Questões de Concurso
Sobre concordância verbal, concordância nominal em português
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(1ª parte): No primeiro parágrafo, a utilização de a Pasta configura coesão por elipse, pois omite o termo Secretaria de Turismo, exigindo sua recuperação pelo contexto.
(2ª parte): No primeiro parágrafo, a substituição dos doispontos por travessão é gramaticalmente possivel, sem prejuizo da correção, embora implique alteração de efeito estilistico.
(3ª parte): Na frase A interiorização do turismo e a criação de novas rotas no campo também pautaram as entregas da pasta, a concordância verbal em pautaram ocorre no plural em razão da presença de sujeito composto.
Pode-se afirmar que:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
CNPq 75 anos: uma jornada estratégica para o Brasil
A criação do CNPq, em 1951, foi um dos movimentos mais visionários da história do Brasil. Em um contexto em que o sistema científico nacional ainda era incipiente, a decisão de instituir uma agência dedicada à ciência e à tecnologia revelou a compreensão de que o conhecimento seria essencial ao desenvolvimento.
Idealizado pelo almirante Álvaro Alberto, com apoio da comunidade científica, o então Conselho Nacional de Pesquisas nasceu vinculado à presidência da República, com a missão de formar recursos humanos, apoiar a pesquisa e estruturar a ciência no país.
Ao longo de 75 anos, o CNPq consolidou-se como um dos pilares do sistema nacional de ciência e tecnologia. Milhares de estudantes foram formados por meio de suas bolsas, da iniciação científica ao pós-doutorado, e gerações de pesquisadores tiveram suas trajetórias viabilizadas pela agência, contribuindo para a expansão e qualificação da produção científica brasileira.
Seu impacto ultrapassa o financiamento individual. O CNPq foi decisivo na consolidação da pós graduação, no fortalecimento de instituições estratégicas e na articulação de programas estruturantes em diversas áreas do conhecimento.
Também teve papel relevante na promoção da cooperação internacional, estabelecendo parcerias com instituições de dezenas de países e inserindo o Brasil em redes globais de pesquisa. O apoio à formação no exterior teve efeito multiplicador, com o retorno de cientistas que criaram novos grupos e ampliaram a capilaridade do sistema científico.
Programas como o Pronex, os Institutos do Milênio e os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) consolidaram redes de excelência. A Plataforma Lattes tornou-se ferramenta central para organização e avaliação da atividade científica no país.
Mesmo diante de restrições orçamentárias, o CNPq manteve sua atuação graças ao compromisso de seu corpo técnico e da comunidade científica. O sistema de avaliação por pares assegurou que mérito e relevância permanecessem critérios fundamentais na concessão de apoio.
Celebrar os 75 anos do CNPq é reconhecer que não há desenvolvimento sustentável sem investimento contínuo em ciência, tecnologia e educação. Em um mundo cada vez mais orientado pelo conhecimento, a estabilidade do financiamento científico é condição estratégica para inovar, competir e enfrentar desafios econômicos, sociais e ambientais. A inovação, em suas diversas dimensões, nasce desse ecossistema, convertendo conhecimento em soluções e desenvolvimento.
Nós, que tivemos a honra de presidir o CNPq em diferentes momentos de sua história, testemunhamos de perto o impacto transformador dessa instituição. Sabemos que seus resultados não se constroem no curto prazo, mas ao longo de décadas, com continuidade de políticas públicas, compromisso institucional e confiança na ciência.
O CNPq foi, é e continuará sendo uma instituição essencial para o Brasil. Seu impacto se constrói ao longo do tempo, com continuidade de políticas públicas e visão de longo prazo —bases indispensáveis para que a ciência siga contribuindo para o futuro do país.
"Ao longo de 75 anos, o CNPq consolidou-se como um dos pilares do sistema nacional de ciência e tecnologia. Milhares de estudantes foram formados por meio de suas bolsas, da iniciação científica ao pós-doutorado, e gerações de pesquisadores tiveram suas trajetórias viabilizadas pela agência, contribuindo para a expansão e qualificação da produção científica brasileira".
De acordo com o trecho, avalie as assertivas que se seguem em relação às normas gramaticais vigentes.
I.O segmento "Milhares de estudantes foram formados por meio de suas bolsas" encontra-se na voz passiva sintética, o que confere, semanticamente, mais ênfase ao fato do que ao agente que pratica a ação.
II.No termo "pós-doutorado", o emprego do hífen se justifica pelo fato de o elemento "pós-" ser tônico e apresentar autonomia fonológica, mantendo-se, por isso, separado por hífen do elemento seguinte.
III.A forma verbal "tiveram" encontra-se flexionado na terceira pessoa do plural uma vez que concorda com núcleo do seu sujeito "pesquisadores".
IV.As palavras "Milhares", "pesquisadores", "agência" e "qualificação" apresentam todas mais letras do que fonemas.
Acerca das assertivas acima, assinale a alternativa CORRETA.
Leia o texto:
MISOGINIA OU RACISMO
Em uma sociedade marcada por desigualdades históricas, as formas de discriminação frequentemente se entrelaçam, produzindo fenômenos complexos que desafiam análises simplistas. Entre esses fenômenos, destacam-se a misoginia e o racismo, que, embora possuam raízes distintas, podem coexistir e reforçar-se mutuamente, sobretudo quando direcionados a mulheres negras.
A misoginia, entendida como o desprezo ou aversão às mulheres, manifesta-se em práticas culturais, sociais e institucionais que limitam a participação feminina em diversos espaços. Já o racismo, estruturado historicamente, estabelece hierarquias baseadas em características étnico-raciais, perpetuando desigualdades e exclusões.
Quando essas duas formas de opressão se cruzam, surge uma realidade ainda mais severa. A mulher negra, por exemplo, enfrenta não apenas preconceitos de gênero, mas também discriminações raciais, o que a coloca em uma posição de vulnerabilidade ampliada. Esse fenômeno é frequentemente analisado sob a perspectiva da interseccionalidade, conceito que busca compreender como diferentes formas de opressão se articulam.
Além disso, a linguagem desempenha um papel crucial na manutenção ou no combate a essas práticas. Expressões aparentemente inofensivas podem carregar significados discriminatórios, reforçando estereótipos e naturalizando desigualdades. Por outro lado, a conscientização linguística pode contribuir para a transformação social.
Portanto, compreender as nuances entre misoginia e racismo, bem como suas intersecções, é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa. Tal compreensão exige não apenas conhecimento teórico, mas também uma postura crítica diante das práticas cotidianas.
Leia o texto:
MISOGINIA OU RACISMO
Em uma sociedade marcada por desigualdades históricas, as formas de discriminação frequentemente se entrelaçam, produzindo fenômenos complexos que desafiam análises simplistas. Entre esses fenômenos, destacam-se a misoginia e o racismo, que, embora possuam raízes distintas, podem coexistir e reforçar-se mutuamente, sobretudo quando direcionados a mulheres negras.
A misoginia, entendida como o desprezo ou aversão às mulheres, manifesta-se em práticas culturais, sociais e institucionais que limitam a participação feminina em diversos espaços. Já o racismo, estruturado historicamente, estabelece hierarquias baseadas em características étnico-raciais, perpetuando desigualdades e exclusões.
Quando essas duas formas de opressão se cruzam, surge uma realidade ainda mais severa. A mulher negra, por exemplo, enfrenta não apenas preconceitos de gênero, mas também discriminações raciais, o que a coloca em uma posição de vulnerabilidade ampliada. Esse fenômeno é frequentemente analisado sob a perspectiva da interseccionalidade, conceito que busca compreender como diferentes formas de opressão se articulam.
Além disso, a linguagem desempenha um papel crucial na manutenção ou no combate a essas práticas. Expressões aparentemente inofensivas podem carregar significados discriminatórios, reforçando estereótipos e naturalizando desigualdades. Por outro lado, a conscientização linguística pode contribuir para a transformação social.
Portanto, compreender as nuances entre misoginia e racismo, bem como suas intersecções, é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa. Tal compreensão exige não apenas conhecimento teórico, mas também uma postura crítica diante das práticas cotidianas.
Aludindo-se a figuras de linguagem, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.
Coluna I.
A- Aliteração.
B- Anacoluto.
C- Silepse.
D- Antítese.
E- Eufemismo.
Coluna II.
1- Ocorre quando o autor se afasta da norma gramatical para fazer a concordância com a ideia que as palavras expressam.
2- É a interrupção do encadeamento sintático e seu reinício no meio da frase.
3- É a aproximação de dois pensamentos contrários, (palavras ou frases).
4- É a substituição de uma expressão desagradável, ofensiva, grosseira, por outra mais suave.
5- Repetição de fonemas visando a um efeito expressivo, eufônico, (positivo), ou cacofônico, (negativo). Quando a repetição é de vogais, recebe o nome de assonância.
Coluna I.
A- Aliteração.
B- Anacoluto.
C- Silepse.
D- Antítese.
E- Eufemismo.
Coluna II.
1- Ocorre quando o autor se afasta da norma gramatical para fazer a concordância com a ideia que as palavras expressam.
2- É a interrupção do encadeamento sintático e seu reinício no meio da frase.
3- É a aproximação de dois pensamentos contrários, (palavras ou frases).
4- É a substituição de uma expressão desagradável, ofensiva, grosseira, por outra mais suave.
5- Repetição de fonemas visando a um efeito expressivo, eufônico, (positivo), ou cacofônico, (negativo). Quando a repetição é de vogais, recebe o nome de assonância.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Mais carne, menos açúcar: EUA invertem pirâmide alimentar
O governo dos Estados Unidos anunciou novas diretrizes alimentares que reestruturam a pirâmide nutricional, colocando carnes vermelhas, queijo e leite integral em posição de destaque. O objetivo é incentivar o consumo de proteínas e reduzir o de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar.
As orientações foram apresentadas pelo secretário de saúde Robert F. Kennedy Jr., que afirmou que a estratégia busca prevenir doenças crônicas e melhorar a saúde da população americana. Em coletiva de imprensa, Kennedy recomendou consumir “comida de verdade” e priorizar produtos naturais em detrimento de itens industrializados.
Após anos de recomendações para reduzir carnes e gorduras saturadas, os americanos agora são encorajados a incluí-las na dieta.
De acordo com informações do jornal O Globo, o documento sugere cozinhar com manteiga e sebo bovino, embora não existam evidências sólidas de que isso traga benefícios à saúde.
Frutas e vegetais continuam incentivados, mas não há menção explícita ao aumento de gorduras saturadas. Óleos vegetais, frequentemente criticados por Kennedy, também não receberam destaque nas novas recomendações.
As diretrizes foram parcialmente endossadas pela Associação Médica Americana, enquanto a Associação Americana do Coração demonstrou preocupação com o possível aumento de consumo de gorduras saturadas e sódio. Alimentos processados e ricos em sal continuam a ser desencorajados.
Já em relação à ingestão de açúcares adicionados, Kennedy determina que deve ser limitada, sobretudo em crianças, que só devem começar a consumir esses alimentos a partir dos 10 anos. Carboidratos refinados, como pão branco, tortilhas e biscoitos, também devem ser evitados.
Além disso, as novas diretrizes incentivam evitar produtos ultraprocessados ou “altamente processados”, incluindo salgadinhos, doces e alimentos com aditivos artificiais, corantes, conservantes e adoçantes de baixa caloria. Em relação ao álcool, a orientação permanece vaga, recomendando “menos consumo”, sem parâmetros específicos.
(Vanessa Loiola, “Mais carne, menos açúcar: EUA invertem pirâmide alimentar”. Disponível em https://exame.com/ciencia/mais-carne-menos-acucar-euainvertem-piramide-alimentar/. Adaptado)
Com base no texto e em seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir, no que concerne ao emprego da crase, à regência verbal e nominal e ao uso de pronomes.
No trecho “impropriedades linguísticas – ainda que sutis – produzem efeitos jurídicos indesejáveis”, a forma verbal “produzem” poderia ser corretamente substituída por “produz”, mantendo‑se a concordância verbal adequada ao período.
Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.
No trecho “atendimentos e diagnósticos mais rápidos e precisos”, a palavra “precisos” concorda apenas com o substantivo “diagnósticos”, em obediência à regra de concordância nominal com o substantivo mais próximo.
Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.
No trecho “a Estimativa tem o objetivo de apoiar o planejamento e a vigilância em saúde no curto prazo, com horizonte de até cinco anos, e concentra‑se”, a forma verbal “concentra‑se” deveria estar flexionada no plural para concordar com seu sujeito composto, que é “o planejamento e a vigilância”.
Texto CG1A1
Comparações são de grande valor, uma vez que remetem uma relação desconhecida a uma conhecida. Também as comparações mais detalhadas, que evoluem para parábolas ou alegorias, são apenas a referência de alguma relação à sua apresentação mais simples, explícita e palpável.
No fundo, toda formação de conceitos se baseia em comparações, já que seu ponto de partida é a compreensão da semelhança e o abandono da dessemelhança nas coisas. Além disso, em última instância, todo entendimento propriamente dito consiste numa compreensão de relações, mas cada relação será compreendida de maneira mais clara e mais pura quando for reconhecida em casos muito diversificados e entre coisas inteiramente heterogêneas. Assim, enquanto só conheço uma relação num único caso particular, tenho dela somente um conhecimento individual, portanto apenas intuitivo. Porém, logo que identifico a mesma relação em pelo menos dois casos distintos, tenho um conceito de toda a sua espécie, portanto um conhecimento mais profundo e mais perfeito.
Justamente porque as comparações são uma alavanca tão poderosa para o conhecimento, a formulação de comparações surpreendentes e, ao mesmo tempo, apropriadas dá mostras de um entendimento profundo.
Arthur Schopenhauer. A arte de escrever. Tradução: Pedro Süssekind.
Porto Alegre: L&PM, 2009 (com adaptações).
Julgue o item que se segue, relativos a propostas de alteração no texto CG1A1.
Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do trecho "a formulação de comparações surpreendentes e, ao mesmo tempo, apropriadas dá mostras de um entendimento profundo" (último parágrafo), a forma verbal "dá" poderia ser flexionada no plural — dão —, caso em que a concordância verbal passaria a ser estabelecida com a expressão "comparações surpreendentes e, ao mesmo tempo, apropriadas".
Texto CG1A1
O transporte responde por 53,3% das emissões do setor de energia no Brasil, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) de 2023. O transporte rodoviário por carros, caminhões e ônibus é responsável por mais de 90% dessas emissões de carbono.
Quando o assunto é transição energética justa no setor de transportes, é fundamental começar pela principal forma de deslocamento da população brasileira: os sistemas de transporte coletivo por ônibus. No centro da discussão, está a eletrificação da frota de ônibus, uma das estratégias mais eficazes para reduzir emissões de gases de efeito estufa e melhorar a qualidade do ar nas cidades.
De acordo com um estudo desenvolvido no Brasil, os ônibus movidos a diesel produzem, em média, 3 a 4 vezes mais emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida do que os ônibus elétricos, incluída a produção das baterias.
Nesse contexto, as cidades brasileiras já apresentaram avanços importantes na transformação de seus sistemas de transporte, ainda que sigam atrás dos esforços de outros países. Na China, por exemplo, ônibus elétricos correspondem a 98% das vendas, enquanto na Europa são a tecnologia mais vendida desde 2024. A América Latina, por sua vez, conta atualmente com mais de 7.000 ônibus elétricos, segundo dados da E-bus Radar, plataforma que monitora frotas de ônibus elétricos e divulga dados para ajudar governos a atingirem suas metas climáticas. Desse total, 1.143 estão no Brasil, e a cidade de São Paulo concentra a maior parte, com 841 veículos.
O desenvolvimento de políticas públicas com metas nacionais de eletrificação e mobilização de investimentos do setor privado é central para impulsionar a eletrificação das frotas de ônibus, garantindo não somente benefícios ambientais, mas também de saúde e qualidade de vida para toda a população.
No âmbito federal, cabe ao governo estruturar mecanismos de financiamento estáveis, com linhas de crédito contínuas e garantias que ofereçam previsibilidade e segurança aos investimentos, especialmente para municípios com orçamentos menores. Já os governos locais devem avançar na modernização dos marcos regulatórios do transporte público por meio de processos de licitação, contratos e modelos de remuneração que incentivem a qualidade na prestação dos serviços.
Segundo um estudo lançado recentemente, o Brasil tem
potencial para substituir, nos próximos cinco anos, mais de
14 mil ônibus a diesel por modelos elétricos nas 21 maiores
regiões metropolitanas, priorizando a troca dos veículos mais
antigos e poluentes. Essa transição reduziria em 24,6% as
emissões do transporte coletivo nessas cidades e poderia gerar
uma economia de até R$ 62 milhões por ano em custos de saúde
pública.
Apesar desses avanços, o Brasil ainda precisa percorrer um caminho longo para que seu setor de transportes esteja alinhado à meta de neutralidade climática até 2050. A eletrificação das frotas de ônibus tem papel essencial para uma transição energética inclusiva que considere os impactos ao meio ambiente, à economia e às pessoas, mas cabe lembrar: ela é apenas a primeira etapa de um esforço mais amplo.
Ao priorizar a eletrificação dos ônibus, o país pode não só reduzir emissões e melhorar a qualidade de vida urbana, mas também sinalizar ao mundo que é capaz de liderar pelo exemplo.
Clarisse Cunha Linke e Marcel Martin. Brasil precisa priorizar o transporte público para cumprir suas metas climáticas. In: Folha de S. Paulo, 26/10/2025 (com adaptações).
Acerca dos sentidos e de aspectos gramaticais do texto CG1A1, julgue o próximo item.
No segundo período do primeiro parágrafo, os termos do trecho "é responsável" poderiam ser flexionados no plural — são responsáveis —, sem prejuízo da correção do texto, dada a previsão gramatical de concordância nominal e verbal, nesse tipo de construção, com os elementos mais próximos —"carros, caminhões e ônibus".
Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.
Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9.
Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.
Em "a realidade do mundo e do ser se torna" (primeiro período), a flexão do verbo no plural estaria de acordo com a previsão gramatical, visto que a concordância seria feita com os elementos coordenados da estrutura que forma o sujeito da oração, que são os determinantes da criação artística.
Carta LXV
Ao padre provincial do Brasil 1654
Com esta frota partimos pelo rio Tocantins, aproveitando-nos da enchente da maré, que só até aqui nos acompanhou, prometendo-nos muita felicidade na jornada. (...) À meia noite fizemos pabóca, que é a frase com que cá se chama o partir, corrompendo a palavra da terra, e nos dias seguintes passamos às praias da viração. Parecerá que se chamam assim por correr nelas vento fresco; mas a razão por que os portugueses lhe deram este nome é a que direi a V. Rev.ma. Nos meses de outubro e novembro, saem do mar e do rio do Pará grande quantidade de tartarugas, que vêm criar nos areais de algumas ilhas que pelo meio deste Tocantins estão lançadas. (...) A estas mesmas praias vem, no seu tempo, quase todo o Pará a fazer a pesca das tartarugas. (...) A carne é como a de carneiro, e se fazem dela os mesmos guisados, que mais parecem de carne que de pescado. Os ovos são como os de galinha na cor, e quase no sabor, a casca, mais branca, e de figura diferente, porque são redondos (...); e o modo como se faz esta pesca requer mais notícia que indústria, pela muita cautela e pouca resistência das tartarugas. Quando vêm a desembarcar nestas praias, trazem diante duas, como sentinelas, que vêm a espiar com muita pausa; logo depois destas, com bom espaço vêm oito ou dez, como descobridores do campo, e depois delas, em maior distância, vem todo o exército das tartarugas, que consta de muito milhares. Se as primeiras e as segundas sentem algum rumor, voltam para trás, e todas se somem num momento: por isso os que vêm à pesca se escondem todos atrás dos matos e esperam de emboscada com grande quietação e silêncio. Saem, pois, as duas primeiras espias, passeiam de alto a baixo toda a praia, e como estas acham o campo livre, saem também as da vanguarda, e fazem muito devagar a mesma vigia e, como dão a campanha por segura, entram à água e voltam, e depois dela sai toda a multidão do exército com os escudos às costas, e começam a cobrir as praias e correr em grande tropel para o mais alto delas. Aplica-se cada uma a fazer sua cova, e, quando já não saem mais e estão entretidas umas no trabalho, outras já na dor daquela ocupação, rebentam então os pescadores da emboscada, tomam a parte da praia e, remetendo as tartarugas, não fazem mais que ir virando e deixando, porque em estando viradas de costas não se podem mais bulir, e por isso estas praias e estas tartarugas se chamam de viração (...).
Antônio Vieira. Cartas. V. 1, São Paulo: Globo, p. 277-279.
A respeito do texto precedente e de seus aspectos linguísticos e literários, julgue o item a seguir.
No trecho "Nos meses de outubro e novembro, saem do mar e do rio do Pará grande quantidade de tartarugas, que vêm criar nos areais de algumas ilhas que pelo meio deste Tocantins estão lançadas", é facultada a flexão do verbo da primeira oração na terceira pessoa do singular, em concordância com o núcleo do sujeito posposto.
Ao reconhecer aos povos indígenas o direito às terras que habitam, a Constituição Federal de 1988 favoreceu processos de demarcação de territórios, que continuam a ser feitos até hoje. Em todas as regiões do Brasil, as reivindicações geraram uma profusão de relatórios, laudos e pareceres, produzidos por grupos técnicos, que realizam os estudos etno-históricos, antropológicos, ambientais e cartográficos exigidos pela legislação. Em cada uma dessas iniciativas, consta um elemento em comum: os mapas. Há representações oficiais, feitas no período colonial, no Império e na República. Há desenhos feitos à mão pelos moradores ou produzidos com a ajuda de sistemas de navegação por satélite, como o GPS, e aplicativos. Por conseguinte, a cartografia vem ganhando importância na área da antropologia, em contextos como a formação de professores indígenas, a demarcação e a gestão ambiental de suas terras, a produção de laudos para a regularização fundiária.
Nas demarcações, tem sido fundamental a cartografia histórica, sobretudo para a análise de mapas produzidos na segunda metade do século XVIII, após a assinatura do Tratado de Madrid, que delimitou os territórios pertencentes a Portugal e Espanha na América do Sul, em 1750, afirma a historiadora Íris Kantor. "Nesse período, os mapas foram confeccionados por expedições militares e científicas que visavam urbanizar os indígenas, além de terem facilitado a construção de fortalezas, a instalação de registros fiscais e o reconhecimento das vias de comunicação terrestres e fluviais. Hoje, a disponibilização da cartografia digital em alta resolução e a catalogação dos espécimes cartográficos permitem fazer um uso 'contracolonial' desses suportes de informação geográfica bidimensionais", afirma. Além disso, o uso dos mapas históricos exige conhecimentos variados. Eles são classificados segundo critérios como o suporte material, a linguagem gráfica e o público destinatário. Na elaboração dos laudos técnicos, a presença ou ausência de topônimos nos mapas possibilita a reconstituição das sucessivas formas de ocupação de uma área geográfica, considerando-se ainda as famílias de mapas da região. Esse método requer o conhecimento da história das línguas indígenas e suas interações com as línguas dos colonizadores.
Diego Viana. Quando o mapa é o território.
In: Pesquisa FAPESP, maio 2023, ano 24, n. 327, p. 74-79 (com adaptações).
Em relação às ideias e a aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue o item seguinte.
A concordância verbal na primeira oração do penúltimo período do texto se justifica pelo fato de o sujeito estar estruturado por coordenação alternativa.
A segunda variante pode ser explicada pela figura de sintaxe denominada silepse, do seguinte tipo:
I A flexão da forma verbal „pode‟, em 'pode fazer', na terceira pessoa do singular justifica-se por sua concordância com o vocábulo 'conhecimento'.
II A correção gramatical e os sentidos do texto seriam preservados caso o vocábulo 'memoráveis' fosse flexionado no singular — memorável.
III O trecho “como ciência e cultura se conectam e se realimentam” poderia ser reescrito, sem alteração da coerência das ideias do texto, da seguinte forma: como se conecta e se realimenta ciência e cultura.
Assinale a opção correta.
Julgue o item a seguir, acerca da classificação, dos sentidos e das construções linguísticas do texto anterior.
No oitavo período, o sujeito da oração iniciada pela forma verbal "consideram" está elíptico e retoma "usuários", no período anterior.