Questões de Concurso Sobre coesão e coerência em português

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Ano: 2011 Banca: FEPESE Órgão: UFFS
Q1186630 Português
Leia o texto abaixo, e responda a questão.
O livro O filho eterno é a história que um pai encontrou para expor sua experiência de ter um filho com síndrome de Down. De forma corajosa, chegando às vezes a ser cruel, o narrador (o escritor Cristovão Tezza, em terceira pessoa) conta sobre como se sentiu injustiçado pela natureza, ao verificar que Filipe (o filho eterno) havia nascido com mongolismo. O narrador volta-se para seu passado e relembra tudo: a própria adolescência em uma comunidade, a vida como imigrante ilegal na Alemanha e a rápida experiência como relojoeiro, a ansiedade como autor de livros à espera de editor e o desejo de alcançar estabilidade financeira. As pequenas conquistas de Filipe e sua paixão por futebol, que é também a do pai, acabam por aproximá-los. O escritor expôs seu próprio drama, sem pieguices, e abordou questões relacionadas à síndrome de Down, sem didatismo. Ao fazê-lo, apre- sentando uma prosa rica e forte, mereceu os muitos prêmios literário que conquistou em 2008.
Em “e relembra tudo: a própria adolescência em uma comunidade, a vida como imigrante ilegal na Alemanha e a rápida experiência como relojoeiro, a ansiedade como autor de livros à espera de editor e o desejo de alcançar estabilidade financeira.”, o termo sublinhado tem valor catafórico, uma vez que remete a uma sequência (poderia ser uma palavra) apresentada em seguida no texto.
Assinale a alternativa com a frase em que está presente esse mecanismo de textualização.
Alternativas
Ano: 2011 Banca: FADESP Órgão: Prefeitura de Baião - PA
Q1185478 Português
                   Língua e Ignorância                    Maria José Foltran
  1   Nas duas últimas semanas, o Brasil acompanhou uma discussão a   2   respeito do livro didático Por uma vida melhor, da coleção Viver,   3   aprender, distribuída pelo Programa Nacional do Livro Didático do   4   MEC. Diante de posicionamentos virulentos externados na mídia, alguns   5   até histéricos, a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LINGUÍSTICA   6   (ABRALIN) vê a necessidade de vir a público manifestar-se a respeito,   7   no sentido de endossar o posicionamento dos linguistas, pouco ouvidos   8   até o momento. [...]   9   O fato que, inicialmente, chamou a atenção foi que os críticos não 10   tiveram sequer o cuidado de analisar o livro em questão mais 11   atentamente. As críticas se pautaram sempre nas cinco ou seis linhas 12   largamente citadas. Vale notar que o livro acata orientações dos PCN 13   (Parâmetros Curriculares Nacionais) em relação à concepção de 14   língua/linguagem, orientações que já estão em andamento há mais de 15   uma década. Além disso, não somente este, mas outros livros didáticos 16   englobam a discussão da variação linguística com o intuito de ressaltar o 17   papel e a importância da norma culta no mundo letrado. Portanto, em 18   nenhum momento houve ou há a defesa de que a norma culta não deva 19   ser ensinada. Ao contrário, entende-se que esse é o papel da escola, 20   garantir o domínio da norma culta para o acesso efetivo aos bens 21   culturais, ou seja, para a garantia do pleno exercício da cidadania. Esta é 22   a única razão que justifica a existência de uma disciplina que ensine 23   língua portuguesa a falantes nativos de português. [...]                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Disponívele<http://www.abralin.org/noticia/Did.pdf>.
No que diz respeito à coesão, é incorreto afirmar que o(a)
Alternativas
Ano: 2011 Banca: FEPESE Órgão: UFFS
Q1183428 Português
Leia o texto abaixo, para responder à questão.
“No Brasil, a caligrafia constava entre as habilidades avaliadas nos exames de admissão do antigo ginásio, até a década de 70, e era ensinada com esmero na sala de aula. O hábito da escrita vem caindo em desuso, à medida que o computador – cujo primeiro chip foi traçado pelo americano Gordon Moore, de posse de um velho lápis – se dissemina. Foi a palavra eternizada em papel (ou pedra, pergaminho, papiro)  --------- se encarregou de registrar a história da humanidade, não raro em garranchos deixados por seus protagonistas. O computador traz uma nova dimensão à aquisição de conhecimento e à interação entre as gerações que chegam aos bancos escolares. ------------------ , escrever a mão corre o risco de se tornar apenas mais um registro do passado, guardado em arquivo digital.”
Adapt. de Luís G. Barrucho, in: A mão ativa o cérebro. Veja, 27 jul. 2011, p. 94.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
Alternativas
Q1164663 Português
Quanto às relações coesivas, é falso afirmar que o pronome
Alternativas
Q1164452 Português

Disponível em: <http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/06/09/a-estraga-prazeres-385378.asp>

Julgue as assertivas abaixo quanto aos fatos de língua:


I. O último parágrafo do texto é constituído por um período composto por seis orações coordenadas.

II. Na linha 12, a substituição de “se” por “caso” manteria a ideia da frase, mas alteraria a correção gramatical.

III. Nas linhas 14-15, se as vírgulas que isolam o enunciado concessivo fossem substituídas por parênteses, haveria prejuízo para a correção gramatical da frase e alteração de sentido.

IV. Na linha 6, o pronome relativo “que” refere-se a “proclamação da independência”, termo que lhe dá sentido e que esse pronome substitui na oração adjetiva.


Está correto o que se afirma em

Alternativas
Q897551 Português

                     Trompas de Falópio, out; tubas uterinas, in.


      Há um pouco mais de uma década, médicos de 16 países se reuniram em São Paulo e anunciaram que, depois de estudos, seis mil partes do corpo humano tinham sido rebatizadas com novos nomes oficiais. Nunca mais tivemos dor de ouvido, só dor de orelhas.

      Eles descobriram que muitos dos nomes antigos já não serviam. E foram bem claros: só os nomes estavam mudando, as funções permaneciam as mesmas. Ah, bom! A velha orelha, portanto, continuava a ser orelha, própria para levar um puxão ou para carregar um brinco, mas seria chamada de orelha externa. E o ouvido, subitamente evaporado dos dicionários médicos, passava a ser orelha interna.

      Outro que dançou nessa revolução foi o cotovelo, renomeado de cúbito. Donde, no caso de alguma namorada ter mandado passear o amado, ele não teve dor de cotovelo, mas dor de cúbito. E ainda, como houvesse no braço um osso chamado cúbito, foi necessário fazer um ajuste – este passou a se chamar ulna, a fim de liberar espaço para o novo cúbito que aposentou o cotovelo.

      O bravo aparelho digestivo também mudou de nome. Tornou-se o sistema digestório. Eu não me surpreenderia se, nos últimos tempos, ele tivesse negado fogo diante de uma buchada de bode ou de um mortífero sarapatel, apenas por não se reconhecer como um sistema “digestório”.

      O que os nomes antigos tinham de errado? Suspeita-se que, por trás das explicações, está o “politicamente correto”.

      Os cientistas aproveitaram para cassar nomes que há séculos vinham batizando certas partes do corpo. De um dia para outro, não eram mais adequados. Alguns, porque apenas se referiam a homens: é o caso do poético pomo de adão, que, depois da constatação de que mulheres também o possuem, passou a ser chamado, prosaicamente, de proeminência laríngea. Ou do tendão de aquiles, hoje o tendão calcâneo. A trompa de Eustáquio tornou-se a tuba auditiva. E as trompas de Falópio passaram a ser as tubas uterinas.

      Os médicos justificam que essa nova nomeação veio tarde, que os nomes eram imprecisos e que aquelas partes do ouvido e do útero estavam mais para tuba que para trompas. Mas será que a mulher ficará mais contente ao saber que, no lugar das trompas, passou a carregar em suas entranhas um par de tubas uterinas? Não bastava o sentido pejorativo do verbo entubar?

      O fato é que, certamente, os cientistas tiveram excelentes motivos para corrigir certas descrições anatômicas. Se não, como explicar a manutenção de expressões como esqueleto, glote, piloro, úvula, genivalgo ou movimentos peristálticos?

                                                           (Rui Castro, in: Ser médico. Adaptado)

Analise as afirmações.


I. Na frase – ... é o caso do poético pomo de adão, que, depois da constatação de que mulheres também o possuem... (6.º parágrafo) – o pronome o retoma a expressão pomo de adão.

II. Na frase – Há um pouco mais de uma década... (1.º parágrafo) – a palavra em destaque expressa a ideia de tempo decorrido.

III. Segundo a norma padrão, o trecho – E ainda, como houvesse no braço um osso chamado... (3.º parágrafo) – escrito no plural é: E ainda, como houvessem no braço uns ossos chamados... .


Está correto apenas o contido em

Alternativas
Q822560 Português

Leia o texto e marque a alternativa correta acerca dos pronomes e da coesão textual.

“O professor pergunta ao Pedrão:

- Diga ao menos quantos ossos tem o crânio humano.

- Não me recordo, professor, mas os tenho todos na minha cabeça ...”

(Donaldo Buchweitz, erg. Piadas para você morrer de rir.Belo Horizonte: Leitura, 2001. p. 81.)

Alternativas
Q822554 Português

Após a leitura, marque a alternativa incorreta.

Racismo

“Tenho certeza de que, contra algumas atitudes em relação a racismo contra os negros, bem como em relação à perseguição a homossexuais e outras pessoas, deveriam haver, sim, penas, mas penas diferentes. Por exemplo: fica o racista obrigado a ler mais, a ter aulas de biologia, a aprender geografia, a aprender sobre outros povos e costumes, a aprender sobre religiões (todas). O criminoso só será colocado em liberdade novamente se der palestras públicas e obter oito como média 8. Aí, então, o cidadão, ex-racista, estará apto a voltar à sociedade, pois o racismo, seja de quem for e contra quem for, só tem, a meu ver, um motivo: falta total de informação.”

Roberto Moreira da Silva, Painel do Leitor. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 jul. 2001

Alternativas
Q744053 Português
Nos trechos em destaque transcritos nas alternativas abaixo, a elipse é utilizada como mecanismo de coesão textual, EXCETO em:
Alternativas
Q727329 Português

      “Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.

      A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranquilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.

      Boa Conceição! Chamavam-lhe “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.

      Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver a missa do galo na Corte. A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.”

                                                                       Machado de Assis, Missa do Galo.

No excerto retirado do texto: “Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar”, qual a função textual do termo grifado?
Alternativas
Q721027 Português
Prédio novo
Por Ivan Ângelo

   
        Tardezinha, homem vacilando entre a sesta e a televisão. Ele estava imerso naquela fuga da realidade que é “assistir sem assistir” à televisão, quando um som de música absurdamente alta irrompeu em sua sala com guitarras, bateria, sub woofer, tum-tum-tum, tibum-tibum. Vinha do apartamento ao lado, entrava pela parede e pelo hall. Recém-instalado no prédio novo, com vizinhos de hábitos desconhecidos, o homem temeu por seu futuro. Aquilo durou uns seis minutos e parou. Concluiu que o vizinho estivera testando os limites do seu home theater novo. O estrondo não se repetiu desde então, mas a bomba está lá, armada, pensa o homem, e não tira da cabeça o temor de nova e mais demorada invasão de sons infernais.
        Vizinhos são assim, incertos como loteria. E prédios novos são bombas armadas. O barulho é o campeão dos conflitos. Laje, piso e contrapiso comuns não seguram ruídos de saltos de sapatos, bolinha quicando, tropel de crianças, som alto de música ou televisão, movimentação de móveis, discussões, sopapos. Sábia, a mulher do homem havia mandado instalar, durante a construção, dupla manta acústica sob o contrapiso do apartamento de cima e também do seu próprio, sabendo que as construtoras fazem lajes cada vez mais finas para economizar material.
        Sabia que os sons não são assim dóceis, descobrem passagens pelos conduítes e caixinhas dos interruptores e tomadas. Nos prédios de dois apartamentos por andar, as unidades são espelhadas e muitas vezes as caixinhas de um lado correspondem a caixinhas do outro lado. No prédio novo, uma parede separava as suítes principais dos dois vizinhos. A mesma sábia mulher, ciosa da sua intimidade, mandou mudar de lugar a caixinha da cabeceira da cama e entupir o conduíte com lã de rocha.
          Com as primeiras famílias já morando, condôminos começam obras de reforma. Novos proprietários gostam de dar um toque pessoal ao novo apartamento. Não apenas um toque, na verdade; gostam de derrubar paredes, trocar pisos e azulejos, mudar fogão, abrir vãos, bolar teto, ampliar lavabo, incrementar iluminação. Poderiam ter dispensado o acabamento no final da construção, mas preferem quebrar tudo depois que a construtora entrega o apartamento acabado. A barulheira, o pó e o desgaste dos elevadores duram seis meses, no mínimo.
          Aos poucos, cresce o número de moradores. Começam os problemas nas garagens. Reclamam que os fluxos estão errados, as colunas estão erradas, os portões estão errados, a segurança é precária ... São quatro vagas por unidade, muitas inadequadas para carros maiores. Logo um ou outro precisa trocar o jipão por um compacto ou negociar a vaga ao lado. Uns mais folgados começam a estacionar em vagas vazias que não lhes pertencem, mais bem colocadas, o que leva a demoradas discussões nas primeiras assembleias de moradores.
        No dia a dia, constatam que a limpeza está péssima, os equipamentos da sala de ginástica vivem cobertos de pó, os brinquedos do playground deixam as crianças imundas, uma das faxineiras empurra água suja para dentro da piscina ... Ó céus. Uma assembleia decide terceirizar a limpeza.
        Alguns trazem cachorros, claro. Aparece um cheiro desagradável de xixi no elevador social. Daí a pouco, descobrem-se outras obras caninas no gramado do campo de futebol. Assembleia convocada às pressas decide: cães não podem passear nas dependências do condomínio; nos elevadores, só no colo. E se alguém trouxer um labrador?
        O mais recente problema: uma jovem está fazendo topless na piscina. Nada ostensivo ou ofensivo. Chega com as duas peças no lugar, procura espreguiçadeira livre ao sol, senta-se, tira a peça de cima, deita-se de bruços por uns vinte minutos, sentase sem tomar o cuidado de guardar as coisas, deita-se de costas, ajeita male-male a peça solta sobre as graças, cobre o rosto com o chapéu, fica mais vinte minutos, senta-se, veste a peça sem pressa, toma uma chuveirada e se vai.
        Não há nada previsto quanto a isso na convenção de condomínio. Cogita-se uma assembleia para discutir o assunto. Os homens acham que já houve assembleias demais para um prédio tão novo, fazem corpo mole. Enquanto isso, aproveitam o verão.
Fonte: Vejinha SP, Janeiro de 2011.
A linguagem jornalística, na busca de agilidade, emprega, algumas vezes, recursos coesivos que desobedecem à norma culta. Assinale a alternativa que demonstra esta ocorrência:
Alternativas
Q721023 Português
Prédio novo
Por Ivan Ângelo

   
        Tardezinha, homem vacilando entre a sesta e a televisão. Ele estava imerso naquela fuga da realidade que é “assistir sem assistir” à televisão, quando um som de música absurdamente alta irrompeu em sua sala com guitarras, bateria, sub woofer, tum-tum-tum, tibum-tibum. Vinha do apartamento ao lado, entrava pela parede e pelo hall. Recém-instalado no prédio novo, com vizinhos de hábitos desconhecidos, o homem temeu por seu futuro. Aquilo durou uns seis minutos e parou. Concluiu que o vizinho estivera testando os limites do seu home theater novo. O estrondo não se repetiu desde então, mas a bomba está lá, armada, pensa o homem, e não tira da cabeça o temor de nova e mais demorada invasão de sons infernais.
        Vizinhos são assim, incertos como loteria. E prédios novos são bombas armadas. O barulho é o campeão dos conflitos. Laje, piso e contrapiso comuns não seguram ruídos de saltos de sapatos, bolinha quicando, tropel de crianças, som alto de música ou televisão, movimentação de móveis, discussões, sopapos. Sábia, a mulher do homem havia mandado instalar, durante a construção, dupla manta acústica sob o contrapiso do apartamento de cima e também do seu próprio, sabendo que as construtoras fazem lajes cada vez mais finas para economizar material.
        Sabia que os sons não são assim dóceis, descobrem passagens pelos conduítes e caixinhas dos interruptores e tomadas. Nos prédios de dois apartamentos por andar, as unidades são espelhadas e muitas vezes as caixinhas de um lado correspondem a caixinhas do outro lado. No prédio novo, uma parede separava as suítes principais dos dois vizinhos. A mesma sábia mulher, ciosa da sua intimidade, mandou mudar de lugar a caixinha da cabeceira da cama e entupir o conduíte com lã de rocha.
          Com as primeiras famílias já morando, condôminos começam obras de reforma. Novos proprietários gostam de dar um toque pessoal ao novo apartamento. Não apenas um toque, na verdade; gostam de derrubar paredes, trocar pisos e azulejos, mudar fogão, abrir vãos, bolar teto, ampliar lavabo, incrementar iluminação. Poderiam ter dispensado o acabamento no final da construção, mas preferem quebrar tudo depois que a construtora entrega o apartamento acabado. A barulheira, o pó e o desgaste dos elevadores duram seis meses, no mínimo.
          Aos poucos, cresce o número de moradores. Começam os problemas nas garagens. Reclamam que os fluxos estão errados, as colunas estão erradas, os portões estão errados, a segurança é precária ... São quatro vagas por unidade, muitas inadequadas para carros maiores. Logo um ou outro precisa trocar o jipão por um compacto ou negociar a vaga ao lado. Uns mais folgados começam a estacionar em vagas vazias que não lhes pertencem, mais bem colocadas, o que leva a demoradas discussões nas primeiras assembleias de moradores.
        No dia a dia, constatam que a limpeza está péssima, os equipamentos da sala de ginástica vivem cobertos de pó, os brinquedos do playground deixam as crianças imundas, uma das faxineiras empurra água suja para dentro da piscina ... Ó céus. Uma assembleia decide terceirizar a limpeza.
        Alguns trazem cachorros, claro. Aparece um cheiro desagradável de xixi no elevador social. Daí a pouco, descobrem-se outras obras caninas no gramado do campo de futebol. Assembleia convocada às pressas decide: cães não podem passear nas dependências do condomínio; nos elevadores, só no colo. E se alguém trouxer um labrador?
        O mais recente problema: uma jovem está fazendo topless na piscina. Nada ostensivo ou ofensivo. Chega com as duas peças no lugar, procura espreguiçadeira livre ao sol, senta-se, tira a peça de cima, deita-se de bruços por uns vinte minutos, sentase sem tomar o cuidado de guardar as coisas, deita-se de costas, ajeita male-male a peça solta sobre as graças, cobre o rosto com o chapéu, fica mais vinte minutos, senta-se, veste a peça sem pressa, toma uma chuveirada e se vai.
        Não há nada previsto quanto a isso na convenção de condomínio. Cogita-se uma assembleia para discutir o assunto. Os homens acham que já houve assembleias demais para um prédio tão novo, fazem corpo mole. Enquanto isso, aproveitam o verão.
Fonte: Vejinha SP, Janeiro de 2011.
Em: “Aquilo durou uns seis minutos e parou”, o pronome demonstrativo refere-se a (à):
Alternativas
Q689085 Português
No segmento “É uma delas...” (l. 24), a palavra em destaque refere-se a:
Alternativas
Q689078 Português

Leia o texto a seguir, transcrito da revista Veja, de 22 de janeiro de 1986, e responda à questão.

    Quando era ministro da Educação, Passarinho recebeu correspondência de um reitor de uma universidade, solicitando verbas ao “iminente ministro”, que não pestanejou. Colocou de volta no correio, dizendo ao solicitante que já havia sido nomeado...

A resposta do ministro Jarbas Passarinho ao reitor esclarecendo que já havia sido nomeado deveu-se ao emprego indevido de:
Alternativas
Q689077 Português
Acerca da estrutura gramatical do texto, é correto afirmar que:
Alternativas
Q689071 Português
O pronome presente no segmento “Vem daí sua famosa declaração de que preferia a injustiça à desordem” (l. 3/4) mantém referência anafórica com o termo:
Alternativas
Q689069 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.

Texto I

O texto a seguir é uma circular, datada de 1794, dirigida aos funcionários públicos da França, após a Revolução Francesa.

    

(Apud LASSWELL, Harold & Kaplan, Abraham. A linguagem da política, Brasília, EUB, 1979)

A palavra “requisitos” (l. 9) guarda, com as palavras “decência” (l. 9) e “seriedade” (l. 9), relação semântico-coesiva de:
Alternativas
Q685424 Português

Leia o texto a seguir e responda a questão.

IMAGENS BANALIZADAS

Ruiz de Souza Oviedro

A tecnologia proporciona verdadeiros milagres, mas também produz alguma banalização. Nunca se tirou tanta fotografia instantânea como hoje: em todo lugar há gente promovendo a permanência de um instante, que imediatamente se ilumina na tela minúscula de uma câmera digital e de um telefone celular. Impossível não lembrar as fotos antigas ,quando o fotógrafo, investido de alguma solenidade, pedia aos fotografados que se preparassem, que posassem e de repente acionava o botão, e triunfava: – Pronto! E era esperar algum tempo para que a foto fosse revelada e encaminhada ao álbum da família. Na pressa de hoje, os “cliques” das maquininhas eletrônicas disparam como metralhadoras, as pessoas mal têm tempo para ver as fotos e logo, enfadadas, apagam-nas. As eventualmente selecionadas costumam ir parar nos arquivos de um computador. Mais cedo ou mais tarde, serão igualmente apagadas. De fato, o tempo está passando cada vez mais rápido.

O termo grifado está substituído de modo INCORRETO pelo pronome em:
Alternativas
Q630216 Português

      As artes plásticas apresentam-se a nós no espaço: recebemos uma impressão global antes de detectar os detalhes, pouco a pouco e em nosso ritmo próprio. A música, porém, baseia-se numa sucessão temporal, e exige uma memória alerta. Sendo assim, a música é uma arte cronológica, assim como a pintura é uma arte espacial. A música pressupõe, antes de tudo, certa organização do tempo, uma crononomia, se me permitem esse neologismo.

      As leis que regulam o movimento dos sons exigem a presença de um valor mensurável e constante: a métrica, elemento puramente material, através do qual o ritmo, elemento puramente formal, se realiza. Em outras palavras, a métrica resolve a questão de em quantas partes iguais será dividida a unidade musical que denominamos compasso, enquanto o ritmo resolve a questão de como essas partes iguais serão agrupadas dentro de um determinado compasso. [...]

      Vemos portanto que a métrica – já que intrinsecamente oferece apenas elementos de simetria, sendo inevitavelmente composta de quantidades iguais – é necessariamente utilizada pelo ritmo, cuja função é estabelecer a ordem no movimento dividindo as quantidades fornecidas pelo compasso.


(Fragmento extraído de Igor Stravinsky. Poética musical. Trad. Luiz Paulo Horta. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1996. p.35)

As artes plásticas apresentam-se a nós no espaço.

A música, porém, baseia-se numa sucessão temporal.


As frases acima articulam-se em um único período, com lógica e correção em: 

Alternativas
Q605187 Português
Considere os textos abaixo para responder à questão.

Na internet, num site que comercializa adesivos, lê-se:
A − Você pode personalizar a sua família escolhendo entre os Personagens, Pets e Acessórios disponíveis abaixo.

B − Agora, para você que ainda tem medo de aplicar os adesivos pelos comentários da mídia, onde criminosos utilizam os adesivos para recolher informações de sua família, resolvemos seu problema. Com a nova linha "SEGURANÇAS" você espanta os bandidos pra bem longe, afinal, quem vai encarar esta equipe? Rsrs

Se você conhece alguém que ainda não utiliza por estes motivos, não perca tempo, envie esta página para ele! 

Suponha que, numa atividade em sala de aula, os alunos tenham acesso às frases veiculadas no site. O professor interessado em examinar a função discursiva dos fatos linguísticos revela procedimento adequado ao agir do seguinte modo:
Alternativas
Respostas
11741: B
11742: C
11743: B
11744: E
11745: E
11746: D
11747: D
11748: X
11749: A
11750: A
11751: C
11752: A
11753: A
11754: C
11755: D
11756: A
11757: D
11758: C
11759: E
11760: E