Questões de Concurso Sobre coesão e coerência em português

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Q4273437 Português
Leia para responder à questão:


No panteão dos vilões mais icônicos da literatura fantástica contemporânea, poucos personagens despertam tanto fascínio e repulsa quanto Bellatrix Lestrange, a mais devota e perigosa Comensal da Morte do universo de Harry Potter.

Nascida Bellatrix Black, em uma das famílias mais antigas e tradicionais da pureza sanguínea, ela personifica a decadência moral da aristocracia bruxa, trocando o prestígio ancestral por uma devoção cega e doentia a Lord Voldemort, a quem servia como uma sacerdotisa em um culto macabro. Diferentemente de outros seguidores movidos pelo medo ou pela ambição, Bellatrix amava a causa das trevas com uma paixão arrebatadora e quase erótica, encontrando na crueldade e na tortura não apenas um dever, mas uma forma suprema de prazer, como demonstrou ao aplicar a Maldição Cruciatus em Frank e Alice Longbottom até que ambos perdessem a sanidade. Sua risada estridente, seus olhos esbugalhados de fanatismo e sua varinha desferindo feitiços assassinos com uma elegância sádica tornaram-na uma força da natureza caótica e destrutiva, cuja lealdade a Voldemort – ao contrário de muitos – jamais vacilou, nem mesmo diante dos longos anos de aprisionamento em Azkaban, onde os dementadores apenas reforçaram sua insanidade em vez de quebrar seu espírito.

O ápice de sua trajetória sombria, no entanto, revela não apenas sua ferocidade, mas também as trágicas contradições que a definiam como personagem – uma mulher capaz de matar o próprio primo, Sirius Black, com um feitiço que o lançou para além do Véu da Morte, e de guardar a taça de Helga Hufflepuff no cofre de seu banco com a precisão de uma estrategista, enquanto exalava o desprezo mais profundo por qualquer ser que não ostentasse sangue puro. A Batalha de Hogwarts, onde finalmente encontrou seu fim, foi o palco de sua última e mais memorável performance: confrontada por Molly Weasley, a mãe amorosa que ela desprezava, Bellatrix subestimou o poder do amor e da proteção materna – forças que, ironicamente, sempre foram a antítese de sua existência – e tombou sob o feitiço que a transformou em pó, encerrando a vida de uma bruxa cujo legado é o exemplo mais assustador de como a ideologia pode corromper a alma humana. Mais do que uma simples antagonista, Bellatrix Lestrange permanece como um espelho distorcido do que há de mais sombrio na natureza humana: a renúncia total à própria identidade em nome de uma causa que promete poder, mas entrega apenas aniquilação. Sua história inquieta porque nos força a encarar a inquietante verdade de que os maiores monstros não são aqueles que agem por maldade pura, mas aqueles que, por amor a uma ideia, transformam o amor em ódio e a vida em instrumento da morte. 
À luz da organização textual global, constitui a macroproposição principal do segundo parágrafo:
Alternativas
Q4272666 Português
"Quanto à etapa ensino fundamental anos finais, que corresponde aos 6º e 9º anos, nenhuma cidade no país conseguiu atingir a nota máxima. Contudo, Ceará e Alagoas também foram os líderes em municípios com notas mais altas no Ideb 2025, com Deputado de Irapuan Pinheiro em 1º lugar, seguido de Santana do Mundaú."

Considerando os mecanismos de coesão e coerência, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4271302 Português
Gênero, raça e origem familiar definem mobilidade social, diz estudo
Por Bruno Bocchini
(Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-07/genero-raca-e-origem-
familiar-definem-mobilidade-social-diz-estudo – texto adaptado especialmente para esta prova).  
No trecho retirado do texto “As possibilidades de romper esse ciclo são reduzidas: apenas 8,32% conseguem alcançar o grupo dos 25% mais ricos e somente 1,28% chegam ao estrato dos 10% com maior renda do país”, os dois-pontos introduzem dados que estabelecem uma relação com a afirmação anterior. Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho, substituindo os dois-pontos por uma conjunção, mantém essa relação de sentido e está de acordo com as regras de pontuação da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q4271296 Português
Gênero, raça e origem familiar definem mobilidade social, diz estudo
Por Bruno Bocchini
(Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-07/genero-raca-e-origem-
familiar-definem-mobilidade-social-diz-estudo – texto adaptado especialmente para esta prova).  
No trecho retirado do texto “Já a situação para quem nasce em famílias de maior renda é bastante diferente”, o termo “já” contribui para a coesão e a progressão textual ao estabelecer uma relação de: 
Alternativas
Q4271294 Português
Gênero, raça e origem familiar definem mobilidade social, diz estudo
Por Bruno Bocchini
(Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-07/genero-raca-e-origem-
familiar-definem-mobilidade-social-diz-estudo – texto adaptado especialmente para esta prova).  
Com base nas informações apresentadas no texto e nas relações que podem ser estabelecidas entre os dados, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A maior permanência das mulheres no grupo dos 25% mais pobres, em comparação com os homens de mesma origem familiar, permite inferir que o gênero é um fator que torna mais difícil a ascensão social.
( ) Com base exclusivamente nos dados apresentados, é possível afirmar que a diferença de mobilidade social entre homens e mulheres é maior entre a população não branca do que entre a população branca.
( ) O aumento das probabilidades de ascensão entre as duas gerações analisadas indica alguma melhora na mobilidade social, mas não é suficiente para afastar a conclusão de que a hierarquia de oportunidades permanece relativamente estável.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 
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Q4268878 Português

Cafeína pode ajudar na memória após privação de sono


Por Thais Szegö



(Disponível em: super.abril.com.br/saude/cafeina-pode-ajudar-na-memoria-apos-privacao-do-sono-sugere-

estudo/ – texto adaptado especialmente para esta prova).  

Assinale a alternativa que apresenta um trecho sublinhado que NÃO veicule uma ideia relacionada a tempo.

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Q4267993 Português

As lições do quase



Por Helô Bacichette



(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/as-licoes-do-

quase-cmrz4vd8v01sj014c4d62vmy5.html – texto adaptado especialmente para esta prova).  

De acordo com o texto, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. As situações da vida reconhecidas pela autora como “quases” nos deixam sempre com uma sensação de frustração, pois se relacionam ao que não vivenciamos.
MESMO ASSIM
II. Em alguns momentos, embora não nos demos conta, esses “quases” podem, inclusive, significar a salvação de nossas vidas.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4267992 Português

As lições do quase



Por Helô Bacichette



(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/as-licoes-do-

quase-cmrz4vd8v01sj014c4d62vmy5.html – texto adaptado especialmente para esta prova).  

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:
I. O que a autora chama de “quases” pode ser traduzido como uma possibilidade de realidade que, de fato, não existiu.
II. O grande motivo para o sofrimento do personagem da história contada por José Clemente Pozenato era imaginar que a vida que levara era uma farsa.
III. A força do quase reside no fato de que nossa mente repetidamente se dedica à criação de realidades diferentes daquela que efetivamente vivemos.
Quais estão corretas? 
Alternativas
Q4262874 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 01 


Atenção é vida 


    Você sente que está sempre ocupado, mas nem sempre com o que importa? A promessa da vida digital era facilitar, ganhar tempo e aproximar. Mas, na prática, para muita gente, ela tem feito o contrário: acelera, fragmenta e ocupa espaços que antes eram de presença, descanso e silêncio.

    A forma como você usa o seu celular diz muito sobre quem você acredita que precisa ser. Se você sente que precisa responder a todas as solicitações na hora, talvez esteja carregando a crença de que disponibilidade é sinônimo de valor. Se não consegue ficar offline, pode estar confundindo conexão com pertencimento. Se acorda e dorme com o celular na mão, talvez esteja terceirizando o próprio ritmo.

    Simplificar a vida digital não começa no aparelho. Começa na sua atualização de identidade. Porque toda mudança sustentável exige, na prática, uma faxina interna. E essa faxina passa por três frentes: crenças, emoções e relacionamentos. 

    Quais crenças te mantêm refém do excesso? A ideia de que “se eu não fizer, ninguém faz”? Ou de que “descansar é perder tempo”? Quais emoções você evita quando se distrai rolando a tela? Ansiedade, solidão, medo de ficar de fora? E quais relações digitais já perderam o sentido, mas continuam ocupando espaço: grupos silenciados, conteúdos que não agregam, conversas que drenam mais do que nutrem?

    A vida não fica mais leve quando você organiza o celular. Ela simplifica quando você organiza a si mesmo. Na prática, isso pede decisões simples e profundas. Não levar o celular para a cama, porque ele não é companhia, é estímulo. Não se sentar à mesa com notificações abertas, porque presença não se divide. Escolher em quais grupos estar, porque acesso não significa vínculo. Usar o modo “não perturbe” como limite saudável, não como luxo.

    Parece pouca coisa, mas não é. Cada pequena escolha, cada faxina, reorganiza sua atenção. E atenção é vida. A verdade é que não falta tempo. Faltam clareza e coragem para eliminar relações, hábitos e estímulos que já não fazem sentido.

    Quando você sabe o que importa, fica mais fácil dizer não para o que só ocupa espaço. E isso vale para o digital e para a vida. Porque a mesma pessoa que se perde nas telas, muitas vezes, também se perde nas decisões, nos excessos e nas expectativas. Você não precisa de mais tempo. Precisa reconhecer quem você é hoje e se está investindo energia em relações que fazem sentido.


Fonte: CAMARGO, Izabella. Atenção é vida. Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 20 jun. de 2026. Adaptado. 

De acordo com o texto, diminuir os excessos da vida digital está relacionado à decisão de 
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Q4262710 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão abaixo, que a ele se referem.

Texto 01 


Os sonhos que pegamos emprestados


      E se a vida que você está tentando construir nem for a vida que você realmente deseja?

    A pergunta pode soar desconfortável, mas talvez nunca tenha sido tão necessária. Vivemos em uma época de muita influência e informação, em que somos expostos, diariamente, a milhares de referências sobre como viver, o que conquistar, o que comprar, para onde viajar, como trabalhar, amar, criar os filhos e até descansar. Nunca tivemos tanta liberdade de escolha. E, paradoxalmente, nunca foi tão fácil perder de vista aquilo que realmente queremos.

    Em meio a tanto ruído, uma pergunta simples pode se tornar revolucionária: os sonhos que você sonha são realmente seus? 

    A todo momento somos atravessados por notícias, opiniões, tendências, expectativas e desejos que chegam de todos os lados. As redes sociais nos mostram vidas aparentemente perfeitas. O mercado nos apresenta novas necessidades. A sociedade define o que significa sucesso. E, sem perceber, vamos preenchendo nossa lista de prioridades com vontades que talvez não tenham nascido de dentro de nós.

    Estamos tão acostumados a seguir roteiros prontos que muitas vezes confundimos admiração com desejo, influência com autoridade e aprovação com felicidade. Passamos a perseguir metas que parecem importantes porque são valorizadas por todos ao nosso redor, sem nos perguntar se elas também fazem sentido para nós.

    Em um mundo que nunca esteve tão conectado, talvez estejamos cada vez mais distantes de nós mesmos. A velocidade dos dias dificulta a escuta interior. Pulamos de tarefa em tarefa, de tela em tela, de estímulo em estímulo. Fazemos escolhas quase automáticas, sem perceber que cada decisão está desenhando a realidade que habitamos.

    Por isso, talvez uma das tarefas mais importantes da vida seja desenvolver a coragem de investigar os próprios desejos. Não o que sua família espera. Não o que sua profissão exige. Não o que parece certo aos olhos dos outros. Mas aquilo que continua fazendo sentido quando todas as vozes externas se calam.

    O que faz seu coração vibrar? O que desperta sua curiosidade? Quais momentos fazem você perder a noção do tempo? Com quem você gosta de estar? E, tão importante quanto isso: o que você não quer para a sua vida? 

    Quando alguém reconhece seus desejos, valores e prioridades, algo muda. As decisões passam a fazer mais sentido. A agenda se organiza de outra forma. Os relacionamentos ganham novos contornos. O trabalho encontra significado. A vida deixa de ser apenas uma sequência de obrigações e começa a refletir quem se é de verdade. Porque existe uma força silenciosa na autenticidade.

    Quando você sabe quem é e o que deseja, sua energia deixa de ser consumida com o que não conecta com o seu coração. Ela passa a ser direcionada para construir uma vida coerente com aquilo que importa. Talvez seja por isso que pessoas autênticas exerçam tanto magnetismo. Não porque sejam perfeitas ou tenham todas as respostas, mas porque existe algo profundamente inspirador em quem tem a coragem de honrar a própria verdade.

    Isso não significa ignorar responsabilidades nem viver de forma egoísta. Significa reconhecer que uma vida plena não pode ser construída apenas a partir das demandas externas. Ela precisa reservar espaço para aquilo que nutre a alma, desperta entusiasmo e produz uma sensação genuína de pertencimento.

    No fim das contas, a pergunta “o que você quer da vida de verdade?” não busca uma resposta definitiva. Ela é um convite permanente. Um convite para questionar padrões. Para diferenciar o que é sonho seu e o que é sonho que você pegou emprestado. Para olhar para dentro com mais honestidade e atenção. Porque, quando encontramos coragem para escutar o que realmente importa, nossas escolhas passam a refletir quem somos de verdade.


Fonte: SESSO, Giuliana. Os sonhos que pegamos emprestados. Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 20 jun. 2026. Adaptado. 

Na passagem “E, paradoxalmente, nunca foi tão fácil perder de vista aquilo que realmente queremos.”, a palavra “paradoxalmente” insere uma ideia de  
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Q4262184 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:"

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, art. 5º, caput. 
Assinale a opção que apresenta análise correta do texto quanto à sua organização textual e ao sentido.
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Q4261497 Português
No texto a seguir, verifica-se algumas vezes o emprego do recurso da substituição lexical, em que uma palavra substitui outra para retomar o mesmo referente. São exemplos desse recurso coesivo:
O novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto, consolidou-se como um dos grandes marcos do cinema nacional em 2025 e início de 2026. A obra despertou enorme interesse do público ao narrar uma trama de espionagem ambientada no Recife da década de 1970. Graças à sua estética refinada, a produção conquistou a crítica internacional, garantindo presença nos festivais mais prestigiados do mundo. O sucesso da película não se restringiu apenas às bilheterias, mas refletiu-se em uma prateleira repleta de troféus. Recentemente, esse projeto audiovisual foi laureado com prêmios de melhor direção e roteiro, reafirmando o talento do cineasta pernambucano. A aclamação desse título reforça a relevância das narrativas brasileiras no cenário global contemporâneo. Ao receber cada honraria, a equipe destacou a importância de registrar a memória política do país através da arte. Assim, o filme encerra sua trajetória inicial como um fenômeno artístico e cultural incontestável.
[Texto criado por IA]
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Q4261174 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Família feliz


Família é feliz quando sua casa vive cheia. Isso não me sai da cabeça. Sei o valor da paz, de um final de semana de silêncio e preguiça, mas, talvez por efeitos da criação, costumo medir o contentamento pela bagunça.


A residência na infância se mantinha concorrida, a tal ponto que até as visitas abriam a porta para quem tocava a campainha. Não dávamos conta de cumprir as formalidades de anfitriões. Não havia certeza e garantia de quantos pratos seriam necessários. O feijão recebia sempre mais um copo d'água para não se morrer de fome. Pessoas chegavam e partiam sem avisar.


Família feliz terá um estoque de colchonetes. Como as camas pertencem aos seus donos, o negócio é tomar o chão. Lembro que, de férias no litoral, era difícil levantar e não pisar nos parentes que dormiam na sala. Você pulava obstáculos, minas humanas. Cada um se acomodava como podia para aproveitar o veraneio.


Família feliz terá um arsenal de cadeiras de praia. Aquelas dobráveis, amarelas, penduradas em ganchos na parede ou encostadas na área de serviço. Pois é má-educação permitir que alguém fique de pé. Parece que somos proprietários de bar. Trata-se de uma prevenção para nunca faltar assento. A decoração se perde em uma roda de chimarrão em torno da televisão. Qualquer ambiente fechado se eleva à condição de varanda improvisada.


Família feliz terá pilha de cervejas na geladeira. Ainda que seja abstêmia, não proíbe o prazer da saideira.


Família feliz terá a louça acumulada na pia no sábado e domingo. Não consegue parar para lavar. Usará sua última porcelana antes de pegar na esponja. Maníacos por limpeza enlouquecem.


A mesa jamais é desfeita. O almoço vira sobremesa, que vira café da tarde, que vira jantar, que vira sobremesa de novo. A toalha ganha nódoas de molho e contornos vermelhos dos cálices de vinho e das xícaras: um sudário da gula. Impossível se conservar imaculada. Lotará o varal na segunda-feira.


Família feliz terá manta no sofá. Desistiu de tentar salvá-lo das manchas, dos rasgões, da descostura, e cobriu seus ombros. É o móvel mais frequentado, sobretudo se existe como recliná-lo. Um pit stop para a digestão e para as sestas involuntárias.


Família feliz terá baralho de cartas, dominó ou varetas, todos gastos pelo uso. O entardecer combina com pife, e buraco, e brigas, e implicâncias entre quem joga sério e quem rouba. 


Família feliz terá uma caixinha de som. Começa com MPB dos velhos, os jovens assumem o controle pouco a pouco e a playlist desanda em funk e coreografias incompreensíveis.


Família feliz é a desordem doméstica e a busca desesperada por atender tanta gente de surpresa com ventiladores barulhentos e isopores.


Todos falam ao mesmo tempo e ninguém deixa de ser ouvido. Os apelidos sufocam os nomes próprios. Os objetos circulam anonimamente: um carregador de celular, um abajur, uma travessa. Aceitam-se as piadas e as lembranças remotas mais constrangedoras.


O lar oferece horas de saudável confusão, de vozerio, de brincadeiras. Apenas a faxina na manhã seguinte é terrivelmente solitária. 


Autor: Fabrício Carpinejar
A recorrência da estrutura "Família feliz terá", no início de diferentes parágrafos, desempenha papel relevante na organização da crônica. Esse recurso:
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Q4261173 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Família feliz


Família é feliz quando sua casa vive cheia. Isso não me sai da cabeça. Sei o valor da paz, de um final de semana de silêncio e preguiça, mas, talvez por efeitos da criação, costumo medir o contentamento pela bagunça.


A residência na infância se mantinha concorrida, a tal ponto que até as visitas abriam a porta para quem tocava a campainha. Não dávamos conta de cumprir as formalidades de anfitriões. Não havia certeza e garantia de quantos pratos seriam necessários. O feijão recebia sempre mais um copo d'água para não se morrer de fome. Pessoas chegavam e partiam sem avisar.


Família feliz terá um estoque de colchonetes. Como as camas pertencem aos seus donos, o negócio é tomar o chão. Lembro que, de férias no litoral, era difícil levantar e não pisar nos parentes que dormiam na sala. Você pulava obstáculos, minas humanas. Cada um se acomodava como podia para aproveitar o veraneio.


Família feliz terá um arsenal de cadeiras de praia. Aquelas dobráveis, amarelas, penduradas em ganchos na parede ou encostadas na área de serviço. Pois é má-educação permitir que alguém fique de pé. Parece que somos proprietários de bar. Trata-se de uma prevenção para nunca faltar assento. A decoração se perde em uma roda de chimarrão em torno da televisão. Qualquer ambiente fechado se eleva à condição de varanda improvisada.


Família feliz terá pilha de cervejas na geladeira. Ainda que seja abstêmia, não proíbe o prazer da saideira.


Família feliz terá a louça acumulada na pia no sábado e domingo. Não consegue parar para lavar. Usará sua última porcelana antes de pegar na esponja. Maníacos por limpeza enlouquecem.


A mesa jamais é desfeita. O almoço vira sobremesa, que vira café da tarde, que vira jantar, que vira sobremesa de novo. A toalha ganha nódoas de molho e contornos vermelhos dos cálices de vinho e das xícaras: um sudário da gula. Impossível se conservar imaculada. Lotará o varal na segunda-feira.


Família feliz terá manta no sofá. Desistiu de tentar salvá-lo das manchas, dos rasgões, da descostura, e cobriu seus ombros. É o móvel mais frequentado, sobretudo se existe como recliná-lo. Um pit stop para a digestão e para as sestas involuntárias.


Família feliz terá baralho de cartas, dominó ou varetas, todos gastos pelo uso. O entardecer combina com pife, e buraco, e brigas, e implicâncias entre quem joga sério e quem rouba. 


Família feliz terá uma caixinha de som. Começa com MPB dos velhos, os jovens assumem o controle pouco a pouco e a playlist desanda em funk e coreografias incompreensíveis.


Família feliz é a desordem doméstica e a busca desesperada por atender tanta gente de surpresa com ventiladores barulhentos e isopores.


Todos falam ao mesmo tempo e ninguém deixa de ser ouvido. Os apelidos sufocam os nomes próprios. Os objetos circulam anonimamente: um carregador de celular, um abajur, uma travessa. Aceitam-se as piadas e as lembranças remotas mais constrangedoras.


O lar oferece horas de saudável confusão, de vozerio, de brincadeiras. Apenas a faxina na manhã seguinte é terrivelmente solitária. 


Autor: Fabrício Carpinejar
A concepção de felicidade familiar construída ao longo do texto contrapõe-se a determinados valores tradicionalmente relacionados à organização doméstica. Considerando a articulação entre o primeiro e o último parágrafos, assinale a alternativa que adequadamente expressa o ponto de vista do autor. 
Alternativas
Q4259925 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão


Doenças renais crônicas, obesidade, depressão… Décadas atrás, era impensável a ideia de que tais enfermidades pudessem atingir cães, gatos e outros animais. Hoje, porém, a medicina veterinária enfrenta casos antes considerados tipicamente humanos. Mais que uma evolução dos métodos de diagnóstico, a mudança pode ser reflexo da influência dos donos sobre a saúde de seus animais domésticos.


Em humanos, a possibilidade de expressar sentimentos e angústias pela fala facilita o diagnóstico da depressão. Em cães, entretanto, é preciso ficar atento ao comportamento do animal. Apatia, perda de apetite e busca de isolamento são sinais de que o animal pode estar deprimido, assim como acontece com seres humanos.


Se os sintomas de depressão são os mesmos em cães e humanos, há semelhança também no tratamento da doen ça, com uso de psicotrópicos e psicoterapia. Além disso, os tutores são instruídos a mudar algumas atitudes em relação a eles, como passar mais tempo em sua companhia, levá-los para passear, melhorar sua alimentação e permitir a convivência com outros cães.


(Guilherme de Souza. Tal cão, tal dono. https://cienciahoje.org.br. Adaptado)

No trecho “… a possibilidade de expressar sentimentos e angústias pela fala facilita o diagnóstico da depressão” (2o parágrafo), a palavra destacada expressa relação de sentido de
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Q4259919 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão


    O que influencia suas decisões sobre carreira, família, saúde e vida social? Para um número crescente de pessoas, a resposta é: o animal de estimação. E pesquisas mostram que seu impacto vai além do companheirismo.


    Como psicoterapeuta e pesquisadora que explora a influência dos animais de estimação na vida das pessoas há mais de uma década, parte do meu trabalho é entender as necessidades dos tutores e como apoiá-los segundo suas necessidades. Estudos com esses objetivos têm ganhado mais atenção nas últimas décadas.


    Uma pesquisa que envolveu 5.000 tutores demonstrou que, especialmente entre casais sem filhos, os animais de estimação influenciam decisões pessoais e até profissionais. Muitos preferem cancelar eventos sociais ou faltar ao trabalho para cuidar de seus “filhos”. Uma outra pesquisa com 1.800 tutores de animais de estimação revelou quão profunda é essa conexão: 30% daqueles que trabalham on-line disseram que estariam mais inclinados a voltar ao escritório se pudessem levar seus bichinhos para o trabalho. Quase um terço valoriza o tempo de folga especificamente para cuidar de seus animais, e um quarto gostaria de ver vantagens relacionadas a animais de estimação incluídas nos seus benefícios como funcionários.


    Embora, antes, a trajetória de vida envolvesse primeiramente casamento, filhos e uma carreira estável, muitos, hoje, idealizam futuros em que seus animais de estimação são figuras centrais. Algumas pessoas estão dispostas a ganhar menos, mudar de emprego ou alterar as opções de moradia para priorizar as necessidades dos animais. Essas não são apenas preferências isoladas. Elas revelam não só mudanças sociais mais amplas, mas também uma transformação em como as pessoas se definem.


(Renata Roma. Pets influenciam cada vez mais as decisões de vida de seus tutores. https://super.abril.com.br, 01.08.2025. Adaptado)

Assinale a alternativa em que se observa relação de sentido de adição no trecho.
Alternativas
Q4259915 Português

Leia a tirinha a seguir para responder à questão


A partir da leitura da tira, é correto afirmar que as falas da moça
Alternativas
Q4259368 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
O texto apresenta a tese do historiador Peter Jones de que o esgotamento mental não é fenômeno exclusivamente moderno, remontando à acídia medieval descrita por João Cassiano. Várias ideias são apresentadas no texto, ou dele podem ser inferidas.

Considerando a identificação de ideias principais, secundárias e implícitas do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4259219 Português

As janelas iluminadas

Por Magali Moraes



(Disponível em: https://diariogaucho.clicrbs.com.br/dia-a-dia/noticia/2026/07/magali-moraes-e-as-janelasiluminadas-cmrjf1n5t004k013a0p7hp1xu.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho “Nos locais descampados, só as estrelas iluminam. Já na cidade, as casas brilham por causa das pessoas que as habitam”, retirado do texto, o termo sublinhado se refere a:
Alternativas
Q4258998 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:


Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada, custei a reconhecer o quarto da nova casa em que eu estava morando e não conseguia me lembrar de como havia chegado até ali. E a insistente pergunta martelando, martelando. De que cor eram os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusativo. Então eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe?


Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha mãe, aprendi a conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer, em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, descobria-me cheia de culpa por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela.


Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe; às vezes, essas histórias confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse, ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida.


(Conceição Evaristo, “Olhos d’água”, 19.05.2023. Disponível em: https://files.ufgd.edu.br. Adaptado)

Os termos destacados na passagem – Naquele momento, entretanto, descobria-me cheia de culpa por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela. – podem ser substituídos, sem prejuízo ao sentido e respectivamente, por:
Alternativas
Respostas
81: C
82: A
83: B
84: A
85: B
86: B
87: D
88: D
89: C
90: E
91: A
92: B
93: C
94: E
95: A
96: C
97: E
98: A
99: C
100: E