Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
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“Em comparação com outros estados brasileiros, o Amapá carrega o maior percentual de jovens em sua população, cerca de 29,1%, segundo o Atlas das Juventudes de 2021.”
Acerca da palavra destacada, analise as afirmativas a seguir.
I. É classificada como um numeral. II. É classificada como uma conjunção subordinativa. III. Pode ser substituída por “de acordo com” sem prejuízo na informação.
Estão corretas as afirmativas
INSTRUÇÃO: Leia o texto II a seguir para responder à questão.
TEXTO II

Disponível em: l1nq.com/4fhVA. Acesso em: 21 out. 2022.
Releia o trecho a seguir.
“[...] o incrível é que ainda existam tantos professores bons.”
A oração destacada é subordinada substantiva
I. Exemplo de estruturação de ordem indireta, frequente sintaticamente. II. Existência sintática de termo da oração indicado pela flexão verbal. III. Estratégia de enunciação adequada e característica do texto apresentado.
Está correto o que se afirma apenas em


*PERINI, M. A. Gramática descritiva do português. 4 ed. São Paulo: Ática, 2005, p. 129.
**CURY, Augusto. Disponível em: https://www.pensador.com/vaidade/2/ (acesso em 28/04/2022).
*EMERSON, Ralph Waldo. Disponível em: https://www.pensador.com/citacoes_sobre_educacao/ (acesso em 28/04/2022).
Desigualdade racial na educação brasileira

(Disponível em: https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/em-debate/desigualdade-racialna-educacao – texto adaptado especialmente para esta prova.)
I. O primeiro período do texto é formado por duas orações coordenadas que têm o mesmo sujeito, embora este, na segunda oração, seja subentendido.
II. O segundo período do texto apresenta uma oração reduzida com valor de adjetivo.
III. No terceiro período, há três orações subordinadas com valor de advérbio.
IV. No quarto e último período do texto, os termos sublinhados têm função de complemento nominal.
Quais estão corretas?
Tudo é inútil e atravancador (4º parágrafo).
O termo sublinhado acima exerce, no contexto, a mesma função sintática do que se encontra também sublinhado em:


“Creio que esta crise nos tornou mais conscientes de que o mundo todo está ligado; nenhum de nós pode pensar que vai pegar o seu ônibus para o futuro independente dos outros”.
Como a guerra de palavras molda as notícias
“Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.”
Assim começa o poema “O Lutador” de Carlos Drummond de Andrade, a meu ver, um dos mais belos poemas sobre o ofício de escrever. Sobre a quase que impossibilidade de definir, seja lá o que (ou quem) for, com vocábulos, o que se pretende dizer ou expressar. Do alto de sua sabedoria infantil, Marcelo, o inesquecível personagem de “Marcelo, Martelo, Marmelo” (Ed. Salamandra), de Ruth Rocha, outra das nossas grandes autoras, já definiu bem a grande dúvida que ronda a origem das palavras, sejam elas em que língua forem:
“– Papai, por que mesa chama mesa?
– Ah, Marcelo, vem do latim.
– Puxa, papai, do latim? E latim é língua de cachorro?
– Não, Marcelo, latim é uma língua muito antiga.
– E por que é que esse tal de latim não botou na mesa nome de cadeira, na cadeira nome de parede, e na parede nome de bacalhau?”
O pai de Marcelo, é claro, não soube responder à pergunta do garoto. E nós, tal como ele, muitas vezes nos pomos a perguntar por que uma pessoa usou tal palavra e não outra (ou outras) para comunicar alguma coisa, definir um conceito, contar uma história. E se perguntarmos a ela, muito provavelmente essa pessoa usará mais tantas outras para justificar a escolha daquela e assim,nos convencer que fez o melhor uso para descrever o que desejava. Longe de mim querer dar conta de explicar um fenômeno tão complexo como a linguagem nas poucas linhas deste artigo. Minha reflexão aqui é sobre como as palavras importam para moldar e explicar a nossa realidade. Nietzsche, um dos maiores filósofos de todos os tempos, disse que as palavras são pontes iridescentes que ligam coisas separadas. Faço um complemento à sua fala: e quando elas se juntam, são capazes de produzir sentido, a chave para que sigamos vivos, em ação, transformando o mundo em que vivemos. As palavras dão sentido à nossa experiência, ao que acontece ao nosso redor e ao que se passa com e em cada um de nós.
Há mais de 30 dias vivemos uma experiência das mais complexas em diferentes sentidos com a guerra na Ucrânia. E como ela se dá para além dos tiros, bombas, das mortes brutais, e está acontecendo “em tempo real” nas mídias, nos relatos “ao vivo” de quem filma e/ou fotografa o inenarrável sofrimento humano e posta nas redes sociais, assistimos à tão falada “guerra das narrativas” na qual desenrola-se uma escolha cuidadosa de palavras que tentam dar conta de explicar os fatos que se desenrolam, minuto a minuto. Por que uns usam o termo “invasão” e outros “guerra”? E qual a razão de outros insistirem em dizer que se trata de “exercícios militares”, ou ainda de um “conflito” ou então de uma “ocupação”? É que quando você escolhe o termo guerra versus invasão, você selecionou um ponto de vista para explicar os fatos que conseguiu perceber – e, esperamos! – verificar.
“Entendo que para contar é necessário primeiramente construir um mundo”, dizia um dos maiores semiólogos e linguistas do nosso tempo, o escritor italiano Umberto Eco. “Que leitor modelo eu queria, quando estava escrevendo? Um cúmplice, claro, que entrasse no meu jogo. (...) Um texto quer ser uma experiência de transformação para o próprio leitor”. Estar consciente desse jogo, conhecer as regras da construção das mensagens é uma das grandes habilidades a serem conquistadas pelos cidadãos dessa Era da (Des)Informação, e um dos pilares da Educação para as Mídias. É fundamental que o leitor (re)conheça que cada notícia é composta por um conjunto de palavras, de termos, que contam uma determinada história, sob um ponto de vista específico, que interessa a um certo grupo de pessoas e/ou instituições. Faz tempo que o mito da objetividade jornalística caiu por terra, por isso, para se formar um leitor crítico, há que prepará-lo para desenvolver uma certa dose de ceticismo saudável, aliado a uma investigação constante dos muitos porquês que envolvem a construção de uma mensagem.
A chamada grande mídia vem sendo profundamente abalada pelo advento das redes sociais, onde todos e qualquer um é jornalista. Daí a importância de se frisar que se a objetividade jornalística é uma quimera, a objetividade, em si, é um método, não um ponto de vista. E o bom jornalismo faz uso dela quando estabelece critérios claros (e bem expostos em sua política editorial) para publicar um conteúdo, pesquisando o contexto no qual ele se desenrola, conhecendo os mais diversos e diferentes pontos de vista sobre o que se está contando, analisando todas as informações coletadas, fazendo perguntas – tantas quantas forem necessárias para trazer mais clareza ao fato – e escolhendo palavras que sejam molduras o mais próximas possível do que se quer retratar. “As palavras são imprecisas. Elas nunca capturam totalmente o que está acontecendo. Há uma diferença qualitativa entre um jornalista que usa palavras de forma imprudente e um que está lutando, revisando e atualizando sua linguagem à medida que sabe mais (...) as palavras também têm um significado público quando absorvidas pela mídia. As palavras têm definições, mas também conotações e significados culturais, dependendo do contexto em que são usadas. E tudo isso está em jogo nas notícias”, afirma o jornalista e articulista do periódico digital Medium, Jeremy Littau.
A afirmação do jornalista americano explica de maneira bastante simples porque cada um lê a notícia do jeito que lhe interessa, afinal, cada termo selecionado se encaixa na moldura que o leitor tem, aquela que lhe possibilita ver e compreender o mundo em que vive. Nesse sentido, nunca é demais lembrar que o poder está, de fato, na mão do leitor. Em uma sociedade letrada como a nossa, a leitura (e aqui me refiro a ela como a possibilidade de ler/ver/ouvir em quaisquer suportes) é um instrumento precioso para que interpretemos a realidade e então, possamos devolver a nossa percepção dela para a nossa comunidade e com isso, construirmos a nossa história. O exercício da leitura nos dá a possibilidade de questionar e elaborar as nossas perguntas e respostas a partir da nossa experiência. O leitor crítico quer acessar as notícias, mas sobretudo quer entendê-las e encontrar sentido nelas e para elas. Aquecimento global ou mudança climática? Protesto ou motim? Combate ou luta? Você escolhe como explicar ou compreender, meu caro leitor.
(ALVES, Januária Cristina. Como a guerra de palavras molda as notícias.
Jornal Nexo. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/
2022/Como-a-guerra-de-palavras-molda-as-not%C3%ADcias. Acesso em:
05/04/2022. Adaptado.)