Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra como em português

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Q3728093 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Literatura de jornal (o que é a crônica)


Artur da Távola


    A crônica é a expressão das contradições da vida e da pessoa do escritor ou jornalista, exposto que fica, com suas vísceras existenciais à mostra no açougue da vida, penduradas à espera do consumo de outros como ele, enrustidos, talvez, na manifestação dos sentimentos, ideias, verdades e pensamentos.

    Já escrevi mais de cinco mil crônicas. E a uns estudantes que me pediram uma síntese sobre o gênero, respondi o seguinte:

    É o samba da literatura. É ao mesmo tempo a poesia, o ensaio, a crítica, o registro histórico, o factual, o apontamento, a filosofia, o flagrante, o miniconto, o retrato, o testemunho, a opinião, o depoimento, a análise, a interpretação, o humor. Tudo isso ela contém, a polivalente. Direta e simples como um samba. Profunda como a sinfonia.

    É compacta, rápida, direta, aguda, penetrante, instantânea (dissolve-se com o uso diário), biodegradável, (...) oxalá perfume, saudade e algum brilho de vida no sorriso ou na lágrima do leitor.

    A literatura do jornal. O jornalismo da literatura. É a pausa de subjetividade, ao lado da objetividade da informação do restante do jornal. Um instante de reflexão, diante da opinião peremptória do editorial.

    É tímida e perseverante. Não se engalana com os grandes edifícios da literatura, mas pode conter alguns de seus melhores momentos. Não se enfeita com os altos sistemas de pensamento, mas pode conter a filosofia do cotidiano e da vida que passa. Não se empavona com a erudição dos tratados, mas pode trazer agudeza de percepção dos bons ensaios.

    Para ser boa, não deve ser mastigada. Deve dissolver-se na boca do leitor, deixando um sabor de vivência comum. Deve parecer que já estava escrita há muito tempo na sensibilidade de quem a lê e foi apenas lembrada ou ativada pelo escritor/jornalista que lhe deu forma.

    Deve ser rápida como a percepção e demorada como a recordação. Verdadeira como um poente e esperançosa como a aurora. (...) Suave como pele de mulher amada e irritada como uma criança com fome.

    Terna como a amamentação e insegura como toda primeira vez. Religiosa como a portadora do mistério e agnóstica como um livre pensador. A crônica nos obriga à síntese, à capacidade de condensar emoções em parágrafos-barragem. Faz-nos prosseguir, mesmo quando nos sentimos repetitivos. É, pois, a expressão jornalístico-literária da necessidade de não desistir de ser e sentir. A crônica é o samba da literatura.



Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ntc_l.php?t=044. 

Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta. “Direta e simples como um samba. Profunda como a sinfonia.”


Trata-se de um trecho composto por frases __________ que apresentam o elemento de ligação “como”, de natureza __________, introduzindo o sentido de __________. 

Alternativas
Q3725355 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
Critérios mórficos, sintáticos e semânticos devem ser considerados na classificação gramatical das palavras.
A palavra “como”, por exemplo, usada quatro vezes no último parágrafo, assume valor adverbial em: 
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Q3721078 Português
Texto: Quem Controla Nossa Memória?

    Minha investigação acadêmica buscou entender como as ferramentas de inteligência artificial (IA) influenciam o comportamento humano. O que descobri foi alarmante. Imagens geradas por IA estavam repletas de estereótipos quando retratavam grupos historicamente marginalizados, como mulheres, pessoas com deficiência, LGBTI+ e não brancos. Mais preocupante ainda foi perceber que os participantes da minha pesquisa reproduziam preconceitos ao interagir com essas imagens.
    As imagens têm poder, tanto de uma perspectiva histórica quanto cultural. Elas podem interromper conflitos, mudar opiniões políticas e unir pessoas. Publicitários sabem disso e exploram essa capacidade em mídias tradicionais e digitais. O advento da IA amplia esse potencial de influência, mas também traz riscos inéditos: e se a IA puder moldar o passado, alterando registros históricos e reescrevendo a realidade?
    No começo de 2024, durante o Super Bowl, a cantora Alicia Keys desafinou em sua apresentação enquanto cantava “If I Ain’t Got You”. No dia seguinte, a versão oficial do vídeo havia sido corrigida. Quem não gravou o evento ao vivo não encontrará o erro original. Esse episódio pode parecer banal, mas mostra como registros podem ser alterados ou apagados, criando uma história oficial que não corresponde à realidade. Se um erro em um show pode ser apagado, o que impediria que registros históricos e culturais fossem modificados? Quem decide o que é real? Quem controla a verdade?
    Durante minha pesquisa, desenvolvi um conceito chamado de apagamento pela IA (“AI Erasure”, no original em inglês). Ele explora os riscos por duas vias: a capacidade de essas ferramentas moldarem registros e a possibilidade de apagá-los. O que coloca, de modo geral, a memória coletiva em risco. 
    Se imagens sintéticas podem influenciar preconceitos, o que impede que vídeos, áudios e mídias manipuladas também distorçam a história? A digitalização democratizou o acesso à informação, mas não garante diversidade nem representação. Ferramentas do estilo Wikipedia, que tinha o objetivo inicial de democratizar a informação, mostram como dados digitalizados podem estar cheios de informações equivocadas. A solução, então, passa por regulamentação, ética e rigor na construção de bancos de dados.
    O apagamento pela IA também envolve manipulações intencionais por governos autoritários ou corporações, criando registros que promovem interesses políticos ou econômicos. Isso pode levar à homogeneização da história, apagando a diversidade humana em nome de narrativas dominantes. Quem controla nossa memória?
    Stephanie Dinkins é uma artista que cria representações de mulheres negras em sistemas de IA. Recentemente, no jornal americano The New York Times, ela questionou por que a palavra “escravo” não podia ser usada por uma ferramenta generativa. Para atenuar preconceitos raciais e imagens ofensivas, algumas empresas passaram a proibir certas palavras nas entradas de texto submetidos a geradores, como “escravo” e “fascista”. O que Dinkins propõe ecoa o conceito de “apagamento pela IA”: “O que essa tecnologia está fazendo com a história? Podemos ver que alguém está tentando corrigir o viés, mas, ao mesmo tempo, isso apaga um pedaço da história.”
    Vivemos num momento histórico de alerta para o futuro digital. Devemos levantar questões urgentes sobre o que escolhemos lembrar, quem é representado nos arquivos digitais e como a IA pode remodelar nossa compreensão da história e identidade. Diante dessas ameaças, é urgente questionar quem será representado nos arquivos digitais e como a IA poderá remodelar a compreensão sobre história e identidade. É preciso defender a diversidade, regulamentar as tecnologias e proteger memórias e culturas contra o apagamento digital.
    A integração da IA nos sistemas sociais requer responsabilidade coletiva para evitar que a história seja moldada e apagada ao sabor de interesses específicos. Se não agirmos agora, arriscaremos perder muito mais do que dados: perderemos parte essencial do que nos torna humanos.  

GUILDO MELO
Adaptado de nexojornal.com.br, 09/03/2025. 
Utilize a frase a seguir para responder à questão.
Ferramentas do estilo Wikipedia, que tinha o objetivo inicial de democratizar a informação, mostram como dados digitalizados podem estar cheios de informações equivocadas. (5º parágrafo) 

A palavra “como” introduz uma oração subordinada com a seguinte classificação:  
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Q3702286 Português
O potencial transformador das juventudes brasileiras

Por José Carlos Cirilo


Captura_de tela 2025-11-03 160635.png (873×700)

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2025/09/o-potencial-transformador-dasjuventudes-brasileiras-cmfnws4lx00zh014yyq3vnqgf.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
No seguinte trecho retirado do texto “Precisamos pensar o jovem como um potencial para a inovação e o futuro”, a conjunção “como” tem valor de:
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Q3699745 Português
Marque a alternativa que expressa o valor causal da conjunção “como”:
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Q3683380 Português
A Importância da Figura Motivadora do Fisioterapeuta na Reabilitação

        O fisioterapeuta desempenha um papel basilar que vai muito além da aplicação de técnicas terapêuticas tradicionais. Durante o processo de reabilitação, esse profissional torna‑se uma figura essencial à recuperação do paciente, oferecendo não apenas conhecimento técnico, mas também suporte emocional indispensável à recuperação integral do reabilitando. A motivação que ele proporciona aos pacientes constitui‑se como elemento crucial para o sucesso do tratamento, especialmente quando se trata de lesões graves ou limitações funcionais significativas.

        Por meio de uma abordagem humanizada, o fisioterapeuta consegue estabelecer vínculos terapêuticos consistentes, transmitindo confiança àqueles que enfrentam desafios físicos. Sua capacidade de atender às necessidades individuais permite que cada paciente receba atenção personalizada, respeitando‑se os limites e as potencialidades de cada caso. Nesse contexto, cabe reforçar que profissionais experientes sabem que palavras de encorajamento, combinadas à técnica adequada, aceleram significativamente o processo de recuperação.

        O fisioterapeuta comprometido com sua função visa à excelência em todos os aspectos do tratamento. A relação entre terapeuta e paciente desenvolve‑se a partir do estabelecimento de micro‑objetivos definidos em conjunto, criando um ambiente de corresponsabilidade e estímulo que fortalece o processo terapêutico. Como muitos pacientes aspiram a uma recuperação plena, costumam preferir mil vezes os profissionais que empregam o encorajamento (com incentivo constante) do que os técnicos mais tradicionais.

        Reconhecer a importância motivacional do fisioterapeuta, portanto, significa valorizar uma dimensão terapêutica que transcende os aspectos puramente físicos da reabilitação. Os fisioterapeutas não restauram somente funções corporais, mas também devolvem esperança e autoestima aos pacientes, demonstrando que a cura verdadeira acontece quando corpo e mente trabalham harmoniosa e diariamente em direção à recuperação completa.

Internet:<app.adapta.one>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


No período “Como muitos pacientes aspiram a uma recuperação plena, costumam preferir mil vezes os profissionais que empregam o encorajamento (com incentivo constante) do que os técnicos mais tradicionais.”, o vocábulo “como” introduz uma ideia de consequência.

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Q3653904 Português

Assinale a alternativa que apresenta o sentido expresso pelas palavras destacadas nas sentenças abaixo, na mesma ordem:


- Quando crescer, quero ser muito bem sucedido como os meus pais.

- Como você me chamou com urgência, vim o mais rápido que pude.

- Aqui está a lista preenchida, como você solicitou.

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Q3652153 Português
AÇÕES COLETIVAS QUE AJUDAM A COMBATER AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS


Para muitos, a expressão "ponto de inflexão" é quase sinônimo de colapso climático, mas para cientistas que pesquisam o modo como as sociedades podem alcançar uma mudança sustentável com o conhecimento e a tecnologia já disponíveis, ela carrega também uma conotação positiva.

Cientistas como Ilona M. Otto, do Centro Wegener para Mudança Climática e Global, em Graz, na Áustria, acreditam que sociedades podem introduzir mudanças sociais que ajudariam a promover uma rápida transição para uma economia verde.

"Estamos falando de partes da sociedade nas quais uma mudança rápida é possível", diz Otto. "Sobre as quais temos algum grau de efeito, onde podemos intervir no sistema e empurrá-lo na direção desejada."

Ela diz que, quando pequenos grupos comprometidos fazem opções cotidianas em relação a comer carne, usar energia limpa e dirigir veículos elétricos, eles podem estabelecer novas normas e padrões de comportamento que podem se espalhar por toda a sociedade.

Num artigo de 2020, Otto e seus colegas se concentraram em seis áreas principais que poderiam ser visadas, incluindo produção de energia, mercados financeiros, cidades e educação.

Mas esse tipo de mudança no sistema geralmente necessita de intervenções, como políticas governamentais específicas ou incentivos de mercado, para ser implementada, acrescenta Otto. Outro elemento importante "para a ação coletiva, para unir as pessoas", é o entusiasmo.

As cidades, onde vive mais da metade da população mundial, geram cerca de 70% das emissões globais de gases do efeito estufa, segundo uma estimativa de 2022 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.

Mas esse grupo de especialistas também afirma que as áreas urbanas podem liderar o caminho para a redução das emissões ao diminuírem o uso de energia e eletrificarem o transporte. Adrian Hiel, que trabalha em campanhas de mídia para a Energy Cities, uma rede de cidades europeias para a transição energética, menciona como exemplo as recentes tendências positivas no transporte urbano na Europa.

"O ciclismo é a maior delas", afirma. Ele lembra como a pandemia de covid-19, em particular, acelerou a transição para o uso de bicicletas em lugares como Bruxelas, Barcelona e especialmente Paris. "Esse é um grande ponto de inflexão", exemplifica, argumentando que isso facilitou a mesma transição em outras cidades.

"Quanto mais exemplos você tiver ao seu redor, mais fácil se torna superar a barreira", explica, acrescentando que a disseminação de veículos elétricos e painéis solares nas cidades europeias na última década provavelmente também se beneficiou de indivíduos perceberem em exemplos alheios como era fácil fazer a mudança.

"É totalmente diferente quando são seus vizinhos que falam sobre uma paixão ou quando é uma empresa tentando lhe vender algo", diz. As emissões relacionadas a edifícios poderiam se beneficiar dessa mesma abordagem, acrescenta.

Manter edifícios aquecidos e confortáveis consome cerca de metade da energia usada na União Europeia (UE) todos os anos, de acordo com a Agência Europeia do Ambiente, resultando em emissões significativas de carbono. Bombas de calor e redes de aquecimento distrital são tecnologias que comprovadamente funcionam, mas o custo delas muitas vezes é desanimador.

"É, acima de tudo, um desafio social", diz Hiel. "E isso exige trabalho: fazer pesquisas online, ir de porta em porta. É preciso dedicar tempo e energia para ouvir essas pessoas, ou você não conseguirá a transformação social desejada, que levará à transformação física desejada."

Cerca de 12% das emissões globais de gases do efeito estufa são geradas pela agricultura, e o agronegócio e o setor de carnes também estão entre os principais causadores da degradação ambiental e da perda de biodiversidade. E se forem considerados aspectos como o desmatamento, a perda de pântanos e a produção de fertilizantes, esse número sobe para cerca de 30%.

Mas, em algumas partes do mundo – principalmente na Europa – as pessoas estão comendo menos carne, seja por motivos de saúde, seja por preocupações ambientais, ou por ambos. Na Alemanha, por exemplo, um país conhecido por suas salsichas e schnitzels, o consumo de carne caiu constantemente na última década, enquanto as alternativas à base de vegetais continuam a ganhar popularidade.

Otto lembra que tendências recentes, como andar de bicicleta nas cidades e comer menos carne, têm uma influência positiva sobre a saúde e o bemestar, o que ajuda a criar um ponto de inflexão.

Mas substituir a carne, cujas produção consome muita energia, por proteínas alternativas à base de insetos, plantas ou células cultivadas em laboratório ainda é um passo difícil para muitos.

Além disso, vários estudos já demonstraram os possíveis riscos à saúde de algumas alternativas à carne ultraprocessada. E o preço elevado ainda impede muitos de optarem por alimentos orgânicos, que são melhores para o meio ambiente.

Para Luigi Tozzi, vice-diretor da Safe, uma ONG europeia que luta para garantir padrões alimentares mais seguros para os consumidores, os altos preços dos alimentos de um modo geral, em parte devido à guerra na Ucrânia, estão forçando o consumidor a escolher entre a opção ambiental ou apenas o suficiente para comer.

"Especialmente agora, quando há muitas famílias necessitadas, as pessoas não estão pensando em sustentabilidade, mas apenas em como podem comprar comida", diz Tozzi.

Para ele, as recentes eleições europeias, nas quais os legisladores verdes perderam cerca de duas dúzias de assentos, foram um sinal de que muitos eleitores têm outras preocupações em mente.

Para Otto, um foco maior na mudança climática nas escolas também tem potencial para gerar mudanças sociais rápidas. Em seu relatório de 2020, ela destacou a mudança de normas e valores provocada pelas greves climáticas do movimento Fridays for Future, liderado por estudantes, que passaram a influenciar políticas em todo o mundo.

A especialista em educação climática Lennart Kuntze, da ONG Teach For All, defende que a mudança climática faça parte do currículo escolar em todos os níveis. "Precisamos realmente desenvolver a ação coletiva em vez de nos concentrarmos em ações individuais", diz Kuntze, acrescentando que o que começa na sala de aula tem o potencial de influenciar toda a comunidade.

Kuntze afirma que a sociedade está começando a perceber o valor da educação climática. No entanto, para que ela se torne popular, é necessário desenvolver "uma visão inclusiva do futuro", que priorize os valores compartilhados e as mudanças positivas, em vez de uma narrativa baseada no medo do colapso climático.

"Qual é o tipo de mundo que queremos em 2050? Ou em 2070? No que estamos trabalhando, e não contra o que estamos trabalhando", diz ela. "A educação é uma parte realmente fundamental disso, pois podemos construir isso junto com os alunos e começar a imaginar com eles o que é possível."


Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/ações-coletivas-queajudam-a-combater-as-mudanças-climáticas/a-71022546>. Adaptado. Acesso em: 15 de setembro de 2025.
Em “para cientistas que pesquisam o modo como as sociedades podem alcançar uma mudança sustentável”, de acordo com o critério sintático, o termo destacado deve ser classificado como:
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Q3613392 Português

Do lixo ao luxo: catadora que brilhou na literatura chega à Sapucaí


No ano em que o Rio é a Capital Mundial do Livro, honraria que se estende até abril de 2026, a Unidos da Tijuca entra na Passarela do Samba de páginas abertas. A azul e amarela vai levar para a Sapucaí o enredo Carolina Maria de Jesus, uma homenagem à escritora negra mineira (1914-1977) que viveu boa parte da vida em São Paulo, sustentando três filhos como catadora de papel – matéria-prima da obra que a fez conhecida no mundo. Era em sujos cadernos encontrados no lixo que ela narrava o cotidiano da favela e a realidade de fome e preconceito racial que vivia.


https://vejario.abril.com.br/cidade/carolina-maria-de-jesus-catadora-homenagemunidos-da-tijuca/

Na frase “sustentando três filhos como catadora de papel”, o elemento destacado tem função de
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Q3505098 Português
Instrução: Leia o texto a seguir e responda à questão.


Brainrot - o lixo que apodrece a mente


Este fenômeno, Brainrot, surgiu no auge dos animes e mangás, quando seus fãs passavam horas e horas consumindo conteúdos.


    Brainrot ainda não faz parte dos termos médicos ou cientificamente reconhecidos, é, na verdade, um termo que vem sendo usado e ganhando popularidade na internet e nas redes sociais, é algo que diz respeito ao comportamento de consumir excessivamente conteúdos de baixa qualidade e até mesmo nocivos à saúde mental. A conexão está sempre direcionada à atualização de fenômenos negativos, ao lixo das redes.

    Este fenômeno surgiu no auge dos animes e mangás, quando seus fãs passavam horas e horas consumindo conteúdos. Mais tarde isso evoluiu para outros interesses das redes sociais, sempre de baixa qualidade, geralmente tóxico para a saúde mental e para os relacionamentos.

    Parece que nosso tempo perde-se literalmente entre os dedos. Enchemos ou preenchemos nossos dias com banalidades, com informações irrelevantes, muitas vezes falsas, ou pelo menos, duvidosas. Parecemos dominados e entregues ao lixo social. O pior é que passamos a viver essa realidade, trabalhamos para ela, somos sua criatura. Oferecemos o que nos é oferecido, damos o que recebemos. Tornamo-nos multiplicadores de lixo.

    Vivemos esses momentos, que poderiam ser horas preciosas de vida, imersos num mundo tóxico, que nos aproxima do nada e nos distancia de todos. Pensamos lixo, vivemos lixo, nosso cérebro termina apodrecendo pelo lixo.

    A cada dia que passa o Brainrot vem sendo mais tratado como um problema de saúde, visto que as pessoas envolvidas nesse tipo de comportamento manifestam sintomas psíquicos, como procrastinação, falta de concentração, ansiedade, isolamento social, depressão, além de problemas físicos. A mente passa a ser consumida por pensamentos repetitivos e obsessivos, muitas vezes relacionados a um determinado tema, atualmente muito comum o conteúdo ideológico.

    Isso pode desencadear algo que se pode chamar de “vício cognitivo”, que leva a pessoa a ficar obcecada por determinado assunto e incapaz de pensar em outra coisa. Essa condição pode levar a uma sensação de exaustão mental e dificuldade de concentração em outras atividades.

    Como se trata de um problema de saúde, há necessidade de busca de ajuda profissional, mas, infelizmente, a maioria das pessoas acometidas por esse mal não se veem doentes e aborrecem-se com aquelas que tentam lhe pontuar o problema. As poucas que percebem, entendem que precisam buscar informações de qualidade, usar parte de seu tempo em outras atividades, como práticas esportivas, cultura e lazer. Tornam-se convictas de que a vida não é apenas virtual, que precisam sair do mundo online e observar que há vida aqui fora.

    Infelizmente estamos na era da internet, com disparos intermináveis de mensagens, muitas com conteúdos desencontrados, muita maldade dentro do que deveria ser saudável e útil, causando desentendimentos, desavenças, inimizades e grupos de pessoas divididos, considerando-se inimigos uns dos outros.

    Infelizmente, isso já é presente e pode piorar no futuro, a não ser que façamos algo para prevenir a degradação dos tempos. Mas, o que fazer? Pelo menos, sejamos cabeças pensantes para tentar mudar essa história.


(ESTEVÃO, M. Disponível em: primeirapágina.com.br. Acesso em: 20/09/2024.)
O conector como pode estabelecer várias relações de sentido entre palavras e trechos de um texto. No trecho Como se trata de um problema de saúde, há necessidade de busca de ajuda profissional, qual o sentido desse conector? 
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Q3448884 Português

Gelo derreteu sob nossos pés: a dramática foto de huskies correndo sobre água que revela rápido degelo da Groenlândia


Em junho de 2019, uma imagem impressionante de cães da raça husky siberiano viralizou rapidamente e assombrou o mundo. Ela mostrava os animais aparentemente andando sobre a água na Groenlândia.


A foto foi tirada pelo cientista climático Steffen Olsen, do Instituto Meteorológico Dinamarquês. Ele é o líder do projeto europeu Blue Action, que pesquisa os efeitos das mudanças no Ártico sobre o clima do planeta.


"Eu me surpreendi ao ver que tantas pessoas achavam bonita aquela foto. Eu a vi como uma situação assustadora."


Os cachorros, na verdade, caminhavam em meio a uma camada de água derretida, da altura de um tornozelo humano, sobre o gelo marinho em Inglefield Bredning, no noroeste da Groenlândia.


"Aprendi a ver a foto como uma ilusão", conta Olsen. "As pessoas não veem o gelo marinho, mas os cães andando sobre a água."


Olsen tirou a foto enquanto viajava com uma equipe de cientistas que monitorava as condições do mar e do gelo perto de Qaanaaq, uma das cidades localizadas mais ao norte do planeta. Eles recuperavam instrumentos científicos que haviam instalado durante o inverno.


"Viajávamos há algumas horas e ficou claro que  derretimento era muito grave. O gelo derreteu mais ou menos abaixo dos nossos pés enquanto caminhávamos sobre ele", relembra Olsen.


"Os caçadores locais e eu estávamos muito surpresos; procurávamos pontos secos para retirar os cães e os esquis da água e não havia nenhum em vista. Os cachorros costumam hesitar muito para colocar as patas na água, segundo Olsen.


"Normalmente, quando encontramos água, é porque existem rachaduras no gelo marinho e os cães precisam pular sobre a água e eles odeiam isso. Mas estava muito quente e achamos que eles estavam felizes por poderem refrescar as patas." Ele conta que, naquele dia, as temperaturas atingiram 14 °C.


Os cientistas conseguiram recuperar seus instrumentos alguns dias depois, quando a água já havia se infiltrado nas pequenas rachaduras da cobertura de gelo.


"Você tem um curto período de tempo para regressar, até que o gelo entre em colapso e se rompa", explica Olsen.


O cientista conta que ficou surpreso com o rápido derretimento observado quando ele tirou a foto. Ele só havia experimentado este evento extremo uma vez, durante seus quinze anos, realizando pesquisas na Groenlândia. Não é comum que o derretimento ocorra com tanta rapidez, segundo ele.


"É preciso ter uma onda súbita de ar quente quando ainda há neve fresca sobre o gelo marinho sólido", explica Olsen. Por isso, este é um exemplo de evento extremo se desenvolvendo no início da estação".


Casos de derretimento como o presenciado por Olsen, normalmente, só ocorrem no final da estação, no fim de junho ou julho.


Estes eventos têm efeito bola de neve, gerando novos derretimentos, à medida que existe menos neve e gelo para refletir os raios solares de volta para o espaço e manter a superfície fria.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c05m26gd3rno.adaptado.


Eu a vi como uma situação assustadora.


Sintaticamente, é correto afirmar que, nesta frase,

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Ano: 2025 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: CAESB-DF Provas: CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Advogado - Especialidade: Advogado | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Químico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Biólogo | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Geógrafo | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Agrimensor | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Químico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Administrador | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Ambiental | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Civil | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Analista de Sistemas | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Eletricista | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Eletrônico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Florestal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Mecânico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Contador | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Economista | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Estatístico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Pedagogo |
Q3444152 Português
Texto CG1A1


       Como nasceu Brasília? A resposta é simples. Como todas as grandes iniciativas, surgiu quase de um nada. A ideia da interiorização da capital do país era antiga, remontando à época da Inconfidência Mineira. A partir daí, viera rolando pelas diferentes fases da nossa história: o fim da era colonial, os dois reinados e os sessenta e seis anos da República, até 1955. Pregada por alguns idealistas, chegou, mesmo, a se converter em dispositivo constitucional. No entanto, a despeito dessa prolongada hibernação, nunca aparecera alguém suficientemente audaz para dar-lhe vida e convertê-la em realidade.

       Coube a mim levar a efeito a audaciosa tarefa. Não só promovi a interiorização da capital, no exíguo período do meu governo, mas, para que essa mudança se processasse em bases sólidas, construí, em pouco mais de três anos, uma metrópole inteira — moderna, urbanisticamente revolucionária —, que é Brasília.

       Yuri Gagarin, o famoso astronauta, disse-me ao ver Brasília pela primeira vez: “A ideia que tenho, presidente, é a de que estou desembarcando em um planeta diferente, que não a Terra”.

        De fato, o cenário de Brasília tem aspectos realmente singulares. As cúpulas do Palácio do Congresso, uma côncava e outra convexa; a imponência da Praça dos Três Poderes, refletindo o brilho de suas sucessivas fachadas de vidro; o Palácio do Supremo Tribunal de Justiça, apoiado em alicerces tão tênues que dão a impressão de que o edifício não toca o chão, mas flutua; a beleza do Palácio da Alvorada, concebido em linhas de uma harmonia tão perfeita que o traçado de suas colunas sui generis já é motivo ornamental até de certo tipo de louça sofisticada. Tudo ali é diferente, revolucionário. Reflete uma estética urbanística única no mundo. E, sobre o acúmulo das maravilhas criadas pelo gênio humano, estende-se o infinito do horizonte rasgado do Planalto — um horizonte baixo, que lembra as vastidões marinhas e que, sendo enorme, serve de palco, pela manhã e à tarde, aos mais deslumbrantes jogos de luz de que é capaz a natureza.

       Assim é Brasília em uma visão caleidoscópica, sem se recordar o seu todo urbanístico — os blocos residenciais; o Eixo Monumental; a audaciosa torre de telecomunicações com seu restaurante panorâmico; as famosas “quadras” autossuficientes, recordando, em uma feição moderna, as comunidades medievais; e, sobretudo, o lago artificial, com 600 milhões de metros cúbicos de água, dotado de praias, iate clube, barcos a vela e toda natureza de esportes aquáticos.

        No mundo existem algumas cidades artificiais, isto é, não nascidas por imposições sociopolíticas, mas erigidas por iniciativa de reis ou de governantes. A construção de todas elas arrastou-se por anos, e algumas, apesar do tempo passado, ainda não estão de todo concluídas. Por outro lado, nenhuma delas possui uma história própria — uma história de heroísmo, audácia, determinação e espírito de pioneirismo épico, que representou sua construção, exibe uma insígnia que lhe empresta importância ímpar, quando posta em comparação com suas congêneres. A nova capital, descontada sua grandiosidade arquitetônica, permitiu que dois terços do nosso território — que eram desalentadores “espaços vazios” — fossem conquistados. Pode-se dizer assim, e com a maior segurança, que o Brasil só se tornou adulto depois da construção de Brasília.


Juscelino Kubitschek. Por que construí Brasília.
Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2000 (com adaptações).  
No primeiro parágrafo do texto CG1A1, o segmento “Como todas as grandes iniciativas” (terceiro período) expressa uma 
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Q3437652 Português
A borboleta amarela


        Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma bruxa ou qualquer outro desses insetos que fazem vida urbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela.

        Era na esquina de Graça Aranha com Araújo Porto Alegre; ela borboleteava junto ao mármore negro do Grande Ponto; depois desceu, passando em face das vitrinas de conservas e uísques; eu vinha na mesma direção; logo estávamos defronte da A.B.I.. Entrou um instante no hall, entre duas colunas; seria uma jornalista? – pensei com certo tédio.

      Mas logo saiu. E subiu mais alto, acima das colunas, até o travertino encardido. Na rua México eu tive de esperar que o sinal abrisse: ela tocou, fagueira, para o outro lado, indiferente aos carros que passavam roncando sob suas leves asas. Fiquei a olhá-la. Tão amarela e tão contente da vida, de onde vinha, aonde iria? Fora trazida pelo vento das ilhas – ou descera no seu voo sassaricante e leve da floresta da Tijuca ou de algum morro – talvez o de São Bento. Onde estaria uma hora antes, qual sua idade? Nada sei de borboletas. Nascera, acaso, no jardim do Ministério da Educação? Não; o Burle Marx faz bons jardins, mas creio que ainda não os fez com borboletas – o que, aliás, é uma boa ideia. Quando eu o mandar fazer os jardins de meu palácio, direi: Burle, aqui sobre esses manacás, quero uma borboleta amare... Mas o sinal abriu e atravessei a rua correndo, pois já ia perdendo de vista a minha borboleta.

        A minha borboleta! Isso, que agora eu disse sem querer, era o que eu sentia naquele instante: a borboleta era minha – como se fosse meu cão ou minha amada de vestido amarelo que tivesse atravessado a rua na minha frente, e eu devesse segui- -la. Reparei que nenhum transeunte olhava a borboleta; eles passavam, devagar ou depressa, vendo vagamente outras coisas – as casas, os veículos ou se vendo –, só eu vira a borboleta, e a seguia, com meu passo fiel. Naquele ângulo há um jardinzinho, atrás da Biblioteca Nacional. Ela passou entre os ramos de uma acácia e de uma árvore sem folhas, talvez um “flamboyant”; havia, naquela hora, um casal de namorados pobres em um banco, e dois ou três sujeitos espalhados pelos outros bancos, dos quais uns são de pedra, outros de madeira, sendo que estes são pintados de azul e branco. Notei isso pela primeira vez, aliás, naquele instante, eu que sempre passo por ali; é que a minha borboleta amarela se tornava sensível às cores.

      Ela borboleteou um instante sobre o casal de namorados; depois passou quase junto da cabeça de um mulato magro, sem gravata, que descansava num banco; e seguiu em direção à Avenida. Amanhã eu conto mais.




(BRAGA, Rubem. A Borboleta Amarela. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1963. p. 170-176. Adaptado.)

No trecho “[…] a borboleta era minha – como se fosse meu cão ou minha amada de vestido amarelo que tivesse atravessado a rua na minha frente, […]” (4º§), a palavra em destaque transmite sentido de: 

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Ano: 2025 Banca: CPCON Órgão: Prefeitura de Pombal - PB Provas: CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Arquiteto | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Arquivista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Assistente Social | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Bioquímico | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Cirurgião Dentista Protesista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Contador | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Educador Físico | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Enfermeiro 30H/40H | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Engenheiro Agrônomo | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Engenheiro Civil | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Engenheiro de Alimentos | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Farmacêutico | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Fisioterapeuta | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Fonoaudiólogo | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Odontólogo (Pacientes Especiais) | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Auditor | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Psiquiatra | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Radiologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Clínico Geral | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Urologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Plantonista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Veterinário | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Nutricionista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Odontólogo | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Psicopedagogo Clínico | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Psicólogo | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Terapeuta Ocupacional | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Cardiologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Dermatologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Gastroenterologista Pediatra | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Ginecologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Obstetra | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Oftalmologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Ortopedista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Pediatra |
Q3429865 Português

Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.


TEXTO III 


Um milagre


(Graciliano Ramos)


    R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.

    A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.

    Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.

Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.

Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.

    A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.

Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.



(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)

No período Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada.”, a oração introduzida pelo COMO expressa, semanticamente, noção de:
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Q3384763 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Burnout: equilíbrio entre vida profissional e pessoal é essencial contra esgotamento

Especialistas destacam como encontrar o equilíbrio no mundo atual é fundamental para evitar o esgotamento mental


Victória Anhesini


    A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu e classificou a síndrome do burnout como uma doença ocupacional em 2022, mas, antes disso, uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 2021, já mostrava que um a cada quatro brasileiros estava sofrendo dessa condição. [...]


    Não conseguir ter equilíbrio entre vida pessoal e profissional é uma das principais causas que levam ao burnout. Segundo Larissa Fonseca, psicóloga clínica e especialista na doença, é mais complexo alcançar esse patamar quando todos estão hiperconectados, sempre prontos para atender às necessidades de colegas, líderes e clientes. [...]


     No Panorama do Bem-Estar Corporativo 2025, estudo desenvolvido pela Wellhub, 47% dos colaboradores que responderam a pesquisa afirmam que o estresse no trabalho impacta negativamente seu bem-estar mental, e 96% dos trabalhadores relatam algum nível de estresse durante o expediente. Luciana Benedetto, psicóloga especialista em neuropsicologia e bem-estar da BurnUp, reforça que o desequilíbrio decorre de pressões como metas inatingíveis e longas jornadas. [...]


    Larissa explica que, quando não há limites claros que delimitam o pessoal e o profissional, “ocorre uma sobrecarga emocional e física, que mantém o corpo em estado constante de alerta, elevando níveis de cortisol. Isso leva ao esgotamento característico do burnout”. [...]


Estratégias de prevenção


    Criar limites saudáveis entre trabalho e vida pessoal é imprescindível para evitar o burnout, apesar de que a prática tende a ser mais difícil que a teoria. [...] Outra parte importante é desenvolver práticas de autocuidado, como atividade física, meditação e hobbies. “Criar rituais de desconexão ao final do dia e evitar responder mensagens fora do expediente são passos simples, mas poderosos”, destacou Luciana. [...] 


O papel das empresas no equilíbrio


    As empresas possuem um grande papel para que haja esse equilíbrio. Afinal, segundo os dados da Wellhub, 82% dos colaboradores brasileiros acreditam que a empresa tem a responsabilidade de ajudar a cuidar do bem-estar. Além disso, 92% dos entrevistados disseram que o bem-estar no trabalho é tão importante quanto o salário, ou seja, não existe mais espaço para sacrificar o bem-estar.


    “As empresas devem criar uma cultura que valorize a saúde mental, ofertando ações afirmativas como respeito aos limites de horários e suporte psicológico”, afirmou Larissa.


   Luciana acrescenta que ter políticas como trabalho remoto e jornadas flexíveis permitem maior autonomia dos colaboradores, e que “ajudam os profissionais a equilibrar melhor suas responsabilidades pessoais e profissionais”. Ela ressalta, porém, que é necessário garantir que não haja sobrecarga ou invasão de espaço pessoal.


  “Essas práticas ajudam os profissionais a equilibrar melhor suas responsabilidades pessoais e profissionais, desde que acompanhadas por orientações claras para evitar excessos”.


   A neuropsicóloga acredita que ter um aliado corporativo [...] ajuda a desenvolver um plano que melhore o bem-estar dos colaboradores, já que toda a estratégia é baseada em conteúdo qualificado e pesquisas.    



Quando buscar ajuda profissional


   Reconhecer a hora de procurar apoio é um passo essencial na prevenção e tratamento do burnout. “Quando a sensação de exaustão não melhora, mesmo após tentativas de descanso, é hora de buscar um psicólogo ou outro profissional de saúde mental”, recomendou Larissa.[...]


Conscientização


   A pandemia trouxe à tona a importância da saúde mental no trabalho, e as duas especialistas enxergam que existe um movimento crescente de conscientização.


  Segundo os dados da Wellhub, os níveis globais de saúde mental caíram drasticamente durante a pandemia de Covid-19 e ainda não se recuperaram. [...]


   Por isso, a conscientização se torna um passo tão importante para evitar a síndrome do burnout ou outras condições psicológicas, assim como os planos de ação, sejam eles por meio de benefícios aos colaboradores ou por outros meios. [...]


Adaptado de: https://www.infomoney.com.br/saude/burnoutequilibrio-entre-vida-profissional-e-pessoal-e-essencial-contraesgotamento/. Acesso em: 15 mar. 2025.
Assinale a alternativa em que a palavra “como” NÃO tenha função exemplificativa.
Alternativas
Q3376550 Português

Texto 2 




Disponível em: https://www.moisescartuns.com.br/2021/09/nome.html. Acesso em: 09 nov. 2024.

Em “como você prefere ser chamado”, está correto afirmar que 
Alternativas
Q3326371 Português


Internet: <www.exame.com> (com adaptações).

O segmento “Como toda nova tecnologia” (linha 17) expressa circunstância de
Alternativas
Q3258805 Português
Leia o texto e responda à questão.

“Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sempre o gosto dessa comida. O nobre, o simples, não direi o divino, mas humano Cartola, que se apaixonou pelo samba e fez do samba o mensageiro de sua alma delicada. O som calou-se, e "fui à vida", como ele gosta de dizer, isto é, à obrigação daquele dia. Mas levava uma companhia, uma amizade de espírito, o jeito de Cartola botar lirismo a sua vida, os seus amores, o seu sentimento do mundo, esse moinho, e da poesia, essa iluminação.

(Carlos Drummond de Andrade) 
“Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sem …
“ A palavra como introduz uma ideia de:
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Q3254450 Português
“Na passagem ‘A motivação é das melhores; só não sabemos ainda se isso vai contribuir, de fato, para o fim do racismo [...]’. (3º§), “só” foi empregado como elemento coesivo com valor semântico de ____________ e poderia ser substituído pela conjunção ____________, sem prejuízo de sentido.” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior. 
Alternativas
Respostas
61: E
62: B
63: C
64: A
65: B
66: E
67: D
68: C
69: C
70: A
71: C
72: B
73: D
74: C
75: C
76: A
77: C
78: D
79: C
80: A