formas narrativas, analise os textos seguintes:
I.A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços. A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa. (...) − (Carlos D. de Andrade)
II.A rosa se emocionava quando a elogiavam. No entanto, ela queria que a vissem mais de perto; não entendia por que todos a observavam à distância. Um dia ela percebeu que a seus pés sempre estava um enorme sapo escuro. Ele não tinha nada de bonito, com sua cor opaca e suas manchas feias. Além disso, seus olhos eram bem esbugalhados, assustando a todos. A rosa entendeu que as pessoas não se aproximavam por causa desse animal. Imediatamente, ela ordenou que o sapo fosse embora. Ele não percebia que dava a ela uma imagem negativa? O sapo, muito humilde e obediente, aceitou prontamente. Ele não queria incomodá-la e então foi embora. (Por: Sérgio de Dios Gonzalez)
Considerando os elementos que compõem os dois textos, marque a alternativa que os identifica, respectivamente, quanto ao modo narrativo.
Analise os versos do poema "O Livro e a América" com o código V (Verdadeiro) ou F (Falso):
O Livro e a América
"Oh! Bendito o que semeia
Livros, livros à mão cheia...
E manda o povo pensar...
O livro caindo n'alma
É germe − que faz a palma,
É chuva − que faz o mar".
(Castro Alves)
(__)O texto é literário, escrito em tom evocativo.
(__)No verso: "E manda o povo pensar" − está inferida a importância do livro (leitura) atrelada ao desenvolvimento das ideias (pensar).
(__)Os versos: "É germe − que faz a palma, / É chuva − que faz o mar" conotam as possibilidades benéficas contidas no Livro.
(__)O verso: ""Oh! Bendito o que semeia" é oracional (verbal).
Marque a alternativa com a opção correta.
As tipologias textuais são os tipos de textos criados em determinados contextos e que vão depender da intenção e necessidade de comunicação das pessoas. São as seguintes: Tipologia narrativa (narração): contar uma história incluindo tempo, espaço e personagens envolvidos. Tipologia descritiva (descrição): descrever uma pessoa, um objeto, um local, um acontecimento. Tipologia dissertativa (dissertação): defender uma ideia e expor uma opinião através de argumentações. Tipologia expositiva (exposição): apresentar um conceito, uma ideia, ou informar sobre algo. Tipologia injuntiva (injunção): ensinar ou instruir sobre algo com o objetivo de levar a uma ação.
Nessa dimensão, marque a alternativa que identifica corretamente a tipologia dos textos I e II, respectivamente:
Ambos foram extraídos do site:
(armazemdetexto.blogspot.com) − (Adaptados)
Texto I - O futebol é sem dúvida alguma o esporte mais popular do planeta. Não há nenhum outro esporte que esteja tão divulgado e que seja praticado da mesma maneira ao redor do mundo. O futebol é praticado em todos os países, nos cinco continentes do globo. No Brasil, os registros oficiais mostram que o futebol começou a ser praticado em 1894, no estado de São Paulo, trazido por Charles Miller, que, ao retornar da Inglaterra, onde fora estudar, trouxe as primeiras bolas, uniformes e chuteiras. Em poucos anos, nasceu entre o povo brasileiro a paixão pela bola e a difusão do futebol ocorreu de forma ampla. (...)
Texto II - Era uma vez um homem que contava histórias. Ele falava de um mundo encantado, com árvores, plantas, flores; rios e riachos; lagos e lagoas. Bosques encantados repletos de crianças da mesma idade. Todas brincavam bem felizes. Elas se vestiam com roupas coloridas, de acordo com as cores do ambiente onde elas estivessem.
Mas, somente as crianças conseguiam ver este mundo. Elas pensavam em todas essas maravilhas. Voltavam ao encontro dos pais e detalhavam tudo que viam em seus pensamentos. Muita beleza existia na natureza (...)
TEXTO II
CÉREBRO ‘DRENADO’
É fácil imaginar que, com a nossa dependência dos aparelhos cada vez maior ano após ano, as pesquisas enfrentem dificuldades para acompanhar esse crescimento. O que sabemos é que a simples distração de verificar o celular ou observar uma notificação pode trazer consequências negativas.
Também não é algo muito surpreendente, mas já que sabemos que, em geral, a realização simultânea de várias tarefas prejudica nossa memória e desempenho.
Um dos exemplos mais perigosos é o uso do celular ao dirigir. Um estudo concluiu que o simples ato de falar ao telefone, sem enviar mensagens de texto, é suficiente para reduzir a velocidade de reação dos motoristas na estrada.
E isso também é válido para as tarefas menos arriscadas do dia a dia. Em um estudo, ouvir um simples sinal sonoro de notificação fez com que os participantes apresentassem desempenho muito inferior em uma determinada tarefa. Eles se saíram quase tão mal quanto os participantes que falavam ou enviavam mensagens de texto no celular durante o trabalho.
E não é apenas o uso do celular que traz consequências. Sua simples presença pode afetar a forma como pensamos.
Em outro estudo recente, os pesquisadores pediram aos participantes que colocassem seus celulares ao lado deles para que ficassem visíveis (sobre uma mesa, por exemplo), perto e fora de vista (como em uma bolsa ou no próprio bolso) ou em outra sala. Em seguida, os participantes realizaram uma série de tarefas para testar sua capacidade de processar e relembrar informações, de se concentrar e de resolver problemas.
Concluiu-se que o desempenho foi muito melhor quando os telefones estavam em outra sala e não próximos, quer estivessem eles visíveis ou invisíveis, ligados ou não. O mesmo resultado foi obtido até quando a maioria dos participantes afirmava não estar pensando conscientemente nos seus aparelhos.
Aparentemente, a simples proximidade do celular contribui para a “drenagem do cérebro”.
O nosso cérebro parece trabalhar muito no subconsciente para inibir o desejo de verificar o celular ou acompanhar constantemente o ambiente para saber se devemos pegar o telefone — por exemplo, quando esperamos uma notificação. De qualquer forma, esse desvio de atenção pode dificultar a realização de qualquer tarefa.
FONTE: Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6pln490eleo
A comunicação humana ocorre por meio dos gêneros textuais que apresentam função comunicativa. Sendo assim, sobre o texto “Cérebro drenado”, pode-se afirmar que:
