Questões de Concurso Sobre denotação e conotação em português

Questões Discursivas

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Q4208086 Português
Por que as gaivotas roubam comida?

Por Marlene Zuk

 

(Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/por-que-as-gaivotas-roubam- comida-cientistas-fizeram-um-experimento-com-batatas-fritas-para-descobrir – texto adaptado especialmente para esta prova). 
No trecho retirado do texto “as pessoas têm opiniões muito diferentes sobre as gaivotas, desde amá-las como símbolos do mar até chamá-las de ‘ratos com asas’”, as aspas na expressão “ratos com asas” são utilizadas para: 
Alternativas
Q4207119 Não definido
Por que as gaivotas roubam comida?

Por Marlene Zuk



(Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/por-que-as-gaivotas-roubam- comida-cientistas-fizeram-um-experimento-com-batatas-fritas-para-descobrir – texto adaptado especialmente para esta prova). 
No trecho retirado do texto “as pessoas têm opiniões muito diferentes sobre as gaivotas, desde amá-las como símbolos do mar até chamá-las de ‘ratos com asas’”, as aspas na expressão “ratos com asas” são utilizadas para: 
Alternativas
Q4204618 Português

TEXTO I

 


O Lixo


Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.


— Bom dia.


— Bom dia.


— A senhora é do 610?


— E o senhor do 612.


— É.


— Eu ainda não o conhecia pessoalmente...


— Pois é.


— Estava revendo a sua vida no seu lixo.


— Como?


— O seu lixo. O conteúdo do seu pacote.


— Ah...


— O senhor fuma?


— Um pouco.


— Três maços por dia.


— Como é que a senhora sabe?


— Pelas embalagens.


— Ah.


— E é vegetariano.


— Sei... A senhora também examina as cascas de legumes?


— Examino não. É bem a palavra. Elas saltam aos olhos. O senhor não come carne. O senhor não gosta de frango, nem de peixe. Só de cenoura, chuchu e abóbora.


— É que eu estou num regime.


— Sei. E toma muito vinho.


— É para o coração. Me disseram que uma taça de vinho tinto...


— Duas garrafas de "Gato Negro" por dia?


— Bem...


— E o senhor gosta de ler.


— Como é que a senhora sabe?


— Pelas revistas de informática.


— Ah.


— E o senhor está com um problema de pele.


— Isso a senhora não pode saber. Não joguei nada fora que...


— O senhor comprou um creme para dermatite. A bisnaga está vazia.


— É verdade.


— E o senhor é muito sozinho.


— Por que a senhora diz isso?


— Pelos catálogos de pedidos pelo telefone. O senhor pede tudo em casa. E pelas quentinhas. O senhor não cozinha.


— É...


— O senhor não mora com ninguém. No seu lixo só tem material de uma pessoa.


— É verdade. Mas e o seu lixo?


— O meu?


— A senhora é casada, tem dois filhos, um deles ainda usa fraldas, o outro gosta de iogurte de morango, o seu marido fuma charutos, a senhora usa hidratante caro, joga fora muitas flores...


— Como é que o senhor sabe tudo isso?


— No seu lixo tem fraldas, copos de iogurte, pontas de charuto, potes vazios de creme francês e muitas flores murchas.


— Impressionado...


— O quê?


— Eu sempre achei que o lixo fosse a coisa mais particular de uma pessoa. Mas o lixo é público.


— Pois é. Os dois ficaram em silêncio por um tempo.


— O senhor quer jantar comigo hoje à noite?


— O quê?


— É que hoje eu não vou produzir lixo. Vou comer fora. E se o senhor quiser me acompanhar...


— Aceito.


— Ótimo. Só uma coisa.


— O quê?


— No meu lixo você não viu nenhuma embalagem de veneno, viu?

(Luiz Fernando Verissimo)

A partir da leitura do diálogo entre os vizinhos, pode se afirmar que o "lixo" funciona no texto como 
Alternativas
Q4202939 Português
"Em tempos de intensa circulação de informações, é comum que notícias falsas encontrem terreno fértil para se espalhar. Nas redes sociais, uma mentira bem construída pode ganhar asas e percorrer grandes distâncias em poucos minutos, influenciando opiniões e comportamentos."
Considerando os sentidos produzidos pela linguagem no texto, analise as afirmativas abaixo:
I - A expressão "terreno fértil" foi empregada em sentido conotativo, sugerindo condições favoráveis para a disseminação de notícias falsas.
II - A expressão "ganhar asas" foi utilizada em sentido denotativo, indicando que a mentira adquiriu a capacidade física de voar.
III - Se a expressão "percorrer grandes distâncias" fosse interpretada literalmente, haveria alteração do sentido pretendido pelo autor no contexto do texto.
IV - O emprego de expressões conotativas contribui para tornar a mensagem mais expressiva e ampliar as possibilidades de interpretação.
É CORRETO o que se afirma em:
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Q4201066 Português

1.300 graus à sombra dos telheiros retos 1

2.000 cavalos invisíveis pensando

40.000 toneladas de níquel amarelo

Para sair do nível das águas esponjosas

E uma estrada de ferro nascendo do solo

Os fornos entroncados

Dão o gusa e a escória

A refinação planta barras

E lá embaixo os operários

Forjam as primeiras lascas de aço.



Anuário de Literatura, ISSNe: 2175‑7917, vol. 15, n. 1, 2010 (com adaptações).

A respeito da estrutura e dos aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir.

O verso “1.300 graus à sombra dos telheiros retos “retrata o caráter plurissignificativo do texto, considerando‑se o emprego da figura de linguagem denominada auxese no referido trecho.
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Q4201057 Português


Mecânico de manutenção industrial: quem é e o que faz esse profissional?


O mecânico de manutenção é o profissional responsável por realizar reparos e manter equipamentos e componentes em condições de plena capacidade de uso. Também é conhecido como mecânico de manutenção industrial ou simplesmente mecânico industrial. Já faz um tempo que o mecânico de manutenção deixou de ser apenas o profissional que conserta e intervém quando um equipamento para de funcionar. Hoje esse profissional ganhou funções e responsabilidades importantes com o avanço tecnológico, pois, sobretudo com a era da manutenção industrial 4.0 e com a internet das coisas, as máquinas e os equipamentos industriais necessitam de manutenções preditivas e preventivas para se manterem confiáveis e disponíveis para sua função.

De início, a mecânica industrial é um campo da engenharia que se concentra no design, na operação e na manutenção de sistemas mecânicos em ambientes industriais. Ela envolve o estudo e a aplicação de princípios de física e engenharia para resolver problemas relacionados ao movimento e à força em máquinas e equipamentos utilizados na produção e na manufatura. Assim, os profissionais dessa área são responsáveis por garantir que as máquinas e os equipamentos funcionem de maneira eficiente e segura, além de realizar reparos e manutenções preventivas para evitar falhas. Portanto, a mecânica industrial abrange uma ampla gama de atividades, incluindo a análise de falhas, a otimização de processos, a instalação e o comissionamento de equipamentos, além da implementação de melhorias para aumentar a produtividade e reduzir custos operacionais.

O mecânico industrial é o profissional responsável por instalar, manter, reparar e supervisionar o funcionamento de máquinas e equipamentos industriais. Ou seja, cabe a ele atuar nas atividades de manutenção de máquinas industriais. Exemplos disso são envazadoras, agitadores, motores elétricos, compressores e uma infinidade de outros equipamentos, principalmente equipamentos industriais que utilizam elementos de máquinas, como: rolamentos, mancais, polias e correias, eixos e acoplamentos.


Internet: (com adaptações).


Quanto à estrutura e aos fatores gramaticais do texto, julgue o item seguinte.

Quanto aos critérios semântico‑interpretativos, o texto caracteriza‑se como denotativo, o que significa o emprego de uma linguagem predominantemente biunívoca. 
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Q4199612 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Captura_de tela 2026-07-27 104730.png (612×217)

(Bill Waterson, “O Melhor de Calvin”. Disponível em: https://cultura.estadao.com.br/quadrinhos, 16.04.2026. Adaptado)
Na tira, está empregado em sentido figurado o vocábulo
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Q4198919 Português
Leia o texto para responder à questão:

Comércio global à margem da OMC

    A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Camarões terminou como tantas desde o colapso da Rodada Doha, em 2008: sem acordo. Negociações sobre o comércio digital fracassaram. Tentativas de reformas institucionais empacaram. Delegações voltaram para casa com declarações vagas. O representante comercial dos EUA anunciou que Washington buscaria acordos fora da OMC.
    O impasse não surpreende. A organização depende do consenso entre mais de 160 países. A Índia bloqueia avanços em temas sensíveis, como tributação digital. Os EUA mantêm paralisado o órgão de apelação. A China resiste a mudanças que atinjam seus subsídios. A máquina roda formalmente, mas não produz resultados.
    Ainda assim, o comércio global não desacelerou na mesma proporção. Cadeias produtivas continuam ligando fábricas na Ásia, centros tecnológicos na Europa e mercados consumidores nas Américas. Fluxos apenas mudam de caminho, deslocando fornecedores e rotas. Os governos não estão emulando o unilateralismo dos EUA, e não se materializou um protecionismo generalizado. Os países negociam, mesmo quando a OMC não decide.
    As regras não desapareceram, mas já não dependem do fórum que as consolidou. Desfazer operações globais implicaria custos elevados, perda de escala e ruptura de contratos. Quando políticas comerciais avançam nessa direção, encontram resistência de empresas e mercados. A integração econômica sobrevive por inércia e interesse, mesmo quando a arquitetura institucional vacila.
    Grandes rodadas de liberalização são coisa do passado. Trata-se de preservar alguma previsibilidade num sistema mais fragmentado e modular. A alternativa não é entre uma OMC perfeita e o colapso, mas entre um sistema imperfeito e funcional ou o caos baseado na lei do mais forte. Isso exige flexibilidade para contornar bloqueios, mas também algum esforço de coordenação para evitar que o comércio se transforme numa sucessão de pactos desconectados. Sem esse equilíbrio, o risco não é exatamente o fim da globalização, mas sua degradação. Até aqui, o comércio tem resistido mais do que as instituições que deveriam organizá-lo. A letra da OMC está morta. Seu espírito vive.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 09.04.2026. Adaptado)
O termo destacado está empregado em sentido figurado em:
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Q4198877 Português

O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES


Bruno Vaiano



    Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.


    Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.


    O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.


   Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.


    Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.


    Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.


    Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.


    A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.


    A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.


    Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.


    O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.


    No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).


  Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.


   Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.



Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.

 


*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.  


No trecho: “curtas de terror sobre as backrooms [...] são ansiedade engarrafada”, identifica-se o uso de
Alternativas
Q4198012 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


De volta ao lápis e papel: por que as escolas da Suécia estão reduzindo o ensino digital


O governo da Suécia retoma o uso de livros físicos, papel e lápis nas salas de aula como estratégia para enfrentar a queda nos níveis de compreensão de leitura observada no país. A mudança, porém, tem provocado críticas de empresas de tecnologia, educadores e especialistas da área digital, que consideram a medida potencialmente prejudicial às oportunidades profissionais dos estudantes e ao futuro econômico da nação.


Em uma escola de ensino médio próxima à capital sueca, alunos relatam que passaram a utilizar novamente livros, cadernos e materiais impressos com maior frequência. Professores voltaram a distribuir textos em papel e algumas plataformas digitais de ensino foram substituídas por livros didáticos tradicionais.


Essa transformação contrasta com a imagem da Suécia como uma das sociedades mais digitalizadas da Europa, reconhecida pelo elevado domínio tecnológico da população e pelo desenvolvimento de empresas inovadoras do setor digital.


O uso de computadores nas escolas suecas se consolidou entre o final dos anos 2000 e o início da década de 2010. Em 2015, a maior parte dos estudantes do ensino médio já possuía acesso individual a dispositivos eletrônicos. Posteriormente, o uso obrigatório de tablets também foi incorporado à educação infantil, com o objetivo de preparar as novas gerações para um mundo cada vez mais digital.


Entretanto, a atual coalizão governamental passou a defender uma direção oposta, reduzindo ao máximo o uso de telas, sobretudo entre crianças mais novas. O governo adotou o lema que propõe a passagem "da tela para o papel", defendendo que atividades analógicas favorecem a concentração e o desenvolvimento da leitura e da escrita.


Desde 2025, as pré-escolas deixaram de ser obrigadas a utilizar ferramentas digitais, e crianças pequenas não recebem mais tablets antes de determinada idade. Também foi aprovada a proibição do uso de celulares nas escolas, inclusive para fins pedagógicos.


Além disso, o governo destinou recursos significativos para aquisição de livros didáticos e materiais de apoio aos professores, enquanto um novo currículo voltado ao fortalecimento do ensino baseado em livros está previsto para os próximos anos.


Defensores da mudança argumentam que ler, escrever e realizar cálculos manualmente contribui para uma aprendizagem mais sólida. A decisão foi influenciada por consultas realizadas com pesquisadores, organizações educacionais e instituições públicas.


Especialistas apontam que o excesso de tecnologia em sala de aula compromete a atenção dos estudantes, além de dificultar o processamento das informações durante a leitura digital. Estudos também relatam que o uso intenso de telas afeta o desenvolvimento cerebral de crianças mais novas.


O governo espera que a adoção de métodos mais tradicionais contribua para melhorar o desempenho da Suécia em avaliações internacionais de educação. Após ocupar posições de destaque no passado, o país registrou queda significativa nos resultados de matemática e leitura nos últimos anos. Parte relevante dos estudantes não atingiu o nível básico de compreensão textual.


Embora pesquisas internacionais indiquem benefícios das ferramentas digitais no ensino, também revelam elevada incidência de distrações em sala de aula e relação entre uso excessivo de dispositivos e desempenho inferior em determinadas disciplinas.


Especialistas alertam, contudo, que não se deve atribuir automaticamente à tecnologia a responsabilidade pelos resultados negativos. Segundo essa visão, o problema estaria no uso excessivo de aparelhos sem objetivos pedagógicos claros.


Críticos, por outro lado, afirmam que o debate entre ensino digital e analógico desvia a atenção de problemas estruturais mais relevantes, como desigualdade na distribuição de recursos educacionais e diferenças na qualidade do ensino.


Entre os próprios estudantes, as opiniões também se dividem. Alguns consideram que o excesso de tecnologia prejudica a concentração e defendem menor presença de telas nas escolas. Outros acreditam que o uso de computadores deve permanecer central na educação, já que a sociedade atual depende cada vez mais das ferramentas digitais.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c05d2jpmnypo.adaptado.
Os sentidos das palavras podem variar conforme o contexto em que são empregados, permitindo usos objetivos ou construções que ampliam os efeitos de significado produzidos no texto.
De acordo com o texto apresentado sobre o uso de tecnologias nas escolas suecas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4197399 Português
Assinale a alternativa formada pela sentença de sentido conotativo. 
Alternativas
Q4197310 Português
Analise o texto abaixo para responder à questão.


Texto I


    Tinha um mês que Maria Teresa da Vazante havia tirado o diploma. Mariinha e Tuninha fizeram de um tudo para que a filha conseguisse aquele curso. Mariinha, por intermédio de Angélica, que ainda ia à cidade, arranjou uma vaga com desconto no Sacramentina e Silva, pelo vínculo que tinha com a instituição, e fez a matricula de Maria Teresa, que todo sábado, por seis meses, carreou até Santa Stella para comparecer às aulas.

    Esse foi um período difícil e de muita privação para todas elas, porque além do preço do curso tinha o transporte, que elas pagavam para Thadeu. E todo sábado ajeitavam a menina para a viagem, que a filha delas não poderia passar vergonha.

    A angústia de esperar a manhã do sábado inteira, com a menina indo e voltando sozinha, as castigava. Toda madrugada, antes do carro partir, Mariinha fazia centenas de recomendações a Thadeu para que ele não viesse embora sem Maria Teresa. A senhora tinha confiança nele, existia aquela união entre os Fontes e as mulheres da Vazante, mas a professora não conseguiu controlar seu medo. Durante os seis meses que o curso durou, a mãe agoniava o motorista com advertências e precauções.

   — Não, eu não acredito – Maria Teresa trocava olhares de felicidade com o noivo e as mães. – Será aquilo, mainha? – a menina estendeu o braço para segurar a mão de Tuninha.

   — Abre, nega! É tua! Foi um trabalho danado de conseguir, desde antes do teu curso acabar que venho fazendo esse plano – os olhos do noivo dançavam como o alívio de chuva que cai em tarde de sol refrescando a areia.

   Mané da Gaita achou bonito tocar uma valsa doce naquele momento. Com a porta da casa aberta, o cheiro das rosas adocicava ainda mais o ambiente. Maria Teresa foi descobrindo, descobrindo, abrindo o que estava guardado naquele embrulho de coberta.

    — Sim! É uma máquina, mamãe!


(APARECIDA, Luciany. Mata Doce.Rio de Janeiro: Alfaguara, 2023, p.54)
A linguagem simbólica contribui para a expressividade no texto. Considere os fragmentos abaixo e assinale a opção em que a construção é totalmente literal, ou seja, sem conotação. 
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Q4197214 Português
Q9.png (321×329)
BROWNE, Dik. Hagar o horrível. Disponível em .<https://www.instagram.com/p/DW_4bXcjuNb/>.

O humor presente na tirinha acima decorre do fato de que o personagem que fala no último quadrinho:
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Q4196832 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


A bola amarela


    Outro dia, chegando ao quintal pela manhã, me deparei com uma bola amarela. Imediatamente me lembrei do poema de Cecília Meireles, Jogo de bola. “Bola amarela, / a da Arabela. / A do Raul, / azul. / Rola a amarela / e pula a azul."

    Peguei a bola e reportei-me à infância, em que brincávamos com a bola emprestada dos meninos da Rua Nova. Vez por outra, a bola caía no quintal da vizinha, Dona Guilé (Guilhermina), ficávamos torcendo para tê-la de volta. Qual nada! Sempre nervosa, sem dó nem piedade, ela cortava a bola e jogava os pedaços de volta para a rua. Parecia até que ela ficava do outro lado do muro, esperando a redonda, pois, no melhor da brincadeira, um toque forte e certeiro de alguém, quase sempre, fazia a bola cair no quintal de Dona Guilé e a brincadeira acabava. Inventávamos outras brincadeiras para preencher as horas livres daquelas tardes.

    Fotografei a bola amarela, ainda recordando os jogos de queimada e de futebol da nossa infância. Lembrei-me da tristeza com que ficávamos quando Dona Guilé nos devolvia, por cima do muro, a bola cortada... Logo, voltei meu pensamento para a alegria dos momentos em que jogávamos bola na rua, sem medo e sem preocupação. Coisa rara hoje em dia!

    Então, me veio à mente aquela crônica de Luis Fernando Veríssimo, A bola, que descreve a decepção de um pai, nos dias atuais, que dá uma bola de presente ao filho e ele pergunta: como é que liga? E vai procurar no embrulho o manual de instrução. Sem se encantar com a bola, a criança volta para a frente da televisão para jogar, usando o controle remoto do vídeo game. (...)

    Pensamentos e considerações à parte. Abri o portão na esperança de encontrar o dono da bola. Era cedo ainda e não havia crianças na rua. Precisava sair para trabalhar, não poderia prender o brinquedo das crianças, resolvi deixar a bola na calçada para ela encontrar seu dono ou dona.

    
  Naquele mesmo dia, no final da tarde, quando estava regando as plantas, ouvi o barulho de crianças brincando. Fui olhar e lá estavam quatro meninos, ensaiando embaixadinhas e brincando com a bola amarela.


MELO, Merandolina Pereira de. A bola amarela. Portal escritores. Disponível em .<https://portalescritores.com.br/texto/7375/a-bolaamarela>.
"(...) resolvi deixar a bola na calçada para ela encontrar seu dono ou dona."

Em relação ao sentido expresso na parte destacada do trecho acima, é correto afirmar que a autora:
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Q4187658 Português

Texto para responder à questão


Minha vó foi pega a laço


Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja.


– Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz.


– Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando.


– Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “índia” legítima – ele diz tentando me causar reação.


– Verdade? – ironizo para descontrair.


– Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” selvagem lá por Goiás.


– Eita. Que história interessante – falo arregalando os olhos.


– Pois é. Meu pai disse que meu avô contou que minha avó era muito linda e que olhou bem nos seus olhos antes de correr. Meu avô ficou enfeitiçado por ela. Imediatamente ele tirou o laço do lombo do cavalo em que estava montado e a laçou.


– Que incrível – digo.


– Ela, no começo, esperneou, gritou, chamou pelos outros “índios”, mas ninguém voltou e meu avô a levou para casa e com ela teve nove filhos.


– Uau!


– Meu avô contou para meu pai que vovó era baixinha, tinha cabelos longos bem pretinhos e olhos puxadinhos. Ela ficava horas sentada na frente de casa penteando os cabelos e com os olhos perdidos no horizonte.


– Ela devia estar cantando a saudade de sua casa – disse para quebrar o clima sombrio.


– Meu avô dizia que ela ficou a vida inteira aguardando que sua “tribo” viesse resgatá-la. Nunca ninguém apareceu. Ela, no entanto, foi muito feliz ao lado do meu avô.


Minha atenção se fixou nesta última frase enquanto meu novo amigo se despedia dizendo que tinha sido um prazer me conhecer. Cumprimenta-me, me olha de cima a baixo, vira as costas e vai embora.


Apesar de ser comum esta situação, nunca deixo de pensar nela. Acho esquisito quando alguém se orgulha de ter tido uma avó que foi escravizada por um homem que a usou durante toda uma vida e a obrigou a gestar filhos que provavelmente não queria. Penso que a maioria das pessoas não se dá conta de que esta narrativa é repetida tantas vezes e de forma poética para esconder uma dor que devia morar dentro de todos os brasileiros: somos uma nação parida à força.


Foi assim com os primeiros indígenas forçados a receber uma gente que se impôs pela crueldade e pela ambição; uma gente que tinha olhares lascivos contra os corpos nus – e sagrados – das mulheres nativas. Foi assim com os negros trazidos acorrentados nos porões de navios para serem escravos de pessoas que se sentiam superiores apenas por conta da cor de sua pele; as mulheres eram usadas como domésticas e como amantes, gerando “brasileiros” que eram desqualificados porque cresciam sem pai.


O Brasil foi “inventado” a partir das dores de suas mulheres e é importante não esquecermos esta história para podermos olhar de frente para nosso passado e aprendermos com ele. O Brasil precisa se reconciliar com sua história; aceitar que foi “construído” sobre um cemitério. Apenas dessa forma saberemos lidar com criatividade sobre a verdadeira história de como “minha avó foi pega a laço”.



(Por: Daniel Munduruku. Blog Combate ao Racismo Ambiental. Publicado em: 24/03/2018. Disponível em: https://racismoambiental.net.br/minha-avo-foi-pega-a-laco. Acesso em: maio de 2026.)

Considerando que a significação das palavras no texto relaciona-se ao contexto em que foram empregadas, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4185837 Português
Qual das alternativas apresenta sentido figurado?
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Q4184809 Português
O filtro embelezador da hipocrisia

Leonardo de Moraes (*)
Publicado em 17/02/2024 às 08:00.

    A expressão “viva sua verdade” se tornou palavra fácil em reality shows, redes sociais e conversas de bar. Estamos vivenciando a era dos egos semi-analisados, em que a suposta autoaceitação de erros e virtudes se tornou pedra fundamental para se expressar culturalmente. Essa tendência é ruim? Não. Ainda que pseudo-libertária, querer “ser você mesmo” segue no sentido correto de evolução do tecido social.
    Cada um de nós, atentos à verdade dos nossos corações, poderemos trazer luz e clareza - ou somente disrupção – à coletividade e, ao menos, estaremos no campo da verdade e da justiça. Talvez seja o início do fim da hipocrisia social, tão presente em cada ditadura, criada por cada suposto salvador da moral e dos costumes, cujas únicas virtudes sempre foram carisma e oratória, quase nunca elevação espiritual.
 Etimologicamente, “hipocrisia” significa a representação de um ator, o fingimento deliberado de uma ficção escondida. Ela reside no ditado “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, presente em boa parte das relações familiares, sociais, profissionais e econômicas da humanidade.
    Identificamos com clareza a hipocrisia dos líderes de uma nação: incitamento a multidões desavisadas, perseguições a novos pensadores, manipulações dos desejos do povo. Com hipocrisia, presidentes da República transformam seus países na sala de estar de seus preconceitos, engomados como valores tradicionais. A hipocrisia é o véu que leva povos à guerra, incitada por egos tortos. Mas ela também está nos filtros que disfarçam imperfeições físicas, no aplauso à luta por Direitos Ambientais, seguidos do consumo de brinquedos de montar feitos de plástico duro. É com hipocrisia que bradamos “aceite sua aparência natural”, mas encapamos dentes saudáveis com lâminas – também – de plástico.
    É com hipocrisia que estofamos nossas relações de mentiras e nossos corpos de plástico, para então bradarmos em reality shows que “vivemos nossa verdade”.
  Humanos, somos contraditórios; mas quando negamos nossas inconsistências, nos tornamos também hipócritas. É apenas graças aos humildes, seguros em suas imperfeições, que se formam as correntes de mudança efetiva no mundo.
   Você pode se orgulhar de “viver sua verdade” quando enfrenta seus desejos obscuros, suas teimosias e invejas, abraçando suas limitações.
    É preciso coragem para aceitar sua própria imagem no espelho e recusar o véu – aliás, o filtro embelezador – da hipocrisia. Só assim as relações sociais poderão ser mais saudáveis, e libertaremos as novas gerações de nossos ciclos de mentiras, competições e guerras.

Mestre em Direito do Estado, professor de Direitos Humanos e tabelião. Nas artes é roteirista, artista visual e autor do romance Tia Beth, sobre as dores e perdas da ditadura militar. https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/o-filtro-embelezador-dahipicrisia-1.1000555
No trecho “engomados como valores tradicionais”, o termo “engomados” contribui para a construção da ideia de que determinados preconceitos são
Alternativas
Q4183403 Português
Leia o texto para responder a questão:

     “A pujança agrícola de Junqueirópolis, embora consolidada pela cultura da acerola, não exime a municipalidade de enfrentar os gargalos logísticos inerentes ao escoamento da safra. A convergência entre tecnologia no campo e infraestrutura viária é o fiel da balança para a manutenção da competitividade regional.”
No texto, a expressão “fiel da balança” é utilizada metaforicamente para indicar:
Alternativas
Q4177793 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.
O caos da eterna crise

    Há algo de profundamente cansativo em viver num tempo que nunca se resolve. Como se a humanidade tivesse entrado num corredor sem janelas, onde cada porta aberta leva apenas a outro problema mais complexo, mais barulhento, mais urgente. E a palavra “crise”, que antes indicava um ponto fora da curva, hoje parece ser o próprio traçado da linha. 

    De longe, lá do espaço, a Terra ainda é bonita. Azul, silenciosa, quase serena. Mas essa imagem não nos pertence mais. Aqui embaixo, o planeta é outro: fragmentado, tenso, inquieto. A sensação cotidiana é de estar sempre à beira de um colapso econômico, de uma ruptura institucional, de um novo conflito armado, de uma tragédia anunciada que se confirma antes mesmo de ser compreendida. 

    Não é só o volume de problemas. É a frequência. Não há intervalo. Quando uma crise começa a perder força, outra já tomou o seu lugar, como se o mundo tivesse desaprendido a respirar. Vivemos em estado de alerta permanente, anestesiados pela repetição do absurdo. E talvez esse seja o maior perigo: não o caos em si, mas a adaptação a ele.

    Há uma exaustão silenciosa que atravessa as pessoas. O cidadão comum acorda, trabalha, paga contas, tenta manter alguma sanidade enquanto assiste, quase como espectador, ao desenrolar de decisões que afetam tudo, mas que parecem sempre distantes do seu alcance. 

   E então surge a pergunta incômoda, quase inevitável: onde foi que erramos? Em que momento aceitamos que viver assim era normal? Talvez não haja uma resposta única. Talvez o erro seja coletivo, diluído em pequenas escolhas, omissões, indiferenças acumuladas ao longo do tempo.

   O fato é que seguimos. Entre uma manchete e outra, entre o medo e a esperança, tentando encontrar algum sentido no meio do ruído.  

    Eu acreditei durante a pandemia que sairíamos diferente daquela experiência global de medo. Achei, na minha inocência, que passaríamos a compreender mais uns aos outros. 

    Até quando vamos tratar o caos como rotina? Porque uma crise sem fim deixa de ser exceção. E passa a ser, perigosamente, o nosso jeito de existir. 

Autor: Marco Matos – GZH (adaptado). 
 No texto, algumas expressões são empregadas com sentido figurado para reforçar a ideia de esgotamento diante da sucessão de crises. Considerando o sentido contextual dessas expressões, analise as assertivas a seguir.
I. Em “um corredor sem janelas”, a expressão sugere uma experiência de confinamento, falta de perspectiva e dificuldade de vislumbrar saídas para os problemas contemporâneos.
II. Em “o mundo tivesse desaprendido a respirar”, a expressão indica a ausência de intervalos entre as crises, como se a realidade estivesse continuamente sufocada por novas urgências.
III. Em “anestesiados pela repetição do absurdo”, o termo destacado indica que as pessoas se tornaram mais sensíveis e reativas diante das crises sucessivas.
IV. Em “entre o medo e a esperança”, a expressão evidencia uma oscilação subjetiva diante da realidade, marcada simultaneamente por inquietação e expectativa de algum sentido possível.
Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q4177289 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.



Sentir-se ocupado atende a uma demanda de culpa comum


    O fato ocorreu. Uma aluna de um curso livre reclamou que tivera uma massagem pela manhã, minha palestra sobre arte depois do almoço e, ainda, enfrentaria um jantar com amigas à noite. Fazia ar de cansada. Um dia com três compromissos! Eu soltei uma ironia: “Não sei como a senhora aguenta”. Ela sorriu e leu como solidariedade minha frase. Mais tarde, pensei que minha resposta era filha de uma inveja ressentida. Eu ministrava 64 aulas por semana, inclusive aos sábados à tarde. Tinha de prepará-las e deslocar-me pela cidade. Se me oferecessem uma jornada com massagem matinal, lindas imagens numa sala climatizada à tarde e comida de forma abundante à noite, eu teria um dia livre e feliz. A senhora, em questão, sentia genuíno esgotamento. 


    Cansaço é relativo. Diz respeito às potências do sujeito e dos seus hábitos. Quem dá 64 aulas por semana olha para alguém que leciona 30 como um quase vagabundo. Existem especificidades também: há pessoas que vão ao supermercado e entram em coma, logo em seguida. O curioso não parece estar na variedade infinita do gênero humano, todavia no fato de que quase todo mundo se considera muito ocupado. 


    Meu pai trabalhou bastante. Houve um momento em que ele cursava Direito em Porto Alegre, lecionava latim, português em escolas maristas e era vereador em São Leopoldo (RS). Estudava nos ônibus. Emagrecia devido ao esforço. Depois, já com o título jurídico, atendia até a noite. Dizia a todos: “Minha agenda é por minuto”. Era verdade pelas audiências, viagens, consultas e compromissos. Passaram-se os anos, ele se concentrou apenas no escritório, abandonou o magistério e a política. Casal tradicional, ele nada fazia no nosso lar. Minha mãe providenciava tudo. Nos últimos dez anos da sua existência, deixou de advogar e entrou no merecido descanso. Curiosidade: a expressão “minha agenda é por minuto” permaneceu. Aos 75 anos, seus compromissos eram ler jornais, alimentar-se, ir à missa e jogar xadrez. O dia se esgarçava, lânguido. Sua consciência de homem atarefado sobreviveu. Morreu tranquilo, sem grandes atividades. Entrou na eternidade, com os minutos contados e agenda imaginária repleta. A família adotou com ironia o lema paterno: repetimos “minha agenda é por minuto” para lembrar nosso amado pai e a relatividade da fala. 


    Sentir-se ocupado atende a uma demanda de culpa comum. Temos a dificuldade que a aristocracia superou há séculos: existir sem compromissos. Melhor – a nobreza entende como agenda o que a classe trabalhadora imagina ser lazer. 


    Volto à minha simpática aluna, paulista quatrocentona. Cada atividade implica preparar-se, vestir-se, ocupar a mente e enfrentar um novo ambiente. Eu entendo como compromisso de fato o que gera dinheiro. Não nasci duque. Um jantar está em escaninho diferente no cérebro. Para ela e para a Condessa Viúva da série Downton Abbey (feita pela genial Maggie Smith), emerge a dúvida: o que é um fim de semana? Todos os dias são tomados de jantares, eventos, aulas. Interessante: se alguém desejar marcar algo para a próxima semana, ela responderá como o mais ocupado dos pediatras de um posto do SUS: “Não posso!” Agenda é uma concepção psíquica e cultural.


    Exagero? Você já se encontrou com alguém que assume o ócio, afirma que nada faz e diz que possui o tempo todo livre? Deve ser alguém raro... Tente marcar um teatro para hoje à noite. Todos dirão que é muito em cima da hora, mesmo não tendo quaisquer compromissos no horizonte. Quase todos nos consideramos extremamente ocupados. E ainda ficamos ao celular nos elevadores para deixar claro ao mundo que a vida nos absorve por completo.


    Sim, eu sei, querida leitora e estimado leitor, vocês têm muitos afazeres. Quem trabalha fora enfrenta o caos do mundo. Quem fica em casa descobre uma rotina de Penélope, a rainha da Ítaca que tinha de tecer todo dia e desfazer à noite o realizado. Uma casa é um buraco negro de tempo. Apesar disso, já pararam para pensar que sempre alegamos mais ocupações do que, de fato, temos? Identifico um discurso que nem sempre se casa com o real. É considerado chique no mundo da glamourização do cansaço (denunciada por Byung-Chul Han) andar rápido e consultar o celular como se nele houvesse os códigos das armas nucleares. Sim, somos atarefados. A pergunta: por que aumentamos ainda mais nossa ocupação? Do que nos defendemos quando encarnamos a figura do ser sem tempo para coisa alguma?


    Convidei no fim da tarde um casal querido para um happy hour. Meu amigo respondeu: “Com prazer, desde que você não nos considere fáceis”. Aparentemente, ter tempo para a felicidade pode ser visto com desconfiança, pois a pessoa poderá ser classificada como “fácil”. Acredite: existe gente que, podendo, aceita um convite no dia e permite-se a alegria sem medo do julgamento. Tenho esperança em gente fácil. Os difíceis podem ter problemas cardíacos bem mais cedo... Boa semana para ocupados e para felizes. 


Autor: Leandro Karnal - Estadão (adaptado). 

No trecho “Um jantar está em escaninho diferente no cérebro”, a palavra destacada foi empregada com sentido figurado, indicando que, para o autor, certas atividades são colocadas em uma espécie de __________ mental, isto é, em uma categoria distinta daquela reservada aos compromissos que ele considera efetivamente obrigatórios.
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna.  
Alternativas
Respostas
1: D
2: D
3: C
4: C
5: C
6: E
7: D
8: D
9: C
10: B
11: E
12: B
13: D
14: A
15: A
16: B
17: A
18: B
19: C
20: D