Questões de Concurso
Comentadas sobre teoria literária em literatura
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“Nunca, nunca se comerciou tanto preto quanto agora. A cidade cresceu, expandiu-se, o píer do cais do Valongo foi construído e finalmente desativado, mas seguimos entrando por todos os poros desta cidade. Sim, o país de Mr. Toole proibiu este tráfico, mas eu estava certa. Isto não importaria nada para este lugar. Eu desci aqui, eu pisei na areia desta praia e depois vi os meus pisarem as pedras deste cais. E ainda vejo a massa esquelética que chega em ondas sucessivas. A cada um que chega penso nos tantos que ficaram no caminho”
Fonte: CRUZ, E. A. O crime do Cais do Valongo. Rio de Janeiro: Malê, 2018.
Sobre a Literatura Afro-brasileira, assinale a alternativa correta.
Sobre as Literaturas de Língua Portuguesa estudadas no Brasil, considere as afirmativas a seguir.
I → Os textos literários de autoria africana em língua portuguesa apresentam uma realidade exótica e mágica do continente africano.
II → A inclusão de autores como Pepetela (Angola) e Mia Couto (Moçambique) na lista de leituras literárias obrigatórias de vestibulares concorridos nacionalmente foi fator determinante para a publicação desses autores no Brasil e, consequentemente, sua popularidade entre os leitores de literatura.
III → Desde a sanção da Lei Nº 10639/03 que a disciplina de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa é obrigatória nos cursos de Letras das universidades públicas e privadas do Brasil.
IV → Mais de vinte anos após a sanção da Lei Nº 10639/03, é possível observar os cinco países africanos de língua oficial portuguesa (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde) presentes nas leituras literárias obrigatórias da educação básica.
Está(ão) correta(s)
Fonte: ROUXEL, A. “Aspectos metodológicos do ensino da literatura”. In: DALVI, M. A.; REZENDE, N. L. de; JOVER-FALEIROS, R. (Orgs.). Leitura de literatura na escola. São Paulo, SP: Parábola, 2013. p. 20.
Sobre a formação de leitores, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) em cada afirmativa a seguir.
( ) O aluno se institui sujeito leitor aceitando a imposição de um sentido convencionado a ser transmitido sobre o texto literário, pois compreende que o professor interpreta o texto melhor por já ter lido muitas vezes.
( ) O professor precisa selecionar obras que os alunos já leem, pois somente assim eles não se sentirão desestimulados com o ensino da literatura.
( ) Os alunos precisam ser confrontados com as diversidades literárias, mesmo que isso não seja agradável num primeiro momento.
A sequência correta é
“E assim seguimos nosso caminho por esse mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram vinte e um dias de abril, estando da dita ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mercantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E, quarta-feira seguinte, pela manhã topamos aves a que chamam furabuchos.
Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra!”
Fonte: CAMINHA, P. V. de. Carta do Achamento do Brasil. In: OLIVIERI, A. C.; VILLA, M. A. Cronistas do descobrimento. São Paulo: Ática, 2002. p. 19-25.
“a descoberta
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra”
Fonte: ANDRADE, O. de. “Pero Vaz Caminha; a descoberta”. In: MORICONI, I. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 79-80.
A partir da comparação entre os excertos transcritos, é correto afirmar que
Com base nisso, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) em cada afirmativa a seguir.
( ) A seleção e indicação de leituras literárias que formarão o repertório a ser lido cabem especificamente ao(à) professor(a), que deve levar em conta para sua escolha, sobretudo, elementos que aprimorem os conhecimentos linguísticos e textuais do(a) leitor(a).
( ) A concepção de Literatura, a metodologia adotada e os papéis do(a) professor(a) e do(a) aluno(a) são elementos que interferem decisivamente no trabalho com a leitura literária em sala de aula e, por consequência, no processo de formação de leitores.
( ) Metodologias como o letramento literário contribuem para o processo de formação de leitores porque incentivam a apropriação da Literatura a partir da leitura literária especificamente, fundando-se numa relação intensa com a linguagem.
A sequência correta é
Com base na construção narrativa da obra, assinale a alternativa CORRETA:
"A literatura humaniza na medida em que é assumida como uma visão do mundo elaborada em termos de ficção, e, por isso mesmo, nos leva a sentir e compreender com os outros, a nos colocar no lugar deles." (Cândido, 2006).
Com base nessa perspectiva, a afirmação que melhor reflete a concepção de leitura literária é:
"Vozes-Mulheres" Conceição Evaristo
A voz de minha bisavó ecoou criança nos porões do navio. Ecoou lamentos de uma infância perdida. A voz de minha avó ecoou obediência aos brancos-donos de tudo. A voz de minha mãe ecoou baixinho revolta no fundo das cozinhas alheias debaixo das trouxas roupas sujas dos brancos pelo caminho empoeirado rumo à favela. A minha voz ainda ecoa versos perplexos com rimas de sangue e fome. A voz de minha filha recolhe todas as nossas vozes recolhe em si as vozes mudas caladas engasgadas nas gargantas. A voz de minha filha recolhe em si a fala e o ato. O ontem — o hoje — o agora.
Disponível em:<https://marcioadrianomoraes.com/visualizar.php?idt=7351878 > Acesso em: 20
set.2024
Cândido (2008) argumenta que a literatura tem, como uma de suas principais funções, relatar as desigualdades e as injustiças presentes na sociedade, servindo com uma forma de conscientização.
No poema "Vozes-Mulheres", de Conceição Evaristo, como essa função social da literatura é representada?
Agosto de 1934
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro-Leblon.
Volto do trabalho, a noite em meio, fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
que a vida eu compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do horror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira
(GULLAR, FERREIRA. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001. p.170.)
Assinale a alternativa correta sobre a reflexão do eu lírico sobre sua condição e destino de seu poema.
Cantar de amor
Mha senhor, com’oje dia son,
Atan cuitad’e sen cor assi!
E par Deus non sei que farei i,
Ca non dormho á mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Noit’e dia no meu coraçon
Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir’eu logo, se Deus mi perdon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu bem,
Meu coraçon non sei o que ten.
Des oimais o viver m’é prison:
Grave di’aquel em que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca perç’o sen e perç’a razon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1986. p.144-45.
Sobre do poeta modernista Manuel Bandeira e sua relação com as cantigas de amor medievais, é INCORRETO afirmar que
Que inflexível se mostra, que constante
Se vê este penhasco! já ferido
Do proceloso vento, e já batido
Do mar, que nele quebra a cada instante!
Não vi; nem hei de ver mais semelhante
Retrato dessa ingrata, a que o gemido
Jamais pode fazer, que enternecido
Seu peito atenda às queixas de um amante.
Tal és, ingrata Nise: a rebeldia,
Que vês nesse penhasco, essa dureza
Há de ceder aos golpes algum dia:
Mas que diversa é tua natureza!
Dos contínuos excessos da porfia,
Recobras novo estímulo à fereza.
Publicado no livro Obras (1768). In: COSTA, Cláudio Manuel da. Obras. Introd. cronol. e bibliogr. Antônio Soares Amora. Lisboa: Bertrand, 1959. (Obras primas da Língua Portuguesa)
Marque a alternativa que analisa corretamente o poema.
COSSON, R. Letramento literário: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2014 (adaptado).
Com o intuito de ensinar aos alunos sobre os principais autores do Romantismo no Brasil, um professor da 2ª série do Ensino Médio elaborou uma sequência didática que trazia os seguintes passos: 1) Esquema no quadro contendo as principais características de cada uma das três fases do Romantismo no Brasil; 2) Fichas impressas com foto e resumo das biografias dos principais autores; 3) Fotocópias com trechos das obras I-Juca-Pirama, Senhora e Os escravos; 4) Atividade escrita na qual os alunos precisariam identificar as características de cada fase nos trechos selecionados das obras.
Considerando o exposto por Rildo Cosson e a sequência apresentada nessa situação, é correto afirmar que
A fim de que a pesquisa propiciasse a construção de conhecimentos interdisciplinares, seria adequado que a professora solicitasse aos estudantes identificar na obra
[...] os olhos do homem parecem sãos, a íris apresenta-se nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta como porcelana. As pálpebras arregaladas, a pele crispada da cara, as sobrancelhas de repente revoltas, tudo isso, qualquer o pode verificar, é que se descompôs pela angústia. Num movimento rápido, o que estava à vista desapareceu atrás dos punhos fechados do homem, como se ele ainda quisesse reter no interior do cérebro a última imagem recolhida, uma luz vermelha, redonda, num semáforo. Estou cego, estou cego, repetia com desespero enquanto o ajudavam a sair do carro, e as lágrimas, rompendo, tornaram mais brilhantes os olhos que ele dizia estarem mortos. Isso passa, vai ver que isso passa, às vezes são nervos, disse uma mulher. [...] A mulher que falara de nervos foi de opinião que se devia chamar uma ambulância, transportar o pobrezinho ao hospital, mas o cego disse que isso não, não queria tanto, só pedia que o encaminhassem até à porta do prédio onde morava, Fica aqui muito perto, seria um grande favor que me faziam. E o carro, perguntou uma voz. Outra voz respondeu, A chave está no sítio, põe-se em cima do passeio. Não é preciso, interveio uma terceira voz, eu tomo conta do carro e acompanho este senhor a casa. Ouviram-se murmúrios de aprovação. O cego sentiu que o tomavam pelo braço, Venha, venha comigo, dizia-lhe a mesma voz. Ajudaram-no a sentar-se no lugar ao lado do condutor, puseram-lhe o cinto de segurança, não vejo, não vejo, murmurava entre o choro, Diga-me onde mora, pediu o outro. Pelas janelas do carro espreitavam caras vorazes, gulosas da novidade.
SARAMAGO, J. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1995 (adaptado).
A partir da situação apresentada, é uma alternativa possível para o professor
RAMA, Á. Transculturación narrativa en América Latina. México: Siglo XXI, 1987. p. 143 (adaptado).
Uno de los exponentes del fenómeno transculturador en nuestra literatura es el peruano José María Arguedas, quien, en su famoso discurso “No soy un aculturado”, declara en una parte: “Yo no soy un aculturado; yo soy un peruano que orgullosamente, como un demonio feliz habla en cristiano y en indio, en español y en quechua”.
Considerando que Arguedas representa la figura del sujeto transculturado, o sea, que entre la tradición y la modernidad se ubica en un punto intermedio, es correcto afirmar que
Hace algún tiempo, los estudios de género se enfrentaron a un problema teórico elemental: diferenciar la literatura feminista de la literatura escrita por mujeres. Hoy ese dilema ha quedado en el pasado, pues, sabemos, que no toda la literatura femenina es, necesariamente, feminista. Lo femenino es genérico, aquello que escribe cualquier mujer; el feminismo, en cambio, es sociopolítico ya que el sujeto femenino que escribe lo hace desde una postura contra el patriarcado, pues demanda la igualdad de derechos respecto al hombre, entre otras reivindicaciones.
GOLUBOV, N. La crítica literaria feminista contemporánea: entre el esencialismo y la diferencia. Disponible en: https://debatefeminista.cieg.unam.mx/index.php/debate_feminista/article/view/1754. Acceso en: 16 mar. 2020 (adaptado).
TEXTO 2
1 Amor, la noche estaba trágica y sollozante
2 cuando tu llave de oro cantó en mi cerradura;
3 luego, la puerta abierta sobre la sombra helante,
4 tu forma fue una mancha de luz y de blancura.
5 Todo aquí lo alumbraron tus ojos de diamante;
6 bebieron en mi copa tus labios de frescura;
7 y descansó en mi almohada tu cabeza fragante;
8 me encantó tu descaro y adoré tu locura.
AGUSTINI, D. “El intruso”. In: El libro blanco (Frágil). Poesías completas. Madrid: Cátedra, 2012 (adaptado).
Considerando lo que se afirma en el Texto 1, los versos de la modernista uruguaya Delmira Agustini (1886-1914), presentes en el Texto 2, representan una actitud feminista, porque