Questões de Concurso Sobre colocação pronominal em português

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Q3060371 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

As pessoas que se voluntariam para serem infectadas por doenças

Era um voluntariado incomum. Mas ali estavam eles: um grupo de jovens adultos, aguardando para serem atacados por mosquitos portadores de um parasita que mata mais de 600 mil pessoas todos os anos.

O grupo havia concordado em fazer parte de um estudo médico do Instituto Jenner da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Era o teste de uma nova vacina contra a malária.

Conhecida como "R21", a vacina foi recebida com grande entusiasmo pelos cientistas, desde os primeiros anúncios.

O teste ocorreu em 2017, mas o instituto vinha realizando experimentos similares com mosquitos desde 2001.

Cada voluntário foi levado para um laboratório. Ali, sobre uma mesa, havia um pequeno recipiente, do tamanho de uma xícara de café, coberto por uma gaze.

Dentro, havia cinco mosquitos barulhentos, importados da América do Norte e infectados com o parasita da malária. O voluntário colocaria seu braço contra o topo do recipiente, para que os mosquitos pudessem trabalhar, picando a pele do voluntário através da cobertura.

À medida que os insetos sugavam o sangue da vítima voluntária, a saliva dos mosquitos, usada para evitar que sua refeição se coagule, poderia levar o parasita da malária para dentro da ferida. A esperança era que a vacina oferecesse aos voluntários proteção suficiente para que eles não desenvolvessem a doença.

Este é um exemplo clássico do que é conhecido como estudo de infecção humana controlada. Neste tipo de experimento, os voluntários são deliberadamente expostos a uma doença.

Pode parecer perigoso, talvez até imprudente, expor conscientemente uma pessoa a uma infecção que poderá deixá-la seriamente doente. Mas esta técnica se tornou popular nas últimas décadas, no setor de pesquisas médicas, e tem gerado resultados, com algumas conquistas médicas importantes.

Os cientistas comprovaram que a vacina R21 apresenta eficácia de até 80% na prevenção da malária. Ela se tornou a segunda vacina contra a doença a ser recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Recentemente, as primeiras doses da vacina foram administradas a bebês na Costa do Marfim e no Sudão do Sul − dois países que perdem milhares de pessoas todos os anos em decorrência da doença.

E, segundo os cientistas, tudo isso foi possível, em parte, porque os voluntários se dispuseram a expor seus braços àquelas xícaras repletas de mosquitos.

"Ao longo dos últimos 20 anos, houve um notável renascimento dos estudos de infecção humana", afirma o professor de vacinologia Adrian Hill, diretor do Instituto Jenner. "Modelos de infecção têm sido usados para tudo, desde gripe até covid-19. É realmente muito importante."

Agora, os cientistas tentam infectar voluntários deliberadamente com cada vez mais doenças, na esperança de desenvolver vacinas e tratamentos cada vez mais eficazes.

Patógenos como zika, febre tifoide e cólera já foram usados em estudos de infecção humana controlada. E outros vírus estão entre os futuros candidatos, como o da hepatite C.

Não existe um registro central de estudos de infecção humana controlada. Mas Hill estima que eles tenham contribuído com pelo menos 12 vacinas nas últimas duas décadas.

Uma análise sistemática encontrou 308 estudos de infecção humana entre 1980 e 2021, que expuseram os participantes a patógenos vivos. Seus proponentes acreditam que os benefícios destes estudos superam amplamente os riscos, se forem corretamente conduzidos.

Mas alguns testes recentes questionaram as fronteiras da ética médica, fazendo com que alguns cientistas importantes passassem a se sentir desconfortáveis com a velocidade de condução desses experimentos, que eram um tabu até pouco tempo atrás.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjw31gyewx3o
"Pode parecer perigoso, talvez até imprudente, expor conscientemente uma pessoa a uma infecção que poderá deixá-la seriamente doente."
De acordo com a colocação pronominal, a forma destacada no período acima substituiu corretamente o vocábulo "pessoa" e também, fazendo as adaptações necessárias, poderá substituir o termo sublinhado dos enunciados abaixo, em:
Alternativas
Q3059928 Português
 Texto para o item.


Internet: <www.repositorio.ufsc.br> (com adaptações).

Com base na estrutura linguística e no vocabulário empregados no texto, julgue o item a seguir.


Na linha 30, é facultativo o emprego do pronome “se” após a forma verbal “estabelece”, da seguinte forma: estabelece‑se.

Alternativas
Q3059521 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Por que a geração Z e os millennials não atendem mais o telefone

"Olá, esta é a caixa postal de Yasmin Rufo. Por favor, não deixe mensagem, pois não vou ouvir, nem ligar de volta."

Infelizmente, esta não é a mensagem da minha caixa postal. Mas eu certamente gostaria que fosse, bem como a maior parte dos jovens da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) e dos millennials (nascidos entre 1981 e 1995).

Uma pesquisa recente concluiu que 25% das pessoas com 18 a 34 anos de idade nunca atendem o telefone. Os participantes responderam que ignoram o toque, respondem por mensagens de texto ou pesquisam o número online se for desconhecido.

A pesquisa do site Uswitch envolveu 2 mil pessoas. Ela também concluiu que cerca de 70% das pessoas com 18 a 34 anos preferem mensagens de texto a chamadas telefônicas.

Para as gerações mais velhas, falar ao telefone é normal. Meus pais passaram a adolescência brigando com seus irmãos pelo telefone fixo no corredor, o que só fazia com que toda a família ouvisse as suas conversas.

Já a minha adolescência foi passada em mensagens de texto. Fiquei obcecada por elas desde o momento em que ganhei meu Nokia cor-de-rosa de presente de aniversário, com 13 anos de idade.

Eu passava todas as noites depois da escola redigindo textos de 160 caracteres para os meus amigos.

Eu retirava todas as vogais e espaços desnecessários, até que a mensagem parecesse um grupo de consoantes aleatórias que os próprios serviços de inteligência teriam dificuldade de decifrar. Afinal, eu nunca iria pagar a mais para escrever 161 caracteres.

E, em 2009, as ligações telefônicas do meu celular custavam uma fortuna. "Nós não demos este telefone para você fofocar com suas amigas a noite inteira", relembravam meus pais sempre que recebiam minha conta telefônica, todos os meses.

Foi assim que surgiu uma geração de pessoas que só se comunicam por texto. As ligações por telefone celular eram para emergências e o telefone fixo era usado raramente para falar com os avós.

A psicóloga Elena Touroni explica que, como os jovens não desenvolveram o hábito de falar ao telefone, "agora parece estranho, pois não é o normal".

Por isso, os jovens podem esperar o pior quando o telefone começa a tocar − ou se iluminar em silêncio, já que ninguém com menos de 35 anos de idade tem o toque configurado no seu telefone.

Mais da metade dos jovens que responderam à pesquisa do Uswitch reconheceram acreditar que uma ligação inesperada significa más notícias.

A psicoterapeuta Eloise Skinner explica que a ansiedade em torno das ligações vem de "uma associação com algo de ruim − uma sensação de pavor ou mau presságio".

"À medida que as nossas vidas ficam mais atribuladas e os cronogramas de trabalho mais imprevisíveis, temos menos tempo para ligar para um amigo, simplesmente para saber como ele está", explica ela. "Por isso, as ligações telefônicas ficam reservadas para as notícias importantes das nossas vidas, que, muitas vezes, podem ser difíceis."

Para Jack Longley, de 26 anos, "é exatamente isso". Ele nunca atende ligações de números desconhecidos, pois "ou é golpe, ou é marketing. É mais fácil simplesmente ignorar as ligações, em vez de procurar saber quais delas são verdadeiras." 

Nick e Charlie, da série 'Heartstopper', fazem parte da geração das mensagens de texto

Mas não falar ao telefone não significa que os jovens não mantenham contato com seus amigos. Nossos grupos de bate-papo se movimentam o dia inteiro, com uma série de mensagens corriqueiras, memes, fofocas e, mais recentemente, mensagens de voz.

Muitas dessas conversas, agora, acontecem nas redes sociais, particularmente no Instagram e no Snapchat, onde é mais fácil enviar imagens e memes ao lado dos textos. E, mesmo com o consenso de que as ligações telefônicas são indesejadas, o uso de mensagens de voz divide as gerações mais jovens.

Na pesquisa do Uswitch, 37% das pessoas com 18 a 34 anos de idade declarou que as mensagens de voz são sua forma preferida de comunicação. Por outro lado, apenas 1% dos participantes com 35 a 54 anos preferem mensagens de voz em vez de ligações telefônicas.

"A mensagem de voz é como falar ao telefone, só que melhor", afirma a estudante Susie Jones, de 19 anos. "Você tem o benefício de ouvir a voz dos seus amigos, mas sem pressões. Por isso, é uma forma mais educada de comunicação."

Mas, para mim, é difícil ouvir mensagens de voz de cinco minutos de uma amiga contando as novidades sobre a vida dela. Elas devaneiam, as mensagens ficam repletas de palavras como "tipo" e "ahn" − e toda a história poderia ser contada em duas mensagens de texto.

As mensagens de texto e de voz permitem que os jovens participem das conversas no seu próprio ritmo. E eles podem responder de forma mais atenciosa e ponderada.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyw96x064eo

"Ele nunca atende ligações de números desconhecidos, pois "ou é golpe, ou é marketing."
Em relação à colocação pronominal no período acima, ao substituir a expressão destacada pelo pronome átono correspondente deverá ocorrer:
Alternativas
Q3058441 Português
Contrato de Namoro


   Diferentemente do que muitos pensam, a Lei nº 9.278, que regulamenta a união estável, não possui nenhuma regra que determine morar na mesma residência ou mesmo um prazo mínimo de convivência para enquadrar uma relação amorosa como união estável.

   Segundo o Código Civil, para que uma relação seja considerada união estável, é preciso que seja duradoura, pública, contínua e com objetivo de constituir família.

   Em razão da existência de casais que decidiram morar juntos, porém mantendo uma relação de namoro, é evidente que a Justiça enfrenta dificuldades em diferenciar namoro de união estável.

   Portanto, embora o namoro seja duradouro, público, dotado de intimidades, isso não resulta que as partes vivam como se casadas fossem, ainda que dividam o mesmo teto. Por mais sólido que seja um namoro, o casal pode não querer constituir família.

   Assim, visando estancar as obrigações jurídicas derivadas do término do relacionamento, muitos escolhem formular um Contrato de Namoro, que poderá ser feito no cartório, com duas testemunhas, e apresentar tanto cláusulas comuns como outras adicionadas pelo casal.

   Nas cláusulas comuns, os contratantes farão a declaração de que possuem um namoro, sem qualquer tipo de vínculo matrimonial; a declaração de independência econômica, ou seja, de que são autônomos financeiramente; e a declaração de que, em eventual dissolução do namoro, o outro não terá direito à pensão alimentícia nem direito de sucessão e herança. Por fim, os contratantes devem atestar que não têm interesse em ter filhos juntos e, em caso de gravidez, que não haverá conversão do namoro em união estável, todavia os direitos da criança serão resguardados.

    O respectivo contrato resulta das constantes mudanças nas relações da sociedade, e o Direito tem por finalidade regular essas relações, reformulando leis, pois é essencial trazer segurança jurídica para os indivíduos.


(Samira de Mendonça Tanus Madeira. https://www.estadao.com.br/politica)
[Questão InéditaAssinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal:
Alternativas
Q3057430 Português
A fala vegetal








ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
A frase em que a colocação do pronome átono se está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa é:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Mafra - SC Provas: FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Advogado II | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Advogado | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Administrador | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Agente de Controle Interno | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Arquiteto | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Biólogo | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Bioquímico/Farmacêutico | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Contador | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Enfermeiro | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Fiscal Sanitarista | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro Agrimensor | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro Sanitarista | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro em Segurança do Trabalho | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro Civil | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Gestor Ambiental | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Médico do Trabalho | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Controlador Interno | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Médico Veterinário | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Nutricionista | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Pedagogo Social | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Psicólogo | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro Agrônomo | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Assistente Social |
Q3056801 Português

Analise as colocações pronominais nas frases abaixo.


1. Fique tranquila, tudo ficará entre mim e você.


2. Para mim chegar cedo, preciso sair agora.


3. Ela não iria sem mim!


Assinale a alternativa que indica todas as frases corretas quanto as colocações pronominais.

Alternativas
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: FUNASG - RJ Provas: Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Nutricionista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Cirurgião Dentista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Enfermeiro | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Fisioterapeuta | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Fonoáudiólogo | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Psicólogo | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Assistente Social | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Pediatra | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Angiologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Cardiologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Clínico Geral | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Dermatologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Endocrinologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Gastroenterologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Ginecologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Mastologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - MÉDICO NEUROLOGISTA | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Ortopedista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Otorrinolaringologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Pneumologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Proctologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Reumatologista | Instituto Consulplan - 2024 - FUNASG - RJ - Médico Urologista |
Q3056117 Português
Abaixo a norma curta do português!


   “Norma curta” é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto Faraco dá a certo conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego acrítico à variedade lusitana da língua e pegadinhas em geral.

  Repare que não falo da norma culta, registro da língua de fato usado pelas camadas de maior escolaridade da população. Esta tem papel social imprescindível e deveria ser ensinada com mais eficiência – não menos – na escola.

   Me refiro à norma curta, que ninguém de fato fala, mas fingimos que sim, e que vem a ser uma versão idealizada, caricatural, burra e mesquinha daquela. No fim das contas, sua inimiga, pois transforma o estudo da língua portuguesa em território hostil para uma imensa maioria da população.

   “Ai, como é difícil a nossa língua!”, dizemos quase todos. Difícil nada, ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância. Tem seus caprichos, como toda língua, e desvelá-los carinhosamente deveria ser um prazer. Insana de tão difícil é a norma curta, que tira seu sustento dessa dificuldade.

   Reacionária a ponto de fazer um gramático conservador como Napoleão Mendes de Almeida parecer às vezes um Marcos Bagno, amante do é-porque-é, a norma curta tem, infelizmente, imenso poder.

   É ela que move a indústria do português concurseiro e dos consultórios gramaticais da internet. É ela que, via Enem, obriga adolescentes a encher suas redações de “outrossim” e outros entulhos juridiquentos.

   A norma curta não quer saber se você consegue ler e interpretar um texto. Que importância tem isso? Fundamental é que recite a lista das “figuras de linguagem” em ordem alfabética enquanto equilibra uma bola no nariz. Vai me dizer que não manja de zeugma?

   Os estudantes capazes de memorizar os truques e evitar as armadilhas que a norma curta chama de provas de português entram para um grupo privilegiado de norma-curtistas.

   Seu esforço é então recompensado e eles, mesmo os que são incapazes de interpretar um parágrafo simples, ganham o direito de oprimir outros falantes e humilhar quem não alcançou o paraíso do norma-curtismo.

   A norma curta é inculta. Nunca leu Graciliano Ramos, Rubem Braga, Rachel de Queiroz e tantos outros estilistas do brasileiro que, ao longo do século passado, moldaram um jeito de escrever que soa como música aos ouvidos de quem nasceu aqui. Os autores contemporâneos também brilham pela ausência. A norma curta nunca leu nada.

  Leram por ela, é verdade. Isso foi muito tempo atrás: um Alexandre Herculano aqui, um Almeida Garrett acolá. Todos portugueses. Nesses clássicos, leitores mortos desde o pré-modernismo pinçaram arbitrariamente só o que confirmava seus dogmas. Estavam prontas – pela eternidade – as tábuas da lei.

   A norma curta engana muita gente com sua pose de defensora do “bom português”. Tudo mentira. Ela ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a matéria, desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores.

   Ontem me deparei com um caso demencial de norma-curtismo: na página internética de “dicas de português”, o cartum de traço fofo mostra o rapaz se declarando para a moça (“Te amo!”) e sendo corrigido por ela: “Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”. Sim, ela queria ouvir um “Amo-te!” lusitano, acredite quem quiser. A página tem quase um milhão de seguidores. Me parece que estamos lascados.


(RODRIGUES, Sérgio. Abaixo a norma curta do português! Folha de S. Paulo, 2024. Adaptado.)
No enunciado “Te amo!” (13º§), a posição do pronome em relação ao verbo configura um caso de próclise. Em que passagem ocorre o mesmo caso de colocação pronominal?
Alternativas
Q3055595 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda a questão que a ele se refere.

Texto 01

Qual a altura do céu?
Bruna Lauer

        Uma mulher que, no auge dos seus 30 e poucos, carrega em seu currículo uma página no Instagram de sucesso, um podcast de sucesso, um livro de sucesso, inspira milhares de pessoas e, ainda, confessa querer mais. Dizem que o céu é o limite e fico me perguntando qual seria a altura do céu de cada um. O dela me parece ser bem alto e, inclusive, faz sentido.
      Com tanta vida pela frente, é preciso haver espaço para crescimento e conquistas que a motivem a ir além. Mas escutando uma entrevista com a empreendedora, ela confessa ter vivido uma recente crise de pânico devido à sobrecarga de sua agenda de trabalho, além de lidar com uma gastrite crônica. E fico imaginando se não deveria ser o corpo esse tal limite.
         Será que é a hora de discutirmos até onde vai este céu? Estamos cercados de histórias de pessoas que “deram certo”, muitas vezes assistindo a seus voos acrobáticos, desconhecendo as horas de treino e, o pior, o que de mais acontece em terra firme. Como escritora e comunicadora, via naquela carreira cheia de conquistas uma inspiração.
        Queria que a minha voz também chegasse assim, tão longe. Mas, ao ter acesso aos bastidores, após eu mesma ter passado por uma crise de ansiedade, uma infecção hospitalar e um câncer de mama, não senti vontade de experimentar suas asas.
        Acreditamos que sucesso seja este voo alto e bonito que olhamos com os dois pés no chão, apenas imaginando como seria estar ali. Mas hoje, ao pensar nesse tema, quem me vem à mente é meu amigo Carlinhos. Você provavelmente nunca ouviu falar dele, um morador da zona rural de Monteiro Lobato, que trabalha na roça e vive com sua esposa e filho no local em que nasceu.
        Nunca saiu do chão e, mesmo assim, é nele que penso. Me sinto inspirada por sua forma íntegra de agir e viver em harmonia com a natureza, por sua sabedoria aprendida com os mais velhos e sua generosidade em nos ensinar. Carlinhos diz não precisar de mais nada, pois sabe que já tem o bem mais caro: liberdade. Claro que sua vida também não é perfeita, inclusive porque apenas vidas imperfeitas podem ser reais e possíveis de serem sustentadas por anos.
        Ainda assim, se precisasse escolher, preferiria seu par de asas quebrado. Quantos exemplos de uma vida equilibrada e, em certa medida, feliz, estão caminhando anonimamente pelas ruas do seu bairro e você nunca os notou? Pessoas que poderiam nos inspirar, não pela altura de suas conquistas, mas pelo resultado de todos os anos vividos.
        Histórias desconhecidas que, exatamente pela falta de algo para exibir, sejam plenas na mesma medida em que pareçam desinteressantes para os nossos olhos que se viciaram em olhar para o alto, buscando voos ornamentais sem parar.
        Me lembro de uma citação de Clarice Lispector, de Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (Rocco), que diz “De algum modo já aprendera que cada dia nunca era comum, era sempre extraordinário. E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele. Ela queria o prazer do extraordinário que era tão simples de encontrar nas coisas comuns: não era necessário que a coisa fosse extraordinária para que nela se sentisse o extraordinário”. Refletindo sobre isso, o céu do Carlinhos pode parecer baixo para muitos. Fico me perguntando se este céu bem baixinho não seja exatamente a melhor forma de estar mais perto do que é divino.

Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/. Acesso em: 22 maio 2024. 
Analise as passagens a seguir, tendo em vista a presença de marcas de coloquialidade em relação aos usos do pronome oblíquo átono “me”.
I - “Me sinto inspirada por sua forma íntegra de agir e viver em harmonia com a natureza [...].”
II - “Mas hoje, ao pensar nesse tema, quem me vem à mente é meu amigo Carlinhos.”
III - “[...] sabedoria aprendida com os mais velhos e sua generosidade em nos ensinar.”
IV - “Me lembro de uma citação de Clarice Lispector, de Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (Rocco) [...].”
V - “O dela me parece ser bem alto e, inclusive, faz sentido.”

Estão CORRETAS as passagens
Alternativas
Q3055555 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda a questão que a ele se refere.

Texto 01

Qual a altura do céu?
Bruna Lauer

        Uma mulher que, no auge dos seus 30 e poucos, carrega em seu currículo uma página no Instagram de sucesso, um podcast de sucesso, um livro de sucesso, inspira milhares de pessoas e, ainda, confessa querer mais. Dizem que o céu é o limite e fico me perguntando qual seria a altura do céu de cada um. O dela me parece ser bem alto e, inclusive, faz sentido.
      Com tanta vida pela frente, é preciso haver espaço para crescimento e conquistas que a motivem a ir além. Mas escutando uma entrevista com a empreendedora, ela confessa ter vivido uma recente crise de pânico devido à sobrecarga de sua agenda de trabalho, além de lidar com uma gastrite crônica. E fico imaginando se não deveria ser o corpo esse tal limite.
         Será que é a hora de discutirmos até onde vai este céu? Estamos cercados de histórias de pessoas que “deram certo”, muitas vezes assistindo a seus voos acrobáticos, desconhecendo as horas de treino e, o pior, o que de mais acontece em terra firme. Como escritora e comunicadora, via naquela carreira cheia de conquistas uma inspiração.
        Queria que a minha voz também chegasse assim, tão longe. Mas, ao ter acesso aos bastidores, após eu mesma ter passado por uma crise de ansiedade, uma infecção hospitalar e um câncer de mama, não senti vontade de experimentar suas asas.
        Acreditamos que sucesso seja este voo alto e bonito que olhamos com os dois pés no chão, apenas imaginando como seria estar ali. Mas hoje, ao pensar nesse tema, quem me vem à mente é meu amigo Carlinhos. Você provavelmente nunca ouviu falar dele, um morador da zona rural de Monteiro Lobato, que trabalha na roça e vive com sua esposa e filho no local em que nasceu.
        Nunca saiu do chão e, mesmo assim, é nele que penso. Me sinto inspirada por sua forma íntegra de agir e viver em harmonia com a natureza, por sua sabedoria aprendida com os mais velhos e sua generosidade em nos ensinar. Carlinhos diz não precisar de mais nada, pois sabe que já tem o bem mais caro: liberdade. Claro que sua vida também não é perfeita, inclusive porque apenas vidas imperfeitas podem ser reais e possíveis de serem sustentadas por anos.
        Ainda assim, se precisasse escolher, preferiria seu par de asas quebrado. Quantos exemplos de uma vida equilibrada e, em certa medida, feliz, estão caminhando anonimamente pelas ruas do seu bairro e você nunca os notou? Pessoas que poderiam nos inspirar, não pela altura de suas conquistas, mas pelo resultado de todos os anos vividos.
        Histórias desconhecidas que, exatamente pela falta de algo para exibir, sejam plenas na mesma medida em que pareçam desinteressantes para os nossos olhos que se viciaram em olhar para o alto, buscando voos ornamentais sem parar.
        Me lembro de uma citação de Clarice Lispector, de Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (Rocco), que diz “De algum modo já aprendera que cada dia nunca era comum, era sempre extraordinário. E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele. Ela queria o prazer do extraordinário que era tão simples de encontrar nas coisas comuns: não era necessário que a coisa fosse extraordinária para que nela se sentisse o extraordinário”. Refletindo sobre isso, o céu do Carlinhos pode parecer baixo para muitos. Fico me perguntando se este céu bem baixinho não seja exatamente a melhor forma de estar mais perto do que é divino.

Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/. Acesso em: 22 maio 2024. 
Analise as passagens a seguir, tendo em vista a presença de marcas de coloquialidade em relação aos usos do pronome oblíquo átono “me”.
I - “Me sinto inspirada por sua forma íntegra de agir e viver em harmonia com a natureza [...].”
II - “Mas hoje, ao pensar nesse tema, quem me vem à mente é meu amigo Carlinhos.”
III - “[...] sabedoria aprendida com os mais velhos e sua generosidade em nos ensinar.”
IV - “Me lembro de uma citação de Clarice Lispector, de Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (Rocco) [...].”
V - “O dela me parece ser bem alto e, inclusive, faz sentido.” 

Estão CORRETAS as passagens
Alternativas
Q3054309 Português
No que se refere à colocação pronominal, coloque (V) verdadeiro ou (F) falso e marque a alternativa devida.

( ) Espera-se que Mariana e Benjamim venham. Ocorre a ênclise, quando o verbo estiver no início da frase.
( ) Talvez casemos-nos um dia. Ocorre a ênclise, quando, antes do verbo, vier uma palavra que atraia o pronome, como um advérbio.
( ) Esperaria-te a vida toda. Ocorre a ênclise, quando o verbo estiver no futuro do pretérito.
( ) Ficava bêbado, cambaleando-se mais ainda. Ocorre a ênclise, quando o verbo estiver no gerúndio. 
Alternativas
Q3054201 Português
Aludindo-se à correta colocação pronominal, assinale a alternativa indevida. 
Alternativas
Q3053860 Português

Julgue as assertivas e assinale a alternativa correta.



I. Na frase “Jamais me esquecerei do nosso primeiro encontro”, ocorre próclise, porque termos de sentido negativo atraem o pronome para antes do verbo.

II. Na frase “Ele se retirou da sala antes que a reunião acabasse”, ocorre próclise ou mesóclise, tanto faz, em razão de o sujeito explícito estar antes do verbo.

III. Na frase “Desconfiada de assédio, recusou a proposta, fazendo-se de desentendida”, ocorre ênclise pois o verbo está no gerúndio e não há palavra atrativa.

Alternativas
Q3051400 Português
Há normas que orientam para o correto uso dos pronomes pessoais em frases e textos. Eles podem ser usados antes, no meio ou após o verbo da oração. A este respeito, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3046986 Português
Julgue o item que se segue.

Em contextos de discurso direto e indireto, a colocação pronominal no modo imperativo negativo segue a regra de posicionamento antes do verbo, garantindo a ênclise obrigatória.
Alternativas
Q3046980 Português
Julgue o item que se segue.

A posição do pronome pessoal oblíquo átono no modo indicativo pode variar dependendo do tempo verbal e da estrutura da frase, sendo colocado antes do verbo na forma simples e após o verbo auxiliar em locuções verbais.
Alternativas
Q3046962 Português
Julgue o item que se segue.

Nos contextos do modo subjuntivo, a posição do pronome pessoal oblíquo átono é frequentemente pós-verbal, exceto em casos de ênclise obrigatória ou para enfatizar o pronome.
Alternativas
Q3046953 Português
Julgue o item que se segue.

Em contextos linguísticos mais formais e elaborados, especialmente no uso do modo subjuntivo, a próclise é uma regra fixa e obrigatória, superando qualquer exigência de ênclise.
Alternativas
Q3046279 Português





TEXTO 01:


O NAVIO DE TESEU — FILOSOFIA SIMPLIFICADA



          O navio de Teseu é um experimento de pensamento muito antigo que trata sobre a questão da identidade de objetos ao longo do tempo, ou seja, o que faz com que um objeto continue sendo o mesmo ainda que o tempo passe e ele sofra mudanças. Isso é um problema porque o conceito de um objeto sofrer uma mudança parece ser paradoxal: por um lado, se o objeto mudou, ele não deveria mais ser o mesmo objeto; por outro lado, se ele não fosse o mesmo objeto, nem poderíamos dizer que ele mudou, já que teríamos outro objeto, e não o mesmo mudado.


        A história do navio é a seguinte: em comemoração à vitória de Teseu contra o Minotauro na ilha de Creta, os atenienses mantiveram a tradição de anualmente levar o navio do herói até Creta e de volta a Atenas. Isso se manteve por muitos anos e, com o tempo, a madeira do navio foi envelhecendo. Algumas partes foram, então, substituídas. Chegou um momento em que todas as partes foram substituídas e não mais restava nada do navio de Teseu original. A questão que é levantada é: ainda se trata do mesmo navio?


       Thomas Hobbes, séculos depois, imaginou mais uma possibilidade que tornaria toda a questão ainda mais confusa: imaginemos que todas as partes que foram sendo substituídas com o tempo foram armazenadas em um museu. Depois de todas as peças serem trocadas, alguém junta todas as antigas e monta um navio a partir delas. Qual dos dois navios é o navio de Teseu? Seria possível que ambos fossem ele?


       Diversas soluções foram propostas para a questão, com alguns autores afirmando que o navio consertado seria o de Teseu, outros afirmando que seria o das peças antigas. Alguns até mesmo desenvolveram respostas bastante sofisticadas utilizando o conceito de objetos de quatro dimensões, com o navio de Teseu sendo um objeto único disperso por três dimensões espaciais e uma dimensão temporal, que manteria a sua identidade.


         Eu, pessoalmente, adoto uma solução não ortodoxa que tenta mostrar que o problema é, na verdade, um pseudoproblema. Simplesmente entendo que um objeto é formado por todas as suas características e, consequentemente, quando uma destas muda, já não estamos mais falando do mesmo objeto. No momento em que o navio se movesse, por exemplo, ou um segundo passasse e o navio estivesse em outro instante no tempo, uma característica sua teria mudado e não se trataria mais do mesmo navio. A ideia de que um objeto permanece sendo o mesmo apesar de mudanças é apenas uma ficção criada pelo nosso cérebro por ser evolutivamente útil, já que um animal sem o conceito de permanência de objetos dificilmente sobreviveria na natureza.


      Essa tese, é claro, possui muitas consequências contraintuitivas, o que faz com que ela não seja aceita pela maioria dos filósofos. Por exemplo: ela se aplica também aos seres humanos. Logo, a cada momento que passa, nó s não seríamos mais a mesma pessoa. Sendo esse o caso, como poderíamos ser responsáveis pelo que fizemos no passado? Acho que o conceito de responsabilidade pessoal como o entendemos ainda poderia ser mantido pelo direito, por exemplo, já que se baseia em uma ficção de nossas mentes que na maioria dos casos não gera confusões como no caso do navio de Teseu. Mas, no fim das contas, não seria algo que existe de verdade, apenas uma invenção.


      Há ainda várias outras consequências desta tese, não aqui mencionadas por falta de espaço, que a maioria dos filósofos busca evitar. Mesmo assim, acho que é a mais correta, pois nenhuma outra parece ser capaz de provar que um dos navios seria o navio de Teseu “de verdade” sem adicionar premissas metafísicas que não podem ser testadas, como “a essência de um barco” ou algo do gênero.



(Autor: Jerônimo Erig Weiller. Publicado em https://jeronimoerwe.medium.com/o-navio-de-teseu-ϔilosoϔiasimpliϔicada-7631881239f9)




Texto 02: 



       Você já parou para pensar no quanto as células que compõem o nosso organismo trabalham ao longo de nossas vidas? Os cabelos, assim como as unhas, nunca param de crescer, a nossa pele escama, vamos perdendo a memória, os ossos vão se tornando gradativamente mais fracos etc. No entanto, apesar de envelhecermos, as nossas células se mantêm em um constante ciclo de renovação.


          De acordo com o pessoal do how stuff works, pesquisas realizadas nos anos 50 demonstraram que, em média, 98% dos átomos presentes no interior das moléculas que compõem as células do corpo humano são renovados anualmente através do ar que respiramos, dos alimentos que ingerimos e dos líquidos que consumimos.


      Alguns anos depois, outro estudo, baseado na medição do carbono-14 no organismo — absorvido do ar pelas plantas que consumimos e, portanto, presente em nosso DNA —, demonstrou que as células também se renovam periodicamente. Isso ocorre por meio de um ciclo constante no qual as células vão envelhecendo e morrendo, sendo substituídas por outras novas.


         No entanto, embora o corpo passe por uma “recauchutagem celular” da cabeça aos pés em intervalos que variam entre 7 e 10 anos, vale lembrar que as células de diferentes órgãos e tecidos se renovam com ritmos diferentes, dependendo do quanto cada uma precisa trabalhar para desempenhar suas funções.



(Disponível em https://www.megacurioso.com.br/corpo-humano/44648-everdade-que-as-celulas-do-corpo-humano-se-renovam-acada-7-anos.htm)
Acerca da colocação pronominal, podemos afirmar corretamente, EXCETO:  
Alternativas
Q3039584 Português
Assinale a opção em que o uso da próclise é obrigatório.
Alternativas
Respostas
461: D
462: D
463: C
464: D
465: B
466: C
467: E
468: A
469: C
470: C
471: C
472: B
473: D
474: D
475: E
476: C
477: C
478: E
479: C
480: D