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"(...) resolvi deixar a bola na calçada para ela encontrar ...

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Q4196832 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


A bola amarela


    Outro dia, chegando ao quintal pela manhã, me deparei com uma bola amarela. Imediatamente me lembrei do poema de Cecília Meireles, Jogo de bola. “Bola amarela, / a da Arabela. / A do Raul, / azul. / Rola a amarela / e pula a azul."

    Peguei a bola e reportei-me à infância, em que brincávamos com a bola emprestada dos meninos da Rua Nova. Vez por outra, a bola caía no quintal da vizinha, Dona Guilé (Guilhermina), ficávamos torcendo para tê-la de volta. Qual nada! Sempre nervosa, sem dó nem piedade, ela cortava a bola e jogava os pedaços de volta para a rua. Parecia até que ela ficava do outro lado do muro, esperando a redonda, pois, no melhor da brincadeira, um toque forte e certeiro de alguém, quase sempre, fazia a bola cair no quintal de Dona Guilé e a brincadeira acabava. Inventávamos outras brincadeiras para preencher as horas livres daquelas tardes.

    Fotografei a bola amarela, ainda recordando os jogos de queimada e de futebol da nossa infância. Lembrei-me da tristeza com que ficávamos quando Dona Guilé nos devolvia, por cima do muro, a bola cortada... Logo, voltei meu pensamento para a alegria dos momentos em que jogávamos bola na rua, sem medo e sem preocupação. Coisa rara hoje em dia!

    Então, me veio à mente aquela crônica de Luis Fernando Veríssimo, A bola, que descreve a decepção de um pai, nos dias atuais, que dá uma bola de presente ao filho e ele pergunta: como é que liga? E vai procurar no embrulho o manual de instrução. Sem se encantar com a bola, a criança volta para a frente da televisão para jogar, usando o controle remoto do vídeo game. (...)

    Pensamentos e considerações à parte. Abri o portão na esperança de encontrar o dono da bola. Era cedo ainda e não havia crianças na rua. Precisava sair para trabalhar, não poderia prender o brinquedo das crianças, resolvi deixar a bola na calçada para ela encontrar seu dono ou dona.

    
  Naquele mesmo dia, no final da tarde, quando estava regando as plantas, ouvi o barulho de crianças brincando. Fui olhar e lá estavam quatro meninos, ensaiando embaixadinhas e brincando com a bola amarela.


MELO, Merandolina Pereira de. A bola amarela. Portal escritores. Disponível em .<https://portalescritores.com.br/texto/7375/a-bolaamarela>.
"(...) resolvi deixar a bola na calçada para ela encontrar seu dono ou dona."

Em relação ao sentido expresso na parte destacada do trecho acima, é correto afirmar que a autora:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho “resolvi deixar a bola na calçada para ela encontrar seu dono ou dona”, o pronome “ela” retoma “a bola” e o verbo “encontrar” atribui a esse objeto inanimado uma ação própria de ser animado; esse deslocamento semântico caracteriza prosopopeia/personificação e sustenta o gabarito A.

Tema central: prosopopeia/personificação
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o enunciado não descreve literalmente uma capacidade da bola, mas formula a ideia de modo figurado. Ao dizer que a bola poderia “encontrar seu dono ou dona”, a autora trata linguisticamente o objeto como se ele pudesse agir por si. Esse é exatamente o mecanismo da prosopopeia: atribuir ação ou comportamento de ser animado a um ser inanimado.
B
Errada
Está errada porque não há relação de contiguidade semântica entre termos, nem substituição do tipo parte pelo todo. O trecho não troca um termo por outro associado; ele atribui ação à bola. Portanto, o mecanismo não é metonímia.
C
Errada
Está errada porque não há uso lexical cristalizado por falta de termo próprio. A formulação do trecho produz efeito expressivo ao personificar a bola; não se trata de catacrese.
D
Errada
Está errada porque as palavras não estão em sentido estritamente denotativo. No contexto, a bola não pode literalmente “encontrar” alguém por vontade própria; a expressão é figurada e indica que ela foi deixada acessível para ser recuperada.
E
Errada
Está errada porque a expressão tem sentido claro no contexto. O trecho significa, de forma figurada, que a narradora deixou a bola na calçada para que o proprietário a recuperasse. Há impropriedade literal, mas não ausência de sentido.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre uso figurado com sentido contextual e uso literal: quem não percebe que “a bola” recebe a ação de “encontrar” pode marcar sentido denotativo ou chamar genericamente de outra figura, como metonímia ou catacrese.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro quem é o referente do pronome ou do sujeito da ação; aqui, “ela” retoma “a bola”.
  • Se um objeto inanimado recebe verbo de ação própria de ser animado, o critério decisivo é personificação.
  • Não trate todo desvio de sentido como figura genérica: identifique o mecanismo exato, como contiguidade, uso cristalizado ou atribuição de ação humana.
  • Diferencie expressão não literal de expressão sem sentido; o contexto pode tornar plenamente compreensível um enunciado figurado.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A personificação (prosopopeia) atribui características humanas a seres inanimados.

No trecho, foi atribuída à bola a capacidade de procurar pelo seu dono ou dona.

Gab A

Figuras de palavras (semântica): Ligadas ao significado das palavras.

Ø Metáfora: Comparação implícita (ex: "Seus olhos são estrelas brilhantes", “humanidade zumbi”).

Ø Metonímia: Substituição de um termo por outro com relação de proximidade (ex: "Ler Machado de Assis").  Substituição de um termo por outro que tem uma relação direta e significativa com aquele. 

Ø Sinestesia: Mistura de sensações de diferentes sentidos (ex: "Um cheiro doce", "Um som frio").

Ø Catacrese: Uso de uma palavra fora do sentido original por falta de termo específico (ex: "Pé da mesa").

Figuras de pensamento: Relacionadas a ideias e pensamentos.

Ø Hiperbole: Exagero (ex.: "Morrer de rir").

Ø Eufemismo: Suavização de uma ideia desagradável (ex.: "Partiu dessa para uma melhor").

Ø Prosopopeia (personificação): Consiste em atribuir características humanas a seres inanimados ou irracionais. (ex.: "O jardim olhava as crianças sem dizer nada").

Ø Ironia: Dizer o contrário do que se pensa, com intenção de zombar ou criticar.

Ø Antítese: Uso de palavras com sentidos opostos (ex.: "Amor e ódio").

Figuras de Sintaxe: Interferem na estrutura gramatical.

Ø Anáfora: Repetição de palavras no início de versos ou frases.

Ø Anadiplose: Repetição da última palavra ou frase de período ou verso, no começo do período ou verso seguinte.

ex.: “Era homem como os outros; outros Aquiles [...]”

Ø Epanalepse: Repetição de uma palavra ou expressão, geralmente aparecendo no início e no final de uma mesma frase, ou retomando um termo no meio de orações seguidas.

Ø Pleonasmo: Repetição desnecessária.

ex.: "Subir para cima" BIZU: Se indicar para onde subir, por exemplo, “subir lá para o segundo andar”, não é pleonasmo.

o  ex.: “Estas são suas obras póstumas, que foram publicadas após sua morte (se é póstuma é após a morte!)

o  ex.: “ciclo vicioso

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