Questões de Concurso Sobre literatura
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Na leiteria a tarde se reparte
em iogurtes, coalhadas, copos de leite
e no meu espelho meu rosto. São
quatro horas da tarde, em maio
Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo a vida
que é cheia de crianças, de flores
e mulheres, a vidaesse direito de estar no mundo,
ter dois pés e mãos, uma cara
e a fome de tudo, a esperança.
GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: José . Rio de Janeiro: José Olympio, 1987. p. 341. (Fragmento).
Analisando a estrutura do poema de Ferreira Gullar, é correto Analisando a estrutura do poema de Ferreira Gullar, é correto afirmar que o poeta
Longe do estéril turbilhão da rua
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima, e sofre e sua!
BILAC, Olavo. Poemas de Olavo Bilac. São P . São Paulo: Melhoramentos, 2022. p. 67. (Fragmento).
Para a interpretação geral da estrofe, no último verso,
Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas, submissas como a minha ao destino cotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios.
PESSOA, Fernando. O livro do desassossego. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 52 companhia das Letras, 2011, p. 52.
O texto está em prosa, mas registra elementos que não o distanciam da tradição poética de seu autor. Qual das O texto está em prosa, mas registra elementos que não o distanciam da tradição poética de seu autor. Qual das alternativas comprova essa afirmação?
Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada? Não bastavam as humilhações recebidas em público? No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, viraram-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém.
- "É conveniente escrever um artigo, seu Luís". Eu escrevia. E pronto, nem um muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Nas relações na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado...
RAMOS, Graciliano. Angústia. 59.ed. São Paulo: Record, 2004. p. 236.
Analise as afirmativas que seguem, considerando alguns dos elementos da construção narrativa.
I. No texto, a postura do personagem-tipo é de um ressentimento individual, que, embora explicite as relações de poder entre os dominantes e seus subalternos, não reivindica uma mudança das relações de exploração em geral.
II. O personagem-tipo pertence à classe dominante que, necessariamente, não tem condições de uma consciência plena como classe.
III. O personagem Luís quer ser apenas prestigiado e, se possível, chegar ao mesmo patamar da classe que o oprime; por isso, reivindica uma mudança das relações de exploração.
IV. No trecho: "Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada?", é possível reconhecer que são palavras ditas pelo personagem Luís, mas não há verbo de dizer, não há travessão nem aspas. Isso está integrado ao discurso indireto do narrador.
verifica-se que está/ão correta/s apenas
...eu o vi de repente e era um homem tão extraordinariamente bonito e viril que eu sentia uma alegria de criação. Não é que eu o quisesse para mim assim como não quero a Lua nas suas noites em que ela se torna leve e frígida como uma pérola. Assim como não quero para mim um menino de nove anos que vi, com cabelos de arcanjo, correndo atrás da bola. Eu queria em tudo somente olhar. O homem olhou um instante para mim e sorriu calmo: ele sabia quanto era belo, e sei que ele sabia que eu não o queria para mim, e ele sorriu porque não sentiu nenhuma ameaça. (Os seres excepcionais estão mais sujeitos a perigos do que o comum das pessoas.) Atravessei a rua e apanhei um táxi. A brisa me arrepiava os cabelos da nuca e era outono, mas parecia prenunciar uma nova primavera como se o verão estafante merecesse a frescura do nascimento de flores. Era no entanto outono e as folhas amarelavam nas amendoeiras. Eu estava tão feliz que me encolhi num canto do táxi de medo pois a felicidade também dói. E tudo isso causado pela visão de um homem bonito. Eu continuava a não querê-lo para mim, mas ele de algum modo me dera muito com o seu sorriso de camaradagem entre pessoas que se entendem. A essa altura, perto do viaduto do Museu de Arte Moderna, eu já não me sentia feliz, e o outono me pareceu uma ameaça dirigida contra mim. Tive então vontade de chorar de manso.
LISPECTOR, Clarice. Rio de Janeiro: Rocco, 2018. p. 286
Quanto ao gênero, o texto narrativo encerra um(a)
Para responder à questão, considere o fragmento de texto abaixo.

(Disponível em: CAMARGO, Diones. A mulher arrastada. 1. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021. – texto adaptado especialmente para esta prova).
Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes.
1- Na primeira estrofe do poema verifica-se o vocativo, uma dualidade e um adjetivo de incondicionalidade.
2- A segunda estrofe do poema de Vinicius de Moraes retrata a subserviência, saudosismo e na amplitude temporal e espacial.
3- No último verso da segunda estrofe, está mencionado o aspecto temporal, verificados pela presença das palavras eternidade e instantes.
4- A quarta estrofe do soneto reflete a intensidade do amor e a sua frequência, onde o poeta delimita o modo de amar.
Está ou estão correta(s).
Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes.
( ) A segunda estrofe do poema se debruça sobre o tempo do amor - que vive no presente e também na expectativa de futuro.
( ) Na terceira estrofe , há uma comparação com a natureza animal, o que relembra o leitor do que há de voraz e irracional no sentimento amoroso.
( ) A terceira estrofe reveza a noção de constância ("um desejo maciço e permanente") com uma percepção de que no amor há descontrole ("como um bicho, simplesmente").
( ) No poema, o sujeito poético não deixa de viver o afeto na sua plenitude, extraindo do sentimento toda a beleza que pode.
A sequência correta de cima para baixo é:
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Considerando o texto, analise as proposições abaixo:
I- O primeiro verso localiza o poema temporalmente. E na sequência, é explicado que tempo é esse: um tempo sem deus e sem amor.
II- O tempo que se mostra ao poeta é um tempo de trabalho, de olhos que não chegam a chorar diante de todas as dores do mundo, porque estão cansados de lamentar.
III- No segundo verso, a imagem prevalecente é a da solidão. Entretanto, não há desespero, e sim um desinteresse, inclusive pelos amigos e vida social.
É ou são verdadeira (s):
Considere os excertos de poemas a seguir:
I. Ó carnes que eu amei sangrentamente,
ó volúpias letais e dolorosas,
essências de heliotropos e de rosas
de essência morna, tropical, dolente...
do So
carnes acerbas e maravilhosas,
tentadoras do sol intensamente... (Cruz e Souza)
Carnes, virgens e tépidas do Oriente do So
nho e das Estrelas fabulosas, carnes acerbas e maravilhosas, tentadoras do sol intensamente... (Cruz e Souza)
II. Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez! (Álvares de Azevedo)
III. “Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!” (Tomás Antônio Gonzaga)
De acordo com as características expressas por cada autor, assinale a alternativa que indica o movimento literário ao qual se associam, respectivamente.
Leia com atenção o texto a seguir:
Primeiramente, há de ir ter às Sereias, que todos os homens
que se aproximam dali, com encantos prender tem por hábito.
Quem quer que, por ignorância, vá ter às Sereias, e o canto
delas ouvir, nunca mais a mulher nem os tenros filhinhos
hão de saudá-lo contentes, por não mais voltar para casa.
Enfeitiçado será pela voz das Sereias maviosas.
Elas se encontram num prado; ao redor se lhe veem muitos ossos
de corpos de homens desfeitos, nos quais se engrouvinha a epiderme.
Passa de largo, mas tapa os ouvidos de todos os sócios
com cera doce amolgada, porque nenhum deles o canto possa escutar.
Mas tu próprio, se ouvi-las quiseres, é força
que pés e mão no navio ligeiro te amarrem os sócios,
em torno ao mastro, de pé, com possantes calabres seguro,
para que possas as duas Sereias ouvir com deleite.
Se lhes pedires, porém, ou ordenares, que os cabos te soltem,
devem mais fortes amarras à volta do corpo apertar-te.
Odisseia / Homero ; tradução e prefácio Carlos Alberto Nunes. - [25. ed.] - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015
O trecho lido acima é um recorte do Canto XII da obra Odisseia escrita por Homero e traduzida por Carlos Alberto Nunes. Pode-se perceber que o texto é constituído por uma narrativa em versos dividida em diversos cantos. Qual o gênero literário possui estas características?
Valorização da objetividade e dos fatos. Impessoalidade, apagamento das ideias do autor. Descrições de tipos sociais, ou situações típicas. Fim das idealizações: retratos de adultério, miséria e fracasso social. Prevalência das formas do romance e do conto. Frequentes críticas às hipocrisias da moralidade da nova classe dominante, a burguesia. Aceitação da realidade tal como ela é. Esteticismo: linguagem culta e estilizada, escrita com proporção e elegância. Tentativa de explicar o real, recorrendo muitas vezes à Ciência, ou ao Determinismo. Abordagem psicológica das personagens como composição da realidade que veem. Retrato fidedigno da realidade. Cientificismo e Materialismo. Personagens comuns e não idealizados.
Inspiração Iluminista. Equilíbrio e busca da perfeição. Racionalismo, bucolismo e pastoralismo. Retomada dos valores clássicos. Idealização da mulher. Pureza e ingenuidade humana. Linguagem simples e objetiva. Figuras mitológicas. Temática cotidiana. Valores da natureza. Fugere Urbem: fugir do urbano; Locus Amoenus: lugar ameno, o gozo da natureza; Áurea Mediocritas: equilíbrio das riquezas; Inutilia Truncat: abdicar do superficial da vida e conviver com o essencial; Carpe Diem: aproveitar o dia, viver com alegria, curtir o simples como apreciar a natureza; O eu poético: exaltação da natureza e da mitologia; Crítico: absorveu a filosofia do Iluminismo, fazendo forte crítica à burguesia e ao estilo de vida dos burgueses; Pseudônimos pastoris: os poetas fingiam outra identidade, se autointitulado pastores e assinavam suas obras como tal. As obras eram marcadas ainda pela simulação de sentimentos inexistentes.
Em uma obra literária, refere-se a uma curta citação que introduz o que será lido em seguida. Quando presente, encontra-se na página ímpar posterior à página da dedicatória ou no início das seções ou capítulos da obra.