Questões de Concurso
Sobre funções morfossintáticas da palavra se em português
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Leia o texto a seguir para responder às questões.
Trata-se de dar um trato na língua
Escreve bem quem escreve claro, não quem tenta emperiquitar o verbo.
Escritor e jornalista, autor de "O Drible" e "Viva a Língua Brasileira".
"Os livros da coleção tratam-se de obras-primas da literatura." Pode ser, mas quando formula desse jeito seu veredito empolgado, o crítico cai em descrédito como juiz de trabalhos que envolvam linguagem.
Usada de forma incorreta, como na frase acima, a locução "trata-se de" é um dos casos mais comuns de hipercorreção no português brasileiro de hoje. Ao tratar dela, pago uma dívida antiga da coluna.
Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, a palavra hipercorreção não se refere ao que está muito certo. Damos esse nome à escolha linguística do falante que, ansioso por acertar – mas sem saber como –, recorre àquilo que parece mais rebuscado, mais difícil, menos popular. E erra.
Esse tipo de erro é especialmente constrangedor porque representa uma traição à gramática intuitiva, familiar, "natural", sem chegar a merecer as graças da gramática normativa a que aspira. Fica no meio do caminho.
Convém deixar claro que a palavra erro, aqui, não significa delito, pecado ou deficiência cognitiva, mas simplesmente desvio da norma culta.
Nas palavras do linguista Marcos Bagno em sua Gramática de Bolso do Português Brasileiro (Parábola), "é considerado erro tudo aquilo que não pertence às variedades urbanas de prestígio".
Vale notar que Bagno, expoente da sociolinguística brasileira, costuma ser citado – em vão, como se vê – por quem reage a textos como o desta coluna com variações da seguinte bronca: "Se você estudasse mais, saberia que erro não existe!".
Estudar mais é sempre bom. No referido livro, Bagno dedica um capítulo inteiro ao fenômeno da hipercorreção e suas manifestações mais frequentes, que chama de "erros a corrigir".
Segundo ele, a hipercorreção, que é filha da insegurança linguística, aparece "com muito mais força nas classes médias baixas" e em grupos socialmente discriminados.
Bagno não diz, mas digo eu, que o fenômeno parece estar em alta acentuada no Brasil, país violentamente estratificado e de educação precária, onde a insegurança linguística é mato.
[...]
Valeria investigar como todo esse entulho vocabular se relaciona com a crescente – e desoladora – valorização de breguices juridiquentas como "outrossim" em redações de vestibular.
No caso específico de "trata-se de", dois tipos de uso equivocado andam na moda – a frase lá de cima faz uma combinação deles. Sendo uma locução impessoal, ela deve estar sempre no singular e não tem sujeito.
Não dizemos "tratam-se de usos incorretos", mas "trata-se de usos incorretos". E mergulha fundo na hipercorreção quem usa a locução para substituir o verbo ser numa frase como "o filme trata-se de uma comédia" em vez de "o filme é uma comédia".
A boa notícia sobre a hipercorreção é que esse tipo de erro, por mais enrolado que seja em suas raízes psicossociais, é sempre fácil de corrigir do ponto de vista da gramática.
Basta dar preferência às formulações mais simples e "naturais", ou seja, próximas da oralidade. Aquilo é. Eu tenho. Você está. Escreve e fala bem quem se expressa de forma clara e fluente, não quem tenta emperiquitar o verbo.
Trata-se de uma lei universal: quer dar um trato na língua, chame-a de você e não de Vossa Senhoria.
https://www1.folha.uol.com.br
"Trata-se de usos incorretos". 13º§
Na frase acima, a palavra “se” indetermina o sujeito, o que também ocorre em:
A evapotranspiração refere-'se' à perda conjunta de água.
O elemento em destaque trata-se de:
Após a leitura do texto abaixo, responda à questão:
AS DORES DA CONQUISTA
A dor é o denominador comum a todo tipo de sucesso. Sem aquele esforço extra que a provoca, pouco ou nada se conquista. Pode reparar: sem muito trabalho não se obtêm resultados excelentes – uma regra de ouro que vale para atletas profissionais e amadores, concertista, chefs, executivos, empresários ou qualquer pessoa que se imponha um desafio. Não importam o tamanho e a natureza do obstáculo a ser contornado. Pode ser a complexidade da burocracia para dar início a um novo empreendimento, a disposição de acordar mais cedo, a determinação de emagrecer. Em qualquer caso, a labuta resulta em superação, em excelência, em aperfeiçoamento.
[...] Mas a questão não é se é bom ou ruim sentir dor. A questão é: se a dor é inevitável para progredir na vida, então como lidar com ela? Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que toda dor sempre é localizada. O cérebro é que se encarrega de transmitir a sensação de dor generalizada, como se uma torção no tornozelo, por exemplo, tivesse reflexo no corpo inteiro.
Qualquer dor é chata, claro, e não quis aqui dourar a pílula. Mas ganhamos quando conseguimos coloca-la no devido lugar – o lugar onde ela deveria ficar circunscrita. Não é impossível. Para ajudar, pense nela como aquele ingrediente sem o qual não calibramos a doçura de um coquetel. (Veja, 27/10/21)

Em relação ao período acima, analise as afirmativas a seguir:
I. Pelo menos uma ocorrência do SE se classifica como pronome apassivador.
II. Há duas ocorrências de pronome demonstrativo.
III. A frase, como um todo, exerce papel interjetivo.
Assinale
Texto CG1A2-I
É do homem que tenho de falar; e a questão que examino me ensina que vou falar a homens; com efeito, não se propõem semelhantes questões quando se teme honrar a verdade. (...) Concebo na espécie humana duas espécies de desigualdade: uma, que chamo de natural ou física, porque é estabelecida pela natureza, consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito, ou da alma; a outra, que se pode chamar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma espécie de convenção, é estabelecida, ou pelo menos autorizada, pelo consentimento dos homens. Consiste esta nos diferentes privilégios de que gozam alguns em prejuízo de outros, como ser mais rico, mais honrado, mais poderoso, ou mesmo fazer-se obedecer por eles.
Não se pode perguntar qual é a fonte da desigualdade natural, porque a resposta se encontraria enunciada na simples definição da palavra. Ainda menos se pode procurar se haveria alguma ligação essencial entre as duas desigualdades, pois isso equivaleria a perguntar, por outras palavras, se aqueles que mandam valem necessariamente mais do que os que obedecem e se a força do corpo e do espírito, a sabedoria ou a virtude se encontram sempre nos mesmos indivíduos em proporção do poder ou da riqueza — questão talvez boa para ser agitada entre escravos ouvidos por seus senhores, mas que não convém a homens razoáveis e livres, que buscam a verdade.
Jean-Jacques Rousseau. A origem da desigualdade entre os homens.
1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 33 (com adaptações).
Texto 1
A importância do ato de ler
Paulo Freire

Fragmento. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam. 21.ed. São Paulo: Cortez Editora, s/d. p. 5 – 8. Disponível em: https://nepegeo.paginas.ufsc.br/files/2018/11/AImportancia-do-Ato-de-Ler-Paulo-:Freire.pdf) Acesso em: 03 nov. 2021.
As Orações Subordinadas são aquelas que exercem função sintática sobre outras, ou seja, a oração que subordina ou depende da outra. Dependendo da função que desempenham, os tipos de oração subordinada são substantivas, adjetivas ou adverbiais.
Fonte:https://www.todamateria.com.br/oracoes-subordinadas/ Fonte:https://www.clubedoportugues.com.br/subjetiva-x-predicativa/
Assinale a alternativa que apresenta a classificação correta da oração em destaque:
Considernado que a palavra "se" pode exercer inúmeros papéis em uma frase, assinale a alternativa na qual palavra SE exerce função sintática:
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 10.
Recursos marinhos não renováveis: vão durar?
Estanho, titânio, cascalho, calcário, enxofre, carvão e petróleo são exemplos de minerais utilizados amplamente pela sociedade atual. Estão na base das mais avançadas tecnologias que facilitam nossas vidas, mas, cabe lembrar, são recursos não renováveis. Sua exploração segue desenfreada, inclusive no ambiente marinho.
O oceano tem diferentes ecossistemas, cada um deles com variados e abundantes recursos, e os minerais marcam forte presença. Nas águas mais rasas da zona costeira e da plataforma continental, os principais são o cascalho e a areia - esta é muito utilizada para produção de cimento ou vidro e aquele, útil na produção de cosméticos, fertilizantes e cimentos. Em regiões costeiras também há os ditos minerais pesados, como ilmenita, rutilo, zircão, monazita e magnetita, todos importantes para a produção de pigmentos e de ligas metálicas.
Há também os evaporitos, um tipo de rocha sedimentar formada em ambientes marinhos com pouca influência de sedimentos de origem continental. Entre os evaporitos, estão a halita, utilizada como sal de cozinha e fonte de cloro e derivados; a silvita, principal fonte de potássio para a produção de fertilizantes e fogos de artifício; a gipsita, matéria-prima para a fabricação de gesso; além da calcita, da anidrita e da dolomita, presentes na fabricação de cal para argamassa. Outro tipo de rocha sedimentar formada no ambiente marinho em grandes profundidades (maiores que mil metros) é a fosforita, bastante usada na produção de fertilizantes.
Formados ao longo de milhões de anos a partir da matéria orgânica de seres vivos, os depósitos de carvão mineral, gás natural e petróleo são importantes fontes de energia para a sociedade. O petróleo, além de ser a principal matriz energética na atualidade, também é usado na fabricação de tecidos, plásticos, detergentes, entre outros produtos.
Há, ainda, um composto energético marinho, talvez mais abundante do que todo o petróleo e o carvão: os hidratos de gás. São sólidos cristalinos semelhantes ao gelo, presentes em todas as margens oceânicas abaixo dos 500 metros de profundidade. Com uma estrutura que aprisiona gases, principalmente o metano, eles têm alto potencial energético a ser explorado.
Em diferentes profundidades do oceano, encontram-se também outros minerais: os nódulos polimetálicos, as crostas cobaltíferas e os sulfetos metálicos. Os nódulos, que contêm ferro e manganês, estão localizados sobre o sedimento marinho entre 4 mil e 5 mil metros de profundidade. Os sulfetos metálicos, ricos em ferro e cobre, são encontrados em zonas relacionadas ao vulcanismo e à expansão das placas tectônicas, a aproximadamente 3 mil metros de profundidade. As crostas cobaltíferas, ricas em cobalto, são formadas sobre estruturas rochosas em regiões entre 400 metros e 4 mil metros de profundidade.
O olhar sobre esses minerais é estratégico, uma vez que são ricos em elementos usados na construção de painéis solares, celulares, lâmpadas, ligas metálicas, vidro, lentes dos óculos, cabos de transmissão de dados, entre outros.
A obtenção desses e de outros recursos minerais do oceano apresenta desafios ambientais e tecnológicos complexos, mas que certamente não são insuperáveis. Acontece que, se nesse movimento pela exploração, a ganância pelo lucro prescindir do bem maior que é o meio ambiente, pode-se considerar o comprometimento das gerações atuais e futuras.
A diversidade biológica também é enorme nos fundos marinhos - grande parte ainda desconhecida -, e pode ser afetada de forma irreversível se os cuidados necessários não forem tomados. A obtenção desses recursos deve considerar os grandes custos envolvidos e ser feita para gerar e compartilhar prosperidade, sem inviabilizar a natureza.
Há quem se pergunte como contribuir para que a exploração não ocorra desnecessariamente e de modo predatório. Já é de grande valia uma atitude individual que considere o consumo de forma consciente e, melhor ainda, seria se, coletivamente, houvesse mais pressão para que as empresas desenvolvam produtos com maior eficiência e durabilidade, demandando menos recursos e reciclando materiais.
Retirado e adaptado de: TOLEDO, Felipe.; BIAZON, Tássia. Recursos marinhos não renováveis: vão durar? Ciência Hoje. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/recursos-marinhos-nao-renovaveis-vao-durar/ Acesso em 2 ago., 2022.
Associe a segunda coluna, de acordo com a primeira, que relaciona valores semânticos com seus respectivos exemplos:
Primeira coluna: valor semântico
(1) Condicional
(2) Temporal
(3) Causal
(4) Final
Segunda coluna: exemplo
(_)São necessárias muitas pesquisas, para que novas fontes de energia sejam encontradas.
(_)Os recursos marinhos serão extinguidos se não pensarmos em uma alternativa.
(_)Talvez seja tarde quando as pessoas se darem conta da necessidade de mudar de hábitos de consumo.
(_)Como outras alternativas são mais caras, seguimos usando combustíveis fósseis.
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
Professora ensina português de graça a venezuelanos
Quem nunca ouviu que a educação é capaz de mudar o mundo? No Brasil, a frase mais parece chavão, clichê, especialmente em ano eleitoral, quando as promessas de priorizar o ensino passam a fazer parte dos discursos políticos. Mas não para a professora pública Rosângela Moura, que resolveu colocar a máxima em prática, ensinando português de graça a imigrantes venezuelanos. Isso em plena pandemia, sem estrutura e de forma online. O projeto Esperança Venezuela surgiu bem antes da chegada do novo coronavírus ao Brasil. Coordenadora do Centro de Ensino de Línguas (CEL) de Osasco, do governo do Estado, Rosângela, formada em Letras pela USP, passou a debater a crise venezuelana de 2018 com os alunos durante as aulas de espanhol. Já naquele ano, eles resolveram arrecadar donativos aos refugiados refugiados que chegavam a São Paulo. "Os próprios alunos começaram a pensar em como ajudar, apesar de eles próprios serem de famílias carentes. Eu levei o que conseguimos juntar: roupas, bilhetes de metrô e alimentos para a Casa do Migrante da Missão Paz, em São Paulo, e lá percebi que eles precisavam de muito mais", contou. Depois de alguns anos, em plena pandemia, a professora decidiu ajudar com o que mais sabe fazer: ensinar. "Para quem muda de país, o idioma faz toda a diferença. Sem conseguir pronunciar o português, fica difícil procurar emprego ou entender como se tirar documentos, por exemplo. É difícil para eles palavras com acento circunflexo, como avô, e também com 'lh'", disse. Determinada, ela montou um currículo e foi atrás dos alunos por meio de uma página no Facebook. "Entrei nos grupos de refugiados e alertei sobre o curso que seria dado pelo google meet. Pensei que apareceriam uns 30. Mas vieram 100, 200, 500. De repente, em uma única noite, tinham 600 interessados. Fiquei surpresa e preocupada porque não sabia como iria dar aulas para tanta gente", lembrou. A solução foi buscar ajuda ali mesmo no CEL. Eva Cristina Esteves e Daniela Cavalcanti, também professoras estaduais, aceitaram o convite e o trio ,então, dividiu-se para atender quatro turmas, de cem alunos cada - quantidade máxima permitida pelo sistema online. "E foi aí que descobrimos as outras tantas dificuldades. Tinha gente com problema de conexão para assistir às aulas, outros com urgência em aprender determinado vocabulário para trabalhar e alguns em busca de ajuda para traduzir um currículo. Cheguei a ensinar receita de bolo para uma venezuelana com entrevista marcada em uma doceria. "O curso foi montado com 15 aulas de 1 hora e 20 minutos cada. O foco foi ensinar em grupo o básico de gramática e, especialmente, de pronúncia. Dúvidas individuais eram atendidas pelo WhatsApp. "Não pudemos avançar muito porque nos faltava recursos e mais gente para assumir esse compromisso." Ainda assim, Rosângela conseguiu abrir outras três turmas, alcançando 650 alunos no total. "Ao final do curso, o que nós percebemos é que, com ajuda, eles melhoraram muito rápido a pronúncia e passaram a se sentir mais seguros para conversar e procurar emprego. Nós aprendemos muito também, como se colocar no lugar do outro. A educação faz isso.
Disponível em: Professora ensina português de graça a venezuelanos (msn.com).Adaptado.)
Entrei nos grupos de refugiados 'e alertei sobre o curso' que seria dado pelo google. A expressão destacada no texto trata-se de uma oração:
Professora ensina português de graça a venezuelanos
Quem nunca ouviu que a educação é capaz de mudar o mundo? No Brasil, a frase mais parece chavão, clichê, especialmente em ano eleitoral, quando as promessas de priorizar o ensino passam a fazer parte dos discursos políticos. Mas não para a professora pública Rosângela Moura, que resolveu colocar a máxima em prática, ensinando português de graça a imigrantes venezuelanos. Isso em plena pandemia, sem estrutura e de forma online. O projeto Esperança Venezuela surgiu bem antes da chegada do novo coronavírus ao Brasil. Coordenadora do Centro de Ensino de Línguas (CEL) de Osasco, do governo do Estado, Rosângela, formada em Letras pela USP, passou a debater a crise venezuelana de 2018 com os alunos durante as aulas de espanhol. Já naquele ano, eles resolveram arrecadar donativos aos refugiados refugiados que chegavam a São Paulo. "Os próprios alunos começaram a pensar em como ajudar, apesar de eles próprios serem de famílias carentes. Eu levei o que conseguimos juntar: roupas, bilhetes de metrô e alimentos para a Casa do Migrante da Missão Paz, em São Paulo, e lá percebi que eles precisavam de muito mais", contou. Depois de alguns anos, em plena pandemia, a professora decidiu ajudar com o que mais sabe fazer: ensinar. "Para quem muda de país, o idioma faz toda a diferença. Sem conseguir pronunciar o português, fica difícil procurar emprego ou entender como se tirar documentos, por exemplo. É difícil para eles palavras com acento circunflexo, como avô, e também com 'lh'", disse. Determinada, ela montou um currículo e foi atrás dos alunos por meio de uma página no Facebook. "Entrei nos grupos de refugiados e alertei sobre o curso que seria dado pelo google meet. Pensei que apareceriam uns 30. Mas vieram 100, 200, 500. De repente, em uma única noite, tinham 600 interessados. Fiquei surpresa e preocupada porque não sabia como iria dar aulas para tanta gente", lembrou. A solução foi buscar ajuda ali mesmo no CEL. Eva Cristina Esteves e Daniela Cavalcanti, também professoras estaduais, aceitaram o convite e o trio ,então, dividiu-se para atender quatro turmas, de cem alunos cada - quantidade máxima permitida pelo sistema online. "E foi aí que descobrimos as outras tantas dificuldades. Tinha gente com problema de conexão para assistir às aulas, outros com urgência em aprender determinado vocabulário para trabalhar e alguns em busca de ajuda para traduzir um currículo. Cheguei a ensinar receita de bolo para uma venezuelana com entrevista marcada em uma doceria. "O curso foi montado com 15 aulas de 1 hora e 20 minutos cada. O foco foi ensinar em grupo o básico de gramática e, especialmente, de pronúncia. Dúvidas individuais eram atendidas pelo WhatsApp. "Não pudemos avançar muito porque nos faltava recursos e mais gente para assumir esse compromisso." Ainda assim, Rosângela conseguiu abrir outras três turmas, alcançando 650 alunos no total. "Ao final do curso, o que nós percebemos é que, com ajuda, eles melhoraram muito rápido a pronúncia e passaram a se sentir mais seguros para conversar e procurar emprego. Nós aprendemos muito também, como se colocar no lugar do outro. A educação faz isso.
Disponível em: Professora ensina português de graça a venezuelanos (msn.com).Adaptado.)
'Eva Cristina Esteves e Daniela Cavalcanti, também professoras estaduais, aceitaram o convite.'
Assinale a opção CORRETA.
Professora ensina português de graça a venezuelanos
Quem nunca ouviu que a educação é capaz de mudar o mundo? No Brasil, a frase mais parece chavão, clichê, especialmente em ano eleitoral, quando as promessas de priorizar o ensino passam a fazer parte dos discursos políticos. Mas não para a professora pública Rosângela Moura, que resolveu colocar a máxima em prática, ensinando português de graça a imigrantes venezuelanos. Isso em plena pandemia, sem estrutura e de forma online. O projeto Esperança Venezuela surgiu bem antes da chegada do novo coronavírus ao Brasil. Coordenadora do Centro de Ensino de Línguas (CEL) de Osasco, do governo do Estado, Rosângela, formada em Letras pela USP, passou a debater a crise venezuelana de 2018 com os alunos durante as aulas de espanhol. Já naquele ano, eles resolveram arrecadar donativos aos refugiados refugiados que chegavam a São Paulo. "Os próprios alunos começaram a pensar em como ajudar, apesar de eles próprios serem de famílias carentes. Eu levei o que conseguimos juntar: roupas, bilhetes de metrô e alimentos para a Casa do Migrante da Missão Paz, em São Paulo, e lá percebi que eles precisavam de muito mais", contou. Depois de alguns anos, em plena pandemia, a professora decidiu ajudar com o que mais sabe fazer: ensinar. "Para quem muda de país, o idioma faz toda a diferença. Sem conseguir pronunciar o português, fica difícil procurar emprego ou entender como se tirar documentos, por exemplo. É difícil para eles palavras com acento circunflexo, como avô, e também com 'lh'", disse. Determinada, ela montou um currículo e foi atrás dos alunos por meio de uma página no Facebook. "Entrei nos grupos de refugiados e alertei sobre o curso que seria dado pelo google meet. Pensei que apareceriam uns 30. Mas vieram 100, 200, 500. De repente, em uma única noite, tinham 600 interessados. Fiquei surpresa e preocupada porque não sabia como iria dar aulas para tanta gente", lembrou. A solução foi buscar ajuda ali mesmo no CEL. Eva Cristina Esteves e Daniela Cavalcanti, também professoras estaduais, aceitaram o convite e o trio ,então, dividiu-se para atender quatro turmas, de cem alunos cada - quantidade máxima permitida pelo sistema online. "E foi aí que descobrimos as outras tantas dificuldades. Tinha gente com problema de conexão para assistir às aulas, outros com urgência em aprender determinado vocabulário para trabalhar e alguns em busca de ajuda para traduzir um currículo. Cheguei a ensinar receita de bolo para uma venezuelana com entrevista marcada em uma doceria. "O curso foi montado com 15 aulas de 1 hora e 20 minutos cada. O foco foi ensinar em grupo o básico de gramática e, especialmente, de pronúncia. Dúvidas individuais eram atendidas pelo WhatsApp. "Não pudemos avançar muito porque nos faltava recursos e mais gente para assumir esse compromisso." Ainda assim, Rosângela conseguiu abrir outras três turmas, alcançando 650 alunos no total. "Ao final do curso, o que nós percebemos é que, com ajuda, eles melhoraram muito rápido a pronúncia e passaram a se sentir mais seguros para conversar e procurar emprego. Nós aprendemos muito também, como se colocar no lugar do outro. A educação faz isso.
Disponível em: Professora ensina português de graça a venezuelanos (msn.com).Adaptado.)
Rosângela conseguiu abrir outras três turmas, 'alcançando 650 alunos no total'.
A expressão destacada no texto trata-se de uma oração:
Assinale a única alternativa em que o(s) termo(s) destacado(s) foram(m) classificado(s) corretamente.
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Como é o desenvolvimento da autonomia e da criatividade no colégio?
- O desenvolvimento da autonomia e da criatividade da criança é um dos principais
- objetivos de uma instituição de ensino. Fazer com que haja um protagonismo no aluno em sala
- de aula é essencial no processo de aprendizagem. Com isso, torna-se fundamental desenvolver
- práticas de ensino com Metodologias Ativas. Tais metodologias atuam diretamente no
- desenvolvimento da autonomia e da criatividade na infância, o que, por sua vez, permite a
- construção de uma personalidade mais saudável, além de competências e habilidades
- essenciais para a criança.
- Afastando-se de uma metodologia de ensino ultrapassada, as instituições de ensino
- devem adotar uma aprendizagem que busque não apenas alfabetizar a criança como também
- colaborar para o seu desenvolvimento. E isso envolve um estímulo ___ construção da
- autonomia e da criatividade no colégio. Essa Educação Criativa envolve uma metodologia de
- ensino-aprendizagem que possibilita ___ instituições de ensino uma aproximação com o mundo
- real. Isto é, fora da escola, especialmente no mercado de trabalho, diversas habilidades e
- capacidades são valorizadas. E duas delas são justamente a autonomia e a criatividade.
- Existe a necessidade de se trazer ao ambiente escolar uma abordagem diferente,
- especialmente com o protagonismo do aluno, e uma dessas abordagens diz respeito às
- Metodologias Ativas. Mas o que são as Metodologias Ativas? Em resumo, o modelo busca trazer
- para o aluno um papel de protagonismo no seu próprio aprendizado. Isto é, por meio dele, é o
- estudante o maior responsável pelo seu desenvolvimento em sala de aula. Nesse sentido, o
- objetivo é incentivar que a absor...ão do conteúdo em sala se dê com mais autonomia e
- participação.
- Com a autonomia do aluno em seu próprio aprendizado, há também um maior estímulo
- ao seu desenvolvimento. Como destacamos acima, a construção da autonomia e da criatividade
- infantil permite a construção de uma personalidade mais saudável. Essa prática garante um
- maior desenvolvimento de habilidades socioemocionais, fundamentais para o aprendizado
- infantil. A conquista da autonomia como protagonismo do aluno no processo de aprendizado
- traz um estímulo para uma convivência saudável. Isto é, por meio do ensino-aprendizagem da
- autonomia, a criança pode entender melhor seu papel como parte de um todo que é a
- sociedade.
- Mas como a autonomia e a criatividade podem ser aplicadas em sala de aula? O que
- a proposta pedagógica pode trazer para fazer com que o aluno seja protagonista do seu
- aprendizado? É preciso entender que cada estudante tem seu tempo e ritmo de aprendizado.
- O ideal é fazer com que a metodologia de ensino estimule o seu desenvolvimento com base
- nesse ritmo, pre...ando por uma autonomia maior. Para potencializar esse modelo de ensino,
- é essencial a adoção de algumas práticas. Uma dessas práticas é a criação de um ambiente
- favorável para um aprendizado com base na autonomia e na criatividade do aluno. Com um
- espaço adequado, é possível criar um ambiente em que a exploração e a construção do
- conhecimento aconteçam de forma mais fácil.
- Especialmente na fase da Educação Infantil, o aprendizado acontece com uma interação
- do aluno com o ambiente, e valorizar esse ambiente é uma das melhores formas de aplicar as
- Metodologias Ativas, proporcionando liberdade para a autonomia das crianças. Outra forma de
- auxílio no desenvolvimento do estudante com autonomia e criatividade é oferecer uma maior
- liberdade de aprendizado. A escola, como um todo, é um espaço de aprendizagem constante,
- mas para que isso se concreti...e, esse espaço deve criar um clima de incentivo para a busca
- pelo conhecimento. A segurança oferecida para que o aluno tenha liberdade de aprender é uma
- das melhores formas de estimular a sua autonomia. O ambiente escolar tem a capacidade de
- ser um espaço que traz ___ tona impulsos como a curiosidade, a criatividade e a vontade de
- aprender.
(Disponível em: https://sigmadf.com.br/como-e-o-desenvolvimento-da-autonomia-e-da-criatividade-nocolegio – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando a formação do período composto, analise as proposições acerca do período a seguir: “Especialmente na fase da Educação Infantil, o aprendizado acontece com uma interação do aluno com o ambiente, e valorizar esse ambiente é uma das melhores formas de aplicar as Metodologias Ativas, proporcionando liberdade para a autonomia das crianças. ”
( ) O período é composto por quatro orações.
( ) Identifica-se nele a presença de uma oração coordenativa aditiva.
( ) Não se identifica no período a presença de orações reduzidas.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Como é o desenvolvimento da autonomia e da criatividade no colégio?
- O desenvolvimento da autonomia e da criatividade da criança é um dos principais
- objetivos de uma instituição de ensino. Fazer com que haja um protagonismo no aluno em sala
- de aula é essencial no processo de aprendizagem. Com isso, torna-se fundamental desenvolver
- práticas de ensino com Metodologias Ativas. Tais metodologias atuam diretamente no
- desenvolvimento da autonomia e da criatividade na infância, o que, por sua vez, permite a
- construção de uma personalidade mais saudável, além de competências e habilidades
- essenciais para a criança.
- Afastando-se de uma metodologia de ensino ultrapassada, as instituições de ensino
- devem adotar uma aprendizagem que busque não apenas alfabetizar a criança como também
- colaborar para o seu desenvolvimento. E isso envolve um estímulo ___ construção da
- autonomia e da criatividade no colégio. Essa Educação Criativa envolve uma metodologia de
- ensino-aprendizagem que possibilita ___ instituições de ensino uma aproximação com o mundo
- real. Isto é, fora da escola, especialmente no mercado de trabalho, diversas habilidades e
- capacidades são valorizadas. E duas delas são justamente a autonomia e a criatividade.
- Existe a necessidade de se trazer ao ambiente escolar uma abordagem diferente,
- especialmente com o protagonismo do aluno, e uma dessas abordagens diz respeito às
- Metodologias Ativas. Mas o que são as Metodologias Ativas? Em resumo, o modelo busca trazer
- para o aluno um papel de protagonismo no seu próprio aprendizado. Isto é, por meio dele, é o
- estudante o maior responsável pelo seu desenvolvimento em sala de aula. Nesse sentido, o
- objetivo é incentivar que a absor...ão do conteúdo em sala se dê com mais autonomia e
- participação.
- Com a autonomia do aluno em seu próprio aprendizado, há também um maior estímulo
- ao seu desenvolvimento. Como destacamos acima, a construção da autonomia e da criatividade
- infantil permite a construção de uma personalidade mais saudável. Essa prática garante um
- maior desenvolvimento de habilidades socioemocionais, fundamentais para o aprendizado
- infantil. A conquista da autonomia como protagonismo do aluno no processo de aprendizado
- traz um estímulo para uma convivência saudável. Isto é, por meio do ensino-aprendizagem da
- autonomia, a criança pode entender melhor seu papel como parte de um todo que é a
- sociedade.
- Mas como a autonomia e a criatividade podem ser aplicadas em sala de aula? O que
- a proposta pedagógica pode trazer para fazer com que o aluno seja protagonista do seu
- aprendizado? É preciso entender que cada estudante tem seu tempo e ritmo de aprendizado.
- O ideal é fazer com que a metodologia de ensino estimule o seu desenvolvimento com base
- nesse ritmo, pre...ando por uma autonomia maior. Para potencializar esse modelo de ensino,
- é essencial a adoção de algumas práticas. Uma dessas práticas é a criação de um ambiente
- favorável para um aprendizado com base na autonomia e na criatividade do aluno. Com um
- espaço adequado, é possível criar um ambiente em que a exploração e a construção do
- conhecimento aconteçam de forma mais fácil.
- Especialmente na fase da Educação Infantil, o aprendizado acontece com uma interação
- do aluno com o ambiente, e valorizar esse ambiente é uma das melhores formas de aplicar as
- Metodologias Ativas, proporcionando liberdade para a autonomia das crianças. Outra forma de
- auxílio no desenvolvimento do estudante com autonomia e criatividade é oferecer uma maior
- liberdade de aprendizado. A escola, como um todo, é um espaço de aprendizagem constante,
- mas para que isso se concreti...e, esse espaço deve criar um clima de incentivo para a busca
- pelo conhecimento. A segurança oferecida para que o aluno tenha liberdade de aprender é uma
- das melhores formas de estimular a sua autonomia. O ambiente escolar tem a capacidade de
- ser um espaço que traz ___ tona impulsos como a curiosidade, a criatividade e a vontade de
- aprender.
(Disponível em: https://sigmadf.com.br/como-e-o-desenvolvimento-da-autonomia-e-da-criatividade-nocolegio – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que indica a correta função sintática exercida pela oração sublinhada: “É preciso entender que cada estudante tem seu tempo e ritmo de aprendizado”.
Os textos a seguir tratam do diálogo entre textos.
Texto I
Quadrilha
Carlos Drummond de Andrade
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Disponível em: <https://www.pensador.com/frase/Mzk0MDY/>. Fragmento.
Texto II
Nada foi como antes depois do 'Clube da Esquina', que completa 50 anos
Da esquerda para a direita: Lô Borges e Milton Nascimento. Alaíde Costa, Fernando Brant, Márcio Borges, Wagner Tiso e Nelson Ângelo. Em pé: Ronaldo Bastos, Toninho Horta, Beto Guedes, Tavito e Robertinho Silva.
Bituca era amigo de Fernando e Márcio, irmão de Lô, que tinha uma banda com Beto, que amava os Beatles. Bituca foi para o Rio e conheceu Ronaldo, que ainda não tinha entrado na história – mas que, ao lado de Bituca, Lô, Márcio e Fernando, e, também, de Wagner, Toninho, Nelson, Tavito e tantos outros, fez história ao participar da criação de um dos marcos da música brasileira.
Lançado em março de 1972, o disco “Clube da Esquina”, idealizado por Milton Nascimento, o Bituca, em parceria com o então novato Lô Borges, completa 50 anos sendo tudo o que ele consegue ser: expressão maior do talento e invenção de um grupo de amigos que deixou o coração bater sem medo.
Estado de Minas, Cultura, 06 mar. 2022.
Avalie as afirmações sobre os textos.
I – A intertextualidade se realiza no Texto II por meio da paródia, pois se identifica nele uma releitura crítica, jocosa dos versos-fonte (Texto I).
II – A leitura do primeiro parágrafo do Texto II dá a entender que todo texto se origina de outros textos; portanto, todos os textos são, em última análise, intertextos.
III – O Texto I (nos três primeiros versos) e o Texto II (no primeiro período), cada um a seu modo, apresentam uma pequena narrativa linear cuja organização se dá por meio de orações com a mesma estrutura sintática – subordinadas adjetivas – que constrói elos de significação entre as personagens.
Está correto apenas o que se afirma em
AS QUESTÕES DE 31 A 36 SE REFEREM AO TEXTO SEGUINTE.
É preciso saber viver
Bertha Maakaroun
Resistir à dominação, à crueldade e à barbárie; tomar consciência da complexidade humana; levar uma vida poética, com fé no amor. Essas são lições partilhadas pelo sociólogo e filósofo francês Edgar Morin ao narrar as suas memórias no livro “Leçons d’un siècle de vie” (Ed. Denoël, 2021), que marcou o seu centenário, em 8 de julho de 2021.
Morin é um dos grandes pensadores franceses do século 20. Com a mesma modéstia intelectual que caracteriza a sua trajetória, já no preâmbulo de Lições de um século de vida procura desfazer equívocos que possam suscitar o título. “Que fique bem claro: não dou lições a ninguém. Tento extrair lições de uma experiência centenária e secular de vida, e desejo que elas sejam úteis a cada um, não só a quem queria refletir sobre sua própria vida, mas também a quem queira encontrar sua própria via.”
Ele se define como “humanista regenerado”. Para Morin, ser humanista está muito além de pensar que as incertezas e perigos das crises da democracia, do pensamento político, da concentração de renda, do neoliberalismo exacerbado, da biosfera e a crise multidimensional carreada pela pandemia une os seres humanos numa comunhão de destinos.
“Ser humanista doravante não é apenas saber que somos todos humanos semelhantes e diferentes, não é apenas querer escapar das catástrofes e aspirar a um mundo melhor. Ser humanista é também sentir intimamente que cada um de nós é um momento efêmero de uma aventura extraordinária, a aventura da vida que deu origem à aventura humana, que, ao longo de criações, tormentos e desastres chegou a uma crise gigantesca, na qual está em jogo o destino da espécie”, afirma o autor.
A complexidade humana é expressa pelo autor a partir das seguintes anotações: o ser humano racional e sábio (Homo sapiens) é também louco e delirante (Homo demens); ao mesmo tempo em que cria ferramentas, técnicas e constrói (Homo faber), é também crente, religioso, mitológico (Homo fidelis ou H. religionis, H. mythologicus); e, por fim, ao mesmo tempo em que se dedica ao lucro pessoal (Homo aeconomicus), também é insuficiente e precisa dar lugar para o lúdico (Homo ludens) e a generosidade, praticando atividades desinteressadamente (Homo liber).
“Em suma, o substrato de racionalidade que se encontra em sapiens, faber e aeconomicus constitui apenas um polo do que é humano (indivíduo, sociedade, história), enquanto se mostram com importância no mínimo igual a paixão, a fé, o mito, a ilusão, o delírio, o lúdico”, considera Morin. “A grande lição que extraí disso é que toda paixão precisa comportar a vigilância da razão, e toda razão precisa comportar o combustível da paixão”, sustenta.
“Cada um traz em si o imperativo complementar do Eu e do Nós, do individualismo e do comunitarismo, do egoísmo e do altruísmo. A consciência desse duplo imperativo enraizou-se profundamente em meu espírito ao longo dos anos. Ela sempre me impeliu a alimentar e fortalecer a capacidade de amor, maravilhamento e, ao mesmo tempo, resistência obstinada à crueldade do mundo”, afirma, acrescentando que a consciência da complexidade humana conduz à benevolência. “A benevolência possibilita considerar o outro não só em seus defeitos e carências, mas também em suas qualidades, tanto em suas intenções quanto em suas ações”, sublinha.
Saber viver, é portanto, mais uma lição compartilhada por Morin. E há um duplo sentido na palavra vida: por um lado, trata-se de existir, respirar, alimentarse, proteger-se; por outro, trata-se de conduzir a vida com suas oportunidades e seus riscos, possibilidades de prazer e sofrimento. “A sobrevivência é necessária à vida, mas uma vida reduzida à sobrevivência já não é vida”, considera Morin.
O autor anota que as inúmeras mazelas humanas, sob miséria e humilhação, são estados de subviver, pior ainda que sobreviver. “Uma das tarefas essenciais de uma política humanista é criar condições que deem não só a possibilidade de sobreviver, mas também de viver”, assinala. Lembrando que todos os períodos de felicidade comportam uma dimensão poética, Morin declara: “Se a primeira grande aspiração humana é realizar-se individualmente inserido numa comunidade, a segunda é levar vida poética”. A urgência é, então, para esse sábio centenário, encontrar o caminho da poesia, do êxtase, do convívio, do calor humano e da benevolência amorosa.
Estado de Minas, Pensar, 04 fev. 2022, p. 1. Adaptado
As afirmações a seguir dizem respeito aos sinais de pontuação.
Texto I
Resistir à dominação, à crueldade e à barbárie; tomar consciência da complexidade humana; levar uma vida poética, com fé no amor. Essas são lições partilhadas pelo sociólogo e filósofo francês Edgar Morin ao narrar as suas memórias no livro “Leçons d’un siècle de vie” (Ed. Denoël, 2021), que marcou o seu centenário, em 8 de julho de 2021. (§ 1)
(É preciso saber viver, Bertha Maakaroun)
Texto II
Disponível em: <https://br.pinterest.com/pin/583005114258422086/>.
Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma.
( ) No primeiro quadrinho da charge, empregou-se a vírgula para separar uma oração subordinada adverbial desenvolvida.
( ) No Texto I as aspas foram utilizadas para isolar uma frase intercalada no período, com caráter explicativo, em lugar dos dois-pontos.
( ) Na charge, as reticências têm a mesma finalidade dos parênteses, sendo empregadas para indicar um esclarecimento do que foi dito anteriormente.
( ) Em “A urgência é, então, para esse sábio centenário, encontrar o caminho da poesia...” (Texto I), o termo em destaque está entre vírgulas por apresentar, entre outros, valor argumentativo.
De acordo com as afirmações, a sequência correta é
Polarização política é obstáculo para cobertura ambiental no jornalismo
- Uma pesquisa recente do instituto Pew Research Center mostrou que a vasta maioria dos americanos apoia novas
- medidas de combate ao aquecimento do planeta.
- Mais de dois terços são a favor de incentivos para o uso de veículos elétricos ou híbridos e da criação de impostos para
- corporações com base em suas emissões de carbono. Nova regulação obrigando o aumento do uso de energia de recursos
- renováveis teria o apoio de 72%, e 79% favorecem incentivos fiscais do governo para ajudar empresas em projetos de captura e
- armazenamento de carbono.
- A preocupação com o ambiente vem crescendo na última década e, em junho, uma pesquisa da empresa
- YouGovAmerica revelou que hoje 56% da população se identifica como "ambientalista". Então, por que só 30% dos americanos
- se dizem interessados em acompanhar notícias sobre o meio ambiente?
- A polarização política nos EUA — e também a corrupção de políticos comprados por interesses especiais — ajuda a
- explicar como o país está rachado ao meio no apoio à encolhida agenda ambiental de Joe Biden, que sofre assaltos não só de
- ultraconservadores na Suprema Corte como do próprio partido. O senador Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, vendido ao lobby
- do carvão, quase matou um pacote legislativo ambiental ligado ao plano BBB (Build Back Better) antes de voltar atrás nesta
- quarta (27).
- É difícil manter a atenção do público já assediado por más notícias sobre economia e saúde com previsões apocalípticas.
- Mas os desinformados, consumindo uma dieta negacionista como a servida nos EUA pela Fox News, não são os maiores
- responsáveis pela falta de apoio ao combate ao aquecimento global; são os narradores da mídia que tratam a ciência como
- ideologia.
- A agência federal de ambiente dos EUA foi criada por Richard Nixon, um conservador cristão. O correspondente do setor
- da rede CNN comparou recentemente os âncoras da rede de Rupert Murdoch a sabotadores que bloqueiam a saída de um teatro
- pegando fogo.
- Se o jornalismo quer ser tratado como serviço público, cabe ao jornalismo contribuir melhor para desembaralhar a falácia
- de que a ciência ambiental é "de esquerda". Se no primeiro semestre de 2020 a catástrofe da pandemia jogou repórteres de todos
- os setores na cobertura de um vírus, chegou a hora de parar de setorizar a reportagem de ambiente.
- Toda a cobertura tem um aspecto ambiental num mundo em que eventos relacionados ao clima já matam 5 milhões por
- ano e devastam economias de qualquer porte.
- Um obstáculo evidente é que a reportagem cientifica requer um grau maior de especialização. Outro é articular melhor
- o relato de fatos no contexto da destruição ambiental. O comentarista financeiro que descreve só as cifras quando o governo
- precisa intervir no mercado de seguros da Luisiana porque as tempestades e os furacões tornaram 600 mil residências
- inafiançáveis não deve omitir como a ciência explica a debacle econômica.
- A narrativa ambiental nunca teve à disposição tantas notícias promissoras com o progresso científico na proteção
- ambiental. Equilibrar o noticiário entre os sacrifícios e as recompensas é um poder que o jornalismo tem de resgatar a ciência
- refém dos autocratas populistas.
(Lúcia Guimarães. https:/www1.folha.uol.com.br/colunas/lucia-guimaraes/2022/07/polarizacao-política-e-obstaculo-para-cobertura-ambiental-no-jomalismo.shtml Folha de S.Paulo, 27 jul.2022)
A polarização política nos EUA - e também a corrupção de políticos comprados por interesses especiais — ajuda a explicar como o país está rachado ao meio no apoio à encolhida agenda ambiental de Joe Biden, que sofre assaltos não só de ultraconservadores na Suprema Corte como do próprio partido. (linhas 10 a 12)
À oração sublinhada no período acima se classifica como
Texto para as questões 1 a 20
Perdemos nossas casas em Alcântara para ricaços brincarem de astronautas
1 _____ Em noites escuras, quem se embrenha mato adentro no Quilombo de Canelatiua sente-se como se estivesse caminhando
2 no espaço. Os vaga-lumes ao redor e as estrelas no céu causam a sensação. Nossos ancestrais chegaram aqui da Africa; não
3 vieram de foguete, mas em navios negreiros.
4 _____ Apesar disso, fizeram da região de Alcântara (MA) sua terra. Ainda assim, somos tratados como ETs: só soubemos pelos
5 jornais que a base de lançamentos instalada em nosso lar pode servir de espaçoporto para turismo espacial. Imagine perder sua
6 casa para ricaços brincarem de astronauta?
7 _____ A Virgin Orbit, empresa que pertence ao conglomerado do bilionário inglês Richard Branson, conseguiu em junho licença
8 para operar no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Seu avião de fuselagem dupla, do qual são lançadas as naves, vai
9 decolar de sua pista.
10 _____ É o mesmo usado por outro braço da empresa, a Virgin Galactic, que cobra US$ 450 mil (cerca de R$ 2,4 milhões) para quem
11 quer bancar o Luke Skywalker. Tememos por nosso futuro próximo pela forma como temos sido tratados desde um passado não
12 tão distante assim.
13 _____ O Território Étnico de Alcântara, no Maranhão, começa a se formar no final do século 19, com o abandono das terras por
14 seus proprietários. Ele foi certificado como remanescente de quilombo em 2004, pela Fundação Cultural Palmares. Legalmente,
15 porém, sua existência é reconhecida desde 1856, quando obteve um registro na freguesia de São João de Cortes.
16 _____ Consta, ainda, uma doação feita por Theofilo José de Barros, registrada no cartório de 1º. Ofício de Alcântara, em 1915. O
17 CLA foi criado nos anos 1980; naquela época, mais de 300 famílias de 24 comunidades do litoral foram removidas para o interior.
18 _____ O impacto social foi enorme, já que a pesca é o nosso principal meio de subsistência. Não é possível, contudo, mensurá-lo
19 com exatidão, assim como os danos causados à natureza, já que a base funciona sem nenhum estudo ou licença ambiental.
20 _____ O CLA é um porto pirata. Não há informações públicas oficiais sobre que tipos de combustível são usados ou componentes
21 quimicos lançados no meio ambiente. Da mesma forma, o Movimento dos Atingidos pela Base Espacial de Alcântara (Mabe) só
22 pode fazer estimativas de quantos de nós ainda perderão seus lares. Acontecimentos recentes indicam que cerca de 800 famílias
23 e 30 quilombos estão ameaçados.
24 _____ No fim de 2019, o CLA foi cedido aos norte-americanos. O contrato prevê a possibilidade da ampliação de suas instalações
25 sobre o território quilombola. Em 27 de março de 2020, o governo quis remover 792 famílias de 27 comunidades, durante o pico
26 da pandemia.
27 _____ A medida só foi definitivamente revogada em dezembro passado, quando uma denúncia enviada à Comissão Interamericana
28 de Direitos Humanos da OEA em 2001, referente aos despejos dos anos 1980, foi alçada a uma instância superior, a Corte
29 Interamericana de Direitos Humanos.
30 ____ Em 2011, o WikiLeaks revelou que os EUA não admitiam que desenvolvêssemos tecnologia para fabricar foguetes. Não
31 somos só nós que temos a perder; a própria soberania nacional pode ir para o espaço.
(Danilo Serejo, Quilombola de Alcântara (MA) e membro do Movimento dos Atingidos pela Base Espacial de Alcântara (Mabe). Folha de S. Paulo,
hitps:/Awww. folha uol. com.br/opiniaa/2022/07/perdemos-nossas-casas-em-alcantara-para-ricacos-brincarem-de-astronautas.shtml)
O impacto social foi enorme, já que a pesca é o nosso principal meio de subsistência. (linha 18).
A relação entre as orações, conforme organizadas sintaticamente, é de