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Questões de Concurso Sobre figuras de linguagem em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 4.128 questões

Q3147822 Português
        Ela me incomoda tanto que fiquei oco. Estou oco desta moça. E ela tanto mais me incomoda quanto menos reclama. Estou com raiva. Uma cólera de derrubar copos e pratos e quebrar vidraças. Como me vingar? Ou melhor, como me compensar? Já sei: amando meu cão que tem mais comida do que a moça. Por que ela não reage? Cadê um pouco de fibra? Não, ela é doce e obediente.
         Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava.
         Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida. Os que me lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago.

Clarice Lispector. A hora da estrela.
Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações). 

Julgue o item que se segue, a respeito de aspectos linguísticos e semânticos do texto apresentado anteriormente.


O último parágrafo do texto constrói-se com base em metáforas e hipérboles.

Alternativas
Q3147817 Português
        Não é a paz que lhe interessa. Eles se preocupam é com a ordem, o regime desse mundo.
       O problema deles é manter a ordem que lhes faz ser patrões. Essa ordem é uma doença em nossa história.
       Para nós a terra é uma boca, a alma de um búzio. O tempo é o caracol que enrola essa concha. Encostamos o ouvido nesse búzio e ouvimos o princípio, quando tudo era antigamente.
     A guerra nunca partiu, filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda.

Mia Couto. O último voo do flamingo.
Lisboa: Editorial Caminho, 2013 (com adaptações). 

Acerca de aspectos semânticos e gramaticais do texto precedente, julgue o próximo item. 


Observa-se o uso de prosopopeia no trecho “a terra é uma boca, a alma de um búzio” (terceiro parágrafo). 

Alternativas
Q3147781 Português
O navio negreiro

Castro Alves

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar
(...)

E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
(...)

Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
(...)

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...

A partir da leitura dos excertos precedentes do poema O navio negreiro, de Castro Alves, julgue o item a seguir. 


Identifica-se o emprego de metáfora no verso “— Férrea, lúgubre serpente —”.

Alternativas
Q3147774 Português
Índios

Legião Urbana
Quem me dera, ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha
(...)

Quem me dera, ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente

Quem me dera, ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
(...)

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício de insistir
Nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, que apresenta um trecho da letra da canção Índios, interpretada pela banda Legião Urbana, julgue o próximo item. 


A repetição da expressão “Quem me dera, ao menos uma vez” em versos da letra da canção caracteriza a figura de linguagem denominada anáfora.

Alternativas
Q3147770 Português
JOÃO GRILO – Já fui barco, fui navio,
                           Mas hoje sou escaler.
                          Já fui menino, fui homem,
                          Só me falta ser mulher.
                          Valha-me Nossa Senhora (...)

A COMPADECIDA – Não, João, por que eu iria me zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, uma invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. (...)

PADRE (ajoelhando-se) – Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus.

JOÃO GRILO – Antes de respondermos, lembrem-se de dizer, em vez de “agora e na hora de nossa morte”, “agora na hora de nossa morte”, porque do jeito que nós estamos, está tudo misturado.

TODOS – Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora na hora de nossa morte. Amém.

Ariano Suassuna. Auto da Compadecida.
26 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1993 (com adaptações)

Em relação à linguagem, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, que apresenta um trecho da obra dramatúrgica Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, julgue os seguintes itens. 


Na primeira fala de João Grilo, identifica-se a figura de linguagem denominada metonímia no verso “Já fui barco, fui navio”, por meio da qual o eu lírico estabelece, em relação ao verso “Já fui menino, fui homem”, correspondência entre “barco” e “menino” e “navio” e “homem”.

Alternativas
Q3147670 Português
        Quando falamos em pedagogia da variação linguística, não estamos propondo uma pedagogia da língua materna composta de módulos autônomos, mas tão somente estimulando uma reflexão focada nas grandes questões que envolvem a variação linguística no ensino de português sem perder de vista uma perspectiva integradora das várias dimensões desse ensino.
         Dada a complexidade do tema, entendemos que é preciso ampliar o conjunto dos que debatem essas questões. Há uma complexa trama de representações, atitudes e valores que recobrem tanto a diversidade cultural do país quanto sua diversidade linguística. Aparentemente, temos avançado mais no trato positivo da diversidade cultural do que no da diversidade linguística. Pelo menos, dispomos já de políticas de valorização da diversidade cultural, mas que, paradoxalmente, não incluem a diversidade linguística. É preciso buscar entender as razões para isso.

Ana Maria Stahl Zilles e Carlos Alberto Faraco. Pedagogia da variação linguística:
língua, diversidade e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2015, p. 9-10 (com adaptações). 

Considerando o texto anterior e aspectos da linguagem nele empregada, julgue o item seguinte.


Identifica-se uma hipérbole no primeiro período do segundo parágrafo.

Alternativas
Q3146439 Português
Texto 9A1

        No cotidiano de todo brasileiro, podemos visualizar as marcas que constituíram, a partir do século XVI, a presença dos povos africanos, de origem Banto e Iorubá, no Brasil. Essa presença está nas palavras que falamos, na gestualidade que produzimos e no nosso modo de pronunciar a língua portuguesa falada no Brasil.

        A entrada de grande número de africanos no Brasil, com suas diferentes culturas e línguas, passou por um processo de adaptação, de certo ajuste cultural e linguístico com a assimilação de novas palavras e, consequentemente, da forma como elas orientavam o entendimento da nova realidade vivida em português. Entretanto, ainda é possível visualizar a presença das palavras africanas nos diferentes espaços da cultura brasileira.

         O Museu da Língua Portuguesa, ao expor o acervo de palavras africanas que entraram no vocabulário da língua portuguesa, favorece reconhecer a história da população africana no Brasil como agente da cultura e da língua portuguesa que se desenhava sobre este solo. No setor Palavras Cruzadas do museu, por exemplo, visualizam-se palavras que nos ensinaram a nomear determinados comportamentos, como: bagunça lengalenga, dengo. Essas são algumas das palavras africanas que continuam vivas a significar comportamentos e relações sociais. Outras ganharam o sentido de gíria na língua portuguesa falada no Brasil, como borocoxô, cafofo.

         A cultura é algo que está no corpo, nos gestos, na memória, na forma de andar, no contorno das expressões verbais e não verbais. Não é possível perdê-la. A mudança de um contexto cultural para outro acompanha adaptações e recriações dadas em palavras, por isso podemos falar em um movimento de antropofagia simbólica no lugar de uma simples assimilação de palavras e práticas.

         As línguas mudam ao acompanharem a história dos seus falantes. Esta é a história da língua portuguesa em solo brasileiro: ela também pode adaptar-se às novas relações linguísticas e culturais. No Brasil, a manutenção da estrutura latina da língua portuguesa não impediu que esta acolhesse uma nova sonoridade em relação à sua matriz e incorporasse um grande vocabulário de palavras que veio de outras línguas.

         Como um detetive que reúne pistas para contar uma história, as palavras africanas expostas no acervo do Museu da Língua Portuguesa compõem o papel de traduzir os sentidos e significados compartilhados na cultura brasileira. É uma história nem sempre contada em livros didáticos, mas que carregamos conosco para os diferentes lugares a que podemos ir. A importância da língua portuguesa como um bem museológico se faz nesse ato de contar histórias que não são definidas por nós, mas são praticadas e vividas coletivamente.

Wilmihara Santos.
A presença africana nas palavras que falamos em português.
2018. Internet:<museudalinguaportuguesa.org.br>  (com adaptações).

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto 9A1, julgue o item seguinte.


No último período do quarto parágrafo, o termo “antropofagia” é empregado com sentido metafórico, como resultado de uma comparação implícita.

Alternativas
Q3142917 Português
Ao analisar os aspectos que constituem a metalinguagem, observa-se que “a metalinguagem é um uso linguístico cujo objeto foi descrito por meio de qual alternativa?
Alternativas
Q3139074 Português
Sobre as figuras de linguagem, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE.

___________ é a figura de linguagem que substitui um termo por outro, desde que haja uma relação entre eles, como o nome do autor pela obra, enquanto ____________ é a figura associada ao uso de sentimentos humanos e palavras por seres inanimados ou animais. 
Alternativas
Q3138796 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Não espalha


Prendemo-nos ao "eu te amo" como se fosse uma convenção inadiável, uma etiqueta implacável. Seu pronunciamento é uma sentença obrigatória, uma sondagem diária da fidelidade.


Há aqueles que não saem de casa se o cônjuge não retribui as palavrinhas mágicas.


Não sou adepto dessa birra e chantagem com Beatriz. Que ela simplesmente me ame, sem depender de provas, sem se ver ameaçada por testes quantitativos. 


Circula uma tirania de que precisamos falar sempre, para que a companhia não tenha dúvidas daquilo que sentimos.


Mas a jura não é tão importante quanto demonstrar amor. E você pode expressar o carinho silenciosamente, a lealdade secretamente.


Ou seja, é preferível proteger, confiar e selar a empatia em atos de confluência a gritar votos aos quatro ventos.


O que vale é agir amorosamente, é se preocupar amorosamente, é se interessar pelo outro, é suprir o seu par com atenção, é trocar a saudade pela gentileza.


E, de repente, quem ama muito nem diz "eu te amo", economiza no "eu te amo", porém é abundante na prática da reciprocidade. É alguém que não se nega a estar perto, acessível, consciente de sua influência.


Temos que observar mais o exemplo do que as declarações: se a pessoa admira você, se a pessoa incentiva você, se a pessoa elogia você, se a pessoa ampara você, se a pessoa escuta você.


Esse arcabouço de comportamentos deve prevalecer no romance. Não queira que o seu parceiro diga a todo momento o que ele mesmo já realiza naturalmente. É redundância.


Recordo um diálogo que vivi com a minha filha, quando ela tinha 11 anos.


Na hora de dar boa-noite, reparei que ela estava encabulada e arredia comigo. Tentei me aproximar.


− O que houve?


− Eu não sei se te amo. Não sei o que é amor − ela me disse.


Não me senti mal. Não me senti desvalorizado. Quem nunca se perguntou isso?


Há dias em que parece que você ama mais.Há dias em que parece que você ama menos. Há dias em que você se esquece de amar. Há dias em que você ama em dobro.


Lembro que fiz carinho na sua cabeça, cantei "O Leãozinho", de Caetano, e permaneci ao seu lado até que adormecesse.


Quando jurei que ela já tinha apagado e não estava mais me ouvindo, confidenciei:


− Amar é só gostar de ficar junto, filha.


Ela, inesperadamente, respondeu:


− Então, eu te amo, pai, mas não espalha.


Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado


https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/11/29/naoespalha

No texto adaptado de Fabrício Carpinejar, observa-se o uso de figuras de linguagem como recurso estilístico para enriquecer a expressividade do discurso. No trecho:

"Circula uma tirania de que precisamos falar sempre, para que a companhia não tenha dúvidas daquilo que sentimos."

Analise o uso das figuras de linguagem nesse trecho e assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3137574 Português
Assinalar a sentença que foi elaborada a partir de um eufemismo, isto é, com a intenção de suavizar uma expressão:
Alternativas
Q4253813 Português

TEXTO 1



Por Conceição Evaristo



Maria



    1 Maria estava parada há mais de meia hora no ponto de ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. Os ônibus estavam aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos. O osso do pernil e as frutas que tinham enfeitado a mesa. Ganhara as frutas e uma gorjeta. O osso a patroa ia jogar fora. Estava feliz, apesar do cansaço. A gorjeta chegara numa hora boa. Os dois filhos menores estavam muito gripados. Precisava comprar xarope e aquele remedinho de desentupir o nariz. Daria para comprar também uma lata de Toddy. As frutas estavam ótimas e havia melão. As crianças nunca tinham comido melão. Será que os meninos gostavam de melão?

    2 A palma de umas de suas mãos doía. Tinha sofrido um corte, bem no meio, enquanto cortava o pernil para a patroa. Que coisa! Faca-laser corta até a vida!

    3 Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entra as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem assentou-se ao lado dela. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai do seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também! Homens também? Eles haveriam de ter outra vida. Com eles tudo haveria de ser diferente. Maria, não te esqueci! Tá tudo aqui no buraco do peito...

    4 O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava  com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos? Era a primeira vez que ela via um assalto no ônibus. Imaginava o terror das pessoas. O comparsa de seu ex-homem passou por ela e não pediu nada. Se fossem outros os assaltantes? Ela teria para dar uma sacola de frutas, um osso de pernil e uma gorjeta de mil cruzeiros. Não tinha relógio algum no braço. Nas mãos nenhum anel ou aliança. Aliás, nas mãos tinha sim! Tinha um profundo corte feito com faca-laser que parecia cortar até a vida.

    5 Os assaltantes desceram rápido. Maria olhou saudosa e desesperada para o primeiro. Foi quando uma voz acordou a coragem dos demais. Alguém gritou que aquela puta safada conhecia os assaltantes. Maria assustou-se. Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai do seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz ainda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei porquê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e quere lembrava vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção a Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção a Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira: Calma, pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos... Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos gostam de melão?

    6 Tudo foi tão rápido, tão breve. Maria tinha saudades do seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facaslaser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher já estava todo dilacerado, todo pisoteado. Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


(In: Olhos d’água, p. 39-42). Texto adaptado. Observação: os parágrafos estão numerados.

A figura de linguagem presente no trecho em destaque “Maria, não te esqueci! Tá tudo aqui no buraco do peito ...” é: 
Alternativas
Q4208675 Português
TEXTO II


Leia o texto a seguir.


Artifícios


    Meia noite. O céu se colore pelas cores da despedida e pelos brindes e goles do espumante, pela chegada.
    Um se vai, outro chega. Abraços, beijos, cânticos saudando o convidado que adentra ao findar da contagem regressiva. As mãos se unem em orações e meditações diversas. Sorrisos, lágrimas pela despedida, pelo que se foi. Sim. Lágrimas de melancolia, de alívio, de "graças a Deus, já foi tarde". Entretanto outras, de gratidão.
    Outros olham o novo, o convidado especial; alguns o recebem de branco, outros de amarelo, outros mergulhados no brilho, pois o novo merece. Ele promete. Promete? 
     A embriaguez toma conta de muitos, por satisfação, felicidade, mas também por pura e melancólica certeza de que é só mais uma noite e nada irá mudar.
     Amanhece. O novo pretende ficar por um bom tempo. Ou melhor, mais precisamente por 365 dias, indubitavelmente. Contudo, percebe-se que só ele é novo. Ao abrir a janela, a rua é a mesma, as casas são as mesmas, o tempo é o mesmo. E o novo nem parece ali estar mais. Mas está. Em seu sorriso, com certo sarcasmo, apenas deixa implícito para muitos, que deixam passar por despercebidos, entretanto explícito para outros que percebem que a rua é a mesma, que o tempo é o mesmo, que o dia é o mesmo, que nada mudou, ou mudará? Todavia o que poderá se tornar novo é o pulsar dentro de cada um que não se rende ao trivial e se propõe a seguir o curso do rio da vida, deixando-se navegar pela correnteza da esperança, não se entregando à água tácita e incrédula, nem rendendo-se à tórrida estagnação.

Tulius Mendonça
“Outros olham o novo, o convidado especial; alguns o recebem de branco, outros de amarelo, outros mergulhados no brilho, pois o novo merece. Ele promete. Promete?” Nesse trecho, percebe-se o emprego de uma figura de linguagem, que consiste numa omissão de um termo já citado, denominada:
Alternativas
Q4207275 Português
TEXTO II

LEIA O TEXTO A SEGUIR.


Desafios entre fios


   15 anos. Naquele dia minha vida mudaria para sempre. Não num baile de debutantes, não numa valsa. No entanto, na sinfonia a que o destino me propusera. Voltava do funeral, do último olhar para minha mãe.

   Na sala, meus quatro irmãos menores. Em minha consciência, guardei a bagagem da responsabilidade sem manual de instrução.

  “Os sonhos precisaram ficar estagnados, mas jamais esquecidos”.

   Hoje, todos crescidos, criados, realizados.

   60 anos. Mãe, esposa, concluindo os estudos, resgatando meus sonhos.


Sirley. (3o ano EM - EJA)
O trecho que percebe uma gradação ascendente é: 
Alternativas
Q4207267 Português
TEXTO II

LEIA O TEXTO A SEGUIR.


Desafios entre fios


   15 anos. Naquele dia minha vida mudaria para sempre. Não num baile de debutantes, não numa valsa. No entanto, na sinfonia a que o destino me propusera. Voltava do funeral, do último olhar para minha mãe.

   Na sala, meus quatro irmãos menores. Em minha consciência, guardei a bagagem da responsabilidade sem manual de instrução.

  “Os sonhos precisaram ficar estagnados, mas jamais esquecidos”.

   Hoje, todos crescidos, criados, realizados.

   60 anos. Mãe, esposa, concluindo os estudos, resgatando meus sonhos.


Sirley. (3o ano EM - EJA)
A palavra "fios" no título: 
Alternativas
Q4206987 Português
TEXTO II

LEIA O TEXTO A SEGUIR.


Desafios entre fios


   15 anos. Naquele dia minha vida mudaria para sempre. Não num baile de debutantes, não numa valsa. No entanto, na sinfonia a que o destino me propusera. Voltava do funeral, do último olhar para minha mãe.

   Na sala, meus quatro irmãos menores. Em minha consciência, guardei a bagagem da responsabilidade sem manual de instrução.

  “Os sonhos precisaram ficar estagnados, mas jamais esquecidos”.

   Hoje, todos crescidos, criados, realizados.

   60 anos. Mãe, esposa, concluindo os estudos, resgatando meus sonhos.


Sirley. (3o ano EM - EJA)
A palavra "fios" no título: 
Alternativas
Q4206982 Português
TEXTO I


LEIA O TEXTO A SEGUIR.

O texto que você irá ler agora é uma parábola utilizando o nome de Gandhi. Para muitos é um boato viralizado na internet, sendo na realidade mais uma “historinha de joãozinho”.


   Quando Gandhi estudava Direito na Universidade de Londres tinha um professor chamado Peters, que não gostava dele, mas Gandhi não baixava a cabeça. Um dia o prof. estava comendo no refeitório e sentaram-se juntos.

   O professor disse:

   - Sr. Gandhi, você sabe que um porco e um pássaro não comem juntos?

   - Ok, Prof..... Já estou voando...... e foi para outra mesa.

   O professor aborrecido resolve vingar-se no exame seguinte, mas ele responde, brilhantemente, todas as perguntas.

   Então resolve fazer a seguinte pergunta:

   - Sr. Gandhi, indo o Sr. por uma rua e encontrando uma bolsa, abre-a e encontra a Sabedoria e um pacote com muito dinheiro. Com qual deles ficava?

   Gandhi respondeu....

   - Claro que com o dinheiro, Prof.!

   - Ah! Pois eu no seu lugar Gandhi, ficaria com a sabedoria.

   - Tem razão professor cada um ficaria com o que não tem!

   O prof. furioso escreveu na prova "IDIOTA" e lhe entregou.

Gandhi recebeu a prova, leu e voltou e disse:

   - Prof. o Sr. assinou a prova, mas não deu a nota!

Moral da história:

   Semeia a Paz, Amor, compreensão. Mas trata com firmeza quem te trata com desprezo. Ser gentil não é ser capacho, nem saco de pancadas. 
Analisando as respostas de Gandhi ao professor, percebe-se que Gandhi:
Alternativas
Q4206812 Português
TEXTO II

LEIA O TEXTO A SEGUIR.


Desafios entre fios


   15 anos. Naquele dia minha vida mudaria para sempre. Não num baile de debutantes, não numa valsa. No entanto, na sinfonia a que o destino me propusera. Voltava do funeral, do último olhar para minha mãe.

   Na sala, meus quatro irmãos menores. Em minha consciência, guardei a bagagem da responsabilidade sem manual de instrução.

  “Os sonhos precisaram ficar estagnados, mas jamais esquecidos”.

   Hoje, todos crescidos, criados, realizados.

   60 anos. Mãe, esposa, concluindo os estudos, resgatando meus sonhos.


Sirley. (3o ano EM - EJA)
A palavra "fios" no título: 
Alternativas
Q4206467 Português
TEXTO II


Leia o texto a seguir.


Artifícios 


    Meia noite. O céu se colore pelas cores da despedida e pelos brindes e goles do espumante, pela chegada.

     Um se vai, outro chega. Abraços, beijos, cânticos saudando o convidado que adentra ao findar da contagem regressiva. As mãos se unem em orações e meditações diversas. Sorrisos, lágrimas pela despedida, pelo que se foi. Sim. Lágrimas de melancolia, de alívio, de "graças a Deus, já foi tarde". Entretanto outras, de gratidão.

    Outros olham o novo, o convidado especial; alguns o recebem de branco, outros de amarelo, outros mergulhados no brilho, pois o novo merece. Ele promete. Promete?

     A embriaguez toma conta de muitos, por satisfação, felicidade, mas também por pura e melancólica certeza de que é só mais uma noite e nada irá mudar. 

    Amanhece. O novo pretende ficar por um bom tempo. Ou melhor, mais precisamente por 365 dias, indubitavelmente. Contudo, percebe-se que só ele é novo. Ao abrir a janela, a rua é a mesma, as casas são as mesmas, o tempo é o mesmo. E o novo nem parece ali estar mais. Mas está. Em seu sorriso, com certo sarcasmo, apenas deixa implícito para muitos, que deixam passar por despercebidos, entretanto explícito para outros que percebem que a rua é a mesma, que o tempo é o mesmo, que o dia é o mesmo, que nada mudou, ou mudará? Todavia o que poderá se tornar novo é o pulsar dentro de cada um que não se rende ao trivial e se propõe a seguir o curso do rio da vida, deixando-se navegar pela correnteza da esperança, não se entregando à água tácita e incrédula, nem rendendo-se à tórrida estagnação.

Tulius Mendonça

Leia o terceiro parágrafo do texto a seguir para responder a questão.



“Outros olham o novo, o convidado especial; alguns o recebem de branco, outros de amarelo, outros mergulhados no brilho, pois o novo merece. Ele promete. Promete?” 



“Outros olham o novo, o convidado especial; alguns o recebem de branco, outros de amarelo, outros mergulhados no brilho, pois o novo merece. Ele promete. Promete?” Nesse trecho, percebe-se o emprego de uma figura de linguagem, que consiste numa omissão de um termo já citado, denominada:
Alternativas
Q4206292 Português
TEXTO II

LEIA O TEXTO A SEGUIR.


Desafios entre fios


   15 anos. Naquele dia minha vida mudaria para sempre. Não num baile de debutantes, não numa valsa. No entanto, na sinfonia a que o destino me propusera. Voltava do funeral, do último olhar para minha mãe.

   Na sala, meus quatro irmãos menores. Em minha consciência, guardei a bagagem da responsabilidade sem manual de instrução.

  “Os sonhos precisaram ficar estagnados, mas jamais esquecidos”.

   Hoje, todos crescidos, criados, realizados.

   60 anos. Mãe, esposa, concluindo os estudos, resgatando meus sonhos.


Sirley. (3o ano EM - EJA)
A palavra "fios" no título: 
Alternativas
Respostas
501: E
502: C
503: C
504: C
505: E
506: E
507: C
508: C
509: C
510: D
511: D
512: X
513: D
514: D
515: A
516: A
517: C
518: A
519: D
520: A