Questões de Concurso Sobre denotação e conotação em português

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Q4371189 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Garnier


Crônica publicada por Machado de Assis em outubro de 1893, após a morte do livreiro e editor B. L. Garnier, cuja livraria funcionava na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.


Durante meio século, Garnier não fez outra coisa, senão estar ali, naquele mesmo lugar, trabalhando. Já enfermo desde alguns anos, com a morte no peito, descia todos os dias de Santa Teresa para a loja, de onde regressava antes de cair a noite.


[...] os cemitérios são tristes, não em si mesmos, ao contrário. Quando outro dia fui a enterrar o nosso velho livreiro, vi entrar no de S. João Batista, já acabada a cerimônia e o trabalho, um bando de crianças que iam divertir-se. Iam alegres, como quem não pisa memórias nem saudades.


Vivos há-os ainda, e dos bons, que alguma coisa se lembrarão daquela casa e do homem que a fez e perfez. Editar obras jurídicas ou escolares, não é mui difícil; a necessidade é grande, a procura certa. [...] Quem a vê agora, fechadas as portas, trancados os mostradores, à espera da justiça, do inventário e dos herdeiros, há de sentir que falta alguma coisa à rua.


Pessoalmente, que proveito deram a esse homem as suas labutações? O gosto do trabalho, um gosto que se transformou em pena, porque no dia em que devera libertar-se dele, não pôde mais; o instrumento da riqueza era também o do castigo. [...] Valha sequer a memória, ainda que perdida nas páginas dos dicionários biográficos. Perdure a notícia, ao menos, de alguém que neste país novo ocupou a vida inteira em criar uma indústria liberal, ganhar alguns milhares de contos de réis, para ir afinal dormir em sete palmos de uma sepultura perpétua. Perpétua!


Vocabulário: perfez: concluiu, completou (do verbo "perfazer"). mui: muito. labutações: trabalhos árduos. devera: deveria. contos de réis: unidade de conta da antiga moeda brasileira.


ASSIS, Machado de. Garnier. In: ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. v. 2. Publicado originalmente em Páginas recolhidas (Rio de Janeiro: Garnier, 1906). Disponível em:

https://machado.mec.gov.br/obra-completa-lista/item/download/44_efbd a0d80ae2b6fd9a0cab326fad708c. Acesso em: 16 set. 2026. (Fragmento adaptado: supressões indicadas por [...] e grafia atualizada conforme o Acordo Ortográfico vigente.)

A crônica começa pela rotina de trabalho que Garnier manteve mesmo doente e termina com a exclamação "Perpétua!". Entre esses dois pontos, o cronista passa pelo enterro do livreiro e pela casa fechada na rua.


Considerando a relação entre o primeiro e o último parágrafo, assinale a alternativa que apresenta a leitura CORRETA do percurso construído pelo cronista.

Alternativas
Q4361998 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.


Texto 01


    Minha mãe recebeu flores todo dia 12 durante vinte e sete anos. Nunca soubemos quem mandava. As flores sempre chegavam pela manhã. Sempre eram girassóis. Sempre acompanhadas do mesmo cartão: “Espero que você esteja feliz.” Nada mais. Sem nome. Sem assinatura. Meu pai nunca pareceu se incomodar. Pelo contrário. Era ele quem colocava as flores no vaso da sala. Quando eu perguntava quem enviava, ele apenas sorria. – Algumas perguntas não precisam de resposta.

    Achei estranho a vida inteira. Principalmente porque o dia 12 não era aniversário dela. Nem data de casamento. Nem Dia das Mães. Não era nada que fizesse sentido. Então meu pai morreu. E, pela primeira vez em vinte e sete anos, o dia 12 chegou sem flores. Minha mãe passou o dia inteiro em silêncio. Naquela noite, encontrei-a sentada na varanda, segurando uma fotografia antiga. Ela chorava. Perguntei quem era o homem na foto. Ela demorou para responder. Depois disse: – Foi o meu primeiro amor.

    Descobri, naquela noite, uma história que ela nunca havia contado. Quando tinha dezoito anos, minha mãe namorava um rapaz chamado Miguel. Os dois planejavam se casar. Mas ele sofreu um acidente e morreu poucos meses antes do casamento. O dia 12 era a data em que eles deveriam ter subido ao altar. Fiquei em choque. Então fiz a pergunta óbvia: – Era ele quem mandava as flores? Minha mãe me olhou e chorou ainda mais. Depois balançou a cabeça. – Não. Era seu pai.

    Demorei alguns segundos para entender. Ela continuou: – Quando nos casamos, contei a ele sobre o Miguel. Contei também que o dia 12 era o único dia do ano em que eu sentia saudade de uma vida que nunca aconteceu.

    Meu pai não disse nada. No mês seguinte, apareceram os primeiros girassóis. Durante vinte e sete anos. Sem falhar uma única vez. Olhei novamente para a fotografia. Meu pai passou quase três décadas enviando flores à esposa em nome de outro homem.

    Não porque tivesse perdido uma disputa. Não porque quisesse ser comparado. Mas porque amava minha mãe o suficiente para respeitar até as saudades que ela trazia dentro dela. Hoje, quando alguém me pergunta o que é amor, eu nunca sei responder direito. Só lembro de um homem que, durante vinte e sete anos, escolheu não ter ciúmes de um fantasma. E de uma mulher que, todos os dias 12, recebia flores de dois amores ao mesmo tempo.


Disponível em: https://www.threads.com/@sophie_v.marrie/post/DacMrfFrFJ?xmt=AQG0EiTpNW3Ub2P88vAstJYVyTUMHElI8PDzMS5e6SIIEM_yUnJb9Npeh9M6MXXMpL7eGR4N&slof=1). Acesso em: 15 jul. 2026.

No trecho “[...] ciúmes de um fantasma.”, a palavra “fantasma” foi usada no sentido
Alternativas
Q4361968 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão que a ele se refere.

Texto 01

Despedida

    Essa crônica é uma despedida. Resolvi, por decisão própria, parar de escrever em Cotidiano. Devo ter perdido o juízo. Minha decisão contraria um dos dois maiores sonhos de cada escritor. Primeiro, o sonho de ser um best-seller. Encontrar algum livro seu nas prateleiras da livraria Laselva, nos aeroportos. Confesso: sou vítima dessa vaidade. Mas não aprendo a lição. Nos aeroportos, vou sempre visitar a Laselva na esperança de lá encontrar um dos meus livros. Saio sempre desapontado. O outro sonho dos escritores é ter seus textos publicados num jornal importante: ser lido por milhares de leitores. O que significa reconhecimento duplo: do jornal que os publica e dos leitores. Isso faz muito bem para o ego. Todo escritor tem uma pitada de narcisismo.
    Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: “Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas...” E ele se pergunta se “não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas...” Respondo: Sim. Há um cansaço. A velhice é o tempo do cansaço de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. Já escrevi muito. Mas, agora, meus 78 anos estão pesando. E como acontece com as estrelas, há sempre a obrigação de brilhar. A obrigação: é isso o que pesa. Quereria ser capaz de viver um poeminha do Fernando Pessoa: “Ah, a frescura na face de não cumprir um dever... Que refúgio o não se poder ter confiança em nós...” Perco o sono atormentado por deveres, pensando no que tenho de escrever. Sinto – pode ser que não seja assim, mas é assim que eu sinto – que já disse tudo. Não tenho novidades a escrever. Mas tenho a obrigação de escrever quando minha vontade é não escrever. Não é qualquer coisa que se pode publicar num jornal. O próprio nome está dizendo: “jornal”, do latim “diurnalis”; de “dies”, dia, diurno; o que acontece no dia; diário. O tempo dos jornais é o hoje, as presenças. Mas minha alma é movida pelas ausências: nos jornais, não há lugar para ressurreições.
    Acho que aconteceu comigo coisa parecida com o que aconteceu com a Cecília Meireles. Escrevendo sobre ela, Drummond falou o seguinte: “Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me sempre a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Por onde erraria a verdadeira Cecília, que, respondendo à indagação de um curioso, admitiu ser seu principal defeito ‘uma certa ausência do mundo’?” Deve ser alguma doença que ataca preferencialmente os velhos e os poetas. A Cecília descrevia o tempo da sua avó como “uma ausência que se demorava”. E Rilke se perguntava: “Quem assim nos fascinou para que tivéssemos um olhar de despedida em tudo o que fazemos?” O sintoma dessa doença é aquilo que a Cecília disse: uma certa ausência do mundo.
    O místico Ângelus Silésius já havia notado que temos dois olhos, cada um deles vendo mundos diferentes: “Temos dois olhos. Com um, vemos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem. Com o outro, vemos as coisas da alma, eternas, que permanecem”. Jornais são seres do tempo. Notícias: coisas do dia, que amanhã estarão mortas. E é por isso que vou parar de escrever: porque estou velho, porque estou cansado, porque minha alma anda pelos caminhos do Robert Frost, porque quero me livrar dos malditos deveres que me dão ordens desde que me conheço por gente...


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/ff0111201105.htm. Acesso em: 21 jul. 2026. 
Analise os itens a seguir, tendo em vista os recursos de linguagem usados pelo autor na construção do texto.

I- Metalinguagem.
II- Subjetividade.
III- Intertextualidade.
IV- Conotatividade.
V- Coloquialidade.

Estão CORRETOS os itens
Alternativas
Q4360619 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A cafonice do Brasil


Muito se fala sobre etarismo, uma palavra que até pouco tempo ninguém sabia que existia. Em alguns países orientais os mais velhos são reverenciados como pessoas sábias. Mas no Brasil não importa quanto sucesso você fez ou o quanto contribuiu com algo: quando chega numa certa idade todo mundo tem que seguir a cartilha do envelhecer. Especialmente se você é mulher. Caso não siga a cartilha, ou seja, não atenda às expectativas impostas pela sociedade de envelhecer dentro dos padrões da moralidade, se prepare pra zerar o dicionário de xingamentos machistas e misóginos.


O que se viu nesses últimos dias, com tantos julgamentos sobre o corpo e as roupas da Xuxa em seu show "O Último Voo da Nave", diz muito sobre nós. Digo "nós" porque boa parte dessa cartilha e fiscalização muitas vezes vem das próprias mulheres. Das que se escondem nos comentários até as ditas "influencers da moral" que fingem um discurso de crítica social só pra lacrar e ganhar likes em cima das atitudes de outras mulheres. A internet virou um refúgio de gente frustrada que arrumou um lugar pra destilar ódio disfarçado de opinião, usando o moralismo e a política pra angariar pessoas igualmente frustradas e desinformadas.


Mulheres reféns dos padrões, com seus procedimentos e magreza extrema, que se acham revolucionárias por julgarem corpos alheios. A verdadeira cafonice do Brasil. E o mais triste: ver outras mulheres curtindo, comentando e se sentindo importantes porque alguém destilou todo o preconceito que elas não tiveram coragem de mostrar.


Enquanto isso, nas escolas, meninas seguem fazendo bullying com as outras, os pais permanecem omissos e os educadores seguem preocupados com a relação violenta entre elas. Tenho uma filha adolescente e vejo claramente como a rivalidade feminina começa cedo. Comentários maldosos sobre os corpos das outras, adjetivos num tom pejorativo, exclusão de grupos, falta de empatia e dificuldade de aceitar quem é diferente. Muitas vezes com meninos incentivando tudo de camarote. Já falei pra minha filha que, cada vez que as meninas brigam entre si, os meninos se sentem mais à vontade pra julgá-las. Um grupo de meninas unidas é o melhor antídoto contra qualquer dominação.


Feminicídio, voto feminino sendo ameaçado, crianças sendo abusadas, violência doméstica e vocês, caras amigas, gastam tempo e voz falando do corpo de outra mulher?


Xuxa lotou, aos 63 anos, um estádio por duas noites com pessoas 40+ relembrando uma época e a própria história. Era uma comemoração. E o olhar pro deslize foi o que ficou? Que olhar adoentado é esse, caras amigas, que ignora uma superprodução e foca na virilha de alguém que resolveu envelhecer celebrando a vida? O que isso traz de bom pra alguém? Qual o exemplo que vocês querem deixar pra esse mundo? Não só para as meninas mas também para os meninos que se sentem no direito de criticar o corpo feminino e achar isso normal.


Porque o elogio também é uma forma de transformação. Seus filhos aprendem gentileza com vocês e é assim que, futuramente, vão saber viver relações gentis. As críticas que viralizam não servirão em nada pra criar seres humanos melhores e nem ajudam a sociedade a entender que os corpos das meninas não pertencem aos homens.


Espero que os likes preencham a alma dessas pessoas e façam valer a pena uma existência tão medíocre. Gastar uma vida diminuindo quem vive e envelhece com as mesmas dores que você é de uma pequenez de espírito sem tamanho.


[...]
"A internet virou um refúgio de gente frustrada que arrumou um lugar pra destilar ódio disfarçado de opinião...", a palavra "refúgio", empregada nesse contexto, apresenta sentido:
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Q4357967 Português
Leia o trecho a seguir, extraído da obra de literatura infantil das escritoras baianas Cássia Valle e Luciana Palmeira.
Calu já ia começar a escrever uma nova história no seu bloquinho, quando, de repente, lembrou-se de que, na ilha onde tinha nascido e morava, não existia um museu para que todos pudessem entrar, percorrer, ver, ouvir, perceber, entender, sentir, e tocar. A menina pensou na possibilidade de a prefeitura transformá-la na criadora do Museu da Ilha chamada Boca do Rio. Ela imaginou logo que não ia prender a história numa única casa. Ela ia transformar vários cantos da ilha num pedaço de um grande museu. VALE, C. e PALMEIRA, L. Calu - uma menina cheia de histórias. Rio de Janeiro: Editora Malê Mirim, 2019.
Considerando que o objetivo pedagógico da atividade é levar os alunos a compreender os sentidos que as palavras assumem no contexto em que são empregadas, a análise do verbo “prender”, em “não ia prender a história numa única casa”, possibilita desenvolver a habilidade de
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Q4357901 Português

Leia a tirinha a seguir. 

Imagem associada para resolução da questão

Na fala do menino no último quadrinho, o efeito de humor e de ironia indireta é produzido porque a personagem 

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Q4357807 Português
A era da abundância de inteligência


    Em julho, a OpenAI publicou um relato incomum: admitiu ter suspendido temporariamente o uso interno de um de seus modelos mais avançados após observar comportamentos imprevistos, e descreveu como reconstruiu seus sistemas de segurança a partir do episódio. Meses antes, OpenAI e Anthropic, concorrentes diretas, haviam avaliado publicamente os modelos uma da outra em testes de alinhamento. Quando os próprios criadores de uma tecnologia passam a discutir abertamente novas formas de controle e supervisão, a mensagem não é de alarme, e sim de escala. Não estamos diante de mais uma onda de novidades tecnológicas, mas de uma transformação histórica.
        
    Pela primeira vez na história da humanidade, a inteligência deixou de ser um recurso escasso. A Revolução Agrícola democratizou a produção de alimentos, a Revolução Industrial multiplicou a força física humana, a internet democratizou o acesso à informação e a inteligência artificial dá o passo seguinte: democratiza capacidades intelectuais! Durante milênios, a inteligência especializada foi privilégio de poucos, do escriba ao advogado, do engenheiro ao médico. Hoje, milhões de pessoas produzem textos, programam, analisam documentos, traduzem idiomas e resolvem problemas complexos em segundos, com o apoio de sistemas inteligentes. É o que chamo de Era da Abundância de Inteligência.

    Não se trata de substituir o especialista, mas de ampliar o alcance de cada pessoa que pensa, cria e decide e essa abundância terá seu impacto mais profundo sobre uma geração que ainda nem chegou à escola! Chamo essas crianças de “IA Born”: nascerão e crescerão em um mundo onde a inteligência artificial sempre existiu, assim como os nativos digitais jamais conheceram um mundo sem internet. Essa geração não vai “aprender IA”, ela simplesmente viverá em um ambiente onde a inteligência estará presente em praticamente toda atividade intelectual, tão invisível e onipresente quanto a eletricidade e isso mudará por completo sua forma de aprender, trabalhar, criar e tomar decisões.

    Aqui surge o paradoxo que deveria nos tirar o sono. Enquanto a transformação avança em ritmo acelerado, continuamos formando crianças segundo um modelo educacional concebido para um mundo em que o conhecimento era raro. Boa parte da escola ainda opera sobre pressupostos do século XIX: memorizar, repetir, responder corretamente, trabalhar sozinho, evitar consulta, desconfiar de ferramentas externas. O mundo profissional, enquanto isso, valoriza exatamente o oposto: formular boas perguntas, pensar criticamente, criar, colaborar, atravessar disciplinas, resolver problemas inéditos e, cada vez mais, usar ferramentas inteligentes com julgamento, sabendo validar respostas em vez de apenas aceitá-las. O conhecimento continua essencial, pois sem repertório não há pensamento crítico. Mas memorizar deixou de ser o principal diferencial competitivo.

    O desafio, porém, não se encerra na escola. Nós, pais, teremos uma responsabilidade igualmente decisiva: criar filhos emocionalmente estáveis e menos ansiosos em um mundo veloz, de estímulos constantes e acesso instantâneo a tudo. Uma geração acostumada a respostas imediatas precisará aprender, em casa, o valor da paciência, da frustração bem vivida, do tédio criativo e do tempo longe das telas. De pouco adiantará formar mentes brilhantes, se não formarmos também emoções sólidas! O equilíbrio emocional será tão importante quanto a competência intelectual para viver e prosperar nesse novo cenário.

    Porque toda abundância cria novas carências. Quando a inteligência se torna acessível a todos, o que passa a ser raro e valioso é justamente aquilo que a máquina não entrega: julgamento, ética, criatividade, curiosidade, imaginação, empatia, responsabilidade e visão estratégica. A capacidade de formular a pergunta certa vale mais do que a de recitar a resposta pronta e o discernimento para identificar quando a IA está certa e quando está errada torna-se, talvez, a competência definidora do profissional deste século.

    A pergunta, então, é inevitável: estamos preparando nossos filhos para o passado ou para o futuro? Continuamos ensinando habilidades que eram fundamentais quando a informação era escassa, mas que deixarão de representar vantagem em um mundo de inteligência abundante? Não se trata de ensinar as pessoas a utilizar a inteligência artificial, pois essa é a parte fácil e as ferramentas mudarão muitas vezes. O verdadeiro desafio do século XXI é preparar a primeira geração que jamais conhecerá um mundo sem ela. A educação precisará ir além de formar pessoas que sabem responder. Terá de formar pessoas capazes de decidir, interpretar, criar e liderar sistemas inteligentes, e não de competir com eles.

    A inteligência artificial não é apenas mais uma inovação. Ela inaugura uma nova etapa da civilização, comparável à agricultura, à máquina a vapor e à internet, talvez até maior. A grande pergunta não é se a IA substituirá pessoas, mas sim: que competências continuarão sendo exclusivamente humanas quando a inteligência deixar de ser um recurso escasso? A maior responsabilidade da nossa geração não é construir inteligências artificiais cada vez mais poderosas, mas sim, preparar seres humanos, a começar pelas crianças que já estão nascendo, capazes de usá-las com sabedoria e serenidade!


(Por Diego Teixeira. Disponível em: https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigosl. Acesso em: julho de 2026.)
No 3º§, ao caracterizar a presença da inteligência artificial nas atividades intelectuais por meio dos adjetivos “invisível” e “onipresente”, o autor atribui à tecnologia um sentido que extrapola sua referência literal. Nesse contexto, o emprego desses adjetivos contribui para representá-la como um recurso:
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Q4350699 Português
Após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, no último domingo (5), as obrigações da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) com a Fifa ainda não terminaram. Ela terá de pagar mais de R$ 500 mil em multas acumuladas ao longo do torneio.
O motivo para uma conta tão alta? Os cartões amarelos. Além de repreender os jogadores em campo, eles também vêm acompanhados de uma bela multa para as seleções. O valor é pago pela própria confederação e não é descontado do salário dos jogadores.
https://super.abril.com.br/cultura/cartao-amarelo-desconta-do-salario- dos-jogadores-entenda/
  No trecho "Além de repreender os jogadores em campo, eles também vêm acompanhados de uma bela multa para as seleções.", a escolha pelo adjetivo "bela" tem como objetivo 
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Q4350698 Português
Observe o cartaz de campanha postado no Instagram da Secretaria Municipal de Cultura de Salvador em 8/5/26.

Imagem associada para resolução da questão
https://www.instagram.com/p/DYFN5gkEYw-/

Na campanha apresentada, a construção dos sentidos depende da articulação entre a linguagem verbal e a imagem.
Assinale a afirmativa que identifica corretamente a função do uso da expressão "Tá dando onda!" no cartaz.  
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Q4350635 Português
Já por várias vezes o nosso jornal, que é sem dúvida o órgão das mais legítimas aspirações da população baiana, tem trazido notícias sobre a atividade criminosa dos “Capitães da Areia”, nome pelo qual é conhecido o grupo de meninos assaltantes e ladrões que infestam a nossa urbe. Essas crianças que tão cedo se dedicaram à tenebrosa carreira do crime não têm moradia certa ou pelo menos a sua moradia ainda não foi localizada.  

Esse bando que vive da rapina se compõe, pelo que se sabe, de um número superior a 100 crianças das mais diversas idades. Crianças que, naturalmente devido ao desprezo dado à sua educação por pais pouco servidos de sentimentos cristãos, se entregaram no verdor dos anos a uma vida criminosa. São chamados de “Capitães da Areia” porque o cais é o seu quartel-general. E têm por comandante um mascote dos seus 14 anos, que é o mais terrível de todos, não só ladrão, como já autor de um crime de ferimentos graves.

Adaptado de AMADO, J. Capitães da Areia. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 4. 
Uma análise dos substantivos e dos adjetivos empregados no trecho permite concluir que a seleção dessas classes gramaticais contribui para
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Q4350632 Português
Leia o início da crônica “Barraco em Higienópolis”, da escritora Tati Bernardi. 

    Um casal do prédio vizinho ao meu começa uma briga. Eles estão arrumando a mesa de jantar da varanda, e no entra e sai, enquanto carregam sousplats, pratos Vista Alegre e travessas ovais de cerâmica artesanal, me presenteiam com pedaços da discussão. 

    Acredito que deixam os highlights para o ar livre, pois sempre que aparecem trazem, junto com bowls de bambu e guardanapos de linho rústico off white, manchetes importantes para que eu monte a história.

https://www1.folha.uol.com.br


No trecho "me presenteiam com pedaços da discussão", o emprego metafórico do verbo "presentear" contribui para a construção do olhar da narradora ao 
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Q4348581 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Cheiro de Amor (Maria Bethânia)


De repente fico rindo à toa, sem saber por que

E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar

Foi tudo tão de repente

Eu não consigo esquecer

E confesso, tive medo

Quase disse: Não

-

Mas o seu jeito de me olhar

A fala mansa, meio rouca

Foi me deixando quase louca

Já não podia mais pensar

Eu me dei toda para você

-

De repente fico rindo à toa, sem saber por que

E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar

Foi tudo tão de repente

Eu não consigo esquecer

E confesso, tive medo

Quase disse: Não

-

E meio louca de prazer

Lembro teu corpo no espelho

E vem o cheiro de amor

Eu te sinto tão presente

Volte logo, meu amor 
Leia os versos:

"Foi me deixando quase louca
Já não podia mais pensar
Eu me dei toda para você"

Considerando o sentido das expressões destacadas no contexto da letra, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4348311 Português
Assinale a alternativa em que a palavra destacada está sendo empregada em sentido figurado.
Alternativas
Q4348268 Português

Texto para a questão


As coisas acontecem quando querem


E quando crescem todo mundo vê


Não o caminho traçado à navalha


Mas o tamanho do bicho que é


Eu quero ser o que rolar pra mim


Quero, de querer, de estar a fim


Fazendo o certo independentemente


Indefinidamente


Viver bem


Comer bem


Dormir bem Falar legal


Big bang, big bang, big bang


Tudo bem, tudo bem, 'tá legal, 'tá legal, 'tá


Jadsa. Big bang (2025).




O verso Eu quero ser o que rolar pra mim, no contexto da canção, sugere uma postura de
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Q4345934 Português
Texto para as questão


Leia o excerto a seguir, retirado da letra da música “Peão Todo Tatuado”.


Ela não vai pro rodeio pra ver montaria

Ela não vai pro rodeio pra beber cachaça

Sabe o que que ela tá interessada?

Sabe o que que ela quer?

Peão todo tatuado

Beijo de paieiro, perfume de mato

Me pega de jeito, me prende no laço

Eu adoro


FAGUNDES, Mariana; JENINHO. Peão Todo Tatuado. In: álbum homônimo, 2022. 
No verso “Me pega de jeito, me prende no laço”, a expressão “prender no laço” é empregada em sentido figurado. No contexto da letra, essa expressão idiomática significa
Alternativas
Q4345874 Português
Texto para a questão


Leia o excerto a seguir, retirado da letra da música “Peão Todo Tatuado”.


Ela não vai pro rodeio pra ver montaria

Ela não vai pro rodeio pra beber cachaça

Sabe o que que ela tá interessada?

Sabe o que que ela quer?

Peão todo tatuado

Beijo de paieiro, perfume de mato

Me pega de jeito, me prende no laço

Eu adoro


FAGUNDES, Mariana; JENINHO. Peão Todo Tatuado. In: álbum homônimo, 2022.
No verso “Me pega de jeito, me prende no laço”, a expressão “prender no laço” é empregada em sentido figurado. No contexto da letra, essa expressão idiomática significa
Alternativas
Q4345871 Português
Texto para a questão




GALHARDO, Caco. Bicudinho. Folha de S. Paulo, 8 jun. 2026. Disponível em: cartum.folha.uol.com.br.
No cartum, a fala “Fui rotulado.”, dita pelo xampu no consultório, pode ser entendida de duas maneiras ao mesmo tempo. Quais são esses dois sentidos?
Alternativas
Q4345191 Português
Considere os dois enunciados a seguir:
1. Tive um dia exaustivo no trabalho, estou morto de cansaço.
2. Eu estou literalmente morto de cansaço.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4345174 Português
Leia o Texto:


Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


Fonte: Crônica do Amor - Por Arnaldo Jabour
No trecho “Ah, o amor, essa raposa.”, a expressão “essa raposa” exerce função predominantemente:
Alternativas
Q4345172 Português
Leia o Texto:


Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


Fonte: Crônica do Amor - Por Arnaldo Jabour
Ao afirmar que “O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão”, o autor defende que:
Alternativas
Respostas
21: D
22: C
23: E
24: E
25: A
26: A
27: A
28: D
29: B
30: D
31: A
32: B
33: C
34: E
35: C
36: C
37: E
38: D
39: C
40: C