Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra como em português

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Q2340296 Português
Texto CB1A1-I


           A governança pública é discutida em torno de determinados pressupostos sobre componentes estruturais como gestão, equidade, transparência, responsabilidade corporativa, accountability (prestação de contas) e legalidade do setor público. Esses elementos são considerados necessários ao desenvolvimento das sociedades, segundo os modelos idealizados por organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), e pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

         Sob a ótica da ciência política, a governança pública está associada a uma mudança de gestão política, tendendo, cada vez mais, à autogestão nos campos social, econômico e político, como também a uma nova composição de formas de gestão. Complementarmente, a governança relaciona-se a fatores como tomada de decisões gerenciais, desempenho, controle, com direcionamento global para o órgão ou a entidade, e necessidade de prestação de contas para seus controladores.

          Nesse sentido, o conceito de accountability é pautado na relação de interesse do Estado e nas necessidades do cidadão. Assim, a accountability é plena quando as informações públicas de prestação de contas dos governantes, auditadas pelos órgãos de controles internos e externos, geram confiança a uma sociedade participativa das decisões públicas.

     O grau de accountability de uma burocracia deve ser explicado pelas dimensões do macroambiente da administração pública: a textura política e institucional da sociedade, os valores, os costumes tradicionais partilhados na cultura, a história, o desenvolvimento político na trajetória para tornar as burocracias responsáveis, a baixa contribuição dos diversos esforços de reformas da administração pública e a precariedade dos controles formais.


Blênio Cezar Severo Peixe et al. Governança pública e accountability: uma análise bibliométrica das publicações científicas nacionais e internacionais. 2018. Internet: <redalyc.org>  (com adaptações)

Julgue o próximo item, referentes aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I.



No primeiro parágrafo, a expressão “Esses elementos” (segundo período) remete aos termos da enumeração introduzida pelo vocábulo “como” (primeiro período).


Alternativas
Ano: 2023 Banca: UEM Órgão: UEM Prova: UEM - 2023 - UEM - Técnico Administrativo |
Q2291560 Português

Euclides da Cunha: um grito corta o sertão

denunciando o Brasil



José de Nicola






Texto adaptado de: NICOLA, J. de. Literatura brasileira: das origens aos nossos dias. São Paulo: Scipione, 1998. p. 252 a 256.

Assinale a alternativa correta a respeito do emprego do elemento como no texto. 
Alternativas
Q2161127 Português

Julgue o item subsequente.


Em “Pense como eu”, “Aconteceu como prevíamos” e “Como não se cuidou, adoeceu”, temos o conectivo COMO com valor comparativo, conformativo e causal, respectivamente.

Alternativas
Q2076655 Português

Os problemas do reconhecimento facial


Em 2019, um cidadão do estado de Nova Jersey chamado Nijeer Parks foi preso pela polícia acusado de roubar uma loja e tentar atropelar policiais na fuga. Ele passou dez dias na prisão e teve de gastar US$ 5.000 para se defender das acusações. Parks era inocente. A razão da sua prisão foi uma identificação equivocada feita por uma câmera usando a tecnologia de reconhecimento facial.

Seu caso não é um fenômeno isolado. Outras pessoas já foram presas por erros da tecnologia de reconhecimento facial. Esse tipo de sistema é ainda embrionário e apresenta falhas graves. Quando implementado em larga escala, seu efeito é multiplicar injustiças.

Várias pesquisas vêm demonstrando que esses sistemas sofrem de uma incapacidade significativa de reconhecer os tons negros e também de várias populações asiáticas. Um estudo do Instituto de Tecnologia e Standards, nos Estados Unidos, mostrou que as taxas de erro são significativas. O número de erros com relação a pessoas de pele preta pode chegar a cem vezes mais do que falsos positivos de pessoas de pele branca.

Em outra pesquisa que ficou famosa, Joy Buolamwini, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, encontrou resultados igualmente preocupantes. Detectou que as falhas nos sistemas de reconhecimento facial analisados apresentavam um alto viés racial e também de gênero. Como os sistemas haviam sido programados com base em imagens de homens brancos, apresentavam altas taxas de erro com relação a outras demografias.

Os problemas do reconhecimento facial não param por aí. Mesmo que sua acurácia tenda a aumentar ao longo do tempo, há inúmeros outros problemas. É muito difícil simular em laboratório condições reais de aplicação de um sistema como esse em ambientes não controlados, como uma cidade. Nas cidades há variações como iluminação e até condições climáticas que interferem nos resultados.

Além disso, uma vez implementado, não há para onde fugir. O sistema passa a monitorar indistintamente todas as pessoas que circulam pelas ruas, inclusive crianças. O processamento de dados de crianças levanta diversos problemas e esbarra em questões regulatórias específicas derivadas da Lei Geral de Proteção de Dados em vigor no Brasil.

Outro problema da tecnologia é que novas aplicações começam a surgir além do reconhecimento da face. Uma empresa irlandesa desenvolveu um sistema capaz de “enxergar” as palavras ditas por uma pessoa, através de leitura labial automatizada feita por câmeras. Outras empresas conseguem medir sentimentos como raiva e alegria e até mesmo analisar o estado de saúde da pessoa por sua aparência física e comportamento.

Em outras palavras, uma vez que um sistema como esse é implementado ao nível de uma cidade, não há marcha a ré, e sim um adeus à privacidade no espaço público. Sem contar o fato de que os bancos de dados de rostos podem vazar. Já houve incidentes de ciberataques a bancos de dados de rostos. Uma vez que dados assim vazam, não tem como serem “desvazados”.

Para um país como o Brasil, em que os dados pessoais de praticamente todos seus habitantes vazaram e estão disponíveis online, gerando uma gigantesca indústria de golpes, seria um pesadelo pensar em bases faciais identificadas vazando também.


Ronaldo Lemos

Folha de São Paulo, 05/12/2022 

Observe os fragmentos a seguir.
“Como os sistemas haviam sido programados com base em imagens de homens brancos, apresentavam altas taxas de erro com relação a outras demografias” (4º parágrafo) “É muito difícil simular em laboratório condições reais de aplicação de um sistema como esse em ambientes não controlados” (5º parágrafo) Em cada uma das ocorrências acima, a palavra “como” assume, respectivamente, o valor de: 
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Q4265079 Português
Mistério! Cobra exótica é encontrada nas alturas de prédio no Bigorrilho, em Curitiba



    Uma cobra apareceu na noite de terça-feira (15) em um apartamento no nono andar no bairro Bigorrilho, em Curitiba. O Corpo de Bombeiros foi chamado para atender a ocorrência e levou o animal para o Passeio Público para se fazer a identificação. Ninguém ficou ferido.
    De acordo com os bombeiros, a cobra foi encontrada atrás de um armário do apartamento, mas a responsável pelo imóvel não sabia informar como o animal foi parar ali. Outros moradores também foram questionados, mas ninguém se responsabilizou pela cobra.
    “Entrou um chamado de que havia sido avistado uma cobra dentro do apartamento e ela estava embaixo de um armário. Como ela chegou lá não foi possível apurar. Aparentemente é uma cobra exótica, que não parece ser da nossa fauna. A suspeita é que seja o animal de estimação de alguém”, disse o bombeiro Valdecir, que atendeu à ocorrência em entrevista ao Bom Dia Paraná, da RPC, desta quarta-feira.
      O susto foi grande por parte dos moradores e a cobra foi encaminhada ao Passeio Público, local em que o animal vai ser identificado e posteriormente definido o destino da cobra.


Fonte: https://tribunapr.uol.com.br/noticias/curitiba-regiao/misteriocobra-exotica-e-encontrada-nas-alturas-de-predio-no-bigorrilho-emcuritiba/ Acesso em 19 de fevereiro de 2022.
Assinale a alternativa que apresente a circunstância estabelecida pelo termo em destaque no período: Como ela chegou lá não foi possível apurar:
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Q4215872 Português
A partir do trecho “O transtorno do espectro autista (TEA) reúne diferentes condições marcadas por alterações no desenvolvimento neurológico relacionadas a dificuldades de relacionamento social” (linhas 01 e 02), julgue os itens abaixo: 

I. Os parênteses no trecho poderiam ser substituídos por dois travessões; II. O vocábulo 'neurológico' deveria ser seguido por uma vírgula; III. O vocábulo 'a' antes da palavra 'dificuldades', caso fosse grafado 'as', deveria receber o acento grave.

Marque a opção CORRETA: 
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Q4107462 Português
Sobre os componentes linguísticos textuais, analise as assertivas com V (Verdadeiro) ou F (Falso).
(__) A frase: "A escola serve para ensinar" - enuncia a finalidade da escola.
(__) A crase usada em: "A primeira coisa que nos vem à mente" - é imposta  pela regência verbal.
(__)A frase interrogativa: "Mas ensinar a quem?" - está escrita com conjunção coordenativa adversativa, verbo de primeira conjugação seguido de objeto indireto.
(__)Na frase: "O professor terá que se adaptar" - temos uma opinião da voz do texto, representada por uma ideia hipotética comprovada pelo uso do verbo no futuro do presente do modo indicativo.
(__)A frase: "Como ensinar?" - exemplifica uso de advérbio interrogativo de modo.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo: 
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Q4104518 Português
“Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.” Mahatma Gandhi.
Os termos através da e como indicam, respectivamente,
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Q4087142 Português
Para que ninguém a quisesse


    Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
      Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
        Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
        Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
           Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
         Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.

(Marina Colasanti. Livro “Um espinho de marfim e outras histórias”. Porto Alegre: L&PM, 1999.)
Considerando o trecho “Esquiva como um gato, não mais atravessava praças.” (2º§), a expressão destacada estabelece ideia de:
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Q4086082 Português
Cancelar palavras para não cancelar pessoas



        Li um texto em defesa do uso da palavra “denegrir”, lançando mão de um tratado etimológico quase “iluminista” para dizer que o termo não tem uma origem racista. Não deixa de me espantar a quantidade de pessoas brancas que se dizem cansadas do “politicamente correto”, cansadas de ter de trocar de palavras e “se censurar”. Li os comentários com profundo espanto. Será que não entenderam que algumas palavras podem machucar uma quantidade imensa de pessoas? 


        Foi na sala de aula de Rita Segato que aprendi que “raça é signo”. Nessa frase que dá nome a um de seus mais importantes textos, ela responde a algumas perguntas contrárias às cotas raciais, sendo a primeira: “como é possível falar em cotas raciais se faz tempo já que a biologia e a antropologia aboliram a raça como uma categoria válida?”, ao que responde, com perplexidade, que “somente as representações sociais têm status existencial de realidade num universo plenamente simbólico como é o humano”.


        Trocando em miúdos, o fato de sabermos que as raças não existem biologicamente, que são uma mera questão de melanina não acaba com o racismo, e não acaba porque somos seres sociais, porque fomos socializados num mundo que escalona as cores da pele. Mesmo que as ciências tenham avançado e tenhamos descoberto que não há que se falar biologicamente em raças, a raça segue existindo. O racismo está no olhar que enquadra e deprecia, está também na insistência de palavras que machucam, está às vezes em lugares quase invisíveis que sustentam todo um arcabouço opressivo, assassinando pessoas diuturnamente, física e simbolicamente. 


       Mesmo que uma palavra tenha tido uma origem não racista, ou mesmo uma origem racista, eu diria que, independentemente da origem da palavra, é preciso fazer sua leitura hoje, no contexto atual, no mundo simbólico onde ela transita. Se ela machuca um grupo de pessoas, não há razão para insistir em seu uso.  


        Mas vamos combinar que substituir “denegrir” ou mesmo “judiar” não são tarefas atlânticas. A coisa boa das palavras é que há muitas, e sempre surgem novas palavras e modos de dizer. E não, isso não é um mero “cancelamento” de palavras. Ao contrário, insistir em palavras que agridem é insistir no “cancelamento” de pessoas. Militar pela abolição de palavras que machucam pessoas e grupos de pessoas é um ativismo importantíssimo e tampouco deve ser confundido com censura. Basta um pouco de bom senso, razoabilidade e sensibilidade. 


        Tem gente que ainda usa “o homem” para designar todos os seres humanos, a humanidade, achando irrelevante o seu caráter excludente para as mulheres, metade da população do país. Tem gente que insiste em usar a palavra “retardado”, esquecendo de seu poder ofensivo para pessoas com deficiência. Tem gente à beça que ainda não se deu conta da importância de modificarmos o nosso jeito de falar, de retificarmos nossos textos para “desgenerificar”, “desracializar”, etc., porque sem modificar a língua, essa graúda “ferramenta do senhor”, não vamos “derrubar a casa grande”, como diria a poeta Audre Lorde. 


        A língua está viva. A história e a etimologia nos mostram também que muitas palavras morreram e outras tantas nasceram, porque a língua é assim, não está morta e cimentada, e sobretudo, precisa estar aberta para que as palavras possam representar e traduzir a vida, seus processos, suas lutas e trans formações sociais. Querendo ou não, a língua é já uma metamorfose ambulante, como a vida. Querer estancá-la e mantê-la inflexível é destruí-la, não o contrário. 


        Em pleno século XXI faz sentido insistirmos em vocabulários e modos linguísticos excludentes, onde nem todes se sentem representades? E dizer, ainda, que a linguagem neutra é feia? Tem gente que acha feio porque não se acostumou. Feio é excluir, feio é insistir em palavras que ferem.


        Que a língua, essa metamorfose ambulante, possa, antes tarde do que mais tarde, abarcar todes que a usam. Encontremos formas de inventar novas palavras e tornar outras mais belas, como disse Drummond. Busquemos a ética na (est)ética de nossas palavras e textos. Confabulemos com urgência novas metáforas de claridade e escuridão, porque está tudo tão sufocantemente branco que a brancura queimou nossos neurônios. É preciso escurecer para perceber. Como disse Manoel de Barros, “às vezes ao poeta faz bem desexplicar – tanto quanto escurecer acende os vagalumes”.


(GONTIJO, Danú. Cancelar palavras para não cancelar pessoas. Jornal Nexo, 2022. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2022/Cancelar-palavras para-n%C3%A3o-cancelar-pessoas. Acesso em: 19/08/2022. Adaptado.) 
Das passagens transcritas a seguir, qual a única que apresenta o conector destacado com valor lógico-semântico adequada mente indicado?
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Q4066979 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A água doce é utilizada para inúmeros fins. Um deles é o consumo humano. Mas, como na Natureza a água geralmente é infectada por bactérias ou micróbios, que têm origem com a decomposição de matérias orgânicas (folhas de árvores, por exemplo) e, principalmente, pela poluição provocada pelo próprio homem, é preciso que a água passe por um processo de purificação. Isto é feito nas Estações de Tratamento de Água (ETAs).


Disponível em: http://samae.com.br/pagina/111_Nossa-Agua.html. Acesso em: 27/dez/2021. [adaptado]
Assinale a alternativa CORRETA quanto à relação que a palavra destacada exerce no texto "Mas, como na Natureza a água geralmente é infectada por bactérias ou micróbios, que têm origem com a decomposição de matérias orgânicas (folhas de árvores, por exemplo) e, principalmente, pela poluição provocada pelo próprio homem, é preciso que a água passe por um processo de purificação.":
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Q4049322 Português
As estações perplexas



      Naturalmente, por culpa desses engenhos clandestinos que gregos e troianos estão atirando ao espaço, as estações se equivocaram, e o inverno, de barbas brancas, insiste com a primavera em que o seu tempo ainda não passou, enquanto a primavera, com suas coroas desmanchadas, vê avançar o verão, de roupas de fogo, e não sabe o que fazer de flores e pássaros.

        As estações perplexas, mas bem‐educadas, apresentam suas razões com bons modos, não por desejarem estar no cartaz, mas pela disciplina do próprio ofício. Elas, antigamente, executavam suas danças com grande acerto e, enquanto uma andava no primeiro plano, com seus véus e outros acessórios, as outras, com muita elegância, evoluíam em planos sucessivos, esperando o momento de se apresentarem, com todo o seu brilho e poder.

        Mas com os tais engenhos que perfuram o espaço, embora tão miseráveis, em relação ao universo como um espinho no pé de um elefante, creio que sempre há distúrbios: e só assim me parece explicável que neste mês de novembro possamos ainda trazer roupas de lã.

     Pelo jardim há numerosos estragos. As plantas andam meio loucas: gardênias, que costumam desabrochar em dezembro, abriram repentinamente em outubro e agora estão secas e caem melancolicamente, querendo ainda conservar o perfume e o aveludado nas pétalas queimadas. Qualquer flor que aparece, por saber que estamos na primavera, vem o vento e a desfolha, vem o frio e a faz murchar, vem a chuva e arrasta‐a para o chão. Que aconteceu? Pensam as flores. (Sim, porque as flores pensam.) E logo desaparecem, tristes. (Porque as flores também entristecem).

        Quanto aos passarinhos, nesta região de sabiás e pardais, pintassilgos e cambaxirras, nesta região onde, o dia inteiro, o ar está cheio de pios, de cantos, de lamentos, de beijinhos d’água e risadinhas verdes e azuis, os passarinhos não sabem mais onde fazer seus ninhos e, por acharem tão fria esta primavera, abandonam as árvores de ar condicionado e metem‐se pelo vão das telhas e pelos canos dos aquecedores.

       Quanto aos pobres humanos, uns andam com gripes invernais muito prolongadas, outros não sabem o que fazer do seu belo guarda‐roupa de verão. Todas as manhãs, olha-se para o céu: onde estamos? Na Holanda? Em Paris? Na Suíça? Vem o vento ríspido misturar os nossos papéis, sacudir as trepadeiras, estremecer as portas e distribuir lumbagos e torcicolos. A lama respinga por toda a parte. Nunca se sabe se o pé vai entrar numa poça ou num bueiro... E a primavera, primadona, espera no seu camarim, um pouco rouca, enquanto gregos e troianos jogam para o alto seus engenhos, que valem palácios, museus, hospitais, universidades, teatros, pacíficas habitações terrenas que seriam felizes com um pouco de graça e amor.


(Cecília Meireles. Crônicas para jovens; seleção, prefácio e notas biobibliográficas. Antonieta Cunha. São Paulo: Global, 2012. Adaptado.)
No fragmento “Mas com os tais engenhos que perfuram o espaço, embora tão miseráveis, em relação ao universo como um espinho no pé de um elefante, creio que sempre há distúrbios: (...)” (3º§), o termo indicado expressa ideia de:
Alternativas
Q4017102 Português

O Texto 2, de autoria de Lucas Pelegrineti, apresenta a personagem Irmão do Jorel, famoso nas redes sociais pelo humor de suas publicações ao refletir sobre situações cotidianas a partir de uma crítica social. Faça a leitura dos textos para responder à questão.



TEXTO 2



Fonte: https://instagram.com/irmaodojorelreal?utm_medium=copy_link 

O termo “como”, presente na oração em destaque na questão anterior, exerce, neste contexto, a função de: 

Alternativas
Q2679590 Português

O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 10.


Recursos marinhos não renováveis: vão durar?


Estanho, titânio, cascalho, calcário, enxofre, carvão e petróleo são exemplos de minerais utilizados amplamente pela sociedade atual. Estão na base das mais avançadas tecnologias que facilitam nossas vidas, mas, cabe lembrar, são recursos não renováveis. Sua exploração segue desenfreada, inclusive no ambiente marinho.

O oceano tem diferentes ecossistemas, cada um deles com variados e abundantes recursos, e os minerais marcam forte presença. Nas águas mais rasas da zona costeira e da plataforma continental, os principais são o cascalho e a areia - esta é muito utilizada para produção de cimento ou vidro e aquele, útil na produção de cosméticos, fertilizantes e cimentos. Em regiões costeiras também há os ditos minerais pesados, como ilmenita, rutilo, zircão, monazita e magnetita, todos importantes para a produção de pigmentos e de ligas metálicas.

Há também os evaporitos, um tipo de rocha sedimentar formada em ambientes marinhos com pouca influência de sedimentos de origem continental. Entre os evaporitos, estão a halita, utilizada como sal de cozinha e fonte de cloro e derivados; a silvita, principal fonte de potássio para a produção de fertilizantes e fogos de artifício; a gipsita, matéria-prima para a fabricação de gesso; além da calcita, da anidrita e da dolomita, presentes na fabricação de cal para argamassa. Outro tipo de rocha sedimentar formada no ambiente marinho em grandes profundidades (maiores que mil metros) é a fosforita, bastante usada na produção de fertilizantes.

Formados ao longo de milhões de anos a partir da matéria orgânica de seres vivos, os depósitos de carvão mineral, gás natural e petróleo são importantes fontes de energia para a sociedade. O petróleo, além de ser a principal matriz energética na atualidade, também é usado na fabricação de tecidos, plásticos, detergentes, entre outros produtos.

Há, ainda, um composto energético marinho, talvez mais abundante do que todo o petróleo e o carvão: os hidratos de gás. São sólidos cristalinos semelhantes ao gelo, presentes em todas as margens oceânicas abaixo dos 500 metros de profundidade. Com uma estrutura que aprisiona gases, principalmente o metano, eles têm alto potencial energético a ser explorado.

Em diferentes profundidades do oceano, encontram-se também outros minerais: os nódulos polimetálicos, as crostas cobaltíferas e os sulfetos metálicos. Os nódulos, que contêm ferro e manganês, estão localizados sobre o sedimento marinho entre 4 mil e 5 mil metros de profundidade. Os sulfetos metálicos, ricos em ferro e cobre, são encontrados em zonas relacionadas ao vulcanismo e à expansão das placas tectônicas, a aproximadamente 3 mil metros de profundidade. As crostas cobaltíferas, ricas em cobalto, são formadas sobre estruturas rochosas em regiões entre 400 metros e 4 mil metros de profundidade.

O olhar sobre esses minerais é estratégico, uma vez que são ricos em elementos usados na construção de painéis solares, celulares, lâmpadas, ligas metálicas, vidro, lentes dos óculos, cabos de transmissão de dados, entre outros.

A obtenção desses e de outros recursos minerais do oceano apresenta desafios ambientais e tecnológicos complexos, mas que certamente não são insuperáveis. Acontece que, se nesse movimento pela exploração, a ganância pelo lucro prescindir do bem maior que é o meio ambiente, pode-se considerar o comprometimento das gerações atuais e futuras.

A diversidade biológica também é enorme nos fundos marinhos - grande parte ainda desconhecida -, e pode ser afetada de forma irreversível se os cuidados necessários não forem tomados. A obtenção desses recursos deve considerar os grandes custos envolvidos e ser feita para gerar e compartilhar prosperidade, sem inviabilizar a natureza.

Há quem se pergunte como contribuir para que a exploração não ocorra desnecessariamente e de modo predatório. Já é de grande valia uma atitude individual que considere o consumo de forma consciente e, melhor ainda, seria se, coletivamente, houvesse mais pressão para que as empresas desenvolvam produtos com maior eficiência e durabilidade, demandando menos recursos e reciclando materiais.


Retirado e adaptado de: TOLEDO, Felipe.; BIAZON, Tássia. Recursos marinhos não renováveis: vão durar? Ciência Hoje. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/recursos-marinhos-nao-renovaveis-vao-durar/ Acesso em 2 ago., 2022.

Associe a segunda coluna, de acordo com a primeira, que relaciona valores semânticos com seus respectivos exemplos:


Primeira coluna: valor semântico

(1) Condicional

(2) Temporal

(3) Causal

(4) Final


Segunda coluna: exemplo

(_)São necessárias muitas pesquisas, para que novas fontes de energia sejam encontradas.

(_)Os recursos marinhos serão extinguidos se não pensarmos em uma alternativa.

(_)Talvez seja tarde quando as pessoas se darem conta da necessidade de mudar de hábitos de consumo.

(_)Como outras alternativas são mais caras, seguimos usando combustíveis fósseis.


Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:

Alternativas
Q2675317 Português

Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.


Como é o desenvolvimento da autonomia e da criatividade no colégio?


  1. O desenvolvimento da autonomia e da criatividade da criança é um dos principais
  2. objetivos de uma instituição de ensino. Fazer com que haja um protagonismo no aluno em sala
  3. de aula é essencial no processo de aprendizagem. Com isso, torna-se fundamental desenvolver
  4. práticas de ensino com Metodologias Ativas. Tais metodologias atuam diretamente no
  5. desenvolvimento da autonomia e da criatividade na infância, o que, por sua vez, permite a
  6. construção de uma personalidade mais saudável, além de competências e habilidades
  7. essenciais para a criança.
  8. Afastando-se de uma metodologia de ensino ultrapassada, as instituições de ensino
  9. devem adotar uma aprendizagem que busque não apenas alfabetizar a criança como também
  10. colaborar para o seu desenvolvimento. E isso envolve um estímulo ___ construção da
  11. autonomia e da criatividade no colégio. Essa Educação Criativa envolve uma metodologia de
  12. ensino-aprendizagem que possibilita ___ instituições de ensino uma aproximação com o mundo
  13. real. Isto é, fora da escola, especialmente no mercado de trabalho, diversas habilidades e
  14. capacidades são valorizadas. E duas delas são justamente a autonomia e a criatividade.
  15. Existe a necessidade de se trazer ao ambiente escolar uma abordagem diferente,
  16. especialmente com o protagonismo do aluno, e uma dessas abordagens diz respeito às
  17. Metodologias Ativas. Mas o que são as Metodologias Ativas? Em resumo, o modelo busca trazer
  18. para o aluno um papel de protagonismo no seu próprio aprendizado. Isto é, por meio dele, é o
  19. estudante o maior responsável pelo seu desenvolvimento em sala de aula. Nesse sentido, o
  20. objetivo é incentivar que a absor...ão do conteúdo em sala se dê com mais autonomia e
  21. participação.
  22. Com a autonomia do aluno em seu próprio aprendizado, há também um maior estímulo
  23. ao seu desenvolvimento. Como destacamos acima, a construção da autonomia e da criatividade
  24. infantil permite a construção de uma personalidade mais saudável. Essa prática garante um
  25. maior desenvolvimento de habilidades socioemocionais, fundamentais para o aprendizado
  26. infantil. A conquista da autonomia como protagonismo do aluno no processo de aprendizado
  27. traz um estímulo para uma convivência saudável. Isto é, por meio do ensino-aprendizagem da
  28. autonomia, a criança pode entender melhor seu papel como parte de um todo que é a
  29. sociedade.
  30. Mas como a autonomia e a criatividade podem ser aplicadas em sala de aula? O que
  31. a proposta pedagógica pode trazer para fazer com que o aluno seja protagonista do seu
  32. aprendizado? É preciso entender que cada estudante tem seu tempo e ritmo de aprendizado.
  33. O ideal é fazer com que a metodologia de ensino estimule o seu desenvolvimento com base
  34. nesse ritmo, pre...ando por uma autonomia maior. Para potencializar esse modelo de ensino,
  35. é essencial a adoção de algumas práticas. Uma dessas práticas é a criação de um ambiente
  36. favorável para um aprendizado com base na autonomia e na criatividade do aluno. Com um
  37. espaço adequado, é possível criar um ambiente em que a exploração e a construção do
  38. conhecimento aconteçam de forma mais fácil.
  39. Especialmente na fase da Educação Infantil, o aprendizado acontece com uma interação
  40. do aluno com o ambiente, e valorizar esse ambiente é uma das melhores formas de aplicar as
  41. Metodologias Ativas, proporcionando liberdade para a autonomia das crianças. Outra forma de
  42. auxílio no desenvolvimento do estudante com autonomia e criatividade é oferecer uma maior
  43. liberdade de aprendizado. A escola, como um todo, é um espaço de aprendizagem constante,
  44. mas para que isso se concreti...e, esse espaço deve criar um clima de incentivo para a busca
  45. pelo conhecimento. A segurança oferecida para que o aluno tenha liberdade de aprender é uma
  46. das melhores formas de estimular a sua autonomia. O ambiente escolar tem a capacidade de
  47. ser um espaço que traz ___ tona impulsos como a curiosidade, a criatividade e a vontade de
  48. aprender.


(Disponível em: https://sigmadf.com.br/como-e-o-desenvolvimento-da-autonomia-e-da-criatividade-nocolegio – texto adaptado especialmente para esta prova).

Na linha 30, no trecho: “Mas como a autonomia e a criatividade podem ser aplicadas em sala de aula?” a palavra “como” foi empregada como advérbio, significando “de que maneira”. Assinale a alternativa na qual tal palavra tenha sido empregada com o mesmo sentido.

Alternativas
Q1983297 Português
       Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: “Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!” Aí, então, derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficarei muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.
        Você acredita nessas coisas? Sim? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu... Sabe por que? Porque... ser seu amigo já é um pedaço dele!

(Vinicius de Moraes. Editora Itatiaia: 08/11/2016. Adaptado.)

Leia a tirinha a seguir:


Imagem associada para resolução da questão


Em “Amizade é como ter um irmão que não mora na mesma casa!”, a palavra destacada exprime ideia de:

Alternativas
Q1966040 Português
Texto para o item. 





Marta Rebón. O que nossas metáforas dizem de nós. In: El País, 2018.
Internet: <https://brasil.elpais.com> (com adaptações).
Quanto aos aspectos gramaticais e aos sentidos do texto apresentado, julgue o item.

O vocábulo “como” (linha 20) está empregado com o mesmo sentido de conforme. 
Alternativas
Q1962850 Português

Atenção: Considere o trecho de Órfãos do Eldorado para responder à questão.


Estiliano era o único amigo de Amando. “Meu querido Stelios”, assim meu pai o chamava. Essa amizade antiga havia começado nos lugares que eles evocavam em voz alta como se ambos ainda fossem jovens: as praias do Uaicurapá e do Varre Vento, o lago Macuricanã, onde pescaram juntos pela última vez, antes de Estiliano viajar para o Recife e voltar advogado, e de Amando casar com minha mãe. A separação de cinco anos não esfriou a amizade. Os dois sempre se encontravam em Manaus e Vila Bela; eles se olhavam com admiração, como se estivessem diante de um espelho; e, juntos, davam a impressão de que um confiava mais no outro do que em si próprio. 

Via o advogado com o mesmo paletó branco, a mesma calça de suspensórios, e um emblema da Justiça na lapela. A voz rouca e grave de Estiliano intimidava quem quer que fosse; era alto e robusto demais para ser discreto, e tomava boas garrafas de tinto a qualquer hora do dia ou da noite. Quando bebia muito, falava das livrarias de Paris como se estivesse lá, mas nunca tinha ido à França.

(HATOUM, Milton. Órfãos do Eldorado. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, edição digital)

O autor recorre a uma comparação hipotética no seguinte trecho:
Alternativas
Q1878294 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.


Assinale a alternativa que indica o sentido correto da palavra “como” no trecho a seguir: “para a motivação de atos truculentos como os do policial” (l. 30).
Alternativas
Q1866344 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.



Assinale a alternativa que indica o uso da palavra “como” na mesma situação de emprego daquela da linha 27.
Alternativas
Respostas
141: C
142: C
143: C
144: B
145: C
146: D
147: A
148: A
149: D
150: C
151: A
152: C
153: B
154: C
155: D
156: C
157: E
158: B
159: B
160: D