Questões de Concurso
Sobre crase em português
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Poltrona sete.
Desci para a plataforma de embarque. Vi o ônibus. Entrei. Tudo era fim de tarde naquele universo de sol morrendo aos poucos. Poltrona sete. Sentei. O sol queria permanecer um pouco mais. A vida inteira cabia naquele espaço tão fechado quanto o tempo em meu rosto insone.
Aventurei um riso – me frustrei. Levantei as pernas em abraço de feto na barriga de uma mãe ausente – entristeci. O sol escureceu meus olhos – angustiei. Iria para sempre. Passei a mão no rosto. Iria para sempre. A boca amarga. Iria para sempre. Enquanto me perdia em solidão e caos, olhei pela janela. Na rodoviária, com o sol se pondo, vi o amor se materializar na figura de dois rapazes.
De frente um para o outro, como se quisessem adiar a despedida, eles se abraçaram. Um era anêmico pela própria natureza – os cabelos escuros caíam nos olhos. O outro era sério – olhava perdido para o mundo e trazia nos ombros a letargia do domingo à tarde.
O sol espalhava prenúncios de adeus.
Com o transporte às vésperas de sair, o amor se fez carne e habitou entre nós. Eles se beijaram. Tanta ternura se deu no beijo, tanto amor concretizado se fez no gesto, mas o ódio, intolerante, resolveu puni-los.
O velho ao lado dele saiu com nojo. O menino que olhava foi repreendido pela mãe. O atendente da lanchonete riu. A mulher que limpava o local, estarrecida, cessou a vassoura. A moça com Frida Kahlo na blusa fez esforço para agir naturalmente. O homem ao lado dela conferiu o relógio e virou-se. A freira de hábito irrepreensível fez o sinal da cruz.
O desconforto passeou pela rodoviária, mas o amor, indiferente, dançou no espelho dos olhares perplexos. Quando o amor dança, o ódio não consegue prendê-lo com seus grilhões enferrujados.
Depois um se arrastou para o ônibus e o outro paralisou na plataforma. Sob vigília, eles sentiram o sol se tornar áspero. Irmãos de muitas lutas, não saberiam lidar com a distância que lhes queria perfurar os corações exangues.
O que se foi baixou os olhos. O que ficou conteve o choro. Nuvem não segura tempestade que teima em descer. Aos poucos, o que era lágrimas se fez soerguer do corpo. Ai, ai, ai!, rosnou um homem a reprovar seu pranto. O mundo foi dominado por esse bando de bicha!, ladrou outro. Uns riam, outros estranhavam. Uns diziam que era o fim do mundo, outros reprovavam em silêncio. O amor tem duas margens e um rio que lhe atravessa.
Eu contemplava a cena em silêncio. Não se pode dizer muito quando o amor derrama ausências. A distância cria ciladas. Aonde iria um? Aonde iria o outro?
A rodoviária era pequena para o amor de dois homens em estado de lágrimas. O sol vestiu ausência, a lua solidão.
Eu flagrava a cena em silêncio, mas...
Sofri pancada no rosto, ou pressenti o transporte em prenúncios de partida?
Saindo da rodoviária, constatei que um dos rapazes em despedida era eu. A escuridão engoliu meu corpo. Fiquei aos gritos. Ninguém me ouviu da sepultura. Elza Soares cantou Lírio rosa. Apaguei os olhos para não ver pela janela.
Desejei dizer que. Minha boca tentou, mas. Meu corpo queria, só que. Não pude fugir, apesar de. Na poltrona, fui afixado por milhões de pregos.
E fui embora doendo sempre nos solavancos do ter-que-ir-para-nunca-mais.
(Cardoso, Emerson. O baile das assimetrias, Poltrona sete. 50, 52. São Paulo: OIA, 2002.)
Em relação ao sinal indicativo de crase, é correto afirmar que, nesta frase,




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Em relação ao sinal indicativo de crase, é correto afirmar que, nesta frase,
“Uma vez por semana, o torcedor foge de casa e vai ao estádio.” (1º parágrafo)
“…soam as matracas, os foguetes, os tambores…” (2º parágrafo)
“Embora o torcedor possa contemplar o milagre, mais comodamente, na tela de sua televisão…” (2º parágrafo)
Em conformidade com a norma-padrão de regência verbal e emprego de crase, os trechos destacados podem ser substituídos, respectivamente, por
Geração Cristal
Por Gilmar Marcílio

Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/gilmar-marcilio/noticia/2026/01/geracaocristal-cmkr9xweb028901682mf8fayh.html – texto adaptado especialmente para esta prova.
• “é ‘natural’ reagirem dessa maneira __ demandas solicitadas”. • “Atribuem pouca importância __ experiência”. • “Rompem com barreiras, arejando __ existência”.

• “___ vezes, lembramos tarde demais”.
• “o livro passa a cumprir outra função: ___ de testemunha”.
• “___ partir dali, seguimos caminhos distintos”.

“uma inteligência artificial capaz de executar .... nossas tarefas com rapidez”.
“Não é nostalgia, nem rejeição .... modernidade”.
“O esforço manual devolve .... sensação de realidade que o pixel nos rouba”.
Leia para responder à questão
O diabetes é uma condição crônica em que o corpo passa a lidar mal com a glicose, seja por produzir pouca insulina, seja por não utilizá-la de modo eficiente. Como a glicose circula no sangue, alterações persistentes podem ocorrer sem sintomas marcantes no início, o que torna o diagnóstico tardio relativamente comum. Em muitos casos, sede intensa, aumento da urina, fadiga e perda de peso aparecem de forma gradual e são confundidos com estresse ou rotina. O problema é que, enquanto esses sinais são minimizados, o excesso de glicose pode afetar vasos, nervos e órgãos, comprometendo visão, rins e circulação periférica. Por isso, o acompanhamento regular e a educação em saúde têm papel decisivo, sobretudo em pessoas com histórico familiar, excesso de peso ou pressão alta. Em vez de tratar apenas números, o cuidado precisa olhar hábitos, sono, alimentação e acesso a serviços, porque o controle depende do cotidiano.
O manejo do diabetes não se resume a “cortar açúcar”, pois envolve escolhas consistentes e estratégias realistas para manter a glicemia dentro de metas seguras. Alimentação com fibras, redução de ultraprocessados, ajuste de porções e regularidade nas refeições podem ajudar, mas a resposta do organismo varia conforme idade, medicações e nível de atividade física. Exercício, mesmo moderado, aumenta a sensibilidade à insulina e melhora o uso da glicose pelos músculos, porém exige atenção a hipoglicemias em quem usa insulina ou certos antidiabéticos. A adesão costuma melhorar quando o plano é negociado e inclui preferências culturais, horários de trabalho e recursos disponíveis, evitando prescrições impraticáveis. Também entram no cuidado os exames periódicos, a avaliação dos pés, a checagem da pressão e a atenção aos sinais de alerta.
Quando o diabetes é compreendido como uma rotina de autocuidado apoiada por equipe e família, ele deixa de ser apenas uma doença e passa a ser um campo contínuo de decisões que protegem o futuro
ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se à questão.
Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência. Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação. Daria a luz dos seus olhos, - ah, antes ela fosse cega! para que Mário a julgasse pura, muito digna de todo o respeito das filhas, muito honesta, toda de seu marido e das suas crianças. Compreendia bem que o sentimento e a imaginação nas mulheres só servem para a dor. Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz; para as outras há pedras, duras como aquelas palavras do seu filho adorado. Antes ela fora surda: não as teria ouvido!
Quantas vezes o marido teria beijado outras mulheres, amado outros corpos... e aí estava como dele só se dizia bem! Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime; ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras...
(ALMEIDA, Julia Lopes de. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018.)