Sobre o gênero e o tipo textuais do texto "Psicodélicos agem...
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 9.
Psicodélicos agem contra a depressão ao estimular conexões entre neurônios
Estudos realizados nos últimos anos com um número ainda modesto de participantes sugerem que os psicodélicos, compostos conhecidos por alterarem a percepção da realidade e causarem alucinações, têm um efeito antidepressivo rápido e potente. Um trabalho internacional publicado em 5 de junho na revista Nature Neuroscience está ajudando a desvendar como eles atuam para amenizar a depressão. O estudo, do qual participaram três pesquisadores brasileiros, indica ainda que o efeito contra a depressão seria independente daquele que causa a distorção da realidade, o que pode, em princípio, levar ao desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e livres dos efeitos alucinógenos para tratar um problema que aflige cerca de 300 milhões de pessoas no mundo.
Em experimentos com células e animais de laboratório, o grupo coordenado pelo neurocientista Eero Castrén, da Universidade de Helsinque, na Finlândia, verificou que os psicodélicos preparam os neurônios para responder melhor a uma proteína que estimula a formação de novas conexões com outras células e do reforço das já existentes, o fator neurotrófico derivado de encéfalo (BNDF). Compostos como o ácido lisérgico (LSD) e a psilocina, extraída de cogumelos do gênero Psylocibe, aderem a uma proteína da membrana dos neurônios chamada receptor de quinase B relacionado à tropomiosina (TrkB), que é ativado pelo BDNF. Produzido no próprio cérebro, o BDNF, ao se ligar ao TrkB e ativá-lo, desencadeia uma cascata de comandos químicos que levam as células neuronais a se multiplicar ou a emitir prolongamentos e pontos de contatos com outros neurônios. Esse fenômeno, conhecido como neuroplasticidade, está associado à capacidade do cérebro de aprender e armazenar informações e à melhora dos sintomas depressivos.
Bioquímicos, farmacologistas e médicos já suspeitavam de que a neuroplasticidade talvez fosse o fator responsável pela ação antidepressiva de muitos medicamentos, inclusive daqueles que aumentam os níveis do neurotransmissor serotonina, como a fluoxetina e similares. Uma das razões para a desconfiança de que o efeito desses compostos não fosse decorrente apenas do aumento da disponibilidade de serotonina ou de outros neurotransmissores é que os níveis deles sobem muito rapidamente após o início do tratamento, mas os sintomas da depressão só começam a diminuir semanas mais tarde. "Já se imaginava que, além do aumento dos níveis de serotonina, existiam outros fatores envolvidos”, conta o farmacologista brasileiro Cassiano Ricardo Diniz, coautor do estudo. Ele participou dos experimentos que mostraram a ação antidepressiva dos psicodélicos via TrkB durante a temporada que passou no laboratório de Castrén, na Finlândia. "Evidências obtidas por outros grupos sugeriam que o efeito antidepressivo de vários medicamentos se dava via BDNF, mas achávamos que a ação ocorria de forma indireta, pelo aumento dos níveis desse fator neurotrófico, e não porque os antidepressivos se conectavam à molécula que facilita a ação dele.”
O que se viu para o LSD e a psilocina, a forma da psilocibina que chega ao cérebro, já havia sido observado pelo grupo de Castrén em outros tipos de antidepressivo. Experimentos conduzidos pelo farmacologista brasileiro Plínio Casarotto, que integra a equipe finlandesa, e publicados em 2021 na revista Cell mostraram que também a fluoxetina, da categoria dos inibidores de recaptação de serotonina, a imipramina, um antidepressivo tricíclico, e a cetamina, um anestésico com ação antidepressiva, promoviam a neuroplasticidade por aderir ao TrkB e facilitar a ação do BNDF. "Os antidepressivos, sozinhos, não acionam esse receptor, mas o colocam em um estado suscetível à ativação pelo BDNF", conta Casarotto, outro coautor do estudo.
As descobertas desse estudo, dizem os autores, abrem caminho para o desenho de compostos com estrutura análoga à dos psicodélicos, que apresentem alta afinidade com o TrkB e ação antidepressiva de início rápido e duração prolongada, mas sem os efeitos alucinógenos. "Os dados sugerem fortemente essa possibilidade, mas é necessário que outros estudos reproduzam os resultados", afirmou o psiquiatra Jaime Hallak, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FMRP-USP), que não participou da pesquisa.
Para o psiquiatra Acioly Lacerda, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o desenvolvimento de um antidepressivo apenas com as características desejáveis dos psicodélicos reduziria o risco de haver dependência química e potencialmente diminuiria parte dos custos do tratamento. Hoje os psicodélicos são usados em alguns países para tratar depressão apenas em condições experimentais, em ensaios clínicos que necessitam de aprovação prévia de comitês de ética e de agências regulatórias. "O caminho para se chegar a um novo medicamento com essas características é longo e com elevadas taxas de insucesso", lembra Lacerda. "Mais de 90% das moléculas testadas para tratar doenças psiquiátricas não são aprovadas na fase final de ensaio clínico", conclui.
Retirado e adaptado de: FLORESTI, Felipe. Psicodélicos agem contra a depressão ao estimular conexões entre neurônios. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: oaao-esstimuuaa-conexxoessente-neeuroono s/ icos-agem-contra-a-depressao-ao-estimular-conexoes-entre-neuronios/ Acesso em: 14 jul., 2028.
Sobre o gênero e o tipo textuais do texto "Psicodélicos agem contra a depressão ao estimular conexões entre neurônios", analise o trecho a seguir:
O texto pertence ao gênero ________que é caracterizado por divulgar pesquisas científicas para público não especialista. Nesse gênero, predomina o tipo textual _________ , Que é caracterizado por apresentar um assunto e, possivelmente, argumentar sobre ele.
Assinale a alternativa que correta e respectivamente preenche as lacunas do trecho:
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Tema central: Gêneros e Tipos Textuais. A questão avalia a habilidade de reconhecer qual o gênero textual do texto apresentado e qual é o tipo textual predominante nele, competências essenciais para provas de Língua Portuguesa em concursos.
Justificativa da alternativa correta (E):
O texto apresentado pertence ao gênero "artigo de divulgação científica", que é um texto escrito para tornar compreensível ao público não especialista resultados de pesquisas, descobertas ou debates científicos. É o tipo de texto comumente encontrado em revistas, jornais ou portais de ciência. Ele busca divulgar informações complexas com linguagem acessível e objetiva, sem exigir conhecimento prévio aprofundado.
O tipo textual predominante é o dissertativo, pois há apresentação do tema, explicação de conceitos, exposição de resultados e possíveis argumentações sobre desdobramentos e impactos desses achados. Segundo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), “a dissertação é o tipo textual em que o autor organiza ideias, expõe dados e, muitas vezes, defende um ponto de vista, sempre de maneira lógica e objetiva”. O Manual de Redação da Presidência da República (BRASIL, 2018) também destaca a importância da clareza, objetividade e impessoalidade, característicos do texto dissertativo.
Análise das alternativas incorretas:
A) reportagem — expositivo: Embora divulgue informações, a reportagem costuma ser mais ampla, trazendo relatos, entrevistas e testemunhos, além de diferentes tipos textuais, não sendo específica para divulgação científica.
B) seminário — argumentativo: Seminário é um evento presencial ou virtual, não um gênero textual escrito; além disso, o tipo textual pode variar.
C) artigo científico — dissertativo: O artigo científico é voltado a especialistas e utiliza linguagem técnica, diferentemente do texto apresentado, que busca o público geral.
D) infográfico — narrativo: Infográficos são gêneros que priorizam a visualidade, e o tipo narrativo envolve sequência de ações (o que não ocorre aqui).
Estratégia de resolução:
Atente-se à linguagem: vocabulário acessível, explicação de conceitos e ausência de termos excessivamente técnicos indicam artigo de divulgação científica. Os textos científicos para especialistas geralmente apresentam metodologias, referências técnicas e linguagem rebuscada.
Resumo: O gabarito correto é E) artigo de divulgação científica – dissertativo, pois o texto objetiva informar e explicar pesquisas de forma clara para um público amplo, sem especialização.
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Comentários
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Qual seria a diferença entre artigo científico e artigo de divulgação científica?
A diferença entre artigo científico e artigo de divulgação científica está no público-alvo, na linguagem utilizada e no objetivo de cada texto.
1. Artigo Científico
Objetivo: Apresentar resultados de pesquisas originais, contribuir para o avanço do conhecimento em uma área específica.
Público-alvo: Especialistas, acadêmicos e pesquisadores.
Linguagem: Técnica, formal, objetiva e densa, com uso de termos específicos da área.
Estrutura: Segue normas rigorosas (como ABNT, APA), com introdução, metodologia, resultados, discussão e referências.
Onde é publicado: Revistas científicas, periódicos acadêmicos, congressos.
2. Artigo de Divulgação Científica
Objetivo: Tornar o conhecimento científico acessível ao público em geral, simplificando conceitos complexos.
Público-alvo: Leitores não especialistas, estudantes e a sociedade em geral.
Linguagem: Simples, acessível e didática, evitando jargões ou explicando-os de forma clara.
Estrutura: Mais livre e menos rígida, adaptada ao meio de publicação (revistas, jornais, blogs, etc.).
Onde é publicado: Revistas de divulgação (como Superinteressante), sites, jornais e redes sociais.
Resumo da Diferença:
O artigo científico é escrito por e para especialistas, enquanto o artigo de divulgação científica é escrito por especialistas, mas voltado para o público leigo.
Fonte: ChatGPT
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