Questões de Concurso Sobre gêneros textuais em português

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Q2348764 Português
Será que inteligência artificial irá emburrecer as pessoas?


     Quando iniciei minha trajetória profissional como vendedor, no início dos anos 90, adquiri, por dever do ofício, uma incrível capacidade de memorizar a localização de ruas e caminhos. Meu Guia de Ruas Mapograf sempre estava a postos, mas raramente recorria ao diretório. Recordei dessa experiência recentemente quando fui abordado no trânsito por um jovem, desnorteado, que me pediu ajuda para encontrar uma rua localizada a poucas quadras de onde estávamos, pois a bateria de seu celular tinha acabado e ele não conseguia acessar o Waze.

     Nesse momento me dei conta que há uma geração inteira que aprendeu a se locomover na “Era do Waze”. Essa turma não tem em seu repertório o recurso de se dirigir ao posto de gasolina mais próximo para obter informações de trânsito, já que a tecnologia se transformou em um de seus melhores amigos. Confesso que minha capacidade de me locomover autonomamente pelas ruas de São Paulo também ficou comprometida, pois é muito mais fácil recorrer à tecnologia que está sempre à mão – literalmente.

     As maravilhas das novas tecnologias nos deixam estupefatos e mudam nossa rotina. A bola da vez agora é a inteligência artificial generativa. É ou não está se transformando em meu melhor amigo, pois tem todas as respostas na ponta da língua (ou da tela?).

     Recentemente, o Google informou que o Bard, sua aplicação de inteligência artificial, está testando uma funcionalidade em que interpreta um texto complexo, transforma seus principais pontos em tópicos e extrai as principais perguntas que o conteúdo endereça. É ou não é outra maravilha da modernidade? Não precisarei mais interpretar textos complexos nem refletir sobre as principais lições. Tudo virá “mastigadinho”. Que espetáculo, não é? Só que não. Não estamos nos dando conta que essa é uma das facetas da ambiguidade da contemporaneidade: ao mesmo tempo em que a tecnologia facilita o acesso ao conhecimento, ela pode atrofiar nossa capacidade cognitiva.

     Contextualizando essa visão, cognição é o processo de construção do conhecimento, que todo ser humano utiliza, e nossa capacidade cognitiva é o veículo para que ela aconteça. De forma bastante simplificada, o cérebro recorre a essa capacidade para memorizar, raciocinar, ler e, sobretudo, aprender. Ou seja, o comprometimento da capacidade cognitiva resulta em um impacto determinante na habilidade de aprendizagem do indivíduo.

     No livro “Liderança Disruptiva”, que escrevi a quatro mãos com José Salibi Neto, definimos, como fruto de nossos estudos, que uma das competências centrais que todo líder deve desenvolver é a sua capacidade de conexão. Para tangibilizar essa tese criamos a alcunha do “Líder Conector”, cujo representante mais emblemático é Steve Jobs.

     O fundador da Apple se autodenominava como o CIO de sua empresa: o Chief Integration Officer, algo como o chefe da integração da companhia. Um dos seus discursos mais célebres foi realizado para formandos da Universidade de Stanford e tem como título a expressão “Connecting the Dots” (algo como “Ligando os Pontos”).

     A dinâmica que justifica essa competência está relacionada a um ambiente cada vez mais multifacetado, complexo e interdependente. Nesse contexto, a capacidade de adotar uma visão sistêmica, que permite conectar os principais agentes, recursos e competências de um ecossistema, é um dos imperativos para que o indivíduo obtenha sucesso. E essa competência está intimamente relacionada à capacidade cognitiva do indivíduo.

     Então, observe a alarmante ameaça com a qual nos defrontamos. O ambiente requer cada vez mais pessoas que tenham a capacidade de lidar com demandas complexas e de gerar respostas originais e criativas. Por outro lado, corremos o risco de termos seres autômatos, que perderam sua capacidade de desenvolvimento cognitivo por não precisarem mais raciocinar em profundidade rotineiramente.

     Ao longo das últimas décadas, inúmeras promessas das tecnologias, como o maior empoderamento do ser humano, o aumento da inteligência coletiva e a democratização da informação, dentre outras, foram caindo por terra, uma a uma, devido à profunda inabilidade de utilizarmos os novos recursos em prol do incremento do potencial de cada indivíduo. Será que estamos diante de mais uma falácia e a inteligência artificial resultará em um maior emburrecimento do ser humano? Só o tempo e o próprio ser humano responderão a essa indagação.


(Sandro Magaldi. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/. Acesso em: 09/11/2023.)
Quanto ao gênero textual lido e sua principal característica, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4273737 Português
Cardápios, notícias e relatos são textos que detalham características, aparência, ações, pessoas e situações com a intenção de projetar na mente do leitor uma ideia ou imagem. Por isso, são exemplos de:
Alternativas
Q4269417 Português
Leia o seguinte texto:

Em um cenário doméstico acolhedor, o aroma sedutor de pão recém-assado paira no ar. Na cozinha, utensílios alinhados e ingredientes dispostos de maneira organizada preparam o terreno para uma experiência culinária única. O texto ganha vida à medida que as instruções meticulosas se desdobram, orientando os leitores sobre como transformar simples ingredientes em uma obra-prima gastronômica.
As palavras habilmente escolhidas conduzem o leitor pelos passos, desde a medição precisa dos ingredientes até a manipulação hábil da massa. Cada comando é formulado de maneira clara e concisa, garantindo que mesmo os menos experientes na arte da panificação possam seguir facilmente as instruções. A voz do texto, por sua vez, assume um papel de guia amigável, encorajando e motivando o leitor a se aventurar na realização da receita.
Ao final do texto, o leitor não apenas aprendeu a preparar o pão, mas também absorveu a essência de uma experiência culinária única. O texto, além de fornecer instruções práticas, cria uma atmosfera sensorial e envolvente que transcende a simples transmissão de conhecimento, transformando o ato de cozinhar em uma jornada agradável e recompensadora.

O texto lido faz menção ao tipo de texto marcado por uma linguagem simples e objetiva, com intenção de dar instruções ao leitor. Que tipo textual é este?
Alternativas
Q4264013 Português
Leia o texto para responder a questão.

Pelé, impossível esquecer

por José Cruz

     Em menos de um mês, o Brasil ganhou destacado espaço na imprensa esportiva internacional. Ironicamente, para registrar duas tristezas. A eliminação da Seleção Brasileira do Mundial do Catar e, a mais recente, a morte do Atleta do Século, Pelé. Entre pódios e alegrias, no futebol e fora dele, o Brasil esportivo também passa por traumas que entristecem a todos. Como a morte de Ayrton Senna, por exemplo, em 1994. O cortejo fúnebre de ontem, em Santos, na despedida de Pelé, lembrou o choro nacional de quando Senna foi sepultado. Nunca mais tivemos um piloto com as características do tricampeão mundial, que nos deixou prematuramente. No futebol, vibramos com outros craques que nos enchem de orgulho. Mas nenhum como Pelé. Nem aqui nem em outro lugar do mundo.
    Sobre Pelé já se escreveu tudo, principalmente os que tiveram o privilégio de com ele conviver, como os cronistas da velha guarda, por exemplo. Pelé foi o tal! Como era craque e famoso, podia ousar. E foi assim que arriscou no cinema e na música. Mas o seu chão, mesmo, era a grama dos estádios onde ele desfilou com classe e jogadas criativas que hoje ainda nos deixam babando diante da TV. Porém, Pelé nunca colocou o seu valorizadíssimo prestígio internacional para combater a discriminação dos negros no esporte, aqui e mundo afora. Chegou a ser criticado por essa omissão. Mesmo assim, raramente falava sobre essa agressão no mais popular dos esportes.
    Quem sintetiza esse tema é a jornalista Angélica Basthi. Em seu livro Pelé: uma estrela negra em campos verdes ela escreveu: "Em 2014, ao comentar o racismo sofrido pelo goleiro Aranha, durante um jogo pelo Santos (time que Pelé também defendeu), disse que, se tivesse parado toda partida em que alguém o chamasse de 'macaco' ou 'crioulo', todos os jogos dos quais participou teriam que ser interrompidos — admitindo, pela primeira vez, que sofria discriminação racial".
    Essa abordagem me lembra de uma entrevista com Pelé, ao lado do também bicampeão mundial, Nilton Santos. Os dois moravam em Brasília. Pelé era ministro extraordinário do Esporte, governo de Fernando Henrique Cardoso. Nilton tinha uma escolinha de futebol no estádio Mané Garrincha. Por sugestão do jornalista André Gustavo Stumpf, a editoria de Esportes do Correio Braziliense reuniu os dois astros numa conversa de quatro horas. Em volta da mesa estavam craques da reportagem, como Ricardo Noblat, José Antônio Alves, Roberto Naves, Ricardo Mendes... A gravação durou quatro horas e o resultado daquele riquíssimo encontro foi publicado numa edição de 16 páginas do Correio, em 1994, se não me engano.
    Quando Pelé chegou para a entrevista, Nilton contava histórias maravilhosas da Seleção Brasileira na Suécia, em 1958, ano da primeira conquista do título mundial. Nilton tratava Pelé de "Negrão". E lembrou que as loirinhas escandinavas "nunca tinham visto um crioulo, jovem (tinha 17 anos), pernas de atleta completo, e por ele logo se apaixonavam". O "Negrão" riu com vontade e confirmou aquela confidência do amigo. E foi assim durante todo o papo, sem que ninguém se ofendesse por usar tais expressões que, hoje, motivam processos e longas reportagens.
    Enfim, Pelé o "Atleta do Século" mereceu todas as homenagens que recebeu "em vida", como sempre desejou.
   Lamentavelmente, Brasília não pôde participar dessa despedida com lembranças que honrem o passado de Pelé por aqui. Num legítimo trambique que envolveu construtoras, a Federação Brasiliense de Futebol e a Câmara Legislativa do Distrito Federal, o Estádio Pelezão, inaugurado em 1966, no Setor de Oficinas Sul, ao lado do Carrefour, foi demolido. O ato criminoso para o esporte em geral ocorreu em 2009, sem qualquer protesto. No lugar estádio, surgiram imponentes edifícios. E o dinheiro dessa transação perdeu-se em distribuições suspeitas entre cartolas de então. Enfim, "vida que segue", como diria João Saldanha, craque do jornalismo esportivo e que, como treinador, de Pelé, inclusive, classificou a Seleção Brasileira para a campanha do tricampeonato mundial, em 1970, no México.
    Pelé não foi só o craque que encantou o mundo. Ele foi mais... Não deixava repórter sem resposta e valorizava o trabalho da imprensa. Era gentil nas relações, fora de campo, claro. Como ministro chegou, certa vez, para uma solenidade no Hotel Nacional, por volta da 19h. A multidão o cercou, abraços e autógrafos. Ao ver os repórteres num "cercadinho" (perdão, leitores...) ele levantou os dois braços e, com sua voz forte e rouca, pediu um pouco de silêncio e lascou: "Vou atender os repórteres, primeiro. Eles têm hora para fechar os jornais e nós temos a noite toda para ficar aqui". E assim foi. Como esquecer de um cara desses?

Disponível em https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2023/01/5063638- artigo-pele-impossivel-esquecer.html
Assinale a alternativa que apresenta o gênero textual.
Alternativas
Q4243431 Português
        De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o processo de ensino e aprendizagem em língua portuguesa necessita de práticas de linguagem, ou seja, leitura, produção de textos, oralidade e análise linguística/semiótica, cuja função é consolidar e complexificar as habilidades oriundas do ensino fundamental relativas à análise, síntese, compreensão dos efeitos de sentido e apreciação e réplica (BRASIL, 2018a). Dessa forma, a proposta curricular de língua portuguesa no ensino médio traz, além da divisão das seis unidades temáticas, o enfoque nas práticas de linguagens contidas em todas as unidades, propiciando uma formação integral quanto à educação linguística na contemporaneidade como aquela que possa trazer aos estudantes projetos de futuro em três dimensões: a diversidade produtiva, o pluralismo cívico e as identidades multifacetadas (ROJO, 2013).


    Disponível em: https://www.educacao.df.gov.br/wp-
conteudo/uploads/2019/08/Curriculo-em-Movimento-do-Novo-Ensino-
Medio-V4.pdf. Acesso em: 24 out. 2023, com adaptações.


Em conformidade com a tipologia, o gênero e o tema do texto apresentado, julgue (C ou E) o item a seguir.
O Currículo em Movimento do Novo Ensino Médio caracteriza-se por ser injuntivo e fornecer instruções para a realização de uma ação desejada, incitando o leitor a realizar algo. Nesse aspecto, esse gênero assemelha-se ao de manuais, por exemplo.
Alternativas
Q4243425 Português
        A estruturação curricular, em particular quanto ao ensino da língua portuguesa, implica determinar um conjunto de habilidades que consiste em objetivos de aprendizagem que procuram proporcionar aos estudantes uma formação voltada para as interações de conhecimento. Existe a necessidade de se construir relações de sentidos, seja pela aquisição dos mecanismos linguísticos, pela leitura e produção textual ou pelo enriquecimento cultural contido nas artes literárias e nos mais diversos gêneros textuais, como: verbetes enciclopédicos, dicionários, textos jurídicos, reportagens, notícias, podcasts, documentários.

    Disponível em: https://www.educacao.df.gov.br/wp-
conteudo/uploads/2019/08/Curriculo-em-Movimento-do-Novo-Ensino-
Medio-V4.pdf. Acesso em: 24 out; 2023


Conforme os aspectos gramaticais e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
São exemplos de gêneros textuais “verbetes enciclopédicos, dicionários, textos jurídicos, reportagens, notícias, podcasts, documentários”, por meio dos quais é possível construir relações de sentidos e adquirir enriquecimento cultural
Alternativas
Q4227447 Português
Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão.

Captura_de tela 2026-08-10 133752.jpeg (656×805)

Disponível em https://veja.abril.com.br/ciencia/cientistas-encontram-fossil-do-maior-animal-que-ja-viveu-na-terra/ Acessado em 03/08/2023. Texto adaptado
O texto Cientistas encontram fóssil do maior animal que já viveu na Terra pertence ao gênero 
Alternativas
Q4226784 Português
Na vida social contemporânea, são cada vez mais comuns as reportagens multissemióticas. Tomando por referência Rojo e Moura (2012), conclui-se corretamente que elas correspondem a um gênero do discurso em que
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Q4226776 Português

Leia a tira para responder à questão.




Entendida como um gênero discursivo, conclui-se que o sentido da tira 
Alternativas
Q4226475 Português
A partida

Osman Lins

   Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava−me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar−me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar−me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar−me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável ela fizesse isso, pois costumava fitar−me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama. 

   Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava−me por começar a entender que não conseguiria afastar−me delassem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique−taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Por fim, ela veio ao meu quarto, curvou−se:

    — Acordado?

    Apanhou o lençol e ia cobrir−me (gostava disto, ainda hoje o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela saísse, dei−lhe as costas.
Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos, opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir−me, persistente, desagradável — imagens de febre.

   Sentei−me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava−se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo. A tosse passou, emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei−me.

    Passava de meia−noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava−se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? — perguntava eu. Cobrir−me ainda? Repetir−me conselhos? Ouvi−a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver — pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia−me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto.

    Afinal, ela beijou−me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

   Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara−se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam−me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio−me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Com receio de fazer barulho, dirigi−me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei−me e, voltando ao meu quarto, vesti− me. Calcei os sapatos, sentei−me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras… Que me custava acordá−la, dizer− lhe adeus?

    Ela estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei−lhe no ombro, ela se moveu, descobriu−se. Quis levantar−se e eu procurei detê−la. Não era preciso, eu tomaria um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou−se. Ralhava comigo por não tê−la despertado antes, acusava−se de ter dormido muito. Tentava sorrir.

   Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar−me, prender−se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati−lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei−me, apanhei a maleta e, ao fazê−lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

Fonte: Moriconi, Italo. * Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.190−192. * título omitido propositalmente
Por suas características e especificidades, o texto “A partida” pertence ao gênero:
Alternativas
Q4226424 Português
Leia e observe atentamente o texto abaixo e, em seguida, assinale o gênero textual a que ele pertence.

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Alternativas
Q4205677 Português
Ave viaja dos EUA ao Brasil e anilha aponta que animal voou mais de 7 mil quilômetros

        Uma ave marinha viajou 7.451 quilômetros dos Estados Unidos em Massachusetts e foi parar na praia de Regência, em Linhares, no Norte do Espírito Santo.
   
        A ave da espécie Trinta-réis-boreal foi resgatada pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Petrobras.
     
        Quando a ave foi levada para o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM) em Cariacica, na Grande Vitória, a equipe de biólogos e veterinários percebeu que o animal tinha uma anilha na pata.
    
        Ao fazerem a pesquisa, as equipes descobriram que a ave possuía uma anilha estrangeira dos Estados Unidos de uma instituição científica chamada United States Geological Survey.
    
        No sistema constava que a ave foi anilhada quando ainda era um filhote incapaz de voar. Segundo o médico veterinário do IPRAM, Luis Felipe Mayorga, a ave encontrada tem comportamento migratório e pode ser encontrada com frequência no litoral do estado.
    
        "Essas aves se reproduzem no hemisfério norte, e quando se aproxima o inverno lá, se aproximando o verão aqui no hemisfério sul, elas migram para cá. No Espírito Santo, os bandos migratórios podem se aglomerar em bancos de areia na foz do Rio Doce", explicou o veterinário.
    
        O veterinário contou sobre a importância do anilhamento dos animais para pesquisas científicas. Segundo Mayorga, assim é possível saber informações ecológicas e hábitos de vidas dessas aves.

        Mayorga disse ainda que o pesquisador, que estuda essa ave no lá no hemisfério Norte, quando ela migra e vai embora, não consegue acompanhar os bandos.
    
        "Com os anilhamentos, você consegue ter um relatório mostrando as rotas migratórias. Ao longo do caminho vão ficando aves, que ficam fracas e morrem. O anilhamento permite construir o caminho por onde essas aves passam. Quando o sistema é comunicado a instituição original já é comunicada. Ou seja, lá nos Estados Unidos já sabem que a ave foi encontrada, onde foi", explicou o veterinário.
    
        O veterinário também explicou que qualquer pessoa que encontrar uma ave com anilha pode comunicar e colocar as informações em um programa que acompanha os animais.
    
        Mayorga explicou que no Brasil é usado um programa realizado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) do ICMBio.
    
        "O IPRAM anilha todas as aves marinhas que solta. Qualquer pessoa pode comunicar, se quiser, não precisa ser pesquisador. Aqui mesmo no Brasil, se uma pessoa comum avistou uma ave com anilha e conseguiu o número, ou achou uma carcaça de ave com anilha, ela pode comunicar o CEMAVE. Essas informações são muito valiosas", afirmou o veterinário.

(Fonte: G1 - adaptado.)
O texto é classificado como notícia. Sobre o que está sendo informado ao público?
Alternativas
Q4201675 Português

Leia o texto 4 e responda à questão.



Texto 4 


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(Fernando Sabino)

Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-curtas-com-interpretacao/. Acesso em: 07 out. 2022.  

O texto “Conversinha mineira” trata de 
Alternativas
Q4201673 Português

Leia o texto 3 e responda à questão.



Texto 3 


texto_3.png (400×302)


Disponível em: https://espacodoleitor2019.wixsite.com/website/post/carta-de-leitor-falando-dos-textos-da-chc-edi%C3%A7%C3%A3o-de-n%C2%BA-298. Acesso em: 07 out. 2022. [[ipsis literis]

O texto lido pertence ao gênero 
Alternativas
Q4185901 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão


A raça superior


A espécie humana acredita ser a única inteligente. Puro engano. Há tempos imemoriais nós, os humanos, fomos derrotados por uma raça superior, muito mais esperta. Mais que derrotados, fomos domesticados. Pelos cachorros.


De fato, sob qualquer índice de avaliação, a raça canina se mostra superior. Quem convive com um cão gosta de dizer que é “dono”. Como acreditar, se tudo prova que o cachorro é dono do homem? Na questão da alimentação, por exemplo.


Qualquer pessoa gasta dinheiro e tempo para comprar ração. Analisa os vários tipos e até experimenta uns pedacinhos para avaliar o sabor. Corre atrás de ossos para proporcionar tardes de degustação ao cachorro. Compra imitações de borracha. Indústrias pesquisam novas rações nutritivas.


Gastam uma fábula em propaganda. Ou seja: sem levantar uma pata, o cachorro faz com que os seres humanos trabalhem torrando neurônios, tempo e dinheiro simplesmente para alimentá-los! Certa vez tive uma cachorrinha que só podia comer arroz com cenoura e carne moída. Estava sem empregada. Durante um mês levantava uma hora antes, preparava a comida e saía para trabalhar. Ao voltar, servia uma nova refeição e lavava o prato. Em troca, ela me lambia os dedos. Eu me sentia no cúmulo da felicidade só de receber essas lambidinhas! Seja dita a verdade: quem era dono de quem?


E na questão amorosa? Quando gosta, de alguém, o cão abana o rabo. 


Pode ser um desconhecido. Gostou, abanou. Quando está a fim, deita-se de patas para cima e lança um olhar bem pidoncho. Até o coração mais duro não resiste a dar carinho, coçar as orelhas, fazer uns afagos. Eu, não. Nunca me deitei de barriga para ficar me oferecendo. Vontade não faltou, mas e a coragem? Nós, seres humanos, usamos artifícios. Gastamos dinheiro em perfumes, em cabeleireiros, em dermatologistas. Vamos a happy hours, jantares, festas, barzinhos da moda, entramos em chats da internet, só para achar quem nos coce as orelhas. Se alguém faz festa para todo mundo que conhece, rebolando como um cãozinho, vem o veredicto:


— Ih! Está com carência afetiva.


Toca a procurar terapeuta. Horas e horas dedicadas a analisar a pura vontade de buscar amor! Revistas dedicam quilômetros de papel a práticas de sedução. Como olhar de lado, como sorrir, como se oferecer sem dar na vista.


Mais: como ter coragem de expressar os sentimentos. Cachorro, não. Abana o rabo e pronto. Muitas vezes, com ciúme, já tive vontade de morder alguém. Ao contrário, sorri simpaticamente enquanto o sangue fervia. Cães não possuem esse tipo de constrangimento. Atiram-se em cima do rival. Mordem a mão de quem acaricia. Até conseguirem seu quinhão de afeto. Mas também não guardam raiva.


Depois de rosnarem um para o outro, dois cães saem pulando e brincando juntos.


Que espécie sabe lidar melhor com as próprias emoções?


A questão da pele também é importante. Criamos indústrias do vestuário porque não estamos satisfeitos com a própria pele, e inventamos estratagemas para cobri-la. Boa parte da humanidade se dedica a fabricar tecidos, a inventar e a vender roupas. Qualquer pessoa ambiciona se vestir bem. Fortunas são despendidas em novos guarda-roupas. A moda vira, e toca a gastar tudo outra vez.


Cachorro, não. Nasce vestido. Imagine-se quanto delírio, quanta mão de obra seria evitada se o ser humano tivesse a mesma tranquilidade a respeito da própria aparência.


Chegamos ao X da questão. Criamos filosofias, escrevemos livros. Há quem faça ioga, meditação. Tudo para aprender a aceitar o fardo da existência. O cão já nasce aceitando. A vida é e não é, deve pensar o cão, com a, sabedoria de um mestre zen. É o que constato todo dia ao chegar em casa exausto do trabalho, de mau humor com o chefe, com a fatura do cartão de crédito prestes a me degolar, o cheque especial batendo as folhas em torno de minhas orelhas como uma ave de rapina.


Sento na varanda e meu cachorro se aproxima: Sem nenhuma preocupação na vida. Deita-se aos meus pés e prepara-se para receber sua dose cotidiana de carinho. Eu me submeto. Raça superior é isso aí.



(Disponível em: https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas do-walcyr-carrasco)

Sabemos, em geral, que a crônica é um gênero textual narrativo típico de jornais e revistas, e seus temas estão sempre ligados à vida cotidiana, como é o caso do texto “A raça superior”. A respeito das características desse gênero textual, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q4183492 Português
Ainda sobre os gêneros textuais, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4183491 Português
A respeito dos tipos e gêneros textuais, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4177965 Português
Março 10

O Diabo tocou violino

        Nesta noite de 1712, o Diabo visitou o jovem violinista Giuseppe Tartini, e em sonhos tocou para ele.

        Giuseppe queria que aquela música não terminasse nunca; mas, quando acordou, a música tinha ido embora.

      Na procura daquela música perdida, Tartini compôs duzentas e dezenove sonatas, que executou com inútil maestria durante toda a sua vida.

        O público aplaudia seus fracassos

GALEANO, Eduardo H. Os filhos dos dias. Porto Alegre, L&PM, 2017. p. 90.
O tipo e o gênero textuais de que o autor se valeu para discorrer sobre a vida do personagem são, respectivamente,
Alternativas
Q4177964 Português
Q5.png (320×173)

Disponível em: <https://armazemdetexto.blogspot.com/2021/06/charge-escola-e-o-futuro-ivan-cabral.html>.Acesso em: 31 jan.2023.
Dadas as afirmativas sobre a charge,

I. Há, na imagem, um processo intertextual que obriga o interlocutor a fazer inferências e a construir analogias, elementos sem os quais a compreensão textual ficaria comprometida.
II. Na charge, há uma crítica social apresentada na fala do menino: o discurso, não concretizado, de que a escola é o futuro para as crianças.
III. Por meio de elementos visuais e verbais, o gênero textual em questão tem o objetivo de estabelecer uma opinião crítica e de persuadir o leitor, influenciando-o criticamente.
IV. Nas entrelinhas da charge, não se pode afirmar que exista qualquer tipo de comentário crítico, pois essa tem apenas a função de entreter o leitor.
V. O quadrinho constitui um gênero textual que apresenta, em primeiro plano, uma imagem do que seria a escola e uma faixa escrito “GREVE! ”.

verifica-se que estão corretas apenas
Alternativas
Q4163576 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão subsequente.

TEXTO

Sem enfeite nenhum – Adaptado (Adélia Prado)

    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?
    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor. Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.
    Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia! A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.    
     Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
    Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar. 
    [...]
    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.
    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.
    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.
    [...]
   Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
   Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.
    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe. 

    O Senhor te abençoe e te guarde, Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti, O Senhor te dê a Paz.

    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.

Era raiva não. Era marca de dor.

(Texto publicado em Prosa Reunida, Editora Siciliano: São Paulo, 1999, incluído por Ítalo Moriconi no livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, Editora Objetiva, RJ. Fonte: http://contobrasileiro.com.br/sem-enfeitenenhum-conto-de-adelia-prado-2/)
Considerando o texto lido, assinale quais elementos caracterizam o gênero conto de maneira CORRETA.
Alternativas
Respostas
701: D
702: B
703: D
704: A
705: C
706: C
707: C
708: D
709: B
710: A
711: D
712: B
713: D
714: C
715: D
716: B
717: C
718: E
719: D
720: B