Questões de Concurso Sobre denotação e conotação em português

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Q4138690 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Palavras de amor


    Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm. 

    Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

    Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

    Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra": essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões. 


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)
A expressão "procurar sarna para se coçar constitui, em linguagem figurada, um sentido equivalente ao da expressão em linguagem denotativa:
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Q4135405 Português
A lição desperdiçada na crise em Ormuz

        Na história das civilizações, quando um sistema entra em colapso, a dor imediata frequentemente atua como o mais poderoso catalisador para a inovação. É exatamente sob essa lente histórica que o atual estrangulamento do Estreito de Ormuz, causado ora pelo Irã, ora pelos EUA, deve ser interpretado. A situação é a prova incontestável da dependência da humanidade em petróleo e escancara a urgência da transição energética.

        A asfixia imediata da economia global, causada pelo bloqueio militar da rota por onde passa um quarto do óleo consumido no planeta, deveria servir como o ultimato perfeito para forçar a transição definitiva rumo às matrizes limpas. Em vez de tratar o caos no Golfo Pérsico apenas como uma emergência bélica a ser contornada, a humanidade tem diante de si a oportunidade histórica para decretar, de uma vez por todas, o fim da era dos combustíveis fósseis.

        Em um mundo governado pela racionalidade e pelo instinto de sobrevivência, o bloqueio de Ormuz soaria como o alarme definitivo. Seria o momento em que governos e mercados decidiriam direcionar a fortuna gasta para proteger e subsidiar rotas petroleiras rumo à transição energética sustentável e definitiva.

        Ocorre que a governança global tem se mostrado míope para os perigos da crise climática e apegada a soluções de curto prazo. Longe de enxergar o gargalo no Golfo Pérsico como um ultimato para a descarbonização, a reação instintiva das superpotências ilustra o tamanho do problema.

        A prioridade absoluta nos países ocidentais e nas suas periferias — incluindo o Brasil — não é libertar a economia da dependência do petróleo, mas garantir que as bombas de combustível continuem cheias a qualquer custo. Em vez de injetar capital massivo na infraestrutura de matrizes limpas com senso de urgência, a energia política do mundo se esvai em manobras navais e manobras artificiais para conter a fúria inflacionária do eleitorado.

        O fechamento de Ormuz funciona hoje como um rascunho sombrio do futuro. A escassez de energia fóssil que a guerra impõe agora pela força bélica será provocada, logo mais, pelo próprio esgotamento climático e ambiental do planeta. A crise que virá pela escassez do petróleo deveria ser o empurrão que nos faltava para pular do barco antes que ele afunde por completo.

        Contudo, tudo indica que a humanidade deixará mais essa janela histórica se fechar. Quando a tensão militar eventualmente ceder, os acordos provisórios forem assinados e os superpetroleiros voltarem a cruzar o estreito, as bolsas de valores e as lideranças globais celebrarão com alívio o fim da crise. Mas, na prática, estaremos apenas comemorando o direito de voltar à exata mesma armadilha fóssil da qual, por um breve e doloroso momento, a humanidade teve a chance de escapar para criar um futuro mais sustentável e limpo — e que parece cada vez mais distante e impossível, para a tragédia das futuras gerações.

(Editorial. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo destacado está empregado em sentido próprio.
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Q4135346 Português
Ar poluído até no interior

        Uma pesquisa do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) revelou que o ar do interior paulista pode ser pior que o da capital. Isso porque, segundo o estudo conduzido pela química Aleinnys Yera, pesticidas associados ao risco de câncer foram detectados na zona agrícola de Piracicaba em concentração superior à registrada na cidade de São Paulo e no polo petroquímico de Capuava, entre Mauá e Santo André. E chama a atenção o fato de as substâncias prejudiciais à saúde terem sido encontradas tanto na zona rural como nas áreas urbana e industrial.

        O trabalho identificou em Piracicaba um nível mais alto de atrazina, um composto usado para controle de pragas nas culturas de cana-de-açúcar. Na área urbana da capital e na industrial de Capuava, o estudo mapeou o malationa e a permetrina, que são usados no combate a mosquitos transmissores de doenças, como a dengue. E nos três pontos de medição houve registro de alta exposição diária ao heptacloro, que, embora seja proibido há anos no Brasil, ainda está presente no ar.

        Um dos principais achados da pesquisa é o potencial impacto dos pesticidas para além da região onde são usados. O estudo afirma que, considerando o peso da atividade agrícola e o uso intensivo de agrotóxicos no País, é “provável” que haja a presença generalizada de pesticidas no ar. O cultivo da cana-de-açúcar, por exemplo, é o que mais recebe pulverização aérea no Estado, que, aliás, é o maior produtor de cana do Brasil. Trata-se, portanto, de uma evidência de que, transportados pelo ar, esses produtos alcançam áreas muito afastadas de onde foram aplicados.

        Para minimizar tudo isso, o governo paulista disse que capacita produtores rurais para que façam o manejo racional dos defensivos agrícolas e afirmou que fiscaliza o uso dos pesticidas e pune os infratores. Parece insuficiente. Do contrário, os resultados da pesquisa do IQ-USP não seriam tão ruins.

        O Estado de São Paulo é uma potência agrícola, o interior paulista é pujante e o agronegócio impulsiona a economia, mas nada pode colocar em risco a saúde da população. São necessárias práticas ainda mais sustentáveis.


(https://www.estadao.com.br/opiniao, 06.04.2026. Adaptado)
O termo destacado está empregado em sentido figurado em:
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Q4133495 Português
Ibama registra primeiros filhotes de Arara-vermelha-grande após extinção.


Quase 200 anos após a extinção da Arara-vermelha-grande na na Mata Atlântica, foi registrado o nascimento dos primeiros filhotes neste mês de abril.

O nascimento das novas araras foi a primeira reintrodução documentada delas no bioma.

Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o monitoramento das araras identificou um casal passando longos períodos em ninhos projetados pelos pesquisadores do Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica. A equipe optou por acompanhar os dois à distância para não interferir no processo.

Tempos depois, o nascimento de dois filhotes foi confirmado. Eles já foram observados voando e se alimentando.

O Ibama registrou algumas imagens durante o processo de observação e até mesmo um dos filhotes.

Como não existem populações selvagens dessas aves na Mata Atlântica, eles são criados em cativeiro, vindos de adoções ou apreensões realizadas em combate ao tráfico de animais.

Atualmente, os seres selvagens da espécie estão concentrados no interior do país, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte, por mais que os criados em cativeiro estejam localizados no litoral brasileiro.

O Ibama aponta que, para além da reintrodução das Araras-vermelhas-grandes, a experiência também mostra que aves inicialmente mantidas em cativeiro podem retornar à natureza.

A instituição tem registros anteriores da reprodução de papagaios-do-mangue e periquitos-rei na natureza, mesmo sendo oriundos de cativeiro.



https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/ibama-registra-primeiros-filhotes-d e-arara-vermelha-grande-apos-extincao/
"Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o monitoramento das araras identificou um casal passando longos períodos em ninhos projetados pelos pesquisadores do Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica."
Considerando o valor semântico que as palavras assumem no contexto, assinale a alternativa incorreta.
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Q4132201 Português
Leia a letra da canção “É preciso saber viver” para responder à questão.


É preciso saber viver
Canção de Titãs ‧ 1998

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinho
Você pode se arranhar
Se o bem e o bem existem
Você pode escolher
É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Você pode escolher
É preciso saber viver
Saber viver
Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
[...]
Considere o excerto da canção É Preciso Saber Viver:

“Toda pedra no caminho
Você pode retirar”

A respeito dos sentidos construídos no fragmento e dos recursos expressivos empregados na canção, analise as afirmativas a seguir e julgue-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).

( ) O termo “pedra” assume valor metafórico, representando entraves e adversidades da experiência humana.
( ) O uso do verbo modal “pode” sugere possibilidade e autonomia do sujeito diante das dificuldades.
( ) O fragmento constrói uma visão determinista da existência, defendendo a impossibilidade de transformação da realidade.
( ) O deslocamento sintático de “Toda pedra no caminho” contribui para a ênfase semântica do obstáculo apresentado.
( ) A simplicidade estrutural da linguagem reduz a densidade reflexiva do texto poético.

Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Q4132195 Português
Observe a imagem a seguir para responder à questão.


Captura_de tela 2026-06-24 105847.png (333×448)


Disponível em: https://www.instagram.com/p/DUBu959jyFX/?utm_source=ig_web_c opy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA== Acesso em 17/05/2026.
Considerando os elementos verbais e visuais do texto, bem como o uso social da expressão “planta, assinale a alternativa correta.
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Q4132147 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Cegueira por desatenção: por que às vezes você não vê o que está diante dos olhos


Muitas pessoas vão reconhecer essa situação tão comum. Alguém insiste que um objeto simplesmente não está ali, que é impossível de encontrá-lo, apesar de dizer que fez uma busca minuciosa e eficaz. Outra pessoa chega, dá uma olhada rápida no mesmo lugar e encontra o objeto quase de imediato.

"Está bem debaixo do seu nariz!"

Essa situação frustrante (para os dois envolvidos) revela algo fundamental sobre como o cérebro funciona. Encontrar objetos em ambientes do nosso dia a dia depende de um processo chamado busca visual, e nosso cérebro não é tão eficiente nisso.

Mesmo quando algo está à nossa frente, o cérebro pode não perceber que ele está ali. Em outras palavras, olhamos, mas não vemos.

À primeira vista, procurar algo parece simples. Olhamos uma superfície — a bancada da cozinha, a mesa de trabalho, a gaveta de "tudo" — até encontrar o objeto.

Mas o cérebro não consegue analisar todos os elementos de uma cena ao mesmo tempo. Por isso, se baseia na atenção, seleciona algumas características e deixa o restante de lado.

Os psicólogos costumam descrever a atenção como um holofote que percorre o campo visual. Onde ele se concentra, a informação é processada em detalhes. O que fica fora dele recebe muito menos atenção.

Existe uma razão anatômica para o olhar se mover o tempo todo. O centro da retina — a fóvea — concentra a visão mais nítida. Mas ocupa apenas uma pequena parte do campo visual, do tamanho aproximado da unha do polegar e na distância do braço estendido.

Para enxergar bem uma cena, os olhos precisam se mover repetidamente, levando diferentes partes do ambiente a essa pequena área de alta resolução.

Esses movimentos são movimentos sacádicos, também conhecidos como "sacadas", e acontecem o tempo todo. Mesmo quando achamos que estamos olhando fixamente para algo, os olhos se movem discretamente de um ponto a outro.

Na maioria das vezes, esse sistema funciona muito bem. Ele permite que a gente se oriente em ambientes visuais complexos sem ficar sobrecarregado de informação.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c74rlpw24ljo-fragmento
Os psicólogos costumam descrever a atenção como um holofote que percorre o campo visual. Onde ele se concentra, a informação é processada em detalhes. O que fica fora dele recebe muito menos atenção."

Considerando os valores semânticos dos vocábulos utilizados no trecho e no texto, assinale a alternativa incorreta.
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Q4131715 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1 

A carne


A carne mais barata do mercado

É a carne negra

(Tá ligado que não é fácil, né, mano?)

Se liga aí

[...] 

Que vai de graça pro presídio

E para debaixo do plástico

E vai de graça pro subemprego

E pros hospitais psiquiátricos

[...]

Que fez e faz história

Segurando esse país no braço, meu irmão

O cabra que não se sente revoltado

Porque o revólver já está engatilhado

E o vingador eleito

Mas muito bem intencionado


JORGE, Seu; YUKA, Marcelo; CAPPELLETTI, Ulisses. A carne. Letra da canção. Disponível em: https://www.letras.mus.br/elza-soares/a-carne/. Acesso em: 28 maio 2025. [Adaptado]. 
Na canção, o termo “carne” aparece associado a diferentes situações e ambientes, adquirindo valor expressivo no desenvolvimento do texto. Esse processo de construção de sentido constitui
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Q4129926 Português
ESG na saúde: o imperativo da governança e sustentabilidade

        A interseção entre preservação ambiental, bem‑estar coletivo e diretrizes corporativas rigorosas representa uma fronteira vital para a medicina contemporânea. Historicamente, as instituições de cuidado focavam exclusivamente na resolução de patologias imediatas. Atualmente, o ecossistema médico compreende que a pegada de carbono e a gestão de resíduos de grandes centros de saúde atuam diretamente sobre os determinantes que afetam a saúde populacional. Trata‑se de uma mudança estrutural profunda, em que o cuidado transcende os limites físicos do leito hospitalar para abraçar a responsabilidade sobre o ambiente onde os pacientes habitam.

        Nesse cenário de transformação, a adoção de critérios de sustentabilidade e responsabilidade corporativa deixa de ser uma mera formalidade administrativa para se tornar um pilar da qualidade assistencial. Portanto, alinhar as práticas clínicas aos parâmetros globais de desenvolvimento tornou‑se um imperativo ético e operacional.

        No âmbito das relações interpessoais e comunitárias, o componente social exige que as instituições de saúde promovam um ambiente de cuidado equitativo e inclusivo. O olhar social também se volta rigorosamente ao corpo clínico e assistencial.

        A governança, dentro das estruturas de saúde, funciona como o sistema nervoso central que coordena a ética, a conformidade legal e a transparência institucional. A proteção rigorosa dos dados sensíveis dos pacientes, em consonância com as legislações de privacidade contemporâneas, também repousa sobre diretrizes de governança cibernética sólidas.

        O progresso das iniciativas de responsabilidade sistêmica só pode ser validado por meio de métricas precisas e transparentes que correlacionem ações de gestão com desfechos em saúde. O conceito de saúde baseada em valor dialoga com esses preceitos, pois ambos buscam maximizar o benefício ao paciente.

        Integrar painéis de monitoramento de sustentabilidade aos relatórios diários de performance clínica permite que a instituição reaja rapidamente a desvios de padrão. Portanto, a qualidade da assistência é indissociável da forma responsável e transparente com a qual a organização conduz seus processos operacionais.

Internet:<galiciaeducacao.com.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


No período “o cuidado transcende os limites físicos do leito hospitalar para abraçar a responsabilidade sobre o ambiente onde os pacientes habitam”, a forma verbal “abraçar” é empregada em sentido denotativo, referindo‑se ao ato físico de envolver algo com os braços.


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Q4129818 Português
Fortaleça sua voz: Dia Mundial e Nacional da Voz

        O Dia Mundial da Voz, celebrado em 16 de abril, teve início, no Brasil, em 1999 como uma data comemorativa em âmbito nacional, resultado de uma iniciativa mista de médicos, fonoaudiólogos e professores de canto.

        A campanha anual tem como principais objetivos aumentar a conscientização pública sobre a importância da voz e alertar sobre os problemas vocais. A voz é o som que acompanha os indivíduos em todas as fases da vida, desde o nascimento, por meio do choro.

        Ao longo do tempo, a voz se modifica naturalmente, pois acontecem mudanças na frequência fundamental, que é o número de vezes por segundo em que as pregas vocais vibram. Essas alterações ocorrem em virtude das transformações da maturação e do envelhecimento das estruturas responsáveis pela produção vocal.

        Por meio da voz, revelam‑se diversas características individuais que possibilitam identificar e reconhecer pessoas, suas emoções, sua personalidade, sua intenção e até mesmo suas características físicas. Ela é considerada “o tato a distância”, sendo, muitas vezes, descrita como aveludada, áspera, crepitante, macia, brilhante, colorida, metálica, entre outras qualidades.

        A voz é a principal ferramenta de comunicação e o instrumento de trabalho para muitos profissionais. Apesar de exercer um importante papel no dia a dia, nem sempre recebe a atenção e os cuidados adequados.

Atos como gritar, falar em excesso, pigarrear e não se hidratar são alguns comportamentos que prejudicam a capacidade vocal. Sintomas de alteração vocal, como cansaço, ardor ou dor ao falar, falhas na voz, mudança de tom, pigarro e rouquidão que durem mais de duas ou três semanas, merecem ser avaliados por um profissional de saúde.

        Estima‑se que em torno de 20% da população apresente algum tipo de alteração nas pregas vocais, a maior parte benigna e de fácil solução clínica ou cirúrgica. Os problemas benignos mais comuns são nódulos, pólipos, cistos vocais e edemas.

        No Brasil, o Dia Nacional da Voz foi instituído oficialmente pela Lei nº 11.704/2008. Em alusão à data, a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) promove a campanha anual Amigos da Voz, que, em 2025, completou 20 anos, trazendo como tema “Sua Voz Informa”, cujo objetivo foi enfatizar o papel fundamental da voz na comunicação humana e nas interações cotidianas.


Internet:<bvsms.saude.gov.br>  (com adaptações).

Acerca do texto e de seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


No período “sendo, muitas vezes, descrita como aveludada, áspera, crepitante, macia, brilhante, colorida, metálica, entre outras qualidades”, os adjetivos empregados para caracterizar a voz estão todos utilizados em sentido denotativo, descrevendo as suas propriedades físicas e acústicas de forma objetiva e técnica.

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Q4128246 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


Receita


ingredientes


2 conflitos de gerações


4 esperanças perdidas


3 litros de sangue fervido


5 sonhos eróticos


2 canções dos beatles



modo de preparar



dissolva os sonhos eróticos nos dois litros de sangue fervido e deixe gelar seu coração.



leve a mistura ao fogo, adicionando dois conflitos de gerações às esperanças perdidas.



corte tudo em pedacinhos e repita com as canções dos beatles o mesmo processo usado com os sonhos eróticos, mas desta vez deixe ferver um pouco mais e mexa até dissolver.



parte do sangue pode ser substituído por suco de groselha, mas os resultados não serão os mesmos. sirva o poema simples ou com ilusões.



BEHR, Nicolas. Receita. In: 50 POEMAS de revolta. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 73-74.

No poema, a combinação de elementos como sangue fervido, sonhos eróticos e esperanças perdidas integra metaforicamente o preparo descrito no texto. Considerando a relação entre esses componentes simbólicos e a construção da cena poética, essa reunião contribui para
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Q4127637 Português
Analisando a frase: “Eu morri de rir naquela festa!” é correto afirmar: 
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Q4125682 Português
A avó tem uma máquina
de costura
que foi da mãe da sua mãe,
da sua avó.


A avó pedala a máquina
e costura rendas na barra
dos vestidos,
costura um sol e uma lua
no bolso das camisas,
costura uma hora na outra,
um carinho no outro.


E o chão fica cheio de fios
e linha colorida
enquanto a avó vai costurando
amor.


(Roseana Murray. Disponível em:
<https:www.hrsoares.blogspot.com>. Acesso em: 06.04.2026)
Assinale a alternativa em que há palavras empregadas no sentido figurado.
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Q4125599 Português

O machismo das ausências


Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite. Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de uma mesma pergunta: “você já sofreu machismo no meio literário?”


Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente, com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

 

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos “nãos” que nem chegam a ser ditos porque nem precisa.


O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de indicação a prêmios. No esquecimento.


Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens, por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.


Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher. A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos cabe.


Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.


Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção. 


Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.


Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.


Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem. 


São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9% dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar atenção.



VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/. Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

As figuras de linguagem são recursos empregados para dar mais expressividade às ideias no texto; entre elas, a metáfora. O trecho que se configura como metafórico é:
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Q4125336 Português

Leia a tirinha a seguir para responder à questão: 



Foi empregada em sentido figurado a palavra destacada em: 
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Q4125046 Português
   A felicidade invadiu de tal modo nosso imaginário cultural que se tornou uma presença excessiva em nosso cotidiano ‒ atualmente é raro passarmos um dia inteiro sem ouvir ou ler alguma coisa sobre ela. Uma simples busca na internet resulta em centenas de milhares de ocorrências do termo “felicidade”. O mesmo vale para o número de postagens que as pessoas compartilham todos os dias nas redes sociais. Esse cenário revela que a felicidade vem desempenhando um papel fundamental na compreensão corriqueira que temos de nós mesmos e do mundo. É uma noção que nos parece e soa tão familiar que já nem pensamos nela ‒ seria estranho ousar questioná-la.
    Não apenas a frequência e a onipresença das ocorrências da palavra “felicidade” aumentaram radicalmente nas últimas décadas: o modo como entendemos a felicidade também passou por uma transformação drástica. Já não a relacionamos ao destino ou a circunstâncias particulares ‒ ausência de problemas, corolário de uma vida plena, ou então mero prêmio de consolação para os pobres de espírito. Hoje ela costuma ser vista como algo passível de ser engendrado pela força de vontade; resultado do treino de nossa força interior e nosso eu autêntico; única meta que faz a vida valer a pena; o padrão pelo qual devemos medir o valor de nossa biografia, o tamanho de nossos sucessos e fracassos; e a dimensão de nosso desenvolvimento psíquico e emocional.
     A felicidade passou a ser a encarnação da imagem ideal contemporânea do bom cidadão.


(Edgar Cabanas e Eva Illouz. Happycracia – fabricando cidadãos felizes, 2022. Adaptado)
Assinale a alternativa na qual se empregou palavra em sentido figurado.
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Q4123651 Português
“Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse, ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimentos. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nesses dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas”. (Trecho de “Olhos d’água, de Conceição Evaristo).  
Considere o trecho: "As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago (...)." Em relação aos recursos expressivos empregados nesse fragmento, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4123650 Português
“João Manuel voltou à cadeira. Tentava pôr a cabeça no lugar, procurar um meio de sair daquela situação. Se fosse no folhetim, era só armar um assassinato ou uma morte acidental, mas, na vida fora do papel, as pessoas geralmente teimam em não morrer quando a gente precisa que elas desapareçam, o que torna o convívio muito mais difícil”. (Trecho de “O Falso Francês”, de Ítalo Damasceno).  
No período "Tentava pôr a cabeça no lugar, procurar um meio de sair daquela situação", a expressão destacada foi empregada em sentido:  
Alternativas
Q4121648 Português
Leia o texto 1 para responder à questão.

Texto 1 

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Captura_de tela 2026-06-17 184025.png (657×397)

Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/454094/superendividamento-a-lei-que-protege-quem-nao-consegue-pagar. Acesso em 01 maio 2026 (Adaptado).
Sobre os vocábulos e expressões destacados a seguir, extraídos do texto 1, analise as assertivas e identifique com V as verdadeiras e com F as falsas.

( ) No trecho: “O aposentado recebe ligações [...]” (linha 22), o termo destacado é um pronome demonstrativo.
( ) Os verbos “elimina” (linha 18), “cria” (linha 19) e “recebe” (linha 22) estão no presente do subjuntivo, indicando uma hipótese ou desejo do autor.
( ) No trecho: “[...] ofertas agressivas, renovações sucessivas [...]” (linha 19), os adjetivos destacados estão flexionados no feminino plural para concordar com os substantivos a que se referem.
( ) No fragmento: “O desconto automático [...] elimina o risco de inadimplência” (linha 18), o verbo destacado é transitivo direto, tendo “o risco de inadimplência” como seu objeto direto.
( ) No trecho: “[...] o dinheiro da renda vai embora antes de qualquer despesa com dignidade” (linhas 23-24), a expressão destacada apresenta linguagem figurada, ou seja, uma personificação.

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é 
Alternativas
Q4119312 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


   O exercício da cancerologia é uma lição permanente de humildade. Nem bem acabamos de nos encher de orgulho ao comemorar a resposta brilhante de um doente a um esquema de tratamento engenhosamente escolhido, entra o seguinte com o mesmo diagnóstico, tratado da mesma forma, morto de falta de ar, cheio de dores, como se tivesse tomado água em vez dos remédios prescritos.

   Embora a arte de curar exija conhecimento técnico, sensibilidade humana para auxiliar o doente na escolha do tratamento mais adequado e carisma para transmitir-lhe coragem para enfrentar as dificuldades que se apresentarem, tratar alguém com uma doença curável é muito mais fácil que tratar dos incuráveis. Para conseguir que um doente incurável viva o máximo de tempo com a menor carga de dor e encontre a morte com tranquilidade, é preciso muito mais. A tarefa exige não só conhecimento científico, mas também compreensão da alma humana em profundidade, apenas acessível aos que se dedicam com empenho ao penoso processo de aprendizado que o contato repetido com a morte traz.

   Tratar alguém que de antemão sabemos ter pouco tempo de vida tem características muito próprias: a estratégia precisa ser cuidadosamente planejada, levando em conta riscos, benefícios e as expectativas daquela pessoa em particular, para que não seja desperdiçado nenhum dia com os efeitos indesejáveis impostos pelas medidas prescritas. Enquanto os doentes curáveis terão anos para se recuperar das consequências nocivas do tratamento, os incuráveis não podem se dar ao luxo de perder uma hora sequer. Eles esperam nossa ajuda para conseguir a melhor qualidade de vida que puderem ter, e para viver o maior tempo possível.


(Drauzio Varella. Por um fio, 2004. Adaptado)
A palavra destacada está empregada com sentido figurado no seguinte trecho:
Alternativas
Respostas
221: D
222: D
223: C
224: A
225: E
226: C
227: C
228: A
229: E
230: E
231: B
232: A
233: D
234: C
235: B
236: A
237: C
238: C
239: B
240: B